Escolha Simples - ShigaDabi

1 Uma tarde perfeita para alianças


Notas iniciais
E mais uma fic dabishiga fofinha. Tô até estranhando que ainda não botei nenhum deles pra sofrer, porque tenho tendência a ferrar com os shipps que gosto shaushau mas vamos aproveitar enquanto tá tudo bonitinho kkkkk * au-civil em que Shirakumo Oboro salva e adota Shimura Tenko; * eles usam Tomura e Dabi como apelidos; * as cicatrizes deles não são tão extensas; **fic reescrita**

Tenko olhou para a atrocidade na palma da mão do seu namorado/noivo e, sem nenhuma sutileza, franziu o nariz numa careta antes de erguer os olhos vermelhos para o rosto sorridente do Todoroki. Sua sobrancelha se contraiu, num espasmo involuntário e sua irritação ameaçou transbordar.

Qualquer pessoa assistindo a cena de fora, de uma perspectiva diferente, chamaria o moreno (tingido) de um namorado atencioso, mas o jovem Shimura conhece bem demais o idiota parado ali para ser enganado por um sorriso bajulador e cheio de terceiras e quartas intenções. Indo contra todas as expectativas e fofocas, Touya Todoroki é só um babaca vestindo a pele do príncipe encantado.

— Sério, Dabi, azul e preto? Sempre achei o seu senso de moda horrível, mas agora não tenho mais dúvidas. – comentou, num tom pesaroso, como se sentisse dor só por olhar aquele absurdo em forma de aliança.

Quem tem tanto mal gosto pra achar essa merda aceitável?! Ah, sim, o seu namorado idiota!

— Como se você tivesse alguma moral para me julgar. – o Todoroki zomba jogando, sem cuidado nenhum, a aliança bicolor no estojo aveludado de amostras. – E piercings são sexys.

— Se você tiver algum fetiche por alfinetes e grampeadores, talvez. – ele responde, se ocupando em olhar com atenção para todas as opções na vitrine da joalheria.

Se inclinando sobre o balcão, o mais velho descansa o queixo na mão e observa o azulado com um sorriso de lado, acha graça no esforço que o seu namorado rabugento está disposto a fazer por um par de alianças que, eventualmente, um deles vai perder (Touya) e o outro vai ter algum tipo de alergia estranha porque a pele é sensível demais para usar qualquer tipo de joia (Tenko). Mas ele não vai negar que adora essa faceta do mais novo, que pode levar as pequenas coisas a sério demais de um jeito meticuloso enquanto faz piada com assuntos delicados e sensíveis.

— Pelo menos eu tenho um estilo, sabe. – diz, depois de um minuto o assistindo franzir as sobrancelhas e morder o lábio. Inclinando a cabeça, indica as roupas do outro; calça jeans preta para combinar com o moletom de capuz igualmente preto e os tênis vermelho berrante.

O comentário lhe rende um olhar feio por trás da franja comprida e uma fungada mal-humorada. – Oh, viva a originalidade punk. O que você é, um adolescente revoltado com o papai? – pergunta, cheio de sarcasmo, revirando os olhos.

Ah, o humor caustico, pensa se aproximando com um sorriso cheio de dentes que faz os grampos do seu rosto repuxarem. Tenko não recua, pelo contrário, ele ergue o queixo num ar desafiador e estreita os olhos quando se pressiona contra o corpo magro, tão perto que pode sentir o cheiro de sabão nas roupas se respirar fundo.

— Você não reclamou dos meus piercings ontem à noite. – sussurra, divertido.

Um rubor surge no rosto pálido, sobre pelas orelhas e se espalha pelo pescoço marcado. Isso arranca uma risada áspera do peito do moreno. Touya essa reação tão fofa que nem reclama quando é empurrado para longe com um soco no seu braço, vai se preocupar com hematomas mais tarde. Sim, porque o seu namorado magricela é mais forte do que parece e ele já provou este fato de maneiras bem doloridas.

— Cala boca, idiota. – resmunga erguendo as mãos para arranhar o pescoço. Um sinal de irritação, vergonha e ansiedade que o mais velho não queria desencadear.

