Erros de Sempre

10 Capítulo 9


Notas iniciais
Um novinho e grande pra vocês. Boa leitura :)

Jackson estava novamente furioso.

Em especial, com Isabella.

É claro que ter começado a trabalhar apenas uma hora depois que o expediente começou, atrasou um pouco os planos que seu chefe tinha para ela, então nesse caso, a morena o entenderia... se ele não estivesse exagerando de propósito. O seu interior estava fervendo de raiva, enquanto Jackson sacudia os papeis, derrubava-os no chão, atendia ligações no meio da conversa – a fazendo esperar no meio da sua sala – e reclamava sobre como o seu serviço estava desleixado e repleto de falhas. Todo o comportamento dele a teria irritado e frustrado em outro momento, mas agora ela não conseguia sentir nada além de constrangimento.

As suas bochechas estavam queimando e como uma adolescente sendo repreendida na sala do diretor, manteve seus olhos nas costas da cadeira à sua frente. Os seus dedos a apertaram tão forte que estavam ficando brancos com o uso da força e enquanto isso, o homem seguia latindo ordens que provavelmente, a fariam perder o horário do almoço. Tudo bem, Bella, você perdeu tempo o suficiente. Deixe-o. Ela puxou o ar para os seus pulmões e trocou o seu peso para a outra perna, sentindo-se incomodada por passar tanto tempo de pé na mesma posição e quando percebeu, Jackson lhe deu um olhar desagradável, quase desdenhoso.

— Estou te incomodando ao ditar o seu trabalho, Isabella?

— Não, senhor.

Respondeu quase entre dentes, recebendo um arquear de sobrancelha em resposta. Ninguém aqui o chamava de senhor. Jackson gostava de parecer enturmado com os funcionários, mas agora estava ficando óbvio que essa era a sua maneira de tê-los dançando a música que ele tocava. O homem que tinha os ombros tensos e usava uma expressão fechada, afastou-se um pouco da mesa e precisou abrir duas gavetas e então, mais uma vez a primeira, para encontrar o que procurava. Isabella ouviu o barulho de algo estalando e quando olhou, ele havia batido em cima do seu caderno de anotações, uma pasta fina, dessas que todo o pessoal usava para arquivar coisas. Ela foi aberta, mas a morena estava longe demais para ler o conteúdo. Então, impaciente, assistiu Jackson desprender uma folha e estende-la em sua direção.

Franzindo o cenho, ela aceitou.

— Aí está. Eu quero que depois das 15h, você ligue e encontre com essa garota, a Lauren. Ela começou aqui algumas semanas depois de você, mas apesar de ser talentosa, está tendo dificuldades de se adaptar — Ele explicou e os olhos dela caíram imediatamente nas informações sobre a tal garota. Sendo dois anos mais nova, ela trabalhava com Media Audit e este era o seu primeiro emprego. Isabella não tinha ideia do que diabos ele queria que ela fizesse sobre essa moça — Eu recebi uma ligação desagradável sobre seu comportamento há alguns dias e mesmo que tenha falado com ela sobre o assunto, preciso que você compareça ao evento de mais tarde e fique de olho nas coisas por mim. O endereço está bem no início da folha, no lado direito. Você não deve ter dificuldades de achar.

Seu tom foi irônico, assim como o pequeno sorriso em seus lábios, mas ela não estava preocupada com isso agora. Além de repreende-la, brigar e lhe empurrar todas aquelas coisas, agora vai obriga-la a fazer algo que não é sua obrigação?

— O que? Mas isso...

Sentindo um beliscão na base das suas costas, Isabella parou. Quase não doeu, mas foi firme o suficiente para impedi-la de continuar e então, o homem atrás de dela, se curvou para frente e apanhou do chão, uma caneta que foi derrubada durante a crise infantil do seu chefe. Isso foi eficiente. Ela se precisava manter quieta e aceitar o que diabos ele mandasse, se quisesse continuar com esse cargo. Mas que tremendo imbecil, o Jackson estava sendo. Isabella não era a porcaria de uma babá! Ficar a tarde inteira com essa garota, a impediria de realizar as suas obrigações. Mas isso era um teste... uma tarefa que o Jackson pessoalmente a designou.

