Escalas e Destinos - A apaixonante vida de Blair
7 Capítulo 07 - Viena

Eu saí do banheiro com uma toalha envolta em minha cintura e fui até a cama do quarto de hotel que eu ocupava em Viena. Já passava das sete da noite e eu me sentia exausto com toda a agitação daquele dia.
Logo pela manhã voei de volta a St Petersburg e após algumas horas de descanso, embarquei para Viena. Eu liguei meu celular, o abandonando em cima da cama antes de ir até a janela, observando a rua iluminada repleta de prédios antigos onde inúmeras pessoas caminhavam, apesar do mal tempo. Minha mente vagou para as lembranças do dia anterior, quando a companhia de Blair se fez tão presente. Eu voltei até a cama, apanhando o celular que vibrava com as novas mensagens que chegavam.
Eu ignorei as mensagens de Joe ameaçando se mudar de vez para St Petersburg e abri a mensagem que Blair me mandou de manhã.
"Comandante, acho que você não entendeu que as flores eram para a sua mãe."
Eu havia deixado o buquê na recepção do hotel pela manhã para que lhe entregassem. Apesar de aceitar comprá-las, não teria como as flores chegarem inteiras até minha mãe. Liguei pra ela, sendo atendido após alguns toques por uma voz monótona.
— Hey Dimitri, você sumiu o dia todo — ela bocejou.
— Desculpe, te acordei?
— Não, eu... Estava descansando. Eu recebi as flores de manhã — ela mudou de assunto.
Eu ativei o viva voz, passando a procurar uma roupa em minha mala.
— Você gostou? — Peguei uma cueca.
— Eram para a sua mãe.
— A única maneira de levar as flores para minha mãe seria pilotar com um buquê no colo.
— Essa seria uma visão interessante — Blair soltou um riso fraco.
Eu estranhei aquilo, ela parecia tão desanimada, e era um contraste com o que eu vivenciei ontem.
— Aconteceu alguma coisa? — terminei de vestir a calça.
— Desculpe, eu não estou me sentindo bem hoje — ela gemeu — eu saí com as meninas de manhã e quando voltei comecei a me sentir mal.
— O que você está sentindo? — eu me sentei em uma poltrona.
— Estou com febre, dor de cabeça e de estômago — ela relatou — não consegui comer nada a tarde, estava bem enjoada.
— Você já tomou algum remédio?
— Sim, não se preocupe. É apenas um mal estar e eu vou ficar bem — ela suspirou — mas não vou poder embarcar amanhã e o próximo voo é só daqui a dois dias.
Ela parecia desolada e eu podia entender o motivo. Ela estava doente em um país desconhecido, sem poder voltar para casa e em breve ficaria sem companhia alguma. Se eu pudesse ter permanecido mais alguns dias com ela.
— Eu sinto muito.
— Eu estou doente e sozinha, então você realmente deve sentir muito por mim, comandante — ela zombou — mas eu posso aguentar passar dois dias trancada em um quarto de hotel. Existem cenários piores. Não é como se eu estivesse abandonada em um país desconhecido.
— Certamente é exatamente assim que você se sente — não contive um pequeno sorriso.
— De forma alguma. Gertrudes está me fazendo companhia hoje, e ela também gostou muito de receber flores — ela devolveu.
— Gertrudes?
— A boneca que comprei ontem — ela explicou — Onde você está? Já chegou em Viena?
— Já, a cidade está agitada e eu vou passar alguns dias aqui.
— E eu vou passar os dias trancada no hotel, isso não é justo — ela fungou.
Eu odiei ouvi-la tão deprimida daquela maneira. No fundo da minha mente um plano começou a se formar, um plano estúpido devo admitir. Aquilo tinha tudo para ser um desastre, mas o desejo de agradá-la venceu meu bom senso.
— Descanse um pouco, amanhã eu vou te distrair — eu propus.
— E como você planeja fazer isso, comandante?
Eu a imaginei sorrindo, aquele sorriso carregado de expectativas que estampou seu rosto inúmeras vezes no dia anterior.
