Escolhida
15 Sorvete e... banho de piscina?
Notas iniciais
POV Bella
Um vento gelado açoitava meu cabelo e pinicava meu rosto. Folhas de carvalho giravam ao meu redor.
O frio de outono nesse momento não me afetava. Passei pelas faias arroxeadas e os salgueiros-chorões no meio do quintal.
Alguma coisa ardia dentro de mim, um fogo de raiva que me empurrava de volta a um medo esmagador.
Andei rapidamente até uma das espreguiçadeiras próxima a piscina e me sentei.
A água da piscina ondulava devido ao vento, havia varias folhas em sua superfície.
Sentia as lagrimas queimando através das pálpebras. Suspirei profundamente. Não iria chorar.
Olhei ao meu redor procurando os tais seguranças, mas tudo que eu via era a imponente casa e uma paisagem deslumbrante se eu pudesse de fato aprecia-la. Se havia algum segurança, eles eram muito discretos, eu mesma não conseguia visualizar nenhum deles.
Vi Bonnie fazendo o mesmo trajeto que eu mesma fiz anteriormente. Ela se sentou numa espreguiçadeira ao meu lado, dando uma colher e um dos grandes potes de sorvete que ela segurava.
–É um bom remédio quando estou chateada. –ela sorriu.
Abri o pote, levei a colher dentro retirando uma pequena porção do sorvete de chocolate.
–Bonnie?
–Sim?
–Eu...
–Alguma coisa errada? –ela perguntou.
–O que há de errado? Nada. Eu só quero ir para casa sem nenhuma objeção. –respondi irritada deixando um pouco de minha frustração transbordar pelas bordas. –Desculpe Bonnie... Você não tem culpa de nada eu só...
–Tudo bem, eu entendo.
–Mesmo? –olhei insegura depois de minha explosão, ela abriu um sorriso me fazendo relaxar.
–Com certeza.
Sorri de volta. Ficamos em silêncio por um tempo. O silêncio era confortável, o que com outra pessoa iria ser estranho com Bonnie se mostrou relaxante.
–Bella... –olhei para ela nesse instante, ela parecia hesitante.
–Pode falar Bonnie. –encorajei.
–Eu não sei como falar isso, eu...
Esperei pacientemente.
–Você talvez não goste do que eu vou falar, mas eu preciso. Conhecemo-nos a pouco e...
–Fala logo Bonnie, desse jeito você vai me matar de curiosidade. –tentei brincar para amenizar seu desconforto evidente. Ela não prosseguiu. –Bonnie, somos amigas tá? Pode me falar qualquer coisa.
Ela sorriu quando disse que éramos amigas. Era verdade eu já considerava ela uma amiga.
–Ok. Lá vai. Sei que você não quer estar aqui e no momento você não gosta deles, não é mesmo?
–Verdade.
–Mas se sente atraída por eles. –não me passou despercebido que ela não fez uma pergunta e sim confirmava um fato.
–Eu...
–Bella admita você se sente atraída por eles.
Eu sentia?
–Bonnie eu não posso...
–Bella. –ela pressionou.
–Bonnie eu não... Por favor, me deixe terminar. Eu não quero... Se eu admitir vai se tornar mais...
–Real?
–É.
–Não admitir não o torna menos real. –eu não queria me sentir atraída por eles, eu sequer gostava deles. –Não se sinta mal por isso. Muitas mulheres se sentem atraídas. Eles são vampiros, faz parte de seu arsenal de caça, por assim dizer.
O fato de ela dizer que era natural eu me sentir assim não me fez mais confortável em senti-lo.
–E... -incentivei.
–Eu prometi a você que procuraria saber mais sobre o que é ser escolhida e se você poderia mudar alguma coisa. –esperei, ela soltou um suspiro. –Só tente não ter “intimidade” com eles até lá.
Olhei confusa para ela. Não entendia aonde ela queria chegar. Ela percebendo minha confusão soltou um leve gemido ganhando uma coloração em seu rosto.
–Eu não queria ter que entrar em detalhes Bella.
–Detalhes? –comecei a pensar no que ela havia me dito, tentando achar o motivo dela estar envergonhada. –O que você quis dizer com não ter “intimidade”? –por favor, diga que não é o que estou pensando, só o pensamento me fez corar. –Você tá falando de sexo, não é mesmo?
–Sim. -ela disse igualmente envergonhada.
