Escolhas

6 Paciência


Janeiro de 2010

Abro meus olhos a luz do quarto está apagada, escuto cochichos vindo da direção da porta do quarto, vejo minha irmã sentada na poltrona, ela está dormindo e babando, então não é ela quem está falando, quem é? A voz me soa familiar, devo ter pegado no sono depois da nossa discussão, por algumas ou muitas horas, não sei. Olho em direção a porta do quarto e vejo minha mãe em pé conversando com o Residente que ajuda o Dr. Gostosão, eu não consigo lembrar o nome dele, percebo que minha mãe fez uma cara de pena e de decepção, aposto que ele falou sobre o bebê e então os dois olham para mim percebendo que estou acordada, dou um sorriso amarelo para minha mãe, no sentido literal a ultima vez que escovei meus dentes foi no dia do acidente.

Quero é só ver a cara dela quando descobrir que meu medico é negro, ela vive dizendo que não sou negra, apesar de eu ter muitos traços de pessoas consideradas negras, tenho cabelos encaracolados, pele amarronzada, olhos cor de jabuticaba, estas características já bastam para mim, além de na escola durante o ensino fundamental eu sofrer com meu cabelo encaracolado até que minha mãe resolveu alisa-lo, usei meu cabelo alisado durante anos até perceber que eles são lindos naturais, e perceber que assumir minha negritude foi a melhor coisa que fiz. Meu bisa-avô por parte de pai era negro, porém meu pai e minha mãe tem a pele clara e Helena também, eu geneticamente puxei meu bisa-avô, mas Deus me livre de falar perto da minha mãe que me considero negra, falei isso uma vez e ela quase enlouqueceu. Já tentei conversar com ela, mas ela não me dá ouvidos, ela sempre discute comigo e diz que sou mulata, ou seja nem negra e nem branca, um termo usado pra fingir que não é negro, além de ter significado chulo.

— Oi minha linda. – disse mamãe com a voz doce dela que eu estava com saudade de ouvi-la pessoalmente. Espera um momento, se a minha mãe está aqui quer dizer que já é hora de visitas, acho que não foram apenas algumas horas de sono.

— Oi mãe, estava com saudades, mas estes não eram meus planos para nos encontramos – sorri.

Vejo o enfermeiro sair e ela se aproximar de mim, o Dr. Gostosão logo aparece atrás dela só que desta vez sem suas sombras, minha mãe segura a minha mão e me olha com cara de preocupação ou seria pena? Ela ainda não percebeu o Dr. do seu lado, não tive tempo de “preparar o terreno” antes que ela me faça passar vergonha. Ouço um som de plástico sendo amassado, olho para o lado e é Helena se ajeitando na poltrona lindamente encapada com plástico transparente, ela se levanta cumprimenta minha mãe e o médico e sai dizendo que vai comprar um café, deve estar brava comigo ainda por ontem ou não quer ver a cara de mamãe quando olhar o médico.

—Maya como você foi deixar isso acontecer? Você sempre apressada para ir trabalhar, eu já disse que a pressa é inimiga da perfeição e olha no que deu, não sabe que quando se está grávida tem que se cuidar mais? – falou ela me repreendendo.

— Mãe, primeiro eu não estou o tempo todo correndo e segundo eu não sabia da criança e terceiro – desta vez olhei para o medico – seus residentes deveriam ser mais discretos, não?

— Maya, você dormiu os não queriamos incomoda-la para não causar mais desconfortos. – respondeu ele com o tom sério de médico.

Minha mãe olha para o médico com o semblante sério os lábios em linha, ela só percebeu a presença do médico quando me dirigi a ele, vi ela empalidecer, mas logo se recompôs, espero que ela não de chilique. O médico a cumprimenta com uma tentativa de aperto de mão, porém a mão dele ficou no ar sem encontrar a de minha mãe como resposta, ela estava rígida próxima de mim. Acho o Dr. percebeu o desconforto de minha mãe em relação a sua presença, pois ela desviou o olhar para mim rapidamente e nem sequer deu um sorriso de cumprimento a ele, que vergonha. Na porta minha irmã entra com dois cafés, olho para a cara dela em pedido de socorro, e ela olha para a cara de nossa mãe, que esta neutra.

