Escravos Do Dom - Fic Interativa
5 Wait, They Weren't Enemies?
Notas iniciais
O dia de Pamela já estava péssimo, com Ametista e Safira desaparecidas e tudo o mais. Mas a carta da rainha e a carruagem eram demais. Tudo bem, ela nunca fora com a cara de Lizbeth Dark, mas exigir que ela dividisse a carruagem com ele já era demais.
O cocheiro parou na frente da mansão de Viktor e Pamela teve de (infelizmente) descer para chamá-lo. Bateu na porta contando até mil para não matar ninguém. Quem atendeu foi Anne, que a conhecia mais do que bem, e arregalou os olhos ao vê-la ali parada na soleira da porta como se aquilo fosse uma visita entre amigos.
— Bom dia, Anne. — cumprimentou e entrou na casa sem pedir licença mesmo. — Viktor! — chamou, e ele não demorou a descer as escadas. Todos os "seguidores" dele estavam assustados com a presença dela ali.
— Espera, eles não eram inimigos? — ouviu alguém sussurrar.
— Pamela, minha querida! O que te traz aqui? — perguntou, mas ela duvidava que ele não soubesse a resposta.
— Oh, Viktor, estava com saudade, obviamente. — comentou sarcástica. — Você sabe mais do que bem porque estou aqui. Por que quer perder tempo? Dark não tem todo o tempo do mundo. — disparou fria.
— Oh, mas para que tanta pressa e grosseria, querida? Titia Liz pode nos esperar por um pouco mais de tempo. — ele disse sorrindo falsamente.
— Viktor, chega. Não pense que eu esqueci o que você mandou a Anne fazer. — ela falou. Pareceu que ele entendeu o que ela queria dizer, então comentou:
— Você não tem provas.
— Eu vi, Viktor. Eu vi. — ela disse suspirando. Depois revirou os olhos e completou: Agora, podemos parar com esse teatrinho na frente dos seus seguidores? Está me entediando mais do que a ideia de ouvir as baboseiras de Dark.
— Se você faz questão, vamos logo. — ele disse e estendeu o braço para ela. Pamela se cansou e saiu batendo os pés e deixando Viktor e sua mansão para trás.
O trajeto até Londres foi bem desconfortável, os dois em lados opostos da carruagem sem dizer uma palavra. Pamela achava que se ele abrisse a boca não voltaria vivo para casa, porque ela não estava nos melhores dias para aguentar a provocação dele.
Chegando no castelo, muitos guardas apareceram para guiá-los. Como se nós não soubéssemos o caminho, pensou Pamela. Na verdade, ela sabia muito bem porque os guardas os rodeavam. Ou melhor, lembrava muito bem.
Quando saíram da sala de Dark, Viktor tentou pegar sua mão de novo. Ela sabia que ele só fazia aquilo para irritá-la, mas mesmo assim não conseguiu evitar de bater na mão dele com força.
— Você não reclamava disso antigamente, Pamela. — ele disse provocativo e aquela foi a gota d'água que transborda o copo.
Pamela o empurrou contra uma das paredes do castelo e colocou as mão em volta de seu pescoço, apertando com força. Aquilo o pegou de surpresa, e tudo o que ele fez foi arregalar os olhos e buscar o ar. Infelizmente para ela, os guardas chegaram na hora e a impediram de matar Viktor.
Naquele momento, tudo o que Pamela queria era que os guardas tivessem chegado atrasados, e 50% de seus problemas estariam resolvidos. Em compensação, ela teria de aguentar todos os seguidores dele e a tia/rainha furiosa.
— Que bom que chegaram, crianças — uma voz irritante disse atrás deles, e os dois se viraram na hora. E lá estava ela, em puro cabelo dourado, olhos vermelho-sangue e roupas escandalosas.
— Titia! — Viktor gritou com falsa animação e foi abraçar a mulher.
Um par perfeito esses dois, pensou Pamela. O matricida e a interesseira.
— Hum, hum. — pigarreou e os dois se separaram.
— Bom, agora vamos até o meu escritório. — Lizbeth chamou. Eles foram até a pequena sala e sentaram nas duas cadeiras em frente à mesa da mulher. — Enfim, queridinho, devem querer saber porque chamei-os aqui, não é?
Pamela havia esquecido do quanto aquela mulher poderia ser irritante. Odiava Mayline Black, a mãe de Viktor, mas sua irmã mais velha era mil vezes pior. Falsa, traiçoeira e assassina eram eufemismos perto dos feitos de Lizbeth Dark.
— Vá direto ao ponto. — ela apressou.
— Está bem, então. — Lizbeth desfez o sorriso e anunciou: — Apenas um de vocês poderá ficar "dominando" a Inglaterra, e é bem óbvio que não vão querer se unir. De um jeito ou de outro, vai ter derramamento de sangue, mesmo que vocês resolvam tentar ser "amiguinhos" de novo. — então ela abriu um sorriso verdadeiro, de puro prazer — Parabéns, agora vocês são oficialmente inimigos!
Pamela ficou impressionada de que seu queixo não encostou no chão. Dark não pode fazer isso!, pensou. Mas o pior era que Pamela sabia que ela podia.
— Mas isso é loucura! Derramaremos sangue desnecessário para o que? Para realizar um capricho seu? — gritou indignada.
— Dela não, cara Pamela. — Viktor começou com um sorriso — Meu.
Pamela arregalou os olhos. Viktor era capaz daquilo para fazê-la sair da sombra dele?
— Você, eu não... Baixo demais... Você, Viktor! — ela estava com tanta raiva que não conseguia formular a frase: "Você?! Eu não acredito, isso foi baixo demais até para alguém como você, Viktor.". Saiu do escritório, e saiu do castelo furiosa, murmurando que seu dia não poderia ficar pior.
Mas uma coisa que Pamela Jane Boise ainda não havia aprendido era que nunca se deveria sequer pensar na frase: "isso não pode ficar pior". Porque quando isso acontece, a vida encara como um desafio.
Ela foi impedida de entrar na carruagem pelos guardas, e ainda teve que esperar Viktor. Quando ele chegou com aquele maldito sorriso vitorioso na cara, não parecia disposto a mandar os guardas libertarem-na.
— Péssima viajem de volta para casa andando, Pamela! Passar ma!! — e entrou na carruagem, que partiu logo em seguida. E então os guardas a soltaram e voltaram para o castelo.
Pamela soltou um grito de frustração que fez várias pessoas olharem para ela. Não que ela se importasse, lógico. E então teve de aceitar o inevitável: ela estava presa em Londres, com uma guerra se aproximando. Decidiu então ir até onde os novatos estavam hospedados e terminar aquela missão de uma vez por todas.
Nada poderia dar errado, certo? Errado. Mas mesmo assim valia a pena tentar.
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