Escape
10 Vá atrás dela!
Notas iniciais
Infelizmente para Emma, ninguém conseguiu convencer Regina a participar da encenação idiota que Ruby tinha inventado e a jogado dentro. Praticamente todas as detentas do grupo branco, tentaram convencer a morena a ser a Rainha Má, e todas ganharam um sonoro "NÃO", como resposta. Não existia no mundo uma pessoa mais mula teimosa do que Regina, Emma tinha certeza que poderia vir o Papa, Paul McCartney, Mick Jagger, Jesus, Maria, José, pedirem para que a morena participasse daquela droga de teatro e mesmo assim a resposta continuaria sendo não.
A verdade era que a loira andava cada dia mais desanimada em relação a ela e a amiga, ou com a falta de relação entre elas. Regina não lhe dava espaço, não lhe dava chances. Trocavam cada dia menos palavras. Conversavam o básico do básico e o assunto era exclusivamente sobre trabalho, já que as máquinas de Regina estragavam um dia sim e o outro também. Quando tomavam o café da manhã, ou jantavam "juntas", a morena preferia dar atenção a qualquer detenta do que ouvir Emma. E sempre que Ruby ou French, tentavam de algum jeito ajudar a loira, Regina levantava-se, inventava uma desculpa qualquer e retirava-se.
Emma estava de mãos atadas, não sabia mais o que fazer, estava pensando seriamente em desistir. Se elas tinham evoluído alguma coisa desde o dia que Regina chegou por ali, as últimas três semanas só serviram para desevoluir tudo. A história do teatro, junto com a loira tentando falar sobre o passado, eram com certeza os culpados por tal coisa. Desde aquele maldito dia, a morena nunca mais foi a mesma. O que Emma não sabia era que, desde aquele maldito dia, Regina nunca mais foi a mesma com si própria.
A morena tinha vontade de se estapear, bater com a cabeça contra a parede, fazer tratamento de choque, ou qualquer coisa do tipo que fosse a ajudar a esquecer o que aquela loira estúpida tinha lhe dito na lavação. Tentava não pensar sobre aquele assunto, tentava muito fazer isso, mas era involuntário, quando se dava conta, já estava pensando. Ficava se perguntando o que a idiota traidora queria dizer com, "não fui nem um pouco honesta com você. Eu não estava sendo verdadeira, estava apenas sendo covarde". Não que ela quisesse realmente saber, okay, talvez quisesse, mas só um pouquinho. Apenas para matar sua curiosidade. Mas enfim, o que quer que ela tivesse a dizer também não importava. Não depois de treze anos.
Como estava pensando sobre o mesmo assunto novamente, Regina levou as mãos a cabeça e puxou seus cabelos. Sentiu uma enorme vontade de gritar, para extravasar sua ansiedade, raiva, tensão, curiosidade, ou qualquer coisa do tipo que estivesse sentindo, mas como berrar na sala de espera para visitas não parecia uma boa ideia, ela apenas respirou fundo. Se pudesse dar uns tabefes no seu coração estúpido, ela daria, porque toda vez que aquele assunto idiota vinha assombrar sua mente, aquele músculo pulsante idiota batia mais forte, e aquilo só servia para lhe deixar ainda mais irritada.
A morena voltou a puxar os cabelos, e arriscou uma olhada para a porta de entrada da sala de visitas, por onde a qualquer momento, seu filho e marido entrariam, mas como o mundo parecia estar conspirando contra ela, o que ela viu foi Emma ganhando um abraço apertado dos pais.
Suspirou, lembrando que a loira estava de aniversário. Infelizmente ela já tinha lembrado disso assim que acordou, mas é claro que fez esquecer. Além de fazer de conta que não lembrava, ela não se juntou a Emma no café da manhã e nem no almoço. Ainda não tinha decidido se ia parabeniza-la ou não. As vezes sentia uma vontade enorme de se aproximar e dizer, "hey, parabéns!" mas aí seu orgulho lhe lembrava que durante todos aqueles anos, a loira não tentou fazer contato nem em aniversários. Graças a tal coisa, talvez Emma não fosse ganhar felicitações da única pessoa que ela realmente desejava ganhar.
