Escape from the afterlife
1 Chapter One
Notas iniciais
- Aonde estou? — perguntava para mim mesmo aonde eu estava. Sentia medo, confuso e talvez submisso ao terror. Um calafrio percorria pela minha espinha e fazia com que ainda duvidasse do lugar que estava.
Pelo fato de ser tão destemido e medroso, não me dei o prazer de me apresentar. Matthew Charles Sanders. 19 anos. Repetente, porém não tão burro assim. Distraído, destemido ou até mesmo marrento. Sempre fui desse jeito, nunca liguei para o meu futuro ou para minha família. Gostava de bebidas, mulheres e coisas desse tipo.
Havia perdido a noção dos meus sentidos, apenas raras memórias de lembranças estavam fixas ao meu cérebro. De uma certeza eu sabia: Nada estava como eu deixei quando parti.
"Partir, Matthew? Como assim?" Sim, partir. Fiquei alguns anos fora da América do Norte por culpa de um milagroso intercâmbio de música que fui fazer quando tinha apenas dezessete anos. Consegui ficar longe de tanta merda e porcaria por tanto tempo, eu teria um mundo só meu longe dos meus chatos pais que eu simplesmente odiava. A única que salvara naquela merda que eu chamo de família, era minha irmã mais velha chamada Amy.
Meus pais me expulsaram de casa quando eu tinha apenas quatorze anos. Os motivos ninguém precisa saber, é algo meu! Ninguém apagará o nóduo do meu passado, nem eu mesmo.
Minha memória não estava tão ruim assim. Eu lembrara de meus amigos Brian, Johnny e Zacky e de... deixa para lá. Acho que ninguém gostaria de ouvir uma ladainha tremenda pós morte de ex namorada. Suspiros pesados e repugnantes tomavam o meus pensamentos quando eu apenas pensava em sua trágica morte.
Fiquei com os olhos fechados e apenas ouvias os bipes de aparelhos médicos. Cheguei a conclusão que estava num quarto de hospital. O cheiro do ambiente, o gelo do ar-condicionado e os barulhos me indicavam perfeitamente que eu estava num quarto de hospital. Mas como assim? Eu não me lembrara de absolutamente nada. O que teria acontecido comigo? Eu estava lúcido?
Meu corpo doía, era como se eu estivesse apanhado de várias pessoas e logo assim, alguma máquina muito das pesadas passasse sobre minhas costas.
- Ainda bem que acordou! — uma bela moça estava me olhando enquanto abria meus olhos calmamente.
- Quem é você?
- Senhorita Lucy, porém me chame só de Lucy. Sou sua enfermeira a partir de agora, cuidarei de você até que você esteja em bons estados para voltar a ter uma vida normal.
- Como assim, uma vida normal? Afinal, o que estou fazendo aqui?
- Acho que os remédios te deixaram um pouco confuso... Bem, você apanhou de alguns garotos depois de ter se envolvido em brigas, teve um infarto e veio parar aqui.
- INFARTO? — exclamei surpreso.
- Sim, senhor Sanders. Infarto. O senhor teve um ataque do coração e descobrimos que você tem hipertensão.
- Mas... mas que doideira! Eu não me lembro de absolutamente nada.
- Irá se lembrar ao decorrer do tempo, querido... Tive a liberdade de mexer em suas coisas e vi que o senhor é compositor! Me desculpe se invadi sua privacidade, é que não contive minha curiosidade e acabei lendo suas músicas. São realmente lindas.
- Tudo bem, não tem problema. Todos sabem que essas músicas existem, minha cara.
- Senhor compositor, irei vir aqui novamente no horário do seu remédio. Agora se levante, vá tomar um banho e escreva, talvez... Acho que o tempo que ficará aqui, irá ter que escrever um bocado. Quando quiser, pode sair do quarto para passear no hospital, não há problemas.