Com um suspiro ele agarra os pulsos finos, num aperto firme, antes daquelas unhas fazerem outro estrago. Por um instante os dois se encaram, tanto numa conversa silenciosa quanto num luta de vontades, mas o Shimura desiste quando vê a expressão severa no rosto do usuário das chamas azuis. Muito lentamente, Touya o solta e Tenko recua.

— Vamos lá, Tomura, preto e azul são uma combinação perfeita, você não acha? – questiona erguendo as sobrancelhas na sugestão, tentando amenizar o clima.

Isso funciona.

O mais novo estala a língua. – Não, Dabi, essa porra é horrível! E você só escolheu por causa das suas chamas. – protesta, cruzando os braços sobre o peito.

— Talvez. – responde com um encolher de ombros, indiferente. – Então, que tal está? – sugere apontando para a outra aliança ao lado; grossa e chamativa, com um padrão confuso de vermelho sobre o preto.

Tenko olha exasperado para o namorado. – É sério isso, idiota?!

— Qual o problema? – pergunta, soltando um gemido impaciente.

— O seu mau gosto é o problema! Além disso, tungstênio não é tão resistente.

Isso fez o Todoroki jogar os braços para o alto e bufar exasperado, como o dramático que ele é. – Ah, e de repente você virou expert em alianças!

— Diferente de você, eu pesquiso sobre as coisas. – Tenko responde ar arrogante e um sorriso satisfeito nos lábios secos.

— Tudo bem, então, compartilhe seu extenso conhecimento, chefe.

A menção do apelido faz o azulado estreitar os olhos de maneira desagradável girando o corpo para encarar o namorado por um instante prolongado de silencio. O apelido é uma piada interna deles e os amigos, que o próprio Touya criou. Sempre que alguém o traz à tona é um sinal de que o rabugento Tenko está se tornando um pequeno tirano mandão e arrogante.

Com os lábios pressionados numa linha fina, o usuário de decay contrai os dedos e funga aborrecido antes de girar nos calcanhares e bater as mãos enluvadas no balcão de vidro. – Quero alianças de paládio.

— Bem específico. – Touya zomba e revira os olhos se apoiando ao lado do outro. Ele ignora o fato de Tenko estar o ignorando e simplesmente continua. – Essa merda parece sem graça. – diz, porque é humanamente impossível ele manter a boca fechada.

— Não sabia que alianças precisam ser engraçadas, Dabi.

— Por que não podemos usar algo comum e seguro?

— Tipo o quê? Prata? – questiona, agora genuinamente curioso agora.

— Ouro. – responde com um sorriso.

Tenko faz uma careta. – Isso é coisa de casal de velhos. Hizashi e Aizawa usam ouro.

— Bem, já tenho meus 26 anos e não estou ficando mais novo.

— Fale por você, ainda tenho 21 anos. – retruca, cruzando os braços com um sorriso de lado.

— E ainda assim, qual de nós precisa de uma bengala para andar? – o moreno questiona indicando a bengala descansando ao lado do balcão, e ri até ser atingido na perna pela dita bengala. – Ei, isso dói, maldito!

Tenko solta um grunhido e ataca novamente.

Três meses atrás o azulado sofreu um pequeno acidente (idiota) escorregando na neve derretida, estava distraído com o novo jogo do seu switch e não percebeu a calçada congelada. Bem, isso até ir parar debaixo de um carro – felizmente estacionado – e sair de lá com a perna quebrada e tela do seu console arranhada.

Claro que isso lhe rendeu uma bronca de 2 horas do Aizawa, sobre a falta de atenção e acidentes estúpidos; um tapinha nas costas de um Hizashi muito barulhento; e muitos mimos do preocupado papai Oboro.

Agora não precisa mais da tala, mas ainda está em reabilitação e continua mancando, por isso a maldita bengala. Para o aborrecimento do Shimura e diversão do Todoroki, que aproveita cada oportunidade que tem para provocar com o namorado coxo.

— Você mereceu, idiota! – exclama tentando acertar Touya novamente, mas a bengala é arrancada das suas mãos com puxão.