Inconscientemente, Regina sorriu, ao ver David dando um abraço esmagador na filha, antes de tira-la do chão. Acabou sentindo saudade daquilo, daquela cena. Se ela estivesse lá junto com Emma, certamente ganharia um abraço daquele também, depois ele a colocaria no chão, bem pertinho de Emma, olharia para as duas, as chamaria de, "minhas garotas" e aconteceria um abraço triplo.
Os olhos negros da morena estavam tão concentrados na família Swan, que ela pulou de susto quando alguém bateu no vidro em sua frente. Ao ver que esse alguém se tratava de seu filho, ela sorriu e apressadamente caminhou em direção a sala de visitas. Henry a acompanhou do outro lado do paredão de vidro. Os dois chegaram a porta que dava acesso a sala de visitas juntos. O garoto puxou a mãe pela mão e sem trocarem qualquer palavra, eles se abraçaram, se esmagaram e se apertaram.
O abraço entre eles estava durando cada vez mais, conforme as semanas iam passando e a saudade crescendo. Regina voltou a esmaga-lo e aperta-lo, antes de o liberar do abraço e começar um ataque de beijos. Em outras ocasiões o garoto reclamaria, e a lembraria que tinha gente olhando, mas ele sentia tanta saudade da mãe, que não se importava mais com aquilo. Era capaz de apostar que poderia gastar toda hora de visita sendo beijado e abraçado que não ligaria.
– Meu Deus, que saudades! — Ela murmurou com a voz embargada, ao voltar a abraçar o filho.
– Sinto tanto a sua falta. — Henry sabia que tinha que ser forte, tinha que fazer aquilo pela mãe, mas naquele momento ele não conseguia. Estava prestes a chorar e implorar para quem quer que fosse para que devolvessem sua mãe.
– Não mais do que eu sinto a sua. — A morena deixou escapar uma lágrima. — Não sei se vou conseguir aguentar tanto tempo longe de você. — Acabou deixando escapar seu pensamento alto.
– Claro que vai. — Ao ouvir aquilo o garoto engoliu sua vontade de chorar, se desfez do abraço, agarrou as mãos da mãe, olhou nos olhos dela e tentou sorrir. — Estamos em contagem regressiva. Faltam só três dias para seu segundo mês aqui acabar. — A morena acabou sorrindo com a tentativa do filho de anima-la. — E quando você sair, nós dois vamos passar um dia inteirinho grudados. — Ela concordou e seu sorriso cresceu.
– Só um dia? Para matar toda a minha saudade estou pensando em pelo menos uma semana. Eu, você, lasanha, sorvete, filmes, seriados, pipoca e tudo mais que tivermos direito. O que você acha? — O garoto sorriu pela empolgação da mãe.
– Acho a melhor ideia do mundo. Podemos incluir meu pai nisso? — Foi só quando ouviu a palavra "pai", que Regina se deu conta de que Robin, não estava por ali. Então seu sorriso deu lugar a um semblante preocupado.
– Falando no seu pai, onde ele está? Você entrou aqui sozinho? Robin está louco de deixar você entrar aqui sozinho? — A paranoia da mulher, arrancou uma risada de Henry. Até a paranoia da mãe andava lhe fazendo falta.
– Calma, neurótica! — Pediu. — Acontece que hoje a gente foi almoçar lá na vó, e como ela acha que essa história de intolerância a lactose é frescura, ela enganou meu pai e tipo, ele comeu uma sobremesa com muita lactose. — Regina rolou os olhos, não acreditando que mais uma vez, a sogra tinha enganado seu marido que se dizia inteligente. — Coitado. Ele está com uma dor de barriga do cão. Quase não deu para chegar até aqui. Ele me acompanhou até a outra sala da revista e depois teve que correr para o banheiro. Pediu para você não ficar brava com ele. — A morena balançou a cabeça em sinal de negativo, mas por fim acabou sorrindo.
