Escape

25 Todos os cafés da manhã da sua vida


Notas iniciais
Boa noite, amiguinhas!!! Como estão? Quero agradecer todas vocês pelos comentários fofos/lindos do último capítulo, muito obrigada, me diverti e ri muito com eles. Vocês são umas figuras. O capítulo de hoje está tão ou quase tão grande quanto ao último, e a tendência é que eles continuem assim. Então desde já me desculpo com quem não gosta. Estou demorando um pouco mais a postar porque agora a história começa a complicar. Tem dias que consigo escrever muito e tem dias que não saí nada, mas prometo aparecer pelo menos uma vez por semana. A ff tá quase na reta final. Em breve haverá uma passagem de tempo, corações partidos, sofrimento, Regina livre, mas é só em breve. O capítulo de hoje está até que sossegado, vamos aproveitar enquanto dura ;)

Já passavam das 2:00 horas da tarde na prisão feminina de Saginaw, como era domingo, as detentas tinham o dia de folga, então Regina e Emma ainda continuavam na cama. A morena estava em um sono profundo, o sono dos justos. Dormia tranquilamente nos braços da namorada, que estava acordada fazia um tempo, e estava velando o sono de Regina. Fez cara feia para French e Ruby, quando as duas começaram a tagarelar por ali, e mesmo sem dizer uma palavra, deu um jeito de expulsa-las de lá. Sentia parte dos ombros onde a cabeça da morena estava deitada, dormente, mas não ousava se mexer. Gostava do jeito com o qual Regina estava abraçada a ela, o corpo quente da morena estava praticamente todo em contato com o seu. Era como se ela estivesse abraçada a seu bichinho de estimação ou coisa assim. Emma riu ao fazer tal comparação. Fechou os olhos e suspirou, cenas da noite passada povoaram sua mente, a fazendo abrir um sorriso enorme.

Ainda era difícil acreditar que aquilo era real, acordou muitas vezes durante a madrugada, sempre assustada pensando que tudo não tinha passado de um sonho, mas aí olhava para o lado e respirava aliviada, ao ver Regina grudada a si. Sim, elas dormiram na mesma cama e não, não foi por insistência de Emma. Quando deitou-se ao lado de Regina para desejar-lhe boa noite, a morena simplesmente recusou-se a deixar a namorada sair de lá. Agarrou-se a ela e instantaneamente dormiu.

Voltou a suspirar lembrando-se dos toques, das caricias, das palavras sussurradas, da cumplicidade. Seu coração e seu estomago reagiriam as lembranças e ela sentiu-se tentada a acordar a namorada para criarem novas lembranças.

O bichinho da esperança que tinha sido plantado dentro de Emma na noite passada, já tinha crescido. Ela já começava a faze-la imaginar a vida com Regina fora dali. Sabia que teria que ralar muito e que ganharia pouco, mas não tinha nenhum tipo de dúvida de que valeria muito a pena. Não importava o quão ferrado pudesse ser o seu dia, sabia que no final dele, quando chegasse em casa e encontrasse Regina, esqueceria de tudo. Acabou se sentindo ansiosa ao pensar naquilo, de repente sentiu uma vontade louca de sair logo dali e começar logo a viver.

Queria começar sua vida o quanto antes, queria conhecer algodão, queria levar Regina a casa dos pais e apresenta-la como sua namorada, queria um jantar em família, queria mostrar para Daniel, que Regina era dela, queria andar por aí de mãos dadas com a morena, queria mostrar para o mundo que estavam juntas, na verdade queria gritar isso aos quatro ventos. Apertou os braços em volta da namorada ao pensar sobre tudo aquilo.

Regina que estava quase acordando, com aquele ato acabou por acordar. Permaneceu de olhos fechados, e sorriu largo ao sentir os braços de Emma em volta de si. Foi mesmo real, não tinha sido um sonho. Agradeceu a Deus por tal coisa. Se sentia tão bem, tão em paz, tão aconchegada nos braços da namorada, que teve vontade de voltar a dormir só para continuar por ali mais um pouquinho. Preguiçosamente seus dedos se arrastaram pelo braço de Emma, o acariciando.

– Preguiça, você acordou? – Sua voz acabou quase não saindo. Regina estava com muita, muita preguiça de abrir a boca para responder, então só levantou o polegar. – E perdeu a língua, devo deduzir. – A morena abriu um sorriso preguiçoso e de novo levantou o polegar. – E agora, o que vai ser de mim sem sua língua? – Indagou. – Eu já estou viciada nas coisas que ela faz, Regina Mills. – A morena escondeu o rosto no vão do pescoço da namorada abusada e deu um leve tapa em seu braço, a fazendo rir.

– Desagradável! – Resmungou com voz de sono.

– Ai mulher! Essa sua voz quase inexistente de preguiça, me faz ter vontade de esmagar você. – Voltou a aperta-la em seus braços. De novo a morena sorriu. Oh Deus! Estava ridiculamente, pateticamente, amando e não podia estar se sentindo melhor.

– Vamos dormir mais um pouquinho. – Pediu, aconchegando-se melhor por ali. Emma até tentou ficar em silêncio para que se bicho preguiça voltasse a dormir, mas aquilo era praticamente impossível, estava feliz demais para permanecer em silêncio. Esperou pacientemente a namorada acordar, para começar a falar, tagarelar, rir, fazer piadas. Então decidiu que não a deixaria voltar a dormir.

– Acorda, Regina! Quero dividir minha felicidade com você. – A morena balançou a cabeça se negando. — Acorda! Acorda! Acorda! – Pediu, e ganhou silêncio como resposta. – Vou cantar para você acordar. – Avisou. — Close your eyes, give me your hand, darling, do you feel my heart beating, do you understand... – Regina sorriu ao ouvi-la cantarolar aquela música velha, que Emma uma vez classificou com brega. — Do you feel the same, am I only dreaming, is this burning an eternal flame... – Continuou. Regina voltou a rir, dessa vez do tom desafinado da namorada.

– Música sugestiva essa sua. Está querendo me perguntar alguma coisa? – Murmurou contra o pescoço da namorada. Emma sorriu, pegou a mão da morena, e levou até boca, depositando um beijo lá.

– Estou. – Admitiu. — Esse é meu jeito de perguntar se esse sentimento é recíproco. – Não que ela já não soubesse, mas não se importava em saber de novo e de novo. Sentia-se tão bem quando Regina abria a boca para se declarar.

– Não é possível você ainda ter alguma dúvida. – Emma voltou a beijar a mão da namorada e entrelaçou seus dedos aos dela. Sorriu para suas mãos unidas. Santo Deus! Até aquilo a fazia suspirar.

– É sempre bom ouvir você falando. – Sussurrou.

– Então avise para o seu ego, que eu sinto o mesmo, que você não está sonhando, e que com certeza isso é uma chama eterna. – Fez uma pausa para bocejar. – E por favor, para de cantar, você não nasceu para isso. Desafinada. – Ouvir tal absurdo sobre sua voz linda e afinada, deixou a loira incrédula.

– O quê? Eu sou a afinação em pessoa, obrigada! – Regina sorriu.

– Claro. Você e a sua amiga Katy Perry, ambas afinadíssimas. – Não pode perder aquela oportunidade.

