Escuridão do passado
39 Capítulo- 39
Notas iniciais
Eu estava com raiva dele. Ele me irritava. Na verdade não sei por que estou assim. Mas sei que no fundo eu gosto.
Saí da biblioteca e fui para o quarto.
Sentei-me na escrivaninha e liguei meu computador. Abri meu e-mail, e por um milagre não tinha nenhum.
Algum tempo depois fuçando em tudo o que eu podia, recebi uma chamada de vídeo do Jacob.
–Jacob? –falei com um tom de surpresa ao vê-lo na tela.
–Oi, Any. Faz tempo que não nos falamos.
Assenti.
–Tudo bem com você? –ele perguntou.
–Claro... E com você?
–Tudo, sim.
–E Renesmee? –eu perguntava indiferente.
–Ah, ela está bem. –ele falou sorridente. –Você não vai acreditar.
–Tente.
–Contei para ela. Contei para ela sobre o imprinting.
–Nossa Jacob, que bom.
Ele desanimou um pouco.
–Não está feliz por mim?
–Na verdade, Jacob... –Abri um enorme sorriso. –Estou muito feliz por você. Você merece ser feliz.
–E você também. –ele falou.
–Não se preocupe comigo.
–Mas eu me preocupo.
Sorri.
–Obrigada, Jacob.
–Me conta. Como estão as coisas aí? Conheceu pessoas?
Sorri de lado.
–Bem...
–Any. Conheço você. O que está aprontando?
–Bom, respondendo sua pergunta... Eu conheci, sim. Conheci algumas pessoas.
–Alguma em especial?
Neguei com a cabeça. E pela primeira vez, Jacob acreditou nessa minha mentira.
–Bom... Não está com saudades da sua família?
–Claro que sim. Estou morrendo de saudade. –falei.
–E de mim?
–Você sabe que sim, Jacob.
Comecei a pensar. Eu tinha saudades de todos. Mas às vezes eu esquecia. Luke me fazia esquecer tudo.
E tinha também uma pessoa a qual fazia tempo que não via. Ia fazer um ano que eu não via essa pessoa.
Então eu decidi. Eu iria visitá-lo.
Olhei para a tela do notebook e falei para Jacob.
–Jake... Eu preciso ir. Vou fazer uma coisa importante agora.
–E eu posso saber o que é?
–Não. Tchau. -Fechei e corri para o meu guarda-roupa.
Peguei uma mochila e coloquei apenas o necessário dentro.
Depois de um banho, e trocar de roupa, fui para sala.
Os amigos de Luke ainda estavam lá. Ignorei todos e dirigi minha palavra a Luke.
–Luke, pode vir aqui um minuto?
Ele veio e fomos até a cozinha.
–Vou viajar. –fui direta.
–O que? Está louca? –ele explodiu.
Fiz sinal de silencio. Ele olhou para a sala para ver se alguém prestava a atenção, e todos já voltavam a suas respectivas conversas.
–Pra onde? –ele perguntou em um sussurro.
E assim conversamos... Em sussurro. Expliquei-lhe tudo e ele prometeu que não contaria pra ninguém. Principalmente ao papai. Ele iria dizer que fui a um acampamento que estavam organizando, e eu ficaria fora por alguns dias. Talvez eu voltasse antes.
Fiz de tudo para não pensar nisso por muito tempo. Do contrario, Alice veria tudo e acabaria com o plano.
Voltei para a sala acompanhada de Luke. Dei um beijo em sua bochecha e o abracei.
Eu sentia seu cheiro. E era bom. Não falava apenas do sangue. Sangue... Eu aproveitaria para caçar no caminho.
–Nos vemos logo, Luke. Eu prometo.
Lancei-lhe um sorriso e ele retribuiu com outro sincero e ao mesmo tempo cúmplice.
Fui até a porta e abri, saí do apartamento, e antes que eu pudesse fechá-la, olhei para Henry. Diretamente nos olhos.
Ele estava sério, apenas me olhando de volta. Mas eu podia ver que ele mantinha um sorriso escondido no olhar.
Fechei a porta. E esse gesto não me permitiu que pudesse ver ele ainda.
Respirei fundo, e segui meu caminho.
***
Olhei para cima e vi a torre do relógio. Era lindo. Tudo ali era lindo. Peguei o atalho e entrei no castelo.
Depois uma boa andada por vários lugares, cheguei à recepcionista dos Volturi.
