Escola de Cavaleiros

6 Capítulo 6 - Conversas


Notas iniciais
Bem gente, após algum tempinho eu voltei aqui para vocês com capítulo inédito dessa fanfic, e espero que vocês não me matem pela demora, que devo dizer de gato, nem demorou tanto como o Cp. 5

Esse Capítulo ultiliza uma linguagem mais vulgar que os demais, eu usei dessa artimanha para dar realismo a fic e também pela intimidade e sentimentos que os personagens tem entre sí, Espero que não seja um problema isso, afinal a fic é para maiores de 18 e ninguém aqui é criança ou mega inoscente que não possa ouvir uma palavrinha forte de vez em quando n~eo é mesmo ?!

Enfim... defino esse Capítulo como engrasado e tenso ao mesmo tempo, espero que gostem...

Boa Leitura

Shaka entrou em casa junto com Afrodite após se despedirem de Aioros e Aioria, o loiro sentou-se no sofá da sala de forma esparramada enquanto o colega foi na cozinha pegar água.

O Virginiano se permitiu sorrir levemente naquele momento ao lembra-se de todo o ocorrido do dia, e principalmente de Aioria, afinal, por vários motivos, o leonino havia se tornado uma incógnita na sua vida e isso em poucas horas.

O longo cabelo de Shaka caia por sobre o sofá de forma desalinhada enquanto o mesmo encarava sem motivo aparente o teto de seu apartamento.

Afrodite aproximou-se cauteloso observando as reações do amigo e imaginando o que estaria se passando na mente do loiro.

- E então Shaka? Me conte tudo, como foi o seu dia? — Perguntou o pisciano com um olhar inquisidor e um sorriso devasso no rosto, enquanto sentava-se no sofá ao lado do colega cruzando as pernas e levando o copo com água aos lábios.

Shaka encarou Afrodite então, um olhar vago a princípio e um sorriso quase cúmplice se formava na face do virginiano naquele momento.

- Meu dia foi... — fez uma pausa para pensar no que diria. — Interessante. — comentou o loiro deixando um sorriso mais aberto aparecer na face.

- humm, compreendo. — comentou Afrodite com um tom suspeito na voz. — Passando um dia com um gostoso fenomenal como o Aioria né?! Interessante é pouco. — comentou o pisciano encarando o colega de forma devassa e curiosa.

Shaka posicionou-se melhor no sofá, pegando algumas mexas desgrenhadas de seus cabelos, juntando-as todas com suas mãos e jogando os cabelos para trás, numa cena digamos “charmosa” para os padrões de Shaka. O Loiro encarou o azulado de forma cúmplice com um sorriso bem devasso, e cruzou as pernas terminando de ajeitar-se no sofá.

- Bem Afrodite, ele sem dúvida foi um dos motivos para que meu dia fosse interessante sim. — comentou somente não deixando de sorrir e provocar o amigo.

- Ai Shaka, deixe disso, me fale logo o que aconteceu, pegasse? — perguntou o andrógeno ligeiramente afobado.

O loiro o encarou sério por alguns poucos instantes e depois sorriu.

- E eu só lá Homem de pegar? — indagou Shaka arqueando uma sobrancelha para o amigo.

- Claro que não Shaka, você é do tipo que é pegado né?! Tudo bem querido, me desculpe, foi falha minha. — disse o pisciano com desdém e alegria na voz enquanto sorria maliciosamente.

Shaka sentiu uma profunda vontade de bater em Afrodite, ao mesmo tempo em que se controlava para não rir com os comentários do mesmo.

- Claro que não, pare com isso. — disse o Virginiano com um pouco menos de afinidade.

Afrodite tragou mais um gole de água e continuou esperando o Virginiano se pronunciar.

- Conheci ele no corredor, e na aula ele ficou me olhando... — comentou Shaka já sentindo seu rosto corar um pouco. — depois ele veio falar comigo, e também esbarrou em mim derrubando os meus livros. — comentou mais desinteressadamente.

Afrodite sorria a cada palavra do amigo. — Então ele gamou mesmo em você. — comentou o andrógeno rindo abertamente.

- Não é nada disso Afrodite... — comentou Shaka meio evasivo não deixando de corar um pouco com isso.

- Então ele veio falar com você do nada? Foi isso? — perguntou Afrodite curioso.

