Notas iniciais
Mas quem é vivo sempre aparece, não é mesmo? Desculpem o sumiço, gente! Algumas coisas aconteceram nos últimos meses. Umas boas, outras nem tanto, mas que causaram um certo "rebuliço" na minha vida pessoal/emocional e bem, eu também estive ocupada. Explico lá embaixo. Leiam logo o capítulo gigante que preparei para vocês. Espero que gostem :)

Ainda não eram nem 9h da manhã, mas o verão na Califórnia não era solidário com ninguém e o calor estava insuportável. Enquanto forçava suas pernas a correrem mais depressa, ela sentia uma gota de suor deslizar por suas costas e percorrer toda a linha da coluna até atingir o cós do seu short. Nos ouvidos, a música mais recente de uma boy band nacional estourava os fones. Sua língua enrolava dentro da boca enquanto ela cantarolava mentalmente a letra, mas seus lábios se abriram em um sorriso ao finalmente alcançar a entrada da sua rua.

O bairro onde vivia era tranquilo e completamente residencial.

As casas ficavam razoavelmente afastadas umas das outras, mas a maioria possuía quase o mesmo layout. Algumas com garagens maiores, outras com jardins menores, mas todas abrigavam numerosas famílias de classe média.

Apesar de presarem por privacidade, a maioria se conhecia e fazia questão de manter uma relação cordial e agradável com todo mundo, principalmente porque seus filhos frequentavam a mesma escola e dividiam o ônibus diariamente. Os mais velhos eram vistos cortando a grama nos finais de semana. As crianças pedalavam à noite com suas lanternas ligadas para perseguirem os gatos da vizinhança e as donas de casa decoravam suas fachadas com afinco no Natal, tentando não transparecer o espirito competidor que havia em cada uma.

Era seguro. Agradável. Limpo. Bonito.

Simplesmente bom de se viver, por isso Haven foi veementemente contra a ideia de mudar de volta para Seattle quando seu pai anunciou anos atrás durante o jantar que precisavam dele no escritório de lá. Diferentemente de boa parte da sua família, ela detestava as chuvas constantes de Washington. Visitar os avós tornou-se difícil, mas a saudade que sentia deles vencia sua aversão pelo frio severo.

— Hey, mãe — Ela cumprimenta ao empurrar a porta dos fundos e entra na cozinha geralmente impecável de Isabella, mas não é ordem que ela encontra esta manhã — O que está acontecendo? Um pelotão virá almoçar aqui ou algo assim?

Isabella, usando suas vestes informais e desgastadas de faxina, verifica a filha de cima à baixo, registra suas roupas de ginástica e o suor brilhando na sua pele enquanto ela caminha até a pia, e rola os olhos, voltando a fatiar os seus tomates.

— Você sabe que estamos dando um churrasco, Hav — Ela relembra e parte a fruta ao meio, mas para quando ouve a filha engasgar com a água que tirou da torneira. Assim que a tosse passa, ela repreende — Ei, o que o seu pai te disse sobre sair para correr sem nos avisar ou levar o celular? Falamos sobre isso ontem!

— Mãe, eu estou bem... — Ela responde tentando disfarçar o nervosismo.

A palma da sua mão segurando o copo começa a ficar úmida, mas não tem nada a ver com o calor. Merda! Como ela pode ter esquecido do maldito churrasco?

— Eu posso ver, querida, mas nos preocupamos com você — Isabella insiste olhando a filha adolescente que estava ficando mais bonita a cada dia. Após seu decimo quarto aniversário, seu corpo havia mudado radicalmente e ela havia deixado de ser a sua menina para se tornar uma jovem e atraente moça, principalmente agora no auge dos seus dezessete — Você sabe como funciona aqui. Você tem liberdade, desde que nos deixe saber onde está.

— Eu tenho? — Ela retruca com sarcasmo — Na minha idade você tinha encontros, ia a festas, estava planejando sair da cidade para fazer faculdade e ainda fazia viagens sem acompanhante! Oh, claro... exceto por seu namorado.

Isabella ri da acusação.

— O namorado em questão era o seu pai, querida.

Hav rola os olhos, ignorando a justificativa. A verdade é que ela ainda vivia na bolha de proteção que os Cullen a colocaram desde o seu nascimento. Sua mãe, mesmo a conhecendo bem e tentando lhe dar espaço, era preocupada demais.

— O seu pai se depara com pessoas horríveis no trabalho todos os dias, Hav, nós apenas tentamos nos certificar que nada assim chegue até você — A voz de Isabella é doce, suave e é impossível não se acalmar diante dela — Você entende, certo?

Acariciando sua nuca, Haven vira lentamente e seus olhos focalizam em sua mãe.

Quase duas décadas, um casamento e duas filhas não foram o suficiente para apagar a beleza dela. Pelo contrário. A segunda gravidez fez coisas com seu corpo já curvilíneo. A morena foi incapaz de se livrar do quadril mais cheio, mas isso deixou de ser uma preocupação quando o seu marido passou a venera-lo. Sua barriga também nunca mais voltou a ser a mesma, plana e definida, mas isso não abalou a sua autoestima. O amor que recebia da sua família era tudo que ela precisava para nunca se arrepender dos sacrifícios que fez. Apesar de cuidar bem de si mesma, suas garotas eram prioridade, bem como sua profissão – ela e mais dois profissionais eram responsáveis pela administração da GANBATTE de SF.

— Desculpe, mãe. Eu levarei o celular comigo na próxima. Ouça, sobre esse churrasco... — Ela cruza os braços em frente a barriga e a insegurança em seu tom chama a atenção de Isabella que a olha com curiosidade — Você sabe se ele está trazendo alguém para casa? Digo, nós temos um quarto extra e...

— Assim como Rosalie, querida — Sua mãe interrompe com um sorriso contido em sua boca. Ela sabe exatamente o que está acontecendo — Você realmente ficaria à vontade se acolhêssemos a namorada de Mason aqui em casa?

Seu estômago vazio – exceto pela água – se agita com a ideia de dividir seu teto com uma das garotas do seu primo. Cristo, não! No que estava pensando? Ela vomitaria só de pensar em ouvi-lo rastejando para o quarto dela durante à noite.

— Eu só estava pensando em voz alta, mãe. A tia Rose nunca aceita garotas.

E isso era uma regra.

Sua tia era liberal sobre muitas coisas, mas não nisso – a não ser que você fosse família— e Mae nunca tentou levar ninguém para passar a noite em toda a sua adolescência. Ele sabia melhor que desafia-la.

Edward e Isabella viveram em Seattle por seis anos, até que ela engravidou novamente e eles decidiram que um apartamento não era o melhor lugar para criar seus filhos. Ele ainda possuía sua antiga casa em San Francisco e durante uma semana de folga, os dois a visitaram e a morena se apaixonou por tudo – o lugar, as pessoas, o clima – imediatamente. Em três meses, eles se mudaram para a CA.

O resto dos Cullen permaneceram por mais algum tempo, até que após o segundo casamento da mãe, Rosalie decidiu que queria uma mudança. Ela, seu marido e filho seguiram para San Francisco e compraram uma casa há apenas um quarteirão de distância do outro casal. Dessa forma, suas crianças cresceram juntas.

Laços foram criados.

E corações foram partidos.

— Sim, bem, eu não fui informada sobre nenhuma garota. O seu primo está muito comprometido com os estudos, Hav. Ele não quer nenhum tipo de distração.

Haven sabia disso. Ela descobriu da pior maneira.

— É claro. Tem razão — Ela pigarreia, ensaia um sorriso e solta para a sua mãe ainda rodeada de alimentos crus, vegetais e temperos — Eu vou subir e tomar uma ducha. Estou meio nojenta. Você quer que eu acorde a Ava no caminho?

Os olhos de Isabella brilham com a menção da sua filha caçula.

Sim, ela não era mais o bebê da casa há muito tempo.

— Claro, querida, por favor — A morena ergue os olhos para o relógio na parede e se volta para Haven que assente e se prepara para deixar a cozinha — A mande aqui para baixo. Eu tenho o café da manhã pronto. Vou só esquenta-lo.

A garota concorda novamente, embora sua vontade fosse de se oferecer para ajudar, mas não era uma boa ideia. Haven não herdou esse dom em seus genes e era terrível em tentar preparar qualquer comida que não viesse pronta para ir ao forno ou micro-ondas. Por essa razão, sua mãe parou de tentar envolve-la nas atividades culinárias da família há muito tempo. Ela não podia culpa-la, é claro.

Tinha visto em primeira mão os estragos que sua avó Renée era capaz de fazer.

No andar de cima, ela pisou com cuidado ao passar pelo corredor, vendo que a porta do quarto dos seus pais estava entreaberta e ele ainda dormia. Edward se dava ao luxo de levantar depois das oito aos domingos. Haven gostava de brincar sobre ele estar ficando velho só para vê-lo fazendo cara feia, mas seu pai não tinha trabalhado menos ao longo dos anos, apesar de ter tentado após o nascimento de Ava. Uma vez que o casal estava sozinho na cidade desde os primeiros meses de gestação de Isabella, ele passou a ficar mais tempo em casa para ajudá-la, pois Ruth tinha seguido com eles apenas até duas semanas antes da mudança. Uma vez em San Francisco, os Cullen estavam por conta própria – ou estariam se Esme e Carlisle não os visitassem quase mensalmente no primeiro ano.

— Ava? — Ela chamou por cima do barulho da porta rangendo. A claridade no quarto era grande devido as cortinas afastadas, mas sua irmã continuava profundamente adormecida em sua cama — Ei, pequena. Acorde. Está na hora.

— Me deixe dormir... — Ela resmungou em seu sono ao sentir a mão da jovem acariciando os seus cabelos escuros e macios — É muito cedo, Hav.

— Cedo? São oito e meia — Haven enrugou o nariz. Sendo uma madrugadora, ela estranhava o termo — Eu já comi, saí pra correr e voltei. Ande, acorde, garota.

— Só mais dez minutinhos, por favor...

— Eu não tenho tudo isso — Ela bate uma mão na outra — Vamos lá, levante-se!

— Eu não consigo — Ava choraminga dramaticamente — Estou muito cansada.

Ela não estava cansada e tinha dormido o suficiente, embora tenha ido para a cama tarde após assistir um filme com o pai, depois de ter chegado com ele e sua mãe de um jantar na casa de amigos. Era sábado e Ava conseguiu convencê-los a esticar a noite um pouco mais. Eventualmente, Haven se juntou a eles e é por isso que sabe exatamente que horas sua irmã finalmente rendeu-se ao sono nos braços da mãe. A garota só estava sendo manhosa novamente.

— Se você não abrir seus olhos e olhar para mim nesse instante, eu vou derruba-la da cama com cócegas que te farão gritar tão alto que o papai virá correndo saber o que está acontecendo — A loira ameaça, sorrindo quando vê o corpo inquieto da garota parar imediatamente — Então, o que vai ser?

Edward não gostava de pegadinhas, principalmente se estivesse ocupado ou dormindo. Ele se preocupava muito com a segurança da família e até hoje não havia se acostumado a ouvir suas filhas gritando “por diversão”. O deixava nervoso e sua mulher levava horas tentando deixa-lo de bom humor novamente.

Elas não conseguiam lembrar de quando o advogado foi menos superprotetor.

Rendendo-se, lentamente Ava levanta a pálpebra esquerda.

Ela era o oposto de sua irmã e muito parecida fisicamente com Isabella.

Sua pele clara ficava constantemente vermelha nas bochechas. O cabelo era marrom como chocolate e estava pouco abaixo dos ombros, tinha cachos nas pontas e uma franja reta quase cobria suas sobrancelhas. Os olhos eram de um verde pálido, diferente das jades que seu pai carregava, mas tão brilhantes quanto.

A menina era doce e parecia ter herdado a personalidade calma do seu, já falecido, avô Charlie. Pela infelicidade do professor ter cedido ao vício e voltado a fumar com frequência, ignorando todos os avisos sobre sua saúde cada vez mais debilitada, eles nunca chegaram a se conhecer, já que Isabella estava na trigésima sétima semana de gravidez quando a DPOC o levou. Embora tenha sido um choque para a maioria, alguns já imaginavam que esse era o seu destino e quando Charlie deixou para trás a esposa fragilizada, ela e sua filha receberam uma abundância de apoio dos familiares e amigos. O nascimento de Ava foi um pouco antecipado pelo estado que Isabella se encontrava e somente a alegria de segurar sua segunda bebê nos braços a tirou do lugar escuro onde estava.

— Você precisa de ajuda?

Ela oferece à irmã a respeito do banho enquanto cobre o colchão com um lençol limpo. Desde que a senhora responsável pela arrumação da casa, que já está com a família há quatro anos, tirou uma semana de licença para exames médicos, ela tem ficado encarregada de parte das tarefas domesticas quando não está na escola.

— Eu sou uma menina grande agora, Hav — A garota explica ao empurrar a gaveta da cômoda com o bumbum para fecha-la. Em suas mãos ela carrega um vestido amarelo e um maiô branco — Papai disse que ninguém pode me ver sem roupa de baixo, nem mesmo você. Somente a mamãe.

