Correu até se distanciar do castelo.

Depois de uma certa distância, voltou a caminhar normalmente. Seu estômago clamava por sangue.

Miguel não conseguia conter a sede. Entrou em uma pequena rua, com poucas casas. Olhava para os lados, temendo encontrar o fiel cavaleiro do rei. O melhor caçador de vampiros que existia. Tobia. O maldito caçador que matara mais da metade de sua raça.

Sentiu um leve cutucar na nuca. Um de seus irmãos estava ali.

Avistou uma pequena casinha. O cutucar ficou mais forte.

Cheirou o ar e descobrira qual deles estava ali.

Manuel.

O ódio tomou conta de Miguel. Foi em direção a casa em passos largos.

Olhava de soslaio para as outras casas. Chegou à pequenina porta.

O cheiro de sangue invadiu suas narinas. Entrou.

Logo ao adentrar, avistou, Manuel, com uma mulher nos braços, sugando-a.

A mulher gritava, clamando por sua vida.

Manuel olhou-o e sorriu. Filetes de sangue saiam da boca dele e encontravam-se ao queixo. Assim derramando um fino fio escarlate.

Miguel olhou-o com nojo. Manuel engoliu o sangue parado em sua boca.

- Ora..Ora..Miguel...veio saciar sua sede?

- Vim.

- Pois tome esta rapariga de sangue doce. Já saciei minha sede. Matei todos da casa. Só sobrou esta.

- Solte-me!!! — gritava Maria, chorando. — Não me faças mal outra vez! Por Deus! Não quero morrer!

Miguel observou-a com piedade. Não gostava do sofrimento que sua espécie causava. Odiava aquilo.

Ouviu um sussurro.

- Ande, Gentil.

- Não! Por favor! — Clamava — Pare!

O estômago urrava de sede. Sentia-se fraco. Precisava daquilo.

O líquido que lhe dava energia.

Não conseguia controlar sua vontade, mas também não queria fazer a moça sofrer mais.

Mais uma pontada acertou-lhe. Seus joelhos tocaram o chão violentamente e levou a mão ao ponto que doía.

Tinha de fazer aquilo.

- Miguel, não pense duas vezes, ó pá!

Miguel não pensou mais. Em momentos seus olhos cintilaram, tornado-os escarlates. Caninos enormes e pontiagudos, brotaram.

Puxou a moça das mãos de Manuel brutalmente. Cravou os dentes com força no pescoço de Maria, sugava o tanto por vez que podia.

Ela sentia seu sangue ser puxado e se horrorizava.

Manuel ria. Se enchia de força.

Sugou até a última gota. Jogou o corpo morto ao longe.

Desfrutava de cada sensação produzida pelo sangue em sua boca.

Suas feições voltaram ao normal. Levantou-se e sentou ao lado de Acordador.

- Aonde tu estavas? — indagou Manuel.

- Andando.

- Deixe-me adivinhar onde...

Manuel levantou-se e deu três passos à frente. Passou os dedos nos cabelos louros e ajeitou-o, virou de frente para Miguel, encarando-o com um sorriso.

- Sei onde tu estavas....- sussurrou

Miguel levantou e ficou frente à frente com Manuel. Se sabia por que não o procurou? Por que ao invés de ver sua também amada, resolveu saciar sua sede?

Manuel deu mais um passo, ficando a cinco centímetros do rosto de Gentil. Olhava- o nos olhos e sentia o ódio do amigo.

Não queria nem saber se Miguel gostava de Amélia. Se por ela, ele teria de brigar com o irmão, assim faria.

- Se Sabes, diga-me.

- Te senti ao longe. Senti teu odor no castelo de Dom Luís. Fostes ver Amélia, certo?

- Sim. Fui vê-la.

- Aposto que querias o sangue dela.

- Nunca passou por minha cabeça isto! Jamais tocaria nela!

- Miguel... conheço-te...não aguentarás e tomará o sangue dela, como fez com esta pobre.

- Não sou como tu!

- Eu que não teria coragem de fazer.

- Tu és péssimo Manuel! não prestas! Tu sim, terias coragem de matá-la!

- Cale a boca Miguel... cala-te...

- Não me calarei. Tu nunca terás Amélia, para si.

- Nem tu. Pois nenhuma mortal ficaria com um vampiro. Tu não tens a menos chance.

Miguel entristeceu-se com o amigo. Jamais ficaria com Amélia.

Manuel continuou a encará-lo com frieza. Miguel, chateado, recuou um passo.

- Como és maricas... — riu Manuel.

- Deixe-me em paz...

Miguel foi embora. Manuel seguiu-o. Voltaram rápida e cautelosamente as castelo do D\'Ouro.

Notas finais

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