– Regina Mills, se você não quer cair dessa cama, é melhor retirar agora, o que disse sobre a minha amiga Katy Perry! – A morena riu e balançou a cabeça, se negando.

– Não vou retirar nada, só disse a verdade, nada mais. – Provocou. Como ainda estava de olhos fechados, não teve como nem como tentar reagir quando Emma a empurrou para fora da cama, a levando ao chão. Do mesmo jeito que caiu, ficou. A preguiça que habitava seu corpo era tamanha, que nem os olhos conseguia abrir. Em outras circunstâncias ficaria irritadíssima por Emma ter feito aquilo, mas naquela, tudo que fez foi sorrir. Aliás, estava com sérios problemas para conseguir tirar o sorriso do rosto.

– E agora, se eu chamar ela de desafinada vai fazer o que? Cavar um buraco e me jogar dentro? – Voltou a provocar. A preguiça da namorada abusada, junto com sua provocação barata, fez a loira rir. Segundo depois também estava no chão, com o corpo sobre o de Regina.

– Não, vou fazer algo pior. – Avisou ao cutucar as costelas da morena, que se contorceu no mesmo segundo.

– Emma, eu estou mole, sem forças nem para abrir os olhos, viver nesse momento está sendo uma coisa bem difícil, então por favor, sem cocegas. – Pediu.

– Isso também é culpa sua. Você me provocou. Eu avisei que ia fazer você pedir arrego. – Regina voltou a sorrir ao lembrar-se de alguns momentos da noite.

– Não me lembro de ter pedido arrego. – Muito provavelmente teria pedido, se Ruby não tivesse batido na porta da estufa, avisando que os guardas estavam indo fazer a contagem.

– Porque você foi salva pela contagem. Regina, você colocou essa roupa laranja fashion, deitou nessa cama, me agarrou como se eu fosse seu bicho de pelúcia e desmaiou no mesmo segundo, ou seja, você estava acabada. Com certeza pediria arrego. – Sem conseguir achar uma resposta a altura, a morena levantou a mão.

– Fala com a minha mão, Emma. – Pediu, fazendo a namorada rir.

– Abre esses olhos, Regina Mills. – Pediu. Como resposta Regina balançou a cabeça negando. – Abre! – Voltou a pedir e a morena voltou a negar. – Abre já esses olhos! – Seus dedos pressionaram as bochechas da morena, então balançaram sua cabeça de um lado para o outro. Não restou outra alternativa a Regina a não ser abrir a droga dos olhos.

– Você sabe que eu sou mais forte, então já deixo avisado que vou me vingar disso assim que me recuperar. – Ameaçou. Emma sorriu e lhe deu um breve beijo nos lábios.

– Era desse jeito que você acordava suas namoradas? Jogando elas no chão? – Tentou fazer com que sua pergunta soasse séria.

– Sim. Inclusive, algumas eu quase chutava para fora de casa. – Ouvir tamanho absurdo fez a morena gargalhar.

– Cafajeste! – Acusou.

– Cafajeste não, prática. – Corrigiu. A morena balançou a cabeça em sinal de descrença e levou sua mão até os cabelos da loira, os colocando para trás da orelha. Os cabelos da namorada estavam uma bagunça, seu rosto estava amassado e inchado e mesmo assim ela continuava linda.

– Muito prática. – Afagou o rosto da amiga, a fazendo sorrir e suspirar.

– Se estivéssemos em minha casa, você estaria sem roupas. Deixaria você desmaiada na minha cama e iria para cozinha. Faria para você o que nunca fiz para ninguém, café da manhã. – Ouvir aquilo fez as borboletas preguiçosas do estomago da morena, acordarem. Pendurou os braços no pescoço de Emma e lhe sorriu.

– É mesmo? – Indagou fazendo charme. Emma afirmou com a cabeça. – E me acordaria desse mesmo jeito romântico? – Negou.

– Não. Acordaria você com muitos, muitos beijos, abraços e caricias. Provavelmente o café da manhã teria que esperar um pouco ao lado da cama. – Contou. — Jogar você no chão seria a segunda opção, caso tudo isso não funcionasse. – A morena suspirou e levantou a cabeça, dando um breve beijo nos lábios da namorada.

– Fica combinado assim, você me deve um café da manhã. – Avisou. Emma não pôde deixar de sorrir ao ouvir aquilo. Se estava devendo um café da manhã, então Regina continuava querendo a ver fora dali. Não disse aquilo só pela emoção do momento.

– Um só não, Regina Mills. Quero dever todos os cafés da manhã da sua vida. – Só Deus sabia o quanto a morena queria os cobrar. Suspirou. Seria estranho se dissesse que mesmo estando onde estava, nunca tinha dormido e acordado tão bem? Não tinha palavras para expressar como estava se sentindo. Então sim, queria aquilo para o resto de sua vida. — Bom dia, namorada panda gostosa! – Desejou, tirando Regina dos seus pensamentos.

– Panda? – Mais um apelido?

– Além de dormir feito um urso, você dormiu de maquiagem, agora seus olhos estão meio que parecendo os de um panda. – Explicou.

– Só para você ficar sabendo, sua situação não é diferente da minha. – Avisou.

– Somos duas pandas lindas, fofinhas e apertáveis então. – Concluiu. – Agora me diz, dormiu bem? – A morena sorriu pela cara de boba-alegre da namorada. Sabia que ela sabia muito bem o quão maravilhosamente bem tinha dormido.

– Poderia ainda estar dormindo, se você não começasse a tagarelar já logo cedo. – Reclamou. Emma arqueou as sobrancelhas.

– Cedo? Regina, posso apostar que já passa e muito do meio dia. – Avisou. – Franch e Ruby saíram para almoçar já faz um tempo. Enquanto isso você estava babando em cima de mim. – Os olhos da morena cresceram em sinal de surpresa.

– Que horas são? Será que ainda tem almoço? Estou com fome. – A possibilidade de ficar sem almoço a fez desperta de vez. Seu estômago mandava claros sinais de que precisava ser alimentado o quanto antes.

– Olha quem finalmente acordou! – Emma debochou. – Se não tiver a gente faz uma boquinha na cozinha. – A tranquilizou.

– Aí estão vocês! Rolando de amor pelo chão, que romântico! – Ruby debochou, parada em frente a cela. Regina levantou a mão e lhe deu um tchauzinho, já Emma continuou exatamente onde estava.

– Você está atrapalhando nosso momento. – Reclamou.

– Me desculpem atrapalhar o momento bolha. – Ironizou. – Mas é que o horário de visita começou já tem uns vinte minutos e eu não pude deixar de perceber a impaciência de alguns membros das famílias de vocês, por estarem demorando. – Ao ouvir aquilo Regina tirou Emma de cima de cima, e em questão de segundos já estava de pé.

– Meu Deus! Não acredito que perdi a hora desse jeito. – Falou mais consigo do que outra coisa. Andava de um lado para o outro sem saber o que fazer primeiro, já Emma suspirou se lamentando. Claro que aquele momento delas não podia se prolongar por muito tempo. Afinal, sorte sempre foi uma palavra que nunca fez parte da sua vida. – Lavar o rosto, escovar os dentes, pentear os cabelos. Droga! Quanto tempo vai demorar isso? – Continuo falando sozinha. Ao ver o quanto a namorada estava nervosa, Emma a pegou pelos braços e a fez parar.

