Escolha sem escolhas - Interativa
8 Friends
Notas iniciais
Eu poderia escolher
Um caminho mais fácil
Mas os seus olhos me guiam
Direto para casa
–--
– TIO ASPEN!!! – corri para dar um abraço nele. Sempre que podia, Tio Aspen vinha me visitar, principalmente depois da morte do meu pai. Sempre soube do caso de amor dele e da minha mãe, mas ele estava casado com a Tia Lucy agora e ele estava muito feliz.
– Como vão as coisas pequena?
– Tão complicadas.
– É, a Seleção não é nada fácil, prefiro comandar meu exército – Ele era responsável pela segurança de Illéa, mas ele quase nunca tava no palácio, dizia que aqui não era lugar para ele. Vivia num povoado próximo, perto o bastante para correr para cá quando necessário.
– Como me achou? – perguntei, mudando de assunto.
– Eu simplesmente sabia. – o encarei. Era obvio que não era verdade – Mas, sua mãe anda preocupada com você e botou um guarda na sua cola. Ele esta lá e baixo e me disse que você estava aqui.
– Ela realmente fez isso? – minha mãe sendo protetora não era novidade.
– Ela tem medo de te perder, Bon.
– Eu sei – realmente sabia, também tinha medo de perder ela, mas achava que ela me protegia de mais às vezes.
– Afinal, estou aqui para analisar esses carinhas que querem conquistar a minha Bonnie.
– Tio!
– O que? Já lhe disse inúmeras vezes que sou seu segundo pai e na falta do primeiro... – ele sempre fazia essa piada, mas aparentemente hoje eu não estava pra isso. Eu estava morrendo de saudades do meu pai, queria poder ter ele de volta. Senti lagrimas escorrendo pelo meu rosto – Bonnie, me desculpe.
– Pareço uma criancinha – eu disse abraçando ele – Mas eu quero meu pai de volta.
– Bonnie, é normal sentir falta. Mas as pessoas que amamos nunca nos deixam de verdade. Eu sei que nunca vou ocupar o lugar dele, mas eu estou aqui para o que for preciso, pequena.
– Você sempre será meu pai também, tio – eu falei, mas acontece que ele não era o “meu” pai.
– Hey, Bon, não chora. – ele secou minhas lagrimas. – Princesas...
– Não tem ponto fraco! – repeti a frase.
– Agora vou te acompanha até seu quarto, porque já está tarde. – eu assenti, embora não fossem nem 6h da tarde.
Cheguei ao meu quarto e dei de cara com Jess. Tinha me esquecido do que eu havia falado para ela naquela tarde. Eu estava me sentindo mal, só tinha feito coisas idiotas durante o dia todo. Aparentemente, Jess percebeu que eu não estava legal e tirou a expressão de raiva do rosto e me abraçou.
– Desculpa Jess. – estava segurando as lagrimas, mas quanto mais ela dizia “não chore” ou “tá tudo bem” mais eu chorava. Fiquei abraçada nela até parar de chorar. Ela disse para mim me arrumar para o jantar.
– Preciso mesmo ir?
– Você sabe que não, mas que todos estranhariam.
– E ficariam me perguntando o que aconteceu.
– E você não vai querer falar.
– Okay, já vou então.
O jantar foi animado, agora que o Tio Aspen, Tia Lucy e Yan estavam jantando com a gente. Minha mãe ficou feliz em ver os amigos. Não me demorei muito no jantar e quando Jess voltou, ela trazia um bilhete.
– Sei que não é certo, mas ele pediu para entregar isso.
“Preciso falar contigo urgente, por favor. Jardim, 9h.
Asher”
Olhei pro relógio. 7:30h. Não sabia se eu devia ir, por mais que eu não via nada de mais nisso, alguma coisa me dizia que isso era errado. Olhei para Jess, na espera de um conselho, quando ouvi uma batida na porta.
– Posso entrar? – era Yan, filho do Tio Aspen. Escondi o bilhete e aproveitei o tempo para pensar.
– Claro Yan. – ele entrou e veio me dar um abraço. Yan era alguns meses mais velho que eu e alguns centímetros mais alto também.
– Quanto tempo Bon!
