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26 Eu odeio você!


Notas iniciais
Boa tarde, gente! Enfim consegui terminar o capítulo =D Meu muito obrigada a todas que passaram por aqui e deixaram comentários, muito obrigada mesmo, vocês são umas amadas. Obrigada também ao pessoal que favoritou! E leitoras novas, sejam bem vindas! E um super, mega, hiper obrigada a fofa da Queen of Drama, que fez uma recomendação fofa/linda para a ff. Amiguinha, amei, amei, amei, sem palavras para expressar o quando gostei, muito obrigada.

– O quê? – Indagou com o filho, que tinha as bochechas tão vermelhas quanto as dela.

– Ah me Deus! – Desviou os olhos dos da mãe. – Sério? – Não precisava ouvir a resposta. Toda a Coca-Cola que voou da boca dela ao ouvir tal pergunta, deixou aquilo bem claro. — A minha mãe já beijou uma mulher. – Murmurou com incredulidade.

– Não! – Regina respondeu rapidamente, completamente desconcertada.

– Não? – Indagou com desconfiança.

– Sim! – Arregalou os olhos ouvindo a confirmação sair da boca da mãe.

– Sim? – Voltou a questionar, incrédulo, surpreso, de queixo caído. Sim. Ele sabia que sim, ela confirmou que sim, era sim e pronto. Só precisava de um tempo para absorver a informação.

– Henry, por favor, nós podemos mudar de assunto? – Pediu. Sentia o rosto queimar. Jamais esperou que o filho lhe questionasse algo do gênero, não estava preparada para tal pergunta. Okay, não era uma pergunta difícil, não era o fim do mundo, se, tivesse beijado uma mulher antes de casar-se com Robin, e se, a mulher com quem trocou e continuaria trocando saliva, não fosse Emma, sua amiga e melhor amiga do seu filho.

Devido a tais circunstâncias aquela pergunta se tornou muito, muito séria. Naquele momento concluiu que morrer talvez fosse uma boa ideia. Torceu e pediu a Nossa Senhora das mulheres que traíam os maridos, para que Henry concordasse em mudar de assunto. Tinha medo de uma próxima pergunta, medo que o filho se desse conta do que estava acontecendo. Porque se ele perguntasse por Emma, tinha certeza que ele sairia dali sabendo da verdade.

– Claro. – Concordou de imediato, já arrependido por ter perguntado. Estava curioso para saber sobre aquela experiência da mãe, para saber quem ela tinha beijado e tudo mais, mas a sua vergonha era maior que sua curiosidade, então resolveu deixar para lá, pelo menos até superar a novidade.

Ainda com vergonha de encarar a mãe, olhou para longe dali, foi quando seus olhos acabaram em Emma, que olhava na direção deles, mais precisamente, para sua mãe. De repente, tudo lhe pareceu claro. A implicância de Robin com Emma. O olhar de ódio que a loira lançava para seu pai. O jeito como a loira das tatuagens olhava para sua mãe e sorria para ela. E por último mas não menos importante, o olhar irado que Regina tinha lançado a pouco em direção a ex-namorada de Emma.

Ah Deus! Sua mãe já tinha beijado Emma. Só podia ser Emma, tinha certeza que era Emma. Claro! Claro! Tudo fazia sentido. Não precisava entender de relacionamentos para entender aquilo. Sua mãe e Emma já tinham se beijado, ficado, ou só Deus sabia mais o que, e seu pai sabia sobre aquilo. Não só sabia, como tinha ciúmes daquilo. Deduziu que Emma ainda gostava de Regina, só restava saber se a mãe ainda gostava de Emma, e se elas ainda andavam se beijando.

Não, não perguntaria para mãe, tinha certeza que ela não falaria nada sobre aquilo, muito provavelmente tais perguntas a fariam se afogar com a própria saliva. Também não perguntaria para seu pai, sabia que Robin daria um jeito de engana-lo e faze-lo acreditar na mentira que inventaria. Resolveu continuar com o mesmo plano, falar com Emma, só mudaria um pouco as perguntas.

– Henry? – Sentiu a mão da mãe sacudir seu braço, então tirou os olhos de Emma, e voltou-se para ela.

– Quando? – Regina juntou as sobrancelhas.

– Quando o quê? – Indagou confusa.

– O que você estava falando mesmo? – Ele também parecia confuso, o que fez Regina concluir que falou sozinha por algum tempo, já que a atenção do filho esteve longe dali. Resolveu que não perguntaria no que ele estava pensando, porque corria o risco de não gostar da resposta.

– Estava falando sobre seu castigo. – Avisou. – Você mentiu para mim na semana passada, lembra? – O garoto bateu com a mão na testa e balançou a cabeça em sinal de negativo, não acreditando que ela tinha lembrado. – Nem adianta fazer essa cara, você sabe o quanto eu odeio mentiras e o quanto elas me tiram do sério. – Sim, ele sabia muito bem daquilo, então resolveu nem tentar fazer sua defesa.

– Sou todo ouvidos, qual será a minha pena, meritíssima? – Riram e Regina lhe proibiu de usar a internet durante dois meses.

(...) Depois do horário de visitas, Regina foi designada a permanecer no recinto e limpar a pequena sujeira que seu refrigerante voador fez. Como castigo pelo “mau comportamento”, foi designada também a limpar toda a sala de visitas, que para o azar da mulher, não era nada pequena. Passou pano em todas as mesas, e depois dedicou-se ao chão, varreu e também passou pano.

No final daquilo, estava se sentindo a Cinderela, na parte ruim da história. Infelizmente para ela, não apareceria nenhuma fada madrinha, para transformar a prisão em castelo e lhe conseguir um dia no SPA, ou copo de qualquer coisa com muito álcool. Resumindo, teria que voltar para a sua cela, mas naquele momento não estava querendo fazer aquilo.