— Você terá que confiar em mim, Blair. Nós temos um acordo?
Ela hesitou um pouco antes de responder, fazendo com que eu me perguntasse se tinha sido uma boa ideia.
— É bom você não me acordar muito cedo — ela avisou me fazendo rir.
— Vá descansar, Blair.
No dia seguinte eu levantei cedo, tomei um banho e me vesti antes de ligar para ela. Sua voz sonolenta atendeu depressa.
— Eu te falei para não me acordar cedo, comandante — ela gemeu.
— Você não quer aproveitar o dia? — eu devolvi — como você se sente?
Ela bocejou e eu ouvi alguns barulhos antes dela caminhar até algum lugar, abrindo uma porta em seguida.
— Como se eu tivesse sido atropelada por um caminhão. O que você planeja?
— Tome o café da manhã e eu vou te levar para um passeio por Viena, o que me diz?
— Mesmo? Eu vou ter o meu próprio guia turístico? — ela zombou, apesar de parecer animada com a ideia.
— E tudo isso do conforto do seu quarto de hotel.
— Eu vou me arrumar — ela riu antes de encerrar a chamada.
Após o café da manhã eu coloquei os fones de ouvido e fiz uma chamada de vídeo para Blair quando já caminhava pelas ruas da cidade, sua imagem não demorou para surgir na tela do celular, ela estava sentada em sua cama, vestindo um roupão Grosso do hotel com uma bandeja com um copo de suco e um prato com panquecas praticamente intocado ao seu lado.
— Está pronta para começar, Blair?
— Qual será o roteiro, comandante? — ela sorriu.
Sua aparência estava abatida pelo mal estar, mas ainda assim ela estava muito bonita.
— Pensei em começar pelo básico, te apresentar as ruas da cidade e a catedral de Santo Estêvão — eu respondi sem diminuir o ritmo de meus passos.
— Você vai me encher de cultura, não é? — Blair gemeu.
— Você disse que confiaria em mim. Você me guiou por Amsterdã, agora é minha vez.
— Eu confio!
— Então vamos começar pela catedral.
— Claro, vamos começar pelo prédio velho — ela gemeu frustrada — o que tem demais nisso? A Europa é cheia de igrejas velhas!
Eu interrompi meus passos quando já estava a poucos passos do meu destino, me surpreendendo com aquela declaração.
Ela estava mesmo falando sério!?
Considerar uma catedral como a de Santo Estêvão como uma igreja velha era algo ridículo!
— Estou brincando! — ela gargalhou, me deixando confuso.
— O que?
— É claro que foi uma piada, você precisava ver a sua cara, comandante — ela exibiu um sorriso satisfeito — Vamos, eu quero saber tudo o que você sabe sobre a catedral?
Eu balancei a cabeça negativamente, retomando os passos com um sorriso estampado no rosto me sentindo estúpido por ter caído naquela brincadeira, apesar de estar aliviado.
A catedral se abriu majestosamente à minha frente fazendo com que eu trocasse a câmera para que Blair pudesse vê-la.
— A catedral é uma das mais altas do mundo e foi construída no século XII. Olhe as telhas coloridas no telhado — eu ativei o zoom, apontando para o local indicado.
— Está aberta para visitação? — Blair questionou.
Ela se levantou da cama, deixando o celular ali mirando o teto, por alguns momentos eu pude ouvir apenas sua voz.
— Sim, você quer conhecer o interior? Onde você está?
— Me preparando, comandante — ela pegou o celular novamente, usando um lenço ao redor da cabeça.
Eu a observei enquanto ela ajeitava os cabelos que apareciam por baixo do lenço. As cores vivas do tecido contrastavam com sua pele dourada e seus olhos escuros.
— Dimitri? — ela chamou minha atenção, fazendo com que eu percebesse que estava a encarando.
— Por que você colocou o lenço?
— Nós vamos entrar, não vamos?
— Mas não é necessário cobrir a cabeça, não é uma catedral ortodoxa — eu devolvi enquanto caminhava para a entrada da catedral.