- Ele ficou... — fez uma pausa, não tinha costume de ser tão íntimo assim, mesmo com seus amigos mais próximos. — ... Me olhando na sala, e eu percebi e... — fez outra pausa para não tropeçar nas palavras. — Eu também o fiquei olhando, ele é lindo e... — suspirou de leve. — confesso que me interessei por ele. — concluiu o loiro com o rosto enrubescido.

- Aí depois disso, sem querer querendo ele te esbarra no corredor e ai começa a puxar papo com você?! — Perguntou o pisciano de maneira curiosa e maliciosa.

- Basicamente isso. — respondeu Shaka fechando seus olhos e suspirando profundamente.

- Ele ficou afim de você Shaka. — concluiu por fim o andrógeno com um sorriso leve.

Shaka o encarou com sua indiferença típica, realmente não negava que havia algo, algo sexual de fato rolando entre ele e Aioria, algo literalmente sexual considerando o fato que ocorreu mais cedo entre os dois, entretanto, o Virginiano acreditava que qualquer coisa fora isso tratava-se apenas de uma atmosfera erótica e de sensualidade que emanava dos dois, nada além disso, não estavam se envolvendo emocionalmente, pelo menos não que quisessem ou pensassem nisso, não era?!

- Não acho isso, se bem que... — comentou o Virginiano de modo que fez o andrógeno o encarar ainda mais curioso.

Fez-se então uma pausa naquela sala, algo que sem dúvida incomodava muito Afrodite, que esperava ouvir algo de definitivo vindo de Shaka. O Pisciano encarava o loiro que parecia olhar para o além, para o inalcançável. Até que a paciência do Pisciano se esgotou após mais alguns minutos de silêncio.

- Fala logo Shaka. — disse quase gritando, de forma que o Virginiano o encarasse irritado. — Diz de uma vez. — atentou o jovem de cabelos azuis cruzando os braços e fazendo um biquinho com os lábios.

Shaka suspirou, não poderia mesmo esconder algo desse porte de Afrodite, então preferiu por comentar o ocorrido.

- Lembra que... — pausou um pouco, era um assunto que deveria ser tratado com certa descrição. — Quando chegamos aqui eu lhe disse que estaria disposto a fazer a diferença e mudar muito os conceitos absurdos e puritanos que cercavam os Cavaleiros de Virgem?! — questionou de modo que fez Afrodite assentir com a cabeça.

- Sim, os tabus de Virgem. — comentou complementando as afirmações de Shaka.

- Então... — suspirou pesadamente. — Digamos que hoje... — pausou novamente, Shaka realmente estava envergonhado, seu rosto enrubescia a cada palavra que saia de sua boca e Afrodite prontamente percebia as reações do loiro. — Hoje o Aioria me ajudou a quebrar um deles. — comentou por fim.

Afrodite arregalou os olhos e abriu levemente a boca, ato totalmente inconsciente a percepção do mesmo. — Como é? — perguntou pasmo o pisciano.

Shaka abaixou a cabeça deixando que sua franja lhe cobrisse os olhos.

- Digamos que não sou mais tão puro. — comentou apenas ficando ainda mais corado o loiro.

- Vocês treparam? — questionou o amigo de forma assustada e maliciosa, com um sorriso safado que surgia no rosto. — Aonde? — questionou por fim.

Shaka o encarou novamente num misto de raiva, vergonha e vontade profunda de rir, não sabia ao certo qual dos três motivos estavam causando o rubor em sua face, mais sabia que poderia bem ser um misto das três sensações.

- Não! — Exclamou o Virginiano com veemência. — Agente... — tentou pronunciar algo mais travou por alguns instantes. — Agente foi para a escada de incêndio e... — pensou bem, era agora ou nunca que falaria. — Eu paguei um boquete pra ele. — concluiu por fim, não sabendo ao certo o que estava sentindo naquele momento, apenas tendo uma única certeza, seu rosto estava mais vermelho que um tomate.

Afrodite arregalou os olhos profundamente enquanto se levantou abismado do sofá para encarar Shaka mais diretamente.

O loiro mantinha-se cabisbaixo e não conseguia encarar o amigo naquele momento.

- Shaka... — disse Afrodite com o sorriso mais malicioso que conseguia. — Você é um Puto! — concluiu o Pisciano dando uma gargalhada alta depois.

O loiro o encarou raivosamente naquele instante, apesar de ainda ter vontade de rir.

- Você é um Vadio Shaka... — continuou Afrodite. — Da Pior Qualidade diga-se de passagem. — declarou o pisciano ainda entre risos e gargalhos eufóricos.

