Notas iniciais
História com personagens inéditos; Kagome-chan não é protagonista.

A brisa da manhã balançava meus cabelos lentamente. Eu estava em cima de um galho, olhando todo o campo verdejante à minha volta, tentando recapitular cada momento de minha longa vida. Estive “meio” solitária durante séculos e acho que havia bastado para mim. Eu me tornara uma pessoa seca, imprudente e insociável, como sempre acontece com pessoas que vivem rabugentas e sozinhas. Matar youkais havia se tornado meu hobbie, já que eu não tinha mais nada para fazer. De vez em quando eu perambulava pelo mundo dos humanos inúteis, mas como sempre, também não havia absolutamente nada de diferente. Alguns eram até muito bonitos, mas pareciam lerdos, meio quebradiços. Minhas orelhas de gato negras não se destacavam muito em meus cabelos curtos e também escuros. Todos achavam que era um adorno que ficava em cima da minha cabeça, mas eu nunca os permitia tocar em mim.

Mãos puxaram meus tornozelos para baixo, levando-me direto ao chão.

- Como sempre, bondade em pessoa. – resmunguei com um pouco de dor; aquela que eu nunca expressara para ninguém.

- Chega! Não fale comigo deste jeito. – exclamou ele, zangado com minha ironia.

- Desculpe se não o agrado. – levantei-me, limpando minhas vestes, que estavam cheias de terra.

- Sssenhor Sssesshoumaruu, essstá na hora!

Bufei. Odiava Jaken.

- Não o chamei aqui, Jaken. Suma. – Sesshoumaru disse, com raiva.

- Perdão, Sssenhor Ssesshoumaru! – desculpou-se aquele projeto de “sapo” horroroso, sumindo por entre a floresta. Eu poderia ter jogado uma pedra nele.

- Por que você não o mata logo? – irritei-me, cruzando os braços.

- Preciso dele. Não se meta nisto.

Revirei os olhos. Não sei como consegui agüentar os dois por quase meio século.

- Vá atrás de InuYasha e aqueles inúteis que o acompanha. Junte-se a eles na busca e quando conseguirem recuperar todos os fragmentos da Jóia de Quatro Almas roube-a. Eles nunca a viram e iram acolhê-la. Seja amigável com todos e faça com que eles tenham confiança em você. Preciso dela urgentemente.

Ri comigo mesma. Estava tentando entender: o grande Sesshoumaru, príncipe de não sei o quê, junto com seu monstro-sapo Jaken, não queriam entrar na briga, mas queriam os lucros dela?

- E por que você não vai sozinho, Sssenhor Ssesshoumaru? – ironizei novamente, imitando aquele sotaque idiota de Jaken.

Sesshoumaru fechou o punho em meu pescoço e empurrou-me na árvore mais próxima, erguendo-me.

- Cale a maldita boca e faça o que eu mandei, sua Hanyou idiota!

Eu não poderia fazer nada, ele com certeza tinha muito mais força do que eu e usava minha pior fraqueza contra mim todas às vezes, humilhando-me com malditas palavras desaforadas.

- Não posso fazê-lo se me prende aqui. – sussurrei, olhando em seus lindos olhos, para não engoli-lo violentamente com minha boca.

Ele afrouxou a mão em meu pescoço e abaixou a cabeça; Sua mão tremia. Sesshoumaru odiava contato visual. Principalmente comigo. Nunca entendi o motivo. Mas, eu percebia que sempre quando acontecia isso, ele tomava as mesmas atitudes: virava-se de costas ou abaixava a cabeça, desviava o olhar... Como se tivesse medo de encarar-me e fazer algo que não devesse...

Jogou-me no chão.

- Se encontrar Naraku pelo caminho, diga-o que preciso falar com ele. Vá.

Levantei-me sem olhar para trás. Não costumava ficar magoada com tudo o que ele fazia contra mim, mas algo tocou-me... Não, Não. Balancei a cabeça excluindo todos os pensamentos idiotas e sensíveis de minha mente, preocupando-me com o que estava por vir. “InuYasha e aqueles inúteis que o acompanham” lembrei das palavras de Sesshoumaru; Quantos deviam ser? Eram fortes? Havia algum youkai completo no meio? Essas perguntas sacudiam minha cabeça e eu tive que me recostar em um tronco de árvore. Respirei um pouco e recomecei a caminha logo depois.

Por que eu deveria obedecer à tudo que ele me dizia? Certo, eu tinha passado meio século, sendo “protegida” por ele e por aquele insuportável do Jaken, mas eu não devia nada a eles. Tudo bem era impossível fugir, ainda mais quando se tem seu cheiro guardado e memorizado por um doente que não se cansa de me usar como isca para seus planinhos medíocres. Andei por um longo tempo, minhas pernas já cediam quase inertes. Avistei um vilarejo, com muita gente trabalhando, todos em conjunto. Adentrei por ele e todos me olhavam assustados.

“Olha, ela tem orelhas estranhas que nem um Hanyou!” Poderia ler as mentes deles se quisesse. Vi uma cabana grande no centro. Decidi entrar nela e ver no que dava.

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comecei *-* agora espero reviews pra eu continuar :}

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.