Estava irritada com Emma, irritada com cena que presenciou entre a loira e sua “amiguinha”, irritada pelo abraço, e por elas terem rido juntas. Tais coisas a perturbaram tanto, que assim que o horário terminou e Emma veio ao seu encontro, Regina simplesmente a ignorou, a deixou falando sozinha e saiu de perto.

Em outra ocasião, teria xingando o guarda que lhe mandou fazer a limpeza, mas naquele caso aceitou sem reclamar, já que ficaria bem longe da namorada safada e suas palavras persuasivas que sempre a amoleciam.

Ainda sem paciência para conversar com Emma, resolveu continuar longe dela. Foi até a cela, pegou o último livro da trilogia 50 tons de cinza, e foi para um lugar onde a loira se sentia pouco à vontade. A rua. Estava um dia feio, ventoso, e frio, então tinha certeza que a namorada não apareceria lá para perturba-la.

Sentou-se no banco de sempre, encarou o livro e sorriu para ele.

– O que esperar de você? – Murmurou ao abrir a primeira página. Desde que começou a se envolver com Emma, não tinha mais tido tempo para Christian Grey, quer dizer, até teve tempo, mas tudo que mais fez quando não esteve com Emma, foi pensar em Emma. Bom, como estava com raiva da mesma e não queria pensar nela, se dedicaria ao Grey. – Que a deusa interior dessa mulher me irrite menos, amém! – Pediu a Deus antes de iniciar a leitura.

Acabou se perdendo no mundo da família Grey, estava tão envolvida na leitura que não percebeu as horas passarem e a tarde virar noite. Estava no último parágrafo quando percebeu alguém sentar ao seu lado, sua concentração a fez ignorar quem quer que fosse e só levantou a cabeça para encarar a pessoa assim que chegou ao ponto final.

– O fim é melhor do que o começo? – Ruby questionou, aparentemente interessada.

– Relativamente. – Dos livros da trilogia o último era com certeza o menos ruim. – Quer emprestados? – Ofereceu.

– Não, obrigada! Tenho certeza que não vou gostar. – Regina riu e concordou com a cabeça. – Você é imune ao frio, ou o quê? – Indagou quando uma rajada de vento quase a fez congelar.

– Estava muito concentrada no livro para prestar atenção no frio. – Deu de ombros.

– Okay, você precisa me ensinar essa técnica porque quando eu sinto frio tudo que consigo pensar é no maldito. – Passou as mãos pelos braços, em uma tentativa de aquecer-se.

– Tenho uma solução simples para o seu problema, entre. – Sugeriu o óbvio.

– Eu vou, só vim a pedido da sua namorada, que está interessada em saber se você está menos brava. – Contou. – Vocês já tentaram assim, não brigar por pelo menos 48 horas? – Regina riu da pergunta, mas não respondeu nada. – Vocês duas quando estão se amando são, ew! Tão cheias de açúcar que até da vontade de vomitar, mas mesmo assim, prefiro a versão amor. – A morena voltou a sorrir e continuou em silêncio. – Por que estão se odiando dessa vez, se não faz muito tempo eu encontrei você rolando de amor pelo chão da nossa cela? – Depois de suspirar, Regina encarou a ruiva tagarela.

– A ex-namorada de Emma veio para visita. – Contou, como se tivesse contando para mãe, que um amiguinho tinha acabado de lhe magoar.

– E você está brava por isso? – Ruby juntou as sobrancelhas.

– Não. Estou brava por uma série de acontecimentos. Primeiro, a tal ex-namorada nem sabia que elas eram ex-namoradas. Segundo, elas se abraçaram, riram e tagarelaram. Terceiro, Emma parecia interessada na conversa. – Ruby não queria rir, mas achou tão surpreendente ver Regina, a aparentemente, inabalável Regina, com ciúmes, que não conseguiu não rir. – Do que está rindo? – A morena indagou na defensiva.

– Você fica engraçada sentindo ciúmes. – Contou.

– Não estou com ciúmes. – Esbravejou.

– Não? – A ruiva arqueou as sobrancelhas. Regina tirou os olhos dos dela e bufou.

– Talvez esteja, mas só um pouquinho. – Resmungou, o que de novo fez Ruby rir.

– Mills, você pode me dizer em que parte ficar aqui, nesse frio, lendo esse livro ruim, vai ajudar você a resolver esse problema? – Cutucou o cotovelo no braço da morena. – Talvez, só talvez, conversar ajude, sabe? Assim em vez de ficar fazendo mil suposições e sofrendo por algo que com toda certeza do mundo, não é, você pode simplesmente saber o porquê elas se abraçaram, riram e tagarelaram. – A morena suspirou e voltou a encarar a ruiva tagarela.

– Como você sabe que com toda certeza do mundo, não é? – Ruby sorriu e balançou a cabeça em sinal de descrença.

– Mills, presta atenção, Swan ama você, ela é louca, maluquinha por você. Meu Deus! Até as paredes dessa prisão sabem disso. Está estampado na cara dela. O jeito como ela olha para você, como sorri para você, como trata você. Ela não perde um movimento seu, chega até a ser engraçado. – Voltou a cutucar o cotovelo no braço da amiga ciumenta. – Você sabe que é verdade, sabe o quanto ela te ama. – A morena esboçou um sorrisinho ao ouvir aquelas coisas.

– O que ela ofereceu para você vir até aqui fazer toda essa defesa? – Ruby gargalhou.

– Nada. Ela só disse que como sou sua amiguinha, você não me chutaria sem me ouvir. – Contou, fazendo a morena rir.