O Virginiano o encarava com raiva, frieza e indiferença nesse momento, entretanto a reação de Shaka a seus comentários pouco intimidou Afrodite que manteve-se a continuar comentando a atitude do loiro.

- É assim que pretende ganhar a armadura de “Virgem”? — desdenhou o pisciano enfatizando a palavra “Virgem” no comentário. — Shaka querido, certo que você quer quebrar os tabus de Virgem e tal, mais sair chupando o primeiro que aparece pela frente não me parece a melhor maneira de fazer isso não meu bem. — comentou gargalhando ainda mais alto naquele momento. — mesmo que o carinha seja um baita de um gostoso super delicioso como o Aioria, e só por causa disso eu vou deixar passar dessa vez viu fofo, mais da próxima eu não te perdoo seu depravado. — comentou por fim o pisciano, ainda mesclando em seu semblante expressões de promiscuidade e luxúria.

Shaka o encarava inexpressivo, sabia muito bem que quando Afrodite começava, era quase impossível parar, além do mais, de certo modo, mesmo que fosse difícil para o loiro admitir, Afrodite estava certo, a atitude dele mais cedo foi realmente a de um “Puto Vadio”, mais sabia que esse era o caminho para quebrar todos os dogmas que cercavam “Virgem” e assim adquirir a armadura pelos seus próprios meios, que de fato, eram os únicos que importavam pra ele.

O loiro ergue-se do Sofá e encarou o amigo que ainda sorria com cinismo, correspondendo aquele mesmo sorriso com outro ainda mais cínico.

- Pense o que quiser Afrodite, eu não me arrependo... — disse o virginiano com impetuosidade. — Como você mesmo disse, o Aioria é... Gostoso. E ele vai me servir bem nesse meu plano de acabar com toda a minha pureza, santidade e virgindade, que todo mundo pensa que eu tenho, mais enfim... É isso. — comentou com indiferença e segurança. Quando Shaka mostrava-se tão imponente assim, Afrodite já sabia que era para recuar.

Sorriu mais uma vez o pisciano balançando a cabeça negativamente, Shaka de santo só tinha a cara mesmo, pensava o andrógeno.

- Ok Shaka, seja um Puto, a armadura de Virgem vai lhe cair muito bem como uma ironia do destino bem apropriada caso você chegue a ganhá-la. — terminou o de cabelos azuis.

- Não se preocupe com isso meu caro. — disse Shaka indo em direção à cozinha. — A ironia já quebrou tabus antes, e pode quebrar de novo agora. — completou o Virginiano.

O Andrógeno apenas deu com os ombros e o seguiu para a cozinha. Shaka pegou alguns pães de forma e margarina na geladeira e começou a preparar torradas, enquanto que Afrodite apenas observava escorado na pia da cozinha.

- E então Afrodite, mais e você?! Como foi seu dia? E Aonde conheceu o irmão do Aioria? — perguntou Shaka sem tirar a atenção do que fazia.

- Bem... — pensou um pouco para ver se lembrava de todos os detalhes. — conheci o Aioros hoje lá nos campos de rosas, quando ele quase me atropelou com a bicicleta. — comentou o pisciano dando um risinho leve.

Shaka o olhou de rabo de olho por entre os ombros e disse. — Nossa, ele quase te atropelou com a bicicleta?! Ele deve ter gamado em você dite. — comentou com desdém e deboche o loiro.

Afrodite apenas riu.

- Também achei Shaka, não nego, e aquilo tudo de homem afim de mim, menino, e de ser perder as rédeas. — comentou Afrodite de maneira devassa.

Shaka corou levemente e sorriu enquanto balançava a cabeça negativamente, tentar competir com Afrodite em seu próprio jogo era algo impossível para o Virginiano, então achou melhor parar por ali.

- E o que mais?! — perguntou Shaka, mais já temeroso de ouvir a resposta de Afrodite.

- Bem, ele quase me atropelou, e caiu, eu o ajudei, agente se cumprimentou e tal, aí... — fez uma pausa assumindo um semblante um pouco mais triste, fato que não deixou de ser percebido por Shaka. — Aí o Máscara apareceu e começou a falar coisas horríveis para mim na frente do Aioros. — comentou o pisciano com tristeza.