— Mas isso não é verdade — Ela rola os olhos enquanto joga os travesseiros de volta à cama — A sua professora te viu nua na segunda-feira quando você...

— Shhhh! — Ava briga com o rosto inflamado de vermelho — Não fale disso!

Vendo os olhos da irmã se encherem com lágrimas, ela dá de ombros.

— Falar sobre o que? — Hav se faz de desentendida — Eu só te perguntei se você queria ajuda com o banho — Aliviada que o assunto não ia ser trazido à tona, a menina sorriu e balançou a cabeça negativamente — Tudo bem, então. Quando acabar, desça para a cozinha. A mamãe está te esperando com o café da manhã.

Mais entusiasmada que antes, Ava soltou um “okay”, saindo em disparada para o seu banheiro, descalça e em seu pijama. Haven absolutamente a adorava e não era segredo para ninguém que sua irmã se espelhava nela, o que era um monte de responsabilidade para os seus ombros adolescentes. Haven perdeu as contas das vezes em que adormeceu na aula porque durante a noite, a menina se esgueirou para a sua cama porque estava muito assustada para dormir e precisava de uma história. As duas ficavam resfriadas ao mesmo tempo porque não se desgrudavam e, é claro que Ava precisou de um pouco mais que um “por favor” quando encontrou a irmã flertando com um colega de classe que lhe deu uma carona até em casa, mas no geral, elas estavam constantemente acobertando uma a outra. Inclusive na segunda-feira da última semana de Ava na escola, quando ela fez xixi nas calças por acidente e se recusava a deixar a classe se sua irmã não fosse busca-la. Para deixa-la menos constrangida, Haven derrubou água em si mesma de proposito e a levou para casa com uma mancha ridícula na sua virilha e bunda.

Mas nem sempre as coisas foram assim.

Durante sua pré-adolescência, Haven passou por um monte de mudanças e temia que suas ações pudessem tirar o seu lugar do coração do pai. Mesmo com a chegada da filha caçula, ela e Edward mantiveram aquela curiosa ligação com o passar dos anos, mas havia o ciúme constante que desestabilizou a casa por algumas vezes. Ava era a “pequena” de todos agora. Dela, inclusive. Ela aprendeu que se o seu coração era grande o suficiente para amar toda a sua família por igual, seu pai também saberia guardar um lugar especial para ela.

Com Isabella nunca houve problema.

Sua mãe era incrível e estava lá o tempo todo.

Ela foi a única a puxar a orelha do marido sobre o que estava acontecendo com Haven. Ele não tinha nenhuma ideia de que sua filha mais velha estava com medo de perde-lo, simplesmente porque parecia ridículo demais para sequer cogitar.

Hoje, eles só têm problemas com os excessos de Edward.

Ela sempre seria a sua garota e tem sido difícil vê-la crescendo.

Seus ciúmes estavam cada vez mais descabidos e enquanto as mulheres da casa acharam fofo no início, agora deixavam o sangue da adolescente borbulhando. Seu pai havia estipulado uma idade para que Haven fosse permitida “namorar” e “sair à sós com garotos”, que seria no ano seguinte – aos 18 – e nenhum dia antes disso.

Ela tinha burlado essa regra três vezes e saído para encontros com garotos mais velhos, mas não tinha valido a pena e seu foco se voltou para o estudo e suas pinturas. Ela cresceu vendo o entusiasmo com que sua avó Esme falava sobre os quadros que adquiria e os museus que visitava ao redor do mundo com o marido, então eventualmente isso despertou a sua curiosidade e logo Haven se viu envolvida pelo mundo das artes.

Era comum vê-la coberta de tinta nos finais de semana, mas este seria diferente porque toda a família se reuniria em seu jardim para recebe-lo de volta.

Mason.

— Aqui está ela! — Alguém cantarola em seu quarto, dando-lhe o susto de sua vida. Haven pula na cadeira da sua escrivaninha onde passou as últimas horas tentando se concentrar em um projeto — Oh, eu te assustei? Me desculpe.

Com a mão sobre o peito, ela vira para dizer algumas coisas a sua não-convidada até que percebe que se trata de Alice e seu rosto se parte em um largo sorriso.

As duas não se viam há muito tempo!

Haven levanta com alguns tropeços e corre em direção a tia que a recebe com um forte abraço, seguido de pulinhos juvenis e gritinhos de excitação. Alice não é a sua tia mais próxima, pois ela ainda vive em Seattle com Jasper. Sua agenda nunca tinha sido a mais flexível e a filha do casal não aceita deixar a cidade para viver em outro lugar, pois é muito estragada pelos avós maternos e então eles todos só se encontravam no máximo três vezes ao ano – Natal incluído.

Afastando-se, ela dá uma boa olhada na tia.

— Você está ótima, tia Al! Parece tão jovem. Conte-me tudo. O que você fez?

Era muito óbvio que sua tia tinha encurtado o cabelo em um corte chanel, tingido os fios de preto e visitado sua clínica de estética favorita recentemente, mas Haven fingia interesse, pois sabia que nem sua própria filha aguentava sua fixação sobre a boa aparência. Alice tinha sido uma pessoa complicada desde jovem e Carlisle gostava de brincar sobre a admiração que sentia pela paciência e persistência de Jasper. Apegada a beleza que sempre possuiu, Alice sofreu após a gravidez com a idade inapropriada, tanto que foi necessário que Isabella voasse até lá e ficasse por um mês para ajudá-la ou do contrário, o casamento deles afundaria. Seu tio e padrinho Jasper é um ótimo homem, compreensível sobre a maioria dos caprichos da esposa, mas ele também era de carne e osso. As coisas estavam difíceis.

Doze anos depois, ela era uma outra mulher. Agora adepta a pequenas intervenções para lidar com a chegada da “idade”, mas muito mais feliz com ela mesma e uma excelente mãe para a sua filha.

— Oh, você notou? Obrigada! O ingrato do seu pai não disse nada quando perguntei o que ele achou. Aquele homem está ficando tão ranzinza — Alice arregala os olhos com falsa surpresa — Agora como você conseguiu esse par de pernas incríveis, Haven? Eu não lembro de elas serem tão longas ou torneadas na última vez em que nos vimos. É algo que eu posso fazer também?

A jovem ri, sabendo que sua tia estava falando sério.

— É a corrida, tia Al.

Alice não disse nenhuma mentira. Ela tem gastado um monte do seu tempo livre com caminhadas, corridas e pedalando na praia, quando não está pintando. Haven não tinha atividades de compras, bronzeamento, garotos para impressionar e festas para comparecer como suas amigas, então ela apenas corria por aí e tirava inspirações das inúmeras situações que seus olhos registravam durante o caminho.

Seu corpo estava ganhando músculos e volume nos lugares certos.

A pele naturalmente dourada mostrava isso bem.

— Oh, isso é algo no qual eu definitivamente não estou interessada. Você sabe que eu odeio suar — Como se para enfatizar, Alice desmancha o nó do lenço fino e caro que carrega ao redor do pescoço e o tira — Mas é ótimo ver os resultados em você, querida. Você está linda. Só precisamos dar um jeito nesse cabelo. O que acha de marcamos um horário no Jun’s para amanhã? Poderíamos fazer...

Arrastando a sobrinha para fora do quarto, envolvendo seus ombros, Alice continua planejando sessões de tortura das quais Haven sabia que não ficaria livre. Segundo ela, seu cabelo estava longo demais – embora atingisse o meio das suas costas – e precisava cortar fora todas aquelas pontas irregulares. Seus fios loiros poderiam ficar ainda mais claros com a sua ajuda, uma que ela realmente não queria, então Haven vê que tudo aquilo só se tornaria suportável se levasse junto alguém que odiasse cada minuto tanto quanto ela.

*************

No andar de baixo, quando finalmente conseguiu se esquivar dos planos maléficos da sua tia, Haven cumprimentou o resto dos parentes que havia chegado.

A casa era grande, mas o barulho que faziam era ainda maior.

Ela ouviu os gritos vindos do interior do escritório do seu pai, mas rolou os olhos para as vozes acaloradas dos seus pais discutindo e saiu com pressa – ela não queria ouvir o que aconteceria depois. Tinha cometido esse erro uma vez e bem... eww!

No quintal, uma olhada rápida a deixou saber que amigos também tinham sido convidados, bem como alguns vizinhos mais próximos. Ela encontrou sua irmã rindo e brincando de esguichar água com armas de mentira com os filhos mais novos de Dominic e Gia. O elegante casal estava conversando um com o outro, embora houvesse um grupo de pessoas ao redor deles – mas era assim que eles eram vistos. Sempre com olhos e mãos um no outro, como recém-casados, mesmo que estejam juntos desde o dia em que se conheceram no casamento dos pais de Hav. Gia é irmã do homem com quem Edward dividiu o apartamento logo quando começou a faculdade e ela o acompanhou para parabenizar o velho amigo.

Eles foram apresentados, compartilharam uma dança e o resto é história...

Quem não gostaria de encontrar o amor assim?

— Assim como?

A voz de Emmett atrás dela a fez tropeçar para frente.

— Jesus Cristo, tio Emm! — Ela reclama com a mão no peito e a língua coçando para soltar uma maldição. Quando se vira, o encontra a olhando desconfiado, com uma das sobrancelhas erguidas e não mostrando bom humor. Aparentemente Haven estava pensando alto — Um aviso teria sido legal. Eu não te ouvi chegar.

— Sim, isso eu percebi por conta própria. Eu te chamei para abrir a garagem para os seus avós entrarem, mas como você não ouvia, pedi para a Rose cuidar disso.

— Eu sinto muito. Acho que me distrai cuidando da Ava.

— Cuidando da Ava — Emmett repete com ceticismo — Tem certeza? Eu pensei ter ouvido você falar algo sobre encontrar o amor em algum lugar. Será que tem alguém aqui hoje com o qual eu deveria me preocupar, Haven?

Oh. Bem. Merda...

Seu tio está agora olhando ao redor como um falcão, procurando encontrar qualquer um que aparente possuir um pênis entre as pernas e que ele não conheça.

Edward é um pai superprotetor, mas Emmett tornou-se um tio ciumento logo que ele notou o interesse indesejado de garotos sobre ela. Sendo Haven sua primeira sobrinha e agora a única adolescente com quem ele tinha um contato quase diário, Emmett dividiu com o irmão a responsabilidade de mantê-la pura, espalhando os rumores mais absurdos e bobos sobre caras – desde que eles tinham piolho à mal hálito e que tudo era muito contagioso. Hoje em dia, tendo em vista que seus boatos já não funcionavam, ele gostava de usar o seu físico para afugentar seus possíveis pretendentes. Era irritante como ele sempre conseguia.

Rosalie deveria estar feliz por eles nunca terem tido uma garota.

E sim um menino.

Isso mesmo. Outro.

— Você deve ter ouvido errado. E não, nada para se preocupar — Ela mente com um sorriso — Hey, onde está Adam? Achei que o encontraria com Ava.

Com a menção do seu caçula, ele sorri e começa a procura-lo, olhando em direção da piscina com a mão fazendo sombra nos olhos. O sol está alto no céu e o calor aumentou consideravelmente, tanto que as pessoas estavam todas à vontade em shorts, vestidos leves, bermudas e regatas. Emmett, por sua vez, foi um pouco além disso e ficou sem camisa, exibindo seu peitoral e barriga peluda – mas por sorte, ele estava em dia com a balança.

— Logo ali — Ele aponta — Está aproveitando para nadar enquanto sua mãe está ocupada lá dentro. Assim que ela o vir sem a boia, vai brigar e puxa-lo para fora.

Haven rola os olhos tentando não rir.

Sim... havia algo com aquela família.

— Então, está ansioso para... você sabe, a volta dele?

— De Mason? — Ele pergunta, mas não espera resposta — É claro que sim. Eu sinto muita falta do garoto em casa, Hav. Até mesmo me ofereci para busca-lo no aeroporto, mas ele disse que tinha uma surpresa e que nos encontraria aqui.

Ela franze a testa. Isso era novidade.

— Mas de que tipo?

— Eu não sei, garota, esse é o fator surpresa — Emmett ri, então olha para o lado e acena para alguns vizinhos do irmão, passando e sorrindo para eles — Desde que ele não apareça de mãos dadas com o seu colega de apartamento para me dizer que tudo que lhe ensinei durante a puberdade foi em vão, eu acho que está tudo bem.

— Besteira. Eu sei que você amaria Mason mesmo assim.

— Sim, você está certa, eu amaria — Seus olhos ficam suaves, mas ele pisca — Porém, as coisas não seriam mais as mesmas e não pelo motivo que você está pensando — Ele ergue uma sobrancelha quando Hav tenta argumentar — É pela traição. Mason pode falar sobre qualquer coisa comigo e ele terá o meu apoio, mas temos um acordo de anos sobre mentiras e omissões. Não é aceitável.

— Todo mundo tem segredos, tio. É normal — Ela olha nervosamente para um ponto em seu peito e volta para sondar seus olhos enquanto prende uma mexa de cabelo atrás da orelha — Mason não deve ter te contado tudo.... certo?

