Escola Cristano

1 Um dia como qualquer outro!


Pedro e seus velhos hábitos mais uma vez o atrasaram para aula. Suas aulas começam às 07h40min, contudo, na prática, só se iniciavam as 08h00min, levando em conta os atrasos de ônibus. Entretanto, não se atrasara por problemas de transporte, aliás, como poderia? Ora, morava quatro ruas atrás da escola. Não havia defesas, já estava no último ano do ensino médio, todos os conheciam, sabiam que morava perto.

A aula começara, o professor de biologia odiava os atrasos constantes e até exigia pontualidade de alunos que dependiam de ônibus, o que fazia boa parte da turma ter uma antipatia por ele. Não é exagero pensar que muitos desejavam um possível “acidente” acontecesse enquanto ele dirige a caminho da escola.

— Então turma! — Começou o senhor Nicholas. — Vamos começar a aula e gostaria de fazer um pedido.

No mesmo momento a turma já começava a virar os olhos, pois pressentiam o sermão.

— Já avisei “zilhões” de vezes a vocês, eu preciso que cheguem mais cedo. A aula começa oficialmente as 07h30min, no horário que o portão da escola abre. Peço, encarecidamente, a vocês que sejam pontuais nos compromissos, porque nosso tempo é apertado; as 08h30min nossa aula termina. Não estou tendo tempo pra prosseguir como planejado. Só para vocês terem ideia, estamos no terceiro bimestre e nem fechamos citologia ainda!

Parte da turma já estava cansada dos puxões de orelha do professor que no começo ainda tinham saco para debater, contudo, já na metade do ano, cansaram de avisá-lo que dependiam mais do que da sua própria força de vontade. Era já 2 de maio, o ano letivo estava quase na metade.

— Pois bem, vamos à página 121 do livro!

— Finalmente ele parou de falar disso, agora só temos que aguentar mais uns 30 minutos de aula chata – Afirmou Felícia, na quarta fileira da sala 12.

— Droga, Felícia! – Cochichou Suzanne. – Eu não trouxe a merda do livro.

— Foda-se, eu também não.

— Eu deixei alguma atividade na página anterior, correto? — Perguntou o professor Nicholas, enquanto escrevia a data no quadro verde. Quadro este que se encontrara todo sujo e arranhado, parecia uma lousa de trinta anos atrás. Qualquer pessoa pensaria que os quadros já seriam brancos pra serem escritos de caneta piloto. Mas não em Cristano. Algumas semanas atrás a sala foi emprestada para reposição de aula da sexta série. Infelizmente ela não voltou muito bem após uma tarde inteira de aula do fundamental.

Todos haviam ouvido o professor falar da atividade. No mesmo momento, os jovens que se demonstravam abatidos e sonolentos devido aos respectivos transportes e ao horário cedo que tiveram de acordar, tiveram um estopim de atenção. E que setenta porcento da turma respondeu com convicção e assustadoramente sincronizados – NÃO! NÃO DEIXOU NÃO – Pareciam até um coro.

— “Não”? – Surgiu um esboço de riso sarcástico do mesmo, como se tivesse ganhado o dia. — Ora, que manifestação reverberante a de vocês, hein? E eu pensando que a turma estava dormindo; Fiquei orgulhoso com a animação! Tão orgulhoso que vou começar com um novo exercício e quem sabe conversar com o professor da próxima aula para ele ceder o seu horário e adiantarmos o nosso lado, né? Seria maravilhoso, não?

— Filha da puta. – Disse Felícia baixo, mas suficientemente perceptível para as pessoas do lado entenderem. Estava com a cabeça debruçada na mesa, onde um chiclete por pouco não grudou no seu cabelo castanho e mal alisado.

A turma voltou à sonolência do começo, Lucas e Kevin eram os únicos a apresentarem certa animação naquele dia, porém, não para a aula; não paravam de conversar sobre o campeonato de futsal que estava chegando, o treino de hoje parecia animar muito ambos. Os dois conversavam na terceira fileira, onde estavam no fundo da sala. Lucas logo atrás de Kevin. Lucas é um garoto de cabelo curtinho, no estilo máquina zero dos lados e atrás, nariz pontudo e pele amarelada. Kevin um garoto moreno, de cabelos castanho escuros e levemente ondulados, de tamanho médio.

