Escape
41 Doses diárias de você
Notas iniciais
Emma nunca foi muito fã de bandas atuais de rock, mas como não tinha uma playlist em mãos, estavam usando a de Regina. Enfim, o fato é que talvez começasse a gostar um pouco de Kings of Leon. O ritmo da música, junto com a letra sugestiva, Regina sentada sobre suas pernas, os lábios dela sobre os seus, a língua desavergonhada da namorada explorando sua boca, o jeito possessivo com o qual as pernas da morena abraçavam sua cintura, os dedos emaranhando em seus cabelos, as respirações irregulares, tudo, todo o conjunto, estavam lhe fazendo perder a razão.
Apertou as mãos na cintura da namorada, tentando reprimir toda a sua vontade naquele aperto e deixou escapar um gemido, quando Regina mordeu seus lábios.
Ah Deus! Estava nove meses, NOVE malditos meses, desejando aquilo, sonhando dormindo e acordada com o momento que estava acontecendo, mas em seus sonhos, sempre tirava as roupas de Regina, assim como lhe tirava o juízo e a razão, mas como o azar sempre lhe acompanhou, teria que passar a noite só na vontade. E Regina mais do que ninguém sabia daquilo. Então por que diabos estava lhe maltratando daquele jeito? Não que estivesse com vontade de reclamar, nem de parar com aquela tortura tão boa, mas poxa vida! Terminariam a noite a ver navios e aquilo era frustrante.
Regina sorriu presunçosamente contra a boca da amiga, quando a mesma deixou escapar um gemido. Desenrolou os dedos dos cabelos loiros e desceu as mãos pelas costas de Emma. Agarrou a barra da camiseta da namorada que sem oferecer resistência alguma, levantou os braços para que se desfizessem da peça.
As mãos da morena foram até o sutiã da amiga, o destacando com destreza antes de voltarem para os cabelos loiros. Os puxou sem delicadeza, arrancando dela um suspiro e a fazendo levantar a cabeça. Seus lábios abandonaram os de Emma e desceram até o queixo da amiga. Voltou a ouvia-la suspirar, quando prendeu os dentes lá.
– O que você está fazendo? – Emma não conseguia mais deixar os olhos abertos, mal estava conseguindo raciocinar.
– Tirando suas roupas. – Respondeu um tempo depois, antes de voltar a tomar-lhe os lábios.
Okay, tirando as roupas, se Regina podia lhe tirar as roupas, então também podia tirar as dela, certo? Não foi difícil fazer a camisa da namorada se juntar a sua, assim como não foi difícil destacar o sutiã e faze-lo cair pelos ombros, para então se livrarem dele.
Sorriu para os seios perfeitamente simétricos, os quais tanto sentiu saudades, e afundou o rosto entre eles. Inspirou o máximo que pôde o cheiro bom que o corpo da amiga emanava, roçou os lábios pela pele delicada e macia e voltou a inspira-la. Soltou um suspiro de satisfação com aquilo. Quando pensou em aprofundar aquele contado, os dedos de Regina enrolados em seus cabelos os puxaram, tirando sua boca de lá.
– Regina! – Reclamou do jeito que pôde. – Por favor! – Choramingou, tentando de novo voltar ao que estava fazendo. Regina negou-se, e empurrou os ombros da amiga, a fazendo deitar. Suspirou enquanto admirava aquela mulher. Amava aquela pele alva, as sardas espalhas pelos ombros e colo, os braços bem desenhados, o jeito como respirava, as maçãs do rosto avermelhadas, os cabelos loiros bagunçados, o jeito ansioso e ao mesmo tempo sedutor como lhe olhava. – O que você está fazendo? – Em um ronronar, voltou a fazer a mesma pergunta.
– O que parece que estou fazendo? – Sua voz soou baixa, segura e sedutora.
– Me enlouquecendo? – Soltou com o ar e voltou a agarrar a cintura da namorada, pressionando o corpo dela contra o seu. Regina tirou as mãos de Emma de lá, saiu de cima dela e posicionou-se entre suas pernas. Desatacou os botões da calça skinny e abriu o zíper. Seus dedos brincaram entre a pele da namorada e o cós da calça, até por fim agarrarem-se ao mesmo para puxa-la. — Regina, não. – As mãos nada decididas de Emma, agarraram as suas, tentando faze-la parar.
– Por que não? – Questionou de sobrancelhas arqueadas e de novo sorriu quando a namorada demorou para responde-la.
– Porque você não pode. – Soltou com o ar, fazendo Regina rolar os olhos e desfazer-se de suas mãos.
– Mas você pode. – Respondeu ao puxar a calça da amiga, trazendo junto sua calcinha. – Você podia usar calças menos apertadas. – Reclamou, enquanto acabava de livrar-se da mesma.
– Regina... – Soltou uma lufada de ar quando sentiu os lábios quentes da amiga tocarem sua virilha. – Assim... – Sussurrou ao senti-los arrastar até seu sexo. – Não... sim... assim, sim... – Regina esboçou um sorriso ao perceber o quão fácil era convencer Emma. Levou as mãos até as pernas da loira fazendo dobrar os joelhos e apoiar a planta dos pés contra o colchão. Ajoelhou-se entre as pernas da amiga, e escorregou a mão até o sexo dela o acariciando. Observou extasiada a loira de olhos fechados, com a cabeça jogada para trás, os lábios entre abertos, enquanto respirava pesado.
– Você se importa? – Indagou ao deslizar os dedos pelo sexo da amiga, que suspirou, antes de abrir os olhos e encarar Regina.
– Emma Passiva Swan, prazer. – Sua resposta ansiosa, fez a morena sorrir perversamente. Já Emma, gemeu e voltou a fechar os olhos, quando sentiu os dedos da amiga lhe invadindo.
Era fascinante, excitante, para Regina, ver as reações que suas ações provocavam na namorada. Seu coração batia mais forte a cada novo gemido que a amiga deixa escapar por entre os lábios. Seu desejo em satisfaze-la crescia a cada novo suspiro, a cada palavra incoerente. Seu sexo pulsava pela amiga, seu corpo desejava o dela, sua boca queria prova-la.
Os dedos de Emma agarraram-se ao lençol da cama, quando sentiu a língua da namorada circular preguiçosamente seu clitóris. Estava entregue as caricias de Regina, totalmente à mercê delas. Quando se tratava de sexo, gostava de estar no comando da situação, gostava de conduzir, de dar prazer, mas naquele momento, naquele momento tudo que queria era continuar ali, exatamente do jeito que estava deixando-se conduzir. Regina sabia perfeitamente como fazer aquilo, claro que sabia, afinal, ela era Regina, ou seja, sabia como ninguém conduzir qualquer situação, não seria diferente com sexo.
Agarrou-se com mais força ao lençol, quando a boca da namorada abocanhou aquele ponto tão sensível, para então chupa-lo, enquanto os dedos dela continuavam indo e vindo, em um ritmo mais acelerado.
O corpo da morena implorava por mais contato, seu sexo pulsava de desejo a cada novo gemido, a cada novo suspiro, cada vez que o sexo da namorada contraia em seus dedos. A pele quente de Emma, seu sexo cada vez mais molhado, a voz falha, o cheiro, o gosto, mil sensações tomavam conta de si, enquanto continuava a estimulando.
A loira que até então tentava conter seus gemidos, desistiu de tal coisa, quando os dedos de Regina trocaram de lugar com a língua. Só conseguia pensar no quanto aquilo era maravilhosamente bom, no quanto queria mais e mais. Se possível, queria que durasse para sempre.
Abriu ainda mais as pernas, e levou as mãos até os cabelos da amiga, os puxando, tentando tornar aquele contato ainda maior, ainda mais intenso. Desejava ter um pouco de controle sobre seu corpo naquele momento, assim poderia prolongar tudo aquilo, mas como controle era tudo que não tinha, sabia que logo se renderia.
Gemeu em protesto quando a boca da amiga abandonou seu sexo, e as mãos dela tiraram suas mãos dos cabelos negros. Ao abrir os olhos, deparou-se com a namorada de joelhos, em uma postura perfeita, lhe olhando profundamente.
Os cabelos bagunçados dela, os lábios vermelhos, os seios expostos, o jeans apertado, o sorriso provocante, o jeito como respirava, Regina a enlouquecia, só a imagem da amiga daquele jeito diante de si já era o bastante para excita-la.
