Escolhida

4 Seis anos depois


Notas iniciais
oie ,tempo passou aq como diz o nome do cap.espero que gostem!

Seis anos depois

Você não percebe que tinha uma vida feliz até perder tudo.

Você também não consegue se livrar das lembranças boas e parece que nunca houve nenhuma ruim no tempo em que você foi feliz.

Então dá saudade.Eu ,ali onde estava ,tinha muito tempo para ter saudade e lembranças.

Não era bom,mas e dai?

Nos últimos anos eu andei muito ,consegui atravessar a fronteira do México com os EUA,consegui chegar a famosa Nova York ,na qual não fiquei muito tempo,polícia demais ,gente demais te olhando feio e coisas estranhas que me faziam questionar-me se estava sóbria mesmo.Tentei Dallas,escolha errada ,é um âmbito totalmente familiar,quer dizer ,garotas de treze anos não andam sozinhas por lá e sim com suas mães ,seu grupo de amigos e tal.Tentei Chicago,Texas,mas era muito perto do México,lembrava muito.Cheguei até Vancouver,frio demais.Brrr...

Parei ali,em um prédio abandonado em Detroit,um dos únicos lugares onde a maioria das pessoas estava ocupada demais para lembrar que você deveria estar em casa ,ou na escola,usando roupas melhores,um pouco mais gordinha e corada,com umas roupas mais arrumadas e mais limpinha também.

O prédio era uma antiga montadora de carros abandonada.Uma das centenas que haviam na cidade.Marginais usavam aquelas construções para fazer todo o tipo de coisa ruim que eu mesmo precisando de algo para me distrair nunca havia ousado experimentar.

Finalmente,depois de tanto rodar pela América do Norte eu me instalei ali,pelo menos até vir alguma gangue e me tirar,como já acontecera.Sorte,era assim que eu me livrava desse tipo de situação,gente estranha,bandidos,mal intencionados...Nenhum deles chegava perto de mim,era como se eu os intimidasse só com a minha presença.Mas isso já acontecia no México,os únicos que realmente foram meus amigos era Senhor Vega e...

Leo.

Onde ele fora parar?O que fizeram com ele?O prenderam?

Leo,meu amigo,o carinha que havia me ajudado mais do que qualquer um...

As vezes era assim: sentada ali ,no que antes deveria ter tido uma bela maquinaria que agora não passava de ferro velho,cercada do barulho dos carros na avenida,eu ficava pensando no que Leo Valdez estaria fazendo e aonde...

Mesmo passando fome,mesmo morrendo de frio,vinha sempre a voz de Leo para me dizer: está tudo bem ,continue andando,não olhe para trás.

E sempre vinha na minha cabeça a vida que ele sempre sonhara,um apartamento,nós dois,uma vida humilde ,nossa.

Incrível,mas seus olhos ainda brilhavam em minha memória,quentes,uma forja.

Mas de tanto pensar em como teria sido de vez em quando eu esqueço de viver a minha vida inútil,pelos bairros perigosos e ruas sombrias,namorando as portas de bibliotecas,afinal eles não deixam qualquer um entrar lá,mesmo sendo ''pública''.

As vezes eu comprava livros,outras eu roubava na calada da noite ,lojas de discos e roupas,comida também,mas eu não tinha muita fome.

Naquele dia em si eu só havia parado por que meus braços e pernas doíam,minha respiração era pesada e o frio invadia minha roupa com tanta intensidade que eu achava que estava tendo um crise de hipotermia.Já tivera uma ,assim eu sabia o que era.

Mas não,eu havia ,mais cedo,corrido muito,policias quase me cercaram na vinda para cá ,além disso meu corpo não era uma máquina,ninguém sobrevive muito tempo sem comer ou dormir,outra coisa que eu não fazia muito.Usava a noite para me locomover ,roubar,não ser vista,pelo dia você nunca sabe quando o prefeito vai mandar aquela fábrica velha abaixo,minha segurança,estou tomando cuidado como você disse para eu fazer Leo.

Encolhida em um canto,ouvindo a chuva cair do lado de fora,ouvindo o vento soprar sacudindo as janelas violentamente,eu tremia e arfava.Sozinha não haveria ninguém para me levar a um hospital,sempre sozinha.Sabia que não conseguiria andar ou gritar,estava presa no meu esconderijo.

Eu adormeci esperando a crise passar.

Não sei quanto tempo durou ,numa hora eu havia piscado e não havia conseguido abrir os olhos ,na outra um barulho sutil espalhou-se pelo lugar vindo do andar de baixo e eu não consegui mais dormir.

Um gato?Se fosse...

