Escuridão

1 Capítulo único


Notas iniciais
Esta é uma história de um único capítulo que decidi postar. Espero que todos que lerem gostem...Até lá em baixo

Olho frustrado para minha cama, que ainda está para ser arrumada. Francamente, não entendo: Por que arrumar minha cama, sendo que vou dormir de novo e ela vai ficar bagunçada novamente?

Olho de relance para o colchão e entendo o porquê da MINHA cama ter que ser arrumada: os lençóis estão virados do avesso, travesseiros sem fronhas e edredom todo amarrotado, que sairia durante a noite caso tentasse dormir com ele desta maneira, fora a total falta de conforto. Os pesadelos sem sentido, onde só há escuridão, fazem isso ...

Após a cama arrumada, corro para o banheiro o mais depressa possível, porque meu problema de sangramento nasal decidiu dar um alô. Meu sangramento nasal é um estilo de menstruação masculina, exceto o fato que não existe absorvente e o meu sangramento pode vir a qualquer hora e durar o tempo que preferir.

Olhando meu reflexo, após o rosto lavado, sinto um calafrio na espinha, pois não consigo me ver cheio de sangue, mesmo sendo meu. Meus olhos castanhos estão mostrando minha total exaustão e meu cabelo ruivo só comprova a tese de que não tenho tido noites tão agradáveis de sono. Minha pele branca parece estar mais branca ainda, devido ao medo. A mesma pergunta me persegue: “Do que estou com medo, sendo que tudo não passa de um sonho?”

Sendo um garoto brasileiro, paulistano, de 18 que mora sozinho, ainda tenho que ir para a faculdade, mesmo com todos os problemas.

Consigo ajeitar meu cabelo com um certo esforço e a brancura de minha pele voltou ao normal. Passo um rápido perfume, para disfarçar que não deu tempo para o banho e saio correndo de casa, pois já são 6:50.

Hoje teve aula de gramática, pois todo bom juiz precisa ter argumentos para realizar um tribunal, porém estava muito disperso hoje e não entendi pinoias do que foi dito pelo professor. Devem ser os pesadelos que me deixam pensativos.

Após dar uma passada rápida em casa, finalmente tomo um banho e me arrumo para ir ao trabalho, na livraria Saraiva, onde terei que aturar as ordens de sempre “Ei, fica de olho em todo mundo que entrar”. “Ei, fique no caixa.” . “Ei, faça isso, isso e isso”...e assim por diante.

Estou organizando os livros por ordem de autores, como foi pedido por Getúlio, o gerente, que por sinal odeio, pois nunca de decide sobre o que deve ser feito. Sinto uma cutucada em meu ombro e já fecho a cara, então assumo um tom sério:

-O que foi agora? Quer que coloque J.K Rowling junto com E. L. James?- digo, melancolicamente.

-Na verdade,-responde uma voz feminina- gostaria de lhe matar.

Viro-me rapidamente e não tem ninguém atrás de mim. Somente um papel jogado no chão, que pego rapidamente. Analiso-o e não consigo entender. Simplesmente é um papel todo preto, com uma margem branca.

-MARCOS. –escuto um grito de Getúlio. -Você deveria estar organizando os livros eróticos em uma só prateleira, não deveria estar organizando por autores.

-Mas...- começo- ahn?

-É isso mesmo. Agora vá pra lá.

Velho rabugento ,penso.

Chego em meu apartamento e um calafrio percorre minha espinha. O que há de errado? Deve ter sido somente pelo mau dia que tive, fora a chuva de granizo que tive de enfrentar ao vir para casa.

Destranco a porta e sou empurrado para dentro de casa, por um par de mãos que não posso identificar. A luz da cozinha se acende e não há ninguém. A luminosidade é pouca. A porta está trancada, mesmo sem me lembrar de não ter trancado, e ainda estou caído no piso frio.

Tento me levantar, mas quando me dou conta, existe uma garota, que não sei quem é. Seus cabelos negros lhe cobrem a face. Está usando um vestido preto justo e está descalça. Um trovão do lado de fora retumba e a garota diz, numa voz que reconheceria de hoje mais cedo:

-Não achou que se livraria de mim tão fácil, não é? Minha habilidade em criar alucinações te assusta? É esse, o rosto que vem vendo em seus pesadelos?

A garota tira o cabelo de seu rosto e meu espanto não me permite gritar, a única coisa que sai de mim, é o ar, que me esforço para encontrar. A face da garota é cheia de espinhas, ela não tem olhos e uma mancha de sangue escorre em cada lado, que suponho serem lágrimas de uma pessoa sem os olhos. A boca é totalmente costurada, então suponho que...as palavras dela vem em minha mente.

-Estou tão diferente, Marcos?- sussurra em minha mente. –Sim, me lembro de você. Como esquecer aquele baile em que você me trocou por outro rabo de saia? Eu, a garota mais bonita do colégio, fui trocada por uma...lambisgoia como a Anne? Sim, sou eu...Mariah. Gostou do visual novo? Após a minha morte, pensei que poderia inovar um pouquinho, só para de perseguir e saber sua opinião. Mas vamos falar de Anne.-sua voz retumba em minha mente. –O que acha dela agora?

Mariah vira minha cabeça para o lado, e onde deveria estar o lustre com a lâmpada, encontra-se Anne, pendida pelo pescoço, com sua boca costurada e sangue escorrendo por seu peito. Seu cabelo castanho está desgrenhado e com a lateral raspada, onde é possível ver o cabo de uma faca.

-Sim, meu querido...Ela foi uma vítima difícil...como era irritante. Agora, você e eu, temos uma conta a acertar.

Sou levado a meu quarto, arrastado por Mariah, e minha garganta está seca, devido ao grande medo do momento. Meu quarto está quase sem luminosidade, mas consigo ver uma cama de pregos, grilhões e um jogo de facas.

Quando me dou conta, Mariah tira toda minha roupa e me coloca de joelhos perante ela.

-Mariah, por favor.- começo a chorar, suplicando por minha vida. –Faço tudo que você quiser.

-Oh, meu querido,- diz Mariah, sutilmente. –isso é o que quero.

Mariah me coloca nos grilhões e então pega um das facas. Começa a brincar com esta, então, de repente, sinto a lâmina afiada em minha barriga. A dor é imensa, mas não consigo gritar e não posso me mexer.

Após cortes por todo meu corpo, Mariah corta meu cabelo, careca.

-Sempre soube de seu pavor de ficar careca. –diz, sombriamente. –Agora, chega de tortura.

Mariah me desprende dos grilhões, e do nada, estou levitando, e posso jurar, que por trás da boca costurada, havia um sorriso malicioso. Se esse for meu destino, que seja. Fecho meus olhos e sinto-me despencando, e sinto os pregos perfurando todo meu corpo e assim, a vida de esvai de mim.

Notas finais
Essa foi a história...espero que tenham gostado. Se gostaram,favoritem e comentem, por favor. Vlw :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!