Escape
4 Cuidado com as lésbicas
Notas iniciais
– Atenção senhoras! — Ruby, pediu ao entrar com Regina, em seu novo lar. — Essa é Mills, nossa mais nova companheira. — A apresentação foi feita como se Regina, fosse uma rainha. Só faltou mesmo, Ruby, tocar as cornetas e rufar os tambores, coisa que só não fez, porque não tinha cornetas e muito menos tambores. — Mills, aquela senhora ali é a Lucas, popularmente conhecida como, vovó. Não acredite na cara de velhinha boazinha que ela tem, se ela fosse mesmo boazinha, não estaria aqui. — A tal Lucas, lançou um olhar tão indignado para Ruby, que se Regina, ainda não estivesse nervosa pelo encontro com Emma, ela teria achado engraçado. — Essa outra ali, que está escondendo o rosto atrás dos cabelos, não é a Samara do poço, então você não precisa se preocupar. Você pode chama-la de French. Se você conseguir fazer com que ela penteei os cabelos, daremos uma festa em sua homenagem. — French, mostrou o dedo do meio para Ruby, antes de dar as costas para elas e deitar-se virada para a parede. — Ela esteve na solitária até ontem, então ainda está meio noiada. — Ruby, meio que desculpou-se com Regina, que apensas assentiu com a cabeça. — Bom, esse ali é o nosso beliche, eu durmo embaixo, então você fica com a parte de cima. Seja bem vinda! Aproveite a estadia e não faça nada do que eu não faria. — Mentalmente Regina se perguntava se Ruby, tinha alguns parafusos soltos, ou se era louquinha por natureza mesmo. — Preciso levar as outras meninas até suas celas, depois eu volto. Você vai ficar bem? — Para evitar que a louquinha resolvesse ficar mais tempo por ali, Regina, apenas balançou a cabeça afirmando. — Tem certeza? — A morena não teve tempo de responder, Lucas, foi mais rápida.
– Anda logo Hood! — Para o alivio de Regina, Ruby, acatou a ordem da vovó, e sem dizer mais ela foi.
A morena ficou um tempo parada, com os olhos fixos na parede. Suas pernas ainda estavam fracas, seu coração ainda não tinha voltado ao ritmo normal, suas mãos ainda tremiam. Jamais passou pela sua cabeça, encontrar Emma, ali. Maldito Murphy e suas leis. Era capaz de apostar que se fosse mandada para uma prisão no Alasca, encontraria com Emma lá também.
Não conseguia parar de pensar naquele reencontro. O “oi, Regina Mills”, não parava de ecoar em sua cabeça. O sorriso largo da loira também habitava seus pensamentos. Assim como os esbarrões merecidos que ela ganhou. Na verdade rodava um filme continuou daquele reencontro na cabeça de Regina. Também era impossível não pensar na ultima vez que se viram.
A morena sentia sua cabeça latejar, perguntava-se o que fazer. Como iria conseguir conviver em um mesmo lugar que a amiga traidora? E se elas se esbarrassem de novo? Regina, tinha medo de perder as estribeiras e partir para a agressão física, e se ela fizesse com Emma, o que fazia com seu saco de pancadas quando pensava na amiga traidora, com certeza iriam aumentar sua pena e a mandariam para uma prisão de segurança máxima.
– Você está bem? — Lucas, parou na frente da morena, a analisando. A novata estava mais branca do que papel e parecia no mínimo atordoada.
– Sim. — Mentiu. — Só estou com um pouco de dor de cabeça. — A vovó continuou a analisando, e concluiu que a morena poderia até estar com dor de cabeça, mas com certeza não era só aquilo. Como não tinha nada a ver com a vida de Mills, e nem queria ter, fingiu acreditar.
– O primeiro dia é difícil, mas com o tempo melhorada. — Regina, sorriu sem humor.
– Melhora? — Questionou com ar de deboche ao arquear uma sobrancelha. Não queria passar por mal-educada, sabia que a velhinha só queria ajudar, mas não pode engolir aquela frase clichê.