– Você como minha amiguinha deveria me chamar de Regina, não de Mills. — Ao ouvir tal coisa, a ruiva abriu um sorriso largo. Gostava de Regina, simpatizou com a morena, um tanto quanto fechada, desde o primeiro dia que a viu. Conversar com Regina sempre a fazia se sentir bem, por algum motivo a morena parecia se importar com ela, algo que no máximo sua mãe fazia. Então ouvir a detenta chama-la de amiguinha e sugerir que lhe chamasse pelo primeiro nome a deixou radiante.

– Mesmo? – Quis ter certeza.

– Claro. Amigas costumam se chamar pelo primeiro nome. Eu já chamo você de Ruby, então você é a única com a formalidade. – Deu de ombros. Ruby voltou a sorrir e sem que Regina esperasse, foi esmagada pelos braços da ruiva.

– Você é a pessoa mais fofinha dessa prisão. – Ao ouvir tal coisa a morena gargalhou. – E a mais inteligente e bonita. – Continuou com os elogios.

– E você é a pessoa mais atirada dessa prisão. – Emma parou em frente as duas. Lançava um olhar nada amigável para a ruiva, que continuava agarrada os braços de Regina. – Vai largar ela, ou quer um convite? – Esbravejou e se perguntou o motivo de ter mandado a ruiva até ali.

– Como seria esse convite? – Resolveu provocar. Achava engraçado o ciúme de Emma, podia apostar que não era só com ela, algo lhe dizia que a loira era assim com todos que chegavam muito perto de Regina.

– Algo do tipo, ou você larga ela agora, ou eu meto a mão na sua cara. – Ameaçou, e pelo tom de voz, Ruby soube que ela estava falando sério.

– Se você meter a mão na cara dela, eu meto a mão na sua cara. – Regina esbravejou contra a namorada, que a olhou assustada.

– Não briguem por minha causa. – Ruby livrou a morena do abraço e levantou as mãos, em sinal de inocência. – Swan, não seja paranoica. Vou deixar algo bem claro para você, embora sua mulher seja fofinha, inteligente e bonita, eu não tenho nenhum interesse em namora-la. – Sorriu e se pôs de pé. – Bom, eu vou entrar para que vocês discutam a vontade. – Avisou. – Regina? – Chamou a morena pelo primeiro nome, que prontamente ela levantou a cabeça a encarando. A ruiva achou aquilo o máximo, sorriu, fazendo a detenta lhe sorrir de volta. – Obrigada! – Não esperou resposta, deu as costas para elas e saiu dali.

Emma a acompanhou ido de cara fechada, balançou a cabeça em sinal de negativo e olhou para namorada, que já não sorria mais e tinha os olhos no livro estúpido que estava em suas mãos.

– Regina? Resolveram abolir o Mills? – Indagou com certa incredulidade e não ganhou uma resposta. Suspirou e foi até ela, sentando-se ao seu lado. Concentrou os olhos no rosto da morena, tentando fazer com que ela a encarasse, mas não conseguiu aquilo. Suspirou, pensando que não queria mesmo, começar uma discussão, ainda mais uma discussão sem sentido, pediu aos céus para que Regina colaborasse com aquilo.

– Poderíamos evitar uma cena completamente desnecessária, e aproveitar esse tempo para namorada. – Sugeriu. Regina nada respondeu, continuou com os olhos fixos no livro. – Por favor, Regina! Nós já superamos a fase em que você me ignora. – Insistiu e de novo ficou sem resposta. – Regina, estou morrendo de frio, então vou direto ao ponto. Você pode me acompanhar até estufa e me deixar explicar qualquer que seja o motivo de você estar brava, ou pode ficar aqui sozinha, curtindo seu frio. – Deu as opções. — Qual vai ser? – Regina contou mentalmente até dez, antes de tirar os olhos do livro e prende-los na mão que Emma tinha lhe estendido. Estava tentada a ficar ali curtindo o frio, mas aí lembrou que era uma adulta, e não uma adolescente imatura, então ignorou a mão da namorada, se pôs de pé, e sem falar uma palavra ou esperar por Emma, começou a andar em direção a maldita estufa.

Emma bufou pela ceninha desnecessária, jogou as mãos para dentro dos bolsos, e começou a caminhar atrás da irritante. Não sabia o que tinha feito de tão errado para ela estar daquele jeito. Torcia para que o problema fosse realmente com ela, que não tivesse nada a ver com Robin, arrependimentos ou coisas do tipo, assim seria mais fácil de resolver. Uma DR não fazia parte dos seus planos para aquele dia, tinha pensando em aproveitar o começo daquela noite de um jeito bem diferente, tinha pensado em usar a estufa para repetir a noite passada, não para discutirem, como tinha certeza que iriam fazer.

Regina abriu a porta do lugar e foi entrando, como não tinha onde sentar, caminhou até o centro, cruzou os braços e começou a bater impacientemente o pé esquerdo contra o chão.

Emma fechou a porta atrás de si, pediu a Deus muita paciência e foi até a namorada estressada. Tentou toca-la, mas a morena recuou a impedindo.

– Por que você está tão brava? – Indagou. Regina tirou os olhos do chão e a encarou. Tal pergunta a fez abrir um sorrisinho sarcástico. “Por que está tão brava?” “Por que está tão brava?” Não era possível aquela tapada não saber o motivo.

– O que diabos a SUA namorada estava fazendo aqui? – Sua voz saiu irritada.

– Ex-namorada, Regin... – Tentou começar, mas foi impedida.

– Parece que você não deixou isso tão claro para ela. – Esbravejou. – Aliás, parece que você não deixou nada claro. – A acusou.

