Escrevo pecados. Não tragédias.
1 Capítulo 1- Back to the room where we all begun.
Notas iniciais
Acordei e mal podia sentir meus pés. Era apenas mais um dia normal após Ian ter me deixado. Me deixado sozinha em uma casa com apenas uma garota vazia. Me deixado vazia. Era frio e as pontas dos meus dedos pareciam congelar enquanto eu tentava fazer o café.Encostei-me na bancada de costas para ela, olhando para cima e pensando.
Eu era boa pessoa. Sempre fui, ele que não sabia. Eu não sou má namorada. Mas por que ele me deixou a uma semana atrás para viver com um loura, magra como um tábua? Uma loura que não tinha a intenção de o fazer feliz. Não como eu fazia.
Era um jogo que eu vinha jogando desde que ele se foi. Um jogo comigo mesma. Enquanto despejava café na caneca que ele me deu, um ano atrás,no nosso primeiro aniversário de namoro, eu pensava comigo mesma em todas as coisas ruins que ele já havia feito apenas como um jeito de escapar da tristeza.
E não parava de pensar nisso. Entrava no banho, saia, colocava a roupa. A rotina me cansava, você sabe como é? Aposto que não. Sabe o quanto eu queria,apenas hoje, fugir desta rotina e correr por ai?
Mas eu não podia. Eu precisava ser alguém na vida, precisava ir a faculdade. Era mais cedo do que eu deveria ir para o ponto, mas arrumei minha mochila e sumi para o ponto antes que alguém notasse que eu estava por aqui. Antes que Ana me visse.
Ah, segunda-feira. Segunda-feia. Começou numa segunda e terminou em uma segunda. Tudo na minha vida começa numa segunda, e eu sei disso pois...
Quando cheguei no ponto, havia um emo sentado lá. Com seu all-star sujo, calça larga e preta, com cinto vermelho. Sua camiseta era de uma banda que eu nunca havia ouvido falar, com um sobretudo. Olhei para mim,e me achei extremamente certinha perto dele. Seu cabelo cobria apenas um olho, mas ele insistia em puxa-lo a cada segundo.
Ele era perfeito em sua solidão, e pela primeira vez, observei o quão pleno era ficar só você e você mesmo. Tive medo de atrapalhar o momento dele, mas apenas fui e me sentei longe dele no pequeno ponto de ônibus. Olhei no meu relógio e eram apenas seis e quinze.
Senti seu corpo se aproximando e seus frios dedos tocando minha pele,deixando o rastro de energia por debaixo dela. Nunca havia me sentido assim, nem mesmo com Ian.
—Pode me dizer que horas passa o ônibus para Columbina?-Ele disse, voz grave, daquelas que entra pelo ouvido e deixa todos os seus órgãos acelerados.
—Seis e vinte e cinco.-Disse, voz trêmula.
—Obrigada.
—Iremos pegar o mesmo ônibus.-Disse, tentando puxar um assunto.
—Muito bom.
E então ele se afastou sem deixar sequer um rastro. Subiu no ônibus, e encontrou um garoto asiático, sentou-se ao lado dele e não paravam de conversar. As vezes ele olhava para cima, me notava e eu fingia que nada acontecia.
Então, simplesmente este amor á primeira vista desceu na escola secundária atrás da minha faculdade. Ele desceu, se foi para dentro de uma escola secundária e sabe o que isso significa? Nem maior de idade ele é!
Meu mundo de unicórnios cor-de-rosa que se formou ao passo de seu toque se foi tão rápido quando veio. Se foi por que eu sou cinco anos mais velha que ele. Se foi por que eu não sou uma criminosa. Mas eu o queria tanto! Não me saciarei até que eu descubra seu nome.
Uma semana depois, segunda novamente. Relato isso pois não me saciei.
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