– Sim. Regina Mills. — Lucas, leu o nome no crachá da morena. — Sabe do que mais temos medo quando entramos aqui? Temos medo de descobrir quem realmente somos. — Regina, voltou a arquear as sobrancelhas. Aquela velha só podia ter usado algum tóxico. — Quem é você, Regina Mills? — A morena abriu a boca para responder, mas Lucas, não deixou. — Não, não responda para mim, não me interessa saber. Responda para você, escreva em algum pedaço de papel. Então, daqui um mês ou dois, pegue esse mesmo papel e surpreenda-se. — A morena balançou a cabeça em sinal de negativo.
– Eu sei quem eu sou. — Foi a vez de Lucas, arquear as sobrancelhas.
– Será? — De novo, a vovó não deixou a morena responder. — Me dê aqui essas coisas. — Não esperou que Regina, a entregasse, foi logo puxando as roupas de cama de suas mãos. — Vou arrumar para você. — A morena negou.
– Não precisa, eu posso arrumar. — Tudo que menos queria, era que começassem a lhe fazer favores, porque tinha certeza que nenhum tipo de favor ali dentro, acontecia de graça.
– Eu insisto. Não se preocupe, não quero nada em troca. — A novata arregalou os olhos. Será que a velha sabia ler mentes? — É só um agrado de boas vindas. — Regina, suspirou e resolveu não insistir mais.
– Obrigada! — Soltou junto com o ar.
– Quanto tempo vai ficar conosco? — Lucas, questionou, enquanto suas mãos habilidosas, arrumavam a cama da novata.
– Treze meses. — Sua voz soou pesarosa.
– Então posso concluir que não matou ninguém. — A mulher deixou escapar seu pensamento.
– Não. Eu não matei. — Mills, encostou-se na parede. — Não ainda. — Completou ao lembrar que Emma, estava em algum lugar daquela prisão e que com certeza elas acabariam se encontrando de novo.
– Aposto que tem uma família esperando por você lá fora. — A nova adivinhação de Lucas, chamou a atenção de Regina.
– Como sabe? — Indagou curiosa.
– Sabendo. — Respondeu simplesmente. Ao acabar de ajeitar a cama, ela voltou-se para a morena. — Pense neles, quando estiver prestes a perder a razão. — Depois de dizer tal coisa, a vovó lançou um sorriso fraco para a novata, e voltou para o seu canto. Já a morena, subiu para seu beliche, e pode desfrutar do seu novo colchão, que parecia mais uma folha de papel de tão fino de que era. Aquilo acabaria com as costas dela, tinha certeza que teria sérios problemas para caminhar no dia seguinte, mas não se preocupou muito com aquilo. Ao deitar-se lá e pregar os olhos no teto, instantaneamente lembrou-se do filho, que muitas vezes ao chegar cansado da escola, jogava-se na cama e ficava mirando o teto.
Henry, como estaria o filho? Será que tinha se alimentado direito? Será que foi ao futebol? Será que estava com saudades dela? Tinha a impressão que fazia muito, muito tempo que não o via, quando na verdade, fazia só meio dia. Deixou uma lágrima escapulir, ao lembrar da última conversa que tiveram.
O tic-tac do relógio, ecoava na cabeça de Regina, enquanto silenciosamente, ela chorava. Não pregou os olhos por um minuto sequer, acompanhou a noite passar voando, como se de repente, alguém tivesse acelerado o tempo. Continuava com o braço em volta da cintura do filho, se recusava a se mover um centímetro que fosse. Se concentrava para não esmaga-lo em seus braços e enche-los de beijos, já que se fizesse aquilo, ele muito provavelmente acordaria, e as lágrimas silenciosas dela, com certeza virariam um choro compulsivo.
O que ela não sabia, era que o filho também não conseguiu dormir, assim como a mãe, ele passou a noite toda acordado, de olhos fechados, a ouvindo fungar. Queria abrir os olhos, abraça-la e prometer que ficaria tudo bem, como ela costumava fazer com ele, quando ele tinha pesadelos. Mas sabia que se fizesse aquilo, iria acabar chorando junto com ela, e ele não podia chorar, tinha que ser forte e passar confiança para ela. Era isso que ele e o pai tinham combinado.
