Eu sei que devo sentir muita gratidão pela minha vida, por isso a culpa em estar triste. Eu choro agoniada com a quantidade de coisas que tenho para fazer e depois me arrependo em não ver as vantagens de ser quem eu sou e estar onde estou. Tenho medo de fracassar, mas tenho tempo e pessoas que me apoiam. Me preocupo em ser insuficiente e incompetente, mas tenho um boa saúde e muito modos por onde aprender. Eu tenho opções, apesar de me achar tão encurralada.

Posso não saber o que fazer, posso me sentir perdida tateando próxima a um abismo, mas eu POSSO cair, pois tenho quem me segure. Quantas pessoas podem respirar aliviadas ante este privilégio? Eu deveria ser mais grata e menos chorona. Por isso, acredito eu, peço tantas desculpas pra minha mãe nas minhas crises de choro. Porque eu sei que não tenho reais motivos para me sentir triste, e talvez eu não tenha sequer esse direito.

Minha avó: “Ah, filha, eu te olhando assim, tudo está direitinho, mas tudo está machucado.”