— Acho que esse vai ser o melhor campeonato dos últimos anos! — Afirmou Lucas com um sorriso no rosto.

— Nem me diga! Estou animado pra ver todas as partidas! – Disse Kevin.

— Ver as partidas?

— Então cara, eu estou muito atarefado com os cursos que estou fazendo e vem chegando o ENEM, e... — Simultaneamente, as expressões de Lucas demonstravam desaprovação e desapontamento. – Que foi, mano? — Perguntou Kevin com uma expressão de quem já sabia mais ou menos o porquê da indignação.

— Estamos no último ano, que tal fazermos dele o melhor, hã?

— Eu sei. – Continuou Kevin. – Não estou questionando isso, mas tenho que estudar bastante e não vou poder me dedicar aos treinos. Tu sabe que fica louco pra vencer os jogos, eu não vou ter essa disposição. Além do mais, meu pai vai me matar se eu gastar o dinheiro do pré-vestibular à toa.

— Você já estudou muito! – Afirmou Lucas, agora olhando pra cima e logo após pra baixo, em direção ao relógio preto no pulso esquerdo, como se pensasse em algo plausível e persuasivo. – Você pode estudar e treinar, cara! Dá pra conciliar, não precisa se dedicar tanto pro treino, vai de vez em quando. Já tá garantindo no time titular!

— Ahh... — Ele olhou pros lados, estava confuso. — Eu não sei não...

— Já sei! — Lucas parecia agora desesperado para convencê-lo a participar de atividades fora da escola, não queria passar o último ano com seu melhor amigo debruçado em apostilas sem sair de casa para um rolê. — Que tal umas festas? Umas garotas? Vai ser divertido depois dos jogos! Sem essa palhaçada de estudar feito um louco... Vamos aproveitar! É o jeito de terminamos o terceiro ano com chave de ouro.

— Ah é? – Kevin Perguntou com um tom de desafio, se aproximando mais do rosto de Lucas. — Vou te dar uma dica valiosa para terminar o ano com “chave de ouro”: Se forme e entre na faculdade! Agora deixa eu copiar, antes que o Nicholas encha o meu saco.

— Cacete, você é escroto mesmo! – Prosseguiu Lucas – Ô idiota, eu também preciso passar no vestibular e ando estudando bastante, só que eu quero também me divertir! Qual é? Não vai aproveitar o seu último ano aqui? Temos uma festa de final de ano que vai ser foda, o que acha de nos prepararmos e aproveitar? Imagina se tu não passa? Vai ficar com cara de bunda por um ano, pelo menos que tenha valido algo, não?

— Olha... Eu quero aproveitar sim, mas também gostaria de adiantar a minha vida! Quero passar o mais rápido possível para faculdade.

— Você parece nunca pegar o espírito da coisa! — Afirmou Lucas.

— Eu acho que é você que não pegou bem o espírito da coisa, eu preciso sair dessa merda de ensino médio logo, até porqu... – Nesse momento, houve um silêncio e o rosto de Lucas era de espanto, como se tivesse visto um fantasma; O que fez Kevin ter uma expressão de inépcia, até perceber que tinha alguém perto dele, em pé, atrás dele, batendo fortemente e repetidas vezes o pé. Virou seus olhos e pescoço lentamente, tremendo, já imaginara quem era. Deu de frente com o professor com aquele óculos gigantes e redondos, fundo de garrafa, cabelo escuro e o rosto cheio de rugas.

Nicholas estava com os braços cruzados, com um giz na mão esquerda e os óculos quase descendo do seu nariz pontudo e oleoso ao chão.

— Ah, então você quer entrar na faculdade, rapaz? — O ponderou com certo ar de ironia. — Então, sugiro que preste atenção na minha aula, pois, biologia cai nos vestibulares. Acho que você deveria saber disso, não? Vou lhe dar uma dica crucial para passar no vestibular: vire-se e pare de conversar, preste atenção na minha aula! – Vociferou com veemência no final da frase.