Ele estava com tanto medo. Medo de ficar sem a mãe. Medo de que alguma ladra de órgãos, matasse sua mãe na prisão. Medo de perder sua melhor amiga. Medo de ficar órfão. Medo de que Regina, nunca mais voltasse para casa. Se ao menos ele pudesse ir com ela, para defende-la, protege-la de tudo e de todos, com certeza se sentira mais aliviado. Mas ele não podia, ninguém podia. Tudo que lhe restava era rezar, rezar e pedir a Deus, que protegesse sua mãe, que não deixasse que nada de ruim, acontecesse com ela.
Rezar, foi isso que Henry, fez praticamente a noite toda. Pediu que Deus, mandasse um dos seus anjos, para cuidar de Regina. Sabia que a mãe sofreria muito longe dele e do pai, então pediu também para que o anjo fosse bom de piadas e arrancasse sorrisos da mãe, quando ela mais precisasse. E pediu que ele fosse paciente e ouvisse tudo com atenção e sem reclamar, quando a mãe precisasse desabafar. Estava pedindo para o anjo trazer Regina, sã e salva para casa, quando o despertador tocou e ele imediatamente abriu os olhos, encontrando com o olhar terno de Regina, bem perto de si.
– Bom dia! — Ela o desejou sorrindo, como sempre fazia.
– Bom dia! — Sussurrou quase sem voz, e em um impulso, prendeu os braços no pescoço da mãe e a abraçou apertado, o que serviu para fazer a mulher voltar a chorar, dessa vez sem conseguir chorar em silêncio. — Vai dar tudo certo, mãe. — Os olhos dele estavam cheios de lágrimas, mas sua voz estava firme e determinada.
– Eu sei. Mas eu vou morrer de saudades. — Reclamou chorosa.
– Eu também vou. Afinal, quem vai roubar o controle da TV para assistir programas de senhorinhas agora? — Debochou, a arrancando uma risada.
– Então eu pareço uma senhorinha? — Se fez de indignada ao encarar o filho que ria.
– Não. Você parece uma mãe gostosa, que faz o filho ter que estapear a cabeça dos amigos, por eles babarem nela na maior cara dura. — Regina riu alto.
– Sou gostosa é? — Sabia que aquilo era no mínimo infantil, mas levava seu ego as alturas.
– Você é minha mãe, eu não posso achar isso de você. — A cara de censura que ele fez, arrancou outra risada de Regina. — Mas sempre que tem votação da mãe mais gostosa, é você quem ganha. — O garoto nunca pensou em dizer aquilo para mãe, já que era um assunto que o deixava encabulado, mas como ele queria vê-la um pouco menos triste, resolveu contar.
– Ok, eu não sei se eu quero saber sobre essa história de votação. — Regina, não gostava de pensar que o filho já falava sobre mulheres. — Mas é bom saber que sou uma senhorinha gostosa. — Henry, sorriu e levou sua mão até a testa da mãe, colocando uma mecha de seus cabelos para trás.
– Você é uma senhorinha linda, cheirosa, que faz a melhor lasanha do mundo e o melhor cafuné do mundo. A sua voz, eu amo ouvir ela antes de dormir e eu adoro os seus beijos de boa noite. Quando você fica brava e põe as mãos na cintura, eu sei que vou levar bronca, mas eu acho tão bonitinho. E quando você me chama pelo nome completo? Ninguém me chama de Henry Mills, como você. — Regina, já não enxergava mais direito, as lágrimas nublavam sua visão.
– Ah Henry, eu te amo tanto, tanto. Você é minha vida. — Declarou-se ao esmaga-lo em seus braços.
– Eu também te amo, mãe. — O garoto desistiu de não chorar e resolveu acompanhar a mãe nas lágrimas. — Isso é passageiro, logo, logo você está de volta. — Tentou consola-la e consolar a si próprio.