Shaka observava Afrodite por entre os ombros, falar do ex do pisciano nunca era fácil, principalmente porque o tal Máscara possuía uma mania de perseguição com Afrodite, e Shaka sabia disso, além do mais o romance dos dois foi intenso e conturbado, até o dia que Afrodite pode se libertar de seu carrasco.

- Enfim... passou, aí o Aioros que tinha se machucado por cair da bike pra desviar de mim foi comigo até uma cabana próxima pra cuidarmos dos ferimentos dele e lá eu chupei ele. — falou o pisciano sem mais nem menos, o que chamou muito a atenção de Shaka, fazendo o indiano o encarar.

- Como? Você o Chupou? Está mentindo não está? — questionou o loiro com certo temor.

- Claro que não Shaka, eu chupei o Aioros sim, por falar nisso, menino, nem te conto... — dizia Afrodite quando foi interrompido por Shaka. — Chega! Não quero saber. — declarou o indiano.

- Depois eu que sou Puto, chupar um cara que acabou de conhecer. — declarou o virginiano ainda pasmo com a declaração de Afrodite.

O Sueco o encarou feio e disse: — Olha aqui Shaka, pra quem quer quebrar certos “tabus”, você ainda precisa melhorar muito viu, e outra, quem é você pra me acusar, se você é puto do mesmo jeito que eu, porque você também pagou um boquete pra um cara que acabara de conhecer, então não vem da um de Puto Puritano pra cima de mim não, ok?! — disse Afrodite com imponência o que fez o Virginiano abrir levemente a boca e o encarar com surpresa.

Shaka até pensou em rebater, mais se o fizesse estaria perdendo sua razão, e realmente não havia como o loiro rebater as acusações do amigo sendo que o mesmo também havia experimentado de tal ato no mesmo dia.

- Outra Coincidência. — comentou somente o Virginiano.

- Pois é, foi o que eu disse lá fora. Olha, hoje é o dia das Coincidências. — disse Afrodite.

Shaka apenas deu os ombros e levou as torradas para a assadeira, pondo-as organizadamente em cada espaço possível. O indiano sempre fora muito organizado e preciso com suas coisas.

- Ah, tem mais, chegamos atrasados nas aulas da tarde e o Saga nos castigou. — comentou o sueco com certo desinteresse.

Shaka o encarou frio e arqueando uma sobrancelha.

- Se meteu em encrenca e já foi castigado no primeiro dia por causa do namorado novo?! — questionou impassível o virginiano. — Tão típico de você Afrodite, se envolver com meninos “selvagens”. — comentou o loiro com um toque de malícia na voz se permitindo sorrir de leve com isso.

- Ai Shaka, não é culpa dele, e nem minha... — comentou manhoso o pisciano não tendo muita certeza em sua afirmação. — bem, posso dizer que ambos tivemos culpa, e ele não é meu namorado. — enfatizou o de cabelos azuis. — Não ainda. — encerrou com um sorriso e um olhar devasso.

Shaka revirou os olhos e moveu a cabeça em negação a Afrodite com suas constatações, enquanto terminava de organizar os pães e os colocava na assadeira.

- Então vai mesmo investir nele?! — questionou o loiro sem muita emoção.

- É claro que vou! — Exclamou Afrodite. — Será que você é cego Shaka, será que não viu o macho gostosão que ele é?! Ele é muito gostoso, sexy, sensual e... — tentou concluir Afrodite mais foi interrompido pelo indiano.

- Tá, Chega, Entendi. — comentou um virginiano com certa frustração.

- Pois é, e também... — continuou Afrodite de uma forma que foi apaziguando seu tom de voz. — Se de certo entre a gente, eu sei que é cedo, porque eu o conheci hoje, e já aconteceu isso e sei lá, mais se caso der certo... — fez uma pequena pausa deixando o seu olhar o pouco mais profundo e amargurado, o que chamou a atenção do amigo. — Talvez ele possa me fazer esquecer o Máscara. — comentou por fim.

Shaka o encarava com ternura e uma ligeira preocupação, mais preferiu não comentar nada. O Silencio se fez presente no ambiente por alguns segundo até que o estalo da assadeira informando que as torradas estavam prontas quebrou a ausência de som daquele ambiente.

Aioria estava sentado no sofá sem camisa, com o forte corpo a mostra, usava apenas com uma bermuda jeans que ele havia vestido após chegar em casa e se banhado.

Aioros estava na cozinha fazendo torradas, ele também já havia tomado banho, e estava no mesmo estado que Aioria, sem camisa mostrando todos os seus músculos viris e com uma bermuda jeans de tom bege escuro.