–Sem chance, isto não vai acontecer.
–Bella você já sente atração por eles.
–Mas eu não amo nenhum deles.
–Bem... Não é necessário que você os ame para...
–Para mim é. –cortei.
–Ok. Estou falando isso porque se você quer... Se livrar deles é melhor não criar mais laços com eles. No momento eles já estão ligados a você, com um contato mais intimo o laço ficara mais estreito.
–Então acha que o fato de ser a escolhida pode ser desfeito?
–Bella o motivo de você ser escolhida não é resultado de um feitiço. Não é algo a ser desfeito. Tudo que eu sei é que conforme o tempo for passando vocês se sentiram mais ligados uns no outro e tendo intimidade física irá acelerar esse fato.
–Mas você disse...
–Eu disse que não sei tudo, na verdade eu não sei muita coisa sobre esse assunto e vou me informar melhor sobre isso e se até lá você não quiser ser a escolhida deles... Veremos o que podemos fazer.
–Eu não mudarei de ideia.
–Bem eu não vou discutir. Eu vou para casa, preciso pesquisar, não é verdade? Vou entrar em contato com minha avó e saber um pouco mais. –ela sorriu para mim.
–Sua avó?
–Lembra que eu disse que ela era uma bruxa?
Lembrei o que ela havia me dito mais cedo, sua avó morava a alguns quilômetros de distância, numa casa afastada da cidade. O nome dela era Emily. Acenei de forma positiva.
–Obrigada Bonnie.
–De nada. Para que serve as amigas?
Antes de partir, Bonnie me disse que viria me ver o mais rápido possível. Ela me contara que morava com sua mãe Abby em uma casa próxima dali.
Depositei o pote do sorvete quase intocado ao meu lado. Fiquei sentada ali, sentindo a leve brisa em meu rosto.
Você já teve um daqueles momentos em que você sente que algo vai dar errado por mais que você lute contra?
Eu me senti assim em três momentos em minha vida. A primeira quando soube que iria morar com meu pai, a segunda quando acordei no hospital e a terceira estava caminhando em minha direção nesse momento.
Lembrei-me das palavras de Bonnie de eu me sentir atraída. Queria saber quem me condenaria por me sentir assim. Eles eram inumanamente lindos, era difícil decidir quem era o mais bonito.
Ele se sentou no mesmo lugar em que Bonnie estivera sentada há apenas alguns minutos atrás. Ele me olhava de tal maneira que me senti corar.
Ele se inclinou em minha direção, virei o rosto para esconder meu embaraço, ele roçou seu nariz pelo meu pescoço, o ar frio de sua respiração me fez estremecer, mesmo sem ver eu pude sentir seu sorriso contra meu pescoço antes dele depositar um leve beijo na minha pele. Fiquei tensa na mesma hora. Ele segurou meu queixo virando meu rosto em sua direção. Ele se afastou somente o suficiente para voltar a fitar meus olhos.
Meus olhos fitaram o seu e fiquei intrigada com seus olhos safiras, neve e meia-noite, eles tinham uma tonalidade realmente incrível e eles chamavam-me, por um momento, eu estava aberta para qualquer coisa.
Em seguida, ele abriu a boca.
–Boa tarde flor do dia. –ele segurou minha mão quando fiz menção de levantar. -Porque não gasta um tempo comigo? Quero dizer eu sou o sonho de toda menina. Eu sou carismático, bonito... Encantador.
–Você é tão cheio de si mesmo.
–Isso se chama confiança. E eu sei que você me quer.
–Está enganado.
–Você está apenas negando o obvio.
–Não, eu não estou.
–Você está em estado de negação. Vamos para o meu quarto. Passe a noite comigo. -disse-me com sua voz calma e até mesmo intoxicante, que infelizmente foi desperdiçado em mim.
–Não.
–No seu? –ele perguntou confuso.
– Olhe idiota, eu não sei quem diabos você pensa que é, mas eu não vou a lugar nenhum com você. E muito menos ao seu quarto. –ele parecia surpreso com minhas palavras o que me divertiu de certa maneira.
Um cara que, obviamente, não ouvi "não" muitas vezes. Seria cômica sua reação se eu não estivesse tão... Eu nem tinha uma palavra para definir o que estava sentindo nesse momento. Ele realmente achava que eu iria passar a noite com ele? Um completo desconhecido? Um desconhecido muito sexy, mas mesmo assim um desconhecido.
