Notas iniciais
Boa leitura.

Um jardim gigantesco, quilômetros quadrados de área. O Jardim de Merlina, no lado oeste de New Nebraska. Grandes ipês, pequenas pontes de madeira com corrimões pintados de branco. Um grande lago no centro que se estendia embaixo de cada ponte. Uma verdadeira floresta em forma de parque jardinado.

— Eu esqueci como esse lugar é grande. – comentou Brian, sentido o vento das folhas coloridas bater em seu cabelo. – Eu me sinto tão bem aqui. Eu costumava vir com meus pais em busca de um bom lugar para piquenique.

— Essa bosta de lugar continua a mesma porcaria. Olha lá. – apontou Max, nervoso como sempre para uma criancinha que brincava com seu barquinho de papel numa pequena enxurrada próxima a uma ponte de madeira. – É só isso que tem aqui. Crianças idiotas. Você era assim, Brian? Idiota ao ponto de brincar com um barco de papel?

— Você é muito chato, Max. Nem sei qual o motivo de eu ter te chamado para vir até aqui. Precisava de uma companhia para me deixar alegre, deixar meu dia feliz. Um amigo que me deixasse para cima, sabe. Você é um infeliz. – Ofendeu Brian, sem medo da reação impulsiva de Max.

— Para de drama! Você é homem! Vai chorar agora pelo fato de eu ser rude as vezes? – Max deu uma risadinha debochando do amigo e continuou. – Eu sou assim mesmo. É o meu jeito, sabe. Tenho meus motivos, mas isso não entra em questão aqui. Você que é feito como aquele barquinho de papel.

A criança continuou com o seu brinquedo frágil, que de tanto ser molhado se desfez e mergulhou água abaixo, encostando em algumas orquídeas aquáticas. O menino, chorando, foi para o colo de seu pai – que lhe deu consolo. Brian olhou aquela cena e perguntou para Max:

— E seus pais, amigo? Você nunca me disse nada sobre eles. Nunca os vi na escola e em datas comemorativas que os professores pedem para entregar bilhetes, você rejeita no mesmo momento em que eles abrem a boca. Às vezes nem espera eles terminarem de falar para negar as lembrancinhas.

Max ficou encarando a criança e seu pai indo embora, deixando uma lágrima descer em seu rosto e cair de seu lábio inferior. Brian viu aquela tristeza de Max, arrependeu-se e colocou as mãos em seu ombro. O velocista engoliu seco o choro e ameaçou:

— Se você falar sobre isso novamente eu vou desintegrar seu corpo usando a minha velocidade. Você sabe que isso me deixa em um desconforto infinito e continua infernizando. Aprenda a respeitar as nossas deficiências.

Brian, sem um pingo de medo, confrontou:

— Max! Me conte sobre teu passado! Eu quero uma resposta para esse teu jeito arrogante de ser. Você, quase sempre, é muito estúpido com todo mundo. Ninguém tem nada a ver com suas frustrações e agora é a hora de desabafar. Sou seu amigo e aqui ninguém vai te ouvir, apenas eu.

— Eu não quero. Eu não devo. Eu não posso e não estou afim! – Max cruzou os braços, ergueu a cabeça de olhos fechados e acelerou o passo, birrento.

— Max! Volta aqui senão eu vou te carbonizar. Eu sou teu amigo. Você tem que se abrir comigo. Max, seu filho da... seu idiota! – Brian saiu correndo atrás dele, mas Max se jogou no chão antes de ser pego, aos prantos.

Brian olhou aquela cena do cara mais rude do Grupo 1 chorando feito criancinha, semelhante ao menino que perdeu o barco de papel para as águas do Jardim de Merlina.

— Eu sou um inútil! Eu não consegui... eu não consegui... é tudo culpa minha! Eu não devia ir embora! Eu não devia ter deixado eles sozinhos... é culpa minha... eu não fui rápido o suficiente... os meus pés não serviram para nada... meus pés são inúteis... eu sou inútil... a minha magia... inútil. – ele gritava, escandaloso, chorando, fazendo com que Brian ficasse tão triste quanto, e ao mesmo tempo, com vergonha de todo mundo ao redor olhando.

— Max! Levante-se daí. Me desculpa! Não vou mais tocar no assunto. Eu só queria ajudar você. Por favor, saia já desse chão, garoto. Eu peço perdão.

