Escrevendo o amor
3 Escrever sobre o quê?
Notas iniciais
Indo para o trabalho, Samylla ficou pensando que ia precisar de tempo para começar seu livro. Durante todo o pequeno trajeto da livraria até o aeroporto, ela lembrou-se que tinha dois meses de férias acumuladas, e bem, essa era uma boa hora para pedir os dois meses de descanso.
Ao chegar ao trabalho, ela encontra sua supervisora, Amanda. Amanda era uma mulher mediana, cabelo liso chapinha bem negro. Apesar de ser apenas dois anos mais velha que Samylla, Amanda ocupava uma grande posição dentro daquele aeroporto. Samylla se aproxima dela.
– Amanda, eu posso falar com você um momento?
– Claro Samylla, em que posso te ajudar?
– Eu queria falar sobre minhas férias acumuladas.
– Você pretende retira-las agora? Melhor mesmo, aproveitando o baixo numero de viagens, esse é o momento ideal. Não é bom pra você ficar tanto tempo sem tirar férias. Quer saber de uma? Pode ir agora, vou fazer o registro de suas férias. Aproveite bem seu descanso.
Samylla fica feliz por ter conseguido o tempo que necessitava para escrever, ela estava toda animada. Voltando para casa, ela passa novamente na livraria Caronte, para falar com Ellen. Quando entra na livraria, Ellen está entediada na recepção enquanto os clientes zanzavam pela loja.
Ao ver Samylla, Ellen para de ficar enrolando o cabelo e olha no relógio com bordas vermelhas, seu interior branco e seus números e traços negros, que marca oito e trinta e quatro da manhã. Ela fica surpresa ao ver novamente a amiga e vai ao seu encontro.
– Por que você está aqui? O que aconteceu?
– Eu estou de férias. – respondeu Samylla.
Ellen olha novamente para o relógio e com um tom de sarcasmo diz:
– Quanto tempo se passou?
Samylla ri e diz:
– Eu retirei os dois meses de folga que tinha, para poder escrever o livro.
– Ah, claro, agora entendi.
– A que horas você vai sair daqui?
– Agora. – falou Ellen.
– Como assim? Você não ia ficar o dia todo?
– Eu ia, mas a avó da Letícia, dona da livraria, faleceu. Ela dispensou todos os funcionários, vou receber pelo dia, porém é um acontecimento muito triste.
– É verdade. Então venha comigo até em casa, e me ajude a ter ideias para escrever. Foi para isso que eu vim te chamar.
– Claro, só vou pegar minha bolsa. – Ellen saiu andando em direção a uma porta, onde acima dela havia uma placa escrito assim: Entrada de funcionários. Só entre se for convidado.
Samylla resolveu esperar no carro. Aproveitou para retocar seu batom, que era de um rosa bem leve. Logo, Ellen sai da loja se despedindo da outra atendente que Samylla não sabia o nome. Após a amiga entrar no carro, Samylla liga-o e vai em direção a sua casa.
Ao chegar à frente da casa de Samylla, as duas desceram do carro. Ao ver a parede vermelha e desbotada da frente da casa de Samylla, Ellen disse em tom de piada:
– Já ouviu falar em tinta? É uma coisa que se usa para pintar paredes.
– Cala boca! – disse Samylla rindo.
Elas entraram. Ellen ficou esperando na cozinha sentada em volta deu uma mesa que possuía a copa de vidro. Poucos minutos depois Samylla volta com um notebook, e abri um arquivo de texto.
– Bem, hora de ter ideias. – falou Samylla.
As duas pensaram e pensaram até Ellen falar:
– Já sei! Porque você não escreve sobre uma garota que se apaixone por um ser sobrenatural, como um vampiro ou um lobisomem?
– Acho que já escreveram sobre isso... – falou Samylla.
Ellen continuou:
– Escreva sobre uma escola de magia, onde os bruxos são divididos em casas!
– Tenho a impressão de já ter visto isso em algum lugar... – disse Samylla digitando algo no notebook.
– Que tal, sobre um garoto que descobre ser filho de um deus grego e...
Ellen foi interrompida, por uma frase de Samylla.
– Terminei.
– Terminou o quê? – disse Ellen espantada.
Enquanto Ellen estava dando dicas, Samylla tinha tido um ataque de inspiração e tinha escrito um conto de mais ou menos trintas páginas do arquivo de texto.
– Terminei minha história. – disse Samylla.
Ellen começou a ler. A história se tratava de um garoto que morava sozinho aos seus dezessete anos. Ele levava uma vida comum, até que um dia, enquanto ele passava em frente a uma casa, ele desmaia e acorda amarrado numa maca onde aparece um homem, um psicopata e começa a tortura-lo. A história era bem macabra, e o vilão, por assim dizer, enquanto torturava a vitima dizia: “Vai ficar tudo bem” e chorava, chorava como se aquilo o deixasse triste. E como objetos de tortura, o psicopata usava equipamentos médicos, e o final da história terminava com a morte do garoto, que na história não foi citado o nome.
Depois de ler o conto, Ellen estava pálida, pois Samylla conseguiu descrever as cenas de tortura tão bem que a garota ficou passando mal.
– Como você pode criar uma história tão insana? – perguntou Ellen.
Samylla sorriu e disse:
– Nem me pergunte! A inspiração veio e eu escrevi. Nem mesmo eu sabia que eu sabia escrever tão bem.
– E escreve mesmo. E você ainda escreveu muito rápido. Mas tem só um problema.
– Qual? – Indagou Samylla.
– A história esta bem curta para um livro.
Neste momento Samylla percebeu que era verdade. Um livro de trinta páginas? Tá parecendo mais um folheto. Então ela ficou cabisbaixa. Tentou estender a história, mas não conseguiu. Ela já estava desistindo, quando Ellen deu uma ideia para ela:
– E se você formasse o livro com contos interligados? Você pode colocar o cara como um serial killer psicopata que mata várias pessoas. E cada capítulo pode ser a morte e tortura de uma vitima, sem interligar com a outra, e em outros capítulos, você pode fazer contos contando uma parte da investigação.
– Que ideia ótima! Mas por hoje vou parar, acho que já está bom pro primeiro dia. Quem diria? Eu escrevendo uma história de terror? – disse Samylla fechando o notebook.
Ellen vai embora, e Samylla vai tomar banho, pois já eram sete dá noite. Samylla no banho já formulava o próximo capitulo e também o nome dá história, que ela intitulou de “Saúde Mental”.
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