Esbanjo-me
8 Nenhuma Caneta
31/05/22 Terça-feira
Eu quero jogar a culpa toda no remédio. Mas quanto disso é culpa minha?
Hoje eu fui me stalkear e ver tantas fotos de mim feliz. Depois, pelo Facebook da tia Neide, eu fui atrás da Michelle, do Matheus e das interações interessantes que nós tivemos. Até começar a me sentir mal por um passado que não existe mais, pelo turbilhão de gente legal que eles parecem ter na vida agora e como por mais que eu os amasse nesse momento eu não sou nada e estou definhando cada vez mais, afastando com violência qualquer pessoa que pareça gostar de mim, me sentindo traduzida pela Elana Dara em Teoria do Caos.
Só que por sorte eu lembrei que só sou sentimental demais e que agora, finalmente, estou me tratando e que no final vai ficar tudo bem porque não tem final até ser o fim. Então eu posso manter minha esperança acesa enquanto o coração bater, mesmo que seja rápido demais. Mesmo que eu sinta o mundo num rush impossível e que os móveis pareçam prestes a desgrudar do centro de gravidade e que algum buraco de minhoca de alguma estrela morta esteja me sugando para a escuridão eterna. Mesmo aí eu posso agarrar a mão da minha mãe, ouvir um áudio doce do Danilo, sentir meu pai secar minhas lágrimas, pedir socorro pra Talita ou almoço para alguma tia amada. Razão. Cansei de pedir que me deem razão. Agora eu só quero paz e acreditar em fadas se eu for capaz de me sentir como uma.
Graças a Deus existe a tecnologia pra eu poder digitar quando não consigo segurar uma caneta.
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