— Sempre que eu visitei alguma mesquita com meu pai, ele explicou que eu deveria cobrir a cabeça em sinal de respeito a Deus — ela devolveu.
— São regras diferentes, Blair — eu abaixei a voz quase para um sussurro enquanto entrava na igreja.
— Dimitri, eu não sou a pessoa mais religioaa do mundo. Não vou acrescentar desrespeito à minha lista de pecados — ela devolveu.
Eu decidi não discutir, apesar de ter achado graça, ao invés disso, segui seu exemplo e caminhei através da grande nave da catedral em um silêncio reverencial enquanto mostrava a ela cada um dos detalhes, desde os bancos, até os vitrais e o altar.
— Você pode focar naquelas esculturas perto da última coluna? — Blair pediu — quando eu visitei Notre Dame, o que eu mais gostei foram as gárgulas.
— Mesmo? A maioria das pessoas as consideram assustadoras — eu fiz o que ela pediu — Sabe, grande parte da dinastia austríaca foi enterrada nesta catedral.
— Então estamos em um grande e luxuoso túmulo.
— Pode-se dizer que sim — não pude evitar um sorriso — Olhe esses detalhes.
Eu mirei a abóbada que se formava acima de onde eu estava, inúmeras esculturas de anjos subiam até o teto, as paredes atrás do altar eram rodeadas por colunas gregas no estilo coríntio intercaladas com vitrais clássicos da arquitetura gótica transformavam a catedral em uma peça única.
— Dizem que Mozart se casou aqui — eu voltei a sussurrar após alguns minutos admirando tudo no mais completo silêncio.
— Você não consegue evitar o assunto "casamento", não é comandante? — Ela zombou enquanto eu deixava o templo — Está começando a me assustar!
— Blair, por favor. Você precisa mesmo parar de sonhar com isso — eu devolvi no mesmo tom, arrancando uma gargalhada da jovem.
— Não sou eu quem sempre toca no assunto — ela cantarolou.
— Se eu tivesse planejado com mais tempo, poderia ter conseguido uma visita guiada até as catacumbas que ficam abaixo da igreja — mudei o tema da conversa.
— Não se preocupe com isso, eu prefiro ficar longe de grandes túmulos — Blair fez uma careta — qual é o próximo destino, comandante?
— Nossa próxima parada é em uma galeria de artes que fica aqui perto — eu expliquei, mostrando um folheto que havia apanhado antes de sair do hotel.
— Além de tudo ainda é culto, estou começando a te considerar um bom partido, comandante — Blair zombou.
Eu me senti ridículo ao ouvir aquilo, principalmente ao perceber o quanto eu gostaria que fosse verdade.
— Vamos logo e depois podemos almoçar — decidi mudar de assunto.
— Vamos Dimitri, você sabe que tenho razão. Aquela garota de azul até olhou para a sua bunda.
Eu virei para trás instintivamente, encontrando uma garota loira que desviou o olhar assim que percebeu que olhei em sua direção. A gargalhada de Blair soou imediatamente em meu ouvido, fazendo com que eu voltasse minha atenção a ela.
— Eu não posso culpá-la já que faria o mesmo — Blair cantarolou.
— Você já está melhor — eu murmurei.
— Não era esse o intuito? — ela sorriu e não pude conter o meu próprio.
Eu encerrei a chamada até que chegasse à galeria. Blair adorou cada detalhe que eu lhe mostrava e eu me sentia satisfeito por conseguir distraí-la naquele momento, a única maneira daquela situação melhorar, seria se eu estivesse mais próximo a ela.
— Olha, só estou falando que a última pintura... ESPERA.
Eu interrompi meus passos imediatamente, sem saber o que tinha acontecido.
— O que foi?
— Você pode virar um pouco a câmera? — ela pediu — para a esquerda.
— NÃO — eu virei na direção oposta ao entender o que ela tinha visto.
Como ela consegue encontrar lugares assim?
— Por favor, Dimitri — ela suplicou enquanto eu desistia e fui em direção ao mercado de pulgas¹ que ela tinha avistado de alguma forma.
