Escolhas para a Vida Toda!
2 Deus grego? Isso está mais para um Idiota grego!
Notas iniciais
Em um grande salão dourado uma bela mulher de cabelos e olhos negros caminhava apressadamente. Ela tinha os cabelos lisos, e por eles descia fios dourados, mas na verdade eram feitos de ouro puro. Em seus olhos uma maquiagem muito forte. O lápis era puxado dando continuidade aos belos olhos. A pele dourada. Ela vestia uma bela roupa, uma roupa enfeitada com ouro.
É claro, Cleópatras são sempre belas, mas nesta a beleza era divina. Em seu rosto deveria estar um sorriso, mas os seus lábios não o formavam, pois a amargura não deixava. Os olhos que sempre transmitiam a gentileza e a alegria agora estavam frios.
Ao passar pelo grande salão, foi para o calabouço, onde se mantinham os presos, e lá encontrando que a fez mais feliz, mas que agora a fazia triste e a mesma carregava um ódio por ele.
— Guardas! — Falou ela e então homens com uma máscara de lobo e com cangas se aproximaram dela. — Abra a cela! — Falou de forma fria, a gentileza dela morreu quando viu o que ele fez. Então eles abriram a jaula também feita de ouro.
— Nefertiri, eu... — Começou a falar um homem de cabelos e olhos negros que se encontrava na jaula, mas ele não estava só. Uma mulher parecida com Nefertiri estava ao seu lado, mas a mesma nunca chegaria à beleza da Cleópatra.
— Cale-se! — Falou ela o interrompendo. — Venho lhes avisar que amanhã será a execução dos dois. — Essas palavras os fizeram arregalar os olhos.
—E-execução? — Gaguejou Anacksunamun. — Majestade não faça isso conosco! — Disse ela desesperada se ajoelhando aos pés de Nefertiri.
— Não toque em mim sua imunda! — Falou ela chutando a outra. — Não acredito que foi a minha criada de mais alta confiança Anacksunamun!
— Nefertiri deixe-me explicar... — Começou falando o homem, mas novamente foi interrompido pela bela e poderosa mulher a sua frente.
— Não a nada para se explicar Klaus! — Disse ela se virando. — Pode trancar a cela. — Falou sem ao menos olhar para os dois dos quais agora lhe davam nojo, dentro da cela.
O homem sem falar nada trancou a cela, enquanto que Klaus e Anacksunamun gritavam por piedade.
— Nefertiri!! Nefertiri!! — Gritava Klaus, mas não obteve sucesso.
Nefertiri foi rapidamente para o seu aposento. Doía-lhe o coração fazer isso, mas não queria o ver junto de Anacksunamun, nunca!! O amava e fazer isso também lhe matava por dentro. Já sabia o que iria fazer depois da morte dos dois. Era o melhor a se fazer.
Depois de tomar um belo banho, Nefertiri foi se deitar. Amanhã seria um dia do qual ficaria marcado para sempre em sua alma.
Logo os raios de sol que o deus Amon-Rá lhes jogavam sobre a terra, foram adentrando o quarto da bela Cleópatra.
Ela logo acordou, trocou de roupa e viu que era a hora da execução dos dois traidores. Ela saiu de seus aposentos e foi para a sala onde estava o seu trono.
— Guardas, tragam os traidores aqui! — Falou Nefertiri gélida, e sem dizer nada eles foram atrás dos traidores.
E não demoraram em trazê-los. Assim que adentram o local Nefertiri teve vontade de chorar, mas não o faria, nunca o faria. Não na frente deles. Os guardas os colocaram ajoelhados em frente a ti, os dois estavam presos com correntes pelas mãos nas costas.
Anacksunamun chorava, nem em sua morte teria dignidade, foi o que pensou Nefertiri. Ela encarava os olhos de Klaus sem brilho, era como se ele já estivesse morto, mas não poderia falar nada, ela se encontrava daquela mesma forma, morta por dentro.