Ela precisava aceitar.

Era bom que Edward estivesse aqui para detê-la antes que falasse besteira.

Ou talvez não, afinal, o grande culpado de tudo é ele.

— Isso está encerrado? — Ele perguntou, após pigarrear, jogando a caneta de volta a caneca ridícula estampada com a foto de Jackson, que segundo ele, foi presente de amigo secreto do natal passado na empresa — Nós deveríamos começar.

— Sim, é claro. Estamos acabados aqui, Isabella — O seu chefe olhou diretamente para ela, que assentiu, dura como uma coluna de mármore e quando se virou para fazer a volta para fora dali, ele continuou — Eu espero que essa seja a primeira e última vez que os seus colegas vêm até mim, para se queixarem sobre a sua falta de... cooperação.

Antes de sair, Isabella ouviu um suspiro atrás dela e sabia que era de Edward.

A morena pode ver o quanto ele estava incomodado desde o começo, por não poder defende-la ou fazer algo para lhe ajudar, mas nada disso acabaria bem se Jackson soubesse que o advogado tinha a ver com o seu atraso e o problema atual. Ao menos em parte. A outra metade responsável, eram aquelas filhas de uma cadela, ela tinha certeza. Ninguém nunca tinha ido reclamar sobre ela antes, mas bastou chegar nos ouvidos de Makenna e Nadia que ela tinha companhia em sua sala e poucos minutos depois, havia um Jackson furioso a procurando.

Eles tiveram muita sorte de que Edward estava no banheiro naquele momento.

Desde o momento em que ele a encurralou contra a sua própria mesa, não tinham sido capazes de tirar as mãos um do outro. Isabella achou que estava sonhando por causa da sensação de bem-estar que os braços dele, lhe segurando, trouxeram, mas era a mais doce realidade que ela experimentou em um longo tempo. Ela deveria saber que as coisas entre eles encontrariam uma maneira de se resolver. A sua mãe esteve certa o tempo todo. Esse sentimento, mais poderoso que qualquer coisa que já conheceu, esteve sobrevivendo por longos dez anos de agonia e espera, então, ele com certeza não estaria indo embora por causa da enésima estúpida briga.

— Eu pensei que estivesse acabado... — Sussurrou, ao levantar a mão para alcançar o seu rosto. Sua pele continuava macia, mas Edward ainda parecia machucado e como não estava sob camadas e mais camadas de corretivo e base, não seria difícil para ninguém deduzir que ele esteve envolvido em alguma briga.

— Você é uma mulher bonita, Isabella — Ele elogiou, a encarando com aqueles olhos vorazes que pareciam estar despindo a sua alma. As pernas dela se afastaram mais, para encaixa-lo e suspirou quando a dura ereção pressionou a sua coxa. Ele estava pronto — Mas muito, muito idiota, se acha que eu percorri todo esse caminho para deixa-la correr para longe de mim agora. É tarde, babe.

Edward abaixou o rosto e ela se recusou a fechar os olhos quando ele beijou o canto da sua boca. Se tivesse fechado, teria achado que a sua imaginação criou o movimento, de tão leve e sutil que foi. Os lábios dele se arrastaram por cima dos seus e ela se agarrou ao tecido do blazer escuro para não pular com os arrepios intensos que se espalharam pelo seu corpo. Isso não era normal. Nada do que esse homem a fazia sentir, era comum e ela simplesmente sabia que nenhum outro seria capaz de causar um efeito semelhante nela. Nunca. Isabella abriu a boca para incentiva-lo a se aproximar mais, mas Edward gemeu com algo sobre o seu hálito e se ela não estivesse atenta às suas expressões, teria tido medo de estar cheirando mal, mas antes que ela pudesse falar, pedir ou rir para descontrair, a boca dele desceu sobre a sua com fome.

