Escolhas

1 Prólogo


Notas iniciais
esse cap. particularmente ficou meio parado, principalmente pq a cada episodio vai ficando mais sombria e pesada a historia então eu precisava de um "dia comum'para introduzir os personagens

Lorence finalmente tinha começado a sentir os efeitos do que aconteceu, toda a correria da situação e os próprios instintos de salvar seus amigos o impedirá de sentir qualquer coisa. Começou a ficar ofegante e a tremer em demaseio, o impedindo de fazer qualquer coisa, uma lágrima escorreu de seus olhos fazendo caminho até o seu travesseiro na maca, em sua mente flashbacks de todas as pessoas que não pode salvar e daquele lunático o culpando pelo que aconteceu ao seu irmão deu lugar a frustração e a raiva, que se manifestaram em um grito de dor, ódio e principalmente tristeza, fazendo com que um grupo de enfermeiras entrassem pela porta alguns minutos depois e o dopasse para que se acalmasse e assim dormisse.

3 anos antes...

Primeiro dia de aula no ensino médio, é um dia particularmente bom para muitas pessoas, Lorence porém estava apenas irritado e chateado, sempre foi sentimental e a despedida das pessoas que deixou para trás não foi fácil, o plano era simples: Sem amigos sem problemas. Era uma certeza quase absoluta para o Loiro que ele iria trocar de escola novamente, e apesar de ser uma atitude infantil, ele odiava perder contato com as pessoas. Durante a espera para o início das aulas duas pessoas tentaram armar para ele, ele quase foi derrubado por meia dúzia de garotos enquanto corriam e gritavam pelo pátio, em sala, os alunos o encaravam de canto de olho e o mesmo fingia não notar, era impossível não ouvir os alunos conversando sobre o estranho novato no fundo da sala.

Samuel sempre foi deslocado dos demais, e o fato de ter acabado de brigar com suas amigas definitivamente não ajudava em seu humor, mas estava tentando não deixar isso estragar o dia.

— Samuel, como foram as férias? — Um garoto de cachos Loiro e olhos verdes apareceu no corredor enquanto o irritado se dirigia ao pátio.

— Na verdade foram bem chatas, fez alguma coisa boa nas suas?— No geral Nick é bem animado, mas deve ter notado o mau humor do amigo pois em um dia normal ele teria se jogado em cima dele.

— Sabe como são as coisas né cara, com a quantidade de tiroteio que tem lá em casa é impossível ficar entediado.—

— Meu Deus cara, só você mesmo, vai pro refeitório hoje?— Nick tem o dom do carisma, é difícil não ficar contente perto dele, é quase como uma criança muito feliz que tem alguma maturidade. Depois que Nick o deixou para ir para o refeitório Samuel manteve seu caminho, costumava se sentar em uma parede que formava um pequeno corredor no pátio enorme, mas dessa vez havia alguém lá.

Lorence não estava nos seus melhores dias, a sua suposta aula não existiu ele apenas ficou impedido na sala tendo que ouvir as pessoas falando dele, se encaixar nunca foi uma qualidade do garoto, mas ele ainda sentia quando era ridicularizado.

— Gostei do desenho, É difícil achar alguém que goste de animes por aqui.—

— hm... Obrigado?—

— Eu sei eu cheguei do nada, eu sou Samuel.— Lorence reagiu mais automaticamente do que de fato tomou a decisão de cumprimentar o garoto, essa talvez tenha sido a primeira vez que alguém falou com ele tão de repente sem os seus instintos lhe mandarem fugir. — Posso te mostrar meus desenhos? —

Durante todo o tempo que ficaram conversando e desenhando Lorence simplesmente esqueceu de tudo, da tristeza de ter perdido seus amigos, do quão sozinho ele estava de novo, da humilhação em sala, ele estava apenas feliz e nem viu o tempo passar.

Nick demorou um bom tempo para pegar o lanche no refeitório, mas finalmente conseguiu, agora era conseguir achar Samuel no pátio, no meio do caminho Kate e Lisa passaram por ele emanando ódio, não é exatamente a melhor decisão falar com elas quando estão estressadas, por isso foi exatamente o que o Loiro fez.

— Ei duronas, o que houve?— O garoto gritou em plenos pulmões enquanto pulava em cima de Kate e a abraçava.

— Me larga garoto, vê se cresce!— Kate rosnou em meio a empurrões que desferia no garoto.

— Não bate que eu gamo! Anda o que foi que houve, vocês estavam bem quando chegamos.—

— Pergunta para o idiota do Samuel!— Lisa retomou o passo enquanto rosnou as palavras em tom de ironia.