Ele se levantou com a ajuda de seu amigo. Max limpava as lágrimas de seu rosto e no fim abraçou Brian, que estranhou aquilo, mas no fim aceitou a rendição de seu bom amigo.

— Eu estava precisando explodir, Brian. Eu preciso ser assim... eu preciso ser desta forma com você, com os outros e principalmente... comigo. Eu preciso ser mais rude do que antigamente. Eu preciso ser mais rápido e mais forte do que antes. Eu precisei me tornar essa pessoa. Eu só vou mudar quando... quando... esquece. Isso tudo é problema meu. – Max saiu do abraço de Brian, dando um soco em seu estômago. Brian caiu no chão, segurando a barriga para conter a dor. – Isso tudo é culpa tua. Olha a vergonha que me fez passar, idiota.

Brian começou a ficar nervoso e seu corpo começou a flamejar, mas logo se acalmou. Max era assim mesmo. Doentio. Traumatizado. Misterioso. Não contava nada para ninguém e tudo era motivo. Max viu o que tinha feito com aquele que só queria ajudar e pediu desculpas. Depois de uma discussão consequente, os dois ficaram bem e continuaram a caminhar, conversando sobre a vida. Uma conversa que jamais sairia da mente dos dois.

***

No Embryo, na sala de Rob, Arvel chegou abrindo a porta sem pedir licença.

— Você me chamou, Rob?

— Sim, Arvel. Sente-se.

Arvel sentou, cara-a-cara com o maníaco das missões.

Aquela sala era toda bonita. Estantes lotadas de livros de magia. Uma mesa enorme no centro e a cadeira de Rob parecia um trono roxo com os cantos enfeitados por velas roxas. Tudo muito roxo, mágico, místico e sobrenatural. Tão louco quanto o dono da sala.

— Aconteceu alguma coisa? Eu fui expulso da missão da Pedra Ônix?

— Claro que não, Arvel. Eu considero você o mais forte do grupo 1, mesmo sendo o Brian de mais alto nível. Você é um mago excelente e por isso te chamei. Tenho uma missão para você. Apenas para você. É uma missão rápida. Vai dar tempo de você voltar antes de vocês partirem para Crown Village.

— Crown Village? A vila destruída? Digo... desculpa... não quero me antecipar. Fale mais sobre essa missão, por favor. Digo, a missão de agora, não a outra. Ah! Você entendeu, Sr. Darel.

Rob riu e bateu com tudo na mesa, fazendo com que Arvel assustasse de pular da cadeira:

— Cale a boca e deixa eu falar. A missão é a seguinte, como você pode ver existem muitos livros de magia nessa sala e eu sou colecionador disso. O que me faz ser um mago de rank alto é o meu conhecimento de muitas magias de elemento gelo. Eu me apelido de “Deus do Gelo”. Sou muito forte. Sou muito poderoso, mas há um livro que falta nessas prateleiras. Eu preciso dele, mas há muito tempo atrás eu o tinha. Eu quero dizer que ele foi roubado. Roubado por dois ladrões e por isso eu te chamei aqui. Amanhã cedo eu quero que você vá atrás deles.

— Atrás de um livro de magia roubado por dois ladrões? Sr. Darel, eu sou um mago de rank 3. Eu vou dar conta de cuidar de dois ladrões? Se eles conseguiram roubar um livro do senhor, o que conseguem fazer comigo? – perguntou Arvel, assustado.

Rob se levantou, apontou o dedo na cara de Arvel – assustando o garoto – e respondeu:

— Você não sabe o potencial que tem. Você e seu bastão elétrico... fazem muito mais juntos do que eu sozinho. Há um segredo em seu bastão e você precisa descobrir qual é. Essa missão, também, serve de treinamento para você. Não digo que será fácil, mas sim útil. Pode sair da minha sala. Vou te mandar por e-mail a localização do esconderijo dos ladrões e você tem 48 horas para o livro estar nessas prateleiras. Caso contrário, você vai conhecer a minha mais poderosa magia. AGORA SAIA!

Arvel caiu novamente da cadeira e saiu correndo da sala do Rob, um mago louco que foi nomeado Emissário de Missões e que guarda em seu corpo o poder mágico mais concentrado e puro de toda a Embryo.

Notas finais
Comente o que achou do capítulo e até sábado que vem.