Escolha-me
4 Simpatia
Notas iniciais
Em uma terça-feira normal em época de férias, Kaoru acordaria horas mais tarde, ficaria mais uma hora esparramado na cama sem fazer nada e demoraria mais meia hora para se levantar. Porém, nessa terça-feira (na qual demorou para chegar para Kaoru, que não conseguiu dormir direito) o dia estava começando muito cedo, e o sol subia para irradiar seus raios alegres ao Japão. Kaoru dormia tranquilamente e respirava ritmicamente, com o peito subindo e descendo lentamente, enrolado como uma bola na cama.
Mas tudo o que é belo e bom, dura pouco.
—Boooom diiiiaaaaa!
Kaoru franze o cenho e mantém os olhos fechados. Ele esta começando a voltar de seu sono por algo absurdamente alto apitando em seu ouvido. Ele não quer saber o que é.
—Acoooorda dorminhooocoooo!
“Mas que diabos...? ” Ele abre um olho com muita dificuldade e encontra um par de olhos violetas alegres o olhando atentamente.
—Waaahh! –Ele se afasta rapidamente e arrastou as cobertas junto dele.
—Ei! Ei! Calma! Sou eu, o seu papai!
—T-Tono! O que você ta fazendo aqui?!
—Eu vim realizar nosso passatempo juntos!
Kaoru meio sonolento, olha o despertador. –Mas são sete e meia! Você é louco?!
—Ah, mas eu queria aproveitar o dia inteiro para fazermos isso! Eu estou ansioso!
—Você é um idiota Tono! Estamos nas férias de Verão! E essas férias sã—
—Ahhh, pare de reclamar pequeno gêmeo diabólico. Vamos, venha ao banheiro lavar esse rosto para começarmos! –Ele puxa Kaoru pelo braço e o conduz até o banheiro do quarto. –Quando terminar me avise!
—Mas! -Tamaki fecha a porta- Idiota...!
O jeito era acordar mesmo. Lavou o rosto e o enxugou. Ele se olha no espelho. As feições deprimidas não se foram ainda. A saudade de Hikaru aperta no peito e sente como se fosse desmoronar a qualquer momento. Queria tanto o irmão aqui com ele...
Nada ficou no lugar
Eu quero entregar suas mentiras
Eu vou invadir sua aula
Queria falar sua língua...
“Se eu conseguir realizar meu plano, terei Hikaru novamente...” Ele pensa.
Eu vou publicar os seus segredos
Eu vou mergulhar sua guia
Eu vou derramar nos seus planos
O resto da minha alegria...
Que é pra ver se você volta,
Que é pra ver se você vem,
Que é pra ver se você olha,
Pra mim...
Isso o animou, e com um sentimento de confiança escova os dentes, orgulhoso de seu plano que entrará em ação daqui a alguns instantes. Claro, ele gostaria de fazer isso algumas horas depois, mas não quer deixar seu ‘rei’ idiota na mão agora que está recebendo ajuda.
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—Bem, como eu sou o primeiro a te ajudar, devemos começar pelo básico!
—Obviamente. –Kaoru diz com tom entediado.
—Fique quieto! Estou tentando pensar! Hum...
—...
—Já sei!
—Uh?
—Ontem você havia dito que as pessoas gostam de outra por suas qualidades, certo?
—S-Sim. Foi isso o que a minha mãe havia me dito.
—Então, vamos listar todas as qualidades da Haruhi! Assim, você pode seguir passo a passo cada uma!
—Boa ideia Tono! –Kaoru sorri e se surpreende com a ideia de Tamaki. Ele pode ser inteligente também.
—Eu sei que sou um gênio! –Tamaki se gaba e joga os cabelos para o ar. –Agora meu adorável diabinho, pegue um caderno e uma caneta!
—Ta na mão. –Kaoru senta no sofá grande da sala e prepara a caneta. –Tudo bem, qual a qualidade que mais caracteriza a Haruhi?
Eles pensam.
—Hum, a Haruhi é muito camarada e simpática. Ela é amiga de todos e as pessoas se sentem à vontade para conversar com ela, mesmo não tendo intimidade. –Kaoru diz sem rodeios.
—Isso é verdade, ela convive muito facilmente com os outros. Isso será um desafio para você. –Tamaki diz com graça na voz.
—Ha ha, você é engraçadinho, não é Tono?
—Anote isso! Simpatia! –Ele ergue um dedo, dizendo com uma ‘de-repente-voz-autoritária-com-pose-de-modelo’.
—Hunf... Simpatia, anotado. Qual seria outro?