– Calma, respira! – Pediu. – Esquece o rosto e os dentes, só prende os cabelos e vai. Aposto que seu filho já viu muitas vezes você ao acordar. Então relaxa. – “Esqueceu” de mencionar o marido, pena que sua mente não conseguia parar de gritar que Regina o veria e provavelmente beijaria.

A morena concordou com a cabeça e fez o que lhe foi sugerido. Passou a escova pelos cabelos e os prendeu. Por algum motivo, esperou por Emma, que fez o mesmo procedimento. Saíram da cela junto com Ruby. Andavam a passos largos, ambas nervosas. Uma por ter que encarar o marido. Outra por ter que assistir de longe a namorada socializando com o mesmo.

Emma jogou as mãos para dentro dos bolsos e Regina fez a mesma coisa quase ao mesmo tempo, daquele jeito era mais seguro suas mãos não se procurarem, mas andavam tão próximas que seus braços se tocavam, ambas perceberam aquilo, mas nenhuma das duas fez menção de se afastar.

– Vocês duas estão com cara de culpadas, então falem alguma coisa, vamos fazer de conta que somos três amiguinhas. – Ruby pediu, tentando distrair.

– Vinte minutos atrasada vai me render uma dor de cabeça. – Regina resmungou, pensando no marido. Pensar no marido a deixava ruim, se perguntava de que jeito iria levantar a cabeça para encara-lo depois da noite que teve com Emma.

– Negue até a morte. – Ruby sugeriu.

– Hey! – Emma cutucou seu braço, a fazendo a olhar. – Não esqueça que ele está em dívida com você. Foi ele quem bebeu todas na semana passada e gritou com Henry, então provavelmente vai estar calminho. – Tentou tranquiliza-la.

– Eu só queria pular esse momento. – Soltou com o ar.

– Eu também. Daí eu não precisaria ver vocês dois juntos. – Emma resmungou, fazendo a morena se sentir ainda mais culpada.

– Shiu! Você não tem direito de falar isso. – Ruby advertiu a loira, que acabou suspirando, sabendo que a ruiva tinha razão.

– Desculpa! – Pediu a namorada. – Faça o que você tiver que fazer, eu fecho os olhos. – Avisou. Não tiveram mais tempo de falar nada, já que tinham alcançado a sala de visitas. Seus olhos procuravam por seus respectivos familiares, e foi Regina que encontrou primeiro. Avistou apenas Henry e ao lado dele, o pai de Emma. Ambos já tinham as achados e estavam com os olhos fixos nelas.

– Lá! – Regina apontou com a cabeça, fazendo Emma os ver, então caminharam até eles. Enquanto Henry, jogou-se nos braços da mãe, Emma fez o mesmo com o seu pai.

– Saudades de você! – O menino murmurou enquanto era esmagado pelos braços da mãe. A apertava com a mesma intensidade, como se fazendo aquilo, conseguisse amenizar um pouco a falta que sua mãe fazia. Adorava os braços protetores de Regina, adorava aquele abraço esmagador, adorava o cheiro dela. Sentia tanto a falta dela. Falta das conversas, das brincadeiras e até das broncas.

Mesmo sabendo que a mãe estava na prisão, o garoto a procurava em todos os cômodos da casa, deixava o quarto dela por último. Lá, ele jogava-se na cama, e se agarrava ao travesseiro dela e ficava por horas. Quando fechava os olhos, podia quase alcança-la.

Nunca imaginou que um dia se sentiria tão sozinho, como se sentia todas as vezes que chegava em casa. Seu pai estava sempre muito enrolado para lhe dar atenção. Quando não chegava tarde em casa, trazia o serviço para casa, se trancava no escritório e só saia de lá tarde da noite. Henry, passou a chegar em casa sozinho, jantar sozinho, assistir TV sozinho, falar sozinho, acordar sozinho. Muitas vezes se sentia um fantasma. Se não fosse por algodão, seu fiel companheiro de solidão, acharia que tinha mesmo desaparecido, se tornado invisível.

Muitas vezes se perguntava se tudo voltaria a ser como era, quando sua mãe enfim voltasse para casa. Não entendia absolutamente nada sobre relacionamentos, mas a impressão que tinha era que seus pais pareciam mais distantes a cada semana que passava. Sabia que sua família estava desmoronando, só não sabia porque estava acontecendo. As vezes não conseguia mais imagina-los juntos novamente e aquilo o deixava angustiado, e as vezes o fazia chorar.

– Muitas saudades de você! – Regina respondeu enquanto o enchia de beijos. – Nunca mais invente de ir um jogo em um dia de domingo. – Pediu, se recusando a solta-lo. Só Deus sabia a falta que sentia do filho. Se não fosse por Emma, provavelmente já estaria louca. Fisicamente, Henry não tinha herdado muito dela, mas herdou todo o resto.

Assim como Regina, Henry preferia sofrer sozinho. Nunca foi de dividir seus medos, suas angustias, suas tristezas com alguém. Gostava de sofrer calado, e assim como ela, fazia de conta que tudo estava bem. Abria-se única e exclusivamente com Regina, nunca conseguiu esconder nada dela e aquilo era o que mais a angustiava.

Ela sabia que ele guardaria todos os seus problemas para si, sabia que não falaria sobre eles nem com o pai, sabia que não conseguiria arrancar muita coisa dele, estando onde estava e temia, temia que aquilo viesse o afetar no futuro, temia voltar para casa e não conseguir mais conversar com seu filho, temia que ele se tornasse um adulto frustrado, com medo de se relacionar com pessoas, medo de se aproximar muito de alguém, medo de arriscar-se a ser feliz, como ela se tornou.

Tinham tantas conversas para colocar em dia. Tantas opiniões formadas que tinha compartilhado com o filho, tinham vindo ao chão. Queria lhe dizer que não, embora estudar e trabalhar continuassem sendo coisas essenciais, não eram necessariamente as mais importantes, como dizia ser há pouco tempo atrás.

Queria lhe dizer que quando ele encontrasse alguém que lhe fizesse perder as estribeiras, a razão, o senso do ridículo, que o fizesse sorrir sem motivo algum, e gargalhar por coisas estupidas, que fizesse seu estomago agitar, suas pernas bambearem, suas mãos suarem frio e seu coração bater forte e rápido, deveria agarrar esse alguém, por mais difícil e impossível que viesse a ser, deveria lutar por essa pessoa, e nunca, nunca mais deixa-la se afastar de si. Queria lhe dizer que aquilo só acontece de verdade, para valer mesmo, uma vez na vida, e caso ele deixasse esse amor escapulir por entre os dedos, sua vida nunca mais seria a mesma, seus sorrisos nunca mais seriam os mesmos, a esperança que tinha sobre um final feliz, como os de contos de fada, nunca mais seria a mesma. Sobreviveria? Sim, sobreviveria, afinal, ninguém morre por amor, mas muitas vezes, mesmo rodeado de muitas pessoas, iria sentir sozinho, solitário, triste, como se estivesse faltando uma parte de si.

