Escape
15 Faça você mesmo
Notas iniciais
Passava um pouco das 13:00 horas na prisão do condado de Litchfield. Regina encontrava-se sozinha em sua cela, deitada em sua cama, lendo atentamente o segundo livro da saga cinquenta tons de cinza. Ler foi a solução prática que encontrou para ocupar sua mente e parar de pensar no que não devia.
Desde que beijou Emma, não conseguia parar de pensar naquilo, assim como não conseguia parar de pensar no que diria para o marido. Estava em dúvida entre contar a verdade ou omiti-la. Robin disse que não teria problema se ela ficasse com outra mulher, ele só não queria saber sobre o ocorrido. Por outro lado, a morena sabia que aquela carta branca certamente não valeria quando o assunto fosse Emma. Tá certo que foi um beijo "técnico", foi a Rainha Má quem beijou. Pelo menos um dos beijos, mas ele não precisava saber que os outros não estavam no script, precisava? A morena estava ficando louca por não saber o que fazer. O fato é que era domingo, o marido viria vê-la e ela não fazia ideia do que dizer. Então mergulhou toda sua atenção naquele livro ruim, estava presa na história e naquele momento estava até um pouco excitada.
– Toc, toc. — Foi assim que Emma se anunciou, já que não tinha uma porta para bater. Estava parada diante do beliche onde a morena estava deitada. Olhava com curiosidade a capa do livro que Regina lia. Emma que já tinha ouvido várias detentas comentarem sobre o tal, cinquenta tons de cinza, concluiu que a morena não parecia fazer o tipo de mulher que gostava daquele livro.
– Quem é? — Embora Regina tivesse sentido vontade de sorrir com aquele "toc, toc", idiota, não o fez. Se fez tão de indiferente que nem tirou os olhos do livro.
– O vento. Posso subir? — Antes de permitir tal coisa, Regina fechou o livro e o colocou de lado.
– Se eu disser que não, você não sobe? — Tentou se fazer de difícil, fazendo a loira rolar os olhos e subir a pequena escada que dava acesso ao segundo andar do beliche.
– Acho que isso responde sua pergunta. — Sorriu e deitou-se ao lado da amiga. Como ela era muito folgada, praticamente jogou-se para cima da morena, que teve que se espremer naquele espaço minúsculo, tentando fazer com que as duas coubessem ali.
– Você continua a mesma folgada de sempre. — Reclamou. — Chega para lá! — Pediu.
– Estou confortável desse jeito. — Negou-se não só para irritar a morena, mas também porque gostava do jeito que seu corpo estava junto ao de Regina.
– O que você quer? Ou veio aqui só para deitar na minha cama e me incomodar? — Um beijo ou cinco, era o que ela realmente queria, mas talvez Regina não estivesse disposta a dar. Depois da noite de natal as coisas tinham voltado ao normal entre elas. Emma não teve mais nem uma chance de talvez conseguir beijar a amiga. Tinha medo de ser direta e assustar a morena, então tinha adotado a técnica de ir devagar. Estava cercando a morena por todos os lados possíveis e se a mesma desse só uma pequena chance, a loira aproveitaria.
– O que eu quero? Talvez você não goste de ouvir a resposta. — Além de ser sincera, foi direta, ato que deixou a morena um pouco incomodada. Maldita foi a noite em que aceitou participar daquela encenação. Já fazia cinco dias de tal acontecido e a morena não conseguia esquecer. Se odiava quando se pegava pensando no beijo entre ela e a loira descarada. E se odiava mais ainda todas as noite quando sonhava com aquilo. Era com Robin com quem deveria sonhar, mas Robin tinha abandonado, fugido dos seus sonhos fazia algum tempo. Sonhava com a loira a noite toda, as vezes os sonhos pareciam tão reais que a morena acordava com a respiração ofegante, o coração a mil e com todo seu corpo pulsando de desejo. — Você estava mesmo lendo esse negócio de cinquenta tons de cinza? — Emma tratou logo de puxar um assunto, já que sua resposta tinha deixado a morena muda.
– Estava. — Admitiu.
– Sério que você gosta disso? — Virou-se de lado, para poder olhar a amiga.
– Não, eu não gosto, mas estou em abstinência de livros. — Além disso, ela estava também com uma mente muito desocupada que a fazia pensar besteira.