O Leonino e o Sagitariano não haviam trocado uma única palavra desde que haviam chegado, Aioria tomou banho e trocou de roupa e logo depois foi Aioros, fizeram isso sem se encararem e sem se querer olharem um na cara do outro.

Aioria mantinha-se concentrado em um programa de humor banal que estava passando na TV enquanto o Irmão continuava a fazer o seu jantar, vez ou outra, observando o mais novo sentado no sofá.

Aioros estudava o irmão tentando achar alguma maneira, alguma brecha, alguma forma de chegar nele, para que só então pudessem conversar sobre o ocorrido da noite passada e colocarem todos os pingos nos “is”.

Observava-o com atenção, cada pequeno gesto, voluntário e involuntário, cada reação, cada bocejo do sono que se aproximava, cada respiração que involuntariamente inflava o peitoral másculo do loiro, observa com atenção, e não podia negar, certo desejo também. Mirava o irmão com uma olhar triste, como se Aioria fosse o mais precioso dos bens que possuía na vida, algo que era dele, só dele, e que não poderia perder jamais, e de fato, Aioria realmente era isso para ele.

Continuou a observar o leonino sem que ele percebesse e sem ao menos se dar conta, o próprio Aioros, perdido na visão tão atrativa que era seu irmão não pode perceber quando começou a passar manteiga na própria mão e em seus dedos em vez de no pão que possuía em mãos.

Aioros então sentiu uma sensação entranha em sua mão e quando olhou se assustou levemente ao ver o quão idiota estava sendo ao não prestar atenção em seu ato e acabar se lambuzando de manteiga.

Foi até a pia e sorriu para si mesmo, era realmente um desastrado, mais logo seu olhar tornou-se triste e melancólico novamente ao lembra-se de o porquê havia sido tão estabanado naquele momento. Sim, Aioria, ele o deixava assim, aéreo, o próprio Aioros mesmo ainda não entendia de onde havia vindo todo aquele sentimento que sentia pelo irmão, apenas sabia que era mais forte do que ele, mais forte do que qualquer coisa, e que não deveria ser combatido, deveria ser vivido, Aioros sabia bem disso, já não amava Aioria apenas como um simples irmão, e a certeza desse sentimento só crescia dentro de si, mais precisava saber se o mais novo também sentia o mesmo.

Aioros terminou com seu pequeno devaneio e voltou a fazer as torradas, ainda observado Aioria, sentado meio esparramado no sofá com a cabeça meio de lado, o sagitariano sorriu naquele instante. Segundos depois Aioria olhou meio que involuntariamente e viu seu irmão o fitar com intensidade e tristeza, os olhares se chocaram, o sentimento veio à tona, um sabia exatamente o que o outro pensava, um sabia exatamente o que o outro sentia e queria, entretanto a força do olhar azul penetrando no verde foi demais. Aioros desviou o olhar do irmão naquele instante e voltou a se concentrar em suas torradas.

A troca de olhares durou apenas poucos segundos, mais foi suficiente pra fazer o coração de ambos disparassem no mesmo instante. Aioria que olhou involuntariamente e de forma inexpressiva, não necessariamente para Aioros, mais para a cozinha em si, agora encarava o irmão, que já não o olhava mais de forma triste e carente. Era com se implorasse que Aioros o fitasse mais uma vez, coisa que o mesmo não o fez.

Aioria se levantou do sofá desligando a TV, andou até a mesa da cozinha e sentou ainda um pouco triste, colocou os braços sobre a mesa e apoio sua cabeça em um deles que permaneceu erguido, observa Aioros explicitamente na esperança de que o irmão o encarasse de volta, e com a secada insistente do leonino, não demorou muito para Aioros encará-lo com um olhar baixo e sério, por debaixo da franja.

Aioria também tornou sua expressão mais séria naquele instante, rebatendo olhar de Aioros de igual para igual. Ambos os irmãos sabiam que precisavam conversar, e que a conversa não seria fácil, mais que se continuassem atrasando isso, seria mais difícil depois. O Leonino esperou o Sagitariano terminar de fazer as torradas e assá-las e logo em seguida, viu o irmão trazer dois pratos, um para ele e outro para si mesmo, servindo as torradas então.

O Jantar ocorreu de forma quieta, em um silencio que já estava se tornando avassalador para ambos os presentes.