Os dois gemeram alto e de início, ela percebeu que ele estava sentindo dor. Seu lábio inferior não estava completamente curado e a morena não demorou a sentir o gosto do cobre em sua língua, mas isso não foi o suficiente para separa-los. Há uma década, ela tinha o privilégio de sentir diariamente essa boca sobre a dela para inúmeras coisas. Agradar, consolar, excitar... e por todo esse tempo, foi privada do seu gosto, da textura e maciez, então nada, nem mesmo a porcaria de um avião chocando-se com o prédio da frente, a faria parar agora. Ele sorriu para ela, enquanto lutava por ar, mas Isabella era incapaz de retribuir quando estava ofegando e o puxando para si feito uma louca. O seu coração, apesar de pesado, estava batendo com uma força dolorosa e a cada vez que seus lábios se encaixavam novamente, ela sentia que o órgão queria subir por sua garganta.

Como diabos isso era possível?

Os ex amantes estavam assim há incontáveis minutos, beijando a boca um do outro e qualquer lugar próximo que podiam alcançar, enquanto usavam as mãos, às vezes para prender um ao outro no lugar que queriam e às vezes para sentir a carne rígida e macia embaixo de suas palmas. Em meio aos gemidos abafados e respirações, Isabella ouviu um baque e olhou rapidamente para a esquerda. A caixa de bombons estava longe, caída sob o carpete e pela grande distância, teve a certeza de que ela tinha sido arremessada de propósito. Seus olhos reviraram antes que ela desse um longo selinho em Edward e então, o empurrasse para trás. Ele franziu a testa em confusão, mas suas mãos não deixaram o seu quadril mesmo assim, impedindo-a de continuar a tentar saltar.

— Eu preciso apanhar os chocolates — Ela explicou, apontando para a caixa com a cabeça, mas assim que impulsionou para fora da mesa, Edward a empurrou de volta. A sensação em sua bunda, foi quase de ter caído sobre a madeira — Ai, Edward! Que diabos?

— Aquilo não é importante — Ele determinou, seus olhos estavam escuros agora e ela não sabia dizer se, de luxuria ou raiva, mas era sexy feito o inferno e pelos segundos que se seguiram, o seu presente foi totalmente esquecido — Você não quer aquilo. Eu sei do que você precisa e serei o único a lhe dar.

Isabella não sabia do que ele estava falando. Edward estava dizendo que tentaria voltar a ama-la em algum momento? Em dúvida sobre perguntar a respeito e correr o risco de estragar o clima, ela calou-se e deixou que sua cintura fosse enlaçada antes de ter a boca tomada por ele novamente. A morena gemeu alto quando seu pau esfregou sobre a sua calcinha e ela abriu ainda mais as pernas, tanto quanto o vestido lhe permitia. Suas mãos estavam, uma no ombro e a outra, nos cabelos de Edward. Assim como ele não se continha e esfregava a excitação descaradamente na sua fonte de calor, ela puxou e bagunçou os fios como adorava fazer.

O advogado estava beijando a com força. Tomando, exigindo, punindo. Ele queria castiga-la por fazê-lo ceder, tinha certeza disso. Nada sobre o que estavam fazendo, parecia com uma despedida, então seu coração se encheu de esperança quando seu cérebro concluiu que Edward veio para ficar. Com ela. Finalmente.

— Espere... — Ela pediu, tentando impedi-lo de expor os seus seios através do decote. Isabella o queria mais do que tudo. Ela sempre queria, mas o burburinho do outro lado da porta, a lembrou de que estavam em seu local de trabalho e que a qualquer momento, alguém poderia flagra-los — Nós devemos parar. Não podemos, Edward. Não assim. Vamos devagar, por favor.

O ruivo diminuiu o ritmo aos beijos, ainda se recusando a solta-la ou parar de beijar e morder a pele do seu pescoço. O cheiro de pitangas estava lá, deixando o seu pau duro como uma maldita rocha. Ele fez carinho, atrás da sua orelha, na pele sensível com a ponta do nariz, adorando senti-la tremer em seus braços e então encostou sua testa na dela, olhando para os seus grandes e emotivos belos olhos castanhos.

— Desculpe. Eu não queria cruzar os limites — Ele lamentou, mesmo sabendo que não estava realmente arrependido. Se Isabella tivesse deixado, ele a teria fodido sobre a mesa até que ambos estivessem esgotados. Lidaria com as consequências depois. Era esse tipo de merda que a mulher era capaz de induzi-lo, mesmo que inconsciente disso, a fazer — Depois de como as coisas terminaram na sexta-feira, a última coisa que eu deveria fazer era saltar sobre você. Nós deveríamos estar conversando, certo? Mas eu fico fora de controle quando coloco meus olhos sobre você, Bella e porra, quando nós...