– Sua vó é impossível. — Comentou ao puxar o garoto pela mão, o levando até a mesa mais próxima. — Espero que seu pai se recupere a tempo de vir me dizer um oi. — Soltou com o ar, pensando no quanto queria ver o marido e beija-lo, só para lembrar o quanto o amava.
– Você está bem? — Henry questionou ao perceber o ar de preocupação da mãe.
– Ótima! — Tentou sorrir para ser convincente. — E você? Me fale de você. — Pediu ao alisar os cabelos do filho.
– Estou bem. Sexta-feira foi o último dia de aula do ano. Agora estou vivendo minhas longas férias de três semanas. — O ar de deboche que ele usou para falar sobre as férias, fez a morena sorrir e lhe beijar a testa. — Minhas notas estão sobre controle. Mesmo você não estando em casa, continuo obedecendo meu toque de recolher, então as 22:00 já estou na cama. E sei lá, as coisas estão meio entediantes. — Soltou com o ar.
– Nunca imaginou que sua mãe chata, paranoica e mandona fosse fazer tanta falta, não é? Admita. — Pegou no pé do filho.
– Pois é. É como dizem: quando você perde é que você percebe. — A filosofia dele fez Regina rir.
– Estamos filósofos hoje? — Voltou a implicar com o garoto.
– Só um pouquinho. — Murmurou envergonhado, o que Regina achou fofo.
– Henry, você não tem ideia do quanto me faz falta. — Só de falar aquilo ela sentiu vontade de chorar. — Queria dormir hoje e só acordar no dia que vão me liberar daqui. Acho que só assim vou conseguir aguentar. — A morena acabou deixando cair uma lágrima que o filho rapidamente secou. Ele não gostou de ouvir aquilo. Não queria que a mãe se sentisse daquele jeito. Sabia que quanto mais ela pensasse sobre tal coisa, mais o tempo demoraria a passar. Ela precisava de uma distração, algo que a fizesse de uma certa forma esquecer onde estava, ele só não sabia o que, foi quando ouviu alguém começar um tímido parabéns para você, que aos poucos começou a ser cantado por todos ali presentes. Quando levantou a cabeça para procurar pelo aniversariantes, viu a loira das tatuagens escondidas, soprando uma vela solitária em cima de um cupcake, foi então que ele teve uma ideia.
– É o aniversário dela? — Questionou com a mãe, que também olhava para a mesa da loira, que para o azar de Regina estava olhando em sua direção.
– Parece. — A morena se fez de desentendida e então tirou os olhos da loira.
– Quantos anos ela está fazendo? — Indagou o garoto.
– Não sei. — De novo, Regina fez de conta que não sabia de nada.
– Qual é? Você sabe sim. — Henry sabia que elas tinham sido amigas. Melhores amigas. A mãe repetiu aquilo incontáveis vezes quando descobriu que a loira tinha a delatado.
– Trinta e quatro. — Soltou com o ar.
– Então ela é mais velha do que você. — A conclusão do garoto fez a morena rolar os olhos.
– Por uma semana e três dias. Isso não conta. E eu sou mais inteligente, mais responsável, mais madura. — Henry achou aquilo engraçado. Era a primeira vez que a mãe ficava irritada por ser mais nova do que alguém.
– Ela é engraçada. — Comentou sorrindo e levantando a mão para a loira, que pelo jeito continuava olhando em direção a eles.
– Já gosta dela de novo? — A morena questionou enciumada.
– Eu não gosto do que ela fez com você. Mas eu gosto do senso de humor dela. Das piadas que ela faz contra ela mesma. Sei lá, ela é engraçada. Parece ser uma pessoa legal. — A explicação dele fez a morena rolar os olhos. — Você odeia ela? — Há um mês atrás, a morena responderia aquela pergunta sem pestanejar, acabou se surpreendendo ao ver que estava pensando sobre aquilo.
– Sim. — Respondeu finalmente.