Concordei com a cabeça e logo assim, a enfermeira saiu do quarto. Nossa, mas que mulher linda! Ela aparentava ter aproximadamente vinte anos, era dona de um olhar sedutor e de um cabelo preto encantador. Tinha um corpo médio, não era magra e não tão gorda, fazia o meu porte. Fiquei por um segundo imaginando como seria aquela mulher na cama, como seria ela suplicando meu nome e querendo muito mais. OPA! Passei dos limites. Tinha acabado de conhecer a moça e já estava querendo sexo?
Sexo me lembrava minha garota... Qualquer coisa me lembrava ela. Absolutamente qualquer coisa. Soltei alguns suspiros de saudade após ter um flashback de lembranças daquela linda menina pela qual eu perdi para a morte. Remoí o passado por alguns momentos, lembrando dos momentos mágicos que passei ao lado daquela garota. Ela era absurdamente amável, adorável e linda. Fiz uma promessa alí, para mim mesmo que eu não iria mais pensar como seria se ela estivesse do meu lado, por mais que eu fosse tão apaixonado por ela.
Suspirei e me levantei com dificuldade da cama, me dirigi ao banheiro e me despi. A água fria caía sobre meus músculos e tatuagens, fazendo com que eu tivesse uma paz interior. Era algo muito difícil de se explicar, mas eu sempre relaxei muito no banho. Era como se nada existisse no mundo. Como se não existisse preocupações, medo e muito menos saudade.
Depois de ficar pensando tanto de baixo do chuveiro, acabei tendo uma ideia espetacular para uma nova música. Coisa não tão rara de se acontecer, até porque eu sempre fui muito criativo quando o assunto era música. Me vesti e logo depois Lucy veio com meus remédios e minha janta. Depois de uma hora e meia, decidi ter uma bela iniciativa de começar um novo projeto para a minha banda que apenas estava no começo.
Peguei meu caderno de músicas e uma caneta. Já era tarde e o hospital estava meio vazio na minha ala, fazendo com que eu sentisse um pouco de medo. Grande por fora, um corajoso homem, mas por dentro um frágil menino com sentimentos feridos.
Solicitei o elevador e fiquei a sua espera. Eu era apenas um impaciente, que não aguentava ficar a espera das coisas. Era algo agoniante para mim, eu simplesmente odiava. Depois de bater muitos pés e batucar a caneta no caderno, finalmente o maldito elevador chegou.
Fiquei olhando fixamente para o chão e assim, entrei naquele gelado elevador. Aquela musiquinha de elevador irritante fez com que eu olhasse para cima e bufasse.
Repentinamente, percebi a presença de uma loira de pele branca, meio pálida. Meio magra e com o cabelos curtos, porém o suficiente para que cobrisse seu rosto. Vestia uma camisa do Motorhead e um short jeans, segurava algo que me chamara muita atenção: Um par de baquetas.
Me assustei e dei alguns passos para trás.
- Ah, me desculpe. Não vi que você estava aqui.
A garota não esboçou nenhuma reação e não disse nenhuma palavra. Fiquei meio encabulado após não ter sido respondido, então decidi puxar um papo.
- Você é baterista?
- Não. — ela respondeu fria.
Olhei para o visor de andares e vi que o elevador descia rápido demais. Ele iria para o subsolo, aonde eu desconfiei um pouco. O que aquela garota faria no subsolo? Eu iria ficar no térreo, fazendo com que ela ficasse para trás. Repentinamente a porta do elevador se abriu e vi que ele não parou no andar desejado. A fria menina saiu sem esboçar novamente nenhuma reação.
A placa que estava a frente do elevador indicava que aquele andar era o andar do estacionamento e do necrotério. Mas pera... O que ela faria no necrotério? Será que aquela menina era necrófila? Sei lá. Vai entender.
Fiquei curioso. Gostaria de pelo menos saber o seu nome. Antes que a porta fechasse e que ela andasse mais rápido, tomei uma atitude.
- Posso pelo menos saber o seu nome?
Ela parou, me assustando um pouco.
- Dibenedetto. Valary Dibenedetto.
Logo depois disso, ela se perdeu na escuridão do corredor e eu fiquei mais confuso que já estava. Eu precisava saber o que estava acontecendo e o motivo de tanto mistério para apenas uma garota.
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