- Como foi seu dia? — perguntou Aioros finalmente quebrando o silencio do ambiente, mais ainda assim sem encarar o irmão. Seu olhar era fixo no prato vazio.

- Foi bem... — respondeu Aioria somente, em um tom mais triste quando viu seu irmão não encará-lo para questionar sobre esse assunto. — E o seu? — perguntou entristecendo mais ainda o tom de voz.

- Bem também... — respondeu Aioros somente, ainda sem olhá-lo diretamente, pegando então o seu prato da mesa, juntamente com o dele e levando para a pia.

Voltou rápido e ficou de pé na frente de Aioria, que ainda estava sentado na mesa. O leonino o encarou e viu um olhar sério e questionador que caia sobre si.

Aioros suspirou e esfregando um pouco as mãos uma na outra resolveu começar a conversa. — Aioria... — iniciou ainda pensativo desviando o olhar do irmão. — Sobre o que aconteceu ontem eu... — tentou dizer algo mais foi interrompido.

- Não precisa falar nada. — interrompeu Aioria deixando a franja cair por sobre os olhos impedindo o irmão, que agora sim o encarava de vê-los.

- Acontece que... — tentou mais uma vez retomar a conversar mais foi novamente interrompido.

- Eu já disse que está tudo bem... — disse Aioria novamente, só que em um tom de voz mais grosso e alto. — Não aconteceu nada, está tudo bem, vai ficar tudo bem. — disse o leonino diminuindo o seu tom de voz.

Aioros o olhou ainda mais sério, realmente não estava acreditando naquilo, então seria assim, ele iria fingir que nada aconteceu apenas por conveniência?! Não, não iria aceitar aquilo.

- Acontece que pra mim não esta tudo bem... — disse Aioros aumentando e engrossando o tom de voz. O que vez Aioria encará-lo com certa raiva naquele momento.

A intensidade do olhar mesclava a raiva e a frustração com vários outros sentimentos, que ambos não conseguiam identificar com clareza um no outro.

- E você queria o que Aioros? — perguntou Aioria com a expressão fechada e um olhar de melancolia e descrença. — Que eu te abraçasse, te beijasse e transasse com você?! — questionou cínico e sarcástico o mais novo, mais ainda mantendo um olhar firme e desafiador.

O Mais velho cruzou os braços, seus olhos começavam a arder forte e ele sabia que eram as lágrimas já querendo se formar. — Você é muito hipócrita. — rebateu no mesmo tom de voz de Aioria. O Sagitariano não costumava se exaltar ou promover brigas, sempre fora muito descontraído e pacifista, preferia evitar conflitos, mais também não era do tipo de homem que fugia de um quando esse se fazia presente.

- Hipócrita, eu?! — questionou Aioria com raiva levantando-se da mesa bruscamente e batendo as duas mãos nela com força. — Fui eu que tentei assediar meu próprio irmão?! — perguntou ainda mais sarcástico e raivoso o loiro. A Verdade é que seu coração estava batendo forte e que discutir com Aioros era quase uma morte para o leonino.

Aioros se aproximou um pouco mais e disse com firmeza:

- Não me lembro de você reclamar de nada. — rebateu baixo mais com cinismo, sarcasmo e com a mesma agressividade do irmão trincada nos dentes. — Nem da minha mão amiga no beliche e nem no banheiro. — terminou o olhando com força e veemência, seus olhos já lacrimejavam nessa hora.

Aioria assumiu uma postura imponente nesse momento, olhou sério para Aioros, seus olhos também lacrimejavam, estava se odiando por ter se posto naquela situação com o irmão, mais tinha que concertar as coisas, de alguma maneira, mais tinha.

- Escuta Aioros, eu não sei o que você entendeu com aquela... — tentou pensar em uma palavra adequada mais não a encontrou, então preferiu generalizar as coisas... — Coisa que aconteceu entre agente, mais já passou... — disse ainda mantendo-se imponente e feroz com um leão ante a presença do mais velho. — E não vai rolar de novo, entendeu?! — terminou por fim dando um leve sorriso vitorioso nos lábios.

Cada palavra de Aioria era como uma facada no peito de Aioros, o mais velho sabia de seus sentimentos pelo irmão, sabia exatamente o que era, mas agora estava começando a pensar que o único caminho seria matar esse sentimento, coisa que Aioria estava fazendo com muito prazer naquele momento.