— Suponho que não, embora fodidamente me chatearia se eu soubesse que me deixou de fora de algo importante — Ele grunhe, como se a ideia o irritasse e Haven engole, assentindo — Mas esse não é o caso. Meu rapaz joga no time certo.

É, nenhuma dúvida sobre isso.

— Então, todo mundo tem segredos, é? O seu pai acharia isso interessante.

— Hum — Hav tenciona — Você está sentindo esse cheiro?

Ela inspira, e então, enruga o nariz.

— Merda! — Emmett amaldiçoa, balançando a cabeça e olha para trás — Eu tenho que ir. Deixei Jasper cuidando das carnes, mas o cara não pode grelhar um hambúrguer nem se a sua vida dependesse disso — Ele bufa com impaciência enquanto a sobrinha gargalha, então se aproxima e beija sua testa — Fique no meu campo de visão, ok? E mantenha esse vestido. Não entre na água sem ele.

— Eu estou surpresa que você não me pediu para vestir um maldito casaco.

Haven resmunga e cruza os braços embaixo do peito.

— Olhe a linguagem, garota — Edward repreende, vindo de dentro da casa com o cabelo bagunçado, abotoando uma fina camisa branca de mangas curtas. Haven olha para ele com uma careta. Novamente, eww! — E não me dê ideias.

Emmett ri, não se intimidando com o olhar mal-humorado que recebe de Hav.

— Apenas guarde um grande bife para mim — Ela pede, mas não resiste a sorrir para o tio quando ele assente e Edward a abraça por trás, dando um beijo estalado no topo da sua cabeça — Sobre o que você e a mamãe estavam brigando agora?

— Você ouviu aquilo?

— Sim, papai. — Ela responde fazendo soar como um “duh”.

— Todo mundo deve ter ouvido aquilo, mano. Vocês precisam pegar leve nas preliminares — Emmett brinca, piscando para o irmão — Sem pressa! Acredite em mim, vale a pena esperar para quando ela for para a faculdade. Rose e eu vam-

— Tio, isso é nojento — Hav se encolhe, tapando os ouvidos dramaticamente enquanto os homens caem na risada. Por alguma razão, os dois gostam de demonstrar afeto na frente dos filhos e ela tem uma teoria de que eles estão tentando enjoa-los para tudo referente a sexo — Eu já tenho o suficiente em casa com os meus pais, não preciso dos seus detalhes também. Urgh, pobre Mason...

Emmett engasga com o riso.

— Não se preocupe com ele, garota. Mason deve ter traumatizado seus amigos a essa altura. Maldição, nos meus tempos de universidade, eu fazia com aquel-

— Você não tinha que estar em algum lugar? — Solta Hav, mal disfarçando sua irritação, com as mãos bem fechadas em punho e sua voz estridente é o suficiente para cala-lo na hora — Eu estou com fome. Tio Jasper vai arruinar o almoço.

Estalando os dedos, Emmett se lembra do que deveria estar fazendo e os deixa.

Finalmente sozinhos, Edward estreita os olhos para a filha.

— O que você tem? É a sua TPM?

— Papai... — Ela suspira. Talvez ela estivesse mesmo chegando lá, mas não era isso que a irritava e sim todos os comentários maliciosos que os homens da família faziam a respeito do comportamento de Mason depois que ele deixou a cidade.

— Haven.

— Eu... eu só estou com a cabeça cheia por causa de uma prova. Também estou preocupada com a vovó. Eu a encontrei na cozinha preparando coquetéis quando desci — Hav mente. De fato, ela tinha encontrado Renée servindo bebidas, mas já tinha se acostumado a presenciar isso. Sua avó esteve perdida nos primeiros anos após a morte de Charlie, mas aos poucos ela está se encontrando novamente — Talvez ficar um tempo aqui fosse bom para ela.

Edward franze a testa enquanto cogita a ideia, no fim, ele se coloca ao lado da filha e passa o braço em volta da sua cintura, a guiando para longe dali.

— Você está ficando boa nisso, o que não me deixa feliz, garota — O advogado repreende, apertando Hav contra ele para deixa-la saber que ele viu por trás de sua mentira. O homem não tinha uma carreira de sucesso por nada — Olhe, eu sei que posso ser um pouco... invasivo quando se trata de você, Haven, mas é porque te amo. Eu quero te proteger das coisas que tirarão o sorriso do seu rosto. Odeio não saber o que está acontecendo e não é porque quero te controlar, mas porque quero tornar as coisas melhores. Você é a minha garota. Você pode contar comigo, certo?

Ela sabia que podia, pelo menos para quase tudo, mas isso?

Ela não iria contar-lhe a verdade. Seu pai surtaria se soubesse.

Seu peito incha com amor e Haven imediatamente envolve a cintura dele com os braços. Edward relaxa com o gesto e a mantém colada a si como se não houvesse pelo menos duas dezenas de pessoas ao redor deles – algumas os observando com admiração a interação de pai e filha e outras apenas com curiosidade.

— Eu também te amo — Ela sussurra contra sua camisa — Por favor, me deixe ser sempre a sua garota. Eu não suportaria te decepcionar, papai.

— Sempre, querida. Sempre — Ele promete, beijando o topo da sua cabeça várias vezes. Em seguida, Edward ri, fazendo seus olhos enrugarem dos lados — Você jamais me desapontaria, mesmo me fazendo ir até a sua escola de duas à três vezes ao ano — Haven treme com a risada silenciosa e os olhos do advogado brilham com a sua resposta — Você tinha que ter a personalidade da sua mãe, certo?

— Eu levarei isso como um elogio.

Alguém sempre menciona que as duas tem gênios parecidos. Diferente de sua irmã, Hav tem um monte de atitude, é independente e não aceita merda de ninguém. Quando jovem, sua mãe também teve alguns problemas na escola, era um tanto agressiva e Edward estava grato por sua filha não ter agredido ninguém – até agora.

— Você deveria. Sua mãe é incrível.

— Sim, sobre isso.. tio Emm está certo, sabe? — Ela sorri com malicia — Vocês deveriam diminuir o volume quando estão, hum, conversando a sós.

— Acostume-se, garota. A cada ano a sua mãe se torna mais difícil de acalmar.

— Bem, eu só estou dizendo... tanta demonstração de afeto pode me inspirar.

Edward tropeça no próprio pé. Mas que porra...?

— Haven! Você nem f-fodidamente cogite... — Ele gagueja, nervoso ao vê-la apertando os lábios para não rir — Eu não posso pensar em você assim... Jesus.

— Calma, pai! — Ela se aproxima e acaricia suas costas, consolando-o — Eu só tenho dezessete anos e nenhum relacionamento amoroso. Sexo? Não, ew. Eu não penso sobre isso. Fique tranquilo. — Ela pisca inocentemente.

— Haven!

A loira joga a cabeça para trás e caí na risada.

Em seguida, pula e se joga nos braços do pai – um pouco atordoado – que a pega. Ele respira fundo, procurando se acalmar e aperta a filha como se não fosse solta-la nunca, sentindo o peito vibrar com a risada dela. Ela ainda o mataria do coração.

— Eu só estou te zoando.

— Bem, não o faça — Ele repreende, brincando — Eu estou ficando velho, sabe?

— Velho? Ah, papai, por favor! Você envelhece como...

— Um bom vinho — Uma voz masculina completa sua frase e Edward segura sua vontade de bufar quando, por cima do ombro de Hav, o vê se aproximar com os olhos cobiçosos — Bom dia, Sr. Cullen — Ele cumprimenta — Ei, Haven.

Ela se vira para Seth – seu melhor amigo. O rapaz era pouca coisa mais alto que ela, magro com braços agradáveis e usava regata branca customizada com um decote em v muito maior do que o necessário, chinelos e bermuda. Seu cabelo escuro estava escapando pelas laterais do boné, dando-lhe um ar de menino que nada condizia com a maneira como ele estava comendo seu pai com os olhos.

Idiota.

— Bom dia, Seth.

— Eu liguei para você! — Ela acusa, franzindo o cenho — Por que não atendeu?

— Porque era madrugada. Eu sabia que você ia me chamar para a sua corrida estupida e seria falta de educação desligar na sua cara — Ele responde com uma falsa doçura e tenta acariciar seu rosto, mas é enxotado para longe, então afasta a mão com uma careta — Então, eu estou com fome. Cadê a comida?

— Cristo, você soa como o meu tio.

— Essa é uma boa pergunta, na verdade. Eu vou ver se ele conseguiu salvar a carne, querida — Edward avisa e Hav recupera o seu sorriso. Ela assente — Vocês dois se divirtam. E me chamem se virem alguém estranhando entrando. Eu não confio muito naqueles garotos Doyle, ok? — Ele olha na direção dos filhos adolescentes do seu vizinho da porta ao lado e beija a testa da filha antes de sair.

Seth segue observando.

— Se eu não soubesse melhor, diria que ele usa essas bermudas de propósito.

— Pare de checar o meu pai! — Ela bate em seu braço, o fazendo gemer.

— Tudo bem, então me dê algo melhor para olhar — Seth ergue sua sobrancelha bem-feita — Onde está o seu homem? Você não me chamou aqui à toa.

— Eu só queria ver você.

— Ah, não se faça de idiota, Hav. Você nunca me chama para os churrascos que a sua família faz, mas esteve me lembrando de vir neste desde a semana passada — Ela dá de ombros, não se importando em negar — Viu? Eu sei que não é uma coincidência. Você precisava de apoio para quando o seu primo chegasse.

Isso era verdade. Ela precisava de um suporte se as coisas dessem errado.

Durante a hora seguinte, eles comem, bebem e socializam com os convidados até que Rosalie recebe a ligação do filho avisando que havia chegado. Agora era uma questão de minutos até ele estar entre eles. Vendo o nervosismo de Haven, seu amigo a leva para a sala e a distrai com o videogame até que eles ouvem gritos.

Correndo para fora, se deparam com pessoas sorrindo, assoviando e se acumulando para cumprimentar o recém-chegado. Haven ouve o choro de Rosalie enquanto ela sufoca o seu filho em um abraço e ela sorri. Típico. Sua mãe também sentiria falta dela quando finalmente estivesse na faculdade, mas Isabella não era tão coruja quanto a sua tia.

Todos assistem com diversão a maneira como a mulher segura o rapaz, verificando cada centímetro de pele que a roupa não cobre, então, o puxando para outros abraços apertados seguidos de beijos que ele, pacientemente, recebe e retribuí.

Pela expressão em seu rosto, Mason sentiu falta disso.

Emmett parece emocionado em ter seu filho diante dele, embora se esforce para não demonstrar. Eles se abraçam por um longo tempo, batendo “masculinamente” nas costas um do outro e é só quando seu irmão Adam corre em direção aos dois e quase os derruba que Haven percebe que seu primo não voltou sozinho dessa vez.

Uma morena com um quilometro de perna e cabelos curtos, mas ondulados, os observa com os olhos dançando com diversão. Ela tem um par de lábios realmente atraentes, carrega uma mochila pesada nas costas e está usando uma fina blusa de mangas longas, mas que mostra sua barriga torneada e calças jeans apertadas que terminam antes de alcançar seus tênis.

— Merda.

— Oh, sim. A coisinha é bonita.

Seth enfatiza o “bonita” e Haven engole em seco.

Seu amigo é gay e ele não gosta facilmente de alguém, muito menos elogia à toa.

— Eu não posso acreditar que ele realmente trouxe alguém para casa.

Com o coração apertado, a loira assiste seus pais se aproximarem para falar com Mason. Ele abre um largo sorriso para Isabella e beija ambas as suas bochechas – os dois sempre foram muito amigos desde que o rapaz era um moleque. Os anos não afetaram isso. Esme e Carlisle também se juntam a eles, felizes por verem o neto novamente depois de tanto tempo, então Ava se aproxima timidamente e com um grito, é sugada para os braços de Mason que a põe no colo.

Ele sequer parece notar que falta alguém naquele quadro.

Eventualmente Emmett percebe a moça parada logo atrás dele e parecendo envergonhado, o rapaz a puxa para o seu lado e apresenta a todos de uma vez.

Muitas sobrancelhas são erguidas. O rosto de Rosalie caí e ela não tenta disfarçar.

Esme é a primeira a reagir e desejar as boas-vindas à jovem.

Os outros seguem o mesmo exemplo e começam com as perguntas.

— Inacreditável.

Seth bufa.

— Você não achava que ele fosse ficar solteiro para sempre, certo?

— Sim! — Ela grita, mas joga as mãos sobre a boca quando percebe que chamou muita atenção para si.

Seu primo a nota imediatamente, mas não faz menção de ir até ela e segue dividindo sua atenção entre todos que tinham algo a dizer. Chateada, Hav segura a mão de Seth e o arrasta para longe da cena, parando apenas quando encontram a mesa com as bebidas. Renée está sentada ao lado, brincando com a barra da sua saia longa enquanto fala ao telefone. Ela sorri para a neta e aponta para uma bandeja com seis copos de limonada, os oferecendo. Seth é o primeiro a se servir e geme quando o liquido gelado escorre por sua garganta, amenizando os efeitos do sol.

— Gostoso. Tem álcool nessa coisa?

— É claro que não — Ela responde, rispidamente — Há crianças aqui.

