Esclarecendo os Sentimentos

3 Capítulo 3 - Watashi no Maid-sama


Notas iniciais
O título significa 'minha empregada', basicamente. Bom, esse é o capítulo final, eu confesso que chorei em uma parte dele enquanto escrevia, e espero que seja do agrado de todos.

Misaki se trocou rapidamente no banheiro, porém dessa vez lembrou de algumas coisas que havia escutado durante muito tempo. Todos diziam que ela devia se vestir mais adequadamente como uma garota, e ela sempre encarou aquilo como uma bobagem. Mas dessa vez, parecia uma questão de bom senso. Por que ela queria se arrumar para ir encontrar o Usui? Essa pergunta estava a martelar a cabeça dela, mas ela não pensou duas vezes: ainda no Maid Latte!, procurou por Aoi. Não demorou muito para encontrá-lo, vestido em seus vestidos e usando suas perucas de sempre. Meio ofegante por ter corrido para procurá-lo, Misaki dizia pausadamente:

-Aoi-chan... – respirava profundamente antes de encarar o menino.

-O que você quer? – dizia de uma forma ranzinza como sempre o menino.

-Eu... eu preciso que me ajude a me vestir como uma garota! – a presidente corava nesse instante, por ter que recorrer a Aoi para pedir aquilo.

Após uma sonora risada, Aoi encarou por um tempo a presidente enquanto a analisava.

-Humm... e o que exatamente você pretende usar? – disse em um tom já mais centrado, enquanto puxava Misaki pelo braço até o lugar aonde deixava as roupas – Aqui, olhe o guarda-roupa.

Quando Aoi abria o guarda-roupa, só haviam vestidos e roupas que Misaki jamais usaria para a ocasião na qual estava. Então, ela suspirou profundamente e optou apenas por manter seu figurino daquele dia: uma camiseta pouco decotada, um moletom vermelho com capuz e uma calça jeans, com um tênis meio desgastado. Ao ver que a garota parecia não gostar das opções, Aoi emburrava o rosto.

-Qual é? Não vai escolher logo? Pelo menos pegue um sapato melhorzinho! – apontava para a área do guarda-roupa aonde haviam os sapatos.

Misaki tinha que se abaixar para poder ver os sapatos com mais clareza. Acabou optando por um sapato de salto um pouco mais alto, preto, mas que combinava até com sua roupa por não ser tão formal e nem tão chamativo.

-Vai ser esse mesmo!! – após escolher, Misaki pegava o par de sapatos e tirava os tênis, e com certa dificuldade colocava os sapatos, após receber ajuda de Aoi – Agora eu vou ind-

-Espere aí! – Aoi a segurava pelo braço e apontava para uma penteadeira – Já que está tão interessada em impressionar, vá pelo menos se maquiar.

Misaki desviava o olhar e suspirava, mas não tinha escolha: ela realmente queria se arrumar dessa vez, então caminhou, um pouco relutante, até a cadeira da penteadeira aonde se sentou.

-Eu não sei fazer isso, Aoi-chan... – olhou para todos aqueles tipos de maquiagem com uma gota enorme na cabeça, e uma expressão de desentendimento.

-Ai, ai... francamente, que tipo de garota você é? – disse Aoi, emburrado como sempre, enquanto tomou partido das maquiagens – Bom, vamos começar com essa base... depois, uma sombra e um batom, deve ser o suficiente. – assim como disse, Aoi foi fazendo passo a passo a maquiagem.

Misaki as vezes fechava os olhos e até fazia uma expressão de desconforto: não estava acostumada a todas aquelas ‘frescuras de garotas’ (e de garotos também) por todo o rosto. Mas aos poucos, foi mantendo os olhos abertos e notando como a aparência havia realmente melhorado. A sombra realçada com o batom vermelho que não era muito destacado, para não ser vulgar, e a pele que tinha uma aparência melhor devido a base. Para terminar, Aoi penteava um pouco os cabelos de Misaki, para que não ficassem tão rebeldes.

-Pronto... é o máximo que consigo fazer! – disse o menino, suspirando profundamente.

Com um sorriso, Misaki se levantou aos poucos da cadeira e selou a bochecha do garoto com os lábios.

-Obrigada Aoi! Agora preciso ir! – disse ela, tentando começar a correr porém quase tropeçando devido ao salto.

Um pouco corado pelo beijo, Aoi fazia uma expressão de raivoso enquanto apontava para os pés dela.

-Tome cuidado com esse salto! Francamente... – Aoi cruzava os braços e olhava para o lado.