Ela me olhou e sorriu.
–Senhorita Cullen. Seja bem-vinda de volta.
Todos ali me conheciam. Eu vinha aqui algumas vezes com meu tio Alec, depois de ser adotada pelos Cullen. Acho tio mais apropriado do que avô. Bom, ele estava mais para tio, já que Ed não é meu... Pai de verdade.
Amaldiçoei-me por pensar isso.
–Olá, Gianna. Quero ver Alec. Isso é possível?
–Sinto muito, querida. Ele está em uma reunião importante neste momento. Quando ele acabar, você pode vê-lo. Que tal esperar no jardim. Eu lhe chamo. É seu lugar preferido, não?
–É sim. –sorri. –Obrigada! Estou esperando lá.
Ela assentiu e se sentou.
Chegando ao jardim, sentei-me na grama. Passei meus dedos sobre ela e sorri.
(Flashback on)
–Olha tio Alec. –Eu falava para o homem a minha frente, enquanto tentava pegar uma das borboletas coloridas.
Eu tinha nove anos.
Alec, usando sua rapidez sobrenatural, pegou uma na mão.
Ele me estendeu a mão ainda fechada. Estendi a minha para ele, e o mesmo pôs ali, a borboleta mais linda que eu já vira.
A borboleta que antes estava agitada, agora se mantinha parada em minha mão.
–Ela gostou de você. –ele falou e eu abri um sorriso.
Neste momento, o sol que a pouco se mantinha escondido atrás das nuvens, agora se exibia, liberando raios de sol em nossa direção.
A pele de Alec parecia que fora substituída por milhares de diamantes. Era lindo. Coisa de outro mundo.
Passei a mão em seu rosto, completamente maravilhada.
Alec riu.
–Que bonito. –falei. Olhei para meu braço, e na mesma hora meu rosto se tornou triste. –Eu não sou assim.
–Ei. –Alec sussurrou. Olhei para seus olhos. –Você já é linda. Não precisa disso. –ele dizia com sinceridade.
–Mas eu também queria ter isso.
–Escuta. Nem sempre o que parece, realmente é. Eu sou assim por fora, mas por dentro posso ser uma coisa totalmente diferente. Para me tornar isso, tive que me transformar em uma coisa que eu não queria. Eu não tive escolha. Por isso, tome a decisão certa no futuro, e seja o que você realmente quer ser.
Eu não entendia o que ele queria dizer com aquilo. Mas hoje entendo que ele se referia a minha decisão de tornar-me vampira, ou não.
Apenas assenti, e lhe dei um abraço.
(Flashback off)
–Oi. –falou uma voz, tirando-me de meus devaneios.
Olhei para cima e vi uma garota. Era vampira eu podia notar. E também via que era uma Volturi. Nunca a vi por aqui. Ela parecia ser mais velha, assim como a outra ao seu lado, que também vestia trajes do estilo Volturi.
–Quem são vocês? –perguntei.
–Você é Rauany Cullen, não? A sobrinha de Alec. –perguntou a outra. Essa era um pouco mais baixa. As duas tinham o cabelo castanho, e tinham os olhos vermelhos. –Eu sou Becca.
–E eu sou a Thais. –falou a mais alta. –Somos novas na guarda, por isso talvez ainda não tenha nos visto.
Elas pareciam ser simpáticas.
–Olá. –falei com um meio sorriso. –Vocês não deveriam estar em uma reunião?
–Ela já acabou. –falou Becca. –Alec já deve estar chegando.
Assenti.
–Como vieram parar aqui? –perguntei tentando não mostrar minha curiosidade.
–Demetri nos achou. –Thais agora explicava. –Já éramos vampiras e eu vivia em Sófia, Bulgária. Becca era da Holanda. Demetri soube de nossos poderes e nos trouxe para cá.
–Vocês foram forçadas a entrar na guarda?
Thais negou com a cabeça.
–Decidimos isso. –Becca disse. –Decidimos ficar na guarda. Vivíamos muito solitárias. Nossas histórias são muito parecidas.
–Quais são seus poderes? –perguntei me interessando.
–Que tal conversarem depois? Queria ver minha sobrinha agora. –Olhei para trás delas e vi Alec vindo em minha direção.
–Alec. –gritei. Corri em sua direção e o abracei. Ele me girou no ar.
Quando me colocou no chão, ele falou:
–Oi, baixinha. Senti sua falta.
Fale com o autor