Notas iniciais
O capítulo está pequeno, mas tive que cortar, vocês vão entender depois.

Será que todos esses estereótipos são reais? Programas de televisão, sempre o insensível é o gay. Não tenho muito contatos com os outros da minha “espécie”, mas acho que não é assim. Não odiamos Deus por nos ter feito assim e também não somos do satã. Somos apenas pessoas normais tentando ter uma vida normal. Mas o que seria esse normal?

Eu fico perdido, nossas diferenças acabam nos tornam iguais. O preconceito é sempre bem-vindo e a critica nada construtiva é aperitivo para o que vem a seguir. Nos forçam a acreditar que somos algo que não somos. Uma mentira usada frequentemente rotula nosso cérebro e faz dela uma verdade. Odeio ter que pensar. Apenas queria poder viver minha vida, mas nunca é tão simples assim. Chega de pensar. Preciso voltar a falar com Aline, preciso dela, assim como ela precisa de mim.

Mandei uma mensagem:

ENCONTRE-ME NA BIBLIOTECA AGORA, OU SEU FILHO NASCERÁ COM CANCER.

Era apenas um jeito de tentar melhorar as coisas, devo ter entendido o porquê das lagrimas. Tenho sido muito crítico e verdadeiro com ela. E não se pode jogar tudo na cara de alguém e esperar que esse alguém lide bem com todas as críticas. Não tinha ideia no que falar, apenas sabia que concertar tudo era o necessário.

Chegando ao lugar combinado, comecei a me sentir culpado. Não consigo entender o porquê uma pequena discussão estava me fazendo tão mal. Avistei a Aline na segunda mesa à direita. Me direcionei ao destino.

– Ainda bem que está aqui

– Já estava aqui antes de você me mandar a mensagem. O que você quer?

– eu não sei o que eu quero, mas sei o que não quero. Não quero você chateada comigo, não quero você desanimada, não quero me desgrudar de você.

– Ah sim, bom já vou indo.

– O que estou tentando dizer é: Sinto muito por tudo o que disse. Sei que criei uma dor de cabeça em você. Mas só quero que tenha em mente que a vida é uma dor de cabeça e não vai querer se livrar dela tão fácil. Mas entendo que as vezes é bom tomar um remédio.

– Ual, esta preparando esse discurso para quando ganhar um Oscar?

– Aline, não é porque sou gay que sonho em ganhar um Oscar. Quem sabe um Grammy ou um Emmy.

– Só te peço um favor, por favor, não espalhe que estou saindo com...

Não a deixei terminar a frase e logo soltei:

– Agora esta me chamando de fofoqueiro?

– É que...

– Todos os gays são fofoqueiros? Me diz, quando eu já espalhei um segredo seu.

– Teve aquela vez...

– Toda menina menstrua e tava na hora do mundo saber que você já era uma mocinha. Acontece.

E nisso havia reconquistado o sorriso que me fazia muita falta. Conversamos por horas, ela me ajudou a começar a minha carta, que por sinal está um lixo.