As duas ficaram trocando veneno enquanto caminhavam para o pequeno corredor do pátio, não era difícil irritar aquelas duas, e definitivamente Samuel haviam conseguido, mas havia um outro assunto em pauta.

— Você viu aquele garoto novo? Ele chegou sentou perto do portão e começou a jogar, e todo encasacado ele é meio estranho. — Kate comentou, mas de uma forma mais positiva do que criticando.

— As vadias da sala tentaram fazer uma pegadinha com ele pedindo ele em namoro, mas ele dispensou duas delas e as outras ainda estão xingando ele por isso. —

— Ele tem é bonito. —

— Ele parece depressivo e amargurado, faz o seu tipo, mas eu também gostei dele.—

As duas fizeram silêncio ao perceberem Samuel e Lorence conversando perto de onde elas iam ficar, apesar de não ter vista para onde elas se sentaram elas passaram a cochichar para não serem escutadas.

Samuel tentava chamar a atenção de Lorence de novo, ele havia olhado para o nada e parou de falar de repente.

— Ei, terra chamando Lorence! —

— O que? Desculpe é que.... Passou uma garota linda aqui agora, eu conheço a amiga dela, mas depois de tantos anos eu não posso só chegar assim.—

— Você fugiu completa... tá esquece o anime, que garota? —

— Não sei se você conhece, o nome dela é Kate, mas a amiga dela eu não conheço.—

— Lisa, a amiga se chama Lisa, conheço elas, Mas não se anime, elas estão com raiva de mim!—

— Ué porquê? —

— Eu falei que elas parecem um casal de lésbicas...—

— O que?! Porquê?!—

— Elas só andam juntas e ficavam fazendo piada interna e me dando foras eu me irritei.—

— Cara, elas não foram legais, mas você também não, isso ofendeu elas, você perdeu a razão nessa.—

Nick ficou esperando no palco em frente ao prédio onde ficava sua sala, não queria ficar procurando Samuel no pátio, e estava com fome então resolveu comer logo. Depois de um longo tempo, o garoto finalmente apareceu.

— Ei cara, que diabos, o que você fez com as garotas? — Disse enquanto pulava do palco para a frente de Samuel.

— Foi resolvido já, Um amigo que eu conheci me disse o que falar para elas me desculparem, e acredite ou não, funcionou, ele até aproveitou para se apresentar.—

Lorence estava desenhando no mesmo lugar, a sua professora não havia aparecido então não tinha porque sair, mas logo se arrependeria. Uma jovem de cabelos curtos caiu em cima do mesmo que ficou sem reação devido a surpresa.

— Por favor, eu não fiz isso você sabe que não! — O pânico na voz da garota fez o peito de Lorence doer.

— Você fez isso com o teu ex, pode ter feito comigo! — Um rapaz alto e negro, com o bigode por fazer e um cigarro de maconha na orelha estava na frente dos dois, ele espumava em puro ódio. Logo que o garoto entrou em posição para socar a garota Lorence a empurrou para longe e segurou seu braço ainda no ar.

— Faça isso e eu o quebro.— O loiro tentou ser o mais intimidador possível, apesar de tudo ele era sedentário, fraco e nunca aprendeu a lutar.

Era possível ver as engrenagens no cérebro do careca avaliando se valia ou não a pena atacar o rapaz, por fim ele apenas se desvencilhou de Lorence, virou as costas e foi embora.

— Porque fez isso seu maluco?! — A garota puxou-o pelo ombro e o encarou com seus olhos marejados e assustados, era possível ver agora o roxo em sua bochecha e o sangue nos seus lábios.

— De nada.— O rapaz respondeu em desdém e indignação.

— Ele vai ir atrás de você, ele vai vir atrás de você com o pessoal dele. —

— Que venha. —

SAIDA

Lorence foi Liberado cedo, e ficou um longo tempo esperando, com a chegada da noite uma brisa fresca soprou os longos cabelos do rapaz, uma sensação de paz tomou conta dele, que passou a observar as estrelas que surgiam aos poucos no céu noturno, faz anos que ele não sabe o que é isso, sua vida nunca parou, ou a dos seus pais, sua família tem essa maldição, sempre tem um problema. As novas amigas enfim apareceram, estavam sentadas na ponta do banco ao lado, o mais afastadas que conseguiram, e aos poucos entre cochichos e risos elas foram se aproximando, e quando ia enfim falar algo, Lorence respondeu.