— Desculpe senhoras, mas eu tenho que conversar com a Maya sobre alguns procedimentos – falou Dr. Gostosão, eu definitivamente não lembro o nome dele.

— Mãe – chamou Helena — por que não vamos lá fora procurar alguma coisa para comer? E deixamos o Dr. conversar com Maya, tenho que lhe contar o que ela fez ontem com os residentes e o médico — sabia que ela não ia perder a oportunidade de contar sobre o meu estresse de ontem, dedo-duro.

Fiquei agradecida pela interrupção, elas saíram de pressa do quarto, percebo mamãe me olhando de esguelha com um olhar de: você me deve explicações dona Maya. Mas, na verdade não tenho muito que explicar a ela, estava correndo atrasada para o trabalho, o que não é sempre ok?!, Um carro me atropelou, sobre a criança não tenho o que explicar ela sabe de onde vem os bebês. Me ajeito na cama para ficar sentada, olho em direção a porta e vejo as “sombras” do Dr. entrando, que chatos parecem urubus que ficam rondando carniça e meu caso é bem simples.

— Maya, estes são meus residentes e sou o supervisor deles, estão aqui para aprender sobre cirurgia ortopédica e são eles que vão explicar os procedimentos para você — falou – Muito bem, alguém explica como foi a cirurgia da fratura fechada da senhorita Maya, e pós operatórios.

— Oi Maya – disse o garoto, ele me parece novo de mais para ser médico – assim que você chegou na emergência foi para cirurgia, o Dr Figueiredo implantou uma placa do tipo ponte com parafusos para estabilizar a sua fíbula , logo você usara uma órtese ort...

— Tá – interrompi – não estou entendendo nada do que você está falando, fíbula? Tem uma placa na minha perna é isso? E o que é essa órtese? – esses médicos que ficam falando essa linguagem médica como se entendêssemos todos os termos. Olho para porta e percebo Helena e minha mãe voltando com café e biscoitos na mão, minha mãe está com a cara menor rígida, acredito que tenha voltado para ouvir os médicos. Ela me escuta brigando e já me olha com espanto pela minha má educação de interromper o mini médico, e vejo minha irmã segurando o riso pela cara de espanto do mini médico. Elas ficam próximas da poltrona, Dr, Figueiredo está do outro lado da minha maca, de modo a ficar de frente para os residentes e de lado para minha mãe.

— Desculpe – falou o garoto que ficou olhando para o Dr. Figueiredo, agora sei o nome dele, como um cãozinho que acabou de ser enxotado.

— Senhorita Maya, meus residentes estão aprendendo a como falar com os pacientes, não queremos incomoda-la, peço apenas paciência – argumentou, nossa como ele tem um sorriso branco e lindo, Maya pare, você sabe onde foi parar por causa de sorrisos lindos.

— Ta bem, vou ser mais paciente – dei um sorriso quadrado e olhei para minha mãe que aprovou minha atitude, engraçado que mesmo depois de adultos, quando sua mãe está presente, você ainda quer alguma forma de aprovação dela.

— Maya, a órtese é uma bota ortopédica que você vai usar durante aproximadamente um mês para sua recuperação, receitaremos alguns analgésicos e anti-inflamatório para diminuir a dor e não causar inflamações. – disse a moça dona de uma voz ríspida, porém ela me esclareceu as coisas. – também faremos um processo chamado curetagem, para a retirada do feto que você acabou perdendo por cauda do acidente.

— Obrigado Dra. Souza e Dr. Fausto. – falou Dr. Figueiredo – Maya, agendamos a curetagem para à tarde, após a minha avaliação e a avaliação da Dra Peres, responsável pela pediatria você estará liberada amanhã pela manhã.