— Vocês dois, acusados de traição a mim, serão agora executados perante a mim. — Disse ela, mas no fundo queria que aquilo fosse apenas um pesadelo, um pesadelo do qual queria imediatamente acordar, mas infelizmente se viu presa na realidade.
— Nefertiri, por favor, tenha piedade!! — Chorava desesperadamente Anacksunamun.
— Suas lágrimas não me afetarão!
— Nefertiri... — Tentou novamente pedir piedade a Cleópatra, mas a mesma a interrompeu.
— Cale-se!! Agora, adeus aos dois. — Disse fechando os olhos e criando coragem. — Guardas, executem-nos.
Dois guardas se aproximaram um ficando ao lado de Anacksunamun e o outro ao lado de Klaus.
Em nenhum momento Klaus e Nefertiri desviaram o olhar. Então antes de ter a cabeça decepada permitiu que uma única lágrima escorresse pelo canto de seu olho, e então a vida esvaíra de si, sua cabeça havia sido arrancada, assim como a de Anacksunamun.
Os dois corpos caíram no chão, enquanto que suas cabeças rolavam pelo chão dourado.
Nefertiri se levantou e então foi para o seu aposento. Lá terminaria o que começara.
Ela então pega uma adaga de ouro e a levanta a posicionando contra si.
— Que Amon-Rá nos perdoe, assim como eu quero que você me perdoe. — Disse ela deixando uma lágrima escapar pelos seus olhos. — Argh! — Grunhiu ela após infincar a adaga em sua barriga e cair no chão sangrando, sentindo a vida sair de si.
— Argh!! — Acordei assustada. Novamente esse sonho. Senti algo molhado em meu rosto e então coloco a mão no mesmo para ver o que era e me então deparo com lágrimas, eu havia chorado, novamente. Sempre quando tenho esse sonho eu acordo chorando. É como se minha alma chorasse me fazendo chorar junto com ela.
Olhei para o lado e olhei no relógio. Seis horas. Tinha que me aprontar, hoje é o primeiro dia na faculdade.
Levanto-me preguiçosamente e caminho até o banheiro, faço minha higiene e ligo o chuveiro deixando a água morna cair sobre o meu corpo.
O tempo todo que fiquei debaixo do chuveiro eu pensei sobre o sonho. Às vezes eu sonhava com outra coisa, mas eram sempre as mesmas pessoas que apareciam nele. Era estranho. Parece que eles haviam sofrido muito. No meu sonho parecia que ela o amava, mas não sei por que o matava.
Só de pensar nisso o meu coração dói, e eu não sei por que. Não gosto de coisas assim, um casal apaixonado que no fim fica separado, não quero isso para mim. Acho que esse é o meu maior medo.
Após um tempo debaixo do chuveiro eu saí do banheiro enrolada em uma toalha. Fui ao guarda-roupa e vesti uma calça jeans preta, uma regata preta escrita rock n roll, calcei uma sandália de plataforma e fui me olhar no espelho. Adoro me olhar, me lembro da minha mãe. Os olhos verdes como o dela, o cabelo loiro, e o corpo bem avantajado fazendo que qualquer homem desejasse e várias mulheres sentissem inveja. Realmente me pareço com ela, na verdade sou idêntica, não tem como falarem que não sou filha dela.
Passei uma maquiagem leve e um gloss. Deixei meus cabelos soltos, por sorte não havia problema com eles, pois graças a Deus eles eram lisos.
Fui para a estante onde colocava vários livros, jogos e filmes, e peguei uma foto de minha mãe que havia em cima dela. Na foto ela estava em um lindo jardim com várias flores, ela segurava o chapéu em sua cabeça, com certeza por causa do vento. O seu vestido branco estava de lado, pois o vento bateu no mesmo o levando para o lado. Ela tinha um lindo sorriso no rosto. Tinha uma grande saudade daquele sorriso. Ah, como ela fazia falta.
— Bom dia, mamãe. — Disse dando um beijo na foto e depois colocando a mesma na estante. Deixei a tristeza de lado e descia as escadas indo para a cozinha. Fiz o meu café da manhã, panquecas.