—Hum... Haruhi adora cozinhar! Ela é uma cozinheira de primeira! Ah, me lembro quando ela havia feito o almoço para nós, e quando fez um pequeno jantar para mim e—
—COZINHEIRA. Anotado.
Tamaki pigarreia. –B-Bem, ela é muito valente. Você sabe, ela foi muito sozinha durante parte da infância e aprendeu a cuidar de si própria. Ela apenas tem medo de trovões, mas tem sua maneira de se acalmar. Anote.
—T-Tudo bem. Valente. –Ele diz impressionado com a maneira que Tamaki falou de Haruhi. Estava muito evidente que o loiro a amava, ele mesmo que não enxergava isso.
—Isso, muito bem! A Haruhi é... Hum... Muito responsável. Ela sempre fez seus deveres de escola e deveres domésticos. Está em primeiro na lista de melhores alunos da sala de vocês, ela não está?
—Sim, em primeiro. Mas não vou ser o mais inteligente da sala e tirar essa classificação dela, senão, ela sai de Ouran por ser bolsista. Eu não quero isso... –Kaoru diz seriamente.
—Uh?
Kaoru suspira. –Sabe Tono, mesmo estando com Hikaru, eu gosto da Haruhi, ela é uma irmãzinha legal de se ter por perto. Não quero afetá-la drasticamente, me sentiria horrível durante toda a minha vida.
—Entendo... você tem o coração bom, sabia?
Ele cora. –É-É, vamos ao que interessa né?
—Sabe Kaoru, eu acho que... você não precisa mudar.
—Uh?
—Eu digo... Hum, esqueça. Esqueci que você é um cabeça-dura, feito a Haruhi! –Tamaki começa a rir.
—Hunf, pelo menos tenho uma qualidade dela não é mesmo? –Ele ri junto de Tamaki. -Ha... Bem, o que mais?
Tamaki para de rir e pensa novamente. -A humildade dela! Ela é tão simples... se alegra com coisas tão pequenas mas que ainda podem fazer uma pessoa comum feliz...! Ela é tão adorável! –Tamaki diz com a mente distante.
—Tono... eu já entendi. Anotado! Humilde. Outro?
—Hum... Bem, essas são as qualidades de Haruhi! Minha filhinha é tão perfeita! –Tamaki diz rodopiando.
—Hunf...
—Oh, desculpe Kaoru. –Ele diz entristecido.
—Não, está tudo bem Tono. –Ele sorri- Serei perfeito também... Para Hikaru.
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Lista:
Simpática
Cozinheira
Valente
Responsável
Humilde
—Vou te ajudar com a simpatia! –Tamaki resolveu carregar Kaoru para um parque com diversas pessoas aproveitando suas férias e tempo livre. –Existe lugar melhor para se treinar isso em um parque? –Ele sorri.
—Não sei, nunca vi ninguém treinar para isso. –Kaoru diz com certo mau humor. Tamaki bate em sua cabeça. –Ai! Por que disso?
—Para você não ser tão mau humorado! Uma pessoa simpática precisa ter palavras carinhosas, compreensivas e educadas. Melhore o tom!
Kaoru estava em uma perda de palavras. Como podia fazer isso? Seu tom fica em sintonia com seu humor, e seu humor estava horrível.
—Isso é um pouco difícil, você sabe...
O loiro suspira- Venha.
Tamaki o puxa e aponta para uma velhinha. –Vê aquela senhora? Ela esta tendo dificuldade em carregar aquela sacola com algumas verduras, por que não vai oferecer ajuda? –Tamaki diz com um sorriso largo.
Kaoru suspira. –Tudo bem... –Ele se afasta de Tamaki.
“Isso vai dar certo!” O loiro pensa enquanto vê o Hitachiin se afastar. “Ele só precisava de um empurrãozinho!” Ele vê Kaoru conversando com a velhinha. “Ele parece tão desinteressado... Vamos Kaoru, melhore!” E então...
PAF!
“Meu Deus!” Ele corre até Kaoru que estava caído no chão apoiado com um braço. –Kaoru! Kaoru? Você está bem? O que houve?
—E-Ela me bateu com aquela sacola! Mas que velha mais--!
—Ei! Cale-se! Olha o respeito com os mais velhos! –Tamaki diz com tom autoritário. –Venha, me dê sua mão.
Kaoru pega a mão do ‘rei’, se levanta e limpa as roupas. –Eu não fiz nada de errado!
—Fez sim Kaoru.
—Não fiz não!
—É claro que fez! Kaoru, se você continuar com esse humor terrível e com essa aura triste, você não alcançará seu objetivo!
Kaoru o olha espantado.
