Notas iniciais
Nervosa novamente
eu não ia realmente publicar essa fanfic, mas quis ver no que ia dar.
Inspirado na webserie esconderijo que é maravilhosa e eu já assisti umas 5 vezes,,,
Agradecimentos pro Sam que me aguentou fazendo drama enquanto escrevia NSJSJAJDND

Muitas enroladas e talvez erros, mas espero que gostem. Eu, particulamente, não odiei k

Esconderijo

Por: BoliDeArroz

Eu estava sentado no último banco da igreja enquanto assistia ao único homem que amei na vida se casar com outra pessoa.

Sugawara Koushi estava tão belo quanto a primeira vez que eu o vi. O terno branco tinha caído muito bem nele e seu sorriso costumeiro o deixava ainda mais elegante. Ele mordia os lábios vez ou outra, deixando claro sua ansiedade e seu nervosismo. Essa era uma mania sua que fazia com que eu me lembrasse das manhãs no nosso antigo apartamento após fazermos amor. Ficávamos sob os lençóis por horas ao som de alguma música de suas bandas ruins, conversando sobre qualquer assunto pelo máximo de tempo possível. Momentos como esses sempre eram meu abrigo nos tempos ruins.

Senti minhas mãos tremerem enquanto o discurso matrimonial continuava. Eu via o padre falar, mas não conseguia ouvir nenhuma palavra sair de sua boca. Eu mantive meus olhos fixos em Koushi durante a maior parte da cerimônia e meu peito parecia que iria explodir a cada segundo que se passava. Eu pensei em diversas coisas para responder assim que recebi o convite. Sim. Não. Talvez. Quem sabe. E, no fim, eu acabei não dizendo nada, nem mesmo consegui confirmar a minha presença. Talvez eu ainda estivesse completamente desacreditado com a velocidade de tudo que aconteceu naqueles últimos tempos. Estávamos bem, terminamos, chega um convite de casamento de uma mulher que nunca conheci com o homem que há poucos meses eu chamava de "meu". E não que eu estivesse com raiva, longe disso. Nunca pensei em desejá-lo infelicidade ou qualquer outra coisa negativa. Não carrego nenhuma hipocrisia ou ironia com essa afirmação. Se eu acreditasse mesmo que ele seria mais feliz sem mim, deixaria que partisse, por mais doloroso que fosse. Eu estava em negação porque eu ainda não tinha conseguido me livrar de suas roupas, de nossas fotos e do resto das suas coisas que ficaram quando ele se foi. Eu não havia conseguido deixar para trás nossas memórias e a vida que tínhamos juntos; ficava revivendo a história de nós dois em minha mente como se ele algum dia fosse aparecer na minha porta e pedir perdão por tudo, seguindo constantemente esse ciclo como se fugisse para me esconder da realidade. Então eu estava desacreditado porque eu continuava me lembrando repetidamente de algo que ele, visivelmente, já havia esquecido.

Não apenas isso. Eu estava frustrado, curioso, envergonhado e uma bagunça por causa de um pedaço de papel. Eu me questionava coisas como; o que ele tinha encontrado nessa outra pessoa que não havia achado em mim? Como ele conheceu essa mulher? O que eu fiz de errado? Eu não fui o suficiente? É, no fim, todas as respostas me deixavam ainda mais mal.

Porém, talvez, mesmo com toda a insegurança, eu tivesse ido ao casamento justamente por isso. Eu precisava de uma confirmação, precisava ver Koushi na minha frente. Eu sabia que arranjaria um jeito de superar se soubesse que ele ficaria bem com essa mulher. Não precisávamos ser amigos, não precisávamos realmente continuar com o contato, mas eu precisava dessa comprovação. Eu poderia ligar, perguntar, mas não faria sentido. Eu precisava sair do meu esconderijo e sabia que só conseguiria fazer isso se olhasse em seus olhos. E, mesmo assim, ali na frente, estando com uma beleza tão pura e sendo o noivo perfeito ao lado de sua futura esposa, eu não tive o sentimento que me desse a garantia de que ele estava bem. Ele sorria, mordia os lábios, mas estava distante. Era como se não fosse ele ali. Ou não. Poderia ser que eu estivesse me apegando aos mais mínimos detalhes para que eu me mantivesse preso às nossas memórias sem culpa, contudo eu o conhecia há tanto tempo que eu não pude deixar de lado imediatamente a ideia de que havia algo de errado ali.