– Não, você não odeia mais. — O garoto concluiu. — Se odiasse não teria pensado sobre isso. — Acusou a mãe.
– Eu estou aqui por culpa dela. — Aquilo foi mais um lembrete para si, do que para o filho.
– Também por culpa dela, mas não só dela. Certo? — Regina bufou. Tudo que ela menos precisava era que o filho virasse defensor da loira irritante.
– Onde você quer chegar, Henry? — Indagou quase irritada.
– Eu acho que você deveria dar uma chance para ela. Uma chance pelos velhos tempos. Você nunca me falou sobre sua amizade com ela, mas aposto que vocês tem várias histórias legais. — Os olhos curiosos do garoto brilhavam.
– Talvez tenha uma ou duas. — Murmurou muito a contragosto e cruzou os braços, igual a uma criança birrenta.
– Uma ou duas? Aposto mais em vinte ou trinta. — A morena acabou deixando escapulir um meio sorriso. — As pessoas erram, mãe. Duvido que você nunca magoou alguém. — A mulher abriu a boca para responder que nunca tinha feito aquilo, pelo menos não no nível de Emma, mas Henry foi mais rápido. — Magoar é magoar, as vezes uma coisa bobinha para você, pode magoar tanto quanto você vir parar na prisão por "culpa" da sua melhor amiga. — Regina suspirou, não sabia porque, mas lembrou-se do semblante triste de Emma durante aquele dia. Emma sabia que a morena provavelmente sabia sobre seu aniversário, e muito provavelmente estava magoada por Regina não ter sequer lhe desejado um bom dia.
– Talvez. — Murmurou. — Então, você como advogado de defesa dela, me sugere o que exatamente? — Porque ela tinha certeza que ele iria sugerir algo. Sempre que Henry aparecia com teses e defesas significava que ele iria sugerir algo no mínimo, preocupante.
– Alguém na televisão falou que perdoar é divino. — Começou meio hesitante.
– Perdoar pode ser divino, mas ignorar, ignorar é uma das sete maravilhas do mundo. — Tentou convencer o filho.
– Então me diz que você não sente falta dela. Falta da amizade que vocês tinham. Meninas são cheias das frescuras, aposto que vocês riam e conspiravam muito juntas. Não sente falta disso? — Talvez, só TALVEZ, ela sentisse, mas admitir aquilo para si e para o filho já era outra história.
– Eu não sinto falta dela. — Usou seu tom mais convincente, olhando nos olhos do filho. Eles ficaram se encarando por alguns segundos, até a morena desviar os olhos.
– Vem comigo! — O garoto pediu ao levantar-se e estender a mão para mãe.
– Ir com você aonde? — Juntou as sobrancelhas sem entender.
– Ali. — Apontou para mesa onde Emma estava. — Quero desejar para ela um feliz aniversário. — Era o quê? O que tinha dado no garoto afinal? Além de fazer campanha para loira ele queria também ir até lá e trocar figurinhas com ela?
– Henry, senta. Nós não vamos lá. Ela está com a família. E você deveria estar aqui conversando comigo e não defendendo Emma. — Aquele interesse do filho na amiga traidora estava quase a magoando.
– Mãe, presta atenção, eu amo você. Eu quero muito que você fique bem durante o ano que vai passar aqui. — Resolveu não explicar que Emma ajudaria com aquilo, porque sabia que a mãe teimosa não concordaria. — Vem comigo! — Voltou a estender a mão. — Por favor? — A olhou com cara de cão sem dono, mesma cara que fazia quando queria convence-la de algo. A morena balançou a cabeça em sinal de negativo, rolou os olhos e agarrou a mão do filho, levantando-se dali.
– Só estou indo junto, o resto é com você. — Avisou enquanto caminhavam em direção a mesa de Emma.
– Okay. Isso já é alguma coisa. — Sorriu satisfeito.