- Ok Aioria, já que quer assim, vamos fingir que nada aconteceu. — disse Aioros sarcástico e magoado. — Vamos fingir que não nos gostamos, fingir que não queremos isso, e fingirmos que podemos ser felizes assim, que tal?! — questionou o Sagitariano com a voz elevada. Os olhos já começavam a se avermelhar do tremendo esforço para não deixar as lágrimas caírem, o lacrimejo nas íris de Aioros se misturava com o verde esmeralda e o vermelho sangue quase pintando uma aquarela de sentimentos e dor. Visão essa quase insuportável para Aioria.

- É... — disse o leonino desviando o olhar com os olhos também lacrimejando. — é isso mesmo, vamos fazer exatamente isso que você disse, só que em vez de fingirmos, vamos esquecer e tornar isso realidade. Será como se nada tivesse acontecido e poderemos viver nossas vidas em paz com quem quisermos. — concluiu Aioria voltando a encarar o irmão.

- Claro, a hipocrisia fala mais alto né?! — Questionou Aioros cruzando os braços. — Me diz Aioria, com quem você pretende ser feliz?! Com quem você pretende ficar ou viver?! Porque até onde eu sei eu sou a única pessoa que você tem na vida, e eu amo você, muito... — disse Aioros gritando enquanto se apoiava na mesa com os dois braços. — Me fala Aioria?! — questionava Aioros indômito com um tom de voz alto e agressivo.

- Eu também amo você Aioros, muito mesmo... — disse Aioria com uma voz mais chorosa. — Mais eu me recuso a acreditar que o Amo dessa forma, não, não posso acreditar nisso, não da noite pro dia, isso não surge assim... — continuou o leonino. — Não quero isso. — terminou por fim com um tom de voz ainda choroso.

- Tudo bem Aioria, eu não estou e nem vou forçar você a nada. — comentou Aioros também entrando com seu timbre de voz e um tom mais melodioso e choroso. — Seja Feliz da maneira que quiser. — finalizou o Sagitariano olhando o chão.

- Serei... Pode apostar, diria até que já sou... — comentou Aioria provocante fazendo o irmão o encara sério.

- O quer dizer com isso? — perguntou Aioros firme e direto.

- Talvez eu já tenha alguém. — disse Aioria ainda mais firme.

O Castanho o encarou sério, sério e profundamente magoado, aquilo só podia ser uma provocação de mau gosto, tinha que ser, não podia acreditar nisso.

- Quem?! — Perguntou Aioros expressando desdém em sua feição.

- Shaka. — comentou somente o leonino, deixando um sorriso aberto em seu rosto.

A Verdade é que Aioria estava sentindo realmente o peso de suas palavras, não queria magoar Aioros, e não queria se magoar por magoar Aioros, mais o estava fazendo, o estava fazendo por medo, medo de perder seu irmão com uma loucura devaneada que considerava ser aquele sentimento. Sabia que precisava daquilo, apesar de seu coração reclamar com batidas cada vez mais dolorosas a cada segundo. Seu peito estava gritando de dor.

- Shaka?! — questionou Aioros incrédulo balançando a cabeça negativamente. — O Cara que conheceu hoje? — perguntou provocante com um leve sorriso de deboche que surgia em seu rosto.

- O Cara que conheci hoje e que já meu deu uma chupada incrível. — disparou Aioria como uma arma essa última afirmação.

Aioros tremeu. Abaixou a cabeça deixando que a franja cobrisse seus olhos, fechou os punhos das mãos com força que tremiam de forma descompassada, sentiu as pernas fracas e o peito doer imensamente. Por alguns instantes acreditou que suas pernas não sustentariam o peso de seu corpo e que ele cairia no chão. Suas pernas também tremiam. Não podia acreditar.

- Esta mentindo. — disse somente em um tom baixo que fez Aioria se arrepender profundamente do que havia dito. O Mais novo percebia a perturbação de Aioros que era visível, e sua vontade de chorar aumentou ainda mais.

- Não Aioros, não é mentira, e eu vou provar. — disse que voz quase em prantos, tamanha era a dor que sentia.

Saiu da cozinha deixando algumas lágrimas escorrem por seu rosto enquanto foi ao quarto, pegou sua cueca ainda suja de seu sêmen e levou para a cozinha.