Quando eu vi a daminha de honra, apelando à ternura de quem assistia com o vestido rosado, trazer as alianças colocadas em uma pequena almofada em suas mãos minha respiração parou junto com a minha mente por um ou dois segundos. Não me convenci de que o pensamento anterior era só algo de minha cabeça, mas não havia o que eu pudesse fazer naquele momento. Era como se eu estivesse paralisado enquanto voltava a realidade, ouvindo aplausos, gritos de alegria, comemorações.

E um beijo.

Chega. Já era o suficiente.

Antes mesmo que as portas da frente se abrissem eu tirei vantagem da multidão, que já estava de pé, para sair discretamente. Eu conhecia o local de outras ocasiões então foi relativamente fácil encontrar uma saída alternativa para a parte de trás da capela. O céu estava limpo, azul, a área verde com árvores e o clima de verão eram perfeitos para um casamento. Eu ri comigo mesmo. Perguntei-me se as pessoas estariam seguindo a tradição naquele exato momento e jogando arroz nos recém-casados. A recepção seria com um buffet livre ou os garçons serviriam? Com qual música seria a primeira valsa do casal? De qualquer forma, eu não estaria lá para saber.

Eu queria ir embora assim que possível. Eu precisava. Talvez eu ligasse para Tobio assim que chegasse ou apenas ficasse o resto do dia no sofá repassando as imagens do casamento em minha cabeça até que me convencesse de que fora um grande erro ter ido. Mas eu não estava com cabeça para dirigir de volta, tampouco organizar minha rotina. Fiquei por um tempo naquela área apenas observando os arredores. Eu não deveria ter ido.

— Oi, Tooru

Virei-me em direção à voz que tanto conhecia. A uma distância não tão grande, ali estava Sugawara. Clichê demais para que eu não risse assim que ele me cumprimentou.

— Kou. — Acenei, abrindo um sorriso amigável para tentar não deixar o clima pesado. Peguei-me olhando de forma inevitável para o seu anular esquerdo procurando a aliança de ouro. Ela reluzia e se destacava na sua pele pálida. — Parabéns. Sua esposa é uma sortuda. Kaori, não é?

Ele ignorou.

— Eu não esperava que você viesse. — Admitiu enquanto comprimia os lábios.

— Bem, você me mandou um convite.

— É, eu mandei... — Ele coçou a nuca. Imaginei que estivesse nervoso. — Eu fico feliz que veio. De verdade.

— Eu também. — Respondi, mais por não saber o que dizer depois disso.

— Como andam as coisas? Você ‘tá bem?

— Andam como sempre... Takeru sente sua falta. — Ignorei sua última pergunta de propósito, não sabendo ao certo como respondê-la.

— Eu também sinto a falta dele. Diga que temos que marcar algum dia para jogarmos vôlei de novo. — Ele sorriu. Assenti com a cabeça.

— Eu peço desculpas por não ter trazido um presente. Acabei ficando ocupado com o trabalho...

— Tudo bem, não precisa se preocupar. Somos amigos, apesar de tudo. Não é como se eu fosse brigar com você. — Ele soprou uma risada, sozinho.

— Amigos, é...? — Repeti, desviando o olhar para a grama. Voltei a encará-lo, inspirando o ar e puxando a coragem para falar. — Eu ainda amo você.

— Eu sei.

A forma como ele respondeu imediatamente sem nem mesmo hesitar fez meu peito doer.

— Você nunca nem mesmo explicou direito o motivo de-

Ele me cortou. — Não há necessidade de falarmos sobre isso agora...

Ergui as sobrancelhas. Aquilo foi como um gatilho.