Regina estendeu as mãos para a namorada e a ajudou a também ficar de joelhos, gemeu junto com ela quando puxou o corpo alvo de encontro ao seu, tornando nulo o espaço entre eles. Emma prendeu os braços no pescoço da amiga, e mergulhou as mãos nos cabelos dela. Enquanto Regina agarrou a cintura da loira e em movimentos bruscos, chocou o sexo dela contra o seu.
– Como eu senti sua falta, preguiça! – Emma ronronou contra a boca da namorada, que sorriu e deslizou as mãos por suas costas, a envolvendo em um abraço apertado, sentindo o corpo quente dela contra o seu, a macies da pele dela junto a sua. O prazer daqueles pequenos, mas significativos detalhes, era imensurável. Amava aquele cheiro, aquele corpo, cada parte dele, cada pequeno detalhe. Encaixava-se tão bem junto ao seu, que não tinha dúvida nenhuma que foram mesmo feitos um para o outro.
Regina desfez-se do abraço, levou uma mão até os cabelos loiros, os enrolando entre os dedos antes de puxa-los, fazendo Emma gemer em protesto. Roçou o nariz pelo pescoço, antes de torna-lo alvo de seus lábios famintos.
Emma não se importou em mais uma vez expressar-se em voz alta, quando os dedos da amiga voltaram a lhe estimular. Suas mãos agarram-se ao cós da calça de Regina, tentando de algum jeito não desabar. Os lábios em seu pescoço, os dedos emaranhados em seus cabelos, os seios dela junto aos seus, seu sexo sendo tocado e estimulado, as respirações pesadas. Estava rendida, completamente entregue.
Voltou a gemer alto quando a mão da amiga de novo puxou seus cabelos de um jeito nada gentil.
– Olhe para mim. – Regina pediu assim que sua boca abandonou o pescoço da amiga. – Emma! – Chamou, fazendo a loira suspirar e muito sem vontade abrir os olhos. – Olhe para mim. – Pediu de novo e ganhou um aceno positivo de cabeça. Intensificou o ritmo dos movimentos, apertou ainda mais os cabelos de Emma em sua mão, e sorriu.
Voltou a puxar os cabelos loiros quando ela ameaçou fechar os olhos, sentiu seu corpo em chamas quando palavras nada ortodoxias, começaram a sair da boca de Emma, enquanto os quadris da loira iam e vinham ditando o ritmo que queria.
– Não pare! – Pedia repetidas vezes, enquanto os espasmos tomavam conta do seu corpo, a fazendo intensificar o ritmo dos movimentos. Por fim, soltou os quadris da amiga, levou as mãos até os cabelos dela e segurou-se lá. Recostou sua testa na dela, e obedecendo seu pedido, continuou de olhos abertos, deixando que Regina visse em seus olhos o prazer lhe consumindo. Os olhos desejosos da namorada fixos nos seus, fizeram qualquer resquício de controle se esvair, entregando-se pôr fim ao prazer absoluto.
A boca de Regina calou a da amiga, quando a mesma resolveu expressar-se mais alto do que as circunstâncias permitiam. O beijo voraz foi tornando-se calmo à medida que o corpo de Emma acalmava-se, até por fim, os lábios se tornaram imóveis uns sobre os outros.
Regina não pôde deixar de sorrir ao ver a expressão completamente relaxada da namorada. Emma lhe retribuiu o sorriso, antes de deixar seu corpo cair sobre o colchão e puxar a amiga consigo, a trazendo para cima si.
Os dedos de Emma, alisavam os cabelos da namorada, enquanto com um sorriso no rosto, a loira pensava no que tinha acabado de acontecer. Já Regina, estava de olhos fechados, e respirava fundo em busca de concentração para tentar acalmar seu corpo que parecia em chamas. Um banho frio, talvez fosse precisar de um.
– Não faça isso. – Pediu, quando Emma deslizou os dedos por suas costas. – Não me toque. – Quase implorou.
– Sinto muito. – Desculpou-se, entendendo perfeitamente o pedido da namorada.
– Não sinta, porque eu não sinto. – A resposta fez Emma sorrir.
– Okay, eu também não sinto. – Admitiu. – Quer dizer, sinto muito você estar indisponível, mas o que acabou de acontecer, eu não sinto nem um pouquinho. – Ao ouvir tal coisa, Regina esboçou um sorriso.
– Eu idem.
– Obrigada por isso, preguiça! – Sentiu-se no dever de agradecer.
– Disponha! – A voz preguiçosa da resposta, fez Emma ter vontade de esmagar a namorada em um abraço.
– Eu gosto tanto de você! – Declarou-se.
– Eu também gosto tanto de você. – Ajeitou-se melhor sobre a amiga.
– Eu sei, eu sou muito gostável. – Ao ouvir tamanha humildade, Regina levantou a cabeça para encarar a modéstia em pessoa, que tentava não rir.
– Sua humildade continua me enjoando. – A cara de nojo que fez, fez Emma gargalhar e levantar a cabeça para juntar os lábios aos da morena.
– Não tenho culpa se verdades deixam você enjoada. – Regina tentou fugir da namorada, mas as mãos de Emma foram mais rápidas, e agarram-se a cintura da morena, não a permitindo escapar.
– Seu ego não é nada gostável. – Resmungou, de novo fazendo Emma rir. A loira fez com que a amiga saísse de cima, invertendo as posições. Seus olhos se prenderam aos olhos escuros dela e perderam-se por alguns segundos por lá. Achava impressionante o quanto os olhos de Regina diziam, sem que ela precisasse abrir a boca para se expressar.
– Tenho consciência de que não sou muito gostável, na verdade, não sou nada gostável, mas por algum motivo, sei que você gosta de mim. – Sorriu. – Sempre que meus olhos param nos seus, você me diz isso. – Sussurrou, e ganhou um sorriso como resposta. As mãos de Regina foram até o rosto da amiga o puxando para um beijo. Infelizmente para as duas, aquele beijo durou quase nada, já que três batidas na porta, junto com a mesma sendo aberta sem uma permissão, puseram fim a tudo.
– Eu trouxe roupas de... – Ao levantar a cabeça para procurar pela filha, Mary paralisou. Okay, sabia que ela estava no quarto, sabia que não estava sozinha, sabia que Regina não era só uma amiga, sabia que nenhuma das duas tinha vocação para santa, e sabia que o namoro entre elas não se limitava só a dedos entrelaçados, mas saber é uma coisa bem diferente de ver, ou seja, estava completamente sem reação. Não conseguia tirar os olhos da filha completamente nua, deitada sobre a amiga de infância que se encontrava seminua.
Enquanto Emma, tentava esconder um pouco da nudez sobre o corpo da amiga, Regina tentava camuflar o rosto entre os cabelos loiros, e pensava no quão azarada era quando o assunto envolvia sexo, Emma e plateia, em uma mesma frase.
Não, claro que não bastava seu filho, pai, irmã e amiga lhe pegarem em uma situação nada ortodoxia há algum tempo atrás, enquanto falava com Emma ao telefone, Mary Margaret, precisava flagrar as duas também. Talvez fosse melhor chamar o resto da família, quem sabe só assim, se livrariam daquele carma.
– Por que diabos, você não me esperou responder antes de ir entrando? – Emma esbravejou com a mãe.
– Eu... eu... eu... – Sabia que tinha que desviar os olhos, mas ainda estava em choque. Emma a olhou por cima dos ombros e bufou.
– Você quer por favor parar de gaguejar e nos dar as costas? – A mulher apenas concordou com a cabeça e fez o que lhe foi pedido.
Emma murmurou um pedido de desculpa a namorada, antes de sair de cima dela e ir em busca das roupas espalhadas pelo chão, sorriu sem humor ao lembrar que Ruby tinha as flagrado em uma situação parecida, há algum tempo.
O silêncio constrangedor pairava pelo quarto, enquanto as duas voltavam a pôr as roupas. Até a música que até então saía do celular de Regina, por algum motivo parou de tocar. Provavelmente aquilo tudo era uma conspiração.
Ao ver a janela aberta a morena pensou em escapulir pela mesma, mas talvez jogar-se do segundo andar não fosse uma boa ideia. Resolveu então sentar-se sobre a cama, concentrar os olhos em um ponto qualquer e fazer de conta que nem estava ali. A mãe era de Emma, então ela que desse um jeito.