Precisavam ter aquela conversa e a teriam, assim que ela saísse dali. Não sabia sobre seu futuro com Emma, tinha muitas dúvidas sobre ele, mas contaria toda a história para Henry, contaria para que quando chegasse a vez dele, ele não cometesse os mesmos erros que elas cometeram.

– Ano que vem você pode ir com a gente. – A lembrou, fazendo o sorriso dela se desfazer. Ano que vem, tinha tempo demais até o ano que vem, e ela não tinha nem um pouco de certeza, sobre como estaria sua vida dali um ano. – Hey, você! – Henry saudou Emma, que assistia o chamego de mãe e filho.

– Hey, garoto Netflix! Será que rola um abraço, ou sua mãe vai monopolizar? – Regina lhe sorriu e mostrou a língua.

– Vou monopolizar. Hoje ele é só meu. – Avisou, ao passar o braço em volta do pescoço do filho e lhe beijar-lhe a testa.

– Possessiva! – Henry pegou no pé da mãe, e levantou a cabeça para olha-la. – Onde você estava? – Indagou.

– Dormindo. – Respondeu meio sem jeito. O garoto analisou a mãe por um tempo, antes de tirar os olhos dela e voltar-se para Emma.

– Você também? – Emma nunca foi uma pessoa envergonhada, mas tal pergunta a deixou completamente desconfortável.

– Pois é! – Deu um sorriso forçado.

– E acordaram juntas? – Voltou a indagar.

– Na verdade, Ruby nos acordou e avisou que estávamos atrasadas. – Regina tratou logo de explicar.

– É. E aí eu dei uma carona a pé para sua mãe até aqui. – Emma continuou. Henry por sua vez balançou a cabeça em sinal de concordância, mas teve certeza que tinha mais alguma coisa naquela história, só não sabia o que. As duas tiveram uma reação bem estranha aquela simples pergunta, pareciam envergonhadas, sem jeito ou coisa assim, se perguntou o motivo daquilo.

Desde que ouviu o pai aos berros no telefone com a loira, soube que existia alguma coisa entre ela e sua mãe, que ninguém queria lhe contar. No dia seguinte quando seu pai estava bem mais calmo, tentou saber sobre algo, mas ele desconversou. Sabia que se perguntasse para a mãe, ela também desconversaria, então só restava uma pessoa. Emma. Algo lhe dizia que a loira das tatuagens, seria honesta com ele, como seus pais não queriam ser.

– Entendi. – Resolveu entrar no jogo delas. – Eu vou ali na recepção chamar meu pai. – Avisou. – Ele pensou que tinha acontecido alguma coisa com você e foi pedir para alguém verificar. – Explicou para Regina. – Vou lá avisar que a Bela adormecida só estava dormindo. – A morena tentou sorrir e concordou com a cabeça. Henry a beijou, voltou a abraça-la e por fim, saiu de seus braços. – Oi, garota das tatuagens escondidas! – Cumprimentou Emma, que acabou sorrindo e trocando um breve olhar com Regina, como se quisesse a lembrar das tatuagens.

– Oi, garoto Netflix! – Levou a mão até o rosto dele o afagando, antes de puxa-lo e dar um beijo estalado em sua bochecha. – Conseguiu minhas coisas? – Indagou com ele.

– O autógrafo da sua estrela suprema está no meu bolso. – Avisou, a fazendo bater palmas de empolgação.

– E a Katy Perry? – Ele sorriu e afastou-se.

– Depois a gente conversa! – Avisou antes de ir.

– Quem será foi o príncipe que acordou a Bela adormecida? – Emma questionou com Regina, quando Henry já estava longe dali. Regina lhe lançou um olhar de censura, a fazendo rir. – Uma princesa quem sabe? – Voltou a provocar.

– Calada! – Pediu educadamente tentando não sorrir.

– Então... – David, que tinha se limitado a assistir a tudo no mais profundo silêncio, resolveu se manifestar. – Quer dizer que eu tenho uma nora de cadeia? – Indagou com Regina, que não soube onde enfiar a cara.

– Oh, por favor! – Resmungou.

– Você nem vai dar um abraço no seu sogro, dizer oi, ou coisa assim? – Regina o olhou completamente desconcertada o que arrancou uma gargalhada de Emma.

– Eu vou matar você. – Resmungou com a loira, antes de completamente sem jeito, dar um abraço no tio.

– Oi, tio! – Foi tudo que seu nervosismo junto com sua vergonha, lhe deixaram dizer.

– Oi, garota! – A abraçou apertado. – Não sei exatamente como vai ser o relacionamento de vocês, mas, bem vinda de volta a família! – Quando soube pela boca da mulher, que Emma e Regina estavam se relacionando, depois de ficar surpreso, o homem ficou feliz. Os melhores anos de Emma, foram ao lado de Regina, e ele tinha certeza que, se a morena voltasse de alguma forma para vida da filha, Emma finalmente entraria nos trilhos. Não se incomodava com o fato de ela ser mulher, aquilo pouco lhe importava, tudo que ele realmente queria, era ver a filha bem, longe das drogas, do tráfico e feliz. E se existia alguma pessoa capaz de tornar tudo aquilo possível, tal pessoa era com certeza Regina.

– Eu não sei o que dizer. – Confidenciou. O homem a soltou e beijou sua bochecha.

– Não precisa dizer nada. – Respondeu sorrido. Então puxou Emma, a colocando ao lado da morena. – Vocês parecem apaixonadas. Na verdade, sempre pareceram assim. Como eu fui tão cego? – Falava consigo mesmo, o que fazia Emma rir e deixava Regina ainda mais envergonhada. — Vocês formam um belo casal. – Elogiou. Emma sorriu e agradeceu, já Regina, deixou os olhos nos pés, enquanto pensava no quão vermelho, seu rosto deveria estar.

– Ela está tímida. – Emma pegou no pé da namorada.

– Estou vendo. – David entrou na brincadeira. – E o dia dos namorados, deu tudo certo? – Pelo sorriso radiante que a loira abriu, o homem constatou que sim.

– Pai, foi sem dúvida nenhuma, o melhor dia de toda a minha vida. – A morena esboçou um sorriso ao ouvir o tom animado que Emma contou aquilo ao pai, mas falar sobre as duas na frente do tio, a deixava completamente envergonhada. Não queria também que Robin chegasse ali e ouvisse algo a respeito, então resolveu que procuraria uma mesa vaga, e esperar pelo filho e o marido lá.

– Eu preciso ir. – Explicou, seu polegar apontou para trás de si, enquanto seus olhos diziam aos de Emma que ela não podia ficar ali.

– Volte para mim, baby! – Sorriu e piscou um olho. Regina acabou rindo e balançando a cabeça em sinal de negativo, pela palavra “baby”.

– Pode apostar que sim. – Sussurrou, e então voltou-se para o tio. – Tchau, tio David! – O abraçou e beijou.

– Tchau, Regina! Cuide bem da sua namorada. – Pediu. Ainda envergonhada, Regina apenas balançou a cabeça concordando.

– Dê um abraço na tia Mary. – Mudou de assunto.