– Sei... — A loira murmurou desconfiada, fazendo Regina tirar os olhos do teto e virar o rosto para encarar a loira.
– Emma, você sinceramente acha que eu tenho cara de quem gosta de um livro onde a personagem principal trata sua vagina com Deusa interior? — Questionou indignada. Ao ouvir tal coisa Emma gargalhou.
– Como assim? Está de sacanagem com a minha cara, não está? — Questionou ainda rindo.
–Não! Ouça. — A morena pegou o livro ao seu lado e o estendeu acima do rosto. — Ouça com atenção. — Pediu e Emma concordou.
"- Ele me faz sentir tão devassa. Minha deusa interior está se contorcendo em sua espreguiçadeira, esperando, querendo e ofegante. Eu alcanço e desfaço cada botão, dolorosamente, lentamente, de modo que os topos dos meus seios estão tentadoramente revelados.
Ele engole.
— Você tem alguma ideia de como você parece sedutora agora?
Muito deliberadamente, eu mordo meu lábio e balanço a cabeça. Ele fecha os olhos brevemente, e quando ele abre novamente, eles estão em chamas. Ele avança e coloca as mãos sobre as paredes do elevador em cada lado do meu rosto. Ele está tão perto quanto ele pode estar sem me tocar.
Eu inclino meu rosto até encontrar o olhar dele, e ele se inclina para baixo e corre o nariz contra o meu então esse é o único contato entre nós. Eu estou tão quente nos limites deste elevador com ele. Eu o quero, agora.
— Eu acho que sim, Srta. Steele. Eu acho que você gosta de me deixar selvagem. — Eu te deixo selvagem? — Eu sussurro. - Emma voltou a gargalhar e roubou o livro da amiga."
– Chega, pelo amor de Deus, chega! — Pediu rindo, fazendo Regina rir junto. — Sério que você está lendo isso, Regina Mills? — Se viu na obrigação de implicar com a morena.
– Já disse, estou em abstinência de livros. — Se defendeu.
– Isso excita você, admita. — Novamente foi direta e novamente deixou a morena desconfortável. Antes de responder, os olhos da morena voltaram para o teto.
– Estou a dois meses aqui a ver navios, então... — Deu de ombros se defendendo.
– Regina Mills, você já me ensinou incontáveis coisas nessa vida, então deixe-me retribuir um pouquinho disso. — O coração de Regina acelerou ao ouvir tal coisa. O que exatamente ela queria dizer com aquilo?
– Seja mais especifica por favor, assim posso decidir se chuto você daqui agora, ou daqui cinco minutos. — A loira gargalhou ao imaginar o que estava passado pela cabeça da morena.
– Fica tranquila, não estou oferecendo meus serviços. — Disse rindo. — Pelo menos não ainda. — Aquela parte ela murmurou e Regina fez de conta que não ouviu. — Não é porque você está presa que vai se privar de ter prazeres sexuais. — Regina não estava gostando nem um pouco daquela conversa. — Me da sua mão. — Pediu ao estender a mão.
– Pra quê? — A morena questionou ao esconder as mãos debaixo das costas.
– Quero te apresentar alguém. Vai, me da a mão. — A mão da loira continuava estendida e as de Regina continuavam escondidas.
– Não, obrigada!
– Anda logo Regina, me da essa mão. — Insistiu.
– Deixa minhas mãos aqui, para com isso. — A morena esbravejou.
– Você vai dar sua mão, ou eu vou ter que pega-la a força? — Ameaçou.
– Você vai parar com essa idiotice, ou eu vou ter que chuta-la daqui? — Emma rolou os olhos.
– Depois não vem dizer que eu não avisei. — Falou antes de rolar para cima da morena, sentando-se sobre ela, com uma perna em cada lado da sua cintura. Antes que a morena abrisse a boca para reclamar, um ataque de cócegas começou em suas costelas. Embora quisesse matar Emma, tudo que Regina conseguia fazer era gargalhar, se debater e pedir para que ela parasse com aquilo. Emma dava risada das gargalhadas da amiga, estava se divertindo com aquilo, mas ao ver que a morena já estava ficando sem ar, cessou o ataque. Não sem antes agarrar suas duas mãos. — Peguei! — A principio a morena não disse nada, limitou-se a respirar. Assim que se recuperou estreitou os olhos e encarou a loira folgada que não tinha medo da morte.
– Quantos anos você tem? — Esbravejou enquanto tentava livrar-se das lágrimas de riso com o ombro.