– Regina, ela foi embora com outro, você acha que isso não é um término? E tem outra, essa foi a primeira vez que vi ela desde então. – Emma suspirou e de novo tentou se aproximar. – Para de ser boba! – De novo Regina recuou.

– Por isso vocês se abraçaram, conversaram, trocaram figurinhas e riram juntas? Estavam com saudades dos velhos tempos? – Indagou com a ironia, o que acabou irritando Emma. Na verdade, ela já tinha se irritado quando viu Robin e a morena se beijando, sabia que não tinha aquele direito, sabia também que Regina tentou evitar ao máximo aquilo, mas mesmo assim, ficou irritada. Então se a morena irritante se achava no direito de ficar brava e lhe cobrar algo completamente sem sentido, a loira também podia lhe cobrar, e era o que faria.

– Eu não posso conversar com ela, mas você pode abraçar, beijar e ficar cheia de sorrisinhos com Robin, é isso? – Se era pra ser ciumenta, ciumenta seria. Ciumenta, possessiva, barraqueira.

– Ele é meu marido, eu não posso simplesmente ignora-lo. – A lembrou do óbvio.

– Nem por isso você precisa ficar aos beijos com ele. – Rebateu.

– Eu não fiquei aos beijos com ele, evitei ao máximo que isso acontecesse. Não tente jogar as coisas contra mim. – Apontou o dedo para a namorada a acusando.

– Ele é um idiota! – Regina deu de ombros.

– Nem por isso deixa de ser meu marido. Você sabia desde o começo como as coisas seriam. – Como a raiva tinha tomado conta de si, resolveu jogar aquilo na cara da namorada.

– Claro, você me usa enquanto não tem o seu marido. – A discussão estava quase sendo gritada. Se Regina estava brava, ficou furiosa ao ouvir tal coisa. Lançou um olhar duro e um tanto quanto magoado em direção a Emma.

– É isso que você acha? – Não. Quer dizer, as vezes sua insegurança a fazia achar tal coisa, mas a maior parte das vezes, não achava realmente isso, mas como seu orgulho estava ferido, resolveu afirmar.

– É isso que você me faz achar. – A magoa desapareceu da expressão facial da morena, dando lugar a uma expressão dura, de pura indiferença, o que fez Emma se arrepender do que disse.

– Ótimo! Então vou facilitar as coisas para você, vou parar de usa-la. – Aproximou-se da loira, mantendo os olhos presos aos dela. – Vá para o inferno! – Vociferou. — Eu odeio você! – Esbarrou seus ombros nos da idiota e começou a caminhar em busca da saída.

Emma ficou estática por alguns segundos, estava com raiva, ressentida, magoada, irritada. Estava odiando a namorada naquele momento, e estava odiando a si também.

Embora estivesse com vontade de deixar Regina ir, não podia fazer tal coisa, porque não queria mesmo correr o risco de deixa-la sair mais uma vez da sua vida. Então bufou, xingou-se mentalmente e sem pensar duas vezes, caminhou em direção da morena orgulhosa. Antes que a mesma conseguisse abrir a porta, a puxou pelo braço a virando para si. A raiva estampada nos olhos de Regina a fez ter vontade de agarra-la, e mostrar para ela da forma mais rude, que não havia porque sentir ciúmes.

Arrancou o livro estúpido da mão da namorada e o jogou no chão, a empurrou contra a porta, e apoiou as mãos na mesma, prendendo a irritante ali. Regina tentou empurra-la, o que fez Emma colar seu corpo no dela.

– Isso me lembra do dia que nos reencontramos. – Debochou. – Você era bem mais irritante, chata, dona da verdade e aterrorizante, nem por isso eu desisti, então não vai ser agora que eu vou deixar você ir. — Avisou. – Existe mesmo um linha tênue entre o amor e o ódio no final das contas. – Regina tentava de um jeito fugir dali, enquanto Emma pressionava cada vez mais, seu corpo contra o dela. – Quer saber, Regina Mills? – Abriu um sorriso irônico. — Eu odeio você também! — Declarou-se. De novo Regina tentou empurra-la para longe, de novo não conseguiu. — Odeio quando você se acha a dona da verdade. Odeio por você ser assim, tão cheia de si. Odeio porque a última palavra tem sempre que ser sua. Odeio porque você sempre me faz voltar atrás. Odeio porque você faz com que eu me torne uma idiota vulnerável e insegura. Odeio porque você me faz sentir ciúmes. Odeio por você não ser só minha. Odeio por você não se dar conta do quanto eu te amo! – Suspirou e recostou a testa na da namorada. – Odeio amar você, Regina Mills, ah como eu amo! – Regina suspirou e fechou os olhos. Mentalmente xingou-se muito, perguntava-se como Emma conseguia dobra-la daquele jeito? Como ela a fazia voltar atrás? Como tinha tanto controle sobre si? Como conseguia a levar do ódio ao amor em questão de segundos? Quando estava com Emma, não era mais dona de si, não conseguia raciocinar direito, perdia a noção, o controle, e até a inteligência. Ficava a mercê daquela loira estúpida e persuasiva.

– Eu odeio você! – O tom de voz manso com que declarou aquela frase, junto com sua expressão rendida, fez Emma sorrir.

– Eu amo você! – Declarou-se. – E eu sei que o seu estômago também me ama. – Ao ouvir aquilo Regina voltou a abrir os olhos, Emma tinha um sorriso convencido no rosto, o que a fez sorrir também.

– Sua ex-namorada é muito bonita. – Resolveu retomar o assunto, já que estava mais calma.

– É, ela é sim. – Emma concordou.