— Eu vou comprar apenas uma coisa — eu avisei.
— Então eu vou ter que escolher bem — ela cantarolou.
Não pude evitar sorrir enquanto caminhava entre as barracas, mostrando a ela tudo o que estava exposto.
— Dimitri, olhe aquelas fotos antigas — Blair indicou.
— São pessoas que você não conhece, Blair. Nem pense nisso — eu avisei.
— Você não tem criatividade — ela reclamou.
— Eu não vou deixar você enfeitar seu apartamento com fotos de desconhecidos mortos — eu devolvi imediatamente — não importa se a foto é bonita.
— Mas...
— Além disso, eu sei que você vai gostar de qualquer coisa que te lembre desse lugar.
— Você acha que pode escolher algo para mim, Dimitri?
— Me dê cinco minutos aqui sozinho e eu escolho algo que você vai gostar — eu garanti — e te entrego na próxima vez que a gente se encontrar. Será uma lembrança de Viena.
— Desafio aceito, eu te chamo de novo em cinco minutos, cronometrados! — ela avisou antes de encerrar a chamada.
Eu guardei o celular e fui em busca de algo que pudesse lhe agradar. Mas o que eu poderia escolher? Talvez eu não a conhecesse tanto assim.
Foi quando algo me chamou a atenção.
Cinco minutos depois, meu celular voltou a tocar, e felizmente, eu já estava com seu presente em mãos me afastando do mercado de pulgas. Eu a atendi, enquanto aguardava a chegada do bonde junto à parada.
— Hey, você não está mais na feira — ela reclamou.
— Eu já tenho o que preciso.
— Me mostra? — ela pediu.
— Agora não — eu neguei.
— Por que?
— Apenas espere um pouco — eu pedi.
Eu avistei o bonde se aproximando e fui até próximo de onde ele provavelmente pararia, embarcando assim que as pessoas conseguiram sair do veículo. O bonde era um dos modelos antigos que ainda estavam em circulação para fins turísticos, eu me acomodei em pé na parte de trás, filmando todo o nosso trajeto assim que ele voltou a se locomover.
— Vamos Dimitri — ela suplicou.
— Eu vou te mostrar em breve, mas pensei que você gostaria do próximo lugar.
— Qual lugar? — ela questionou desconfiada.
— Você vai ver. Me diz, o que você está achando de Viena até aqui?
— Eu acho que estou apaixonada — ela suspirou — a cidade é linda ea tem tantas coisas interessantes.
Eu me limitei a sorrir, notando que estávamos chegando em nosso próximo destino. Eu desembarquei na parada seguinte, caminhando apressado.
— Onde estamos? — ela perguntou.
— Prater, é o parque de diversões mais antigo do mundo. Ele funciona desde 1766 — eu expliquei.
— Ohh, e é seguro? — ela franziu o cenho.
— As atrações foram substituídas — eu mostrei uma parte do parque, onde era possível avistar algumas montanhas russas e outras atrações, mas o que me interessava estava ainda a alguns minutos de distância.
— Você vai em uma montanha russa? Eu gosto da adrenalina e tudo mais, mas acho que não seria a mesma coisa — ela brincou.
— Nós não vamos na montanha russa, Blair — eu ri.
— Onde nós vamos então? — ela bocejou.
Eu apontei nosso destino, ainda caminhando até a grande roda gigante que estava atrás de algumas atrações.
— Uau, ela é diferente — Blair comentou.
— Ela é uma das poucas atrações originais do parque — eu comentei — foi construída em 1897.
— Ela é tão bonita, a vista deve ser incrível.
— É possível ver quase Viena inteira.
— Eu vou esperar para ver, comandante — ela sorriu.
Eu caminhei em silêncio até a entrada da atração, conseguindo comprar um ticket e embarcando em seguida. Blair acompanhou todo o processo com ansiedade. Assim que embarquei em uma gôndola simples, eu me sentei no banco, finalmente respirando fundo ao notar o quanto eu estava agitado.