Se Regina estava envergonhada, Emma estava brava por ter uma família tão inconveniente. Sua mãe sabia que as duas estavam ali, as ouviu dizendo que iriam subir, as viu subindo, viu a porta do quarto fechada, então por que diabos, não esperou ser autorizada a entrar?
– Pronto. – Resmungou, enquanto tirava os cabelos de dentro da regata. Estava de pé ao lado da cama, os braços cruzados sobre o peito, um semblante irritado.
– Me desculpem. – Mary pediu ao voltar-se para elas. – Eu... – Emma rolou os olhos e levou as mãos a cintura.
– Deveria ter esperado um convite para entrar. – Resolveu ajuda-la, já que a mesma estava com problema de gagueira.
– Isso.
– Mas não esperou, como sempre. Você sempre bate e vai entrando. Já perdi as contas de quantas vezes pedi para você esperar uma resposta antes de entrar. – Esbravejou.
– Sinto muito. – Com certeza depois de tal acontecido, jamais voltaria a cometer o mesmo erro.
– Será que nós por favor podemos fazer de conta que isso nunca aconteceu? – Regina pediu, sem tirar os olhos da TV apagada.
– Por favor, vamos fazer isso. – Mary concordou.
– Não. Porque sabemos que aconteceu e sabemos o porqu... – Tudo que Regina menos queria era que a amiga desse continuidade ao assunto. Tudo bem, Mary entrou sem esperar por uma resposta, mas elas também erraram ao não chavear a porta.
– Emma! Por favor! – Pediu, enquanto seus olhos mandavam a amiga calar a boca.
– Okay! – Soltou com o ar, antes de tirar os olhos da namorada e voltar a encarar a mãe.
– Você veio só ver como funciona um sexo lésbico, precisa de uma explicação detalhada ou o quê? – Tais perguntas deixaram a mulher ainda mais constrangida.
– EMMA! – Regina esbravejou ao lhe tacar um travesseiro.
– Vim trazer um travesseiro, e toalhas para Regina. – Contou ao passar pela filha e caminhar até a cama, onde depositou as coisas ao lado da morena, que lhe lançava um olhar constrangido. — Sabonete, e shampoo, estão em cima da pia do banheiro. Roupa para dormir você pega com Emma. – Se Regina não estivesse tão envergonhada, talvez estivesse rindo um pouco da vergonha da tia. — Acha que precisa mais de alguma coisa?
– Não. – Coçou a garganta. — Na verdade, agradeço a hospitalidade, mas não vou poder ficar. – Avisou, não só a Mary, mas também a amiga.
– Ah não! Por quê? – Emma questionou.
– Porque hoje é terça-feira, amanhã preciso trabalhar e não posso de jeito nenhum me atrasar, já que tenho reunião com alguns fornecedores na primeira hora. – Explicou ao se pôr de pé.
– Fica aqui, por favor! Amanhã eu acordo você cedo, tipo, as cinco horas. – Regina balançou a cabeça muitas vezes negando.
– Isso não é cedo, isso ainda é madrugada. Não quero ter que acordar mais cedo do que já vou ter que acordar. – Emma a puxou pela cintura a trazendo para si.
– Por favor, preguiça! – Regina tentou não rir.
– Não me olhe assim, essa cara de cachorro que caiu da mudança não vai me convencer. – Avisou.
– Você não pode simplesmente abusar do meu corpo e ir embora assim. – Reclamou. – Tenho sentimentos, e bom, eu sou fácil, você pode abusar de mim mais vezes. – Mary coçou a garganta ao ouvir tal coisa, tentando lembrar a filha que ainda estava por ali.
– Se você quiser ficar, sabe que é muito bem-vinda! – Ao ver que estava sobrando, e que talvez pudesse presenciar mais uma cena constrangedora, resolveu que estava na hora de bater em retirada. – Se precisarem de alguma coisa, sabem onde me encontrar. – As duas balançaram a cabeça em concordância e assistiram a mulher se retirar.
– E o que pode convencer você então? – Indagou de sobrancelha arqueada, assim que a mãe fechou a porta.
– Absolutamente nada. – Emma riu, sabia exatamente o que podia com certeza convencer a amiga, era só uma pena não poder fazer absolutamente nada a respeito.
– Uma garantia de porta chaveada? – Regina riu.
– Meu coração ainda está acelerado com o que aconteceu, e ainda sinto meu rosto arder. Você sabe que nunca mais vou conseguir encara-la, não sabe? – Reclamou com a amiga que riu.
– Primeiro, ela não viu nada demais. Segundo, se viu, foi por ser metida e não por culpa nossa. Terceiro, já ficou combinado de esquecermos isso. Quarto, você tem que me dizer o que posso fazer para convence-la a ficar. – A insistência fez a morena rolar os olhos.
– Já disse, absolutamente nada. – Repetiu.
– Abraços, talvez? – Regina negou com a cabeça. – Beijos? – De novo negou, enquanto tentava não rir. – Não seja uma namorada insensível, eu já disse que você precisa me amar. – Regina prendeu os braços no pescoço da loira insistente.
– Eu amo, mas só depois do meio dia. – De novo fez Emma rir.
– Mentira, você ama antes também. – Negou.
– Antes a única coisa que consigo amar é a minha cama. – Emma fez-se de ofendida.
– Ame a minha cama também. Além de ser confortável e aconchegante, ela tem eu.
– E os seus pés gelados. – Rebateu.
– Eu durmo de meias. – Deu a solução.
– Você não dorme, fica tagarelando sem parar e não me deixa dormir também, e além disso quer me acordar às cinco da madrugada. – Emma amava a preguiça da namorada quando o assunto era acordar cedo.
– Se eu não deixar você dormir, então você não vai ter que acordar. Problema resolvido. – Selou os lábios aos da namorada. – E não se fala mais nisso. – Ronronou contra a boca dela.
– Ainda não estou convencida. – Aquilo não era verdade, a verdade é que já estava muito convencida, provavelmente não dormiria mesmo, porque tinha certeza absoluta que Emma tagarelaria a noite toda, mas não se importava, não se importava nem um pouco, talvez viesse a se importar no outro dia de manhã, mas naquele momento, sua única vontade era de continuar exatamente onde estava. Se perguntava se conseguiria passar mais uma noite longe de Emma, e se aquelas borboletas estúpidas que habitavam seu estômago e a faziam sentir como uma adolescente outra vez, um dia iriam embora. Pediu a Deus para que não. – Emma! – Praticamente gritou, quando sem que esperasse, foi derrubada sobre a cama. Riu alto junto com a loira, que jogou-se para cima dela.
– E agora, já está convencida? – Firmou os braços entre a cabeça da namorada e jogou os cabelos sobre o rosto da amiga.
– Não! – Respondeu rindo, enquanto tentava fugir do ataque de cabelos.
– Está sim que eu sei, você não me engana Regina Mills. Me diz, que mulher em sã consciência preferiria ir para casa ao invés de passar a noite comigo? – A falta de humildade da loira, fez Regina fazer que vomitaria. Agarrou a cintura da namorada convencida e deu jeito de faze-la deitar-se ao seu lado.
– A mulher que acaba de ser flagrada pela pseudo tia, em uma situação um pouco, na verdade, muito, constrangedora. Ela provavelmente vai contar para o seu pai. – Emma riu, ao lembrar-se que quando as duas aprontavam alguma coisa quando criança, Regina tinha exatamente o mesmo medo.
– Regina, nós não temos mais dez anos, nem estávamos fazendo nada de errado. Meus pais com certeza sabem que não temos vocação para santas, e com certeza eles também sabem o que fazemos entre quatro paredes. Então relaxa, e me diz que você vai passar a noite aqui. – A morena suspirou vencida.
– Você sabe que eu não vou conseguir ficar todas as noites, não sabe? – Levou a mão até o rosto da amiga e tirou de lá os fios loiros que lhe atrapalhavam a visão.
– Sei, por isso espero que quando você não puder ficar, me convide para dormir na sua casa. – Ofereceu-se, fazendo Regina sorrir e concordar.
– Você quer ficar na minha casa, quando eu não puder ficar na sua? – Emma lhe retribuiu o sorriso.
– Quero. Mesmo que isso envolva Algodão na mesma cama.
– Você sabe, eu acostumei muito mal aquele cachorro, agora não posso simplesmente dizer para ele que arrumei alguém para substituí-lo na minha cama. – Emma concordou.
