Escolhida

1 Mudança


PRÓLOGO

A noite estava fria, sem estrelas no céu, só a lua iluminava a rua pelas frestas das casas. Estava sozinha, pelo menos pensava isso até que uma sombra apareceu atrás de mim. Virei rapidamente. Nada. Nenhum sinal. Apertei o passo. E vi de novo a sombra. Virei e nada. Quando olho para frente, vi os últimos segundos da minha vida.

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Pegava minhas coisas colocava todas abarrotadas dentro da caixa sem me importar com nada. Afinal qual era a graça de se mudar? Não tinha nenhum amigo onde eu morava pra ficar chorando que nem as outras menininhas. Eu sou o que todos chamam de estranha. Eu não me acho estranha. Só me acho no meu mundo, porque vamos comentar que o mundo real não é o paraíso. Carregando minha caixa, minha única caixa, desci para a sala. Minha mãe gritou bem do meu lado.
—Ângela!
— Mãe! Caramba! Estou do seu lado! – Disse nervosa.
—Desculpa, eu ia falar para você colocar as coisas no caminhão já estamos de saída.
—Tá – disse com entusiasmo zero.
Fui andando bem devagar, olhando a casa enquanto passava pelos cômodos. A casa não era nada de mais: só madeira solta, tintas da parede soltando, cupins pra todo lado. Minha casa era uma completa desgraça, que nem a minha vida.
Coloquei a minha caixa no caminhão, peguei meus fones de ouvido. Coloquei no volume mais alto para não ouvir minha mãe gritar por mim. Abri a porta do carro e deitei no banco de trás. Olhei para o céu. Calor e mais calor. Simplesmente o pior dia da minha vida. Odiava calor. Adoro frio, chuvas e umidade. Por isso ganhei o apelido de lagartixa na escola. Dei um suspiro longo. De repente meu pai e minha mãe entraram no carro todos alegres como coelhos de páscoa na páscoa. Patético.
—Bom filha, vamos começar uma vida nova na nossa casa nova. – Disse meu pai olhando para minha mãe.
—Tanto faz – Disse virando para o outro lado.
Passei a viajem toda deitada no banco do carro. Foram horas e horas de viagem, que mais pareciam anos. Até que levantei e sentei perto da janela. Olhei a paisagem. Estava começando a mudar o tempo. Talvez chuva, talvez neve, talvez nublado. Mais para mim isso era tudo de bom. Abri um pequeno sorriso no meu rosto.
—Estamos chegando, amor – Disse meu pai para minha mãe.
—Olha que linda essa cidade – Disse minha mãe. – O que você acha filha?
— É... Muito legal. – Disse aos poucos e baixo.
Nós nos mudamos para Dutton, uma cidade em Montana. Cidade pequena, sem muitos habitantes. Quando cheguei à cidade estava nevando. Pelo menos alguma coisa boa nessa cidade. Avistei a minha nova casa.
Peguei minha única caixa, parei em frente à casa e reparei em todos seus detalhes: “Casa pequena ou melhor dizendo minúscula, jardim pequeno, um sótão.” Entrando na casa reparei mais: “ Casa maior do que pensava. Vamos ver... Tamanho da sala: Razoável. Cozinha e quintal agradáveis. Sala com aquecedor quebrado.” Subindo as escadas, fui para os quartos. “Quartos dos pais em ordem, meu quarto...” Parei com um enorme suspiro.
—Mãe, o que aconteceu aqui em cima? – Gritei para ela, que estava na sala.
—Aonde? No que seria o seu quarto? – Respondeu.
—É.
—Os granizos eram muito fortes, a parede era fraca, estourou um cano, e quebrou a parede. – Disse gritando cada vez mais alto, como se eu fosse surda. – Mas a gente vai arrumar. Só vai levar alguns dias.
—Aonde eu vou dormir então?
—Se importa se dormir no sótão? Tem um esqueleto de uma cama e um colchão lá.
—Ok. – Disse revirando os olhos.
Subi uma escadinha que dava no sótão. Quando acabei de subir vi que o mesmo era grande e tinha o que minha mãe havia dito. Mas havia algo além.
Observei algumas caixas bem no fundo, no canto do sótão. Olhei para trás e mais nada. Só a neve batendo na janela, a cama e as caixas. Coloquei a minha em cima da cama e fui devagar olhar o que tinha nelas. Quando cheguei perto, contei que eram três. Olhei para trás e nenhum sinal da minha mãe ou do meu pai. Peguei a primeira, abri e nada. Com a segunda foi à mesma coisa. Já a terceira tinha algo diferente. Algo pequeno. Mas que fazia a diferença. Um colar. Tinha um cordão preto e no pingente tinha alguma coisa esculpida em uma pedra. Passei minha manga da blusa na pedra para limpa-la. Percebi que era um rubi. Mais tinha algo esculpido tinha certeza. Vi um relevo no rubi. Fui ao banheiro, passei um
pouco de água e fui para a janela do sótão para enxergar melhor. Descobri que era uma flor. Especificando, uma rosa.