— Shhh — Ela interrompeu a sua divagação, segurando ambos os lados de seu rosto. As suas mãos estavam um pouco suadas, mas ele não se importou e deixou que ela o segurasse — Está tudo bem. Eu gostei da sua abordagem, Edward.

Ambos sorriram, cúmplices e ela o puxou para depositar mais um beijo leve em sua boca. Ele estremeceu. Seus lábios estavam doendo tanto quanto suas bolas, mas aguentaria para tê-la o tocando de forma tão carinhosa. Edward, infelizmente, estava acostumado a mulheres sedentas, rasgando suas roupas e querendo tomar o que ele podia oferece-las na cama, mas não lembra de nenhuma que tivesse o toque tão cheio de ternura quanto Isabella. Agora, ele se achava muito estúpido por tê-la recusado. Por ter corrido para longe, quando viu a chance de se aproximar e viver algo junto com ela.

Edward estava certo, porém.

Beija-la solidificou as coisas de alguma estranha maneira. Por baixo das roupas caras, o interior dele estava uma verdadeira bagunça, mas não uma ruim...

Então, decidindo que ele teria tempo para acertar as coisas consigo mesmo, deixou-se levar. Deixaria Bella entrar e enfrentaria o que diabos estivesse sendo preparado para eles. Não deveria ser tão difícil dessa vez, sem segredos e armações, sem pessoas tentando separa-los e jogar com eles. Apenas os dois e o que ambos podiam dar um ao outro. Isso teria que bastar por enquanto e para ele, tê-la dentro do seu abraço dessa forma, completamente sua, era mais do que o suficiente.

A morena finalmente pulou para fora da mesa e depois de acender as luzes, agachou-se no chão para apanhar a caixa de bombons. Edward sabia o que ela estava fazendo e isso quase não o irritou, pela maneira que o vestido esticou ao redor da sua bunda quando ela se abaixou. Isabela tinha uma bunda muito boa.

— Você está seriamente pensando em ficar com isso?

— Edward, foi um presente. É claro que eu vou mantê-lo — Isabella revirou os olhos e foi ligar o seu computador. Ela voltou a organizar suas coisas enquanto falava, para caso alguém entrasse, pelo menos parecesse que ela estava trabalhando — Dominic é apenas um amigo. Um grande amigo por sinal. Ele estava viajando e trouxe algo para mim. Só você para ver algo errado sobre isso.

— Porra nenhuma. Esse cara só quer te comer.

— O que? — Isabella prendeu a risada inesperada. Mordendo a língua para não soltar que o homem já tinha feito aquilo, ela negou com a cabeça e respirou fundo, tomada por uma leve irritação pelo tom dele — Você está insinuando que um cara só é capaz de me ver dessa forma? Eu não sirvo para ser amiga de ninguém, Edward? As pessoas olham para mim e automaticamente pensam quão bem posso ficar sobre os lençóis?

Sim, ele quis dizer, ao menos sobre a terceira pergunta. Tinha que ser cego ou no mínimo, assexuado, para não olhar para Isabella e classifica-la como uma das mulheres mais bonitas e gostosas que já viram em pessoa. O pensamento o incomodava, mas acima de tudo, Edward era realista e a morena à sua frente não era menos do que deslumbrante. Seria loucura que todo o resto do mundo não a visse da mesma maneira, mas voltando a questão, ele deixou que seus ombros caíssem em derrota sobre ter sido exagerado e machista.

— Desculpe. A ideia de você tendo amigos homens me incomoda e eu duvido que isso irá mudar, principalmente se todos forem como aquele loiro do caralho. — Ele fez uma careta ao se referir a Jasper e sua menina riu. Um som lindo que o fez querer pensar em algo mais para dizer e fazê-la repetir a risada.