– Não era pra você concordar. – Regina avisou, a fazendo rir.

– Regina, você quer saber de um segredo? – A morena balançou a cabeça afirmando. Seus olhos curiosos fizeram Emma voltar a rir. Levou a mão até o rosto da namorada e vagarosamente começou a pôr seus cabelos para trás da orelha. — Eu acho muitas mulheres bonita, mas a única com a qual eu me casaria, teria filhos, casa, cachorro, papagaio, chama-se Regina Mills. – Continuava alisando os cabelos negros da namorada. — Todas as mulheres somem quando eu bato meus olhos nela, ela não é apenas uma mulher bonita, não, ela é vai muito além disso. Ela é completa. Além de ser linda, cheirosa, gostosa e ter a cicatriz mais sexy do mundo, ela é inteligente, leal, honesta e sincera. Ela é a única pessoa que eu conheço que não mente, e as vezes isso chega a ser assustador. – As palavras de Emma, junto com seu surrar e o jeito com o qual mexia nos seus cabelos, deixavam a morena com as pernas bambas. – Ela é a melhor amiga que alguém poderia ter. E eu não tenho palavras para expressar como é tê-la como namorada. – Suspirou. — Seus braços são o melhor lugar do mundo, seus sorrisos me fazem suspirar, e seus olhos, eu adoro me perder dentro deles. – Tirou a atenção dos cabelos da morena e a encarou. Sorriram juntas. — Seus beijos são únicos, seus cafunés são os melhores do mundo, ouvir seu coração bater me traz paz, e a minha mais nova descoberta, sua língua faz coisas incríveis. – Regina sorriu sem graça e balançou a cabeça em sinal de negativo, Emma era perita em falar coisas bonitas e dar um jeito de arruiná-las no final.

– Você estava indo muito bem, até a parte da língua. – Murmurou sorrindo.

– Desculpa, mas achei importante você saber. – Também sorria. – Ah, saiba que seus dedos também estão inclusos nisso. – Riu ao ver as bochechas da namorada ganharem cor. — Me desculpe sobre a Jennifer, ela não vai mais voltar. – Fechou os olhos, roçou o nariz no da namorada, e distribuiu vários beijos pelo seu rosto, até suas bocas se encontrarem. Regina já nem lembrava mais o motivo de ter estado tão irritada.

– O que ela veio fazer aqui? – A morena indagou enquanto ainda tinha um certo controle sobre si. Queria saber sobre aquilo, antes de se deixar ser seduzida.

Emma suspirou, pôs fim ao beijo, abriu os olhos e os prendeu nos da morena que já estavam abertos.

– Conversar. – Foi tudo que respondeu, sabia que Regina não se contentaria com aquela resposta, mas aquele foi um jeito de ganhar tempo enquanto pensava no que poderia ou não falar.

– Conversar sobre o quê? – “Não minta. Não minta. Não minta.” Era o mantra que ecoava na cabeça da loira. Gold, Gold procurou Jennifer, quis saber sobre Emma, saber se ainda namoravam, estavam envolvidas, ou tinham algum tipo de contato.

Emma podia não entender de muitas coisas, mas estava na vida do tráfico há muito tempo, e era expert naquele assunto. Quando Jennifer tocou no assunto, soube que ela estava ali a mando do próprio Gold, tinha certeza que ele a mandou para colher informações. Para tentar descobrir algo que pudesse ser favorável a ele, algo que mais tarde ele pudesse usar contra ela.

Por isso entrou no jogo da ex-namorada, por isso riu com ela, lembrou dos velhos tempos, a abraçou e tentou ao máximo, ser indiferente quando tocaram no nome de Regina. Por isso também, olhou o mínimo possível em direção a namorada.

– Regina... – Começou, mas desistiu, não podia falar a verdade, porque se fizesse tal coisa, além de envolver Regina na parte perigosa da sua vida, a morena também descobriria sobre a mentira. Também não queria mentir, não queria transformar aquilo em uma bola de neve, ainda tinha esperança de conseguir resolver aquele problema, queria de todas as formas resolver aquilo, queria sua liberdade, e lutaria por ela, nem que para isso precisasse matar o maldito Gold. Resolveu então falar uma parte da verdade e ocultar a outra. – Lembra quando ela me mandou aquela carta? Se você quiser, depois eu mostro. – A morena afirmou com a cabeça. – Ela escreveu me pedindo desculpas e pediu para me ver. Ela queria que não houvesse ressentimentos, queria desculpar-se pessoalmente e eu acabei concordando. Sei lá... – Deu de ombros. – Queria que ficasse tudo entendido e definitivamente encerrado. Entende? — Regina suspirou e afirmou. — Acabei colocando o nome dela na lista, mas isso já faz mais de um mês, nós ainda não estávamos juntas, eu já nem lembrava mais disso. – Não sabia se a ideia da carta também tinha sido planejada por Gold, ou se ele só deu sorte com aquilo, mas saber sobre aquilo não a ajudaria em nada. O fato é que estava encrencada. A coisa mais sensata a fazer, era afastar-se de Regina até resolver o problema, mas era muito egoísta para tal coisa, então não abriria mão da namorada.

– E está tudo definitivamente encerrado? – Seu olhar de desconfiança fez Emma sorrir. Achou bonitinho aquele ciúme, nunca tinha a visto tão enciumada.

– Está completamente, decididamente, definitivamente, encerrado. – Ouvir a voz decidida de Emma, fez a morena esboçar um meio sorriso.

– Para sempre? – A loira afirmou.

– Para todo o sempre. – Beijou os lábios da amiga. – E ela não vai mais voltar aqui. – Prometeu.

