Notas iniciais

Apenas o Prólogo. O passado. Trilha sonora nos proximos capitulos.


Já era tarde, estava chovendo e Gerard ainda estava sentado na escrivaninha, adiantando a tarefa de matemática. Havia feito a tarefa do dia seguinte há mais de uma semana. Gostava de estar à frente em relação aos outros alunos, bem à frente, na verdade.


Seu quarto estava extremamente em ordem, títulos esportivos espalhados por ele. O orgulho da família.


Calculadora em mãos, livros espalhados por toda a mesa. O garoto resolvia os exercícios rápido, muito mais rápido que qualquer um da sua idade.


Seu cabelo ainda era curto e um pouco mais claro que preto. Estava de camisa quase social, por mais que estivesse em casa, gostava de se manter arrumado.

Seu pai entrava cambaleando pela porta. Gerard o olhou. Era o que? A quinta vez em cinco dias que ficava bêbado?

Suspirou, tentando ignorar e voltar aos números. Não conseguiria, estava completamente desconcentrado agora.

“Olá, filho!” disse animado, porém, com a voz arrastada. “O que esta fazendo?”

Rolou os olhos, até ai ainda não tinha visto o copo de Whiskey que segurava.

“Lição de casa. Trigonometria.” Respondeu, direto, sem tirar os olhos do papel.

“Oh! Trig... Ah. Malditos números!”

Seu pai andou pelo quarto e se segurou na cama, escorregando quando foi sentar.

“Tem alguém bêbado aqui.”

“Qual é, filho, ninguém precisa de matemática.” Sorriu. “Ninguém quer mexer com números a vida toda, faz mal pro estômago. Seja criativo, você deveria tocar algum instrumento ou pintar alguma coisa. Sempre quis tocar trombone, flauta. Queria ser flauteiro... Flautista?”

Gerard não pôde deixar de rir, de certa forma era engraçado.

“Queria escrever poemas também! Tipo aquele Shakespeare, se é que ele escrevia poemas. Mas não ia dar certo. Panaca demais pra mim.”

“Mais que a flauta?” Gerard disse. Não queria ter sido tão rude, não mesmo.


O homem ficou quieto, até meio triste. Depois começou a recitar.

“Hoje escrevo estas linhas tristes, para lembrar que não a tenho.” Definitivamente não era Shakespeare.

“Qual é pai, adoro você bêbado, mas preciso estudar.”

“Tudo bem, me desculpe, estou indo.”

“Não tem problema, mas é que ta ficando meio tarde.”

“É... Tarde demais.”

Gerard voltou a escrever enquanto seu pai levantava e ia em direção a porta.

“Vá com calma com os números, garoto. Eles são precisos demais.” O homem disse e o outro ignorou, voltando a escrever com rapidez inigualável. “A vida não deveria ser tão... Esperada!” Disse, triste.

Definitivamente não estava falando coisa com coisa.

“Entendi! Boa noite, pai.”

Ele se virou e tirou uma arma de dentro do paletó do terno. Colocou a arma na boca, enquanto Gerard estava envolvido demais com os malditos números. Atirou.


O garoto levou um susto e olhou imediatamente para a figura, agora sem vida, do seu pai.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.