– Eu vou sentir tanto a sua falta. — Regina chorava de soluçar.
– Eu vou ver você junto com o papai. — Henry, tentava secar as lágrimas da mãe.
– Eu não sei se eu quero que você vá. — A morena odiava imaginar o filho entrando em uma prisão.
– Por favor, mãe! A gente já falou sobre isso. Você sabe que eu vou, com ou sem sua permissão. — Teimoso! O garoto era teimoso igualzinho a mãe.
– Domingos vão virar meus dias preferidos. — Henry, sorriu. Sabendo o quanto a mãe odiava os domingos. Ele também odiava, também tinha herdado aquilo dela. Mas na prisão, os domingo serviam para receber visitas.
– Vão ser os meus também. — Contou. — Você vai estar sempre comigo, nos meus pensamentos. De domingo a domingo. — A declaração singela dele, fez Regina, voltar a chorar.
– E eu não vou parar de pensar em você, por um segundo sequer.
Mills, não estava enxergando mais nada, graças a enxurrada de lágrimas que habitavam seus olhos. Ela estava tão absorta em pensamentos, que nem notou que estava chorando em voz alta. Só voltou a realidade e percebeu que estava fazendo escândalo, quando a tal French, cutucou seu braço e lhe estendeu um pacote de lenços.
– Um presente de boas vindas. — Avisou ao entregar.
– Obrigada! — A novata agradeceu ao deixar mais lágrimas caírem.
– Sei que é clichê ouvir isso, mas, vai passar. Você vai ver que não é o fim do mundo. — Como a morena não tinha o que dizer. Como não tinha forças para contrariar, para dizer que não, não ia passar, pelo contrario, ia só piorar, ela só balançou a cabeça concordando.
– Me desculpe. — Desculpou-se pelo choro e usou os braços para livrar-se das lágrimas.
– Os lenços, use os lenços. — Sugeriu French, ao tocar-lhe o ombro e sair dali.
Regina não teve muito tempo para desfrutar de seus lenços, já que Ruby, não demorou a voltar e a levou para a reunião de novatas, onde o conselheiro Humbert, explicaria tudo que era permitido ou proibido, por lá. Como a morena foi a última a chegar, acabou lhe sobrando um único lugar, lugar esse ao lado de sua ex amiga. Bufou, pensando em algum motivo para ser tão azarada, fez de conta que Emma, não estava ali, cruzou as pernas, descansou as mãos sobre os joelhos e fixou os olhos no conselheiro.
Ao ver a morena adentrar pela porta, o coração de Emma, que mal tinha se recuperado do encontro raivoso que tiveram mais cedo, voltou a acelerar. Seus olhos acompanharam a ex amiga vindo em sua direção e sentando ao seu lado, sem perderem nenhum detalhe. Não se importou nem um pouco em ser discreta, seus olhos estavam presos na morena orgulhosa sentada ao seu lado. Ao constatar que a mesma tinha chorado, sentiu vontade de chorar também.
Não sabia se Regina tinha chorado pelo reencontro, ou chorado por estar ali, ou talvez pelos dois, mas enfim, a culpa era da loira por qualquer que fosse o motivo. Se sentiu um pouco egoísta, na verdade, se sentiu muito egoísta. Sim, a culpa por Regina estar presa, não era só dela, mas ela com certeza teve um papel muito importante naquilo.
Estava magoada quando delatou a amiga. Tá certo que foi a loira quem foi embora, sumiu do mapa e não respondeu nenhum tipo de contato que Regina, tentou fazer. Mas aquilo já fazia tanto tempo, que achou que a morena tinha a perdoado. Foi então que resolveu fazer contanto. Tentou de todas as formas possíveis, conversar com a amiga em alguma rede social, e foi negada em todas. Mandou também algumas cartas, mas jamais recebeu respostas. Também tentou a sorte com e-mails, e de novo não obteve sucesso.
Então quando foi presa e estava sendo interrogada, lhe mostraram uma lista de nomes, que supostamente faziam ou fizeram parte da quadrilha que a loira trabalhava, pediram para ela colaborar, prometendo menos tempo de prisão.