– E o que foi aquele abraço? – Emma suspirou, também não podia falar todos os motivos sobre tal abraço. Como se odiava toda vez que abria a boca para mentir ou omitir alguma coisa de Regina. Como se odiava por ser tão mesquinha. A verdade, Regina tinha direito de saber sobre a verdade, tinha direito de decidir fazer ou não parte da vida bagunçada da loira, tinha todo o direito sobre aquilo, mas não podia contar, não conseguia contar, porque sabia qual seria a decisão da morena, sabia que ela se afastaria, iria embora sem nem olhar para trás.

– Foi um abraço de tchau, boa sorte, viva bem a sua vida. – Foi o pedaço da verdade que conseguiu contar. – Regina, se um dia você terminar com Robin, vai passar a odiá-lo? – Precisava urgente fazer aquele assunto chegar ao final, antes que acabasse vomitando toda a verdade.

– Não. – Respondeu com tanta certeza que fez a namorada rolar os olhos.

– Então. Não é porque Jennifer e eu não temos mais nada que eu preciso odiá-la, é? – A morena suspirou.

– É! – Sua sinceridade fez a loira gargalhar. – Eu não gosto dela, definitivamente, não gosto. – Regina não costumava se enganar com as pessoas. Sempre que batia os olhos em alguém, conseguia saber se era uma boa pessoa ou não. As vezes odiava aquilo, odiava julgar sem conhecer, mas julgava, e não costumava se enganar. Na verdade, nunca se enganou. E Jennifer? Era o pior tipo de pessoa, tinha certeza que era, e aquilo não tinha nada a ver com seu ciúme.

– Eu não gosto de Robin, que tal apresentarmos os dois? Olha que lindo, minha ex e o seu futuro ex. Quem sabe rola uma química. – A morena sorriu.

– Como a nossa? – Emma negou.

– Não, como a nossa não, Regina Mills, a nossa é única, eles jamais vão chegar aos nossos pés. Somos únicas, ou outros são só, os outros. – Regina riu ao ouvir tal coisa. – Vem aqui! — Beijou os lábios da amiga, que suspirou e prendeu os braços em seu pescoço. Perguntou-se se existia no mundo coisa melhor do que fazer as pazes com Emma e concluiu que não. – Mais alguma pergunta, xerife?

– Não. – Ronronou sem parar de beijar a namorada. Estava satisfeita com aquelas respostas, então já podiam parar de falar e namorar um pouquinho.

Emma escorregou a mão pelo pescoço da morena, a subiu pela nuca, e a emaranhou em seus cabelos, a puxando mais para perto.

– Por que a gente não vai ali? – A loira sugeriu.

– Onde é ali? – Por um tempo não ganhou resposta, Emma dedicou-se totalmente ao beijo. Por que perdiam tanto tempo brigando? Era o que a loira se perguntava. Eram tão perfeitas juntas, tão perfeitas quando se amavam que deveriam viver única e exclusivamente daquilo. Perguntou-se quem foi o idiota que inventou que não podia se viver de amor. Ele precisava conhecer as duas, tinha certeza que elas poderiam provar para ele que é possível sim viver de amor.

– Ali... na nossa toalha do amor. – Respondeu contra a boca da namorada. – Vem! – Pôs fim a beijo e a puxou pela mão. Antes de sentar-se sobre a toalha livrou-se da jaqueta, dos sapatos e meias.

– Vai dormir? – Provocou, sua voz saiu um pouco ofegante, pelo beijo que elas tinham acabado de trocar. Emma lhe lançou um olhar sacana, aproximou-se, espalmou as mãos no peito da morena e as deslizou até seus ombros, fazendo com que a jaqueta caísse por eles.

– Não. Vou fazer algo muito melhor. – Com a ajuda da namorada, acabou de tirar a jaqueta.

– Que seria? – Indagou ao arquear uma sobrancelha fingindo-se de inocente.

– Namorar você. – Sentou-se sobre a toalha e puxou a namorada pela mão. – Vem! – Regina lhe sorriu, livrou-se dos sapatos, das meias e foi além, tirando também a camiseta. Riu ao ver o olhar surpreso que Emma a lançou.

– Você queria tirar? – Indagou ao juntar-se a loira.

– Ver você fazer isso é bastante interessante, por favor, da próxima vez faça em câmera lenta. – Pediu, arrancando uma gargalhada da morena.

– Posso colocar e tentar de novo. – Ameaçou pegar a camiseta, mas Emma segurou suas mãos, a impedindo.

– Nem pense nisso. – Regina não conseguiu falar mais nada, já que a namorada tomou-lhe os lábios de uma forma urgente e possessiva. Antes de Emma deixar o corpo cair sobre o da morena, livraram-se de sua camiseta também.

(...) As duas detentas apaixonadas perderam de novo a noção do tempo, e de novo coube a Ruby bater na porta da estufa e as lembrar da contagem. Saíram rindo do lugar, e desafiaram a ruiva a correr. No início a mesma se negou, mas depois de muita provocação barata trocada entre as três, tal corrida acabou acontecendo e Emma foi a campeã.

Seu prêmio foi uma bronca, um empurrão e uma advertência, por ter corrido pelos corredores da prisão. A segunda e terceira colocadas também foram agraciadas com os mesmos prêmios. Quase acabaram as três na solitária, quando ao invés de temerem as advertências, riram e voltaram a se provocar.

Assim que a contagem chegou ao fim, Emma avisou a namorada que precisava ir até os telefones. Precisava falar com Henry, na verdade estava curiosa e apreensiva para saber o que ele queria. Como ele avisou que Regina não podia saber daquela ligação, a loira teve que mais uma vez mentir. Deu a desculpa que sua avó queria falar com ela e foi.