– Quantos eu pareço ter? — Emma ainda ria.
– No máximo, estourando, uns seis. — Respondeu enquanto seus pulsos tentavam libertarem-se das mãos de Emma.
– Quando eu tinha no máximo, estourando, uns seis, eu conheci a menina com a cicatriz mais maneira que eu já vi. — Ouvir aquilo fez Regina sorrir e desistir de soltar seus braços.
– Sei... — Murmurou fazendo charme.
– Que bom que você sabe, Regina Mills. — Respondeu sorrindo. — Acho justo você saber também que essa menina se tornou uma mulher linda, maravilhosa, cheirosa e continua sendo dona da cicatriz mais maneira que eu já vi. — Ouvir tais elogios fez a morena sorrir sem graça. Seus olhos ficaram presos nos da loira traiçoeira por algum tempo.
– Você é um perigo. — Sussurrou sem desprender os olhos dos dela.
– Por que você diz isso? — Emma também sussurrou e lentamente inclinou o corpo para cima do da morena.
– Você sabe muito bem porque. — A loira abriu um sorriso cafajeste e continuou se aproximando. Regina resolveu por um fim aquilo enquanto ainda tinha consciência. — Para com isso. Para de tentar me seduzir. — Seus pulsos ainda presos, empurraram a loira para que ela voltasse a posição original. Muito sem vontade, ela obedeceu.
– Eu estava conseguindo? — A pergunta arrancou um sorriso da morena, sorriso que ela logo tratou de esconder.
– Não. — Tentou responder com convicção, mas sabia que não tinha convencido. Aquela resposta fez Emma sorrir satisfeita, sim, com toda certeza ela estava conseguindo, mas resolveu não insistir, pelo menos não naquele momento.
– Então, Regina Mills, deixa eu te apresentar a técnica milenar chamada, faça você mesmo. — Regina juntou as sobrancelhas, em sinal de quem não estava entendendo. — Você continua preferindo a mão esquerda do que a direita? — Embora a morena fosse ambidestra, ela sempre acabava usando mais a mão esquerda.
– Sim, por quê? — Emma sorriu e soltou o pulso direito da amiga.
– Presta atenção nessa sua mão linda. — Falou ao levantar a mão esquerda da morena e agarrar seu polegar. — Qualquer dia desses, quando bater uma vontade ensandecida de transar, você vai deitar relaxadinha, entreabrir as pernas e dobrar um pouco os joelhos. Vai deslizar essa mãozinha até a pequena Mills e com o seu polegar você vai começar a estimular seu clitóris. — Ao ouvir tal coisa, Regina sentiu seu rosto queimar. Emma estava mesmo lhe dando uma aula sobre masturbação? — Comece devagar, feche seus olhos e o acaricie. — Continuou. — Junte o seu dedo indicador ao polegar e continue com os movimentos. Faça movimentos circulares, eles são ótimos. A medida que a sua excitação for crescendo, você vai aumentando o ritmo dos movimentos. Depois é só partir para o abraço. — Emma sorriu ao final da explicação, já Regina estava perplexa e envergonhada.
– Eu ouvi mesmo tudo isso? — Resmungou ao fixar os olhos em uma rachadura na parede.
– Claro que ouviu e deveria me agradecer. — A loira provocou. — Você pode também introduzir o indicador e o dedo médio na vagina, enquanto estimula o clitóris. Isso também é ótimo. Existem vários jeitos, você só tem que começar a praticar. — A morena nada disse, só balançou a cabeça em sinal de reprovação. — E você também pode pensar em alguma coisa, ou em alguém enquanto se toca. Seu marido feio não vale. Você pode por exemplo, pensar na sua amiga linda, simpática e gostosa. — Ouvir tal absurdo acabou fazendo a morena abrir um sorrisinho.
– Ruby? — Questionou para provocar. Funcionou, o sorriso da loira se desfez.
– Linda, simpática, gostosa e loira. — Tentou de novo.
– E humilde, tão humilde que me deixou com ânsia de vômito. — Provocou, fazendo a loira lhe mostrar a língua. — Caso eu resolva por essa sua aula em pratica, Emma Humilde Swan, e caso eu pense em alguém, esse alguém será o meu marido, segundo você, feio. — Emma rolou os olhos.