Misaki apenas riu da reação dele e acenou positivamente com a cabeça, passando a ir mais lentamente em direção a saída de trás do Maid Latte!. Antes, pegou um bolo que havia feito enquanto estava na cozinha, sem atender ninguém, especialmente para Usui, e colocou na bolsa. Apesar de estar apressada, não tinha escolha a não ser caminhar em um ritmo normal e um pouco desajeitado no começo. Mas, enquanto se afastava do estabelecimento e pisava nas calçadas, começava aos poucos a se acostumar com os saltos dos sapatos. Olhava no relógio e em seguida olhava ao redor: já havia escurecido. Misaki estava ansiosa, tremia um pouco de nervosismo e tentava não deixar isso transparecer para as pessoas que olhavam. Ela sabia aonde era o apartamento de Usui e era pra lá que estava indo. Por coincidência, no caminho, ela passava por aquele parque aonde encontrou ele no dia anterior. Muitas lembranças lhe vieram a cabeça. Inclusive o beijo... aquele beijo! As coisas poderiam ter sido diferentes se ela não fosse tão teimosa. Mas mesmo assim, agora ela sorria ao invés de se manter triste. Afinal, estava a caminho dele. Mas, enquanto pensava sobre aquela situação, quase desligada do mundo, foi ‘acordada’ por um grito infantil vindo de uma criança que estava no parque. Parecia que havia se machucado após cair do balanço. Misaki não podia deixar ela lá, sozinha, até porque não tinha ninguém no lugar para ajudá-lo. Então, após olhar em volta por um tempo, caminhou com certa urgência até o garoto e se abaixou um pouco, pegando da bolsa seu estojinho de primeiros socorros que sempre carrega.

-Calma... vou dar um jeito nesse arranhão no seu joelho, tá bom? – Misaki conversava com o menino, tentando acalmá-lo enquanto pegava uma gaze com um anti-inflamatório para poder limpar o joelho dele na região aonde faria o curativo.

-Ai... – o menino fechava com força os olhos por estar ardendo um pouco, mas logo via que a ardência havia passado e que no local do joelho só havia um curativo, delicadamente arrumado.

-Prontinho! – disse Misaki com um sorriso contagiante, que fez o garoto sorrir também e acenar positivamente com a cabeça.

-Obrigado, moça! – sorrindo assim como Misaki, o menino se levantou e acenou para ela, começando a correr para sua casa.

Misaki ficou a observar o garoto que logo sumia de sua vista, e então aos poucos foi se levantando e juntando suas coisas. Colocou o estojo novamente em sua bolsa, e depois colocou-a no ombro direito, se preparando para voltar a sua rota de antes. Mas, quando se virou para voltar a calçada, se viu cercada por pelo menos 3 homens, que mais pareciam vultos, vestiam tudo preto, inclusive uma touca que só deixava a mostra seus olhos, cheios de intensões assassinas e maldosas.

-Olha só o que temos aqui... vamos garota, passe essa bolsa já para cá!

Misaki dava alguns passos para trás, um pouco assustada com a repentina abordagem. Mas, logo ela entrou em posição de batalha, afinal ela sempre dava um jeito quando tentavam assaltá-la ou algo assim, usando suas técnicas avançadas de Aikido.

-Não vou passar nada! – após dizer aquilo de forma meio imperativa, Misaki avançada contra o primeiro deles, e conseguia derrubá-lo com um chute. Porém, quando foi tentar atingir o segundo, acabou tropeçando devido ao salto alto que se quebrara ao atingir o primeiro, e por isso caía no chão de joelhos, com as mãos se apoiando no chão.

-Hahaha! Olha só que piada... ela mal consegue ficar em pé! – disse um dos bandidos, enquanto ria sadicamente. Em seguida, dava um chute na lateral do corpo de Misaki, que fazia a garota voar alguns centímetros e ficar próxima a um banco, e com a dor que sentiu no braço, ela acabava por fechar os olhos e morder o lábio inferior. Esperava que o pior acontecesse. Apenas viu entre os olhos entreabertos os vultos se aproximando aos poucos, e então protegeu o rosto com os braços, fechando os olhos em seguida. Não conseguia ver mais nada, e se segurava para não começar a chorar.

-Agora vamos lá, entregue logo a bolsa... – aos poucos o assaltante aproximava uma das pesadas mãos de Misaki.