- Está aqui, veja, a prova, o Shaka me chupou mesmo. — disse com as lágrimas ainda descendo pelo rosto e jogando a cueca em cima da mesa. A Peça de roupa estava realmente suja de sêmen, as manchas brancas eram totalmente reconhecíveis e Aioros deixou-se chorar naquele momento, enquanto seu irmão também chorava.

Ambos deixaram a dor sair de seus olhos em forma de lágrimas naquele momento, e mais um sentimento, em especial em Aioros se mesclava naquele momento: Culpa. Culpa, pois a declaração de Aioria o fez lembrar do ocorrido entre ele e Afrodite naquela mesma tarde, ato esse que se assemelhava ao que o irmão fez.

Aioros apoiou os braços na mesa para que suas pernas não o traíssem e o deixassem cair, as lágrimas pingavam e podia sentir toda a dor que Aioria o infringia naquele momento. Mais se caso o leonino queria mesmo matar o sentimento entre ambos, Aioros também daria a sua contribuição para isso.

Mesmo a contragosto o Sagitariano se permitiu sorrir um pouco, levantou o olhar e encarou Aioria que também derramava lágrimas em sua face.

Os olhos de ambos, agora estavam mais vermelhos que propriamente de seu tom natural, se encaravam sofregamente. Aioros sorriu e se pronunciou ainda em prantos:

- Que Coincidência... O Afrodite também me pagou um boquete bem gostoso hoje — comentou cinicamente fazendo Aioria balançar a cabeça em negação. — Só que diferente do Vadio que fez em você ele soube limpar a sujeira depois. — berrou intensamente pegando a cueca de Aioria na mesa em um ato bruto e arremessando na cara do irmão.

Aioria segurou a cueca com a mão e olhou para Aioros com raiva enquanto trincava seus dentes de frustração. Se fosse qualquer outra pessoa no mundo o leonino já teria esbofeteado e esmurrado até se sentir melhor, mais não era qualquer um, era seu irmão, e com ele, o sentimento era forte demais.

A respiração de ambos estava agitada, as lágrimas escorriam já de forma involuntária, os sentimentos ali já não eram mais claros, dois irmãos, um sentimento, cada um de um lado da mesa, as trocas de olhares quase fatais, um verdadeiro campo de guerra para ver quem venceria: a razão ou a emoção.

- Está mentindo... — disse o leonino em um fio de voz, mais sem mudar sua postura. — Está mentindo... — repetiu. — Está falando isso apenas pra me provocar e não sair por baixo. — comentou o loiro querendo se convencer disso.

- Estou Aioria?! — questionou Aioros chorando ainda mais fortemente. — Estou mesmo?! — questionou mais uma vez de forma provocadora, se permitindo urrar de dor enquanto se apoiava mais uma vez na mesa da cozinha e descia sua cabeça rumo ao chão onde as gotas pingavam incessantes de seus olhos.

Aioria se afastou. Deu vários passos para trás levando suas mãos aos olhos e gritando de dor também, chegou ao sofá e caiu deitado no mesmo chorando alto aos berros. — Tem que estar, você tem que estar mentindo. — disse entre gritos e soluços lacrimosos.

Aioros, por um milagre, sim, ele acreditava que fosse um milagre devido à situação que estava, teve forças para se erguer de onde estava, e a passos lentos, extremamente lentos, caminhou em direção ao corredor que levava ao quarto. Segurando-se nas paredes para não despencar no chão.

- Essa conversa acabou. — disse por fim o castanho enquanto dirigiu-se ao quarto, deixando seu irmão em prantos jogado no sofá da sala.

Continua...

Notas finais
*Perdoem qualquer erro de gramatica, português, digitação e tals, e não tenho um beta e as vezes os erros passam despercebidos.
**Agradecimentos SUPER, MEGA, HIPER Especiais para a Ethernal Saint 23, que recomendou a fanfic, muuuuuito Obrigado minha linda, eu adorei sua recomendação ;D
***Agradecimentos para Ethernal Saint 23 e Misaki Alone que favoritaram a história, muito Obrigado meninas.
****Agradecimentos também para jak_ariana, Stalker, Naruto Potter, Ethernal Saint 23 e Mangalove que me deixaram reviews lindos, muito Obrigado a Todos.
*****E por último e não menos importante eu não faço ideia de quando virá o Capítulo 7, pois ele só será feito após a postagem dos Capítulos 3 e 4 de "Depois Que Te Conheci", minha outra fic, ou seja, vai demorar bastante, mais não se preocupe, eu espero que não demore tanto, Abraços e até a próxima galera o/