Não levantei,tentando escutar mais alguma coisa.Uma voz estranha falou,entediada.

–Não tem nada aqui.Seu pai deve estar louco

Houve um barulho semelhante a um tapa,um gemido e outra voz ,tremida de nervosismo.

–Calado!Que que ele fique contra nós também?Eu não saio falando mal de seu pai embora ele mereça!

–Haha,ele ajudou a salvar o Olimpo,idiota

–Isso foi a um tempo-Retrucou o outro.

Estavam perto da escada grande ,vindo para o segundo andar onde eu estava.

–Além disso seu pai deve ter caducado,não há ninguém aqui.

–Como você sabe?

–Não estou sentido ninguém vivo aqui,só você e...Ops perai...Acho que senti alguma coisa

Eu não entendi ,mas nem queria ficar pra saber o que era.Arrastando-me fui para as sombras ,esperando que me dessem cobertura.Me levantei,apoiando-me na parede,por fim,respirando rápido,eu continuei a escutar.Minhas pernas ,pelo menor esforço ,já ameaçavam não me sustentar mais

–Ela está aqui?

–Aham.-Murmurou.-Espera um pouco, já volto

–Onde você...

Como em um filme de terror vi duas mãos pálidas saindo das sombras em que eu estava e me puxando para a parede.Reprimi um grito e belisquei com força o braço que me agarrava pela cintura.

–AI!-Gritou ele.

Como o menino fez isso,do nada apareceu de repente e me segurou?Quem era ele?

O susto me deu um choque elétrico,fazendo com que todo o meu corpo recebesse um descarga de adrenalina,pareceu que finalmente meus braços estavam mais leves,minha pernas conseguiram finalmente sustentar meu corpo.De pé ,pus-me a correr

–Como...?Percy!Me ajude!Ela se recuperou!-Gritou ele.

–A tá ,depois dessa demonstração de força e agilidade...Ele agora precisa da minha ajuda!-Disse o menino lá em baixo.

Corri até as escadas ,mesmo sabendo que havia um invasor me esperando.Meus pés pulavam degraus sem parar,sabia que o de cima estava me seguindo meio confuso.Fora uma reviravolta muito louca mesmo.O de baixo me olhava ,esperando que eu terminasse de descer.Quando estava no ultimo degrau tentei da-lhe um soco ,mas o menino desviou com facilidade.

–Não ,não-Riu ele

Eu grunhi e o segurei pelos ombros,agora um golpe número um de defesa pessoal: ao colocar as mãos o puxei com força e dei-lhe um joelhada onde mais dói em um homem,lá mesmo.Ao receber o golpe o menino se curvou de dor ,com os olhos cheios de lágrimas.Senti novamente alguém me segurar por trás e dei uma cotovelada em seu estômago ,ele me largou ,também arfando.

Eu corri para fora do prédio ,indo para o centro da cidade,um lugar confuso e sombrio ,cheio de pessoas estranhas e suspeitas.As lojas estavam fechadas dando apenas para ver a pichação em suas portas.Vidros quebrados e carros velhos e poças de água da chuva passada faziam o resto do cenário.

Ainda ouvia os passos dos meus perseguidores,apressei-me.Tentava não escorregar na rua molhada ainda podia ouvir os meninos e minha corrida,os carros na rua ,meus pés tocando a calçada,uma buzina ressoando quando eu atravessei a rua sem olhar para os lados.

–PARE!-gritou um dos meninos.

Sinceramente ,por que eu estava correndo?Já enfrentara gente pior,mas o modo como aquele menino viera parar ao meu lado em segundos...

–Faz ela parar Percy!-Gritou ele

Não vi o que aconteceu,só sei que meus pés levaram uma rasteira e eu cai.de boca no chão,sentindo o gosto do sangue.Água?

–ASSIM VOCÊ VAI MARTAR ELA!Não que eu me importe!

Mas eu senti a dor e mesmo assim não parei.Retornei a corrida mas senti-me sendo abraçada.

–ME LARGA-Rosnei,me debatendo-O que você querem?

–Sua atenção.Sua doida!

Nem os carros da rua pararam para me socorrer,talvez ninguém estivesse vendo,ou talvez seria só mais um menina a morrer ou ser socada até a morte,dá no mesmo.

–Calma garota!-Disse o menino chamado Percy-Queremos ajudar!

–NÃO QUERO AJUDA.

–Afe.-Disse o que me segurava ,irritado.

Foi a ultima coisa que eu escutei antes de ser atingida por algo e cair no sono profundo



Quem serão eles ein?Percy já foi,quem será o irritadinho?

Mandem seus palpites!!

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