— Então terei de ficar mais um dia aqui? Que ótimo! – falei com desdém.

Fiquei observando o médicos e os projetos de médico saírem do quarto, quero sair logo dali e ir para minha casa, ver meu bichano e acariciar seus pelos macios, agora que me dou conta que ele ficou livre, leve e solto no meu apartamento, deve estar fazendo um estrago no meu sofá de camurça.

Minha mãe se aproxima e tira a minha mão que pousava sobre minha barriga, ela segura de leve e está com um olhar de pêsames, eu não havia percebido que estava com a mão ali, devo ter colocado quando o médico falou sobre a curetagem, foi instintivo, meu útero fica ali sei disso porque tenho muitas cólicas. Andei tão ocupada com os dois empregos e estava tomando remédio para dor de cabeça e cólicas, mas não reparei que não havia menstruação.

— Maya, como você foi deixar isso acontecer? – perguntou minha mãe carinhosamente.

— O que? Um médico branco ou fazer um bebê? – perguntei em rebatida, ela odeia que falem do racismo dela, não admite que é racista.

— Eu preferia que fosse um médico branco sim, mas se tem só esse ai pra te atender, o que eu posso fazer? – respondeu ela ficando ereta e largando a minha mão. – como você foi engravidar, o que aconteceu com você?

— Você sabe como foi mãe, eu transei sem camisinha, simples. – respondi.

— Nossa, Maya como você é estúpida, comigo tudo bem, sou sua irmã, mas faça o favor de falar direito com a nossa mãe. – disse Helena começando a aumentar o tom de voz, eu apenas revirei meus olhos para ela. – e mãe médico é médico, vão ajudar a Maya igual, por favor não nos faça passar vergonha com esse seu preconceito ridículo.

— Eu não sou preconceituosa – rebate ela — apenas acho os médicos claros mais competentes! E eu sei como os bebês são feitos, quero saber por que você não se cuidou? E porque não nos contou que estava grávida? — perguntou se dirigindo a mim, mudando o rumo da conversa.

— Mãe, eu não fazia ideia que estava grávida, se soubesse contaria para a senhora. – falei com calma para minha mãe, não ia adiantar começarmos a gritar umas com as outras – e um bebê agora não seria o melhor momento da minha vida.

— Nossa você falando assim, até parece que não liga por ter perdido esse bebê, que seria bem vindo à família, aliás. – disse ela ressentida.

— Olha, ter uma criança agora na minha vida não estava nos meus planos – falei tentando não parecer rude – não acho que seria uma boa mãe se ela tivesse “vingado”.

— O que é isso minha filha?! Filhos é uma benção, como pode tratar com tanta indiferença? – falou ela um tanto indignada comigo, como posso explicar que realmente eu não me importo?

— E a Senhora nem queira saber quem é o pai, eu já perguntei e Maya não faz ideia de quem seja – disse Helena, num tom irônico, mas eu sei que ela quer que a nossa mãe me de um sermão, que todo hospital escute. Helena e minha mãe acham que virei uma promiscua depois do que aconteceu entre mim e Rodrigo, prometi a mim mesma que não me apaixonaria por outro homem, pelo menos não logo, que comecei a sair com vários caras sem me importar com que os outros diriam.

— Nossa, Helena muito obrigada por ser o tumulo dos segredos! – falei com ironia.

— Maya, como você se tornou essa pessoa mau humorada? E sua irmã tem razão em me falar, você não conversou mais comigo sobre a sua vida, e agora essa, não sabe quem é o pai do bebê, onde já se viu uma moça de família – disse minha mãe que já não estava mais com a paciência e já estava aumentando seu tom de voz, suspirei.