— Não há necessidade?

— Tooru... — Chamou meu nome, mas eu não iria parar.

— Não. — Balancei a cabeça. — Estávamos juntos há cinco anos. Cinco anos, Koushi. — Tento não elevar tanto meu tom, mas controlar todos os pensamentos que retraí durante todos esses meses de saírem de forma desenfreada era difícil. — Nunca houve nenhuma justificativa de verdade. E você ainda quer me convencer de que tudo isso pode acabar da noite pro dia, assim?

— Eu sinto muito, mas a culpa não é minha se você não foi capaz de superar.

Sugawara nunca reagiu bem com brigas, mesmo que dissesse algo rude por impulso seus olhos acabavam se enchendo de lágrimas. Eu sempre cedia e pedia perdão quando reparava nisso. Naquele dia, no entanto, seus olhos pareciam opacos, quase sem emoção, e eu sabia que não iria ceder.

— Você ainda não me esqueceu.

Ele revirou os olhos, espalmou as mãos na cintura e respondeu com um suspiro alto.

— Estou errado? — Questionei como se ele me devesse uma resposta.

— Eu não estou entendendo o que você quer dizer. — Franziu a testa, deixando de me encarar. — Eu acabei de me casar.

— Só responde.

— Oikawa. — Chamou minha atenção com meu sobrenome, ele sabia muito bem o estrago que esse pequeno gesto faria em mim. — Eu não vou ficar aqui batendo boca com você. Não estrague esse dia, por favor. É importante para a minha família.

— Sua família? — Tombei a cabeça para o lado. As coisas começaram a fazer mais sentido. Koushi sempre me contava sobre como sua família era completamente tradicional, esse fora um dos principais motivos para que procurasse sair de casa bem mais cedo que o normal. — Ah, sim. Sua família. — Dei uma pequena pausa. — Me diz, Koushi. Por quanto tempo mais você vai fingir ser alguém que não é?

— ...Não faz isso.

— Isso o quê?

— Você sabe.

— Não, não sei. Você disse que o que tínhamos era o suficiente para suportar. Você disse que me amava também. Você me fez acreditar que pudéssemos durar. Mas, veja bem, você casou. Então, aparentemente, eu não sei de nada não.

— Pelo amor de Deus, Tooru! — Exclamou. — Você não pode querer me fazer escolher entre isso e a minha família.

Eu não disse nada.

— Eu não fui obrigado a casar com Kaori. Fiz porque quis. Fiz porque os amo. Fiz porque sei que essa é a decisão certa a ser tomada. — Enquanto falava ele se reafirmava balançando a cabeça, como se concordasse consigo mesmo.

— Claro, até porque um casamento sem amor é uma puta decisão certa, né?! — Soltei um riso irônico.

— E o que você quer que eu faça? — Questionou, elevando a sua voz. Foi a primeira vez em meses, talvez anos, que o vi tão nervoso. — Você quer que eu jogue esse anel fora e fuja com você? Foi ‘pra isso que você veio aqui?

— É claro que não! Eu nem mesmo esperava que você viesse falar comigo. Eu vim porque queria saber como você estava.

— Você já tem sua resposta.

— Koushi, nós dois sabemos que você só vai se machucar se continuar sendo quem você não é apenas para agradar aos outros.

— Oikawa... — Sua voz estava firme, ele parecia completamente seguro e cheio de razão no que iria falar. — ...Cada um se esconde no espaço que cabe.

Eu arfei de forma automática com a sua frase, como se ela tivesse arrancado o meu fôlego. Sua fala ecoou em minha cabeça diversas vezes naquele momento e ainda meses depois, porque ela me fez perceber que ele estava com medo. Medo de ser quem é, medo de errar, medo até mesmo de tentar. Ele desistiu, se escondeu em um lugar onde ele pensou que essa insegurança não pudesse atormentá-lo e escolheu ficar ali. Eu percebi isso porque eu também estava com medo. Durante todos esses meses em que escolhi me refugiar nos traços que sobraram do que era nossa história ao invés de encarar o que tinha acontecido, eu estava sendo um covarde. Nós dois nos acostumamos a fugir dos nossos problemas como se eles fossem se resolver sozinhos, mas não foi isso que aconteceu. Eu havia cansado de repetir as mesmas palavras e memórias em minha mente e pensar em milhares de coisas que eu poderia ter feito de diferente.