– Seu marido feio deveria ter vergonha de nunca ter incentivado você a se masturbar. — Compartilhou com Regina seu pensamento. — Sério, que tipo de marido é esse? Se você fosse minha mulher, eu com certeza ia querer assistir você se masturbando para mim. — Ou Emma tinha bebido, ou tinha perdido literalmente a vergonha na cara. — Você me deixaria selvagem, igualzinho a mulher fez com o carinha de cinquenta tons de baboseira.
– Ah já chega, cale a boca! — Regina sentia seu rosto queimar.
– Imagina comigo Regina Mills, você se masturbando e gemendo meu nome. — Com a intenção de provocar e deixar a morena ainda mais envergonhada, Emma começou a rebolar em cima da amiga, enquanto em falsos gemidos pronunciava seu nome.
– Para com isso, sua louca! Chega! — Regina tentava parecer séria, mas não conseguia, estava rindo da idiotice daquela lunática.
– Acho que vocês deveriam procurar um lugar um pouco mais reservado para fazerem isso. Até porque dividimos a cela com uma senhora de idade, talvez o coração dela não aguente tanto. — Foi desse jeito que Ruby avisou que elas já não estavam mais sozinhas. — Ah, talvez a Realeza curta um dildo. — Enquanto Emma sorriu aparentemente concordando, Regina juntou as sobrancelhas.
– Dildo? — Questionou com a loira.
– Pênis de borracha, consolo, vibrador. — Explicou.
– Okay. — A morena abriu a boca para perguntar como aquilo funcionava em um sexo lésbico, mas resolveu deixar para lá. — A Realeza tem um de verdade, então não, ela não se interessa por um dildo ou qualquer outro objeto sexual que vocês venham a usar. — Respondeu a Ruby, as fazendo rir.
– Tudo bem então, assim como você, vou fazer de conta que você não está nem um pouco interessada nessa loira sem sal, nem um pouco interessada em descobrir coisinhas novas com ela e vou fazer de conta que acredito no que acabou de dizer. — Foi o que a ruiva disse. — Agora me digam, as famílias do ex futuro casal não vem hoje?
– Minha mãe disse vinha.
– Até onde eu sei, meu marido e meu filho vem também. — Pelo menos foi o que eles prometeram no dia anterior, quando a morena falou com ambos pelo telefone.
– E por que vocês estão aqui ainda? Já faz quinze minutos que o horário de visitas começou. — Regina arregalou os olhos em sinal de surpresa. O tempo voou. — O amor é mesmo patético, faz até as pessoas perderem as horas. — Ruby provocou.
– Emma, saia de cima de mim, agora. — Regina ordenou.
– Essa pressa repentina é só saudade do marido feio? — Emma provocou. Regina sorriu sem humor, e sem Emma saber como, a morena deu um jeito de tirar a loira de cima de si, e de repente era Regina quem estava por cima. Segurava os pulsos da loira acima de sua cabeça e lhe lançava um olhar de poucos amigos.
– Muita saudade do meu marido feio. Saudade de beija-lo, abraça-lo. — Respondeu a provocação com mais provocação.
– Tudo bem, eu não sou ciumenta. — A loira livrou-se das mãos de Regina e rapidamente sentou-se, tendo a morena sentada com as pernas entre sua cintura. Lançou um sorriso cafajeste para a amiga e ousou levar a mão até a sua nuca. — Faça o que tiver que fazer, depois volte para mim. — Ronronou.
Antes de responder qualquer coisa, Regina quase anulou o espaço entre suas bocas, ato que deixou a loira esperançosa e ansiosa, então a morena abriu um sorriso maligno.
– Sonha! — Exclamou com tom de deboche e então tentou se afastar, mas Emma foi mais rápida e agarrou os cabelos da nuca da morena, a impossibilitando de ir.
– Pode ter certeza que eu sonho. — Regina teve vontade de sorrir, mas ao invés disso apenas rolou os olhos e se desvencilhou da mão da loira abusada. Para sair dali o mais rápido possível, resolveu nem usar a escada, pulou logo para o andar debaixo. — Manda um beijo para o lindo do seu filho. — Emma pediu quando a morena deu as costas para sair dali. — E um aperto de mão no sortudo do seu marido feio. E diz para ele tomar cuidado, para não ser roubado. — Dessa vez a morena sorriu e levantou a mão esquerda, mas precisamente, levantou apenas o dedo médio da mão esquerda e então se foi.