— Eu não sou mau humorada, estou estressada! Moça de família, mãe não me venha com essa, sair com outros homens não quer dizer que eu seja uma vagabunda, quer dizer que eu não quis ter um parceiro fixo e quebrar minha cara outra vez, quer dizer que eu simplesmente quis curtir a minha vida. Pai da criança? De que isso importa se nem ao menos o bebê vai nascer? – respondi com esforço para não gritar, ficar ainda mais nervosa não me ajudaria e só contribuiria para que eu e minha mãe brigássemos.

— Eu não entendo como você não consegue se importar com a criança que viria a esse mundo, simplesmente parece que você não tem nenhum sentimento. – disse minha mãe com pesar.

— Mãe – respirei fundo – não é como se eu tivesse feito um aborto, eu não sabia que estava grávida, eu perdi um bebê que não deu nem sequer tempo de gerar algum sentimento sobre ele. – falei com calma, sei que ela não vai me entender assim como não percebe seu preconceito com a cor de pele das pessoas, eu nunca toquei no assunto de filhos, nem mesmo quando estava namorando com Rodrigo, ter filhos não é parte dos meus planos, pelo menos não tão cedo.

— Ta bem – foi o que ela disse, sem argumentos e sem mais sermões.

— Vamos lá procurar mais um café, sei que a senhora está precisando. – disse Helena que me deu um olhar duro, segurando minha mãe pelo antebraço e levando pela porta do quarto.

— Não entendo como ela pode não estar com o mínimo de tristeza – ouvi minha mãe reclamar para minha irmã ao passarem pela porta.

Soltei um suspiro que estava suspenso em meus pulmões durante as horas que eles estiveram aqui no quarto. Toda essa conversa e agitação me deixaram exausta, melhor eu estar calma para a curetagem de hoje, quero estar boa logo para sair desse hospital e ir para casa. Tento chorar, me esforço, mas nenhuma lagrima cai, há anos eu não choro de tristeza ou alegria, meus olhos marejam, mas nenhuma lagrima cai. Quero chorar para mostrar para minha mãe que não sou um monstro sem sentimentos, mas não consigo e além do mais seriam falsas lagrimas.

***

Estou olhando para porta do quarto esperando elas aparecerem, minha mãe e irmã ainda não voltaram, coloquei meus pensamentos no lugar e percebi que não devia ter sido tão rude com elas, com minha mãe na verdade, com Helena sempre conversamos aos berros e todos pensam que estamos nos matando, quando na verdade é uma conversa normal.

Uma enfermeira aparece para perguntar se estou bem e me avisa que já vão me levar para a sala para realizar a curetagem, digo que tudo bem, parecendo calma mas por dentro estou nervosa. Quero que minha mãe me acompanhe, nunca gostei de ir a consultas médica sozinha quem dirá fazer micro cirurgias, ela apareceu na porta, ufa. Dou um sorriso largo e amarelo para ela que ela retribuiu, parece que esse longo café fez bem a ela ou minha irmã falou algo que a deixou mais calma, minha irmã sempre teve mais paciência com minha mãe.

— Oi Dona Rosa, que bom que voltou! – falei

— Não ia deixar você ir sozinha, sei que você é medrosa, apesar de estar com essa cara solene – disse ela sorrindo e me cutucando.

A enfermeira volta e diz que veio me buscar para levar a sala de curetagem da pediatria, e me informa que a Dra. Peres está me esperando, ela retira meu braço do soro e fala para eu ir até a cadeira de rodas que trouxe para me auxiliar, ainda bem, ela fica conversando comigo enquanto me leva pelos corredores, minha mãe está logo atrás. Helena decidiu ficar no quarto e comer o meu almoço que deixei lá, esfomeada, quando eu voltar do procedimento não vou ter meu almoço esperando. Chegamos na sala para o procedimento e sinto meu suor frio escorrer pela nuca, mantenha a calma Maya, mantenha a calma, penso.

— Vai doer? – pergunto, enquanto me ajudam a sentar na maca e vejo que o enfermeiro tem uma agulha nada amigável na mão.