Ao ver Regina e o filho dela se aproximando, Emma não conseguiu mais tirar os olhos deles e o coração da loira deu uma acelerada. Ao perceber que eles estavam mesmo vindo de encontro a ela, sentiu-se uma pilha de ansiedade. Era só a insensível da Regina e seu filho, aquilo não deveria a abalar, mas o pensamento que Regina tinha enfim lembrado do seu aniversário e estava indo ali parabeniza-la e quem sabe abraça-la lhe deixava instabilizada.
– Boa tarde! — Henry não era lá muito desinibido, na verdade ele era um garoto bem tímido, mas tomou frente como tinha prometido a mãe. Emma acabou sorrindo ao perceber o quanto aquele garoto envergonhado se parecia com Regina adolescente. — Hey, loira das tatuagens escondidas! — Antes de responder ela lhe lançou um sorriso.
– Hey, Henry! Como vai? — O garoto lhe sorriu de volta.
– Indo, e você? — Pelo canto dos olhos a loira viu Regina ser esmagada pelos braços de David.
– Indo também. Ouça, sinto muito por ter colocado sua mãe aqui. Muito mesmo. — Foi sincera e Henry sabia daquilo.
– É, eu sei. — Soltou com o ar. — Ela também sabe. — Murmurou para que a mãe não ouvisse, fazendo Emma rir e concordar. — É o seu aniversário? — Indagou de olho no cupcake intocado.
– Dizem que é. — Deu de ombros. — Estou ficando velha. — Lamentou-se, o que arrancou uma risada do garoto.
– Parece minha mãe reclamando. — Comentou. — Ela odeia velas, bolo e parabéns, quando se trata do aniversário dela. — Explicou.
– Você gosta porque ainda é um moleque, provavelmente um dia vai entender esse negócio de odiar velas, bolos e parabéns. — A loira se pôs de pé. — Então, veio só perguntar se é meu aniversário mesmo, ou vai me dar um abraço também? — Aquele convite inesperado fez com que as bochechas do garoto esquentassem. Ele coçou a cabeça muito envergonhado e completamente sem jeito foi até Emma. Ensaiou um abraço que acabou não saindo, o que fez s loira rir.
– Vem aqui, Regina de calças! — Murmurou ao puxar o garoto pelo braço e abraça-lo. No começo ele ficou meio hesitante por abraçar alguém que mal conhecia, mas por fim resolveu relaxar e retribuir o abraço.
– Viu? Nem dói. — Pegou no pé dele, enquanto ainda se abraçavam.
– Feliz aniversário, Emma. — Sussurrou, como Regina costumava fazer quando estava abraçada a loira.
– Obrigada, garoto! — Respondeu de olhos fechados.
– Eu quero que você cuide da minha mãe. — Voltou a sussurrar. Ouvir aquilo pegou a loira de surpresa.
– Ela está doente? — Seu coração voltou a acelerar pensando naquela possibilidade.
– Não. Mas acho que antes de a pena dela terminar, ela vai acabar surtando de saudades de casa. Você precisa distrai-la, assim o tempo vai passar mais rápido. — Emma achou a preocupação do garoto uma coisa muito fofa.
– Eu gostaria, mas ela não me da chances. — Lamentou-se. — Infelizmente ela me odeia. — O garoto negou.
– Não. Ela não odeia. Ela só está magoada. Você precisa ajudar ela, você deve isso a ela. — Emma suspirou e se desfez do abraço. Por um tempo eles só ficaram se olhando nos olhos. A verdade era que a loira estava cansada de tentar, mas o garoto tinha razão, ela devia aquilo a Regina. Se daria aquele dia de folga, recuperaria as energias e na segunda-feira começaria tudo de novo.
– Ok. Vou continuar tentando. Tem minha palavra. — Ele sorriu satisfeito ao ver verdade nos olhos claros da loira.
– Valeu, loira das tatuagens escondidas! — Agradeceu, arrancando um sorriso de Emma.
– Garoto dos filmes da Netflix! — O apelidou.
– Seu rosto fica bem melhor sem nenhum hematoma. — Ele a elogiou.