— Ei, por que você está tão mal-humorada? Eu sei que o ideal era que ele voltasse sozinho, mas sabíamos que havia essa possibilidade e você parecia bem com isso.

— Eu só pensei que...

— Pensou que ele não tinha te superado, eu entendo, Lolita — Seth interrompe e aperta seu ombro com empatia, ignorando seu olhar que poderia fazê-lo cair duro e morto — Mason foi o seu primeiro amor, mas ele é um cara e eles apenas seguem em frente, sabe? Eu não duvido que você passe pela cabeça dele com frequência, mas o seu primo não é mais o adolescente daquela época. Ele é um homem que está ralando duro para se tornar um bom médico. Ele está focado em seu futuro.

Seth está certo, claro.

Ela realmente achou que saberia lidar com Mason trazendo uma mulher para casa, mas a realidade era amarga e muito diferente da sua imaginação. Hav apaixonou-se por seu primo várias vezes e em inúmeras ocasiões enquanto crescia. Ela esperou que fosse passar, principalmente quando outros rapazes começaram a chamar a sua atenção também, mas não, bastava Mason entrar no cômodo que todo o seu mundo voltava a girar em torno dele. Seus tios gostavam de fazer piada sobre a maneira como ela se comportava quando estava ao lado dele – sempre calma, serena, agradável, muito educada e principalmente carinhosa.

Essas eram características de Ava, não dela.

Hav está acostumada a ser a filha atrevida.

A que se mete em confusão, ri um alto demais, que é encontrada nadando na piscina de calcinha altas horas da noite e usa seu charme para se livrar dos castigos.

Mason foi um adolescente sério, muito diferente dos arruaceiros com quem ele andava na escola. Levava seus estudos muito a sério, valorizava cada momento com a família e frequentava a igreja religiosamente aos finais de semana. Ele era um bom rapaz e foi um ótimo exemplo para Hav – sempre ia seu socorro quando era chamado, lhe dava conselhos e a tirava de problemas sem que seus tios ficassem sabendo. Por sua prima ele mentia, faltava aula e se machucava.

Apenas por ela.

Eles despertavam o melhor e o pior um do outro.

— Eu sei disso, Seth, mas às vezes é difícil lembrar que o tempo fez mais do que nos afastar como amigos — Ela sussurra, usando o polegar para limpar a borda do copo — Nós mal nos conhecemos agora! E eu achei que teríamos as próximas semanas para nos aproximar e conversar sobre o que aconteceu, mas ele trouxe alguém. E ela é linda! O jeito como ela tocou seu braço... eles estão juntos.

— Vocês ainda podem se encontrar, Hav. Vocês são família.

— Exatamente, Seth — Ela ergue a cabeça e encara o seu melhor amigo, cujo o rosto murcha ao ver seus bonitos olhos castanhos cheios de lágrimas — Somos família e nunca passaremos disso. Eu deveria estar feliz por ele colocar um fim nessa fantasia de uma vez por todas, certo? Vamos sentar à mesa para jantar e ouvi-los falar de suas aventuras na faculdade. Seus planos para a vida de casal. As viagens...

— Você não sabe disso, Hav. Vamos lá! Talvez eles nem sejam tão sérios.

Mas eram. Tinham que ser.

Mason nunca trouxe uma garota para casa.

Ele não a apresentaria para os seus pais se ela só fosse mais uma.

Os sentimentos dela sempre foram platônicos. Haven nunca se atreveu a falar deles para qualquer um, embora sua mãe já tenha tentando arrancar isso dela algumas vezes. Ela presenciou os namoros relâmpagos do primo e foi bajulada na escola pelas garotas que a usavam como desculpa para se aproximar dele. Haven era vista como a irmã que ele nunca teve e isso doía porque ela queria muito mais que isso.

Ela percebeu que não poderia mais manter isso para si quando seu primo estava a seis meses de partir para a faculdade. Ela sabia que o perderia e tinha que tentar.

Foi desastroso.

Haven ligou para ele, pedindo para busca-la no cinema, pois tinha sido deixada na mão pelas amigas – tudo mentira, é claro. Mason a levou para casa lhe dando um pequeno sermão sobre o horário que ela tinha escolhido para sair e foi calado com um beijo inexperiente, um pouco atrapalhado, mas muito doce.

Por um breve e maravilhoso momento, ele realmente correspondeu. Segurou a parte de trás de sua cabeça com a mão e entrelaçou os dedos em seu cabelo macio enquanto apreciava os movimentos tímidos da língua de Hav em sua boca.

O barulho da porta de uma garagem sendo aberta os assustou.

Mason se empurrou para longe e Hav sentou-se para frente, tocando os lábios que ainda formigavam. Aquela sensação. Ali foi quando ela soube que tinha tomado a melhor decisão, que se cada parte do seu corpo estava reagindo a um simples beijo, ela estava ao lado da pessoa certa e que valia a pena arriscar tudo para tê-la.

Mas ele não pensava da mesma forma.

Sua única pergunta a deixou saber que ela tinha cometido um grande engano.

— Por que você foi fazer isso, Haven?

Aquela. Sensação.

Deus, como doía.

O prazer de antes desapareceu como a chama de uma vela ao ser assoprada. Mason estava olhando para ela magoado, como se ela tivesse acabado de cometer um crime. O calor subiu às bochechas de Haven, que não conseguiu segurar seu olhar e após soluçar um “desculpe”, chutou a porta do carro aberta e correu para fora.

Mason imitou o seu gesto e deu a volta no veículo em tempo recorde, alcançando-a no meio do caminho. Haven gemeu quando ele a segurou e virou seu corpo. Ela não estava chorando, mas parecia muito malditamente perto daquilo. Ele a abraçou e consolou quando percebeu seu corpo tremendo, sussurrou palavras de carinho que ela desejou fazê-lo engolir. Aquilo era humilhante.

Ela precisava de espaço.

— Eu estou b-bem. Você pode ir agora. Obrigada p-pela carona.

— Haven, ei, espere. Vamos conversar — Ele apertou seu braço com mais força quando ela tentou se afastar — Você precisa me explicar o que aconteceu ali.

— Explicar o que? Eu beijei você, Mae. Não porque tropecei ou te confundi com outra pessoa, mas porque eu quis. Eu queria você. Está óbvio o suficiente agora?

Ele pisca com espanto.

— Hav, querida, isso é errado — Ele explica após engolir — Você é uma...

— Não se atreva a me chamar de criança! — A loira rosna, se puxando para longe do primo que não tem outra escolha além de solta-la — Você já teve a minha idade uma vez e eu te vi com garotas. Não há nada de errado no que fizemos essa noite.

— Você perdeu a sua mente? — Ele grita, seus olhos se abrindo — Hav, nós somos parentes! Sem contar que há metade de uma década nos separando. Você e eu... isso? É errado em muitos níveis. Você... Jesus. Você precisa ficar longe de mim.

— Não se preocupe. Não há nada mais que eu deseje nesse momento.

Irritada e magoada, Haven se vira pela última vez e se apressa ao correr para longe.

— Maldição, espere! — Novamente Mason não tem dificuldade em alcança-la. Ele enrola o braço em sua cintura e a tira do chão para impedi-la de correr — Eu não quis dizer dessa forma. Olhe para mim — Hav luta, resmunga e chuta como uma criança faria, mas termina obedecendo e encarando seus olhos preocupados — Eu não quero te magoar, Hav, mas as coisas não podem ser como você quer. É apenas impossível. Isso entre nós? Seria problema e a minha vida está só começando. Trabalho, faculdade... eu não posso lidar com isso, não agora. Você me entende?

O coração dela afunda em seu estômago, mas sim, ela entende.

— Eu tinha que tentar.

Com o seu sussurro, os olhos de Mason amolecem e ele a abraça apertado.

Sabendo que deveria aproveitar a chance, Hav encosta em seu peito e respira.

— Sim, imagino que tinha. Eu amo você, garota. Sabe disso, não é?

— Sei que ama, Mae. Porque nós somos família. Você tem que me amar.

Ele sorri levemente e fecha os olhos.

— Por tudo, Haven. Eu te amo por tudo.

As coisas entre os primos não voltaram a ser as mesmas como eles planejavam. Era embaraçoso estar na presença um do outro porque parecia impossível impedir que suas mentes não viajassem de volta para o interior daquele carro. Eles foram ficando mais distantes com o passar das semanas e dos meses, mais ainda quando Mason anunciou para todos que não iria para a UCLA como o combinado, mas para a Universidade de Michigan do outro lado do país. Haven não protestou. Ela não lhe pediu para ficar ou perguntou seus motivos para querer ir embora – eles sabiam que aquela era a melhor decisão para todo mundo no momento.

Que a distância ajudaria a colocar as coisas de volta aos seus lugares.

O que obviamente não é verdade, do contrário, ela não sentiria seu coração ser quebrado a cada vez que tinha um vislumbre dele andando de mãos dadas com a sua nova namorada. Durante todo o churrasco, Hav e seu amigo fizeram o possível para não ser notados e muito menos permanecer em um mesmo lugar por muito tempo, o que não era fácil quando Edward estava sempre procurando por ela. Eles ficaram na mesa das crianças; ajudaram a cortar suas comidas e deram atenção as suas histórias que eram compostas mais por suas imaginações que a realidade, até que Rosalie se aproximou e lhes fez companhia. A mulher ainda era professora, mas tinha planos para se aposentar nos próximos 4 ou 6 anos e ela adorava reuniões como essa, quando toda a família se reunia com seus filhos. Ela sentia-se responsável por todos, do mais novo até o mais velho e ficava sempre circulando ao redor como uma mamãe galinha, se certificando que todo mundo estava bem.

Enquanto o seu marido era tranquilo e às vezes, até disperso, Rosalie era atenta e preocupada demais – principalmente com seu garoto mais novo, Adam. O casal já tinha perdido as esperanças de conceberem um filho da maneira convencional e estavam cogitando adotar mais um quando os sintomas surgiram. Certa de que não era gravidez, Rose procurou um médico imediatamente para saber o que estava errado com ela e recebeu a notícia de sua vida. A partir daquele dia, Emmett se recusou a deixa-la voltar a trabalhar e toda a gestação foi cheia de cuidados. Até hoje ele é tratado como se fosse de vidro e embora não haja distinção no amor que eles dedicam aos dois filhos, é nítido que Adam é especial.

Mason nunca demonstrou se importar, no entanto.

O garoto é o pequeno milagre deles.

Respingos de água sobre o seu rosto a trazem de volta ao presente.

Ela faz uma careta.

— Não seja um babaca, Seth! — Hav grita — Você molhou o meu cabelo.

— Garota, olhe essa língua — Carlisle repreende, tirando o rosto de dentro do livro que vem lendo há pelo menos uma hora — O seu amigo não fez por mal.

Calada, ela vira de costas para o avô deitado em uma cadeira reclinável e rola os olhos. Ele está com a filha de Alice espremida ao seu lado, profundamente adormecida após a leitura da sua história e Esme está logo na cadeira seguinte, retocando sua camada de protetor solar, os olhando com carinho.

— É claro que eu não fiz — Seth se defende — Onde molhou?

Hav faz beicinho e pega uma mexa de cabelo ensopada.

— O problema é que essa parte está molhada?

— Sim.

— Tudo bem.

Ele dá de ombros e mergulha sem mais nem menos.

Vendo que a piscina está ficando mais recheia com o passar dos minutos, Hav abaixa o corpo e nada em direção a escada, mas antes que possa alcança-la, seu pé é agarrado e a próxima coisa que ela sabe é que está totalmente submersa. Seus olhos se abrem e ela pega o sorriso sacana de Seth antes que ele nade para longe.

Ela emerge gritando e xingando o rapaz – que já está do outro lado, se acabando de rir – e ouve o suspiro do avô, mas desta vez ele não diz nada. Haven tenta alcançar Seth, mas ele desliza na água como um peixe e eventualmente, ela fica cansada. Depois de ameaçar a amizade deles, ela o ignora e vai conversar com Esme.

— Querida, o que foi? Você parece aborrecida — Haven olha para encontrar sua mãe em pé sobre a borda da piscina. Deus, como ela é bonita. Realmente não é à toa que seu pai fica atordoado quando ela está por perto. Até mesmo em um vestido simples e com os cabelos ao vento, ela parece maravilhosa — Está tudo bem?

— Sim, mãe, é apenas o Seth sendo uma dor na minha bunda como sempre.

Isabella sorri.

Ela é a única que não a corrige por sua linguagem.

A boca da mulher podia ser realmente suja em alguns momentos.

— Eu sei o que você quer dizer. O peguei cobiçando o seu pai pela terceira vez ainda pouco — Isabella rola os olhos, soando divertida, mas acaba soltando uma das suas risadas com a careta de nojo no rosto da filha. É por isso que Seth quase nunca é convidado para os eventos dos Cullen. Ele não esconde o apreço que sente pelos homens dessa família — Ouça, eu preciso de um favor. Você pode ir até a biblioteca pegar o presente do seu pai? Ava está ansiosa.