– Se quiser dar pessoalmente, ela está lá. – Apontou para uma mesa a sua frente. Regina seguiu a direção de seu indicador e viu a mulher, que estava com os olhos fixos neles. Levantou a mão para a tia, que prontamente levantou a sua em resposta. Regina não pode deixar de notar a mulher ao lado de Mary. Não fazia ideia de quem era, mas tal mulher também lhe levantou a mão, aparentemente a cumprimentado.

– O quê?!? – O tom incrédulo e um pouco irritado de Emma, chamou a atenção da morena. Pela cara de indignação da loira, concluiu que a mulher que estava com Mary não era nem um pouco esperada. – O que ela está fazendo aqui? – Indagou com o pai.

– Eu não sei. Encontramos ela na fila de revista. Se ela está aqui é porque você pôs o nome dela na lista. – O coração de Regina disparou quando ela deduziu quem era a mulher. E suas pernas amoleceram quando ela olhou de novo para o lugar onde ela estava e a viu vindo na direção de Emma. Queria sair dali, queria muito sair dali, assim como queria ficar e demarcar território, além de ver de perto a tal Jennifer.

– Eu posso explicar. – Emma tratou logo de falar, ao ver a expressão fechada da namorada, que tinha os olhos fixos na ex-namorada. Estava nervosa com a situação, porque sabia que Robin também estava por ali, então não teria como mostrar para Jennifer que estava muito bem, obrigada, e o mais importante, mostrar para Regina que a ex-namorada não significava nada.

Claro, claro que as coisas não podiam ficar tranquilas por muito tempo, estava tudo muito bom para ser verdade, aquilo não combinava com a sua vida ferrada. Quando pôs o nome de Jennifer na lista, ainda não tinha começado a se envolver com Regina de fato, e mesmo assim, só pôs porquê... porque era uma idiota. Jennifer lhe escreveu uma carta, parecia arrependida, dizia que queria a ver pessoalmente para se explicar e desculpar, que elas poderiam ser amigas e seguir a vida sem ressentimentos, e a loira cedeu. Mas já fazia mais de um mês que tinha posto o maldito nome na lista, nem lembrava-se mais que um dia Jennifer existiu em sua vida, e agora ela estava lá, como em um filme de terror, voltou para inferniza-la.

– Hey! – Emma estava tão perdida nos seus pensamentos que nem percebeu que a ex-namorada os tinha alcançado e estava parada em sua frente, com um sorriso largo, como se tudo entre elas estivesse muito bem.

– Hey! – Murmurou.

– Posso te dar um abraço? – Pediu.

– Você merece um abraço? – Seu tom de voz saiu ressentido e Regina não deixou de perceber tal coisa.

– Por favor, gata! Pelos velhos tempos. – Voltou a sorrir e abriu os braços. Emma espiou Regina pelo canto dos olhos, e deduziu que talvez a morena fosse pular no pescoço de Jennifer caso o tal abraço acontecesse, e se aquilo acontecesse, a morena acabaria na solitária.

– Acho que um aperto de mão está de bom tamanho. – Emma avisou ao estender a mão. Sua ex sorriu, concordou e apertou sua mão, mas não se contentou só com isso, então a puxou para um abraço, o que fez Regina respirar fundo, contar até dez e absorver.

A tal Jennifer era mais jovem do que ela imaginava, e infelizmente, mais bonita também. Alta, magra, corpo esbelto. Seus cabelos negros e ondulados iam até o meio das costas, tinha um sorriso branco brilhante perfeito, e olhos incrivelmente azuis. Suas roupas estavam mais para festa, do que para uma visita a prisão. Usava um vestido justo vermelho, com uma jaqueta de couro preta. Calçava sandálias de salto, que eram da cor de sua jaqueta. Era desinibida e muito segura de si.

Seus braços continuavam em volta de Emma, que tinha os braços baixos, juntos as laterais do corpo, ela visivelmente não correspondia aquilo, mas mesmo assim a morena estava com raiva. Se perguntava o que aquelazinha fazia ali e por que Emma pôs o nome dela na lista. Perguntou-se também se era daquele jeito que Emma se sentia quando a via com Robin.

– Você já pode me largar agora. – A loira ordenou e foi obedecida. Rapidamente deu dois passos para trás, se afastando de Jennifer e parando ao lado de Regina. Olhou para a morena, querendo que ela fizesse o mesmo, mas os olhos irritados da namorada permaneceram exatamente onde estavam, o que nada mais significava do que: eu não quero falar com você.

– Você é? – Jennifer apontou para Regina, que abriu um sorrisinho irônico.

– Regina Mills. – Respondeu cheia de confiança e segurança, algo que não fazia parte de si naquele momento. Viu os olhos da tal Jennifer crescerem em sinal de surpresa e incredulidade.

– Meu Deus! Eu pensei que você fosse obra da mente de Emma. Já ouvi muito falar de você, muito mesmo, principalmente quando estávamos transando. Você é um mito. – Estendeu a mão para Regina. – Sou Jennifer Fox. – Muito sem vontade Regina apertou a mão da mulher.

– Eu também já ouvi falar de você e sei exatamente a filha da mãe que você é. – Emma arqueou as sobrancelhas ao ouvir aquilo e sentiu uma imensa vontade de rir. Já Jennifer estava surpresa com a grosseria gratuita.

– O que andou falando sobre mim, gata? – Emma deu de ombros.

– Apenas a verdade, nada mais.

– Então, parece que eu perdi? – Emma sorriu sem humor.

– Você nunca teve chances de ganhar. – Tinha certeza que a ex sabia daquilo, talvez por tal motivo, tenha ido embora com Neal.

– Boa tarde! – Claro que para piorar ainda mais toda aquela situação, chegou que faltava. Robin. Emma fechou a cara ao vê-lo, fechou também as mãos em punho. Ainda não tinha esquecido o que ele tinha lhe falado por telefone, e só não partiria para cima dele naquele exato momento, porque Jefferson lhe passou um relatório completo do final de semana que o idiota passou com o filho no Arizona, e segundo tal relatório, Robin era um bom pai.

Assim como Emma, Robin também sentia uma imensa vontade de partir para agressão física. Se pudesse, arrancaria a tapas os dentes da frente daquela loira estupida, mas sabia que se fizesse tal coisa, Regina sairia em defesa dela. Então fez a única coisa que poderia fazer naquele momento, a ignorou, fez de conta que ela nem estava ali. Sorriu para todos, e então puxou sua mulher para si, a tirando de perto de Emma.

Regina que já estava nervosa, ao ouvir a voz do marido e sentir as mãos dele puxando sua cintura, pensou que aquele era um ótimo momento para morrer. Respirou fundo e girou os calcanhares, ficando de frente para o marido. Não conseguiu o olhar nos olhos por mais de dois segundos, retribuiu o sorriso que ele lhe lançava e muito sem vontade, repousou os braços nos do marido.

– Oi, querido! – O saudou.

– Oi, querida! – Robin aproximou-se para beija-la, por impulso ela acabou esquivando seus lábios e lhe deu um beijo demorado no rosto. Emma vibrou e agradeceu a Deus, por Regina tê-la poupado daquilo. Já Robin suspirou, e praguejou contra o diabo que atendia pelo nome de Emma, sabia que ela tinha tudo a ver com aquilo. – Tudo bem? – Questionou quando Regina afastou-se.