A atendente atrás do balcão tentava manter o sorriso tenso nos lábios enquanto assistia, nervosa, os dois jovens discutindo. Os músculos do seu rosto já estavam doloridos. Ela torcia os dedos ansiosamente, desejando que o casal inusitado se apressasse na escolha, o visual não convencional deles atraía olhares, mas a discussão tornava tudo pior. Ela podia sentir suor frio escorrer pela nuca, eles chamavam a atenção dos outros clientes, que lançavam olhares estranhos e se afastavam, reprovando o comportamento.

E, bem, não demorou muito para ambos perceberem isso e a agitação dela. Interrompendo a discussão se viraram em uníssono para encará-la.

— Algum problema? – Tenko perguntou, com um toque de irritação na voz, e estreitou os olhos vermelhos. A discussão deixada de lado.

Ao seu lado Touya apenas bufou uma risada pelo nariz, quase sentia pena da garota, que estremeceu e gaguejou um pedido de desculpas. Bem, parece que traumatizaram mais uma atendente, mas quem se importa? Ele, com certeza, não.

— E-eu só... Huh, queria sugerir a-alianças de platina...? – ela gaguejou, engolindo seco quando uma sobrancelha do moreno se arqueou com interesse genuíno. Inspirando fundo tomou coragem e continuou, numa voz mais firme, entretanto ainda tensa. – É mais durável que ouro e prata, não desgasta e nem é susceptível a corrosão. E ainda mantém um visual clássico.

— Hun. – o azulado ponderou avaliando os modelos com olhos atentos conforme ela os retirava da vitrine apressadamente. – São mais caros.

Isso fez o sorriso do Todoroki crescer.

— Gostei do som disso. – falou se animando com a perspectiva de gastar mais dinheiro do seu querido pai, afinal, foi o próprio Enji Todoroki quem lhe deu o cartão de crédito para emergências. Logo turrão heróis das chamas iria descobrir que para Touya, gastar muito num par de alianças é uma emergência.

Se adiantando pegou uma das alianças, se aproximou do namorado parando logo atrás dele pressionando seu peito nas costas meio encurvadas de Tenko e descansou o queixo no ombro ossudo. Antes dele pensar em reclamar, Touya foi mais rápido, agarrou uma mão pálida, puxou a luva de proteção com os dentes e deslizou o anel no dedo anelar com um sorriso.

O Shimura não protestou, mas ainda puxou a mão do aperto quente do outro e olhou para a pequena peça de platina de forma crítica. Inclinou a cabeça soltando um zumbido pensativo. Não é nada extravagante, uma coisinha simples e fina, de superfície reta e polida. Sem pedra ou um desenho para enfeitar. Não era tão ruim, sentia que podia gostar desse modelo.

Inspirou fundo, sentindo o peso da pequena peça e o calor de Touya o envolvendo, se deu conta de que esse é o primeiro anel que realmente experimentou desde o começa da tarde, quando decidiram fazer essa excursão em busca da “aliança perfeita”. Esse conhecimento fez algo se agitar no seu peito.

O seu primeiro impulso era arranhar o pescoço, essa ansiedade sufocante faz sua pele pinicar, mas não conseguiu tirar os olhos do anel estúpido encaixado no seu dedo. De repente, a consciência da situação o atingiu feito um soco no estômago. Puta merda.

— Algo a declarar? – o moreno perguntou, em tom de zombaria, já esperando por um comentário sarcástico, mas não teve uma resposta imediata. O que não seria de todo preocupante, não fosse a mão pálida e tremula. Por instinto, agarrou o pulso fino num aperto delicado. – Ei, o que está errado, Tenko?

Tenko apenas negou com um aceno afoito e inclinou a cabeça no ombro do namorado exibindo um sorriso. – Touya, eu gostei desse.

Notas finais
Então, o que acharam?? Deu pra perceber que ainda tô muito b0i0linha por eles?? Achei o final bonitinho e aceitável, então estou satisfeita. Quaisquer erros me avisem. Até a próxima! ~Kissus~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!