Escola de Magos - Interativa
7 Dia Chuvoso
Notas iniciais
Estava chovendo muito e os trovões assustavam alguns alunos de tão imediatos. O céu estava tão cinza quanto metal, mas dentro da escola estava abafado – um verdadeiro mormaço. Em volta da escola, a rua não estava para carros. Deserta.
Por conta dos preparativos para a missão, o Grupo 1 precisou faltar a aula, restando assim os demais grupos. A sala não estava muito cheia, já que alguns faltaram por conta da chuva – como se eles fossem de açúcar.
— Caramba... está muito quente aqui dentro, mesmo com essa chuva. Será que eu faço o Sol aparecer? – perguntou Shae Ivanovich, a “CDF” da turma, vulgo “Coração de Pedra”.
Shae, uma bela garota. Extremamente inteligente, mas fala pelos cotovelos e por conta disso é corrigida, às vezes. Seus olhos são da cor cinza, como o metal e o cinza do céu naquele dia. Seus cabelos, negros, moldam seu rosto e uma franja cai sobre os olhos. Alta, braços e pernas finos. Coluna alta de tanto estudo e peso dos livros. Os traços de seu rosto emanam seu jeito observador e intelectual de ser. O contrário de Max e na versão feminina. Simples.
— Não tem necessidade de usar magia para tudo, Shae. Deixa a natureza e seu equilíbrio em paz. – respondeu Aurora Misao, balançando a cabeça reprovando a ideia de sua amiga de grupo.
Aurora tem cabelo branco, grande, longo e até o quadril. Olhos dourados com pintinhos negros e a pele muito clara. Ela é tão baixinha quanto Arvel, mas um corpo bem formulado pelos seus pais. Com três cicatrizes – pequenas – embaixo do olho esquerdo ela mostra experiência em combate. Cicatrizes parecidas, em coro, com uma marca de garra, uma arranhada profunda. Um vestido branco e azul, meia calça branca, sapatilha da cor do vestido e um pequeno casaco branco. Uma mocinha, linda de bonita.
— Eu não sou obrigada a ficar nesse bafo. É prejudicial a minha atenção. Eu quero que tudo seja perfeito e isso está me desagradando. Eu acho que vou ter que pelo menos deixar esse céu sem nuvens. Só que me faltava, eu ter que estudar com suor correndo na minha cara.
Aurora riu baixinho e depois pegou a cabeça de Shae e bateu com tudo na carteira:
— Não ouse tirar o equilíbrio das coisas. Seu perfeccionismo vai acabar te matando. Digo, vai acabar fazendo com que eu te mate. Fique quieta, preste atenção na aula que você não vai sentir nada. Ridícula.
Shae ficou quietinha, assustada com a pancada em sua cabeça. Com lágrimas nos olhos e ódio no coração, Shae pegou um de seus livros preferidos sobre magia e começou a ler, reclamando enquanto lia:
— Que aula chata, prefiro esse livro... esse professor não sabe explicar... eu preferia assistir ao filme do... — Foi interrompida por Aurora, que dessa vez pegou em seu cabelo e bateu novamente sua cabeça na carteira, mas três vezes. – O que foi isso, Aurora? A gente vai ter que brigar, garota?
Ela aproximou o rosto de Shae e respondeu:
— Eu já mandei você calar a boca e prestar atenção na aula. Senão eu vou ter que...
As duas foram interrompidas pelo professor, que também foi interrompido pela chegada de Thayer Howynartt, o aluno mais autoritário da sala. Ele parou em frente as meninas, que tremeram de medo ao ver a sua cara de tacho e uma aura mágica poderosa ao redor de seu corpo. Com o dedo apontado para o meio delas, ele mandou:
— Abram espaço, pois eu vou sentar aí. Escutei vocês duas lá de fora e eu vim aqui para estudar. Calem a boca ou eu vou jogar vocês pela janela.
— Está explicado a chuva, Shae. Thayer está de bravo, por isso o tempo fechou. – explicou Aurora, levantando-se para ele sentar ao lado de Shae. Ela sentou após dele ter se acomodado.