Ela não hesitou nem mesmo ao delatar chefe, o mesmo não aconteceu quando os olhos bateram no nome de Regina Mills. Primeiro decidiu não entrega-la, afinal, a morena só tinha lhe feito um favor, mas aí lembrou que Regina, tinha construído uma família, era feliz, tinha a vida que sonhara, graças ao sacrifício da loira, e mesmo assim aquela ingrata, não queria saber de uma aproximação. Por tal motivo, Emma, a entregou. Agora estava ali, arrependida, sem saber o que fazer para que fosse perdoada.
Regina, estava se sentindo tão traída, estava tão decepcionada, que resolveu fazer que conta que a loira não existia. A amiga traidora sabia que a morena, sabia que estava sendo observada na cara dura. Sabia também que ela odiava aquilo, odiava que ficassem a encarando. Sempre que acontecia aquilo, ela se virava para a pessoa e perguntava para a mesma se ela estava querendo uma foto, mas é claro que ela não faria tal coisa com Emma, porque para fazer tal coisa, a loira precisava existir, e para Regina, há tempos a traidora não existia mais.
– Qual é? Me da uma chance, vai! — Pediu em um sussurro, coisa que foi completamente ignorada. A morena continuava com os olhos fixou em Humbert. Se Emma, não tivesse tão desesperada para conseguir sua amiga de volta, com certeza pararia para admirar aquela mulher, que infelizmente para a loira, parecia ainda a fazer sentir muitas coisas. — Por favor! — Insistiu e aí o conselheiro desistiu do que estava falando e voltou-se para as duas.
– Swan, Mills, alguma dúvida? — Emma, negou com a cabeça, Regina, resolveu falar.
– Eu tenho. Na verdade, não é uma dúvida, é um pedido. — A loira suspirou derrotada.
– Que seria? — Humbert, indagou.
– A senhorita Swan, não para de cacarejar aqui ao meu lado, gostaria que o senhor me trocasse de lugar, antes que eu perca a paciência e meta a mão na cara dela. — Enquanto o conselheiro arregalou os olhos assustado ao perceber a raiva nos olhos da morena, as novatas ali presentes, começaram a cochichar.
– Senhorita, Swan, sem mais um piu. — O homem a ordenou e ela balançou a cabeça concordando. — Senhora, Mills, devo adverti-la de que a senhora vai passar um bom tempo na solitária, caso cometa algum tipo de violência física contra suas companheiras. — Se Emma, continuasse insistindo em se aproximar, Regina, tinha certeza que conheceria a tal da solitária antes que terminasse aquele dia.
Humbert, não trocou a morena de lugar, mas sua advertência a Emma, funcionou e ela desistiu, pelo menos por hora, de tentar comunicação com Regina.
Em câmera lenta, pelo menos para a morena, o dia finalmente estava chegando ao fim. A novata estava sentada em sua cama, ouvindo suas companheiras de cela tagarelarem sem parar, quando foi indagada sobre do que ela mais sentia falta naquele momento. Como não quis falar sobre o filho com aquelas mulheres, resolveu responder sobre a segunda coisa que estava lhe fazendo falta. Um banho.
Queria muito tomar banho, o problema é que não tinha sandálias, e ela preferia viver suja, do que ter que colocar os pés descalços dentro daquela coisa que por ali chamavam de banheiro. Sem pedir nada em troca, Ruby, ofereceu suas sandálias para a novata, que sedenta por um banho, aceitou de imediato. Lucas e French, tentaram fazer ela desistir da ideia, avisando que naquela hora do dia, a água quente já tinha acabado, mas nem isso fez com que a vontade de tomar banho da novata, acabasse.
Antes que Lucas, conseguisse abrir a boca para avisar sobre as lésbicas, que habitavam o banheiro naquela hora do dia, Regina já tinha ido.