Parte da sala estava olhando quieta, enquanto os outros começaram a rir do pequeno esporro que Kevin acabara de levar. As fileiras um e dois não paravam de dar risadinhas comedidas. Luiza, Melanie e Suzane riram displicentemente, mas com as mãos na boca para abafar o barulho. Elas não eram as únicas, o próprio Lucas não parava de rir, só que explicitamente.

— É, professor! — Lucas cruzou os braços — Eu já avisei a ele pra cair nos estudos, mas continua flauteando por aí! — Nessa hora, Kevin ficou com os olhos ardendo de raiva, acabara de ser chamado atenção por causa de algo dito pelo seu amigo. Nicholas voltara à frente da sala, ignorando completamente Lucas; Foi andando e olhando para todos os lados, fazendo sinal de silêncio pelas conversas e risos paralelos a sua aula.

— É engraçado pra caralho, hein? — Questionou Kevin com olhar de indiferença, enquanto Lucas ria de forma displicente atrás dele.

Fora da escola, havia um garoto de cabelos cacheados e levemente castanhos, era de estatura baixa. Estava batendo no portão, implorando para entrar. Isso até uma boa alma abrir o portão azul que rangia como se nenhum óleo o visitasse desde o século XVII. O porteiro abriu e o fez uma pergunta antes mesmo do garoto suspirar para falar.

— Escute, jovem! — E então o fitou com um olhar de incompreensão e continuou-, você tem ideia de que horas são? — O garoto atrasado era Pedro, todo suado, sem ter escovado o dente e com o cabelo bagunçado, totalmente engordurado.

— Desculpa mesmo, Francisco! — E fez um gesto religioso que representava uma súplica — Por favor, eu acabei perdendo a hora, estava demorando a dormir ontem, e então resolvi assistir um pouco de televisão para ver se o sono chegava. Tipo, estava passando a final da libertadores da América — Pedro resolveu fazer uma observação — Embora, eu não seja fã de nenhum dos dois times que estava na final!

O porteiro parecia desconexo ao mundo naquele momento, demonstrando total desinteresse pela explicação. — O jogo foi pros pênaltis; nos pênaltis os jogadores pareciam não ter comido feijão: Pelo menos três bolas isoladas, acho até se eu fosse a bola ficaria triste, quero dizer, meio isolada — (piada bosta); – Só que então, o jogo terminou e já era cerca de uma hora, pensei: “me fodi, tenho aula amanhã cedo, vou tomar um tranquilizante”; Eu pensei que era calmante natural, mas nãaao; minha mãe tinha que trocar as embalagens. Senhor, eu vou te contar, ela vive mexendo no meu quarto, inclusive achou uma camisinha, da qual nem é minha e aí...

O porteiro não aguentava tanta chatice, estava já a ponto de estrangular o menino. — ENTENDI VOCÊ PERDEU A HORA, É? ENTÃO ENTRA LOGO E FICA QUIETO ANTES QUE VOCÊ PERCA MAIS DO QUE O HORÁRIO!

Pedro ficara assustado e não pensou duas vezes, correu mais e mais pelo pátio até os corredores. Foi então para o corredor B, na sala 12, onde a aula já tinha começado. Esbarrou em tantos jovens durante a passagem que provocara palavrões do começo ao fim do percurso. Correu como nunca antes em sua vida. Viu a sala fechada, mas entrou com tudo! Inclusive, derrubando a maçaneta folgada(Outra coisa que os alunos do fundamental quebraram). Apareceu sem ao menos bater na porta e no mesmo momento gritou: “CHEGUEI!”. — Tão alto que se tivesse um cardíaco, a hora de infartar e empacotar no caixão era essa. Após o fato, colocou as mãos nos joelhos e começou a respirar ofegante tal qual tivesse apostado corrida com um carro. Dada as circunstancias e o olhar do professor, o único que pode empacotar agora é o próprio Pedro.

— Você tem ideia de que horas são, senhor Pedro? — Ninguém mais na sala estava rindo, todos estavam assustados. Pois, a cara do senhor Nicholas não ficava tão vermelha de raiva desde que os alunos mataram a aula dele, no segundo ano, para ver as esbeltas alunas da faculdade, pertencentes ao time de futebol feminino número um da Universidade Federal Brasiliense. — Você tem algum motivo pra chegar a ESSA HORA?