– Tudo. – Foi a única coisa que respondeu, de novo desviando os olhos dos dele.

– Par você! – Henry parou em frente a loira das tatuagens e lhe estendeu um papel, tirando a atenção dela do rival.

– Me deixe ver. – Sorriu e tirou o papel da mão do garoto. – Por que você dobrou tanto, ô da netflix? – Implicou com ele enquanto desdobrava.

– Porque eu sabia que você reclamaria. – Foi sincero. Emma lhe mostrou a língua o fazendo rir. Quando finalmente conseguiu desdobrar a folha A4, abriu um sorriso enorme. “Para Emma Swan, a torcedora que mesmo presa, estará conosco em pensamento. Um abraço, Tom Brady”. Era o que estava escrito lá.

– Ahhhh, eu te amo, cara! – Puxou Henry para um abraço esmagador, e foi além o enchendo de beijos. Regina não conseguiu deixar de sorrir ao assistir aquela cena e Robin não conseguiu deixar de bufar pelo mesmo motivo.

– Para com isso! – O garoto pediu rindo. – Assim eu vou pensar que você está me dando bola. – Implicou com ela, que só cessou o ataque quando se deu por satisfeita.

– Nesse momento eu estou tipo, te dando muita bola. – Piscou para ele o fazendo gargalhar.

– Interesseira! – A acusou. – Tenho medo de mostrar o resto. – Emma abriu um sorriso enorme ao ouvir aquilo.

– Tem resto? Ah meu Deus! Ah meu Deus! – Começou a quicar contra o chão, parecendo uma criança prestes a ganhar seu presente de natal.

– Cara! Para de ser ridícula. – Henry não conseguia parar de rir da euforia da loira das tatuagens. Tinha medo que ela fizesse um escândalo quando visse o próximo presente. – Só vou entregar se você prometer se comportar. – Ela parou de pular e levantou a mão direita.

– Tem minha palavra! – Prometeu.

– Para sua sorte, eu levei a polaroid da minha mãe junto comigo. – Emma juntou as sobrancelhas, a cara de quem não tinha entendido nada, fez o garoto voltar a rir.

– O que diabos é polaroid? – Indagou.

– Uma câmera de revelação instantânea. – Explicou. – Então eu usei a polaroid para isso. – Estendeu um envelope amarelo para a loira, que pegou de imediato. Ao tirar a foto lá de dentro, não conseguiu manter sua palavra e voltou a fazer escândalo.

– Cara! Cara! Cara! Garoto!!! Você é um cara muito, muito, muito sortudo. Fodidamente sortudo! Ah meu Deus! Ah meu Deus! Ah meu Deus! Você falou meu nome pra ela? Ela sabe meu nome! Katy Perry sabe meu nome. Ela segurou meu nome dentro de um coração lindo, lindo. Ela tem uma foto segurando meu nome! – Seus olhos brilhavam e ela não conseguia os tirar da foto onde Katy Perry estava, um braço estava pendurado no pescoço de Henry, a mão livre segurava uma folha com seu nome escrito dentro de um coração. – Eu vou colar essa foto na parede da minha cela, bem do ladinho da minha cama, para eu ver vocês dois todas as noites antes de dormir. – Contou. – Olha só, Regina Mills, seu filho, a Katy Perry e eu! – Tornou a foto visível para a morena, que tentava não rir pela euforia da namorada.

– Sua ridícula! – Implicou. — Quantos anos você tem mesmo? – Não perdeu a oportunidade de pegar no pé da loira.

– Uns quinze ou dezesseis, estou no auge da minha vida de fã. – Ouvir aquilo fez a morena gargalhar.

– Deixa eu ver isso aqui. – Deu dois passos à frente, parando bem próxima a Emma, então puxou a foto de sua mão. Procurou o verso da foto, tinha alguma coisa escrita lá, e Emma ainda nem tinha se dado conta daquilo. — “Emma, Henry me falou sobre você e sobre a sua vontade de estar aqui. Segundo ele você é 100% Team Katy! Você vai entrar comigo naquele estádio amanhã, e eles vãos nos ouvir rugir! Beijos, Katy!”. - Regina leu muito sem vontade e estendeu a foto para a namorada, que tinha os olhos brilhando. Sabia que ela estava prestes a ter um ataque de euforia. – Controle-se, não surte. – Pediu. – Ou os guardas vão levar você. – Avisou. Emma balançou a cabeça muitas vezes em sinal de concordância, pegou sua foto de volta, passou o braço em vota do pescoço de Henry e o puxou para si.

– Ah, garoto!!! Eu queria estar gritando, gritando muito e pulando também. – Confidenciou. – Pulando e gritando para todo esse povo ouvir que você é o melhor garoto de todo o mundo. O meu garoto! Meu Deus, Henry! Eu quero você para mim. – Beijou o topo de sua cabeça.

– Esqueça, ele já tem dona. – Regina avisou, sem conseguir conter seu sorriso bobo. Ver os dois junto fazia seu coração idiota bater forte. Eles se davam tão bem, que pareciam se conhecer há muito tempo, em momento algum se sentia enciumada ou algo do gênero, na verdade, adorava aquilo. Emma conseguia fazer com Henry, a mesma coisa que fazia com ela. O fazia sorrir, o fazia feliz e aquele era um dos motivos que fazia com que Regina a amasse ainda mais.

– Não briguem, mulheres! Tem Henry para todas. – O próprio avisou.

– Quem é você? – Emma só se deu conta que Jennifer ainda estava por ali, naquele momento. Ela olhava com curiosidade para Henry, que lhe lançava um olhar também curioso para a morena desconhecida.

– Meu filho. – O sorriso de Regina se desfez e sua resposta não saiu nada simpática.

– E quem é você? – O garoto indagou.

– Jeniffer, a namorada de Emma. – Apresentou-se.

– Ex. Ex-namorada. – Emma tratou de deixar aquilo bem claro.

– Nós nunca terminamos de fato. – Voltou-se para Emma, que acabou parando os olhos em Regina, para estudar seu semblante.

– Você indo embora com outro cara para mim foi o fim, mas se quer ouvir com todas as letras. Acabou, Jennifer. Acabou faz algum tempo. – Queria matar a ex-namorada. Pela cara nada amigável de Regina, sabia que teriam uma DR longa muito em breve.

– Vamos conversar, gata! Me deixa explicar. – Insistiu.

– Querida, acho que devemos dar privacidade a elas. – Robin sussurrou com Regina, que tinha a cara fechada e os olhos fixos em Emma. Balançou a cabeça concordando e deixou Robin a levar para longe dali. Antes de seguir os pais, Henry estendeu outro pedaço de papel para Emma, que o olhou sem entender.

– É o número do meu celular. – Explicou. – Me liga, quando não estiver com a minha mãe. – Deixou claro. – E não fale sobre isso para ela. – Pediu. Emma o olhava com curiosidade. Mil coisas passaram por sua cabeça, mas pela cara do garoto sabia que não arrancaria nada dele naquele momento, então apenas balançou a cabeça concordando.

