Escarlate
1 Único
Notas iniciais
Essa one foi feita também para o desafio do FNS (quem não conhece, é um grupo super amorzinho, cujo link está nas notas finais).
A música escolhia foi "Dama de vermelho".
Espero que gostem.
Garçom, olhe pelo espelho
A dama de vermelho que vai se levantar
Ainda não sabia o que fazia naquele lugar, mas não conseguia deixar de ir ali um final de semana após o outro. Apesar da bebida de má qualidade, das músicas irritante e dos frequentadores de índole duvidosa. Ele se dirigia aquele local no mesmo horário, porque sabia que ela estaria lá.
Apenas para vê-la. Tal como fazia agora.
E agora ela dançava. Com o justo vestido vermelho que em tantas outras noites o havia enlouquecido.
Seu cabelo escarlate era iluminado pelas luzes multicoloridas da boate, enquanto ela movia-se de forma despudorada entre tantas outras pessoas, fazendo-a se destacar. Ela girava e rebolava, subia e descia ao som daquela horrível música sem sentido, enquanto ele apenas a observava.
Podia vê-la sorrir, colando seu corpo ao de outro alguém. Permitir-se ser tocada por completos desconhecidos, enquanto fechava seus olhos perdendo-se nas sensações de seu corpo.
Seus dedos se apertaram com força em torno do copo gelado, fazendo-o balançar bruscamente derrubando parte de sua bebida.
Eram poucas as coisas que Suigetsu não conseguia de fato não compreender, mas, com certeza, o fato de ainda estar ali era uma dessas. Ele não entendia porque continuava a voltar vez após vez.
Essa dama já me pertenceu
E o culpado fui eu da separação
E ele odiava isso.
A raiva que sentia ao vê-la dançar com outras pessoas, da forma como dançava apenas para ele. A vontade de entrar em meio aqueles sujeitos para tirá-la de lá e leva-la de volta para casa.
Mas ele não podia.
Porque, por sua culpa, ela não era mais sua.
Apesar de tudo, havia sido Karin quem tinha tido a palavra final naquela decisão. Havia sido ela quem nomeou todas as suas falhas e disse que nada entre eles teria um futuro. E, talvez, ela tivesse razão. Mesmo ele conseguia ver o mar de diferenças que os separavam.
Tolos eram aqueles que acreditavam que os opostos se atraem. Karin e ele eram a prova do quão falso era esse ditado.
Karin era intensa. Em sua vida, em seus fazeres, em seus amores. E ela queria alguém que fosse tal como ela. Alguém que se entregasse da mesma forma que ela se entregava.
E Suigetsu não era.
Ela era um vendaval, enquanto ele era apenas calmaria.
Ele a queria, mas ela queria apenas o que ele não podia lhe dar. O que ele não tinha para lhe dar.
Então ela o deixou.
Com uma longa explicação de seus porquês e um desejo de que ele encontrasse a felicidade. E ele a odiou por um momento. E então a quis novamente logo depois.
Ele não pensava em amor, apesar do ciúme que o corroía sempre que a via com outro. E não havia sido um dentre vários motivos para ela ter ido embora? Ela havia feito questão de frisar esse ponto. Ao que parece, ele não havia a amado da forma que ela desejava ser amada.
Então apenas aceitou sua decisão. Apesar do que pensasse, apesar das tantas coisas que desejou ter lhe dito naquele momento. Ele aceitou o que ela quis.
Tomou outro gole, sentindo o amargo da cerveja barata descer por sua garganta.
A música havia mudado e, pelo sorriso dela, ele sabia que não iria embora tão cedo e, certamente, faria o possível para esquecer cada uma daquelas cenas que queimavam em sua mente, mesmo que para isso tivesse que beber cada horrível cerveja que o estranho garçom viesse lhe oferecer.
Traga mais uma garrafa
Hoje vou embriagar-me
Quero dormir para não ver
Outro homem lhe abraçar
Notas finais
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