—Pense comigo Kaoru. Uma pessoa simpática sempre atende às outras com um sorriso e com uma aura amigável, está disposta a se socializar com alguém educadamente. Você não pode simplesmente deixar algo te impedir de conversar! Eu sei muito bem que você não é tão simpático, mas faça isso por você. É o que você quer, não é?
Kaoru cora de vergonha pelo o que estava fazendo. Está atrás de algo, mas não está se esforçando para isso. Ele aceitou as palavras de Tamaki, mas não ia demonstrar isso, não ia admitir que estivesse errado.
Tamaki suspira, mas sorri para o Hitachiin mais jovem.
—Olhe, veja como eu faço! –Ele confiante vai até a senhora que estava com a sacola e com um sorriso, oferece ajuda a ela, ajudando-a a atravessar o parque inteiro e uma rua, carregando a sacola por ela. Kaoru vê ao longe o ato de seu ‘rei’. Parecia tão fácil, por que ele não conseguia?
De repente, algo cai na sua frente.
—Ai!
Ele olha espantado para a garotinha que caiu perto de seus pés. Ela começa a chorar.
—E-Ei, você está bem garotinha?!
Ela chorava mais, parecia ter ralado o joelho naquela terra cheia de pedras. O que fazer o que fazer? Ele se agacha para falar com ela.
—Acalme-se. Olhe, foi apenas um arranhão, está bem? Já vai passar. –Ele olha para os lados para ver se vinha alguma ajuda, mas nada vinha. Precisava fazer alguma coisa para aquela menina parar de chorar! -Aqui, eu tenho um lenço.
Ele umedece o lenço no bebedouro perto deles e passa no joelho da menina. –Viu? Foi só um arranhão, não precisa chorar tanto. –Ele diz sorrindo para encorajar a menina.
Ela pára de chorar e olha com os olhos brilhando para Kaoru. Parecia um príncipe.
—O-Obrigada moço... –Ela diz envergonhada.
—Não foi nada. Agora volte para brincar, já está tudo bem.
—Na verdade, eu...
—Uh? O que?
—Hum... –Ela olha para outro lugar do chão.
Kaoru segue o olhar da garota e vê que o sorvete dela estava derrubado. Ele a olha de novo e vê seu olhar de tristeza.
—Você quer outro? Eu compro para você.
Ela o olha com os olhos brilhando mais, e o vê se afastando para lhe comprar outro sorvete daquele sabor maravilhoso que era seu preferido. Ele volta e entrega o sorvete para ela.
—Aqui, espero que goste! E tome mais cuidado da próxima vez, certo? Fique perto de seus pais para evitar isso. –Ele a ajuda a se levantar e afaga a cabeça dela. Era tão pequenina e delicada, ainda precisava ficar agachado para conversar com ela.
—O senhor é muito bom! –Ela diz com o rosto corado e o beija na bochecha. –Obrigado moço! –E corre com o sorvete, ao longe Kaoru a escuta dizer aos seus amiguinhos que um príncipe a salvou. Crianças...!
Ele se levanta e começa e pensar no que acabou de acontecer, e um sorriso aparece em seu rosto.
—Está indo bem!
Ele se vira e vê Tamaki sorrindo para ele. Ele cora.
—I-Isso não foi nada. Eu... apenas... fiquei com pena dela.
—Isso é um bom começo! Mostra que você tem simpatia! Agora vamos melhorar isso! –Ele puxa a mão de Kaoru. –Viu? Você só precisa ter mais compaixão pelas pessoas Kaoru. Eu tenho certeza que tudo o que você fizer por alguém, você receberá de volta algum dia! –Ele o arrasta até a estrada do parque e solta sua mão.
—... Verdade?
—Sim! É claro!
—Então... se eu... hum...
—O que?
—E-Esquece. –Ele começa a corar novamente.
—Conte comigo Kaoru.
Kaoru o olha novamente e tem a certeza de que com Tamaki ele pode conversar sinceramente, como de pai para filho. –Se eu... me importar com Hikaru, e mudar por ele... receberei algo de volta?
Tamaki se espanta, seus olhos se enchem de ternura para o Hitachiin e afaga a cabeça dele. Não queria que ele entendesse por esse lado, mas Kaoru é tão cabeça-dura... –É claro que vai Kaoru.
Kaoru se alegra e sorri para o loiro, caminhando mais confiante. –Então vamos! Temos que treinar mais minha simpatia! –Ele anda mais à frente do loiro e começa a procurar um ‘alvo’. Tamaki apenas olha divertido, e pensa:
“Se ele soubesse o quão importante já é para Hikaru do jeito que é... Está tão determinado que não percebe isso. Mas acho que verá isso sozinho”. Ele sorri. Esse seu ‘filho mais novo’... Cresceu tão rápido! Já esta ficando cego de amor.
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