– Ok. – Ele sorriu e lhe abraçou.

– Tchau, garota das tatuagens. – Lhe beijou o rosto, e sem se despedir de mais ninguém, foi de encontro aos pais.

Para a infelicidade de Regina, acabaram sentando próximos a mesa onde estava a mãe de Emma. A loira e sua ex não demoraram a aparecer por ali. Como não há nada de ruim, que não possa piorar, Mary Margaret sussurrou alguma coisa com o marido, e os dois saíram dali, deixando as mulheres sozinhas.

– Como você está? – Robin segurou as mãos da mulher, que suspirou, tirou os olhos dos de Emma e resolveu encarar o marido. Olhou em seus olhos e sentiu a culpa lhe atingir em cheio. Ele a olhava atentamente, preocupado com ela, enquanto tudo que ela conseguia pensar era em Emma e na infeliz da ex namorada. Aquilo era tão errado. Era tão injusto com ele. Resolveu que tinha que deixar Emma para lá e prestar atenção no marido, pelo menos enquanto ele estivesse ali com ela.

– Estou bem. – Tentou sorrir. – E você, como está? – O homem suspirou e tentou lhe sorrir de volta.

– Sobrevivendo. – Sou voz soou triste. Ele sabia. Regina soube naquele momento que ele sabia. Sentiu-se a pior mulher do mundo. Tirou os olhos do marido e encarou as mãos que estavam unidas as dele.

– Você quer uma Coca-Cola? – Henry que tinha acabado de sentar ao lado da mãe, ao perceber o clima entranho entre os pais, se ofereceu para ir buscar o refrigerante, assim poderia deixá-los sozinhos.

– Light. – O lembrou. – E um pacote de Doritos. – O garoto assentiu, levantou-se e foi. Os olhos da morena acompanharam o filho. Suspirou ao ver o quanto ele estava crescido, não só fisicamente. Henry tinha amadurecido muito durante aqueles meses que ela estava ali.

– Isso no seu rosto é maquiagem? – Robin indagou, a fazendo tirar a atenção do filho. Apesar de ser uma pergunta simples e aparentemente sem muita importância, Regina ficou muito, muito desconcertada.

– Sim. – Passou a mão debaixo dos olhos, em uma falha tentativa de remover o que tinha restado da maquiagem de lá. – Ontem à noite tivemos algo como, baile do dia dos namorados. – Explicou. Robin concordou com a cabeça, seu coração bateu forte, e ele decidiu que não queria mesmo saber sobre aquilo.

– Vamos falar sobre outra coisa. – Pediu. Regina suspirou aliviada e concordou de imediato.

– O que aconteceu com você na semana passada, Robin? – Teriam que falar sobre aquilo, não podia simplesmente ignorar e fingir que não aconteceu nada.

– Acabei bebendo mais do que deveria. – Murmurou em tom de desculpas.

– O que deu na sua cabeça, Robin? Você é o responsável por Henry, não ao contrário. Você sabe muito bem o que acontece quando bebe demais, sabe o quão agressivo se torna. – O acusou.

– Você fala como se eu me tornasse um agressor cada vez que bebo. Nunca encostei uma mão em vocês, Regina. – Se defendeu, um tanto quanto chateado.

– Mas já chegou perto, nós dois sabemos muito bem disso e as suas crises de raiva já destruíram nosso quarto e nossa sala algumas vezes. – O homem bufou.

– Ok, ok. Eu sei, sei que não devo beber além da conta, mas o que quer que eu faça? Não consigo simplesmente cruzar os braços enquanto assisto de camarote essa mulher roubar a minha mulher e o meu filho. – Apontou para trás, em direção a Emma, Regina rapidamente o fez baixar a mão. Em uma rápida olhada em direção a mesa da loira, a viu com os olhos atentos e preocupados em si.

– Henry ama você, Robin. Que ideia absurda é essa? – Tirou os olhos da loira e voltou a encarar o marido.

– Essa mulher virou a melhor amiga dele. – Esbravejou. – Eu ouço esse maldito nome incontáveis vezes por dia. Emma, Emma, Emma! Ela não me deixa em paz mais nem em sonhos. Essa bandida quer roubar a minha família! – A acusou. Regina suspirou, fechou os olhos e massageou as têmporas.

– Robin, não seja absurdo. Ela nunca vai roubar seu filho de você. – Soltou com o ar.

– Você só não pode dizer o mesmo sobre a minha mulher, não é? – O coração da morena acelerou ao ouvir aquilo. Voltou a suspirar antes de abrir os olhos e encarar o marido. Não sabia o que dizer. Não era justo dizer que estava tudo bem entre eles, porque não estava. Não era justo dizer que não havia nada entre ela e Emma, porque havia. Não era justo dizer que ficaria tudo bem entre eles, porque tinha cada dia mais certeza que não ficaria. Então limitou-se a ficar em silêncio, enquanto lhe lançava um olhar de quem sentia muito, muito mesmo. – Ela me roubou você. – Não foi uma pergunta, foi uma triste afirmação. Regina percebeu o quanto aquilo o afetava, e mais uma vez se odiou.

– Não. – Tentou negar, o fazendo esboçar um sorriso triste.

– Não faça isso, querida. Não minta. – Pediu. Lagrimas vieram aos olhos da morena.

– Eu sinto muito. – Lamentou-se. Robin balançou a cabeça concordando.

– Eu sei. – Soltou com o ar. — Sabe o que mais eu sei? – Negou. – Eu não vou entregar você de bandeja para ela. Vou lutar por você, Regina. Nós construímos uma vida juntos, temos uma família juntos, uma história juntos. Não quero e não posso simplesmente desistir. – Apertou as mãos da morena e inclinou-se para cima da mesa, aproximando o rosto do da esposa. – Vou reconquistar você, nem que seja a última coisa que eu faça na vida. – Prometeu e sem que ela esperasse, lhe roubou um beijo. Regina manteve-se imóvel, Robin era seu marido, era normal que se beijassem, mas achou aquilo errado, muito errado, tão errado que chegou a sentir nojo. Nojo não só da situação, mas principalmente de si. Era como se estivesse traindo Emma. Rapidamente segurou o rosto do marido entre as mãos e o afastou de si. Tentou lhe sorrir, mas não sabe se conseguiu. Seus olhos preocupados procuraram a loira, sentiu-se ainda pior quando viu o semblante mortificado com o qual ela olhava em sua direção. – Quando você voltar para casa, vou fazer você esquecer que um dia, reencontrou Emma. — Robin fez outra promessa e de novo Regina tentou sorrir. Não, nem que ele tentasse por mil anos, conseguiria faze-la esquecer que reencontrou Emma. Aquilo era impossível, simplesmente pelo fato de Emma ser o amor da sua vida.

– Coca-Cola light e Doritos. – Graças a Deus, Henry estava de volta. Colocou as coisa em frente a mãe e sentou-se ao lado dela. Sem pestanejar a morena abriu o pacote de salgadinho e levou muitos a sua boca, fazendo os homens rirem.

– Isso é o que eu chamo de fome. – Henry comentou sorrindo.

– Isso é o que eu chamo de almoço. – Explicou depois de engolir a comida. Abriu sua lata de refrigerante e entornou, de novo os fazendo rir.

