Escola de Magos - Interativa
16 Reforçando Laços
Notas iniciais
O desespero tomou conta daquele campo de batalha. Brian, com Max morto em seu colo, não parava de chorar e de se lamentar. Kimmy e Irvin estavam felizes, olhando aquela tragédia. Com muita dor no coração e enxugando, Arvel pediu para que três de cada grupo saísse dali, e levasse o corpo de Max para um local mais seguro.
Ficaram no campo de batalha Kristie, Aurora, Brian e Arvel. Dayna invocou a grande águia para retirar todos dali.
— Que cena mais bonita... “Morri” de tristeza. Ah, é! O morto aqui é outro, não é mesmo? – provocou Kimmy, deixando Kristie furiosa – o que fez ela conjurar uma grande quantidade de poder mágico em seus punhos e socar o chão. Tamanho poder acidental fez com que a torre se despedaçasse por completo, com os seis magos sobre ela.
Sobre a águia, de longe, os magos conseguiram ver tamanha destruição. A nuvem negra de poeira preencheu praticamente todo o esconderijo inimigo.
Depois de alguns minutos, a nuvem de poeira se desfez e os escombros estavam por toda parte. Aurora, com a testa cortada e com o rosto coberto de sangue, viu Kimmy caída, com um ferro fino de viga perfurado em seu peito.
Por sorte, todos os quatro magos estavam bem. Por azar, Irvin estava sem nenhum arranhão. Com o poder de atravessar objetos, ele conseguiu se salvar.
— Vocês... vocês mataram todos os meus aliados. Mataram Kimmy, sem o direito de ela se defender. Eu vou retalhar vocês. Vou acabar com a vida de vocês. Depois, irei para New Nebraska, e domarei a cidade; matarei todas as pessoas que vocês amam.
— Nós não vamos permitir isso, Irvin. Você está sozinho contra nós quatro, agora. Não adianta nada resistir. Somos muito mais fortes juntos. E com certeza daqui há pouco os reforços chegam. – retrucou Arvel.
— Isso mesmo. Vamos proteger tudo aquilo que for importante para a gente. – disse Aurora, determinada.
— Igual ao Max? Vocês falharam miseravelmente. Se separaram sem nenhum critério e sem conhecimento do inimigo. Vocês subestimaram o poder da Coroa Vermelha, agora que restou apenas a mim, irei mostrar o mais forte deles. – Irvin pegou a Adaga de Merlina que estava nas mãos de Kimmy. – Esse poder... eu o sinto... isso é muito bom...
Irvin se teletransportou para trás de Kristie, dando um chute em suas costas em seguida. Sem poder se defender, ela foi arremessada contra um escombro a metros de distância. O mesmo ele fez com Brian, que bateu com a cabeça e desmaiou.
— E agora? Ele está muito forte. Consigo sentir isso nele. – perguntou Aurora, morrendo de medo.
— Vamos lutar com todas as nossas forças. Eu com meu bastão e você com seus elementos. Use o máximo que puder. É a batalha final que vai decidir nosso sucesso e garantir a nossa sobrevivência. – respondeu Arvel, dando um choque de motivação na sua colega de classe.
Irvin partiu para cima dos dois, com sua velocidade ampliada pela Adaga. Aurora conseguiu desviar de um soco, contra-atacando em seguida com um “soco de fogo”. Irvin se defendeu de seu golpe, mas não conseguiu desviar do bastão de Arvel, que perfurou seu abdômen com muita força.
— Maldição!! – gritou Irvin depois que pegou distancia da dupla. O sangramento estava muito forte e da sua boca começou a escorrer a consequência da hemorragia interna. – Essa adaga, nem para me curar. Me pegaram de surpresa, mas agora eu vou agir com tudo. – Irvin fez um movimento circular com a adaga, que de longe conseguiu fazer um corte grande, mas superficial, nas costas de Aurora. Ela gritou de dor e caiu com tudo no chão.
Arvel foi socorrê-la, arrancando sua camisa, rasgando-a e enfaixando sua amiga, para fazer aquilo parar de sangrar. Mais ou menos, ela se levantou, ainda disposta a lutar.