Após comer o desjejum, me levantei indo para o quarto pegar a minha mochila. Olhei o relógio em cima do criado mudo ao lado da cama e vi que eram 06:30.
— Tchau mãe! — Falei me virando para a foto e saí do quarto para depois descer as escadas. Saí da casa e a tranquei. E fui caminhando calmamente para a faculdade, pois a mesma não era tão longe assim.
Após um tempinho caminhando vejo a enorme faculdade, já tem um ano que estou nela e este é o segundo. Só mais um ano e eu termino tudo. Com esse pensamento era difícil deixar de sorrir.
Caminhei até a porta encontrando minha adorável amiga Amanda.
— Oi. — Falei sorrindo e assim que me viu sorriu também.
— Oi! Como você está? — Perguntou ela animada.
— Estou bem e você? — Amanda era sempre gentil, mas isso se não a irritasse. Ela tem os cabelos e os olhos castanhos e é um amor de pessoa.
— Bem. Agora vamos entrar. — Amanda queria ser aeromoça, sempre sonhara com isso. Eu acho um máximo esse sonho dela, ela tem muita coragem para entrar em um avião. Bom, eu falo isso por tenho medo de altura, mas mesmo assim, eu acho uma profissão bem interessante. Eu não faço faculdade só para estilista, mas faço também para administração de empresa, quero ter minha própria empresa um dia.
Caminhamos conversando coisas banais. Até que fomos para alas diferentes, ela indo para ala de comissária de bordo e eu indo para a ala de estilismo. Esta faculdade é umas das mais caras, mas é a melhor. Nela as profissões se dividem em alas, assim cada pessoa vai para a ala que estuda.
A aula de estilismo foi bem interessante. Aprendi a desenhar novos modelos de roupas bem interessantes.
Então depois de um tempo olhei no relógio e vi que estava na hora de ir para a ala de administração de empresas.
Nesta ala é onde ficam os mais riquinhos. Os que conseguem pagar mais, pois está é mais cara, mas ainda bem que eu tenho uma bolsa de 80%, então quase não pago nada.
Sentei-me no lugar de sempre, ao lado da janela e fiquei a esperar pelo professor. Estava a ficar impaciente e então resolvi fitar a porta. Depois de um tempo eu a vejo ser aberta. Solto um suspiro aliviado pensando que era o professor, mas após ver a pessoa entrar vejo que me enganei completamente. Por ela entrou um deus grego se assim posso dizer, era um rapaz de cabelos castanhos escuros quase pretos e o mesmo tinha os olhos azuis. Com certeza era lente, pois dava para perceber, mas naquela pele clara dele, ficava perfeito. O seu corpo nem se fala. Ele usava uma camisa verde escuro, uma calça jeans e um tênis branco, e no ombro direito havia dependurado a sua mochila.
Então ele olha para mim, acho que ele percebeu que eu estava o encarando de mais, então virei o meu rosto para a janela e senti o meu rosto esquentar. Com certeza havia ficado vermelha.
Percebo pelo canto do olho que ele havia passado por mim e se sentado bem atrás de mim. Ótimo! Agora o incomodo de ser observada me invadia. Será que ele não podia se sentar um pouco mais afastado de mim?
Para minha sorte o professor adentrou a sala e então aquela sensação de estar sendo observada sumiu.
— Olá, me chamo Carlos. Bom vocês irão se sentar de dupla, e eu mesmo irei escolher.— Falou ele sem mais e nem menos.
Que bom, não conheço ninguém aqui, agora só fala ele me colocar com esse garoto aqui.
— Vamos ver... Lucy e Vinicius. — Disse o professor. Ótimo, agora quem é esse tal de Vinicius? Que pelo amor de Deus, que não me venha um riquinho enjoado.
— Er... Professor? — Falei levantando a mão.
— Sim?
— Quem é Vinicius? — Perguntei sem graça.