— Professor, desculpa! — Ainda ofegante, mas mais lúcido do que antes, levou às mãos a cabeça para secar o suor, e com o fôlego recuperado, começou a explicar ao professor: — Então, eu estava sem sono ontem, resolvi começar a ver um jogo de futebol, mas então percebi que era final da libertadores e pensei “ora, porra! Da pra assistir um “futebol arte” e depois pegar no sono!”. Mas o jogo estava demorando muito, fui pegar o remédio para emendar, já que ia pros pênaltis, mas minha mãe trocou as embalagens dos remédios e acabei pegando um tarja preta do cacete. Eu já disse a ela para não fazer isso, inclusive achou uma camisinha, que não é minha, é bom deixar bem claro isso! Eu não sou de fazer bolinhas, isso é errado, sou religioso, evito pensar nessas coisas...

A cada frase que saía da boca de Pedro, o medo da turma se converteu em risos e mais risos, no momento então que ele falou “Eu não sou de fazer bolinha”, parte da turma quase caíra no chão de tanto rir. Além do mais, o rosto que Nicholas fazia, durante a explicação, era impagável.

O próprio Stanley, que ficava sempre concentrado nas anotações do quadro, começou a rir tampando a boca. Mas o professor estava prestes a explodir...

— Não me importa o que você estava fazendo ou o que você estava assistindo, o que importa é que você está... – Pedro o interrompeu!

— Mas, se não importa, por que perguntou? — A pergunta foi feita de maneira inocente.

Nesse momento, boa parte da sala percebera que o professor se sentiu ofendido com a pergunta de Pedro, embora não fosse o intuito de desafiá-lo. Foi feita de maneira inocente, pelo menos na cabeça dele. Ao perceber que Nicholas estava prestes a jogar Pedro numa lata de lixo, a turma entrou em absoluto silêncio, enquanto encarava o rosto avermelhado do professor, que estava começando a ficar roxo de raiva. Os óculos tortos e inclinados, pareciam ser feitos para o Nestor Cerveró.

— Você entra atrasado na minha aula, não bate na porta para perguntar se pode entrar, aparece como se tivesse corrido daqui a Salvador e ainda por cima me responde assim? — Perguntou o professor, respirando bem fundo. Pedro olhara para o rosto dele, porém, não entendia a indignação do mesmo. O Nicholas, com seu nariz absurdamente grande e pontudo como um personagem de “Phineas e Ferb”, suava quase até as narinas.

— Nã..não foi meu objetivo te questionar professor, é que... – Nicholas não quis nem ouvir. Interrompeu no mesmo instante. — Eu não quero saber da sua explicação! Você está atrasado e não irá assistir a minha aula. — Felícia começou a conversar com Suzanne, em tom bem baixo para ninguém ouvir.

— Queria eu, poder não assistir essa aula. Pedro deveria estar dando graças aos céus! — Suzanne acabara rindo do comentário, mas, no mesmo instante, Pedro estava tomando um sermão bem veemente de Nicholas, que a turma começou a achar bem desproporcional.

— Ok, Ok, professor! Estou indo, relaxa. – Ele saiu e quase escorregou na divisão entre a saída e a entrada da porta, onde a maçaneta caiu.

Nicholas olhou para todos com um olhar fixante e disse – A próxima risadinha irá desencadear uma suspensão ao aluno em questão, ouviram? – Disse agora um pouco mais sereno e tranquilo, porém, por dentro o professor queria destruir tanto Pedro como os alunos que começaram a rir. Enquanto o professor estava se preparando para continuar a aula, ele resolveu tomar um copo de água, para acalmar os nervos; no entanto, nesse meio tempo a aula estava passando e quando o professor se recompôs, o sinal tocou, levando ao alívio de inúmeros alunos.