– Essa mulher ainda vai me deixar louca! Sério, não tenho mais idade para esse negócio de amor. — Soltou com o ar, ao deixar seu corpo cair sobre o colchão.
– Você é muito devagar. — Ruby opinou.
– Como assim devagar? O que você sugere? Quer que eu agarre ela a força? — A ruiva negou.
– Sugiro que você pare com as indiretas, com as piadinhas e brincadeirinhas e mostre que está falando sério.
– Falar é fácil. Não é tão simples quanto você imagina. Tem a droga do marido dela para empatar tudo. — Lamentou-se. — Quando penso que ela conheceu o infeliz por minha causa, tenho vontade de me estapear.
– O marido dela está lá fora, você está aqui dentro. Enquanto ela também estiver aqui dentro, a vantagem é toda sua. — Emma suspirou ao ouvir tal coisa.
– Sabe o que é pior nisso tudo? Ela nunca vai ser minha de verdade. Se tivermos alguma coisa, vai terminar no dia em que ela for embora daqui. Ela vai voltar para o idiota e não vai nem olhar para trás. Eu vou ficar aqui, quebrada em mil pedaços. — Lamentou-se.
– É um risco que você corre ao se envolver. Se está disposta a isso, vá em frente, porque está nítido que ela está na sua, basta apenas, você insistir. — Emma suspirou, voltou a sentar-se e em seguida desceu dali.
– Melhor se arrepender de ter feito, do que ficar se lamentando por não ter tido coragem de fazer, certo? — Ruby concordou com a cabeça.
– Não existe nada pior do que você ficar imaginando como poderia ter sido. — Opinou.
– É eu sei. Quer saber? Foda-se, vou deixar para sofrer, quando for a hora. Enquanto isso, eu tentou conquista-la. — A ruiva sorriu.
– É isso aí! Não dou dois meses para essas gracinhas de vocês se transformar em algo sério. — Emma sorriu imaginando aquilo.
– Vou chamar você para madrinha de cadeia. — Avisou. — Agora eu preciso ir, antes que minha mãe desista e vá embora. — A detenta balançou a cabeça concordando.
– Até mais tarde, conquistadora de mulheres alheias. — Emma riu e sem dizer mais nada, se foi.
(...) — Me desculpem, eu comecei a ler e perdi a noção da hora. — Regina desculpou-se mais uma vez com o filho e o marido, ao sentar-se em frente aos dois.
– Isso significa que você estava se distraindo, certo? — Henry questionou ao agarrar as mãos da mãe.
– Certo. — Puxou as mãos do garoto e as encheu de beijos.
– Como você está? — Robin questionou, puxando uma mão da morena para ele.
– Estou bem. — Respondeu sorrindo, e pela cara dela ele constatou que ela estava mesmo bem. — E você, conseguiu tirar o resto da semana de folga? — Ele suspirou e negou.
– Infelizmente não. No dia 26 pela manhã, já estava de volta ao escritório. — Lamentou-se.
– Se continuar trabalhando tanto assim, vai ficar doente. — Disse o que sempre dizia, fazendo o homem sorrir, tal sorriso não durou muito, já que ele bateu os olhos em Emma que tinha acabado de chegar na sala de visitas e estava abraçando a mãe.
– Você estava mesmo lendo? — Questionou com a mulher, sem tirar os olhos da maldita loira.
– Estava, por quê? — A morena questionou sem entender.
– Hey! — Ao ver Henry levantar a mão e cumprimentar alguém, Regina entendeu a pergunta do marido. Virou a cabeça para trás e viu Emma levantar a mão para retribuir o cumprimento de Henry.
– Sozinha? — Robin indagou, e Regina voltou-se para ele.
– Com Emma e Ruby. — Optou por falar a verdade e pela cara que o marido fez, constatou que ele não gostou de ouvir a verdade.
– Estão lendo em grupo, ou elas não sabem ler e você está lendo para elas? — Ao ouvir tal coisa, Regina rolou os olhos.
– Nem uma coisa, nem outra. — Limitou-se a responder.
– Para quem odiava Emma até dois meses a trás, vocês já estão bem amiguinhas, não acha? Estão até lendo juntas. — Não conseguiu disfarçar seu ciúme.