— Eu ainda não posso acreditar que vocês dois realmente brigaram por minha causa — Ela balançou a cabeça para os lados, incrédula que agora, ao invés de sentir-se doente ao imagina-los ferindo um ao outro, achava graça da situação — Mas Jasper é bom rapaz, Edward e está comigo desde o início. Se você realmente quer fazer algo entre nós funcionar, se está aqui para se comprometer com algo, você precisa respeita-lo porque ele não está indo a lugar nenhum.

O ruivo apertou as mãos em punhos. Ia contra a sua natureza, gostar de vê-la se impondo ao defender alguém que não era ele, mas precisava aceitar, uma vez que Jasper não estaria em sua vida se não fosse por sua estupidez no passado. E se fosse honesto consigo mesmo, admitiria que o rapaz não era de todo mal.

Edward tinha lhe dado alguns pensamentos depois do bar e chegou a conclusão de que era bom que Isabella tivesse alguém assim em sua vida, disposto a se levantar por ela e ajuda-la quando necessário. É claro que levar em consideração que o loiro estava se envolvendo romanticamente com Alice, tinha sido essencial para que o sujeito ganhasse uns pontos ao seu favor. Não que ele teria o escolhido para namorar a sua irmã mais nova, mas o fato de que Jasper não estava interessado dessa maneira na sua menina, era um maldito peso sendo tirado dos seus ombros.

— Você tem razão, babe. Venha aqui — Ele a chamou, abrindo os braços e ela, incapaz de resistir, quase tropeçou ao contornar a mesa para alcança-lo — O que eu te disse no bar, ainda está valendo. Serei um babaca algumas vezes e sim, espero que haja consequências, mas isso não vai me impedir de pisar na bola. É quem eu sou. E estar aqui... é difícil. Eu vim para provar que estou falando sério sobre isso. As minhas ideias não são sobre usa-la e correr, ao menos não mais — Ela o olhou com cara feia e abriu a boca para interrompe-lo, mas Edward desceu sobre ela, calando-a com um beijo — Eu ainda não sou capaz de prometer coisas a longo prazo, mas se isso serve de alguma coisa, desde que pisei em Seattle, tem sido impossível pensar em uma semana ou mês, no futuro, em que você não esteja lá.

Isabella lhe deu um sorriso trêmulo. Ela estava emocionada de vê-lo tentando e sendo honesto. De jeito nenhum iria colocá-lo contra a parede. Pela primeira vez em sua vida, seguiria à risca o conselho de Renée e teria paciência com ele.

— Isso é o suficiente. — Por agora, acrescentou mentalmente e sorriu, ao pegar um punhado de cabelo dele. Edward cedeu ao primeiro puxão e mais do que disposto, enfiou a língua em sua boca, gemendo ao encontrar a dela que estava afoita para acaricia-lo.

Os dois iniciaram um beijo intenso, mas gentil e duradouro. Sem toda aquela pressa de antes, quando ambos pareciam não acreditar no que estavam fazendo e queriam tudo de uma vez. A troca de carinho durou longos minutos, que mais pareciam segundos, até que Isabella sentiu algo diferente e se afastou para ver o lábio inferior de Edward vermelho. Coberto do seu sangue escapando pela pequena ferida aberta.

— Merda.

Ele xingou e tirou do bolso interno do blazer, um lenço e o pressionou contra sua boca, esperando estancar o sangramento. Torceu para que Jasper também estivesse tendo dificuldades no hospital, assim como ele estava sendo incapaz de beijar a sua menina sem suja-la ou sentir dor.

Percebendo que a mancha vermelha no lenço branco, apenas crescia, Isabella o aconselhou a se lavar no banheiro enquanto ela procurava por algo que pudesse ajuda-lo. Naquele mesmo andar, eles possuíam uma pequena cozinha para armazenar o lanche que alguns funcionários traziam e também era onde todos os dias, era o feito o café e o chá dos chefes.

Em uma pesquisa rápida na internet, feita através do seu celular, Isabella aprendeu que as propriedades adstringentes do vinagre branco ajudariam a desinfetar e a coagular o pequeno corte no lábio do Edward, então logo ela estava correndo para o banheiro masculino com uma pequena xícara repleta do liquido com cheiro forte. O advogado riu do seu afobamento de sair de lá tão rápido quanto entrou, mas Isabella sabia o quanto era difícil passar despercebida entre tanta gente circulando ao redor e após ter certeza de que ele retornaria em seguida, ela saiu. Ao voltar para a sua sala, a primeira coisa que notou é algo faltava. Uma breve verificação na sua mesa, a deixou saber que a caixa de chocolates havia desaparecido.