— Você vai me mostrar o que comprou agora? Ou eu vou ter que guardar minha ansiedade até te reencontrar?
— Eu posso te mostrar.
Eu tirei da sacola que carregava uma antiga caixa de madeira, com alguns detalhes entalhados em baixo relevo com uma pequena manivela na lateral.
— O que é isso? — ela franziu o cenho.
Eu abri a tampa, exibindo o interior da caixa que continha uma série de mecanismos e na parte de dentro da tampa, um poema escrito em alemão jazia em uma placa desbotada. Eu girei a manivela devagar, a soltando em seguida, fazendo com que a marcha turca de Mozart passasse a soar.
— Uma caixa de música! — Blair parecia encantada.
— Eu pensei que seria uma lembrança adequada — eu sorri.
— Por que? Quero dizer, eu amei, mas o que te fez pensar que eu gostaria? — Blair se ajeitou na cama e eu senti a gôndola balançar suavemente quando o mecanismo da roda gigante foi finalmente acionado e comecei a subir.
— Ela é da era vitoriana, a mulher que me vendeu disse que estava na família há muitas gerações. O avô dela deu de presente a avó no começo do século passado, logo antes de ser convocado pelo exército para a guerra — eu repeti a história que a senhora me contou — Esse era o poema preferido dela.
Blair mantinha uma expressão encantada no rosto enquanto eu narrava.
— Eu pensei que você gostaria por conta de toda a história que envolve a peça — eu dei de ombros.
— Eu adorei, de verdade — Blair balbuciou — Eu acho que... eu adorei.
A roda gigante parou por um momento ao chegar no topo, desviando minha atenção. Eu me levantei, indo até uma das janelas, apontando a câmera para o lado de fora. Dali era possível ver os telhados vermelhos que quase todo prédio de Viena exibia e a maioria dos pontos históricos.
— Olhe, essa é a vista do topo — Eu comentei.
— Dimitri, é lindo — ela suspirou.
— Você realmente gostou?
— É a melhor coisa que já vi em muito tempo — ela afirmou — eu queria estar aí com você.
— Eu adoraria se você estivesse.
E eu estava falando sério. O meu maior desejo no momento era sua presença. Nós ficamos em silêncio por alguns segundos, apenas apreciando a vista, até que Blair o quebrou.
— O que está escrito?
— Como?
— O poema da tampa — ela explicou.
— Eu não sei, não falo alemão — eu sorri sem graça.
Nós voltamos a ficar em silêncio, até que sua voz soou em meu ouvido.
— Obrigada Dimitri. Você transformou um dia péssimo em uma das melhores experiências que tive nas últimas semanas.
— Eu espero um dia poder te mostrar tudo isso pessoalmente. Quem sabe te trazer para jantar em uma dessas gôndolas.
— Isso é possível?
— Sim, eles organizam jantares aqui e... Eu espero poder te trazer um dia.
— Eu gostaria muito — ela sorriu.
Meu coração disparou diante dos sentimentos que surgiam em meu interior. O que eu estava fazendo? Eu basicamente passei o dia inteiro sozinho, por que eu sinto como se tivesse sido um dos melhores encontros que já tive?
— Algum problema? — Ela Perguntou quando a roda gigante completou sua volta.
— Eu estava pensando, a gente poderia tentar encontrar uma maneira de tentar repetir isso — eu propus, calando a voz interior que gritava que aquilo nunca daria certo — nosso encontro em Amsterdã, eu quero dizer.
— Como?
— Nossas escalas devem se cruzar mais vezes, se soubermos com antecedência.
— A gente pode combinar melhor — Blair completou com um sorriso — acha que daria certo?
Óbvio que não, você mora em outro país e eu ajo feito um adolescente desmiolado quando estou ao seu lado!
Mas ao invés de gritar isso, me limitei a dar de ombros.
— A gente pode tentar e descobrir.
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¹O mercado das pulgas ou feira da ladra é um local onde diversos vendedores se reúnem para comercializar bens antigos, usados e outras mercadorias, inclusive de fabricação artesanal.
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