– Nesses dois meses ela me pediu desculpas quase todos os dias, e quer saber? Não tem porque eu não desculpar, querido, já que eu já superei tudo que aconteceu. E não podemos esquecer que graças a ela nós nos conhecemos. — Robin não gostou de nenhuma daquelas explicações. Odiava imaginar as duas amiguinhas dentro daquela prisão.
– Qual é, pai? Emma é gente boa. — Henry encarou a mãe e sorriu. — Fico feliz que vocês duas tenham se acertado. — Regina retribuiu o sorriso do filho.
– Ela mandou um beijo para você. — Deu o recado.
– Tudo bem se eu for lá dar um oi para ela? — Pediu a mãe.
– Não. — Robin foi enfático, fazendo a morena rolar os olhos.
– Tudo, mas não demore. Até onde eu sei, você vem aqui para me ver, não para ver ela. — O garoto sorriu, levantou-se e antes de ir abraçou e beijou a mãe.
– Já volto, mãe ciumenta. — Voltou a beija-la e então foi. Robin acompanhou aquilo de cara fechada. Ao ver Emma levantar e abraçar seu filho, ele bufou.
– Eu odeio ela. — Resmungou, foi então que Regina decidiu que não iria contar sobre o beijo. — Vem, sente-se aqui ao meu lado. — O homem pediu, batendo com a mão sobre o lugar ao seu lado. Sem dizer nada a morena levantou-se e foi. Robin passou o braço em volta dos ombros da mulher e a trouxe mais para perto. — Sinto tanta sua falta, querida! — Murmurou ao beija-la.
– Robin... — A morena murmurou contra a boca do marido, tentando faze-lo parar com aquele beijo um tanto indelicado para o lugar. — Robin... — Tentou de novo, dessa vez mais alto. — Robin, para. — Sutilmente empurrou o peito do marido, o afastando um pouco. — Querido, você sabe que esse tipo de beijo não pode ser dado aqui. Você conhece as regras. — O lembrou.
– Mas eu estou com tanta saudade. — De novo ele tentou beija-la, mas ela conseguiu esquivar-se antes.
– Vá acumulando essa saudade para quando eu voltar para casa. — Pediu.
– Você não tem saudades de mim? — Indagou preocupado.
– Claro que eu tenho. — Respondeu como se fosse óbvio, e era óbvio, pelo menos para a morena.
– Você não me disse isso hoje. — Regina rolou os olhos pela carência repentina do marido.
– Não sabia que eu precisava repetir o óbvio todos os dias. — Resmungou. O homem suspirou e beijou o rosto da mulher, um beijo demorado. Depois disso ele olhou em direção a Emma, que tinha os olhos nele e em Regina. Ao perceber o que o marido tentava fazer, a morena balançou a cabeça em sinal de reprovação.
– Você está sendo infantil. — Acusou o marido, que fingiu não entender.
– O que você quer dizer, querida? — Indagou ao voltar a beija-la.
– Você sabe o que eu quero dizer. Está se comportando como um idiota inseguro. — Ouvir tal coisa fez o homem fechar a cara.
– Estou apenas mostrando para ela que você já tem um dono. — Esbravejou. Ao ouvir tal coisa a morena bufou.
– Eu não sou uma coisa para ter dono, querido. — Tentou manter o tom calmo e baixo de voz. — Qual o seu problema hoje, hein?
– Ela, ela é meu problema. — Além de falar aquilo um pouco alto demais, ele ainda apontou em direção a Emma, o que chamou a atenção das pessoas por ali. Envergonhada, Regina logo tratou de baixar a mão do marido.
– Você está me envergonhando. — Falou entre dentes, tentando controlar o pouco de paciência que ainda lhe restava.
– Você não estava lendo coisa nenhuma, você estava com ela, não estava?
– Sim eu estava lendo. Sim eu estava com ela. — Soltou lentamente com o ar.
– Você se atrasou por que estava lendo, ou por que estava conversando com ela? — Pensou seriamente em mentir, mas como odiava aquilo, resolveu dizer a verdade.
– Porque eu estava conversando com ela sobre o que eu estava lendo, em seguida Ruby chegou. — Torceu para que o marido não perguntasse sobre o que elas conversavam.
– Seja sincera comigo, Regina. Prometo que vou tentar não ficar bravo, até porque eu dei liberdade para você fazer o que quisesse aqui dentro. Me responda, apenas me responda, vocês estão tendo um caso, não estão? Por isso ela não consegue disfarçar o ciúme e não para de olhar para cá.
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