Claro, sua irmãzinha esteve contando os segundos desde que soube da surpresa que fariam para Edward durante o churrasco. Ela podia imaginar o quão trabalhoso estava sendo mantê-la quieta quando a própria não vê a hora de pegar no presente.

— Tudo bem. Para onde eu levo?

— Estamos na mesa perto do chafariz com seus tios — Isabella recua alguns passos, dando espaço para que a filha espalme as mãos na borda e impulsione o corpo para fora da piscina. Ela assiste, com um sorriso contido, Hav se ajoelhar e levantar em seu pequeno biquíni. Oh, ela estaria ouvindo algumas coisas do seu pai muito em breve... — Certifique-se de deixa-lo na caixa, ok? Ele não pode ver.

— Eu sei o que estou fazendo, mãe.

Hav sorri e pisca antes de correr pela grama em direção à cozinha.

Antes de entrar, ela ouve:

— Ei, é melhor você ter uma maldita toalha aí, Haven! — Isabella grita — Não se atreva a entrar pingando desse jeito, você me ouviu? Eu quero dizer isso!

Ela, de fato, deveria ter ouvido sua mãe.

Seria constrangedor que alguém tivesse presenciado todas as vezes que ela escorregou no piso até alcançar a biblioteca. Para ajudar, ela amarrou o cabelo em um rabo de cavalo alto depois de tê-lo espremido bem e enfiou-se em um kimono longo que alcançava seus pés, para absorver a água que escorria em suas costas.

Ela mal teve tempo de entrar no cômodo e uma pequena criatura peluda veio correndo para cheira-la. Haven sorriu largamente ao visualizar o filhote de cachorro agitando o rabo alegremente por finalmente ter companhia.

— Parece que você se divertiu aqui, huh? — Ela ri — Nossa mãe vai adorar.

O cão balança a cabeça com alegria enquanto ela olha o estrago no cômodo.

— Olá?

Ela pula.

Merda.

Aquela voz tem um arrepio correndo através da sua espinha.

Haven se endireita com o filhote no colo e toma uma respiração antes de se virar. Com isso, ela também tem que se esforçar muito para não perder o ar que acabou de pegar por vê-lo assim de perto e tão malditamente bonito. Mason ainda está com as mesmas roupas que chegou, mas agora ela pode perceber o quão bem o seu peito está preenchendo a camiseta e como os músculos dos seus braços estão mais salientes. Até mesmo os seus malditos ombros parecem mais atraentes. Ela não se atreve a descer os olhos para muito abaixo da sua cintura e sente uma contração na barriga quando foca em seu rosto e percebe o olhar intenso que ele está lhe dando.

— O que? — Ela encolhe os ombros ao ser pega o checando — Você parece bom.

— Obrigado. As pessoas em Ann Arbor têm me tratando bem.

Ele sorri com a lembrança do lugar onde tem vivido nos últimos anos.

— Eu posso ver, estranho. Você até mesmo trouxe uma delas para cá, certo?

O sorriso de Mason cai com a menção da namorada e ele suspira, diante do primeiro indicio que a personalidade de sua prima continuava difícil. Essa era uma das coisas que ele mais gostava em Hav – sua autenticidade. Ela falava o que vinha à cabeça, ria nos momentos mais inoportunos porque não conseguia segurar a si mesma e nunca mudou um fio de cabelo do lugar para agradar ninguém. Era bom estar ao lado dela, ensinar-lhe coisas e aprender também. Os dois nunca tinham um momento de tédio e ele gostava de não ter que dividir sua atenção com os outros.

Quando estavam juntos, Haven era dele.

Ele a viu como uma irmã mais nova até o começo de sua adolescência e achava que daí vinha o ciúme que sentia sempre que Aiden vinha com suas mães visitar seus tios. O garoto tinha uma queda descarada por sua prima e ela era a única a não perceber – ou ignorar – isso. Ele achou que estava sendo superprotetor como viu o seu pai ser a vida inteira com a sobrinha, mas naquela noite... após aquele beijo, ficou tudo claro como água. Mason gostava de Haven tanto quanto ela gostava dele e isso era nojento. Ela era só uma criança que estava confusa com seus sentimentos, suas mudanças e com a atenção especial que recebia dele.

Enquanto isso, Mason estava desejando coisas sujas com ela e sua boca atrevida.

Perceber que queria uma garota cinco anos mais nova assustou a merda fora dele.

— Só vamos ficar por algumas semanas. Você não tem que fazer disso um grande negócio, Haven — Ele começa, erguendo o braço direito e embrenhando a mão em seus cabelos loiros que precisavam de um corte — Nos dê uma chance.

— O que? Você espera que eu goste dela? — Hav pergunta soando como se ele tivesse perdido completamente o bom senso.

— Talvez. Por que não? Você certamente não pode continuar com isso.

— Isso? — Ela bufa, incrédula — Isso são os meus sentimentos! Os mesmos que você não levou em consideração antes de traze-la para cá.

Mason hesita em sua resposta porque sabe que ela está certa.

Ele estava muito nervoso sobre revê-la e apresentar Kylie à sua família, por isso não parou para pensar sobre como ela se sentiria com a situação. A verdade é que Mason esperava que ela o tivesse esquecido – que ele fosse o único a viver com as fantasias que o tem feito dobrar os joelhos todas as noites para se ver livre.

— Eu sinto muito, mas Kylie faz parte da minha vida agora — Ele suspira, sua cabeça pendendo ligeiramente para o lado — Olhe, eu senti a sua falta. Você parou de responder os meus e-mails e há um monte de coisa que eu gostaria de te contar.

Em silencio, ela o observa por baixo dos cílios espessos.

— O que isso significa?

— Que eu quero uma trégua. Nós fomos melhores amigos por anos — Por toda a vida dela, especificamente — Não podemos apenas colocar uma pedra sobre essa história e passar algum tempo juntos como nos velhos tempos? Não parece bom?

Má ideia.

Péssima ideia.

Ele deveria ter sido legal, educado, mas distante e não encoraja-la a fazer-lhe companhia durante suas férias. Contudo, Mason não podia evitar querer estar perto da jovem. Ele não mentiu quando disse que sentiu saudades. Todos os dias.

— Eu gostaria disso. — Ela finalmente responde após um momento.

— Bom.

— Mas seremos só nós dois, certo?

— Haven... — Ele avisa, achando graça do seu olhar esperançoso.

— Eu entendi. Não estou tentando forçar a barra, mas também não vou concordar em ir a programas com vocês juntinhos, Mae.

O uso do seu apelido de infância o faz abrir um sorriso lento e extremamente belo.

Mason podia não carregar os genes dos Cullen, mas ele não deixou a desejar e os anos estavam sendo generosos com ele. O homem possuía um rosto com uma pele impecável, doces olhos marrons, sobrancelhas grossas e apenas um pouco mais escuras que seu cabelo – que era uma bagunça dourada, com mel e castanho – liso e um pouco longo, alcançando sua nuca. Combinava com ele, assim como a sombra de uma barba escurecendo o seu maxilar, que o fazia parecer mais velho. Mason era um homem grande, sua altura era semelhante a do pai e ele possuía mais massa muscular agora, preenchendo bem sua calça e camisa. Ela tinha quase certeza que se o visse de costas, confirmaria que sua bunda parecia tão boa quanto o resto.

— Muito bem. Seremos só nós dois.

— Bom — Ela imita com alguma arrogância, tentando disfarçar o nervosismo. As coisas mudavam muito rápido entre eles — Eu não vou causar problemas. Embora quisesse que as coisas fossem, você sabe, diferentes... fico feliz que tudo está funcionando para você, mesmo que isso o mantenha longe de todos nós.

O homem assente sentindo a sinceridade das suas palavras aquecerem seu peito.

Deveria ser ruim ouvi-la dizer que queria mais dele, mas não era em tudo.

— E para você? — Pergunta Mason, se aproximando pela primeira vez.

— O que?

— As coisas têm ido bem?

Era sua imaginação ou havia um toque de irritação em sua voz?

E por que ele estava lá?

Haven dá de ombros e se vira, começando a arrumar a pequena bagunça que o cão fez na biblioteca. Algumas das almofadas do sofá estavam no chão, enquanto outras só fora de lugar e havia bolas de papeis espalhadas, bem como rasgadas com mordidas, por terem caído do cesto de lixo tombado ao lado da mesa.

— Eu não vou falar disso com você.

— Por que não? Há alguém?

— Isso não é da sua conta.

— Me responda! — Ele grita, perdendo sua máscara de desinteresse. Hav pula com o susto e volta a ficar de frente para Mason que, diante da sua falta de resposta, se aproxima e não para até fazê-la recuar e bater com a parte de trás das pernas na borda do sofá ao canto — Me diga, você pertence a alguém agora?

— Sim, a mim mesma — Diz ela, com orgulho — Você sabe que os nossos pais fazem o impossível para que isso não mude e eu não estou realmente procurando um relacionamento. Vou para a faculdade ao que vem. Não seria justo começar algo logo agora, certo? — A loira tenta desconversar.

O rosto de Mason sofre uma segunda mudança repentina, mas desta vez ele relaxa, parecendo muito satisfeito com a escolha de palavras de Haven.

— Nossos pais ainda te impedem de namorar.

— Eles tentam — Ela franze o cenho — Por que isso agrada você, afinal?

— Eu sempre te disse para focar nos seus estudos.

— É claro — A moça rola seus olhos castanhos, semelhantes ao dele, com descrença. Ele estava ficando ciumento! — Mas não há pressa. Eu terei tempo para isso. E uma infinidade de opções em alguns meses.

— Haven! — Ele rosna, sua mão direita se fechando em punho — Se você pensa...

Sua frase é interrompida por uma maldição e quando o olhar de Haven cai para o chão, ela registra o cão abaixar a perna e correr para longe depois de fazer xixi em Mason. Ela imediatamente cobre a boca com as mãos, sentindo os risos borbulharem para sair, mas nem assim ela consegue disfarçar o seu divertimento.

— Isso não é engraçado!

— Hum... na verdade, sim, é.

— Eu não acredito nessa merda. Olhe só... — Mason diz com uma careta enquanto avalia os estragos na perna da calça — Desde quando vocês têm um cachorro?

— Oh, ele chegou na noite passada e estamos mantendo-o escondido aqui desde então — Hav explica, afastando-se do sofá para recolher o resto do lixo — É um presente para o papai — Ela para e o olha — Você, hum, precisa de uma toalha?

— No que ela ajudaria? Ele ensopou a minha calça. É impossível mantê-la.

— Então tire-a.

Por reflexo, ele abre a boca para responder, mas a fecha.

— O que?

— Eu disse para tira-la. Você pretende ir ficar com a sua Kylie — Ela tenta pronunciar o nome da moça sem expressar seu desgosto — Fedendo desse jeito? Tire-a. Eu pedirei a tia Rose para lhe trazer uma muda de roupas limpas.

Mason apenas a olha como se tentasse decifrar um cálculo difícil.

— Então?

— Isso é alguma brincadeira para se vingar de mim?

Haven começa a rir.

— Claro que sim! Eu adestrei um filhote de cachorro para que ele mijasse em você e conseguisse deixa-lo seminu no meio da biblioteca da minha mãe — Concorda a garota com ironia enquanto gira os olhos pela décima vez — Não seja ridículo.

Mason assente com relutância.

Suspirando como se não acreditasse em sua situação, ele leva ambas as mãos até o botão da calça e trabalha nele para abri-la, sentindo-se cada vez mais nojento.

— Você vai ficar aí olhando?

— Não é como se eu nunca tivesse te visto sem elas, mas não — Ela faz descaso, embora estivesse morrendo de vontade de vê-lo mostrar um pouco mais de pele e se vira na direção oposta, dando-lhe privacidade. Ela imediatamente encontra o cão erguendo a perna para a cortina sobre a segunda janela à sua esquerda e grita — Hey, não! Cachorro mau! O que diabos você bebeu?

A loira corre atrás dele que, assustado, corre para se esconder embaixo da mesa. Segurando o riso, ela alcança o peludo pela pata com cuidado para não machuca-lo. Quando se ergue com o bicho em seus braços, encontra Mason com as calças abertas – exibindo parte de uma boxer Calvin Klein –, o cinto pendurado e um olhar luxurioso em seu rosto direcionado totalmente a ela.

— O q-que? — Hav gagueja, sua voz um pouco rouca e emocionada por estar sendo observada daquela forma pela primeira vez – por ele. Finalmente.

O olhar quente de Mason cai sobre os seus seios fartos e ela, então, percebe que seu kimono abriu durante a sua breve corrida e agora o seu corpo, dentro de um dos mais bonitos – porém menores – dos seus biquínis, está em exibição para ele.

Eu tenho a sua atenção agora, senhor?

— Você... mud-, quero dizer, cresceu.

Haven grita por dentro. Sua voz deixou transparecer exatamente o que ele sente.

— Sim, Mason. Eu fiz. E passou da hora de você entender que eu não sou mais a garotinha que você fez chorar na calçada após o seu primeiro beijo.

Aquela pequena informação o faz mudar de foco.

Surpreso, ele estuda o rosto da prima.

— Eu fui o seu primeiro?

As bochechas de Haven queimam.

Oh, ótimo!