Passou os olhos pelo corredor vazio, tirou o aparelho do gancho, o prendeu entre os ombros e a orelha, tirou o papel que Henry tinha lhe entregado do bolso e rapidamente discou seu número. Um pouco nervosa com a situação, voltou a passar os olhos pelo corredor, algo lhe dizia que Regina não ficaria nada feliz se soubesse que andava de segredinhos com o filho dela.

– Alô? – Sorriu ao ouvir a voz dele.

– Oi, garoto! Adivinha quem é? – O ouviu rindo.

– Segundo a telefonista, alguém da prisão, mas como conheço muitas presidiarias, por favor se identifique. – Emma deu risada ao ouvir tal coisa.

– Loira das tatuagens se apresentando, senhor abusado! – Tinha certeza que aquele apelido nunca mais seria o mesmo, depois que Regina conferiu as tatuagens.

– A minha preferida. – Sorriu ouvindo aquilo.

– Sua mãe não ficaria nada feliz em ouvir isso. – Avisou.

– Minha mãe é minha mãe, então você meio que não pode competir com ela, porque ela está acima de qualquer coisa. – Voltou a sorrir pelo jeito carinhoso com o qual Henry disse aquilo.

– Você é um fofo! – Seria muito estranho imaginar-se divertindo com Henry, quando saísse dali? Porque imaginava aquilo cada dia com mais frequência.

– Eu sei. – Emma fez vomitar ao ouvir aquilo.

– Para de ser convencido, garoto, eu sou a pessoa convencida dessa história. – Ordenou, o fazendo rir. – Você já vai me dizer porque me pediu para ligar, ou vai continuar me deixando na curiosidade? – Indagou sorrindo, mas tal sorriso foi se desfazendo a medida que os segundos passavam e Henry permanecia em silêncio. Não gostou nada daquilo. Pensou em mil coisas, nenhuma delas boas, todas elas envolviam Robin. A preocupação que tomou conta de si fez seu coração acelerar. – Henry? – O chamou alarmada.

– É complicado. – Ele soltou com o ar.

– Garoto, não existe no mudo nada mais complicado do que a minha vida, então pode falar, garanto que aguento. – O incentivou e de novo ele voltou a fazer silêncio. – É o seu pai? Ele fez alguma coisa contra você? – Fechou a cara e sua mão apertou com força o telefone que segurava. Se Robin tivesse feito alguma coisa ao garoto, ele iria pagar muito caro por aquilo, com toda certeza iria.

– Não, ele não me fez nada, mas tem a ver com ele. – Avisou.

– O que ele fez? – Ignorou a parte em que o garoto disse que ele não fez nada.

– Para mim, nada. – O coração da loira bateu ainda mais forte ao ouvir aquilo.

– Ele fez alguma coisa para sua mãe? – Se tivesse feito, Robin não passaria daquela noite.

– Não. Calma, Emma, respira, relaxa, não precisa ficar nervosa. – Respirou fundo e tentou controlar sua raiva. Não queria assustar Henry, e sabia que se não se controlasse acabaria o assustando.

– Okay, mas então vá direto ao ponto. – Pediu. – Esse suspense está me deixando louca.

– Relaxa, não é nada demais. Só quero perguntar uma coisa para você. – A loira arqueou as sobrancelhas, entendia cada vez menos.

– Que coisa? – Indagou confusa e desconfiada. Tudo piorou quando ouviu o garoto suspirar.

– Promete que vai falar a verdade? – Pediu.

– Por que eu mentiria? – Antes de prometer tal coisa, queria saber a gravidade do assunto.

– Porque o meu pai mente e a minha mãe omite. – Emma não gostou nada, nada de ouvir aquilo, talvez estivesse começando a entender onde aquela conversa chegaria. – Então só sobrou você. – Ela levou a mão livre até os cabelos e a passou nervosamente por lá.

– Garoto, eu não sou muito boa com essa história de verdades. – O avisou.

– Por favor, Emma! Prometo que vai ser um assunto só nosso e que nunca vou falar sobre isso com ninguém. Por favor! Só me ajude a entender. – Praticamente implorou, o que fez Emma suspirar e concordar.

– Okay, me diz o que é e eu vejo se posso ajudar ou não. – Ouviu o garoto respirar fundo e acabou fazendo a mesma coisa.

– Por que o meu pai não gosta de você? – “Merda!” Emma praguejou mentalmente. Pensou seriamente em desligar o telefone e depois em um outro dia dar a desculpa que a ligação caiu.

– Eu... não... sei. – Balbuciou.

– Você sabe sim, tenho certeza que sabe. E pela cara que você olha para ele, tenho certeza também que você não gosta dele. – Por que Regina tinha um filho tão esperto, por quê?

– Eu ouvi ele gritando com você aquele dia, garoto, e sei que ele estava bêbado, então não posso mesmo gostar dele. – Tentou se desvencilhar.

– Okay, você não gosta dele por esse motivo também, mas com certeza tem mais um, sei que tem. – Falou com convicção. Se Emma não estivesse em apuros, teria orgulho daquele garoto esperto.

– Por que você não me diz sua teoria e eu digo se é isso ou não? – Pediu.

– Minha teoria? – Pela mudança de voz de Henry, Emma deduziu que estava ferrada. – Você gosta da minha mãe. – “Bingo!” Foi isso que a loira teve vontade de responder.

– Claro que eu gosto da sua mãe, se não gostasse não seriamos amigas. – Tentou enrola-lo.

– Você gosta da minha mãe não só como sua amiga, Emma. Você gosta dela como gostava da sua namorada. – Foi o mais especifico que pôde.

– Você está louco? – Emma usou seu melhor tom incrédulo.

