Escuridão - A chave
12 Foi só por meus pés para fora e ...
Notas iniciais
Quero agradecer a todos os reviews de vocês meus amores e ao novos leitores por me darem uma chance xD
E cadê meus leitores antigos?? Hein kkk por que não estão mais comentado? Assim vcs me deixam triste :(
Espero que gostem!!!
(Sábado, 9h e 30 da manhã)
Eu estava em meu banheiro, prendendo meus cabelos em um rabo de cavalo alto, quando comecei a observar a cicatriz em meu braço. Coloquei meu braço estendido em cima da pia e abri a torneira deixando a água cair sobre os grossos vergões da palavra morte estampada em meu braço.
Não sentia dor, não sentia nada. Desliguei a torneira e passei minha mão direita entre os vergões sentindo a pressão do meu sangue correndo em minhas veias.
FLASHBACK ON
_ Como é bom, você não sabe como é bom sentir, o doce cheiro do seu sangue. Sangue que irá me trazer a liberdade, já posso sentir o doce gosto da liberdade. Faltam poucos dias e quando a ultima gota de sangue escorrer pelo seu corpo completamente gelado, pálido e morto... Estarei livre.
FLASHBACK OFF
Gelado, pálido e morto... morto, é isso eu tenho que estar. Morta para as almas se libertarem, mas se libertarem do que? E por que tenho que esperar a hora certa para morrer? E qual será essa hora?
Tantas perguntas, nenhuma resposta.
Jogo água em meu rosto tentando dispersar esses pensamentos, não preciso criar novas perguntas, já estou cheia delas. Preciso respondê-las e vou aproveitar esse tempo livre para procurar respostas.
Após terminar de me arrumar desço as escadas. O salão principal da escola estava hoje vazio, ele sempre fora cheio de alunos de todos os tipos. Hoje é sábado mais da metade da escola saiu, foram visitar seus pais ou andar por ai sem rumo.
Hoje minha mãe irá vir me ver, nunca pensei que sentiria tantas saudades dela assim, mas sinto.
Hoje também preciso ligar para Lucia, estou com saudades e ainda não consegui falar direito com ela. Como será que foram as coisas entre ela e o Josh? Espero que tenha dado tudo certo.
Ainda na escada vejo Thomas discutido, aquilo tava mais para birra. Mas uma senhora de meia idade que usava um vestido vermelho vinho comprido com o sobretudo aberto, um chapéu bege com um enfeite em formato de flor do lado direito do chapéu e estava com uma bolsa de mão pequena bege, da cor do sobretudo. Parecia quer leva-lo para algum lugar e ele se negava a ir.
_ Olá Thomas, olá senhora. – Digo descendo os últimos degraus.
_ Oi Alicia. – Responde Thomas.
_ Olá senhorita. Sou Elizabeth Martinez, tia de Thomas Martinez. – Disse a senhora que parecia ser muito fina. Comportava-se como uma verdadeira dama, me deixando envergonhada ao seu lado, pois não sabia como me portar e o que falar.
_ Alicia Mesult. – Me apresento receosa.
_ A senhorita irá para casa assim? – Pergunta a senhora me olhando dos pés a cabeça reprovando meu visual desajeitado com um olhar esnobe.
Instantaneamente olho para minhas roupas, eu não estava tão mal assim vestia uma calça jeans Skinny preta sem detalhe nenhum, uma camiseta baby look justalilás, um all star preto comum e meus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo bagunçado.
_ Er... Sim. – Respondo envergonhada.
_ Deveria aprender a se vestir e se portar como uma dama, senhorita. Agora Thomas, vamos, já estamos atrasados. – Diz empinando ainda mais o nariz.
_ Não, eu não vou. – Teima Thomas.
Não sei se deveria sair e deixa-los a sós, ou se seria maus modos sair sem dizer nada. Com duvida decido continuar para ali apenas observando.
_ Sua falecida mãe não iria gostar desses seus maus modos Thomas Martinez. – Diz impondo o tom de voz.
_ Ela sempre soube que eu nunca quis fazer parte disso. – Argumenta ele.
_ Mas você faz, e por fazer parte da realeza de Londres tem que se portar como tal, e irá agora direto para uma escola de etiqueta.
_ Foda-se tudo isso. Eu não vou.
_ Menino que palavreado é esse? Não faça seu tio vir te buscar será pior.
_ Pode vir quem for eu não vou.
