Escolhas
9 Saga Near - Obsessão
*Near*
Eu estava em uma sala escura. Mello deitado em uma cama, respirando lentamente. Matt sentado em uma poltrona com o rosto enterrado nas mãos. A estranha que nos ajudara acendia uma lareira e ao mesmo tempo me observava com tristeza. Me sentei no centro da sala e, pegando um brinquedo em minha mochila, perguntei:
- Por que nos ajudou? – Minha pergunta era dirigida a Matt. Ele levantou os olhos cheios de lágrimas.
-Por que eu não deveria? Só porque você e Mello... Mello? – Matt olhou para onde Mello estava. A menção de seu nome fez com que se mexesse levemente.
-Matt... – Imediatamente Matt levantou e sentou ao seu lado. Aquilo me irritou brevemente, mas, em respeito à sequência de fatos da última semana, decidi apenas observar. — Matt, me desculpa. Por favor. Você vai voltar com a gente para o instituto, certo?
Mello ainda parecia um pouco abatido. Finalmente abriu os olhos, que se iluminaram ao ver Matt, mas imediatamente demonstraram preocupação.
- Onde está o Near?
Virei de costas para que Matt não percebesse o sorriso que se espalhava pelo meu rosto.
-Estou aqui Mello. Descanse, Matt voltará conosco.
-Que boa notícia... — E, dito isso, entrou em um sono profundo.
Matt veio sentar no chão comigo. Ele me encarava. Eu o olhei de volta. Passado uns 30 segundos, começamos a rir descontroladamente. Era comum eu e Matt jogarmos o ‘’Jogo do Sério’’. Nós sempre empatávamos.
-Near, eu senti muito a sua falta, sabia? Quando vinha para este lugar, vi um menino muito parecido com você. Cabelos cacheados, pijama branco... E excesso de beleza, é claro.
Olhei para ele, com o rosto quente de vergonha.
-Mas, obviamente, ele era bem mais alto.
-Matt,não me chama de baixinho! – Joguei meu boneco nele. Eu era mais novo. Só isso.
-Estão se divertindo? –A mulher finalmente conseguira acender a lareira. – Tomei a liberdade de providenciar a saída de vocês daqui. Creio que...
Eu a interrompi.
-Estão checando o hotel e os arredores para ver se fugimos. E só depois investigarão casa por casa, liberando a rua e deixando espaço para que possamos fugir.
-Exatamente... Você é como ele... Até a frieza do olhar... Apenas a cor dos cabelos difere...Pretos... – A mulher parecia absorta em seus pensamentos. Passados alguns instantes ela pareceu se recompor. – Watari estará aqui em quinze minutos. Enquanto isso cuidem dele.
Ela se afastou, entrando por uma porta no fim da sala.
-Near,eu sei que não é o melhor momento, mas...
-Podemos não ter uma outra oportunidade como esta. Sim, mas... você começa.
*Mello*
Sobre mim. Eles estavam falando sobre mim. Eu esperava que aquela questão fosse levantada mais tarde, mas eles com certeza julgaram que o momento era oportuno. Ainda estava muito tonto. Pelas brechas que eu conseguia entender, os dois pareciam nervosos em debater o assunto.
-Matt, mas ele é quem tem de decidir... Mail Jeevas! Tire esses óculos enquanto falo com você!
-Ahhh, Near! Você sabe que eu fico bem mais sexy com eles.
-É, eu sei... Não, quer dizer, sei lá, nunca prestei atenção.
-Ficou ver-me-linho! Que fofo!
-Matt! Eu estou falando sério!
-Ok, ok. Near,eu só queria dizer que, o que quer que tenha acontecido, ficou no passado. Mas não pode continuar do jeito que está. Ou Mello fica com um de nós dois, ou não fica com nenhum.
-Concordo plenamente.
Matt sempre fora muito direto. Eu já tinha forças para me mexer. Me apoiando na cama,sentei.
*Matt*
-Mello! E então, como se sente após escapar da morte inteiro e gostoso desse jeito?
Na hora me toquei da bobagem que tinha falado. Near me olhava incrédulo e Mello parecia segurar uma explosão de riso. Acrescentei rapidamente:
-Calma gente, eu só queria aliviar a tensão.
Agora Near estava com a aparência de quem quer me matar, rir e se esconder de vergonha. No fim, nós três rimos até ouvir uma leve buzina.
-Vamos logo. Matt me ajuda a levantá-lo.
-Não precisa Near, eu consigo.
Entramos em um carro comum, com cores comuns e um motorista comum.
-Watari me pediu para levá-los. Chegaremos lá rapidamente.
*Near*
Chegando ao instituto, Matt se desculpou brevemente com Watari e em seguida fomos ao nosso quarto, onde Mello estava comendo chocolate em sua cama.
-Eu tomei uma decisão. Não posso escolher entre vocês dois. Me desculpem.
-Parece que a gente dançou Near. – Matt me deu um leve tapa nas costas. Senti uma pontada que percorreu a minha costela.
-Ai!
-Que foi? Bati com força?
-Não, acho que quebrei alguma coisa... – Não me agüentava de dor. Caí.
-Matt, o que houve com ele? – Vi Mello se levantando. – Deita ele ali.
Me deitaram de barriga para baixo em uma das camas e levantaram meu pijama todo esfolado. Mello e Matt colocaram as palmas das mãos nas minhas costas. Tentei me controlar, mas me arrepiei completamente.
-Para com isso Near. Como se a gente nunca tivesse te tocado. – Percebendo que eu corei, Matt acrescentou rapidamente. – Me desculpa. Ok, vamos levá-lo para a enfermaria.
Matt me envolveu no colo. Era extremamente confortável. Tenho a impressão de ter adormecido.
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