Notas iniciais
Acho que já tá na hora de ver o circo pegar fogo >:3 Vou tentar melhorar nesse capítulo, adicionando o segundo personagem de maior importância nessa história toda. O desafio é ver se vão descobrir quem é kkkk Bora lá!

– Senhora, eu já disse, eu vim para buscar os dicionários para o professor...

– Desculpa, você disse que veio buscar o formulário pra defensor?

Reviro os olhos, mais uma vez. Já faz mais de dez minutos que estou tentando convencer a bibliotecária de que não trabalho na polícia e que só quero os dicionários para o professor de português. Mas acho que ela tem algum problema auditivo...

– Olha, vamos fazer assim: eu vou lá dentro, e pego os dicionários. Daí, volto, você anota no seu caderninho e eu vou embora!

Ela pára o que estava fazendo e olha pra mim. Por alguns segundos, tenho a impressão de que ela entendeu o que falei. Mas não durou muito.

– Uma vez, comi um pastel na barraca do seu Zé que me deixou com uma dor de barriga fortíssima!

– AHRG! — Enterro o rosto nas mãos. Começo a perder a paciência quando Maddie entra pela porta da biblioteca.

– Mason, tá tudo bem? O professor já estava ficando preocupado...

– MADDIE! Graças à Deus! Já tem o maior tempão que tô tentando falar pra essa senhora que só quero pegar os dicionários, mas ela não entende?

– Será que eu posso tentar? — Ela pergunta, se adiantando e chegando perto do balcão.

– Fique à vontade! Não vai dar em nada mesmo...

Maddie olha para a velhinha e faz uma cara de poucos amigos. Por um segundo, fico com medo do que ela pode fazer, mas ela abre um sorriso tão grande que a minha visão panorâmica quase não alcança.

– Bom dia, Sra. Tuttyberry! Como estão Romeo e Julieta?

– Maddie, meu amor! Ah, você sabe como eles são. Estão lá em casa, dormindo que é uma beleza! Soube que estão precisando de dicionários na sua sala...Por que ninguém veio aqui buscar? — Olho aquela cena, boquiaberto. Se não fosse pelo fato de estar em estado de choque, acho que eu quem voaria no pescoço daquela senhora. — Você sabe onde eles ficam. Peça esse garoto para te ajudar. Ele já está aqui há um tempão, sem fazer nada...

A velhinha recoloca os seus óculos e volta a ler o seu livro de poesias. Maddie se vira pra mim e dá de ombros, sorrindo. Ela sai andando em direção à prateleira com os dicionários e eu a sigo.

– O que foi isso? Como você simplesmente chegou e ela entendeu tudo o que você falou?

– Bem, eu a Sra. Tuttyberry temos uma ligação muito forte. — Ela semicerra os olhos e eu balanço a cabeça, esperando por mais.

– Quem é Romeo e Julieta? São fãs de Shakespeare?

– Romeo e Julieta são os meus gatinhos. Quer dizer, meus antigos gatinhos. Um tio meu veio morar na minha casa, só que ele tem alergia à gatos. Daí tive que doá-los, e a Sra. Tuttyberry sempre foi bem apegada à eles. Achei que ela seria a melhor opção...

– Não seria mais fácil expulsar o seu tio de casa?

– Não é tão simples assim. Vai por mim, eu já tentei. — Damos risadas, enquanto pegamos o número suficiente de dicionários. Passamos pela Sra. Tuttyberry que se despede (de Maddie, claro) com um aceno e mandando um beijinho.

– Sabe, já faz três dias que estou aqui nessa escola e não tenho mais do que dois amigos. Nem a bibliotecária idosa quer saber de mim. Estou começando a achar que o problema é comigo...

– Não seja ridículo, May. — Maddie ouviu minha mãe falar isso no final do primeiro dia, quando ela e meu pai foram me buscar na escola. Paguei o maior mico e agora tenho que aturar Maddie usar esse apelido. — Já ouvi muitas pessoas falarem sobre você na escola. Se não fosse um novato, diria até que já é a sensação do momento...

– Hahaha, muito engraçado! — Dou um esbarrão em seu braço, e ela quase derruba a sua pilha de dicionários. — Da próxima, faço mais forte.

– Palhaço! — Maddie ri. Ela parece não se incomodar com nada, à não ser com as patricinhas de cabelo perfeitinho. — Mas May, você não precisa mais do que eu e o Alex. Nós formamos o nosso próprio grupo. E dois amigos em três dias é quase um recorde! Deveria se sentir honrado!

Chegamos à porta da sala de aula e entramos. Mais uma vez, todos olham para a porta. Maddie se apressa e começa a distribuir os dicionários. Eu a imito, pegando as 4 primeiras fileiras (Isso que dá trazer mais dicionários!) Passo por Pitty Mckenzie (Uma garota que, pelo que soube, já arrancou dentes de várias pessoas da escola só com um soco), Mike Junior e Liam Hylian (Dois geeks que só sabem falar de games e figuras de ação), Sam Dawkins (Um cara que só anda com seu grupinho de retardados) e mais um monte de figuras que, segundo Maddie, "só fazem aumentar a idiotice escola". Depois que entregamos todos os dicionários, o professor agradece e pede que nos sentemos em nossos lugares. Maddie senta atrás de mim; Alex, ao meu lado esquerdo, se vira pra bater papo com a gente.

– Então quer dizer que vocês passaram de "Não-Notados" para queridinhos do professor?