– Ah, obrigada! Eu também prefiro ele assim. — Regina que disfarçadamente assistia a troca de figurinha entre os dois e se roía de curiosidade para saber sobre o que eles estavam falando, acabou sorrindo ao ouvir a troca de apelidos entre os dois.
– Esse é Henry. — A morena puxou o filho pela mão e o virou para David e Mary.
– Meu Deus! Eu estou mesmo ficando velho. Não acredito que já tem um filho desse tamanho. — David falou espantado, sem tirar os olhos de Henry.
– Eu falei para você. — Mary Margaret o lembrou.
– Esse é o tio David, pai de Emma. — Regina explicou para o filho, que a olhava pedindo alguma explicação.
– E aí, cara!? — Henry o saudou um pouco envergonhado.
– E aí!, Henry? — David estendeu a mão para o garoto e eles trocaram um breve aperto de mãos. — Quantos anos você tem? — Indagou ainda admirado pelo tamanho do filho de Regina.
– Fiz treze fazem duas semanas. — Respondeu ao jogar as mãos para dentro dos bolsos.
– Nesse caso, meus parabéns atrasado, garoto dos filmes da Netflix! — Emma o felicitou.
– Valeu! — Agradeceu envergonhado.
– Está vendo? Regina criou juízo, casou, teve um filho e você continua a mesma irresponsável. — David fez Emma rolar os olhos.
– Por favor, pai! Hoje não. — Pediu.
– David! — Mary intercedeu.
– Por quê você sumiu? — Ele indagou com Regina, que ficou sem saber o que dizer. Pensou seriamente em contar a verdade, já que estava na cara que tanto David quanto Mary, não sabiam sobre ela, mas trocou um breve olhar com Emma, que parecia triste ou abalada e resolveu inventar qualquer uma coisa qualquer.
– Porque eu precisava de um tempo para por a cabeça no lugar. Eu precisava crescer, criar responsabilidades. Fui passar uns dias em Nova Jersey, conheci meu marido e Emma e eu acabamos perdendo contato. — Uma parte daquilo era verdade, então ela não estava mentindo, só ocultando alguns fatos.
– Emma precisou muito de você. — David usou um tom quase decepcionado. Regina abriu a boca para responder, mas desistiu.
– Sinto muito. — Foi tudo o que disse.
– Não sinta. Você sabe o quanto meu pai é dramático. — A loira tentou mudar de assunto.
– Dramático? Você é a responsável por todos os meus cabelos brancos. — A acusou.
– Eu sei. — Foi tudo que pode dizer. Olhou para o pai com uma cara de tão arrependida que o fez suspirar e desistir da bronca.
– Vai, fica ali do lado de Regina. — Ele apontou. Emma trocou um rápido olhar com Regina, que deu de ombros, aparentemente consentindo. Ela suspirou e obedeceu. Por algum motivo, o homem sorriu para as duas. Um sorriso aparentemente emocionado.
– Minhas duas garotas. Não acredito que já cresceram tanto. — Elas sorriram ao ouvir aquilo. — Venham aqui, cadê o meu abraço? — Ele não esperou, simplesmente puxou as duas pelos braços e as envolveu em um abraço, como costumava fazer sempre. — Daria tudo para voltar no tempo e ter aquelas meninas de volta. — Murmurou saudoso. Por um minuto Regina também desejou muito voltar no tempo. Sentiu uma imensa saudade daquilo. Já Emma, bom, se Emma soubesse da existência de alguma máquina que voltasse no tempo, com certeza ela daria um jeito de possui-la. Tudo que a loira mais desejava era poder voltar no tempo. Faria tudo tão diferente. Faria qualquer coisa para não perder Regina.
(...) Regina caminhava desanimada rumo a sala onde aconteceria o cinema de domingo. Odiava filmes idiotas de comédia, e pelo o que ouviu nos corredores, elas assistiriam a Debi & Lóide. Não acreditava que perderia quase duas horas de sua vida assistindo aquela babaquice sem fim. Até ler cinquenta tons de cinza era infinitamente melhor do que assistir Debi & Lóide. Aliás, provavelmente até morrer seria melhor do que aquilo.