Agora ela realmente o convenceu de que que era uma pirralha quando o beijou.

— Eu tenho que ir. Os meus pais estão me esperando — Ela anuncia, fugindo do seu olhar atento e curioso por novas respostas. Agarrando o cão – que silencioso observava a interação entre os dois – apertado contra o peito, a loira força as suas pernas a funcionarem e se apressa em direção à porta — Não se preocupe. A tia Rose em breve estará aqui com as roupas. Onde você deixou as suas coisas?

— Hum... na sala. A mala cinza é a minha. Kylie tem suas coisas numa mochila.

— Certo.

— Haven, espere!

A ordem a paralisa, mas não por suas palavras, mas pela mão dele segurando o seu antebraço logo que ela passa ao seu lado. Os olhos dos dois se encontram e caem juntos sobre as peles se tocando pela primeira vez, a o que parece, uma eternidade. O braço de Haven é aquecido, seu batimento cardíaco acelera, enquanto a palma da mão dele fica ligeiramente úmida e seu estômago se agita diante do nervosismo que ela demonstra ao ser tocada por ele novamente – a sensação é boa. Muito boa.

— Me responda antes. Eu fui o primeiro?

— Você não está um pouco atrasado para isso? — Ela não entendia por que ele estava fazendo tão curioso sobre algo tão... bobo — Essa era a última preocupação em sua mente naquela noite.

— Não. Você sabe que não foi assim.

— Sim, foi. Em um momento, você estava me beijando de volta e no outro? Parecia que não conseguia se livrar de mim rápido o suficiente. Nos dias seguintes, você me evitou porque estava com medo do que aconteceu caísse nos ouvidos deles.

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— Mas é claro que eu estava preocupado — Ele grita — Você era um bebê!

Fazendo careta com a frustração queimando seu âmago, ela puxa para longe dele.

— Bem, o seu segredo está claramente à salvo comigo, mas se quiser mantê-lo dessa forma, eu te aconselho a ficar fodidamente longe de mim, Mason.

Então ela sai.

Mason tenta alcança-la novamente, mas ela é mais rápida e escancara a porta.

— Hav, por favor... apenas — Ele suspira, cansado de brigar sempre que o assunto vem à tona — Apenas me responda. Eu fui o seu primeiro?

— Sim! Você foi e arruinou isso.

************

O resto do churrasco ocorre sem problemas.

Alguns convidados já haviam partido quando Haven volta para o jardim. Ela eleva o rosto para o céu e xinga, quando percebe que saiu sem a caixa do cão e as pessoas estavam começando a olhar. Por sorte, seu pai estava de costas sentado à mesa mais próxima do chafariz e ele não a vê chegando como os outros Cullen.

Alice descansa a cabeça no ombro do marido que observa a filha correr em direção à piscina e se jogar nela; Esme que também sentada ao lado do seu esposo, parece chocada com a história que uma Renée um pouco alegre demais está lhe contando. Carlisle está debatendo vigorosamente sobre o resultado – que segundo ele, é injusto – do jogo de ontem com Emmett, que por sua vez, está novamente comendo e continua ignorando Rosalie e suas tentativas de empurrar um pouco mais de salada em seu prato. Isabella, diferente de todos eles, está agachada ao lado da cadeira do marido que tem sua atenção toda sobre ela. A maneira como ele sorri enquanto ela fala faz com que o rosto de Haven se imune com seu próprio sorriso.

Os dois cresceram, trabalharam e envelheceram juntos, mas nunca cansaram um do outro. Haven não compartilhou dos dramas das suas amigas com pais divorciados ou presenciou crise no casamento deles. Ambos tinham, sim, suas discussões bobas e às vezes até acaloradas, mas por motivos banais e nunca houve outras pessoas. Edward tinha um grande orgulho da profissional, mãe e esposa que Isabella se tornou – a exibia para todos. Ela também não era diferente. Estava sempre dando o seu melhor para que o marido tivesse os melhores momentos ao lado dela e das filhas, para ele sempre estar ansioso sobre voltar para casa ao sair.

Edward segura sua mão, a aproxima da boca e a beija com cavalheirismo.

O sol banha a pele dela chamando atenção para a cicatriz em seu braço.

Isabella a possui há cerca de treze anos. Haven tinha apenas quatro na época em que o acidente aconteceu e suas lembranças não são nítidas, mas a história foi contada muitas vezes. Ela estava febril e tinha mantido sua mãe acordada a noite toda. No dia seguinte, Edward se ofereceu para trabalhar em casa e manter o olho na filha, liberando sua mulher para ir para o escritório. Isabella não queria ir, no fundo, ela parecia estar tendo um pressentimento que, pelas circunstâncias, foi erroneamente direcionado à Haven. O advogado estava alimentando sua bebê quando o rádio tocou a melancólica música do Pearl Jam “Last Kiss” que uma vez foi sua favorita e dava sentido a pulseira que Isabella usava com tanto carinho, mas naquela manhã? Tudo que a canção lhe deu foi arrepios. Enquanto o cantor lamentava que o Senhor tinha levado o seu amor, o coração dele ficava mais apertado e quando Eddie Vedder falou sobre como sua amada lhe pediu por um abraço e ele a beijou pela última vez, Edward agarrou o telefone e ligou para a esposa. Para o seu desespero, ela nunca atendeu naquele dia. Meia hora mais tarde, ele já sabia que ela nunca chegou ao escritório, pois seu carro havia atingido por outro e Isabella encontrava-se no hospital com ferimentos leves. Ela sabe que quase lhe deu um ataque cardíaco naquele dia, mas o quase acidente apenas os uniu mais. Em toda sua vida, Haven nunca viu casal mais unido e apaixonado.

O sorriso de loira muda para um de desculpa quando Isabella olha de lado e a vê se aproximando com o cãozinho nos braços. Ela imediatamente se inclina e o beija para distrai-lo e oh, Deus, como funciona. A garota rola os olhos quando seu pai segura os lados da cabeça dela e aprofunda o beijo, ignorando o resto deles.

— Own! Onde você encontrou essa beleza? — Alice arrulha, olhando para Hav.

— É um presente — Ela informa. Sua voz chama a atenção de Edward que relutantemente se afasta da esposa e a deixa levantar para ficar atrás de sua cadeira enquanto Hav se aproxima — É para você, papai. Feliz aniversário adiantado!

Todos eles caem na risada quando o cachorro pula dos braços de Haven para o colo do advogado como se soubesse que tinha sido apresentado. Imediatamente, o filhote de labrador começa a cheira-lo por toda a parte e sacudir o rabo com alegria.

— Ei, rapaz, como você se chama? — Edward pergunta, coçando suas orelhas e fazendo com que o cão fechasse os olhos de prazer. Isabella ri para a cena e acaricia a nuca do marido, admirando-o com o seu novo companheiro — Babe, ele é igual...

— A Amanda, eu sei, querido — Gentilmente, ela o interrompe — Você adora animais e vem falando dela desde que nos conhecemos, temos uma grande casa e Lola se foi há algum tempo, então nós decidimos que estava na hora de abrirmos espaço para um novo integrante na família. Eu diria que você pode nomeá-lo, mas Ava pegou esse trabalho para si e eu simplesmente não pude negar.

— Você nunca consegue dizer não — Haven rola os olhos ao abraçar a mãe por trás — Queríamos esperar até o mês que vem, mas...

— Sim, Edward, é uma pena que não estará em casa no seu aniversário. — Esme lamenta com simpatia, ciente que seu filho irá viajar à trabalho com seu amigo e sócio Ravi, na semana do seu aniversário e por dias ficará longe de casa.

— Papaaaai! Ei, papai! — Ava vem gritando no topo de seus pulmões. Alarmado, o advogado se endireita na cadeira, mas suspira de alivio quando vê o grande sorriso que sua filha carrega no rosto. Ela tenta desacelerar quando se aproxima das pessoas, mas se Edward não usasse as mãos para pega-la, ela o atingiria como uma bola de canhão — Você conheceu Opie! — Ela celebra — Você gostou dele?

— Opie? — Ele repete com ceticismo, claramente não aprovando o nome pouco viril que sua filha deu ao cão da família. Ava abre bem seus olhos verdes e ansiosa, engole seco ao esperar por uma resposta — É claro que eu gostei, pequena. É perfeito. As mulheres da minha vida me conhecem melhor que qualquer um.

— Yayyy! — Entre suas pernas, ela ergue os braços e salta para cima e para baixo, comemorando por ter acertado no presente — Era para ser um irmãozinho, mas a mamãe disse que não era possível. Ela disse que você ficaria feliz com Opie.

Isabella bufa para a filha e toda a mesa ri junto.

A morena teve as mãos cheias cuidando das suas filhas e ela, provavelmente, se recusaria a tentar novamente, embora saiba que Edward gostaria disso. Ele e sua irmã presentearam os Cullen com lindas garotas, enquanto Emmett foi o único a trazer um garoto para a família e isso gerou uma competição entre os casais sobre qual seria o próximo, mas nenhuma outra criança foi concebida.

E estava tudo bem.

Eles não poderiam estar mais satisfeitos do que agora.

— Sim, a sua mãe estava certa. Vocês duas são mais do que suficientes para mim, mas esse carinha com certeza nos dará um monte de diversão — O advogado aperta e segura a ponta do nariz de Ava, que faz uma careta, mas não se afasta, temendo que o pai roube seu nariz — Muito obrigado, garotas — Ele sorri para as três, mas é rapidamente distraído por Opie quando ele se ergue em seu colo e coloca as patas dianteiras na mesa, tentando subir para alcançar a comida — Hum, Ava? Por que você não o leva para conhecer Adam antes que ele roube toda a nossa comida?

— Como se Emmett fosse permitir — Jasper ironiza para o quanto seu cunhado comeu desde que se sentou com eles — Quase não há mais nada!

Ava começa a rir – o som melodioso colocando sorriso no rosto de todos.

Ela era uma menina muito linda.

— Sim, pequena, o leve para conhecer os outros, mas fique longe da piscina.

Ava ergue a cabeça e olha para trás, balançando a cabeça para a mãe. Desajeitadamente, ela toma Opie dos braços do pai e grita quando o cãozinho começa a lambe-la imediatamente. Conversando com ele, ela faz o seu caminho em direção ao grupo de garotos onde Adam está brincando.

— Onde está o seu amigo? — Edward pergunta, tocando na perna de Haven.

Ela pisca, só lembrando agora que deixou Seth há um tempo considerável.

— Eu não sei, pai.

— Acho que o vi entrando na casa — Renée diz, então vira-se para Rose — Você deveria ver se aquela pobre menina precisa de alguma coisa. Ela está sozinha.

Kylie. É claro.

Eles a deixaram, imaginando que Mason retornaria logo e ele...

Merda.

— Hum, tia Rose? O Mason teve um... problema na biblioteca. Você poderia levar algumas roupas limpas até lá? — Dando um sorriso amarelo, ela ignora os olhares confusos dos tios, se abaixa e beija o topo da cabeça do pai — Vejo vocês depois.

Haven encontra Seth cochilando em uma das espreguiçadeiras em frente a piscina. Ela reclama sobre os perigos de ele estar exposto ao sol há tanto tempo e lhe oferece algum protetor solar – o que ele recusa, não disposto a se mover dali.

É exatamente quando Mason está voltando com sua mãe e namorada para o jardim, que ela está esguichando o creme em suas mãos para aplicar nas costas do melhor amigo. Intrigado, ele para de andar de repente, fazendo Kylie tropeçar e observa.

Escondendo um sorriso, Haven encosta as mãos sujas com o creme nas costas quentes do rapaz, que – assustado com o frio repentino – pula de uma maneira não muito masculina, mas é óbvio que Mason não nota isso porque sua carranca só se torna maior a medida em que ela massageia a carne dos braços de Seth.

Ela não ergue o olhar novamente até a pele de Seth está completamente seca, mas quando o faz, encontra Rosalie se inclinando para sussurrar algo no ouvido de Mason e, o que ela diz desmancha sua cara feia e um sorriso lento se espalha por seus lábios. Então os olhares deles se encontram. Parecendo novamente muito bem consigo mesmo, Mason pisca para ela antes de envolver um braço na cintura de Kylie, arrastando ela rumo à mesa onde todos os Cullen estão reunidos.

Bastardo.

As horas seguintes são lentas, embora todos estejam tendo um bom momento.

Eles voltaram a discutir sobre as férias que todos estavam tirando para comparecer às Bodas de Safira de Isabella e Edward em dois meses. Era quase inacreditável que estavam completando dezesseis anos de união. Embora estivessem ansiosos para o casamento, ele só aconteceu na primeira semana de setembro quando Haven já tinha feito o seu primeiro aniversário. Enquanto as mulheres da família insistiam em algo grandioso, Isabella queria o simples e aconchegante, principalmente quando seu noivo tinha lhe dado carta branca sobre isso – ele não estava interessado sobre onde se amarraria a ela, desde que fosse feito e logo.