Em menos de um minuto, a sala já estava vazia, indo alguns ao pátio e outros para o banheiro do corredor b; Eles ouviram o sinal e saíram sem nem ouvir algum adendo do biólogo. Kelly e Celina se dirigiram ao banheiro feminino. Quando entraram, Felícia correu para um dos sanitários como um furacão, parecia que estava prestes a ter um desarranjo intestinal. Kelly estava olhando no espelho, passando um batom que tinha comprado na semana passada, em uma loja dentro de um shopping qualquer.

Decididamente, o banheiro feminino era muito mais arrumado que o dos garotos. Os azulejos eram claros, sem nenhuma pichação ou rasura. Os vasos eram limpos, embora boa parte deles quando alguém sentava, se inclinava como se estivesse prestes a fazer "drift". Embora ainda mais ajeitado, infelizmente nem o banheiro feminino tinha papel higiênico. Para o governo estadual, alguns gastos deviam ser cortados, dentre eles de manutenção dos banheiros. Imagina-se que alunos vão à escola apenas para estudar e já vem de suas casas em equilíbrio com suas necessidades fisiológicas. Para que então manutenção sanitária, ou melhor, por quê papel higiênico? Não é qualquer sanitário que nos faz imaginar ao sentar nele que está em um carro do Mario Kart fazendo "drift".

— Por que está se arrumando tanto hein? – Perguntou Celina com curiosidade, enquanto tirara os óculos e ajeitara a franja.

— Umas coisas que irei fazer por aí... – E deu uma risada maliciosa para Celina.

— Opa! Eu não sabia que você fazia esses serviços! — Disse ela com um ar de impressionada.

— Uou, do que você tá falando o doida!?

— Tipo, eu sei que estamos num momento crítico no Brasil, precisamos arranjar dinheiro, contanto que seja honesto está valendo.

— Celina! – Deu um grito Kelly, porém, Celina continuara com sua linha de raciocínio.

— Tipo, eu entendo que tem muitas maneiras de ganhar dinheiro, mas acho meio perigoso, sabe? Vai que alguém não te paga e de repente, te atropelam, sabe? Acontece naqueles jogos que meu irmão mais novo joga.

— Menina! — Deu um susto em Celina. — O que você acha que eu estou fazendo? Estou só me aprontando, porque vou sair com meu namorado hoje, eu hein.

Celina aliviou-se, colocou até a mão no peito e disse: “Ufa, fiquei com medo agora!”; E como conseguinte Kelly deu uma risadinha e disse: “ai, eu mereço você mesmo hein?”. — Celina retribuiu com um sorriso igualmente espontâneo, era mais explícito devido aos seu aparelho verde. Celina tinha uma pele levemente avermelhada, por causa de algumas espinhas na testa, usava uma franja ao lado direito para tampar. Seus cabelos eram naturalmente lisos e castanhos, entretanto, ela insistia em passar um creme que parecia gel, ficava parecendo Lety, a feia. Seus olhos pequenos, iguais as de alguém com grandes problemas de hipermetropia, seu nariz era pequeninho, e sua e bochecha muito bonitas.

De repente, as duas começaram a notar um barulho estranho saindo de um dos sanitários; não era barulhos de problemas estomacais, como elas imaginaram que seria devido ao modo como ela entrou no banheiro; Na verdade era um barulho muito semelhante a quando uma pessoa está gripada, puxando um som nasal de entupimento nas narinas. Suzane entrara no banheiro, olhou rapidamente pras garotas com preocupação e encarou o sanitário onde Felícia estava.

— O que foi? – Ponderou Kelly rapidamente após encará-la.

— Nada não. — Kelly levantou as sobrancelhas, demonstrando certa dúvida da resposta de Suzanne, mas depois demonstrou indiferença, como é de seu costume.

— Felícia, quer que eu pegue xarope pra ti? – Perguntou Suzanne.

— Não, obrigada! Não estou tão mal assim, tenho um na mochila. – Respondeu Felícia um pouco rouca. Suzanne saiu após isso.

Kelly olhou para Celina — Vou ver se deixei o lápis de olho na mochila.

— EI! Espera um segundo... – Disse Celina. Kelly respondeu rindo — Estou esperando... na sala! Só não sai correndo como Pedro, vai que tem um senhor Nicholas pelos corredores!

Notas finais
Obrigado pela leitura! Um abraço e boa madrugada.