— Eu espero não ter passado uma má impressão, mas eu posso ver vocês ai. -

— Discrição não é o nosso forte, o que está fazendo aqui até agora?- Perguntou a Kate, se levantando e sentando no banco ao lado do mesmo.

— Esperando o Samuel, vocês pelo jeito fazem o mesmo caminho que a gente, esperem comigo.-

A amiga falou algo inaudível e foi embora deixando os dois sozinhos conversando.

— Sabia que ia me esperar.- Samuel enfim chegou se sentando ao lado de Kate e deixando a mochila cair do seu braço para o chão.

— Fui com a sua cara eu acho.-

— Agora nós temos que esperar a Lisa.- Exigiu a garota.

— Seria um bela babaquice não esperar.-

— É, mas eu to com um pouco de pressa, eu vou atrás dela, me esperem aqui!- Disse a garota se levantando e saindo sem esperar resposta.

— Me parece que deu tudo certo no fim né.- comentou irônico e Feliz.

— Isso ai, obrigado pela ajuda com as desculpas.-

— Cadê a Kate?- Perguntou Lisa se aproximando.

— Foi atrás de você.... Certo deu tudo quase certo. Nem pense em ir atrás dela, é melhor esperarmos aqui ela vai voltar e fica tudo certo.-

— Divirtam-se eu vou no banheiro e já volto.- Samuel não queria dar brecha para que Lorence fugisse então não esperou resposta é saiu o mais rápido possível.

— Filho de uma... É claro que ele me largou sozinho com ela. -

— Oi? -

— Nada?! – Lisa notou a cara de pânico do rapaz, e achou melhor trocar de assunto, o que não era uma tarefa fácil para ela.

— Quer um jogar um jogo? Eu tenho um bom no meu celular, é literalmente correr e espancar uns bandidos.-

— Manda ai.-

Jogaram o jogo por um tempo, até começarem a conversar sobre o contexto na vida real.

— Se alguém sequestrasse uma namorada minha eu iria atrás do desgraçado e o mataria antes de ele saber o que viu...-

— Agressivo é pouco para você em. — Samuel chegou puxando o grupo para ir embora. — A gente vai passar por ela mesmo que ela venha pra cá, então só vamos. -

Lisa pegou um ônibus no meio do caminho foi a primeira a se separar do grupo, fazendo Lorence se amaldiçoar em silêncio por desperdiçar a oportunidade de pegar o telefone dela, os três restantes fizeram o mesmo trajeto até em casa, mas Lorence chegava primeiro. Umas três portas antes de casa Samuel resolveu parar pra comer alguma coisa, então os outros dois se apoiaram em uma calçada do outro lado da rua.

— Ela gosta de você...- Disse a garota sem olhar no rosto do rapaz, aproveitando que Samuel não ouviria, claramente o assunto a incomodava.

— Err... O que?!-

— Você ouviu, Lisa...Ela gostou de você, Olha eu vou nessa, tá muito escuro já.-

— Quer que eu a leve em casa?-

— Não, tá tarde melhor você ir logo pra casa também! -

— Maravilha né cara, quer dizer você tá afim dela não é?- Samuel gostou da notícia mais do que Lorence.

— Esse não é o problema...-

— Então qual é?-

— Lisa me disse que Kate gosta de mim, disse que o tipo, triste e marcado pela vida é o estilo dela.-

Os dois apenas falharam em decidir o que fazer, e conforme ficava muito tarde ambos precisaram ir para suas casas.

Faz muito tempo que o loiro não dorme bem, mas não dormir era a primeira vez, depois de tanto tempo era impossível dormir e ir para a escola no dia seguinte, então decidiu apenas sair e andar um pouco para esfriar a cabeça.

— Olha só quem a gente encontrou, esse é o lek que eu falei. — O mesmo garoto que Lorence ameaçou estava agora na frente dele com mais quatro caras, todos pareciam estereótipos de traficantes, o lado bom era que nenhum deles saberiam onde o garoto morava uma vez que ele estava em outra rua, mas Lorence não conseguiria se defender.

Quando avançaram como cães de rua em comida, o loiro tentou se defender, mas fraco demais pra isso, eles faziam a própria defesa do rapaz se virar contra ele, quando finalmente estava sozinho e conseguiu abrir os olhos, estava amanhecendo, cada parte dele doía, e outras estavam dormentes, o céu ainda estrelado estava lindo, mas a sensação de paz deu lugar a solidão, os flashbacks de seus fracassos passaram diante de seus olhos, caído, chorando e se contorcendo de dor enquanto ficava cada vez mais ensanguentado o rapaz não sabia o que seria dele no resto do dia.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.