– Não faz nem um mês! – Jess reclamou. Ela sempre foi afim do Yan. Não posso negar, ele tinha herdado toda a beleza dos pais. Ele virou, fez uma cara de coitado e foi abraçar Jess.
– Também senti sua falta Jess. – Nós quatro, contando com minha prima Astra, que era dois anos mais velha que eu, crescemos juntos. Quando nos reuníamos, era aquela folia. Minha mãe dizia que erámos a alegria do castelo quando crianças. Vi Jess corar. Ela ainda sentia aquela queda por ele então.
– Então, Yan – ela falou, na esperança que ele a soltasse, o que funcionou, porém ele ainda tinha o braço no ombro dela, puxando-a para perto. – Como vai à vida?
– Não vem com esse papo, quero saber sobre esses selecionados.
– Você ia amá-los – Jess começou. Eu ri, imaginando Yan, que normalmente é tímido, convivendo com Asher. Botamos o papo em dia, apesar de que erámos apenas eu e Jess contando o que estava acontecendo e Yan apenas ouvindo. Olhei pro relógio. 8:50h.
– Gente, vou deixar vocês conversarem. Já volto. – Jess ia dizer alguma coisa, mas foi cortada por Yan.
– Bonnie, nada de aprontar ein!
– Acho melhor você não ir Bon.
Ignorei os comentários e segui para o jardim. Não via porque tanta preocupação de Jess. Eu estava cercada de guardas o tempo inteiro, nada podia dar errado. Ela estava ficando igual a minha mãe.
Quando estava quase chegando ao jardim, ouvi alguém me chamar.
– Alteza. Srta Bonnie – era um dos selecionados. Bernard.
– Pois não.
– Eu poderia conversar com a senhorita por um momento?
– Claro – falei, esperando que fosse apenas um momento mesmo.
– Sabe, eu gostaria de saber o motivo da senhorita ainda não ter ido falar comigo. – soltei uma risada. Isso era sério?
– Bernard, não? – ele assentiu – Estamos apenas no primeiro dia!
– Mas você não espera que eu fique esperando não é? Enquanto você vai visitar esses selecionados de classe baixa, tem gente descente aqui, esperando. Acha isso justo?
– O que? – ri ainda mais – Você tá dizendo que eu devia ter ido ver você primeiro só porque sua casta é mais alta?
– Exatamente.
– Guarda, por favor – chamei um dos soldados que passavam.
– Sim senhorita?
– Acompanhe esse jovem até seu quarto, garanta que ele faça as malas e saia do castelo ainda hoje! – vi que Bernard ia protestar, então virei as costas e fui embora. Ia para os jardins, na esperança que Asher ainda estivesse lá, quando fui chamada mais uma vez.
– Bon, vem cá – era minha mãe.
– Ah, mãe, não podemos conversar depois?
– Agora Bonnie. – eu já sabia o que ela queria saber. Porém segui minha mãe, até estarmos próximas do corredor dos selecionados. – O que aconteceu entre você e Bernard?
– Ele perguntou porque eu to saindo com caras de casta menor e não com ele.
– E por isso você o dispensou?
– Sim, não quero um marido que se importe mais com a casta da pessoa do com o caráter dela.
– Bonnie – pensei que ia levar uma bronca, mas ela me abraçou e disse – Estou orgulhosa.
– Obrigado mãe – falei enquanto analisava tudo o que estava acontecendo. Eu estava determinada a ir encontrar Asher. Olhei no relógio. 9:15h. Ele não deve estar mais lá, mas eu precisa ir ter a certeza. – Eu preciso...
– RAINHA, PRINCESA, POR AQUI, ESTÁ TENDO UM ATAQUE. – um guarda veio correndo levando-nos até um dos abrigos onde os Selecionados ficavam. Descemos até o abrigo, junto com a maioria dos selecionados.
Passado alguns minutos, as pessoas pararam de descer. Olhei um por um. Jess, Yan, Tio Aspen, Tia Lucy, minha mãe, Phill. Estavam todos lá, porém eu senti falta de alguém, havia alguma coisa errada.
– Bon, tudo bem? – disse Jess quando me levantei para conferir.
Asher não estava lá.
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