Escolhas
2 Lady Rose. Lady?
Eu fitava Klaus com um sorriso no rosto. Ele estava parado, ao lado de uma das estátuas do jardim. Ele olhava para um pedaço de papel, tão distraído que nem notou quando eu me aproximei.
–Amor!-Eu gritei, fazendo-o pular jogando o papel no chão.Ele colocou a mão sobre o peito, respirando pesadamente.–Que susto, amor. Quer me matar?Eu ri e envolvi o pescoço dele, o puxando para um beijo apaixonado. –Hum... Senti saudades desse beijo.-Ele murmurou, entre os beijos.Eu continuei a beijá-lo, até que ouvi vozes no jardim. Soltei-o abruptamente. Klaus apenas suspirou.–Por quanto tempo ficaremos assim, Rose? Tendo esconder que nos amamos?-A tristeza na voz dele era evidente.Eu acariciei seu rosto. Eu também não aguentava mais isso.–Eu não sei meu amor. Eu queria gritar para todo mundo que eu te amo. Mas, não posso. Isso tudo é necessário, porque quando nós ficarmos juntos, não termos ninguém no nosso caminho.Ele apenas concordou com a cabeça, tristemente. Eu acariciei seu rosto mansamente, não queria que ele passasse por isso, só porque me ama.–Rose? Rose, onde você está?-Ouvi a voz de minha mãe, me chamando de algum canto do jardim.Revirei os olhos e dei um beijo na bochecha de Klaus, saindo logo depois atrás de minha mãe. Ela estava com um vestido extravagante, verde e bufante, parada ao redor de vários flores, de vários tipos. Quando me viu, ela colocou as mãos na cintura.–Ah! Aí está a senhorita! Quando eu mais preciso de você, você some!-Ela esbravejou.Me aproximei cautelosamente.–O que houve, mãe? Alguém morreu?–Não, Rose. Ninguém morreu. Quero que você me ajude, preciso organizar o Festival da Primavera, a pedido da rainha.Bufei.–Sério? A rainha pediu para você isso. Não eu.Minha mãe me olhou com o cenho franzido.–Rose. Por que toda vez que estamos no castelo, você some?Essa pergunta me assustou. Eu sei que todos desconfiavam, que a filha do marquês tinha um relacionamento amoroso com alguém do castelo, mas não imaginava que minha mãe também desconfiava.–Eu... Passeio pelos jardins. Para espairecer.-Menti rapidamente.Mas, minha mãe não se convenceu da minha resposta.–Nossa casa tem jardim. Você nunca sai para "espairecer" lá.Aquelas perguntas dela já estavam me irritando.–Mãe. Eu saio para espairecer e ponto final. Você queria que eu te ajudasse a organizar o festival. O que quer que eu faça?Pensei que ela iria continuar com suas perguntas irritantes. Mas, ela apenas disse.–Preciso que me ajude a organizar as flores, pelos seus nomes e cores.Eu soltei uma risadinha. Organizar flores por nomes e tipos. Era só o que me faltava.–Isso é realmente necessário, mãe?-Eu perguntei, entediada.–Sim, querida. É necessário. Mas, não se preocupe. Pedi a Dorothy para te ajudar.Meu sangue ferveu ao ouvir o nome Dorothy. Ela sempre sonhou em namorar Klaus. Com investidas nada sutis,ela se oferecia para meu namorado. E eu a odiava.–Por que Dorothy? Com tantas que podem me ajudar com isso.-Eu murmurei.–Dorothy ajuda com as flores desde de quando tem idade suficiente. Ela é a mais apta a te ajudar.Olhei para o lado, e vi Dorothy. Com um vestido branco florido, que contrastava com seus cabelos negros longos. Tinha que admitir. Ela é bonita.Mas isso não dava o direito a ela de se atirar para meu namorado.–Bom, vou chamar Dorothy. E, a senhorita fica aqui quietinha.-Minha mãe disse, indo em direção a morena.Fiquei parada olhando ao redor de mim. As criadas riam, e sussurravam. De relance, vi meu pai saindo do castelo. Ele parecia muito nervoso.Ele olhou na minha direção e deu um leve sorriso. Papai veio até mim.–Minha querida! Como se sente está manhã?-Ele perguntou, enquanto me abraçava.–Vou bem, papai. O que houve? O senhor parece preocupado.Ele suspirou e esfregou a testa.–Ah filha. Os Pacem estão se rebelando, na floresta do sul. Eles ameaçam destruir a cidade.Fiquei um pouco chocada. Os Pacem, eram considerados pacíficos, porém dizem que eles começaram a se rebelar porque alguns habitantes queimaram seu acampamento, o que implicou na morte de várias pessoas, inclusive mulheres e crianças.–Sinto muito, papai. Mas, eu sei que o senhor dará um jeito.Ele assentiu, friamente. Algo me dizia que, o que ele pretendia não era nada bom.–Eu darei, filha. Eu darei. Espero que me perdoe, um dia.Ele murmurou isso, e depois saiu, me deixando muito confusa. Minha mãe e Dorothy, que conversavam animadamente, pararam ao meu lado. Eu, nem me importei com a chegada delas. Continuei tentando descobrir o que meu pai quis dizer.–ROSE!-Minha mãe gritou em meu ouvido, me fazendo saltar.–O que?-Eu coloquei a mão sobre minha orelha, eu estava doendo após aquele grito.–Eu te chamei três vezes. TRÊS VEZES! E você não me respondeu.Eu balancei a cabeça. Dorothy me encarava com um sorriso no rosto. Como isso me irritava.–Desculpe, mãe. Mas, eu estava distraída.
–Pensando em Klaus.-Dorothy falou baixinho, mas eu ouvi .Eu a encarei profundamente, enquanto ela me desafiava com seu olhar.–Mãe, acho que eu e Dorothy já podemos ir organizar as flores.-Eu falei asperamente.Mamãe concordou e eu saí com Dorothy ao meu lado. Quando estávamos longe o suficiente para não sermos vistas, eu a segurei pelos longos cabelos negros. Ela gemeu.–Ai! Ficou louca, Rose? Me solte!-Ela mandou.Mas, ao invés de soltá-la, eu segurei ainda mais os seus cabelos e a balancei.–Como ousa falar que eu pensava em Klaus? Como ousa?Ela soltou uma risadinha.–Pensei que vocês tivessem um romance. Eu a soltei bruscamente no chão.–Isso não é problema seu, Dorothy.Eu me virei para sair, e deixá-la lá. Eu ia dizer a minha mãe que eu não me sentia bem, e que queria voltar para casa. Depois organizava as flores.–Você não o ama.-Dorothy gritou, do chão. Eu ignorei.-Se o amasse não teria vergonha dele!Parei imediatamente-Você disse o que?–Você ouviu.Eu me aproximei dela, ameaçadoramente.–Escute, Dorothy. Você é invejosa. Você quer tanto Klaus que nem raciocina direto. Eu amo Klaus. E nada nem ninguém mudará isso.–Eu contarei a todos. Você me agrediu.-Ela me ameaçou.Eu ri.–Nem se dê ao trabalho. Acha que alguém acreditaria em você. Eu sou uma Lady. Jamais bateria em alguém.-Eu falei, sorrindo.–Ele vai ser meu! E você verá!Eu a ignorei novamente, e fui embora.
Notas finais
Até mais
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