A morena ficou feliz e aliviada ao encontrar o lugar vazio, se livrou das roupas rapidamente, e foi para debaixo de um cano que deveria ser o chuveiro. A água gelada a fez soltar gritinho e quase desistir do banho, mas lembrou a si mesma que era uma nova-iorquina, e o frio não a intimidava. Trancou a respiração e meteu a cabeça debaixo da queda d'água, teve a sensação de que dezenas de facas perfuravam o seu corpo, mas ela não desistiu, menos batendo queixo e tremendo pelo frio que sentia, continuou debaixo da água gelada, não demorou muito até seu corpo se acostumar com aquilo. Como ainda não possuía um sabonete, teve que se contentar só em passar a mão vazia pelo corpo.
Estava se secando quando teve impressão de estar sendo observada, ao olhar para trás, deu de cara com Emma. Teve vontade de rolar os olhos, bufar e berrar com aquela traidora insistente, mas resolveu fazer algo que sabia que magoaria mais a loira, fingir que ela não estava ali.
– Ninguém falou para você que as lésbicas batem ponto aqui nessa hora do dia? — Emma, estava com dificuldade de tirar os olhos do corpo escultural que a morena tinha ganho. Seus olhos vidrados acompanharam a gota d'água sortuda que caiu do cabelo curto da amiga e descia caprichosamente por suas costas. Desejou de alguma forma ser aquela gota d'água. — Não é legal imaginar o que elas fariam com você, se a vissem assim. — Murmurou.
Regina, continuava com seu faz de conta. Se não estivesse tão irritada, teria aberto um sorrisinho pelo tom de voz um tanto perturbado da traidora. Não sabia se a história das lésbicas era verdade ou não, então por via das dúvidas, resolveu se apressar. Enrolou-se na toalha e foi em busca da calcinha.
– Para com isso, Regina! Você está sendo infantil! — A novata precisou de concentração para manter a falsa calma e continuar a ignorando.
Emma bufou e resolveu ir embora, estava na porta do banheiro, quando a raiva da sua ex amiga mimada a fez voltar. Ela faria aquela mulher teimosa a ouvir nem que para isso, precisasse segura-la e foi o que ela resolveu fazer.
Puxou Regina pelo braço, a virando para si, depois a empurrou contra a parede e apoiou as mãos na mesma, prendendo a morena entre seus braços. Aquela ação da loira, pegou Regina tão de surpresa, que a deixou sem reação por alguns segundos.
– Ouça, eu sinto muito por você estar aqui. Se serve de consolo, parte da quadrilha que foi presa, tinha mencionado seu nome. Eu só confirmei. — A morena estreitou os olhos e esbarrou as mãos contra o peito da traidora, que pelo jeito tinha perdido o amor pela vida.
– Não. Não serve de consolo. — Antes que ela conseguisse fugir, Emma, voltou a empurra-la contra a parede e colou seu corpo no de Regina.
– Você não é tão inocente assim, sabia exatamente o que estava fazendo. — A provocação não passava de um sussurro.
– Você é mesmo muito mesquinha. — A morena tentou empurrar Emma, para longe, mas não obteve sucesso. — Eu fiz por você, e olha o que eu ganhei em troca. — Sua voz soou ressentida.
– E o que você queria ter ganhado em troca? — A loira continuava sussurrando, sem tirar os olhos dos olhos escuros e raivosos da amiga. — Você tem marido, filho, uma casa, cachorro. Você deveria me agradecer. — Um sorriso debochado nasceu nos lábios da morena.
– Agradecer a você? — Usou seu melhor tom de deboche. — Agradecer exatamente pelo quê? Por você ter desaparecido? Me ignorado? Ou por eu estar aqui com você, ao invés de estar na minha casa, com o meu filho, meu marido e meu cachorro? — Continuou no mesmo tom.
– A sua casa, o seu marido, o seu filho, o seu cachorro, tudo isso, você tem por minha causa. — Regina, deu uma risada debochada. — Por que eu abri mão de você, abri mão da porra dos meus sentimentos, por você. — Lágrimas vieram aos olhos da loira, já o sorriso que Regina, ainda tinha no rosto, murchou.