A cerimônia aconteceu no final da tarde e a recepção à noite no Sodo Park, em Seattle. Mesmo que contrariadas, Alice e Esme ficaram muito satisfeitas com a escolha quando viram tudo pronto na estrutura. As vigas expostas foram suavizadas pelo trabalho magnifico do florista e da decoradora que utilizaram uma mescla de cores fortes e muito delicadas dando um ar sofisticado ao rústico lugar. Quando o casal chegou, todos já os esperavam armados com câmeras, celulares e arroz. Isabella usava um vestido sereia com alças, renda guipir que marcava bem as linhas do seu corpo, cinto fixo bordado com cristais e decote traseiro que revelava parte de suas costas e nuca, em evidencia pelo cabelo preso em um coque baixo. Edward, por sua vez, usava um bonito e caro terno azul marinho, gravata slim e sapatos escuros. Seu cabelo estava em ordem simplesmente porque o ruivo não precisou esperar ansioso para sua noiva subir ao altar. Sua maior espera foi vê-la finalmente pronta e ele gostaria de não ter sido filmado com os olhos turvos de lágrimas ao ficar frente a frente com Isabella. Ela parecia romântica, sexy e madura. Ao longo da noite, Edward esteve constantemente a lembrando disso com sussurros em seu ouvido. Várias fotos foram tiradas, desde as planejadas com a família, os padrinhos e amigos, até de Emmett empurrando o rosto do irmão no bolo de quatro andares.

Enquanto Isabella girava nos braços do marido, após a valsa com Charlie, em meio a tantos outros casais dançando, ela podia sentir seu dedo formigar com o acréscimo da aliança também de ouro rosa, mas com meio círculo de diamantes com lapidação brilhante. Sempre que olhava ao redor, encontrava a filha no colo de Rose, sendo entretida por Mason – que estava a cópia do pai – e quando erguia o rosto, via Edward prestando atenção nela. Só nela. A morena corava, mas abria um sorriso de orelha a orelha porque ele merecia saber o quão realizada ela estava.

O coração de Isabella doía de felicidade quando chegaram em Maui.

A segunda maior ilha do Havaí foi a escolha de Edward para a sua lua de mel.

E era para onde ele estava levando sua família para celebrar.

Carlisle monopoliza a atenção do neto por um bom tempo, revivendo seus tempos de faculdade através das memórias e experiências de Mason. Seguindo passos semelhantes aos dele, o jovem de 23 anos está estudando para se tornar um cirurgião cardiovascular – o que deu muito orgulho aos seus pais e avós. Emmett lhe faz perguntas inconvenientes sobre as atividades que ele tem feito para aliviar o estresse de se tornar um médico, o que faz o filho rolar os olhos, os homens rirem, Kylie corar como uma virgem e as mulheres reclamarem. Eventualmente, o rapaz se cansa de tentar se dividir para todos e pede licença para passar um tempo a sós com a namorada. Todos, exceto Rose – nada à vontade, por sinal –, na mesa fazem sons maliciosos para os dois e os observam entrar na casa de mãos dadas.

Sentindo seu estômago embrulhar, Haven desvia o olhar e pisca as lágrimas.

— Essa merda é muito errada! — Seth protesta, sussurrando para que não seja pego falando palavrão pelas crianças que estão correndo com Opie — Você não merece esse drama. O que esse cara está pensando?

— Ele não sabia...

— Você só deu uma olhada no pacote dele e está o defendendo agora? — Ele arqueia uma sobrancelha, a fazendo rir ao se referir às calças abertas do Mason mais cedo na biblioteca — Ele está fazendo jogos! Eu não gosto disso.

Ela suspira.

— Mason só está fazendo o que eu pedi, Seth. Eu estava com raiva e disse para ele ficar longe de mim. Eu o afastei e lhe dei passe livre para... ficar com ela.

Não que Haven tivesse alguma esperança que as coisas mudassem.

Seu primo agora era um homem que a via como uma adolescente hormonal.

Sua visão sobre ela não evoluiu tanto.

— Você sabe o que? Vamos dar o fora daqui — Seth se levanta e passa a mão pelos cabelos, agitando os fios ainda molhados na parte de trás. Haven o olha sem se mover, se perguntando o que diabos ele está falando — O cara é bonito, eu vou dar isso a ele, mas ele está te deixando desconfortável em sua própria casa e isso não é comportamento de um homem que você enche a boca para dizer que ele é!

— Eu não acho que...

— Eu não dou a mínima, garota, agora ponha a sua bunda em movimento — Ele bate as mãos uma na outra, apressando-a. Hav solta outro risinho, mas dessa vez obedece e o segue — Vá pôr alguma roupa. A minha mãe está fora essa noite. Podemos tomar algumas doses, ver um filme e mais tarde te trago de volta.

Aquilo soava como um plano.

Haven não tinha o habito de beber, mas não quer dizer que ela não faria quando visse que era necessário. Tinha certeza que um pouco de álcool distrairia o sacana do seu coração por um tempo e isso era o máximo que ela poderia pedir agora.

— Você trouxe a sua moto — Ela constata ao vê-lo montar. Isso não era uma boa ideia. O seu pai quase teve um AVC quando a viu sobre ela uma vez — Não podemos caminhar até a sua casa? Eu vi você roubar um drink de Renée.

A risada de Seth preencheu o lugar.

— Eu dirijo muito bem com mais do que isso no meu sistema.

Ele ligou a motocicleta e usou os pés para empurra-la para trás até ser capaz de fazer a curva. Uma vez fora da garagem, ele pegou o capacete enganchado no retrovisor e fez uma careta por não ter trazido um reserva.

— Pior ainda — Hav diz, exasperada, mas pega o capacete quando ele estende para ela. Seth morava perto. Eles não pagariam nenhum transito. Estaria tudo bem, desde que seus pais não a pegassem — Que seja. Faça isso rápido.

— Sim, senhora.

Haven sobe atrás dele e enfia o celular dentro do sutiã do biquíni.

Eles mal têm acabado de sair quando a aparelho começa a vibrar, assustando-a.

— Merda. A minha mãe está ligando. Você acha que ela nos viu?

— Ela o que? — Seth pergunta e vira o rosto de lado, para olhar Hav e tentar ler seus lábios – o vento em seus ouvidos não o deixou escutar — O que você disse?

A loira guarda o celular e ergue a cabeça para responder, mas seus olhos quase pulam para fora do rosto quando ela vê uma caminhonete descendo de sua vaga para a rua no exato caminho para onde Seth está os levando, mas ele não tem ideia.

— Vire! Para a esquerda! Para a esquerda agora!

Tudo acontece em segundos.

Seth vira, confiando na palavra dela e quando olha para frente, por pouco não engole a língua por tão perto eles terem chegado de bater na lateral da maldita caminhonete que só para quando a moto derrapa e derruba dos dois. Haven grita e rola na pista, até parar no meio fio. Ela ouve seu amigo gritar alguns palavrões, xingando o motorista, mesmo quando ambos estavam errados, mas ela só conseguia se concentrar na ardência dos seus braços e joelhos. Sua blusa de alças e o short não tinham feito nada para poupa-la dos inúmeros arranhões.

A senhora que mora em uma das últimas casas da rua, se aproxima dela e recomenda que Haven fique sentada até a ambulância chegar, mas ela se recusa. Não era para tanto. O capacete a protegeu de uma pancada e ela estava grata que eles não estavam indo tão rápido quanto havia pedido, mas foi um tremendo susto.

Hoje não era o seu dia.

Seth parecia bem, embora tenha um corte no queixo. A moto teve uma parte da tintura danificada, mas o motorista da caminhonete se ofereceu para pagar por isso – ele estava muito assustado por ter alguma culpa no acidente que feriu dois adolescentes, principalmente quando um deles era filha do advogado Cullen.

— Eu sinto muito. Eu realmente sinto, Hav. — O garoto geme, abraçando-a.

Ela não queria ser tocada agora porque tudo ardia, mas lhe disse que estava tudo bem e o acalmou. Seth tinha feito besteira, uma em que os dois podiam ter saído seriamente feridos e foi exatamente o que Edward gritou quando foi buscar a filha. Ele estava furioso! Até mesmo com ela, mas engavetou a raiva quando a viu sangrando. Ele queria arrasta-la para o hospital, mas Hav pediu para voltar, pois seus ferimentos eram superficiais e um banho resolveria.

Sua casa estava vazia de convidados quando eles chegaram. Suas avós estavam fazendo a limpeza no jardim, recolhendo o lixo enquanto os caras levavam o aparelho de som, churrasqueira e as outras coisas para seus lugares. A comoção foi grande ao vê-la voltar como aquela bagunça, mas Hav repetiu que estava bem e correu para o andar de cima. Depois de mandar uma mensagem para saber se Seth chegou ok, ela entrou no banheiro e mergulhou na banheira. Sua mãe ficou do outro lado de fora fazendo perguntas e certificando que ela não precisava de nada.

Isabella vai no guarda-roupa da filha e escolhe um pijama, como fazia quando ela era pequena e arruma a sua cama para espera-la. Quando limpa e vestida, Haven se senta no colchão de costas para a mãe e fecha os olhos enquanto tem o seu cabelo penteado. A escova massageando seu couro cabeludo é relaxante, enquanto a sensação é muito nostálgica. Elas conversam pouco, principalmente porque Haven parece exausta e até mesmo recusa o jantar, ignorando o olhar feio da mãe.

— Eu vou fazer-lhe um lanche — Isabella afirma com a voz que desafia Haven a dizer o contrário — E trarei com algum Advil para a dor. Eu já volto, querida.

A loira suspira ao ouvir a porta bater e se joga na cama, gemendo pela terrível ideia. Ela se sente como se tivesse tomado uma surra, embora a água quente tenha feito seu trabalho em relaxar um pouco os músculos. Logo o cansaço a vence e Hav começa a piscar para o teto cada vez mais lentamente, até que tudo fica escuro.

Um peso afundando ao seu lado a faz se mexer e lutando contra o sono, ela move as pálpebras pesadas para encontrar Mason sentado ao seu lado, observando com o cenho franzido. Ela, por sua vez, sorri... mas quando sua carranca se aprofunda, Haven percebe que não se trata de um sonho e engasga, sentando-se bruscamente.

— Você certamente sabe como acabar com uma festa.

— Merda! — Suspirando, ela toca uma parte frágil das suas costas. Não tinha dúvidas que um hematoma estaria ali amanhã — O que você está fazendo aqui?

— Trouxe os remédios — Ele bate na pequena maleta repleta de suprimentos para primeiros socorros em seu colo — Também vou cuidar dos seus machucados.

Ela balança a cabeça, discordando.

— A minha mãe disse que cuidaria disso. Você pode ir embora.

— A comida está lá — Ele vira a cabeça e aponta com o queixo em direção à bandeja no pé da cama com um sanduíche cortado ao meio, um copo de suco e um iogurte — No que você estava pensando para subir na moto daquele cara?

A mudança brusca em seu tom faz o sangue dela esquentar.

— Eu já fiz isso outras vezes, Mason. Foi um acidente! E você não tem o direito de me questionar — Ela se defende, atirando punhais com o seu olhar — Eu disse mais cedo para ficar fora longe de mim, ou seja, também não se preocupe comigo.

— Bem, parece que eu preciso! Você assustou a merda fora do seu pai hoje. De todos nós, aliás — Ele acusa, a fazendo engolir a culpa com força — Motos são perigosas. Andar nelas vestindo quase nada? É loucura! Eu deveria estar grato pelo seu amigo ter tido o bom senso de dar-lhe o capacete, certo? Você teria ido sem.

— Sim, eu teria e você quer saber por que, Mason? Porque você e a sua estupida namorada estavam me constrangendo na minha própria casa! — Ela grita, empurrando-o para fora da cama. Pego de surpresa, o rapaz deixa a mala cair no chão, mas se equilibra da beira da cama — Eu não podia subir e me trancar sem que viessem me perguntar o que estava errado e eu não ia conseguir ficar com eles ouvindo a risada de Kylie a cada vez que você a beija no pescoço porque ela sente cócegas como uma maldita criança! Eu precisava fazer o que você não fez.

O corpo dele aperta. Todos os músculos tensos.

Mason esfrega o rosto com ambas as mãos.

Ele não parece saber o que diabos fazer.

— Isso é o que você realmente quer?

— Eu quero que alguém que não seja você venha cuidar de mim — Ela muda de assunto, chutando a coberta para longe — Há mais dois médicos nessa casa.

O olhar dele foi atraído para as suas coxas firmes e nem mesmo os arranhões nas pernas foram capazes de desviar a atenção de sua pele dourada. Qual seria o gosto?

O biquíni provocador havia dado lugar a um pijama constituído por uma blusa de alças e um pequeno short de algodão indecente de tão pequeno. Seu cabelo estava úmido e ela cheirava a frutas frescas. Mason não pôde evitar fechar os olhos por um instante e inspirar. Ele sentia tanta falta desse cheiro em seu travesseiro.

Quando seus tios tinham que estar em algum lugar e Haven ia dormir em sua casa com a irmã, eles sempre compartilhavam seu quarto. Não havia malícia naquele tempo, apenas a necessidade de estarem sempre no mesmo espaço. Mason lembra de o advogado mencionar muitas vezes o aroma de pitanga que sua esposa emanava e achava épico que a filha mais velha carregasse a mesma característica.