— Eu. — Falou uma voz firme atrás de mim e então o meu coração acelerou. Ele? Era ele o Vinicius?
— Ah, oi. — Disse meio sem graça me virando para trás, mas ele não falou nada. Que sem educação. — Então, eu sento aí, ou você senta aqui? — Perguntei e novamente ele não me respondeu. Idiota! Então vendo que ele não iria se sentar do meu lado, vi-me obrigada a me sentar do seu lado.
Eu o fiz e ele não falou nada, sequer me encarou. Apenas ficou olhando pela janela.
O professor passou um trabalho qualquer no quadro e então nos mandou fazê-lo e era para começar agora.
— Então... O que faremos? — Perguntei tentando ser simpática e então ele me olhou com aquela cara de peixe morto que os riquinhos fazem quando olham para alguém de classe mais baixa que ele.
— É tão burra a ponto de não saber o que fazer? — Disse ele frio. Tá bom! Esqueça tudo o que eu disse sobre ele! Deus Grego?? Isso está mais para um idiota grego!
— Escuta aqui, isso caso você não saiba é para fazer em dupla e não individual, se não o professor não teria colocado a gente junto. Entendeu, ou quer que eu explique de novo? — Falei grossa e então ele me olhou surpreso, eu acho que ele não esperava essa reação minha.
— Humph.
Resmungou ele e então começamos a fazer o trabalho. A cada minuto eu o estava odiando. Ele me olhava daquela forma, como se fosse superior. Então o sinal bateu e todos saíram da sala deixando apenas ele e eu dentro da mesma. Guardei logo minhas coisas e quando fui sair sinto o meu braço ser puxado.
— O que quer? — Perguntei olhando irritada para ele.
— Nunca mais fale comigo daquele jeito, entendeu? — Falou ele grosso.
— Se não o que? — Debochei, eu não sou de me deixar ser ameaçada, eu ameaço.
— Se não vai se arrepender. — Falou ele apertando mais ainda o meu braço.
— Me larga, você está me machucando. — Falei puxando o meu braço, mas foi inútil.
— Uma vadia como você já devia estar acostumada a ser tratada desta forma. — Falou ele sorrindo debochado, e então a raiva se apossou do meu corpo, e assim só dei um murro na sua cara o fazendo cambalear para trás e me soltar.
— Otário! Nunca mais ouse me chamar de vadia novamente ou eu te mado!! — Falei entre dentes e saí logo daquela sala. A minha vontade era de voltar lá e espancá-lo até a morte. Vadia? Como ele ousa? Aí que ódio!!
Voltei para casa a passos rápidos. Preparei um almoço e depois fui tomar um banho para me trocar e me arrumar para ir para o trabalho. Vesti uma saia e uma blusa social e coloquei aquele horrível sapato escarpam, mas fazer o que?
Após fazer isso caminhei até a empresa onde trabalhava. Eu era secretária do dono. E ganhava bem.
Entrei e cumprimentei as colegas de trabalho, e então fui logo para a minha mesa.
Após um tempo anotando recados e marcando reuniões, o meu patrão me chama em seu escritório. O que será que ele quer comigo? Perguntava-me apreensiva.
Após bater na porta e ouvir um “entre”, eu abri a mesma e entrei.
— O senhor me chamou? — Perguntei a sua frente.
— Sente-se. — Falou ele apontando para uma das cadeiras a frente de sua mesa e eu me sentei.
Não me atrevi a dizer uma palavra e então eu esperei para que ele começasse.
— Bom o motivo de eu lhe chamar aqui, é para te avisar que amanhã eu viajarei e ficarei dois meses fora e será o meu filho que ficará no meu lugar. — Falou ele me acalmando.
— Tudo bem, mas quem é o seu filho? — Perguntei curiosa, esse é o meu maior defeito: a curiosidade.
— Eu. — Então ouvi aquela voz que me dava nos nervos, atrás de mim. Então eu olhei para trás e vi-o encostado à parede ao lado da porta.
Por Deus, seria isso castigo??
Ou mesmo uma perseguição?!
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