Desgraçado sorrateiro!

Revirando os olhos, ela estava prestes a atacar quando ouviu alguém entrar, mas para a sua surpresa, não era quem ela esperava.

*********

— Que ideia mais estúpida. Idiota... babaca. Mas que merda, porra! — Ela xingou, chutando a cadeira que se afastava a cada golpe como se realmente sentisse os impactos.

Isabella estava furiosa por ter que ir embora.

Seu telefone tocou duas vezes desde que esteve arrumando a sua bolsa, mas não tinha atendido, pois não seria capaz de fazer nada por ninguém agora.

— Bella, está tudo bem?

Ela girou quando ouviu a voz de Edward e lá estava ele, no pequeno espaço aberto entre a porta e a parede. Sua cabeça estava dentro da sala e o corpo fora, como se hesitasse entrar. Com certeza, ele tinha assistido o seu descontrole.

— Sim. O que diabos você quer?

Ela se arrependeu das palavras no segundo em que saíram e antes que a expressão de Edward demonstrasse a sua raiva, ela correu para ele e o puxou para dentro. Isabella suspirou quando ele não recusou o seu abraço e ouviu suas inúmeras desculpas. O ruivo acariciou os cabelos que cobriam as suas costas, tentando tranquiliza-la.

A entendia.

Jackson não estava sendo nada fácil e ela parecia no seu limite de stress.

— Eu apenas queria dizer que sinto muito por hoje mais ced-

— Não faça isso. Eu fui imprudente, deixando as minhas obrigações de lado para resolver o nosso problema aqui, mas não sou capaz de me arrepender quando estamos assim agora — Ela apertou os braços ao redor dele, para enfatizar — Eu faria tudo de novo, se fosse preciso.

— Essa é a minha menina — Edward sorriu em aprovação e olhou para o relógio de parede — Imagino que esteja de saída.

— Sim, preciso estar lá às três — Assentiu e os girou para o outro lado, impedindo que quem passasse do lado de fora, não os enxergasse — Já terminaram lá dentro?

— Não, temos alguns detalhes a acertar e então, precisarei encontrar com outras pessoas — Ele acariciou o rosto delicado, praticamente bebendo o quanto ela era bonita com pouca maquiagem — Pensei em te dar carona, mas parece que você já está em cima da hora.

— Huh... eu não acho que seja uma boa ideia, nós sairmos juntos do prédio, mas obrigada — Ela sorriu, mais calma e apreciando a sua iniciativa — É uma pena que quando eu voltar, você já vai ter ido embora. Isso me lembra que está na hora de trocarmos os nossos números, certo?

Edward assentiu, vendo-a pegar o celular para agenda-lo. A verdade é que ele tinha o seu número e endereço há algum tempo, mas não lhe diria porque podia parecer estranho e um pouco perseguidor demais. Esse segredo, ele estava disposto a manter. Quando pronta, Isabella se despediu com um beijo delicado para não forçar o machucado e ele lhe deu um forte aperto brincalhão em sua bunda redonda.

No carro, ela dirigiu, com ajuda do GPS, para o endereço que a levaria direto para Leschi. Esse era o seu segundo bairro favorito em toda a Seattle. Acostumada a simplicidade durante toda a sua vida, Isabella gostava de como Leschi era descontraído e a colocava em um estado de relaxamento com todo aquele verde, longe da agitação da cidade. E por esses motivos, ela não tinha ideia do que estava acontecendo nesse pequeno e agradável lugar, para que estivesse indo para lá.

Logo na entrada do agradável prédio, Isabella foi informada que o evento acontecendo, tratava-se da comemoração e anuncio sobre a parceria entre a agência Combo Advertising – uma das principais concorrentes da Création7 – e o canal H!Crowd. Ela teve a entrada liberada quando mostrou seu crachá de identificação e assim que pôs os pés no sétimo andar, reconheceu Lauren.