Sentou-se na última fileira como de costume, mas infelizmente não estava mais sozinha. Ruby e French passaram a fazer parte da turma do fundão. Emma que também fazia parte da turminha, naquele dia não estava sentada perto delas. Estava na fileira ao lado, isolada de todos, com os olhos baixos, aparentemente perdida em pensamentos. Aquilo não passou despercebido pelos olhos da morena, que pensou seriamente em ir até lá e sentar-se ao lado da loira só para acompanha-la no silêncio, mas mais uma vez seu orgulho falou mais alto e ela resolveu ficar por lá mesmo.
– Sabe, até meia noite ela ainda está de aniversário. Nunca é tarde pra desejar um simples parabéns. — O comentário de Ruby fez a morena rolar os olhos. Parecia que todos tinham tirado o dia para defender Emma.
– Melhor se arrepender por ter feito do que se arrepender por não ter feito. — French continuou.
– Me deixam em paz! — Esbravejou e para não ter que ouvir mais uma defesa em favor de Emma, Regina pôs seus fones.
Tentou de todo jeito prestar atenção na droga do filme, mas sua consciência idiota não deixava. Tudo que seu cérebro irritante pensava era que a loira traidora aparentemente estava triste. Ela não deveria se importar com aquilo. Qualquer pessoa inteligente não se importaria com aquilo, mas por algum motivo que não entendia, estava se importando. Graças a isso seus olhos sempre paravam em Emma, para ver se ela ria do filme idiota como as outras faziam, mas não, ela não ria.
A loira sequer pastava atenção no filme, estava triste demais para qualquer tipo de filme. Triste demais para sorrir. Triste demais para falar com as pessoas. Dava a desculpa para si mesma que a tristeza que sentia era porque estava mais velha, mas a verdade era que estava triste por Regina ter feito de conta que aquele dia era um dia qualquer. Ou talvez a morena simplesmente não se importava mais. Sentiu vontade de chorar ao pensar sobre tal coisa, resolveu sair dali e ir para a rua. Gostava de chorar sozinha, sem nenhum tipo de plateia.
A morena acompanhou sem perder nenhum detalhe, Emma levantando-se e caminhando para fora do lugar. Seu coração bateu forte quando pensou na ideia de levantar dali e ir atrás da loira. Mas ela deveria mesmo fazer aquilo? Tinha certeza que Emma tinha ido para a rua. Mas ficava se perguntando o que iria falar quando chegasse lá.
As coisas não eram mais como antigamente, não era só ir atrás da loira e pronto. Precisava ensaiar toda uma conversa antes. Precisava pensar em todas as prováveis coisas que Emma falaria, para já ter uma resposta na ponta da língua. Inconscientemente ela batia os pés freneticamente contra o chão, ato que fez Ruby puxar um dos fones do ouvido da morena.
– Mills, seus pés se mexendo sem parar estão me dando agonia. Para de ser teimosa, engole esse seu orgulho irritante e vai logo atrás dela. — Regina abriu a boca para dizer que não sabia o que dizer, mas Ruby foi mais rápida. — Parabéns é uma palavra simples de se pronunciar, tenho certeza que você vai conseguir. Agora relaxa esses ombros, respira fundo e vai. Pare de pensar, apenas vá. E isso é uma ordem. — Regina respirou fundo, tirou o outro fone do ouvido, o jogou para cima de Ruby, e sem olhar para ruiva ela levantou-se e deixou suas pernas a levarem.
Passou em frente aos banheiros, cruzou o refeitório vazio, passou pela cozinha escura e quando chegou na dispensa parou bruscamente. Sabia que tinha que dar meia volta e voltar, tinha que sair de lá sem ser notada, mas estava paralisa, sua olhos surpresos e arregalados não conseguiam se desprender da cena a sua frente.
Emma e uma detenta qualquer estavam trocando saliva.
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