Para dar ênfase ao que eu disse me levantei para ir embora.
O braço de Damon serpenteou pela minha cintura e me puxou de volta contra ele com sua mão agarrada em minha garganta levemente. Ele me colocou em seu colo. Todo o meu corpo vibrou com o seu toque, a mão em torno de minha cintura mudou-se para agarrar minhas coxas, ele acariciava um pouco acima de meus joelhos, indo em direção a minha intimidade, mas nunca chegando de fato nela, ele acariciava minhas coxas fazendo meu baixo ventre se contraírem. Ofeguei.
–Eu sabia que você não resistiria a mim. –ele disse contra meus cabelos. -Eu amo a maneira que você finge que você não me quer.
–Eu não te quero. –odiei que minha voz tenha saído falha na ultima palavra.
–Não é o que seu corpo diz e se faz você se sentir melhor eu também quero você. Preciso de você. –ele sussurrou na curva do meu pescoço.
Meu corpo reagiu imediatamente, minha cabeça inclinando dando-lhe o primeiro alvo. Eu senti sua presa onde meu sangue pulsava com mais intensidade, amando a sensação das pontas afiadas contra minha carne. Havia algo tão erótico sobre isso tudo! Não era o melhor momento para ele, mas ele não parou o gemido saído de meus lábios.
–Você sabe se desejar minhas mãos em você, não há nenhuma necessidade para cair aos meus pés. Basta pedir. –ele voltou a sussurrar em meu ouvido me fazendo despertar do momento em questão.
Droga! O que eu estava fazendo? Eu não o amava e mesmo assim eu estava deixando ele me acariciar com intimidade eu nem queria pensar no que poderia acontecer se continuássemos com isso. Ele sentiu a mudança e me virou de frente para ele sem me tirar de seu colo de forma que minhas pernas ficaram no lado oposto de suas pernas.
–Isabella não lute contra isso. –ele ordenou baixinho me olhando intensamente. Com isso minha mente clareou um pouco mais.
–Você é tão bonitinho! –alisei seu rosto com uma de minhas mãos. -Pensando que eu realmente queria algo com você. Eu não te desejo Damon.
–Humm, bem, se você vier para cama comigo eu garanto que você iria cantar uma melodia diferente pela manhã. –ele me segurou firmemente em seu colo, eu conseguia sentir sua ereção contra minha intimidade, meu corpo se mexeu de forma a ter mais contato com o dele, era como se ele tivesse vida própria. -Você não está pronta para admitir isso para si mesma ainda, mas você me quer da mesma forma que eu te quero. –ele sussurrou contra a minha boca. Desviei antes que ele me beijasse.
Engasguei e soltei um gritinho quando senti sua língua de encontro ao meu pescoço, onde a pulsação se fazia mais presente.
–Você está com medo, Princesa? Posso garantir que qualquer coisa que acontecer será consensual. Eu nunca irei forçar-me sobre você ou qualquer outra mulher. Não é necessário. –ele voltou a sussurrar contra minha orelha.
Mexi-me novamente em seu colo fazendo com que ele gemesse e fechasse os olhos. Eu precisava sair dali antes que fizéssemos algo que me arrependeria depois. Foi quando eu vi... E antes que eu pudesse pensar mais...
Damon me soltou na mesma hora quando sentiu o liquido frio escorrer pela sua cabeça. Eu me afastei pelo menos cinco passos de onde ele se encontrava.
Vi quando ele levou a mão aos seus cabelos e o momento que ele olhou sua mão lambuzada de sorvete de chocolate. Ele olhou incrédulo e logo depois seus olhos pareciam em chamas. Chamas azuis. Ele estava muito zangado para se dizer o mínimo.
–Isabella...
Ops... Eu acho que vou morrer.
Ele caminhou lentamente em minha direção, conforme ele caminhava eu caminhava para trás.
Num minuto eu estava sentindo o chão sobre meus pés e no outro eu senti ele me faltar. Estava caindo, em minha aflição segurei Damon que já se encontrava perto o suficiente fazendo nós dois cair na água gelada da piscina.
Engolir um pouco de água fazendo minha garganta arder. Olhei em direção a ele.
–Princesa, eu não sei por que você está fingindo que você não me quer quando realmente você está apenas tentando ocultar o quanto você me quer. –ele disse presunçoso.
–Damon seu cretino. Vampiro idiota!
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