– Tudo bem, sua cama é grande, cabemos os três. E algo me diz que, Algodão não é o tipo de cachorro que gosta de pornô lésbico, então tenho certeza que vou vence-lo pelo cansaço e conquistarei a cama. – Ao ouvir tal coisa, Regina riu.
– Planos maquiavélicos. – Emma abriu um sorriso presunçoso.
– Me diz que você não gosta deles. – Levou a mão até o anel que uma vez deu a namorada, e que tinha definitivamente, virado um pingente.
– Não posso dizer isso.
– Não? – Regina negou.
– Não. A verdade é que gosto muito deles. – Emma suspirou ao ouvir Regina sussurrar aquilo, e ver o olhar sugestivo que lhe lançava. Mais uma vez no dia, lembrou-se do azar que tinha, então resolveu mudar de assunto.
– Posso saber quando isso vai voltar para o seu anelar? – Questionou ao mostrar para namorada o anel.
– Eu gosto dele aqui. – O tirou da mão da amiga. – Gosto de segura-lo enquanto estou pensando. Virou meio que um vício.
– Então devo deduzir que não vai voltar para o anelar. – Concluiu.
– Você se importa? – Emma negou.
– Não. Eu gosto dele aqui, fica perto do seu coração. Mas o próximo que eu der para você, você vai ter que usar no dedo, mais precisamente no dedo anelar, e ainda mais precisamente, no anelar esquerdo. – Ao ver onde provavelmente aquela conversa terminaria, Regina resolveu que deveriam mudar de assunto.
– Preciso falar com Henry, avisar que vou ficar aqui. – Avisou ao rolar para o lado e se pôr de pé. Sua resposta fez Emma sorrir sem humor.
– Você quer namorar para sempre? – Questionou. O tom mal-humorado da pergunta fez Regina sorrir. Pegou seu celular na bolsa e voltou-se para a amiga.
– Me parece uma ótima ideia. – Respondeu junto com um dar de ombros.
– Então vai ser cada uma na sua casa para sempre, é isso? – De novo teve vontade de rir, ao ver que sua resposta a irritou. Caminhou de volta até a cama e jogou-se lá.
– Seremos um casal moderno. – A resposta fez Emma lhe lançar um olhar incrédulo.
– Eu não quero que sejamos um casal moderno. – Regina concentrou os olhos no celular. – Você me quer só para sexo, é isso? – Ao ouvir tamanho absurdo, a morena rolou os olhos.
– Vou fazer de conta que não ouvi isso. – Resmungou.
– Se você quiser eu repito, para você ter certeza do que ouviu. – Esbravejou.
– Está vendo porque eu não quero casar? Porque quando eu ouvir absurdos como esse, posso simplesmente levantar e ir para a minha casa. – Rebateu.
– Com Robin, você casou. – Acusou.
– Porque você foi embora. – Rebateu a acusação.
– E agora você quer me castigar por isso. – A conclusão fez Regina bufar, tirar os olhos da tela do celular e encarar a namorada idiota.
– Eu casei com Robin, e me separei de Robin, ou seja, casamento não é garantia de nada. Digamos que venhamos a nos casar, isso não impede você de sei lá, um dia encontrar uma outra pessoa, ou de repente, acordar com vontade de ir embora de novo. E o que vai sobrar para mim, além de uma casa vazia e um anel estúpido no dedo? – Ao entender finalmente a aversão de Regina aquilo, Emma ficou momentaneamente sem palavras, o que fez Regina suspirar e voltar a concentrar-se no celular.
– Eu não vou embora. – Sussurrou.
– E Robin nunca ia me bater. – Resmungou.
– Eu não sou Robin. – Rebateu.
– Foi você quem começou com as comparações. – Emma roubou o celular da mão da namorada.
– Eu não vou embora. – Repetiu, dessa vez com convicção. – Eu nunca vou encontrar outra pessoa, não quero encontrar outra pessoa, eu nunca vou me cansar de você. Não vou embora, juro que não, não vou nem que você se canse de mim e me mande ir. – Levou a mão até o rosto da namorada e a fez a encarar. – Você precisa acreditar nisso, por favor. – Pediu.
– Eu acredito, mas as vezes... eu só... – Suspirou. – Vamos com calma, Okay? Você acabou de sair da prisão, acabou de retomar sua vida. Isso é novo para mim, é novo para você, apenas, vamos como calma, não vamos atropelar as coisas. – Pediu.
– Okay! – Emma resolveu desistir do assunto, pelo menos, naquele momento.
– Não fique magoada. – Pediu.
– Eu não estou. Só quero que você saiba que se não for para ser com você, não vai ser com mais ninguém, você pode ter certeza disso, Okay? – Regina sorriu e balançou a cabeça concordando.
– Okay.
– Okay mesmo, mesmo? – Indagou, enquanto analisava atentamente a namorada.
– Sim. Não se preocupe com isso, Emma. Preocupe-se com o que você deve se preocupar. – Emma juntou as sobrancelhas.
– Que seria?
– Faculdade. Já se decidiu por um curso? – A pergunta fez a loira soltar um suspiro desanimado.
– Não.
– Você parecia empolgada com direito, o que aconteceu? – Emma voltou a suspirar.
– Muita coisa para decorar, para pouco cérebro. – Reclamou. – Mas eu pensei em outra coisa.
– Que coisa? – Indagou com curiosidade.
– Matemática. – Gargalhou quando os olhos de Regina cresceram, aparentemente assustada com o que tinha ouvido.
– Isso é sério? – A preocupação estampada na pergunta, fez Emma voltar a rir.
– Claro que não, só quis assustar você. – Regina esbarrou a mão nos ombros da namorada.
– Idiota!
– Agora sério. Eu pensei em fazer dois anos, sem definir um curso. – Contou uma parte do que tinha cogitado.
– É uma boa ideia, assim você não fica parada e tem esses dois anos para se decidir. – Emma concordou.
– Isso. – Regina não precisou olhar para a namorada por mais de dois segundos, para saber que não era só aquilo.
– E mais o quê? – Indagou.
– Mais o que, o quê? – A loira tentou se esquivar.
– Mais o que você pensou? Eu sei que tem mais, não se faça de desentendida! – Desviou os olhos dos da namorada.
– Uma ideia idiota, deixa para lá. – Respondeu pouco à vontade.
– Não me importo. Gosto de ouvir ideias idiotas, até a do casamento eu ouvi. – Emma lhe olhou de canto. – Me conta. – Insistiu.
– Estava pensando em fazer esses dois anos no curso técnico, que é o mínimo que a NYDP, exige. – Compartilhar sua ideia absurda com Regina, a deixou sem graça. Ao ouvir tal coisa, a morena esboçou um sorriso lembrando-se da primeira vez que ouviu de Emma, o que ela queria ser quando crescesse.
– Eu continuo não achando errado. – Sussurrou, ganhando atenção da amiga. – Continuou não achando errado você querer ser policial. Sabe o que eu acho errado? – Emma apenas negou com a cabeça. – Você não tentar. Você não pode continuar desistindo das coisas sem tentar, Emma. Não é uma ideia absurda investir no que você quer. Absurdo é você não tentar porque acha difícil. – Emaranhou os dedos nos cabelos loiros. – Okay, talvez não seja tão fácil de entrar, por causa da sua ficha criminal, mas também não é impossível. Você só precisa se dedicar para conseguir. Trabalhos voluntários ajudam, ser a melhor da sua classe também vai ajudar. – Opinou.
– Se eu entrar para academia, vão ser seis meses de treinamento, e talvez não sobre muito tempo para nós duas. – Regina sorriu.
– Nós já passamos por coisas terrivelmente piores, você não acha? – Emma suspirou e concordou.
– Sim, mas se agora que eu sou uma completa desocupada, você já tem medo que eu possa dar no pé, imagina quando eu tiver que me dedicar por seis meses a esse treinamento. – Por motivos assim, que Regina odiava falar sobre a história absurda de casamento.
– Emma, presta atenção, eu não quero que você seja uma completa desocupada, quero que você faça alguma coisa, além de namorar comigo. Quero que você tenha as suas coisas, assim como eu tenho as minhas. Meu medo de que você possa dar no pé, não tem nada a ver com isso, aliás, ver você se interessando de verdade por uma coisa, ver você criando raízes, vai com certeza me ajudar a superar isso. – Emma suspirou e por fim esboçou um sorriso.
– Então tudo bem para você, ter uma namorada policial? – Indagou de sobrancelha arqueada.