Agora mesmo ele queria se inclinar e enterrar o rosto em seu pescoço.

— Jasper agradeceu quando me ofereci para ajudar. Sua filha já havia adormecido e Alice estava com enxaqueca — Ele explica com um suspiro pesado, indicando sua falta de paciência — O vô Carl não era uma opção. Ele bebeu demais.

É claro. Isso era o quanto ela tinha sorte.

— Que seja, me dê as coisas, então — Hav teima — Você não precisa ficar.

— Haven, pare! — Mason grita, fazendo-a pular — Eu estou aqui porque quero. E eu não quero ficar longe de você agora, ok? Eu deveria, mas não quero, porra.

O coração dela parece estar golpeando suas costelas.

O que ele está fazendo, afinal? Tentando roubar-lhe o juízo? Não, chega disso.

— Eu estou farta dessa merda, Mason — Haven rosna, se colocando de joelhos para empurra-lo novamente, mas ele agarra seu braço — Vá embora! Eu não vou deixa-lo foder a minha mente de novo! Você é frio e quente. Em um momento, me olha como se quisesse um pedaço e no outro está com as mãos sobre ela. Isso...

— Não é justo, eu sei — Ele interrompe, apertando os pulsos dela e Haven segura um gemido. Mason parece atormentado com o que está fazendo e sentindo. Sim, ele se importa com ela e não quer machuca-la, mas ele fará se não a deixar em paz. O acordo de paz? Nunca iria funcionar — Eu sinto tanto a sua falta que às vezes parece que deixei a porra do meu braço direito aqui, Hav. Você era a minha melhor amiga e porra, eu gostaria de ser capaz de vê-la assim de novo, mas só assim e não como o melhor par de lábios que eu já beijei! Eu sinto o meu coração na garganta a cada vez que o meu pai e me liga e tudo porque eu acho que ele finalmente descobriu sobre nós e está decepcionado como o inferno comigo.

— Eu nunca diria nada! — Ela ofega, se soltando para segurar o rosto dele. A barba meio que pinica sua palma, mas a sensação não é ruim — Ouça, Mason, você pode confiar em mim. Eu nunca te colaria em problemas, não importa o quão chateasse eu estivesse. Eles nunca vão saber o que aconteceu naquela noite.

Ele procura em seus olhos e não encontra nada além de sinceridade. Engolindo em seco, Mason assente e deixa seu olhar cair sobre a sua boca – a mesma que ele cobiça por anos, agora mais rosada e preenchida do que ele se lembrava. Cristo, ela tinha sido uma garota bonita, mas Haven era quase uma mulher agora... uma tão linda que o menor sorriso lhe parecia como um soco no estômago. Ele a queria.

— Aquilo foi errado, Hav.

— Não... — Ela balança a cabeça levemente, fazendo seu cabelo sacudir e o cheiro doce e cítrico bater em seu rosto — Aquilo foi lindo — A loira afirma, então solta uma risadinha — Ao menos por um momento. Aqueles segundos em que você me aceitou, em que me tocou... oh, Deus, Mae. Eu nunca mais senti nada tão bom.

Gemendo como se suas palavras o torturassem, Mason cobre sua nuca com a mão e a puxa para perto, até que ambos encostam suas testas. Ele está respirando com dificuldade agora, seu corpo todo pulsando e gritando sua necessidade dela.

— Mason?

— Eu estou tentando aqui, Hav — Ele sussurra, apertando os dedos com mais força na parte de trás do seu pescoço — Apenas me deixe senti-la perto. Só um pouco.

O rapaz suspira quando sente o aceno dela e por um minuto inteiro eles ficam assim, um de frente para o outro, com os rostos quase colados e enquanto ele parece um viciado saboreando o cheio dela e a textura de sua pele, Haven mantém os olhos bem abertos e decora cada mudança, desde os sinais à pequenas cicatrizes.

Ele é lindo.

— Mason? — Ela chama com seu coração falhando batidas.

— Shhh.

— Desculpe.

— Pelo...

O estudante nunca teve uma chance.

Os lábios de Haven descem sobre os dele e pressionam. Para a defesa de Mason, ele realmente tenta resistir e segurando na cintura dela, tenta empurra-la para baixo na cama, mas quando a língua de Haven pede passagem... é uma luta perdida. Ele abre e a devora, provocando gemidos de ambas as partes. Enquanto Haven tem seus dedos presos ao cabelo de Mason para se certificar que ele não tente correr para longe, as mãos dele estão serpenteando entre suas costas e a curva do seu quadril.

Ele ainda tem o mesmo gosto, ela geme ao pensar. Doce e um pouco mentolado.

Mason puxa para trás – talvez para se afastar, talvez para respirar – e temendo qual fosse a razão, a loira segura em seus ombros e deixa seu corpo cair na cama, trazendo o dele para cima do seu. Suas pálpebras tremem quando ele não mostra nenhuma resistência, e novamente, eles estão em uma primeira vez.

Ela esteve com rapazes antes, é claro. Nenhum deles chegaram tão longe, mas maldição, talvez devessem – isso era muito bom. A mão de Mason subindo em sua barriga por baixo da blusa parecia escaldante. A jovem temia que seu coração não aguentasse as descargas de adrenalina causadas pelos dedos curiosos do seu primo.

Dominado pela luxuria e satisfação, Mason encaixou-se entre as pernas dela e sentiu sua cueca ficar apertada ao entrar em contato com o calor do núcleo de Haven. Cristo, o que ele estava fazendo? Eles precisavam parar logo.

A loira separa os lábios dos dele para gemer e passa suas curtas unhas na pele de suas costas, o fazendo apertar os olhos e estremecer. Não parar, só diminuir.

Pelos minutos seguintes eles exploram o corpo um do outro, respeitando os limites das roupas – ambos muito bem com isso. A fricção ainda era incrível. Em algum momento, o rapaz ergueu o rosto e olhou para ela.

Lábios vermelhos. Inchados.

Olhos quase sem foco, mas brilhantes.

Sim, ela seria sua morte.

Embora houvesse o indicio de uma barba por fazer escurecendo o seu maxilar, ele exibiu sua covinha solitária a bochecha esquerda ao sorrir. Esse era o mais feliz e relaxado que ela o tinha visto desde que Mason havia chegado. Ela sorriu de volta, segurou sua nuca, o puxou para baixo e eles voltaram para onde tinham parado.

A urgência havia diminuído algum tempo depois, mas o que arruinou o momento foi o golpe que Haven, assustada ao ouvir passos apressados no corredor, deu com o pé na bandeja. Eles se separaram ao som dos talheres batendo e copo quebrando ao atingir o chão. Haven suspira quando nota imediatamente a mudança na postura de Mason – seus olhos enchem de lágrimas com a possibilidade de ele fingir que aquilo não passou de um erro. Outra vez. Puxando os joelhos para a cima, ela abraça as suas pernas e o deixa colocar alguma distância entre os dois.

— A minha mãe vai subir. — Ela solta após limpar a garganta.

Mason se endireita e assente.

Ele passa a mão no cabelo e levanta, imediatamente ajeitando a bermuda.

— Sim. É provavelmente melhor.

— Por que? — Haven rosna, se arrastando para a beirada da cama — Por que?

Mason se vira para ela lhe dando um olhar de “você está brincando comigo?”

— Não se treva a me dar um sermão sobre o quanto isso foi errado quando você ainda está ostentando uma ereção! — Ela grita tentando sussurrar — Eu não fiz isso sozinha, Mason. E muito menos te forcei a nada.

— Isso não torna as coisas mais simples, Haven. Eu tenho alguém esperando por mim lá embaixo, esqueceu? Você pode não gostar de Kylie, mas ela é uma boa menina e merece mais do que essa merda. — A voz dele aumenta a cada nova palavra, fazendo Haven estremecer com a culpa. Ela o queria, mas não assim. A garota provavelmente estava vendo TV com a sua família nesse momento, enquanto ela estava rolando no colchão com seu namorado, por Deus.

— Eu sei... — Ela assume com um suspiro.

— Graças a Deus, porra.

— Por que você está tão bravo? — Ela se levanta, ignorando os músculos gritando para que não — Não é o fim do mundo. Nós vamos dar um jeito, Mason.

— Sim, qual? Porque eu não sei como vou descer lá embaixo e fingir que isso não aconteceu enquanto ela me abraça e pergunta como você está!

Haven endireita os ombros, tomando coragem, então cruza os braços diante de si.

— Apenas diga a verdade.

Ele ri.

O idiota simplesmente começa a rir.

— Você perdeu a sua mente? — Ele a olha como se tentasse descobrir o que há de errado com ela e isso magoa. É duro ver o cara por quem você é a apaixonada lutando para esconde-la — Eu não tenho nenhuma intenção de contar coisa alguma para ela. Eu não a trouxe para cá para convencê-la de que eu sou um pervertido que agarra sua prima menor de idade quando ela está machucada.

Haven cobre o rosto com as mãos e solta um grito de irritação.

Odiava quando ele fazia isso – essa vitimização estupida! Ela é uma mulher e não a porra de uma criança. Haven podia contar nos dedos de ambas as mãos o número de amigas da sua idade que tinham relações sexuais há anos.

Ela não sabia em que mundo Mason vivia.

— Cristo. Então o que? Voltamos à estaca zero? Ignoramos um ao outro?

— Sim. Na verdade, você faz o que quiser. Eu preciso ver a Kylie agora.

Ele a olha como se pedisse desculpas, mas seu tom é firme e sua postura diz que ele não dá a mínima. Novamente seus olhos ardem e se enchem.

— Por que você está sendo um babaca?

— Porque eu tenho que ser, Hav — Ele grita, então acalma quando ela pisca e uma lágrima mancha a sua bochecha. Mason dá um passo para perto, mas para quando ela pisa para trás. Ele solta uma lufada de ar e passa a mão sobre a barba — Olha, você estava certa mais cedo. Precisamos ficar fora do caminho um do outro.

— Deixe-me de adivinhar, pelo bem de Kylie?

— Pelo bem de todos nós, Hav — Ele ignora sua ironia — Todos nós.

Os Cullen?

Ela cruza os braços sobre o estômago, tentando não abraçar a si mesma e observa deslizar para fora do quarto como se também fosse difícil para ele fazê-lo.

— Mason, espere! — Haven chama antes que a porta se feche. Ele já está no corredor, mas para e olha para ela através do pequeno espaço na brecha — Eu... eu realmente preciso saber de algo antes que você vá. Se as coisas fossem diferentes, se a minha idade não fosse um problema... você ficaria comigo?

Eles se olham em silencio por quase um minuto inteiro.

— Eu faria mais do que ficar com você, Hav — A voz dele é tão baixa quanto um sussurro e aquece seu coração como um manto — Eu passaria sobre a opinião deles e lutaria para estar com você. Te faria minha. Eu te amaria com tudo que sou.

Sem lhe dar oportunidade para responder, Mason desvia o olhar e fecha a porta.

Um soluço inesperado sobe e Haven coloca as mãos sobre a boca para abafa-lo. Seus olhos estão ligeiramente abertos de choque e dor. Era surreal vê-lo assumir que a queria e as unhas apertadas contra a bochecha, machucando-a, lhe deram a certeza de que esse não era mais um sonho.

Ainda era incansável, mas não mais um sonho.

Ele também a queria. Mason valia a pena.

Haven estava decidida a esperar por ele.

Ela lutaria para que isso acontecesse.

Algum dia esses cinco anos que os separam não seriam importantes.

Sim. Um dia.

Notas finais
Juro por Deus... odiei passar esse tempo sem postar, mas não havia outra alternativa. Um tempo depois que postei aqui, passei para a faculdade e o meu tempo diminuiu drasticamente. O período de adaptação foi um pouco longo e passei por um bloqueio criativo terrível. Infelizmente tive que fazê-los esperar, mas trouxe bastante conteúdo, né? Não briguem comigo. Eu decidi encerrar a história no último capítulo, pois, no geral, eu não acho que deixei pontas soltas. E esse epilogo, na verdade... é um spin-off, certo? Mostrou a maioria dos personagens e como eles estão anos depois, mas seu foco maior é sobre a filha do nosso casal favorito e sua paixão não-tão-platônica-assim por seu primo Mason. O que eu posso dizer? Gosto de espiar o futuro dos meus personagens. De toda forma, trata-se de um spin-off porque eu tenho toda a intenção de fazer um livro só sobre a história de Mae e Hav. O que vocês acham disso? Eu os deixarei saber quando estiver acontecendo. No mais, deixe-me agradecer pela companhia, o apoio e o carinho de vocês durante essa aventura que foi escrever essa fanfic. É muito gratificante ver as pessoas que conquistei e aquelas que me “seguem” desde Odisséia Grega. Vocês todos são incríveis! E apesar do contratempo, eu não tenho intenção de parar de escrever. As coisas ficarão corridas, é claro, mas parar, não... jamais. É por isso que há uma nova história vindo aí. Gostaria de pedir que dessem uma olhada, ok? Procurem aqui no meu perfil e espero que sintam-se interessados. Se for o caso, adicionem em seu sistema de acompanhamento para serem notificados quando os capítulos forem saindo. Novamente, muito obrigada por tudo! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!