A moça que estava perturbando incessantemente um sujeito que aparentava ter o dobro da sua idade, vestia um terninho azul que era no mínimo, dois números menor que o que ela deveria estar usando. Quando a garota deu um passo para a direita, chamando a atenção para os seus pés cobertos por um par de saltos que a faria arranjar imediatamente um trabalho em qualquer clube em Vegas, Isabella percebeu exatamente qual o teor da reclamação que Jackson ouviu sobre ela.

Dispensando apresentações, a morena puxou o braço de Lauren assim que o homem conseguiu se livrar das suas garras e a deixou sozinha. A garota esperneou um pouco, mas terminou deixando-se ser arrastada até uma área mais vazia do espaço que estava quase lotado com funcionários e repórteres.

— O que você pensa que está fazendo?

— Espere um segundo, eu estou aqui trabalhando, quem diabos é você?

— Segundo o meu diploma? Uma administradora, mas graças ao meu chefe? A porcaria de uma babá. A sua babá! — Isabella rosnou, perdendo a paciência quando a loira usou o reflexo de uma bandeja de prata para corrigir os erros em seu batom gasto — Lauren, não é para isso que você está aqui, porra.

— Certo, vamos por partes — A moça voltou sua atenção à mulher recém-chegada. Mesmo com os saltos, era possível perceber que ela era uns bons oito centímetros mais baixa e seu corpo estava magro nos lugares certos. O cabelo cor de mel, liso na altura dos ombros, estava repartido exatamente no meio, emoldurando o rosto quase infantil, como de uma boneca — Eu não fui informada que estava recebendo companhia hoje e você só está aqui há 30 segundos. Como pode dizer que estou fazendo algo de errado?

— Sua roupa é inapropriada, Lauren — A morena suspirou, passando a mão na testa e olhando em volta — Eu vi como você estava se insinuando para aquele homem sem sequer dar uma boa olhada em suas mãos. E eu estou supondo que você não olhou, para não criar uma imagem ainda pior, uma vez que ele usava uma aliança com grossura do pneu do meu carro! — Ela exclamou e a moça teve a cara de pau de lhe enviar um olhar de “Sim, e?” — Olhe em volta. Veja quantos fotógrafos e jornalistas estão aqui hoje. Essas pessoas têm faro. Você acha que o Jackson está com disposição para lidar com um bando de esposas enfurecidas porque seus maridos lhe contaram sobre o seu comportamento, para justificar uma foto tirada no ângulo e momento errado?

— Eu só estava sendo simpática! — Lauren bateu o pé no chão como uma criança, deixando-a quase de queixo caído e então trouxe o lábio inferior exageradamente para fora, como se estivesse magoada com a repreensão — E não há nada de errado em ter ambição. Esse emprego não é grande coisa, mas eu conheço muita gente e posso ter sorte, certo? Ah, por favor, não me diga que você não aproveitaria a chance de conhecer algum ricaço com interesse em garotas mais jovens? — Ela a olhou incrédula para então, mordiscar a sua unha no estilo francesinha.

Jesus Cristo.

Onde Isabella foi se meter?

Suspirando, ela continuou:

— Você só precisa entender que não está aqui por contra própria. Se você entrou aqui como empregada da Création7, não pode, nunca, atrair esse tipo de atenção para nós, entendeu? — Ela perguntou e Lauren a olhou como se estivesse prestes a estourar de irritação — Eu perguntei se você entendeu! Oh, ótimo. Agora vamos circular um pouco e socializar com esses palhaços. Estarei de olho em você, garota. E a propósito, eu sou a Isabella.

Lauren era, literalmente, uma força da natureza incapaz de ser contida. Apesar dos avisos, os puxões e interrupções, a jovem não disfarçava o olhar sobre os homens que cobiçava e eventualmente, começou a ser correspondida. Isabella desistiu algum tempo depois, mas a manteve nos trilhos para que não criasse uma cena ou fizesse qualquer estupidez. Quando a loira finalmente percebeu que estava obtendo sucesso naquela área, ela voltou-se ao seu trabalho com um pouco mais de empenho. Lauren era responsável pela sondagem da percepção de imagem entre os colunistas, jornalistas, articulistas em geral e no fundo, ela tinha razão. A garota conhecia mesmo com muita gente e sabia exatamente o que falar com os formadores de opinião que estavam por todo o lugar.