-N-Não... eu não posso... – logo Misaki se lembrava do bolo que estava dentro da bolsa, e que ele não podia ser entregue a outra pessoa, de jeito nenhum. Ela apenas forçou a cabeça contra os braços, fechando também os olhos por completo agora. Estava a mercê da própria sorte.

-Então, vamos ter que arrancá-la a força... – com um riso realmente maldoso, o assaltante ergueu uma das pernas, provavelmente para tentar pisar em Misaki.

A presidente logo pensou que aquele seria o fim dela. Eles a pegariam, com certeza, e fariam coisas horríveis. Alguns barulhos ecoaram das plantas atrás do banco, e um certo tremor no mesmo deu a impressão de que alguém pulou o encosto e tomou a frente dela. Nesse instante, os assaltantes pareciam assustados ao se perguntarem: ‘Quem é esse cara?’. Misaki não ousou tirar os braços da frente do rosto, apenas continuou com os olhos bem fechados e torcendo para que a nova pessoa fosse alguém que estava do lado dela.

-Pegue ele! – o assaltante que havia sido derrubado por Misaki se levantava e apontava na direção do rapaz, e todos corriam em uma investida.

Com um sorriso irônico no rosto, o garoto desviou das investidas dos três e derrubou um por um, acertando em pontos vitais do corpo de cada um deles com as mãos e os braços, locais que fizeram com que os três desmaiassem. Após segurar os braços deles e arrastá-los para um outro banco, afastado, o garoto voltou até Misaki, e se abaixou em frente a ela, ainda sorrindo.

-O que faz por aqui a essa hora... Ayuzawa? – disse com uma voz quente, acolhedora, que fez Misaki na mesma hora reconhecer de quem era tal voz.

-U... – após retirar os braços da frente do rosto e abrir os olhos lentamente, enxergou Usui a sua frente, sorrindo para ela. Seus olhos se arregalaram. – Usui... U... sui... – sem pensar duas vezes, a garota envolveu o pescoço do loiro com os braços e encostou o rosto contra o peito dele, e então ficou roçando o rosto de um lado para o outro contra a camisa de Usui, se segurando para não despejar lágrimas.

-Misaki, vamos sair daqui... logo a polícia vai chegar. – o rapaz correspondia ao abraço, envolvendo a menina com os braços. Esta apertava a camisa dele, enquanto agora apenas repousava o rosto, se aconchegando contra o pescoço dele.

-Certo Usui... vamos... – com uma voz um pouco manhosa, mas mais aliviada, Misaki recuava o rosto corado aos poucos, mas quando tentava se levantar, após se soltar de Usui, quase caía, mas se apoiava com as mãos nos ombros dele. – Ah... minha perna direita... – por ter se apoiado em Usui, que estava de frente para o banco, ela pode ir para trás um pouco com o corpo e se sentar no banco.

Após colocar a bolsa de Misaki nos ombros, Usui virava de costas para ela e segurava as pernas da mesma, se mantendo abaixado.

-Suba, Ayuzawa! – dizia enquanto olhava para ela e sorria de forma convidativa.

Misaki, sem outra opção, se apoiou nas costas de Usui e envolveu o pescoço do rapaz com os braços. Um pouco abalada, ao mesmo tempo que feliz por estar com Usui, ela deitou a cabeça no ombro direito do rapaz e foi pegando no sono aos poucos. Usui, ao ver que ela havia pego no sono, começou a caminhar para o apartamento, não demorando muito para chegar lá por estar perto. Então, subia até o andar de seu apartamento pelo elevador, e ao chegar lá, abria a porta após soltar uma das pernas de Misaki – a que não estava machucada. Após abrir a porta, tornava a segurar a perna dela para não acordá-la e fechava a porta com os pés, e após isso caminhava até a sala que ficava logo na entrada, aonde deitava Misaki no sofá. Um certo tempo se passou, algo em torno de uma hora, e então a garota começava a acordar aos poucos, projetando o corpo pra frente lentamente de forma que ficasse sentada no sofá. Levava uma das mãos a cabeça e olhava em volta, reconhecendo o lugar aonde estava por ter ido uma vez lá.

-Usui...? – sussurrava para si mesmo o nome dele enquanto o procurava por cada canto do local aonde seus olhos atingiam.

Enquanto observava o apartamento, Misaki podia ver Usui saindo de uma das portas, aonde ficava a cozinha. Após se apoiar no vão da porta com o corpo, e ficar admirando Misaki, Usui apenas sorria.

-Já acordou, Presidente? – perguntou o loiro enquanto encarava-a.