– Tudo ótimo, se é o que você quer, então por mim está tudo ótimo. O que você quiser Emma, sendo que esteja dentro da lei, você pode ter certeza que vou apoia-la. – Ao ouvir tal coisa e a convicção estampada naquilo, Emma sorriu. – E eu vou amar, ter uma mulher fardada para chamar de minha.
– Então eu sou sua mulher? – A pergunta fez a morena arquear as sobrancelhas.
– Não é? – Emma lhe beijou os lábios, antes de responder.
– Sou. Sua mulher. – Trouxe o corpo da namorada para perto do seu. – Só sua. – Voltou a beijar-lhe os lábios.
– Só minha. – Regina ronronou contra os lábios da namorada, que suspirou, pôs fim ao beijo, e se pôs de pé, caminhando até a porta. Resolveu não dar mais uma chance ao azar, e trancar a porta.
– Chaves são a prova de mãe, Daniel, ou qualquer outro Swan metido. – Voltou-se para a namorada, que tinha um sorrisinho rosto.
– Eu gosto de chaves. – Emma riu e concordou.
– Chaves serão nossas melhores amigas. – Quando pensou em voltar para a cama, ouviu o choro da sobrinha, que vinha do quarto ao lado. – Será que eles ainda estão lá embaixo? – Questionou com Regina, que deu de ombros.
– Não faço ideia. – Respondeu.
– É normal chorar desse jeito? – Indagou um pouco assustada, perguntando-se como alguém daquele pequeno tamanho, conseguia chorar tão alto?
– É. Provavelmente ela acordou, e não encontrou ninguém. Aproveita que você já está aí, e vá verificar. – Ao ouvir tal coisa, os olhos assustados de Emma, cresceram.
– Eu? – Regina tentou não rir do tom medroso da pergunta.
– Sim, você. Anda logo. – Pensou em abrir a boca para reclamar e mandar Regina, mas sabia que não a convenceria, então destrancou a porta que tinha acabado de trancar e foi.
Ao abrir a porta do quarto do irmão, deparou-se com a sobrinha lá, sozinha. Ao acender a luz, viu que a menina estava sentada sobre o berço, e quando a mesma a viu, conseguiu chorar mais forte e mais alto do que já chorava. Quando Emma lhe deu as costas para ir em busca de ajuda, esbarrou em Regina, que já estava por ali. Seus olhos aterrorizados pararam na namorada, que por algum motivo, continuava tranquila.
– Ela está chorando, faça alguma coisa. – Seus olhos assustados, junto com sua voz apavorada, fizeram Regina sorrir.
– Faça você alguma coisa. – Respondeu tranquilamente, aparentemente nada abalada com o choro estridente da bebê.
– Regina... – Tentou começar, mas foi impedida.
– Vamos lá, você tem que pegar ela. – Levou as mãos até a cintura da namorada, e a fez se voltar para a sobrinha. Como Emma continuava parada, Regina a fez andar até lá. – Pegue ela. — Incentivou.
– Eu não sei. – Estava quase com vontade de chorar junto com a menina.
– Tudo bem se você fizer isso de um jeito desajeitado, Emma. Apenas pegue. – Emma respirou fundo, tentando puxar coragem junto com o ar, enquanto olhava para aquele ser tão pequeno que conseguia fazer tanto barulho.
– Faço ela ficar deitada em meus braços ou como? – Inclinou a cabeça para um lado, depois para o outro, tentando achar um ângulo para fazer aquilo. O máximo que já tinha segurado na vida, foi um filhote de cachorro.
– Não. Ela já superou a fase de ficar deitada. Segure com o braço direito, e coloque a mão esquerda nas costas. – Explicou. Emma voltou a respirar fundo, concordou com a cabeça e com todo cuidado do mundo, como se de repente fosse desarmar uma bomba, ergueu a sobrinha. Fez o que Regina disse para fazer, com o braço direito à segurou e com a mão esquerda protegeu as costas.
– Assim? – Será que tinha um botão, onde conseguiria desligar o choro?
– Sim. Agora converse com ela. – Os olhos de Emma voltaram a crescer, enquanto balançava a menina de um lado para o outro, tentando talvez acalma-la.
– O quê? – Não queria conversar, queria a entregar para Regina. Tudo bem, o choro tinha diminuído consideravelmente, mas ela ainda estava chorando. Além disso, não tinham o que conversar. Falariam sobre o quê? O tempo? A bolsa de valores? Os presidentes dos Estados Unidos? Que tipo de conversas se tem com bebês?
– Converse com ela enquanto caminham pelo quarto. – Até abriu a boca para reclamar, mas os braços cruzados de Regina, junto com seu semblante tranquilo, lhe diziam que a amiga não iria ceder. Vendo-se sem saída, Emma começou a caminhar pelo quarto.
– Você chora feito gente grande, sabia? – Tentou manter o tom de voz calmo, mas a verdade é que queria gritar desesperada para que alguém a pegasse e a fizesse parar de chorar. – Nós ainda não fomos oficialmente apresentadas, só nos vimos de longe, então você deve estar achando que eu sou uma maluca que quer roubar você da sua mamãe. – Sussurrou. – Mas não é nada disso, eu sou só a sua tia, e você meio que estava chorando e eu vim ver qual era o problema, e acho que acabamos assustando uma a outra. – Explicou. – Mas eu não quero roubar você, nem nada disso. – Resolveu esclarecer. – Regina me mandou falar com você, mas eu não sei sobre o que pessoas da sua idade gostam de conversar. – Admitiu. — Bom, você pode me chamar de Emma, porque acho que não vou gostar de ser chamada de tia, muito menos de titia. Eu não tenho idade, nem cara de uma pessoa que atende por um desses nomes, tenho? – Sorriu quando o choro da menina cessou. – Obrigada! Sabia que você ia concordar. — Sou irmã do seu papai, não sei se ela já falou de mim para você, mas caso tenha falado, quero dizer que é tudo mentira, seu pai que era um chato, então eu precisava contar tudo para o meu pai. – Seu sorriso cresceu ao ver os olhos azuis da sobrinha, concentrados em seu rosto. – Você é linda, sabia? E muito cheirosa. – As mãos de Carol pararam no rosto de Emma, o que a fez sorrir e fechar os olhos. – Acredito que esteja me dizendo que eu também sou linda e cheirosa. – Beijou a mão da sobrinha que parou sobre seus lábios. – Eu sei que sou.
– Acho que esse é o jeito de ela mandar você e sua falta de modéstia calarem a boca. – Regina que assistia a cena com um sorriso bobo, decidiu se meter naquela conversa.
– Ela é tão... – Sorria enquanto pensava em uma palavra para definir aquela pessoinha.
– É, eu sei. – Regina concordou.
– Essa é Regina, sua outra tia. – Sabia que elas já se conheciam, mas resolveu apresenta-las mesmo assim. – Ela é linda, não é? E além de ser linda, ela é inteligente. E além de ser inteligente, ela é cheirosa. – Regina sorriu sem graça, enquanto balançava a cabeça negativamente. – Ela é minha namorada. – Contou e riu quando a menina começo a agitar os braços e falar uma língua completamente estranha. – Essa já é minha, eu vi muito antes de você. Quando você crescer, você arruma uma. – Foi com a sobrinha até a namorada e pararam em frente a ela. – Se você der sorte, vai encontrá-la já nos seus primeiros anos de vida, e se você for inteligente, nunca vai perdê-la de vista. – Regina sorriu.
– Se você não for inteligente, vai fugir. – Ao ouvir tal provocação, Emma lhe mostrou a língua.