– Se você arrotar eu vou até a recepção e vou exigir que devolvam a minha mãe. – Henry a avisou, a fazendo lhe olhar de canto.

– Não confunda fome, com falta de educação. – Resmungou.

– Você é muito mulherzinha. – Pegou no pé da mãe em uma falsa reclamação.

– Preferia que eu fosse um homenzinho? – Ironizou.

– Ah você podia relaxar mais, tipo Emma. Ela é bonitona e menos mulherzinha, ela é legal, é quase um garoto. – Regina balançou a cabeça em sinal de negativo.

– Está me chamando de chata e me trocando por Emma? – Henry riu.

– Não. Só estou dizendo que Emma tem uma linguagem e atitudes mais jovens. Você deveria pegar umas aulas com ela. – Regina lhe lançou um olhar incrédulo.

– Para adolescente, nós já temos você. Sua mãe é perfeita do jeito que é. Ela não é um moleque, é uma mulher e age como uma. Um dia você vai entender o significado disso. – Robin saiu em defesa da esposa.

– Hey, calma! Só estou brincando, não precisa ficar nervoso. – Henry pediu.

– Não estou nervoso, estou apenas falando a realidade. Enquanto sua mãe varava noites cuidando de você e estudando, Emma dormia. Enquanto ela trabalhava duro, para dar um futuro digno a você, Emma vendia drogas. Sua mãe mal tinha alcançado a vida adulta quando você nasceu, em vez de se fazer de vítima, ela não se abalou. Continuou estudando, cuidou de você, cuidou da casa e ainda arrumou tempo para trabalhar. Você deveria se orgulhar e muito dessa “mulherzinha”. – O garoto estava surpreso pela bronca. Jamais teve a intenção de desmerecer a mãe. Sabia e a admirava por aquilo tudo e muito mais. A olhou preocupado, com medo que a tivesse ofendido. Regina lhe lançou um olhar tranquilo. Ela sabia o que Henry quis dizer, e ao contrário do marido, não se sentia ofendida com aquilo.

– Eu sinto muito. – Desculpou-se com a mãe. – Em momento algum quis dizer que Emma é melhor do que você. Você é uma mulher incrível. E é a melhor mãe do mundo, e isso é incontestável. – Continuou se desculpando. – Eu só quis dizer que ela parece mais leve, mais despreocupada e que você talvez se sentisse mais feliz se tentasse relaxar as vezes, assim como ela faz. – Regina concordou com a cabeça.

– Eu entendi. – Piscou para o filho, que a analisava atentamente, tentando achar algum indicio de mágoa.

– Mesmo? – Indagou ainda preocupado. Regina afirmou.

– Mesmo. Mas eu nunca vou ser como Emma, Henry. Temos personalidades diferentes, somos pessoas diferentes. Emma é única, assim como sua relação com ela é única. Não importa o quão engraçada, despreocupada, desbocada, eu me torne, nunca vou ser ela, assim como ela nunca vai se eu. – Explicou.

– Acabo de me sentir enjoado. – Robin avisou, fazendo cara de nojo para o que ouviu. – Com licença, presido de água. – Pediu ao levantar-se e sair dali.

– Ainda não entendi qual é o problema dele com Emma. – Henry resmungou enquanto seus olhos acompanhavam o pai se afastar. – E não tente me convencer que não existe um. – Regina suspirou, seus olhos também estavam no marido.

– Quando eu sair daqui, Hery. Já disse que quando eu sair daqui, nós conversaremos sobre isso. – O lembrou.

– Não pense que vou me esquecer. – Avisou. Seus olhos acabaram parando na mesa de Emma. Observou com curiosidade a loira e sua ex-namorada rindo e em seguida se abraçando.

– Você acha que elas voltaram? – Questionou com a mãe, sem tirar os olhos das duas. Ao ouvir a pergunta, o coração de Regina disparou, e seus olhos procuraram pela loira. Ao vê-la abraçada a tal Jennifer, suas pernas estremeceram, e sem que percebesse, suas mãos se fecharam em punho. Sentiu a raiva tomando conta de si. Seus olhos se estreitaram, sua mandíbula contraiu. A vontade que tinha era de levantar dali e ir até Emma tirar satisfação.

– Não faço ideia. – Respondeu com raiva.

– Elas combinam, você não acha? – O garoto estava tão entretido com as duas mulheres, que não percebeu o quanto a mãe estava irritada.

– Não, eu não acho. – Se estava com raiva, tudo piorou ao ouvir o filho dizer aquilo. Estava quase levantando para ir lá perguntar a Emma, quanto tempo mais a loira pretendia ficar abraçada a ex-namorada, quando ela finalmente pôs fim ao abraço. Teve vontade de gritar, por Emma ter sequer olhado em sua direção.

– Não me diz que você tem preconceito. – Henry tirou os olhos das mulheres e olhou para a mãe, que lançava um olhar de puro ódio em direção a elas.

– Como disse? – Indagou sem tirar os olhos delas.

– Você tem preconceito? Não gosta de lésbicas? – Sem muita vontade, Regina tirou os olhos da namorada safada e encarou o filho.

– De onde você tirou essa ideia? – Indagou.

– Do jeito como qual você estava olhando para elas. – Explicou.

– De que jeito eu estava olhando para elas? – Questionou preocupada. Tudo que menos precisava naquele momento, era mostrar para o filho que estava gostando de Emma.

– Com o jeito Regina irada de ser. Aquele jeito que faz eu me trancar no meu quarto por um dia inteiro. – A morena esboçou um sorriso.

– Não tenho nenhum preconceito. Só não gosto daquela mulher. – Explicou.

– Você conhece ela? – Regina negou.

– Não, mas Emma me falou sobre ela. Digamos que ela não foi uma namorada legal. – O garoto arqueou as sobrancelhas em sinal de entendimento.

– Você gosta um montão dela, né? – Não precisou perguntar a quem ele estava se referindo, para saber que falava sobre Emma.

– Gosto. – Soltou com o ar. Por um tempo, eles ficam em silêncio. A morena se perguntava o motivo de Jennifer está ali. O motivo de Emma ter colocado seu nome na lista de visita. E o motivo daquele abraço e dos sorrisos.

– Mãe? – Henry rouba sua atenção. – Você já... – Por algum motivo, as bochechas do garoto ficaram vermelhas, o que deixou a morena curiosa.

– Eu já? – O Incentivou a continuar e voltou a entornar sua lata de refrigerante.

– Já beijou... uma mulher? – Ao ouvir tal coisa, Regina engasgou com o refrigerante e começou a tossir, cuspindo todo o líquido que tinha na boca.

Notas finais
E aí, será que a Regina sempre tão sincera, vai falar a verdade para o filho? E o Robin e a Jennifer, elas vão ou não bater boca sobre eles? E o que a Jennifer foi fazer ali? Só digo uma coisa, não tem lado bom para a Emma. hahaha Gente, já estou trabalhando no próximo capitulo, quem sabe ele saia ainda essa semana. Claro que eu conto com os comentários de vocês, né? Acreditem, eles são sempre muito incentivadores. Então por favor, continuem colaborando. Beijos!