_ Não me assusta tanto sua falta de educação, olha com quem andas. – Diz a mulher arqueando as sobrancelhas para mim, e se retirando.
_ Ei... – Digo compulsivamente movendo meu corpo em sua direção, mas Thomas coloca sua mão em frente ao meu corpo para mim parar.
_ Desculpa Thomas, mas ela estava me humilhando, você viu o jeito que ela me olhava? Parecia até que eu era um bicho.
_ Quem tem que pedir desculpa sou eu, ela não tinha o direito de te tratar assim. Me desculpe Alicia? – Pede com um olhar triste.
_ É claro, você não tem culpa do que ela fez, pra começar eu não devia nem ter vindo aqui.
_ Me envergonho dela e de todos. – Diz ainda me olhando.
_ Todos? – Pergunto sem entender de quem ele estava falando.
_ Minha família. – Responde cabisbaixo.
_ E quem é a sua família? – Pergunto.
_ A família “Real” de Londres. – Faz aspas com as mãos. _ Meu tio é o rei Carlos, minha mãe era sua irmã e Elizabeth também.
_ Sua mãe está morta?
_ Sim, ela morreu há alguns anos, causas desconhecida. Eu tinha oito anos, mas já me negava a fazer parte desse mundo de marionetes, eles se acham os educados, mas você viu o que fazem com quem não é do “nível”. – Novamente faz aspas com as mãos. _ deles. Fui criado por eles até ser mandado para cá, mas não vou voltar de jeito nenhum para Londres. Aqui é o meu lugar, sou apenas um humano normal filho de bruxo. Minha mãe não era assim, ela julgava as pessoas pelo seu caráter e não pelo que vestiam. Quando eu dizia que não queria fazer parte desse mundo ela dizia que eu era teimoso igual ao meu pai. Pena que os dois estão mortos, meu pai morreu antes mesmo de eu nascer. Queria ao menos tê-lo o conhecido.
_ Desculpa te lembrar disso, eu sei que você não gosta de falar da sua família. – Desculpo-me
_ Tudo bem. – Diz forçando um sorriso. _ E ai vai sair?
_ Não, praticamente não posso sair daqui, mas minha mãe virá me visitar á tarde.
Matheus desce a escada, distraído e acaba topando comigo e Thomas. Revira os olhos, irritado e atravessa o corredor rapidamente.
_ Que mau humor. – Comenta Thomas, o olhando atravessar o corredor. _ O que vocês tem? Hein? Não entendo por quê estão sempre juntos se são tão diferentes.
_ Não temos nada. – Digo olhando a sombra de Matheus sumir do corredor.
_ Então por que andam juntos? – Pergunta Thomas.
_ Não posso dizer.
_ Por quê? Vocês tem algum tipo de ligação?
_ Ligação com ele? – Rio. _ E você vai sair hoje? – Mudo de assunto.
_ Não. – Diz fazendo bico por eu não o responder.
_ Oi gente. – Diz Hanna descendo a escada.
_ Oi Hanna. – Respondemos em uníssono.
_ Cadê os outros? – Pergunta Hanna se aproximando.
_ Acho que foram para suas casas. – Responde Thomas.
_ Então somos só nós três?
_ Sim. – Respondo
_ Vocês já tomaram café da manhã? – Pergunta Hanna.
_ Não. – Respondemos juntos.
_ Então vamos tomar. – Diz Hanna nos puxando.
( Sabado, 14h)
_ Mãe. – Corro a abraçar.
_ Nossa Alicia, não pensei que fosse tão querida assim. – Diz me abraçando forte.
_ Estava com saudades. – Digo a soltando.
_ Também minha queria, e muito. Como você está?
_ Até que bem, aconteceram tantas coisas loucas, mas to de pé.
_ Você não está brava comigo por não ter te contado sobre seu pai antes? – Diz me olhando.
_ Já passou. Mãe o que tanto sabe sobre ele? Ele está morto? – Pergunto enquanto caminhamos pelo jardim.
_ A única coisa sobre seu pai que sei antes de ele desaparecer é que ele era um bruxo, fora isso não sei de mais nada. – Diz andando devagar pelo jardim.
_ Ele desapareceu? – Pergunto assustada.
_ Sim, após você nascer. Não sei se ele está vivo ou morto, na verdade ninguém sabe. Mas como já faz tanto tempo, o deram por morto.
_ Eu preciso descobrir o que aconteceu com ele.
_ Alicia. – Ela para me fazendo olhar para ela. _ Tome cuidado, você não está segura, não pode ficar vulnerável agora. Então é melhor não se meter com isso.