– Então por favor, seja inteligente, porque se não for, pode demorar até você achar uma namorada. – Pediu. — Você sabia que eu nunca tive uma namorada? Pelo menos não uma que eu trouxe para casa e apresentei para meus pais, seus avós, como tal. Não uma que eu me orgulhasse de abrir a boca para dizer que era minha namorada. Não uma que eu desejasse mostrar para o mundo que era minha. – Contou. Tirou os olhos da sobrinha e voltou a encarar a namorada. – Eu amo ela, sabe? Acho que sempre amei, nas diversas formas de amar, desde a primeira vez que nos vimos. – Suspirou. — Isso já faz muito tempo, muitas coisas aconteceram desde então. O corte de cabelo dela mudou. Ela se tornou melhor amiga dos saltos. Virou amante de vinhos. Abandonou os cigarros. Parou de roer unhas e gosta de pinta-las de vermelho. – Os olhos de Regina estavam fixos nos olhos claros da namorada, enquanto sorria por todas aquelas sentimentalidades que estava ouvindo. – Mas seus olhos, seus olhos ainda são os mesmos, ainda me dizem mil coisas, ainda dispensam palavras. E o seu sorriso, o jeito com o qual me sorri, isso também não mudou. – Esboçou um sorriso. – Chega a ser nostálgico, sabe? É como se o tempo de repente, não tivesse passado, como se de repente, eu nunca tivesse a magoado. Como se de repente, nós ainda fossemos aquelas duas crianças bobinhas. – Sussurrou o final da frase. Deu um passo a frente, fazendo com que as costas da sobrinha, recostassem no peito da namorada, a aconchegando entre as duas. Levou a mão até o rosto de Regina e sorriu. – Você me namora desde sempre, não namora? – Ganhou um balançar de cabeças afirmativo.
– Provavelmente. – Emma sorriu.
– Eu também namoro você desde sempre, pena eu ter precisado de trinta e muitos anos para me dar conta disso. – Regina riu.
– Rum! – Daniel coçou a garganta, se anunciando.
– Mais um Swan metido. – Emma reclamou com a namorada, que rolou os olhos e voltou-se para o ex-namorado.
– Você tem que parar com isso. – Regina reclamou com ele, que riu.
– Só vim buscar a minha filha. – Avisou ao entrar no quarto. — Não se incomodem comigo, afinal, graças a babá eletrônica, todos ouvimos suas sentimentalidades. – Apontou para o aparelho. – Papai, mamãe e Stella, com certeza ainda estão na escuta. – Contou, arrancando um sorriso sem graça da irmã, que nunca foi fã de declarações públicas, e tudo piorava quando não sabia que estava sendo pública.
– Eu não mereço vocês. – Reclamou com o irmão, que parou ao lado delas.
– Você vivia falando que cada um tem aquilo que merece. Lembra? – Indagou rindo. – Então só lamento, mas você nos merece. – Emma bufou.
– Se você ouviu ela chorando, por que não veio busca-la antes? – Esbravejou.
– Por que queria saber se você daria jeito de faze-la parar de chorar. Papai apostou cinco dólares que sim. Mamãe apostou dez. Stella, não soube ou não quis opinar. – Contou. — Apostei cinquenta que você não conseguiria. – Lamentou-se.
– Da próxima vez, vou deixa-la chorando. – Estava brava por terem ouvido o a conversa que teve a sobrinha, e por terem feito apostas.
– Em outro tempo, até acreditaria nisso, mas agora, tenho certeza que não, você não vai fazer isso. – Emma olhou para Regina, como uma criança olha para mãe quando quer reclamar de alguma coisa. – E você... – Segurou as mãos da filha. – Não teve outra alternativa a não ser ouvir todas essas coisas melosas e patéticas da sua tia, certo? – Questionou com a filha, que riu. – Eu sei, elas são patéticas. – A menina voltou a rir. – A sim, elas sempre foram assim. – Continuou.
– Na verdade, sempre teríamos sido assim, se seu pai, não tivesse sido um idiota. – Regina não pôde perder a oportunidade.
– Melhor você se mandar, Daniel! Antes que resolvamos contar para ela quem foi o vilão dessa história “patética”. – Emma continuou, fazendo o irmão levantar os braços em sinal de rendição.
– É nessa hora que a gente se retira. – Murmurou com a filha, ao tira-la dos braços da irmã. – Não, espera. – Voltou-se para a irmã e a ex-namorada. – Esse quarto é meu, então é nessa hora que vocês se retiram. — As expulsou.
– Não precisa pedir duas vezes. – Emma murmurou, ao puxar a namorada pela mão, a levando para longe dali. – Sério, como você pôde um dia, gostar desse idiota? – Reclamou com Regina, que deu de ombros.
– Ele era mais novo, mais bonito, eu gostava dos cabelos bagunçados dele, da barba por fazer e do sorriso cafajeste. – Ao ouvir tudo aquilo, Emma olhou de canto para a amiga.
– Mais alguma coisa? – Resmungou.
– Nada que você vá gostar de ouvir. – Também resmungou, ao lembrar das madrugadas que teve com Daniel.
– Poupe-me. – Voltou a resmungar.
– Então pare de perguntar. – Pediu.
– Só quero dizer que eu sou muito mais linda do que ele, e meus cabelos são rebeldes, além de serem loiros e lindos, segundo maiores informações eu também tenho um sorriso cafajeste. Além é claro de olhos verdes. – Regina fechou a porta do quarto e voltou-se para namorada ciumenta.
– Só quero dizer, na verdade quero lembra-la, que há muito tempo eu deixei de gostar do seu irmão, para gostar da sua linda e humilde pessoa. – Esclareceu, já que Emma as vezes entrava em paranoia com aquilo.
– Você é uma mulher inteligente, devo parabeniza-la pela ótima troca. – Roubou um beijo da namorada.
– Você me da nojo. – Empurrou os ombros da amiga e foi em direção a cama.
– E mesmo assim você me ama. – Emma seguia atrás da amiga.
– É você quem está dizendo. – Deu de ombros. Emma abriu um sorriso convencido, e jogou-se na cama, partindo para cima da namorada.
– Não ama? – Indagou de sobrancelhas arqueadas.
– No momento? – Emma afirmou. – Não! – Respondeu ao desviar os olhos.
– Ama sim. – Emma insistiu.
– Não amo. – De repente tinham regredido dez ou vinte anos.
– Ama! – Voltou a negar.
– Se eu disser que amo, você sai de cima de mim? Preciso achar meu celular, quero ver se Henry me respondeu, e caso não tenha respondido, preciso ligar para ele. – A preocupação que Regina tentava disfarçar, fez a loira sorrir.
– Deixa o menino namorar. – Saiu em defesa do amigo.
– Ultimamente é só o que ele tem feito. – Reclamou.
– Regina, deixa o garoto aproveitar os últimos dias de férias. – Pediu. — Depois ele vai para Harvard, e se eu bem conheço seu filho, ele vai enfiar a cara nos livros e estudar 29 horas por dia, para ser o primeiro da turma e encher a mãe de orgulho. – Quando o assunto era estudar, Henry conseguia ser tão chato quanto Regina. A morena soltou um suspiro frustrado, deixando Emma sem entender. – O que foi, não está orgulhosa? Seu filho vai cursar medicina em Harvard e você faz essa cara de desgosto?
– Não é desgosto. Claro que estou orgulhosa, mas é que... – Suspirou. – Ele está indo embora, entende? Está saindo de casa, tornando-se independente. Está oficialmente, deixando de ser meu e tornando-se do mundo. – Lamentou-se. – As coisas vão deixar de ser como são, ele não vai mais estar no quarto ao lado. Não vou mais precisar busca-lo no colégio. Não vou mais ter companhia no jantar. Isso é assustador. – Admitiu. – A verdade é que tenho vontade de chorar, sempre que penso sobre o assunto. – A preocupação da amiga, fez Emma sorrir.
– Não é como se ele não fosse mais voltar para a casa. – Saiu de cima da amiga, e virou-se para ela, que tinha os olhos no teto.
– Ele não vai, não para morar. Vai voltar sempre como visita, vai passar as férias, os feriados e depois vai voltar para lá. E quando se formar, ele vai arrumar um lugar só dele, talvez nem volte para Nova York. – Voltou a lamentar.
– Ele ama você. – Sussurrou, enquanto alisava os cabelos da amiga.
– Eu sei. Sei também que ele precisa ir, só é difícil deixa-lo fazer isso. – Contou.
– Ele sempre vai voltar, Regina. Você não vai deixar de ser menos mãe, ele vai sempre voltar para você. Meu irmão é a prova viva disso, tem quarenta anos na cara, e não vive sem a “mamãe”. — Sorriram. — E quando a saudade apertar muito, podemos ir até lá visita-lo. De Nova York até Massachusetts não levaremos mais de três horas. Podemos ir todos os dias, se você quiser. – Regina tirou os olhos do teto, e voltou-se para a namorada.
– Todos os dias ele vai achar mico. Preciso que ele ao menos, sinta saudades minha. – Emma riu.
– Se eu contar uma coisa, promete que não conta para ele? – Pediu.
– Prometo.