– Cala a boca, Alex! — Maddie solta um palavrão e os dois começam a rir; eu os acompanho. É engraçado a forma com que isso parece ser natural para eles. Olho ao redor e, mais uma vez, fico olhando em como as pessoas se reúnem em grupos que se sintam encaixados...Depois de cinquenta minutos de aula, o sinal para o intervalo toca. Junto com Maddie e Alex, saio da sala para devolver os dicionários. A Sra. Tuttyberry elogia Maddie, aperta as bochechas de Alex e me lança um olhar do mal. Ela parecia uma velhinha tão adorável à algumas horas... Saímos em direção ao refeitório e cada um pega as suas bandejas. Nos sentamos na nossa mesa, apenas nós três como sempre (Os três dias que estou na escola já são um "sempre"). Mal nos sentamos e eles já começam:

– Soube que aquela garota ali já transou com mais de metade da escola!

– ALEX! Não fale essas coisas, o Mason tá aqui!

– Como se vocês já não tivessem falado coisa pior perto de mim! — Nós três caímos na gargalhada. É bom ter amigos de verdade, pra variar...Espero que dure. Depois de alguns minutos falando dos outros, o sino toca. Me levanto, animado: a próxima aula é de Biologia.

– Você deveriam se preocupar mais com a vida de vocês e menos com... — Cometi o erro de não olhar para a frente. Quando percebi, já era tarde demais: a minha bandeja, com suco e tudo o mais, derramou em Sam Dawkins. Arregalei os olhos; minha respiração parou. Sam não é tão musculoso, mas a sua fama não é muito boa. Maddie tapa a boca e Alex solta um "Ah, merda".

– M-me desculpa. E-eu juro que...

Ele me puxa pela gola da camisa, fazendo com que a bandeja caia no chão e faça um barulho enorme; todo mundo pára pra olhar a cena e parecem estar se divertindo.

– Olá novato! — Ele me lança um olhar frio e eu encaro seus olhos, verdes e cortantes. Sinto que estou cada vez mais perto da morte, mas tento não demonstrar o medo. A tentativa é inútil; começo a suar frio e gaguejar na hora de falar. — Seja bem vindo à Silencity.

– Eu já pedi desculpas, Dawkins...

– Dá na cara desse babaca, Sam! — Um dos amigos dele o incentiva e os outros o seguem.

– Isso aí, Sam!

– Mostra pra ele quem é que manda?

Sinto uma onda de raiva crescer dentro de mim. Não é a primeira vez que algo assim acontece e já estou farto disso.

– Vai lá, Sam. Mostra pra todo mundo o quão imbecil você é, só porque pode se aproveitar daqueles que julga ser mais fraco que você? — Ele me olha com uma mistura de espanto e raiva. Ao que parece, ninguém nunca falou com ele dessa forma.

– Sam, o que é esse monte de baboseira que esse cara tá falando? Deve ser um nerd. — Ele e os outros começam a rir, mas a expressão de Sam não se modifica.

– Qual é, Sam? Você anda com esses lesados só pra parecer mais inteligente, é?

Ele me joga no chão e vira de costas. Fico olhando para ele, sentado perto da mesa, sobre o que restava da bandeja. Ele parece estar considerando a hipótese de me matar publicamente ou passar vergonha publicamente. Qualquer que fosse a opção que ele escolhesse, seria ruim o bastante. Pra ambos. Depois de um tempo em silêncio absoluto no refeitório, ele diz ainda de costas:

– Fique longe do meu caminho. Da próxima vez, não serei tão compreensivo... — Eu me levanto. A onda de fúria cresce cada vez mais, e explodo.

– Agora você usa palavras difíceis, não é Sr. Einstein? Você não passa de mais um babaca que só sabe se vangloriar e...

Ele avança mais uma vez pra mim e eu me encolho.

– Eu não sei quem você é, Oxfford, mas eu sugiro que você cale a sua boca ou então eu...

– Então o que?

Em frações de segundo, ele soca o meu rosto. Sinto uma dor insuportável na mandíbula, e meu rosto se vira.

– Isso é apenas uma prévia. Da próxima, vou te machucar de verdade e não quero ter que fazer isso...

Mais uma vez ele se vira e eu digo:

– Idiota...

Quando me abaixo para pegar a bandeja, Sam anda em minha direção. Ao que parece, ele ouviu meu comentário. Mas, antes que ele possa fazer qualquer coisa, um dos seus amigos o empurra e faz com que ele me empurre. Bato a cabeça na quina mesa; ela é de mármore.

– MASON! — Maddie corre em minha direção. Enquanto estou nos braços de Maddie, Alex corre para ficar ao seu lado e empurra Sam.

– Seu imbecil! Olha o que você fez!

– Meu Deus! Me desculpa, e-eu não... — Enquanto Sam discute com Matt, vejo pontos vermelhos crescerem à minha frente. Ao que parece, minha cabeça está sangrando. Com a pouca consciência que me resta, vejo Maddie tirar a jaqueta e colocar na minha cabeça, no local onde bati. As pessoas do refeitório se alvoroçam e começam a gritar, filmar e etc.

– Alex, deixa ele pra lá! Liga pra uma ambulância, agora!

Alex aparece ao meu lado e pega o celular, falando coisas como "Vai ficar tudo bem, cara". Embora eu o odeie, olho para Sam e quase sinto pena dele. A sua expressão é de quem realmente se sente culpado por algo que aconteceu. Mas não ligo. Por ver a sua expressão de desespero, dou um sorriso antes de ter a minha visão 100% escurecida e perder a consciência totalmente.

Notas finais
Mais um capítulo sem a tal "playlist" kkkkk Não me entendam mal, mas como eu já disse antes, comecei a escrever a história do meio então as músicas estão por lá xD Espero que a história tenha começado a ficar boa pra vocês :3 As melhores partes estão por vir! o/