— Olá, Maya sou a Dra. Peres, vou fazer a curetagem em você. Daremos anestesia que vai fazer você sentir formigamento e uma tonturinha, mas nada de mais – disse, com tom meigo.

Depois da anestesia sinto exatamente o que a Dra falou, mas parece que você tem um peso que não te deixa mexer as pernas. O enfermeiro levanta a minha perna para coloca-la no apoio, de modo que eu fique com as duas pernas para cima, um tanto constrangedor, assim como é quando vamos ao ginecologista pela primeira vez para fazer o preventivo. Que aliás não me lembro da ultima vez que fiz, deve fazer uns dois anos. Olho para minha mãe no canto da sala me olhando, e disse estou aqui com os lábios.

***

Não senti nada durante a curetagem, a Dra Peres foi muito gentil e atenciosa, me explicou sobre a recuperação e sobre os possíveis sangramentos que haveriam devido ao processo. Porém ela estava com um rosto apreensivo e me informou que falaria com o Dr. Figueiredo sobre alguns possíveis exames que terei de fazer, fiquei um tanto confusa, mas imaginei que fosse um processo normal.

Agora no meu quarto, sinto minhas pernas de novo e o formigamento está indo embora, mas algo está martelando em minha cabeça, o que será que a Dra. foi falar com o Figueiredo? Eu queria deixar esse assunto de lado, quando ela me comunicou sobre possíveis novos exames eu estava meio grogue e não pensei que pudesse ser algo mais do que pós- operatório. Minha mãe ficou o tempo todo comigo, ela estava feliz por que a médica da pediatria é branca, então fez varias perguntas pra ela depois do procedimento, toda simpática, acho ridícula essas atitudes dela.

— Como está se sentindo filha? – perguntou mamãe.

— Tudo bem, só um pouco enjoada, deve ser por causa da anestesia. – respondi – Mãe, a médica falou alguma coisa para a senhora?

Antes que ela pudesse responder, Dra Peres e Figueiredo entraram pela porta do quarto com a um semblante sério, mais do que no primeiro dia, logo entraram os residentes.

— Maya, como você se sente? – perguntou Figueiredo.

— Bem, mas por que vocês estão tão sérios hoje? – perguntei- Dr. Figueiredo aconteceu alguma coisa errada com o procedimento?

— Pode me chamar de Felipe, com o procedimento de curetagem ocorreu tudo bem, porém teremos que fazer novos exames, durante o procedimento a Dr. Peres, a Carla, percebeu uma massa que se formou na parede do seu útero – falou ele, pigarreou e continuou – devido ao aparecimento desta massa, teremos de fazer novos exames de sangue, um ultrassom e uma tomografia.

— Mas, porque todos esses exames? Como essa tal massa não apareceu no primeiro exame? – perguntei atônita.

— Maya, no primeiro exame não conseguimos detectar essa massa que se avoluma em seu útero – respondeu Dra. Carla – constatamos a gravidez pelo seu alto índice de HCG no exame de sangue, e seu aborto pela falta de escuta dos batimentos cardíacos.

— Doutora – disse minha mãe, claro que ela não dirigiria ao Dr. Figueiredo – e o que essa massa pode significar? – perguntou ela tirando as palavras de minha boca.

— Bom – pronto quando começa com “Bom” já sei que noticia boa não é, usar bom no inicio de frase é como um eufemismo – Nós vamos precisar fazer exames para confirmar nossas suspeitas e ..

— Suspeitas do que? – perguntei ansiosa e nervosa e querendo vomitar.

— Nós suspeitamos que você possa estar com tumor.

Não consigo ter reações, só pode ser uma piada e de muito mau gosto, ouço o medico dar explicações, mas a voz dele soa distante e não compreendo o que ele diz, sinto um gosto metálico na boca, um suor frio correr pela minha nuca, sinto minha cor sumir do rosto, estou tonta , minha visão embaça e só ouço a voz de minha mãe me chamando, parecendo estar muito longe.