— É, você tem razão... — Eu me virei, não esperando que ele me seguisse quando comecei a me distanciar. — Só que eu já cansei de me esconder.

Eu havia me perdido de mim mesmo por Sugawara, então eu o deixaria partir para me tentar encontrar novamente. Por mim mesmo.

— O que você quer dizer com isso?

Eu não respondi. Olhei-o de relance apenas mais uma vez antes de ir embora. Nenhuma expressão mais combinava com seu rosto.

Quando cheguei em casa eu esperava estar com o peito vazio, porém eu não fiquei me remoendo. Naquela noite eu guardei todas as suas roupas em uma caixa e joguei fora. Fiz o que tinha me restringido de fazer há muito tempo. Coloquei uma música qualquer, dancei, cantei e me permiti sorrir. Não doeu tanto quanto eu havia me convencido que doeria. Eu de repente notei que eu tinha mais coisas para fazer do que só sentar e esperar por alguém que não iria voltar.

Nas semanas seguintes eu me esforcei para me livrar de tudo que me lembrava Koushi. Fotos, presentes, músicas, livros... e tentei não me culpar em nenhuma parte do que estava fazendo. Eu precisava superar. Era doloroso pensar que algo que me trouxe tanta felicidade tinha acabado, mas o fim às vezes pode ser apenas um começo. O tempo não para, segundos se tornam minutos, minutos se tornam horas e horas se tornam dias. Três meses depois e o "nosso antigo apartamento" agora era apenas "meu apartamento", propriedade de Oikawa Tooru. Chamar Tobio e alguns outros amigos para fazermos alguma coisa para ocupar minha cabeça era algo normal, mas não era mais tão difícil ficar sozinho quanto era antes. Eu sobrevivi e o mundo não acabou de verdade.

Quando a data do aniversário de casamento de Sugawara estava chegando eu recebi um e-mail de madrugada. Cinco palavras, uma frase que poderia ter desarrumado tudo que construí por todo esse tempo.

Eu ainda não esqueci você.

Poderia ter desarrumado. Mas às vezes o que deveria te quebrar só te faz mais forte.

E não que eu já tivesse conseguido seguir em frente completamente ou esquecer tudo sobre ele, porque eu por diversas vezes ainda me pegava pensando naquelas nossas manhãs juntos. O amor que eu tinha por Sugawara não acabou de forma rápida. Entretanto, dessa vez era diferente. Eu sabia que era o tempo de acabar com isso e me livrar. Eu não poderia rasgar a minha própria roupa para estancar o sangramento dele quando eu mesmo não estava bem. Ele tinha feito sua escolha há muito tempo atrás, afinal. Era hora de eu fazer a minha. Então eu apaguei a sua mensagem junto com a última brasa de esperança que eu tinha de uma reconciliação. Eu amei Sugawara Koushi e sei que ele sempre estará comigo em minhas lembranças.

Mas eu também me amei o suficiente para deixá-lo ir, porque eu não mais poderia me forçar a ficar em um espaço tão pequeno.

E agora Sugawara Koushi que estava preso no esconderijo.

Notas finais
Final previsível? Talvez!
Mas o Oikawa é um bebê e eu não podia deixar ele assim ♥
Oisuga é um shipp amorzinho demais eu nao acredito que fiz isso
Se você leu até aqui muito obrigada♥

minha outra fanfic de haikyuu:
https://fanfiction.com.br/historia/772978/Paixao/

minha conta no spirit:
https://www.spiritfanfiction.com/perfil/bolidearroz

minha conta no wattpad:
https://www.wattpad.com/user/Emilly_Carvalho_

fanfic escrita ao som das lindas músicas da incrível Fernanda Dias
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!