— Muito obrigado, Arvel. – agradeceu ela.
— De nada, agora pare de encarar meu tanquinho e vamos focar no inimigo. – advertiu ele, deixando ela toda vermelha de vergonha.
— Vocês são tolos. Crianças que devem crescer. Mas agora já é tarde. Não dá mais tempo. Eu vou fazer questão de matar vocês com as minhas próprias mãos. – discursou Irvin, deixando um pedaço da Ônix amostra em seu bolso do manto.
— A pedra! Está com ele, Arvel. Ataque-o enquanto eu pego ela. – disse ela, disfarçadamente.
Girando o seu bastão, Arvel partiu com tudo para cima de Irvin. Enquanto o mago do bastão apanhava para o líder dos Coroa Vermelha, a domadora dos elementos se esgueirava em direção a pedra e com sucesso conseguiu arrancar ela do bolso dele. Depois ela saiu com tudo de perto e Arvel também.
— Essa pedra! Ela não pertence a vocês. – disse o inimigo, fazendo um movimento com a Adaga e prendendo os dois magos no chão. Irvin caminhava em direção à Aurora, mas ela e Arvel não podiam sair do lugar.
— E agora, Aurora!! Ele vai pegar a pedra. O que vamos fazer? – se desesperou Arvel.
Aurora encarou a pedra, que era bem pequena, um pouco maior que a moeda. Ela, corajosa, fez o inesperado. Engoliu a Pedra Ônix, que foi rapidamente absorvida pelo seu corpo.
A louca começou a ficar tonta. Seu corpo começou a transbordar poder mágico, desta forma inutilizando a “prisão” da Adaga de Merlina. Irvin e Arvel estavam parados, observando a transformação de Aurora.
Os cabelos ficaram maiores. Os olhos, brancos. A roupa, só ficou um pedaço da parte de baixo e a parte de cima rasgou e ficou parecido a um top. Uma explosão de luz amarela fez com que Arvel e Irvin fossem arremessados para longe.
— Esse poder... tudo isso vem da Ônix? Isso é maravilhoso! Eu consigo fazer qualquer coisa. Eu virei uma Deusa! – admirou ela a si mesmo, se teletransportando até Arvel para socorrê-lo.
Irvin se levantou. Pegou a adaga e foi para cima de Aurora, que com um dedo apontado para ele gerou um “mini furacão horizontal”, fazendo ele bater com tudo em um escombro e desmaiar. Com a oportunidade, Arvel pegou o Colar de Selamento e prendeu o último inimigo, absorvendo-o para dentro do cristal do colar.
Felizes pela vitória, Arvel e Aurora se abraçaram. Os outros magos dos grupos chegaram. Desta vez, Max estava no colo de Dayna. Kristie e Brian chegaram na hora, para ver novamente o corpo do amigo falecido.
Quem não chorou na primeira vez, chorou agora. Aquele velório apertou o coração de Aurora, mas vibrou a sua magia. Ela, sem pedir para ninguém, colocou suas mãos sobre a ferida de Max, o que tinha o matado. O corpo de Max começou a brilhar e a reação foi a cura do tumor e sua ressurreição. Max acordou puxando assustadoramente todo o ar que podia e em seguida, começou a tossir.
O griteiro de felicidade foi absurdamente alto. Todos ficaram felizes. Abraçaram Aurora e Max tudo ao mesmo tempo. Nesse momento, um portal se abriu e Rob saiu dele.
— Pelo que eu vi, vocês saíram vitoriosos. Também consigo sentir a Ônix em Aurora. De alguma forma ela absorveu a pedra, mas isso não quer dizer que a missão foi um fracasso. Absorvida em um corpo, a pedra se integra ao indivíduo e ele se torna o guardião de seu poder. Parabéns, Aurora. Você acaba de se tornar a aluna mais forte da Embryo. Mas não foi apenas para isso que eu vim. – elogiou Rob, mas depois com um tom de arrependimento em seu rosto. – Eu quero explicar algumas coisas.