– Ele está quase tão paranoico com essa história, quanto você. Claro que está feliz pela parte que envolve poder namorar, sem ter uma mãe por perto para ficar de implicância, mas não gosta nem um pouco da parte que envolve deixar você. – Contou. – Ele já me fez fazer incontáveis promessas. Me fez mil e uma recomendações, me ordenou vários cuidados. – Riu ao lembrar que sempre acabavam conversando sobre Regina. – E o mais importante, disse para em hipótese alguma, eu deixar seu ex-marido sequer, chegar perto de você. – Aquela era uma das partes que Emma mais gostava.
– Vocês se preocupam muito com Robin. – Emma sorriu sem humor.
– Deve ser porque ele apertou as mãos no seu lindo pescoço, até quase esganar você. Deve ser também porque durante o último ano, mesmo tendo feito o que fez, ele não parou de ligar, de tentar se aproximar, de dificultar o divórcio e de querer conversar com você.
– Desde que o divórcio saiu, ele desistiu de qualquer coisa. – Deu de ombros.
– Nossa! Um mês, longos trinta dias. – Debochou. – Queria mesmo ter essa sua tranquilidade e acreditar que ele desistiu, mas tenho quase certeza que não. Esse silêncio dele, eu não gosto disso. – Tinha certeza que Robin voltaria a perturbar Regina, só que dessa vez, seria diferente.
– O que importa é que de um jeito ou de outro, estou finalmente divorciada, e contrariando seu “otimismo”, ele parece ter aceitado. Agora podemos por favor encerrar esse assunto? – Não gostava de falar sobre Robin com Emma, porque aquilo sempre deixava a amiga nervosa, irritada, e ela sempre acabava dizendo que se pudesse, mataria o infeliz.
– Okay, bom, Henry meio que me deu a sua guarda, assim que ele for, você será responsabilidade minha. — Ao ouvir aquilo, Regina rolou os olhos.
– Como se eu precisasse de cuidados. – Resmungou.
– Todo mundo precisa de cuidados, você não é uma exceção. – Cutucou o indicador no nariz da amiga. – Você vai ter que me aturar, Regina Mills. Você e o seu cachorro vão me ver tanto, tanto, que não restará outra alternativa a não ser me propor casamento.
– Sonha! – Emma sorriu.
– Pode ter certeza que eu sonho. Você, Algodão, eu. Às vezes sonho até com mais alguém. – Murmurou a última parte, fazendo Regina suspirar.
– Posso perguntar uma coisa? – O tom incerto com que fez a pergunta, deixou Emma preocupada.
– Desde quando você me pergunta se pode me perguntar uma coisa? – Regina suspirou, e virou-se, ficando de frente para a namorada.
– Desde quando eu não quero magoar seus sentimentos. – A resposta fez Emma arquear as sobrancelhas.
– Pelo amor de Deus, mulher! Magoe meus sentimentos, mas não me deixe curiosa. – Regina riu ao ouvir tal coisa.
– Por que exatamente você pensa em ter um filho? – Indagou e então o silêncio fez-se presente entre elas. Regina quase podia ver o cérebro da amiga funcionando. Tinha certeza que Emma estava procurando uma explicação para o motivo de ter sido questionada sobre tal coisa, e não em uma resposta para lhe dar.
– Tem que ter um motivo? – Questionou na defensiva.
– Não necessariamente, mas eu sei que tem. – Emma desviou os olhos dos da namorada, acabando com qualquer dúvida sobre ter ou não um motivo.
– Eu só... – Hesitou, enquanto procurava um jeito de tentar explicar. – Eu queria mesmo ter estado lá com você quando Henry nasceu. Queria ter acompanhado sua gravidez, participado do parto e estado com vocês durante esses quase dezesseis anos. – Regina esboçou um sorriso, levou a mão até o queixo da loira e fez com que ela lhe encarasse.
– Nenhum filho que nós venhamos a ter, vai compensar isso que você perdeu. – Falou com um certo pesar.
– Você não quer mais um filho, é isso?
– Eu só quero que você tenha certeza que é isso mesmo que você quer. – Levou a mão até os fios de cabelo que estavam na frente do rosto da amiga e os tirou de lá. – Você parece animada por Henry ter dado a “minha guarda” para você. Sei que você sabe que com ele morando fora, vamos ter mais tempo para nós, sem que eu tenha hora para chegar em casa, ou sem que tenhamos que nos preocupar sobre namorar na sala. – Coçou a garganta enquanto organizava os pensamentos. – Você sabe que com um bebê em casa, vou perder qualquer tipo de liberdade. Não só eu, como você. Não vai nos sobrar muito tempo para isso que estamos fazendo agora. – Emma suspirou e deu um leve aceno com a cabeça.
– Você não quer mais um filho. – Não foi uma pergunta, foi uma afirmação.
– Não foi isso que eu disse.
– Você acha que eu não posso cuidar de uma criança. – Regina negou.
– Não, não ponha palavras na minha boca. Emma, eu tenho certeza que você pode cuidar de uma criança. – Segurou o rosto dela entre as mãos. – Você pode ser uma mãe maravilhosa, tenho certeza que pode. O que eu quero saber é, você quer mesmo isso? Quer mesmo ser mãe? – A hesitação da loira em responder, já era quase uma resposta.
– Não sei. – Admitiu. – Às vezes, sim, outras vezes não, obrigada! – Suspirou. – Eu realmente não sei. Quando vi você com Carol nos braços lá embaixo, tive quase certeza que sim. Mas a última hora que nós duas passamos aqui trancadas no meu quarto, me diz que não. Você sabe que eu sou egoísta, sabe que não gosto de dividir minhas coisas. – Regina sorriu.
– Ouça, ser mãe era algo que eu queria, e eu sou. Okay, você não esteve lá como nós planejamos. Você não me viu vomitando, não segurou meus cabelos, não viu minha barriga crescer, não segurou minha mão, não esteve lá, mas não importa. – Coçou a garganta. – Você não precisa se sentir em dívida comigo quanto a isso. Não precisa querer me compensar nem nada disso. Eu sempre disse que teria um filho, e tive. E eu amo ele, amo de um jeito inexplicável. É algo particular, sabe? Só nosso. Você tendo ou não estado lá, não muda em nada o tamanho do meu amor por ele, entende? – Emma balançou a cabeça afirmando. – Se você quer mesmo um filho, tudo bem, vamos ter. Só não quero que você queira isso porque acha que de alguma forma me deve, porque você não deve. – Garantiu.
– Você é uma trouxa, sabia? – Ao ouvir tamanho elogio, Regina arqueou as sobrancelhas, e antes que pudesse questionar, Emma resolveu continuar. – Você não quer mais um filho e está disposta a tê-lo, provavelmente carrega-lo, e tudo mais que for preciso, só porque eu inventei de querer. – Aquilo estava tão na cara. Era tão patético Regina ainda fazer suas vontades depois de tudo que já tinha feito a ela. Amor realmente deixa as pessoas burras, até a mais inteligente das pessoas.
– Não é exatamente assim. – A loira esboçou um sorriso incrédulo. Não bastava Regina estar aceitando aquilo só para fazer sua vontade, ela ainda estava preocupada em não magoar seus sentimentos.
– É exatamente assim, e não tem problema de ser exatamente assim. – A tranquilizou. — Você tem um filho, como disse que teria. Eu não tenho, como disse que não teria.
– Emma... – Tentou começar, mas foi impedida pela mão da namorada.
– Mas eu tenho você. – O sorriso em seu rosto cresceu ao dar-se conta daquilo. – Eu tenho enfim o que eu sempre quis ter, você. E de um jeito talvez um pouco torto, eu tenho Henry também. – Regina sorriu e afirmou.
– Sim, você com certeza tem. – Henry amava Emma, e aquilo era inegável.