_ Mas mãe, é o meu pai.
_ Não posso te perder também, você é a única que tenho. Eu te amo filha. – Diz dando um beijo em minha testa.
_ Também te amo mãe.
_ Eu tenho que ir, não posso ficar muito tempo aqui.
_ Por quê? – Pergunto.
_ Por que é perigoso, eles podem estar me seguindo.
_ Eles quem? – Pergunto temendo a resposta.
_ Só não sai daqui, certo? Aqui você está segura.
_ Certo. – Concordo.
Minha mãe me dá um beijo de despedida e se vai, me deixando sozinha naquele enorme jardim colorido.
Volto para dentro da escola, ver se encontro Hanna e Thomas.
Não foi tão difícil encontrar Hanna, ela estava sentada em um sofá pequeno no grande salão, ela estava lendo um livro de capa dura, de aparência velha.
Me aproximo.
_ Hanna, voltei. – Digo.
_ Já?- Diz levantando o olhar para mim.
_ Aham.
_ Sua mãe já foi?
_ Sim. O que está lendo?
_ Shh. – Leva o dedo a boca, me pedindo silencio. _ É o grimório da minha mãe.
_ E o que é um grimório? – Pergunto.
_ É onde as bruxas escrevem todos os feitiços que aprendem a fazer, é praticamente um livro de feitiços. Mas ninguém pode saber que o peguei da minha mãe.
_ Então por que decidiu lê-lo bem no salão onde mais tem gente? – Digo me sentando ao seu lado.
_ Porque minha mãe nunca vem aqui. Se ela descobrir me mata, literalmente. – Diz rindo.
_ E Thomas, cadê? – Pergunto.
_ Foi para a quadra com alguns garotos.
_ Ah.
_ Alicia. – Diz como alguém que acabou de ter uma grande ideia. _ E se a gente fosse para aquele lugar que eu queria te levar ontem para mostrar meus poderes e praticar alguns dos feitiços desse grimorio? Tem tantos tão poderosos.
_ Não sei não. Não é perigoso? – Pergunto receosa.
_ Não, eu sou muito experiente sei como fazê-los. E fora daqui eu posso usar meus poderes sem minha mãe saber.
_ Mas minha mãe me disse para não sair daqui. – respondo lembrando das palavras dela. “Por que é perigoso, eles podem estar me seguindo. Só não sai daqui, certo? Aqui você está segura.”
_ Mas é praticamente aqui mesmo. Só que no outro lado da rua, no bosque. Você vai gostar de lá.
_ Eu não sei.
_ Vamos? – Me pede com cara de cachorrinho que caiu da mudança.
_ Ta bom. – Me dou por vencida.
Nos levantamos para ir até o tal bosque. Hanna coloca o livro embaixo do seu braço e me puxa.
_ Vem. – Diz com um enorme sorriso no rosto indo em direção do grande portão, agora aberto.
Saímos da escola e após por meus pés para fora, sinto uma sensação esquisita, mas continuo.
Era uma rua estreita, como um corredor. Do lado da rua em que estávamos tinha a grande escola quase ocupando todo o espaço e algumas casas pequenas.
Vejo o andar de cima da casa amarela onde estava quando descobri que Matheus era um demônio, lembro da expressão de preocupado em seus olhos enquanto olhava para o chão e da expressão de confusão que fez ao descobrir minha reação. Do nada, olhando para a tal casa começo a sorrir.
Percebo Hanna na minha frente rindo da minha cara de boba.
_ O que foi? Por que parou? E por que essa cara de bobo apaixonado? – Pergunta rindo.
_ Nada. – Digo voltando a minha expressão normal.
_ Pensando no Matheus? – ri.
_ Não. Hanna, vamos. – Digo fazendo careta ao falar de Matheus.
_ Certo, me siga. – Disse atravessando a rua.
Do outro lado da rua havia mansões velhas e o tal bosque. Paro o fitando, era sombrio e assustador, por que Hanna disse que iria gostar de lá?
_ Assustador não é? – Pergunta num tom baixo se pondo ao meu lado, me assustando.
_ É sim, por que disse que eu iria gostar?
_ Lá dentro é bonito, não julgue pela aparência exterior. – Diz brincando.
Me aproximo mais do boque e sinto um arrepio, algo me dizia que eu não deveria estar ali.
Notas finais
Qualquer critica estou aqui para ouvi-los, meus amores.
Bjss K
xD
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