— Explique-se, seu babaca. Eu morri por tua culpa, seu filho da puta! – gritou Max, partindo para cima de Rob, mas segurado por Brian, o guardião de sua sanidade.
Rob pediu para que todos se sentassem sobre os escombros, para ele ter a palavra. Em seguida, começou:
— Quando eu era criança, eu era um menino feliz. Tinha acabado de descobrir os meus poderes quando meus pais foram assassinados na minha frente. Eu, furtivamente, consegui fugir. Sozinho na rua, eu fui capturado pela Coroa Vermelha. Eles cuidaram de mim, porém fui treinado para fazer coisas ruins. Minha magia aumentou gradativamente, mas mesmo eu tendo sido ajudado por eles, eu não gostava de sua filosofia e de seus hábitos assassinos. Foi quando eu me revoltei e fugi, adolescente. Fui adotado pela segunda vez pelo Embryo, que me tirou da rua antes que eu morresse de fome. Novamente fui treinado, alimentado e habitado, mas em troca disso eu ofereci meus trabalhos como gratidão. Quando eu descobri a Pedra Ônix, uma fonte de energia que ajudava na sustentação da Embryo, eu fiquei cego pelo poder. Quando eu encostei nela, tive algumas visões do passado e descobri que o pai de Irvin, o cara que me acolheu, foi o mesmo que matou minha família. Eu roubei a pedra e vim até aqui em busca de vingança, mas sem sucesso. Consegui matar o pai de Irvin, mas o mesmo já era poderoso o bastante para roubar a pedra de mim e junto com toda a gangue, quase me mataram. Por conta disso, anos depois, eu passei esse objetivo para vocês. Prender eles.
— Maldito!! Você nos usou para uma vingança pessoal! Você fez questão de sacrificar todos nós para poder vingar a morte de sua família? Tivemos baixa, aqui! Tivemos uma morte aqui. Agora vamos responder esse crime por causa de você! – xingou Shae, com o nervo à flor da pele.
— Está errada. Eu vou escrever o relatório da missão para o CNN e vou assumir a responsabilidade. Perderei o cargo de Emissor de Missões e provavelmente vou ser preso, mas eu fico feliz por algumas coisas. O trabalho em equipe de vocês foi maravilhoso. Vocês mostraram o quanto cresceram, o quão forte são. Isso serviu de experiência, já que missões mais difíceis poderão surgir. Eu vou abrir o portal de volta para a cidade para vocês poderem retornar à escola. Eu vou ficar aqui, já que chamei os profissionais do Conselho. Agradeço vocês e parabéns pela vitória. Vou sentir falta de vocês.
Um portal gigante abriu atrás dos alunos, sugando-os forçadamente e rudemente.
***
Uma semana se passou. Rob foi julgado e inocentado pela culpa da morte de Kimmy, já que Kristie conseguiu provar que aquilo foi um acidente. Rob foi rebaixado para inspetor, um cargo abaixo de Emissário de Missões.
Max ficou internado e foi avaliado por cientistas mágicos por ter sido curado por Aurora, que também estava sob custódia dos mesmos.
Todos os dez alunos, em uma reunião pós-missão, resolveram não aderir a sugestão de Rob e criar a guilda. Resolveram continuar como alunos e continuar na Embryo.
Os sobreviventes da Coroa Vermelha foram condenados à prisão perpétua e tiveram seus poderes mágicos bloqueados pelo CNN, assim se tornando prisioneiros sem poder.
Com a restauração da paz, tudo ocorria bem em New Nebraska. O céu estava tão azul quanto o imenso lago no nordeste da cidade.
As aulas estavam mais legais para os grupos 1 e 2, já que todos reforçaram seus laços por conta da missão. E, por recompensa da missão, os dez alunos ganharam uma viagem para Union, uma dimensão-resort criada por um antigo diretor, como presente para os alunos depois da sua saída. Em Union, a dimensão das férias, tudo era maravilhoso. Várias ilhas, um grande mar, sereias, fadas, videogames gigantes e tudo mais. Algo bem surreal feito apenas para os alunos da Embryo, que mereciam o mínimo de descanso e diversão.
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