– E eu gosto de ter ele, de dar conselhos para ele, de falar sobre garotas, e sobre bandas e sobre você. Às vezes gosto até de dar bronca. Nós temos intimidade para conversar sobre qualquer coisa. – De novo Regina concordou. – E a melhor parte, porque sim tem uma melhor parte, ele não chora à noite, nem corre para o seu quarto, nem usa fraldas, ou chora sempre que quer alguma coisa. – Voltou a sorrir. – Você passou os últimos dezesseis anos sendo mãe, e vai passar o resto da sua vida como tal. Você tem o que quis ter. – Afagou o rosto da namorada. – E eu, tudo que eu sempre quis nada vida foi você. Primeiro eu quis você porque além de você ter uma cicatriz maneira, você era diferente de todas as outras crianças, você nunca se importou de ser apenas você. – Seu indicador tocou a cicatriz da amiga. – Depois eu quis você, por você ser uma boa ouvinte, e por sempre dar sua opinião sincera, mesmo que as vezes isso viesse a magoar. – Suspirou. – Quando eu via você e o meu irmão se beijando, ou namorando ali no quarto dele, eu me sentia péssima. – Sorriu sem humor. — Que pessoa é idiota o suficiente a ponto de ter vontade de chorar só por ter visto o irmão e a melhor amiga se beijando? Por um tempo eu pensei que fosse medo de ser trocada, de perder sua amizade. Até pelo menos o dia que você se declarou. Então eu me dei conta que o ciúme que eu sentia de Daniel, ou qualquer outro menino que eu via você beijando, não era ciúme de amiga. – Rolou os olhos ao pensar o quanto sempre foi devagar. – Eu nunca quis tanto você, como eu quis quando descobri tudo o que eu sentia por você. Quando me dei conta disso, eu quis tanto você, Regina, fiquei tão apavorada, com tanto medo, que eu surtei e fugi. – Soltou um suspiro frustrado. – E todos esses anos que nós passamos afastadas eles não amenizaram nada, eles só serviram para eu querer mais e mais. – Voltou a afagar o rosto da namorada. Sempre que pensava que aquilo podia não ser real, tocava Regina, para certificar-se que ela estava mesmo ali. – Eu tinha seis anos, quando você entrou na minha vida. Passaram-se trinta e muitos anos, até eu finalmente conseguir a única coisa que eu sempre quis, você. – Ao ouvir todas aquelas sentimentalidades, Regina soltou um suspiro apaixonado e juntou os lábios aos da amiga. — Agora está tudo tão claro, sabe? – Sorriu. – Tudo bem, um filho nossos seria lindo, perfeito! Sem dúvida nenhuma eu amaria muito e faria qualquer coisa por ele, mas mais do que um filho, eu quero compensar todos esses anos que nós perdemos. Quero que possamos fazer tudo o que não fizemos. – E tinha certeza que era o que Regina também queria. — Quero viagens, quero namorar nas madrugadas, quero que não tenhamos hora para acordar nos finais de semana, quero fazer você perder a hora nos dias de semana, quero passar horas com você na frente da TV, no seu piano, no seu tapete. Quero levar você nas festas da universidade, quero que saiamos de lá bêbadas, quero que não tenhamos hora para chegar. Quero que meu único compromisso, minha única preocupação, seja você. Apenas você. – Voltou a sorrir. – E se depois de fazermos tudo o que temos para fazer, de viver tudo que temos para viver, um filho ainda caber nessa história, tudo bem, tenho certeza que daremos um jeito, mas se não, tudo bem também, porque o que eu realmente quero, o que realmente eu sempre quis, eu finalmente tenho, e nada, nada mesmo, pode me deixar mais feliz e realizada. – Retribuiu o sorriso que a amiga lhe dava e selou os lábios aos dela.
– Eu quero o que você quiser. – Ronronou contra os lábios da amiga.
– Eu quero você. Várias e várias doses diárias de você, overdoses de você. – Afagou o rosto da morena.
– Isso é suficiente? – Emma afirmou e lhe beijou a ponta do nariz.
– Mas é claro que é suficiente, Regina Mills. Você as vezes faz cada pergunta absurda. – Regina esboçou um sorriso, enquanto analisava a namorada, para ter certeza que ela falava mesmo a verdade.
– Só quero que você tenha certeza. – Explicou-se.
– Não se preocupe com isso agora, não vamos atropelar as coisas, não é isso? – Regina sorriu e afirmou. – Preocupe-se com o que você tem que se preocupar, Regina Mills. – Usou as palavras da amiga contra ela.
– Que seria? – Indagou de sobrancelha arqueada.
– O pedido de casamento. – Regina rolou os olhos ao ouvir aquilo.
– Quantos filhos você quer ter mesmo? Dez? – Emma gargalhou ao ouvir aquilo.
– Vou vence-la pelo cansaço, você sabe que vou. – Podia até saber, mas com certeza Emma ainda teria que suar muito para cansa-la.
– Vamos falar sobre uma coisa muito mais importante. – Mudou de assunto. – Seu emprego.
– Amanhã vou sair em busca de alguma coisa. – Suspirou ao pensar naquilo.
– Espero mesmo que você me acorde na hora que tem que acordar amanhã, porque é inaceitável chegar atrasada já no primeiro dia de serviço. – Avisou, fazendo a namorada juntar as sobrancelhas.
– Como assim? – Regina rolou os olhos, Emma as vezes era tão devagar.
– Estou precisando de alguém nas máquinas de café e você está precisando de um emprego, como você me deve algo como todos os cafés da minha vida, pode começar por aí. – Emma não gostou muito daquela ideia.
– Regina, você não precisa me dar um emprego, eu posso arrumar um. Não quero que você me sustente, nem me banque, nem essas coisas de mãe. – Reclamou.
– Não vou sustentar, nem bancar, nem fazer essas coisas de mãe. Você vai me prestar um serviço e eu vou paga-la por isso.
– Isso não parece certo. – Insistiu.
– Não seja orgulhosa! – Pediu. – Tem certeza mesmo que não me quer como chefe? – Indagou de sobrancelha arqueada. – No final do expediente eu fico sempre tão sozinha e o sofá do meu escritório é tão grande, e as vezes, praticamente sempre, sinto tanto a sua falta. – Emma sorriu com incredulidade, ao perceber o joguinho que a namorada estava fazendo.
– Isso é jogo baixo. – Reclamou. Regina fez-se de desentendida.
– Isso o quê? Não estou entendendo o que quer dizer. – A loira voltou a rir.
– Você é um perigo, Regina Mills. – Lhe beijou os lábios. – Como posso negar, com você falando comigo desse jeito?
– Cada um usa as armas que tem. – Deu de ombros.
– Vai ser temporário. – Avisou e a amiga concordou. – Apenas até eu achar outra coisa. – De novo Regina concordou. – E eu vou querer ver esse sofá todos os dias após o expediente. – Regia riu.
– Isso já depende do seu comportamento.
– Vou ser a melhor funcionária que você já teve. Você vai até pendurar um quadro meu lá, a legenda dele vai ser: funcionária da minha vida. – Regina riu.
– Funcionária modesta, isso combina mais com você. – Implicou.
– Já disse para você que só falo verdades. – Deu de ombros. – Agora sério, você sabe que não precisa fazer isso.
– Sei, mas quero fazer, me deixe ajudar. – Pediu e viu Emma suspirar vencida.
– Temporário. – Repetiu.
– Temporário. – Concordou.
– Okay, então é melhor pormos o pijama, pararmos com a conversinha e dormirmos. – O tom sério com que disse aquilo, pegou a morena de surpresa. – O quê? Não me olhe assim. Não quer que eu chegue atrasada já no primeiro dia, quer? – Indagou. – Eu vou estar lhe prestando um serviço, então não me olhe desse jeito, vamos ser profissionais, Regina Mills. – Regina gargalhou.
– Vamos deixar o profissionalismo para amanhã. – Pediu.
– Não, vamos começar hoje. Porque se você dormir pouco, amanhã vai acordar com um mal humor do cão, e vai sobrar para a novata aqui. – Avisou. – E por favor, enquanto eu estiver aprendendo o meu serviço, procure não se aproximar, porque eu tenho que me concentrar nas maquinas, e quando você chega perto, minha atenção sempre acaba na sua bunda, e nesse seu cheiro bom, e nos seus lábios que insistem em me provocar com aquele batom vermelho. – Regina gargalhou. – Seus funcionários sabem que namoramos? Por que eu acho que... – Regina limitou-se a ouvir todo o monologo paranoico da amiga, sem nunca deixar de sorrir. Só Deus sabia o quanto sentiu falta daquela mulher, das paranoias, de sua voz tagarelando absurdos sem parar, de todo o conjunto.
Finalmente tinha Emma de volta, dezesseis anos depois, a tinha de volta, e mesmo as vezes temendo ser mais uma vez abandonada, tinha uma certa desconfiança que finalmente as coisas começariam a dar certo para elas. Na verdade, tinham que dar, afinal, sua sanidade dependia totalmente daquilo.
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