– Eu pensei que você não mentiria. – Ouvir o tom desapontado dele, a fez suspirar.

– Ah, por favor, Henry! Não me faça mentir. – Pediu.

– Eu só quero entender. Eu não entendo nada sobre essa coisa de relacionamentos, mas eu sei que as coisas entre meus pais não estão bem. Eles só brigam. Por telefone, pessoalmente, acho que até por pensamento. Minha mãe não olha mais para ele como olhava uma vez, as vezes eu acho que ela tem que se esforçar para prestar atenção no que ele diz e isso faz com que ele fique cada dia mais nervoso e irritado. – Fez uma pausa para respirar. – Eu fico no meio disso tudo, sem sequer uma explicação do que está acontecendo. Estou assistindo minha família desmoronar e ao menos sei o motivo. Eles me excluem, como se eu não fizesse parte disso, como se eu não fosse sofrer com o que quer que venha a acontecer. – Emma passou a mão pelo rosto ao ouvir o desabafo do garoto, não conseguia deixar de sentir-se culpada por aquilo. Henry gostava de Robin, claro que gostava, afinal o idiota era seu pai, então entendia perfeitamente seu desespero e sabia também onde ele queria chegar com aquela conversa.

– O que você quer saber, Henry? – Soltou com o ar, por algum motivo decidiu que seria honesta.

– Você gosta da minha mãe? – Repetiu a pergunta.

– Sim, eu gosto da sua mãe, gosto muito. – Respondeu segundos depois.

– Você ama ela? – Se Regina só sonhasse com aquela conversa, com certeza a mataria. Não sobraria um fio de cabelo loiro para contar história.

– Amo. – Foi tudo que respondeu.

– É por isso que meu pai não gosta de você, porque ele sabe que você gosta dela? – Emma suspirou.

– É. – Admitiu.

– Ela sabe que você gosta dela? – Mais uma vez, resolveu ser honesta.

– Sabe. – Acompanhou Henry no silêncio por alguns segundos, ao ver que ele não voltaria a falar tão cedo, resolveu fazer o que sabia fazer de melhor, mentir. – Ouça, Henry, não é porque eu gosto da sua mãe, que ela gosta de mim, e não acho que seja por isso que eles estejam brigando as vezes. Casais brigam, isso é normal. Sua mãe está longe de casa, então talvez por isso as coisas pareçam mais graves do que realmente elas são. Não se preocupe com isso, tudo vai ficar bem. No final desse ano, sua mãe vai voltar para casa, para o seu pai, para você e tudo vai voltar a ser como era. Enquanto eu vou ficar aqui por pelo menos mais dois anos. – Voltou a passar os dedos pelos cabelos.

– Não me leve a mal, eu gosto de você, e não consigo imaginar mais nenhuma outra mulher além de você, como minha madrasta. – Emma sorriu ao ouvir aquilo. – Mas é a minha família, ele é meu pai. – A loira suspirou.

– Eu entendo, Henry. Sério, não se preocupe com isso. – Pediu.

– Obrigado por entender! – Torcia para que quando saísse da prisão, Regina e o infeliz do marido já não fossem mais casados, assim seria mais fácil encarar Henry, mas caso tal coisa não acontecesse, não lhe restaria outra opção além de partir para o ataque, roubar Regina para si e magoar Henry. Ele a perdoaria no final daquilo tudo, não perdoaria? Queria pensar que sim, porque se importava e gostava muito do garoto, então desejava muito que ele fizesse parte da sua vida.

– Não me agradeça por isso. – Afinal, entender nunca significou aceitar, certo?

– Por favor, não fale sobre essa conversa com a minha mãe. – Ele nem precisava pedir, Emma com certeza não falaria.

– Não vou falar e espero que você faça o mesmo. – Pediu.

– Esse é um segredo nosso. – Sugeriu. – Combinado? – A loira afirmou.

– Combinado, capitão Netflix! – Voltou a passar os olhos pelo corredor e resolveu pôr um fim aquela ligação enquanto a sorte ainda estava do seu lado. – Agora eu preciso desligar antes que a general Mills, apareça por aqui, e aí você já sabe o que acontece, ela me manda para forca. – Henry deu risada ao ouvir o tom brincalhão e ao mesmo tempo nervoso com o qual a loira disse aquilo.

– Certo, cabo Swan. Tenha uma boa noite! – Desejou.

– Cabo? Precisamos conversar melhor sobre isso, não gostei do meu cargo. Isso é preconceito! Só porque eu não sou uma Mills, você me faz ser cabo. – Se fez de ofendida. – Nós vamos com certeza voltar a esse assunto e eu vou exigir um cargo mais importante. – Avisou. – Mas agora preciso mesmo desligar, boa noite, Capitão! Um beijo. Câmbio, desligo. – Sorrindo, colocou o telefone no gancho, mais uma vez checou o corredor, ao ver que continuava sozinha, resolveu que faria outra ligação.

Precisava falar com Jefferson, precisava saber de Gold, precisava planejar. Se Gold queria guerra, então guerra ele teria.

Teria sua vida de volta, com certeza teria, se não conseguisse por bem, conseguiria por mal. Sabia com quem estava se metendo, mas não tinha medo, lutaria por sua liberdade com unhas e dentes, mesmo que tal combate pudesse a levar a morte.

Notas finais
Gente, vocês estão sentindo que a Emma está ferrada né? O cerco está se fechando e ela não vai ter para onde correr, então comecem a se preparar, muita confusão está por vir e se vocês já não gostam do Robin agora, vão com certeza detesta-lo ainda mais. Bom, agora é com vocês, me digam o que acharam. Se os comentários saírem, prometo voltar em breve!