– Não. Não tente jogar a culpa para cima de mim. Você abriu mão dos seus sentimentos, se é que você tem mesmo isso, por você mesma. Não tente arrumar uma desculpa para os seus erros. Não tente arrumar um culpado para eles, além de você mesma. — O dedo indicador da morena, batia incontáveis vezes contra o ombro de Emma.
– Eu odeio você! — A loira falou entre dentes, deixando uma lágrima escapar. Sabia que Regina, estava certa. Sabia que não tinha como argumentar. Sabia que tinha estragado tudo. Sabia que não tinha como voltar atrás. Só queria uma chance, queria poder consertar as coisas, queria sua amiga de volta. Seus olhos cheios de lágrimas imploravam por perdão, já os olhos de Regina, continuavam estreitos, continuavam cheios de mágoa e ódio. A morena aproximou o rosto do rosto da ex amiga, fazendo com que seus narizes se tocassem, enquanto seus olhos continuavam presos uns nos outros.
– Não mais do que eu odeio você! — Sussurrou pausadamente e para provocar, abriu um meio sorriso de deboche.
– Odeia por que eu coloquei você na prisão, ou por que eu nunca gostei de você, como você queria que eu gostasse? — Como a loira estava magoada com a declaração da amiga, resolveu provoca-la. Funcionou, os olhos já irritados na morena, ficaram ainda mais furiosos.
– Sai da minha frente! — Ordenou. Emma, não se moveu um centímetro sequer. — AGORA! — Gritou irritada.
– Não ouviu a moça, neném? — Ao ouvir uma voz desconhecida, as duas olharam para o lado, dando de cara com uma mulher, ou seria um homem? Encostada na parede, de braços cruzados, assistindo a tudo. — Se ela gostou ou não de você algum dia, eu não sei. Mas pela cara dela, garanto que não gosta mais. — A opinião da desconhecida, irritou Emma, que liberou Regina, e resolveu peitar aquele ser não identificado, que por sinal, era o dobro maior e mais largo.
– Quem perguntou a sua opinião? — A mulher sorriu e antes de responder qualquer coisa, grudou a mão no pescoço da loira, e a empurrou até a parede oposta. Regina, quase resolveu interceder, ao ouvir a cabeça de Emma, se chocar contra o concreto.
– Ninguém, mas eu resolvi dar mesmo assim. — Respondeu. — Ouça, Swan, você já não é mais tão novata assim, ou seja, você sabe muito bem que não deve mexer com o que é meu. Da próxima vez que eu ver você de gracinha para cima da minha mulher, juro que você vai amanhecer com a boca cheia de formigas. — Regina não sabia se estava assustada por Emma estar sendo enforcada e ameaçada, ou por ouvir que a ex amiga, estava dando em cima da mulher alheia. Sim, MULHER. — Estamos entendidas? — Finalmente ela largou o pescoço da loira, que começou a tossir em busca de ar. — Estamos entendidas? — Questionou de novo? — Como Emma, estava muito ocupada tentando respirar, levantou o polegar afirmando.
– Sim. — Sua voz quase não saiu.
– Sim o quê? — A mulher a pegou pelos cabelos, a fazendo gemer de dor.
– Sim, estamos entendidas. — Ao falar as palavras mágicas, seus cabelos foram liberados.
– Ótimo! — Sorriu e voltou-se para Regina.
– E você, delicia, como se chama? — Emma, bufou ao ouvir aquela brutamontes falando com Regina.
– Deixe ela em paz! — Exigiu.
– Mills. — A morena respondeu, não se deixando intimidar.
– Você não precisa responde-la. — A loira disse a ex amiga.
– Essa sua ex fala muito. — A mulher sem nome, comentou com Regina.
– Demais. — A morena concordou.
– Você se importa se eu... — Ela fechou uma mão e punho e a chocou contra a outra a mão aberta. Regina, entendeu perfeitamente o que ela estava querendo dizer com aquele gesto. Ela estava pedindo permissão para bater em Emma.
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