— Thayer. Sua magia é legal, você pode fazer chover, nevar, ensolarar, mas por gentileza, fale-me o que você precisa para ficar de bom humor? Um chocolate, um abraço, um beijo no rosto. Sabe porquê? A chuva lá de fora, de alguma maneira, está gerando um calor insuportável aqui dentro, sabe. Então eu faço o que for preciso para você me ajudar nisso, já que alguém não quer eu mesma o faça. – pediu carinhosamente, Shae, com coraçõezinhos nos olhos e bochechas vermelhas.
— Não. Me deixa quieto ou eu vou jogar vocês pela janela. – disse Thayer, empurrando as duas com os ombros. Aurora riu. Shae, não.
Thayer era um mago atmocinético, ou seja, podia controlar o clima e tudo que o refere de qualquer maneira, como ventanias, ondas de calor, frente fria, chuvas, tempestades etc. Entretanto, tão magia fascinante tem seus efeitos colaterais, desde dores de cabeça até sangramentos nasais. Sobre a aparência, possui cabelos castanhos desajeitados, algumas acnes no rosto e o rosto bem desenhado. Um mago bem bonito, de charme único.
***
No intervalo da aula, o Grupo 2 estava completo, com Kyle Smith e Liedson Muller.
Kyle, cabelo castanho escuro, pele clara e límpida. Olhos azuis, pelos faciais delicados e lábios finos. Alto demais e um pouco magro. Um mago forte, que combina ataques corporais com teletransportes instantâneos. Uma pessoa bem teimosa e difícil de convencer, sendo perfeccionista as vezes.
Liedson, gentil demais. Um amor de pessoa e um coração bem puro, o que faz dele fraco aparentemente, entretanto o mais forte do grupo 2 e um dos mais fortes de sua sala. Capaz de manipular qualquer tipo de energia, ele consegue facilmente executar magias que somente magos de rank alto deveriam conseguir, mas por conta de outros fatores, seu rank não é considerado alto. Possui um cabelo bem jovem e castanho tendendo ao escuro, com uma franja que não chega na sobrancelha, mas sim bem curva. Nariz e orelhas um pouco maiores do que o normal, mas nada muito extravagante. Um estilo geek e bem minimalista, como blusas embaixo de camisetas, roupas de heróis e enfim.
— É triste demais como vocês brigam na aula. Não pode ser assim, gente. Que impressão o nosso grupo vai passar para o restante da sala desse jeito? – perguntou Liedson, gentilmente advertindo seus amigos.
— Você tem razão. Passei do limite. – lamentou Shae, comendo um de seus biscoitos favoritos.
— Você é muito perfeccionista, Shae. A aula estava minutos para acabar e você querendo com que Thayer deixasse as nuvens mais soltas. Você quer, na verdade, que as pessoas movam montanhas para você e não é assim que se faz. E outra coisa, você poderia muito bem ter saído da sala e usado sua magia tranquilamente para que as nuvens desaparecessem. Ao contrário da gente, você pode usar qualquer tipo de magia desde que ela esteja escrita em algum lugar. – disse Kyle, consolando sua amiga arrependida com uma mão no ombro.
— Ele tem razão sobre isso. Você e o Thayer podem ser os mais fortes da sala. A culpa da chuva sim era dele, mas você poderia ter feito algo sem ter me irritado. E outra coisa, tem tanta coisa para se discutir do que uma chuva. Isso não é conteúdo para um capítulo inteiro, por exemplo. – concordou Aurora.
— Vocês têm razão. Eu vou melhorar. Eu prometo. – aceitou Shae, sendo aplaudida em seguida e ficando constrangida já que todos estavam olhando aquela louca cena.
Eles estavam sentados sobre um círculo de cimento ao redor de um pé de manga. Uma mangueira bem grande, por sinal. Em volta os pássaros brincavam com as sementes e as flores namoravam seus beija-flores. Várias orquídeas espalhadas pelo chão. Um paraíso floral.
Enquanto o grupo 2 discutia o ocorrido na sala, o grupo 1 estava prestes a entrar no portal rumo à missão que mudaria aquela escola por completo.
Simultaneamente, uma pessoa com um manto branco, com o rosto todo coberto com um capuz, entrava em New Nebraska pela rodovia. Alguém de poder mágico absurdamente grande. O que ela queria? Quem ela queria? Cenas para os próximos capítulos.
Fale com o autor