-S-Sim... – como sempre acontecia, Misaki desviava um pouco seu olhar para o lado. Afinal, Usui a havia salvo como sempre, e ela acabava ficando constrangida quando isso acontecia, e dessa vez não era diferente – Obrigada, Usui... por me salvar...

-Oh, isso... – com a voz irônico de sempre, e acenando com a mão, Usui começava a rir – Não foi nada, presidente... desde que cuide de mim com sua roupa de empregada por um dia... – com um tom meio sarcástico na voz, Usui continuou a encarar ela.

-Usui, seu pervertido idiota! – exclamava a presidente, um pouco irritada, como sempre acontecia quando Usui dizia algo daquele tipo. Porém, dessa vez ela se levantava com dificuldade, dando passos lentos em direção a Usui, que arregalava os olhos mas se mantinha no lugar. Após alguns segundos, Misaki chegava até Usui e segurava a camisa dele com os braços, se projetando sobre o corpo dele, enquanto o fitava no rosto. Sem pensar duas vezes, ela o beijava. Dessa vez, era os olhos de Usui que se arregalavam um pouco com aquela ação inesperada dela. Porém, o garoto a abraçava acolhedoramente, e fechava os olhos aos poucos, retribuindo o beijo apaixonado. O toque das línguas de ambos se dava entre um pequeno espaço aberto entre os lábios, a suavidade do momento, o toque delicado das línguas, que mantinham o momento apaixonado. Após alguns segundos ostentando o beijo, ambos recuaram o rosto após destocarem os lábios, e abriram os olhos aos poucos, entreolhando-se em seguida. Mas, logo Misaki abaixava o rosto e começava a sussurrar em um tom audível, para ele. – Usui eu... eu cuidarei de você todos os dias... desculpe por ser tão boba todo esse tempo que passou... eu... eu...

A garota logo foi interrompida pelo garoto, que tocou o rosto dela com uma das mãos e elevou o rosto dela, tornando a fitá-la nos olhos enquanto delicadamente movia os dedos para acariciar o rosto dela. Sorria, quase que sem acreditar no que acontecia, mas mantinha o olhar na garota, que tornava a falar aos poucos.

-Usui eu... te amo... – aos poucos ela foi subindo as mãos, roçando pelo peito dele até tocar no pescoço e nuca do mesmo, só então envolvendo a região com os braços.

-Ayuzawa... – ainda um pouco arrepiado com aquilo, Usui sorria gentilmente para a presidente – Eu te amo também... e mesmo você sendo boba esse tempo todo, meu amor só cresceu... – desviou o olhar um pouco e fez uma expressão engraçada, como um deboche – Claro que o fato de você me servir todos os dias ajuda esse amor a crescer... – ao voltar o olhar para Misaki, percebeu que a mesma o encarava com um olhar assassino e raivoso, que fazia o garoto rir um pouco, e segurar uma das mãos dela, dando alguns passos para frente e levando-a consigo, até deitá-la no sofá e se deitar sobre o corpo dela, agora abraçando-a com carinho – Quero você pra sempre comigo... Watashi no Maid-sama... (minha empregada) – após sorrir gentilmente e receber um olhar de aprovação de Misaki, Usui tornou a selar os lábios de ambos, agora em um beijo quente e apaixonado, que se intensificava aos poucos, e só acabava alguns segundos depois, quando Misaki tocava o rosto de Usui com as duas mãos e afastava um pouco o rosto dele.

-Eu também quero você... para sempre, Usui! – com o rosto completamente corado, a garota fitava o rapaz com um sorriso convidativo, assim como o dele.

Após trocarem olhares apaixonados por mais alguns segundos, os dois mais uma vez colaram os lábios, selando-os entre si com pressão e carinho diversas vezes. Aquele era apenas o começo da relação do garoto popular com a presidente empregada, que aos poucos se viu presa ao loiro. E lá estava ela, apertando o garoto em um abraço enquanto o beijava. E assim, o amor da empregada ia se intensificando aos poucos, sem previsão de demissão.

Notas finais
Bom, aqui está, o final dessa fic. Eu espero que tenham gostado assim como eu! Eu adorei muito escrever essa história, Usui e Misaki são um casal muito lindo, eu chorei em certas partes enquanto relia a história, espero causar emoções parecidas em todos vocês. Muito obrigado a todos vocês que acompanharam até aqui! Não deixem de comentar, e de dar sugestões, afinal seus comentários e dicas são a maior recompensa para um escritor iniciante como eu. Um grande abraço!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!