Quando as duas deram um tempo com todo o questionário, tiraram um momento para provar alguns aperitivos que cheiravam a bacon. Ambas estavam mais calmas e satisfeitas, mas Isabella continuava impaciente para ser capaz de sair dali o quanto antes para dar início as suas outras tarefas. Ela estava atolada de serviço e sabia que talvez, acabaria levando-os para casa, se não quisesse que seu chefe a importunasse outra vez amanhã.

— Cara, eu daria qualquer coisa para ter aqueles peitos...

A voz quase manhosa de Lauren, tirou-lhe de seus pensamentos e quando ela seguiu a linha de visão da garota, encontrou uma mulher ao lado de mais três, que conversavam sem parar entre elas, não se importando que a outra parecesse totalmente alheia e fora do lugar. Ela segurava uma taça de champanhe pela metade e tinha um olhar vago no rosto, como se tivesse perdida em pensamentos não muito agradáveis. Por alguma razão estranha, Isabella sentiu compaixão por aquela desconhecida. A mulher era bonita, mas estava malcuidada em comparação às outras. A combinação do seu traje, a fazia questionar se ela tinha se visto no espelho antes vir e o cabelo castanho, com mexas claras que a tornava praticamente ruiva, estava bagunçado. As pontas estavam com um aspecto quebradiço e ela não usava nenhuma maquiagem. Era uma mulher realmente bonita, mas tão triste...

— Você a conhece? — Isabella perguntou para Lauren, sem tirar os olhos da outra que só parecia cair na realidade quando alguém se aproximava dela ou falava alto demais e então, ela retornava ao mesmo estado de paralisia.

— Eu não sei seu nome, mas a vi algumas vezes, sim — Ela confirmou e terminou de engolir o ultimo gole da sua própria bebida. Os garçons estavam constantemente atendendo-a — Eu ouvi comentários de que ela vem procurar por uma oportunidade de emprego, favores ou algo assim. Não é estranho? As garotas falaram que ela só consegue entrar nesses eventos, porque tem algumas amizades convenientes, mas nenhuma delas é capaz de dar um trabalho para a garota? Isso simplesmente não faz sentido para mim.

Não fazia sentido em tudo.

Depois que todos os anúncios foram feitos, discursos proclamados e fotos tiradas, a mulher misteriosa esgueirou-se para os banheiros e não foi vista outra vez naquela tarde. Isabella perdeu o interesse em socializar com aquelas pessoas rapidamente, mas só pôde deixa-las para trás quando Lauren também se cansou e deu a pesquisa por encerrada. Quando se despediram, elas não estavam mais tão chateadas de terem passado a tarde na companhia uma da outra e a loira prometeu que, mesmo não parando até alcançar o seu objetivo, seria mais cautelosa porque a última coisa que precisava, era perder a vaga que levou meses para conseguir. Isabella riu, dando de ombros, porque não acreditava em uma palavra dela, mas tinha feito sua parte em colocar um pouco de juízo na sua cabeça imatura.

Esperava que a jovem não colocasse tudo a perder.

Ela quase gemeu de contentamento quando o aquecedor funcionou e olhando para o banco ao lado, percebeu que havia esquecido o celular dentro do carro. A tela estava escura por causa da bateria no vermelho, mas foi o alerta de mensagem que chamou a sua atenção. Quando ela viu o nome do remetente, sentiu um formigamento na barriga e o seu bom humor estava, de repente, completamente de volta. Usando o polegar para abri-la, ela leu e sorriu enormemente.

De: Edward Cullen +(630-723-5017)

Hora: 15:04 p.m.

“Dirija com cuidado. Preciso de você inteira.”

Então ele se importava?

Isso lhe deu ânimo para retornar sem fazer cara feia e a pilha de tarefas não a incomodou tanto, pois sempre que ela parava um segundo e olhava para onde a sua bunda estava antes, com as mãos de Edward sobre ela, apertando-a e puxando para si enquanto a beijava como alguém se afogando lutava por ar, se sentia confortável como se estivesse finalmente caminhando na direção certa.

Seu estômago roncou em algum momento e quando foi até a máquina de alimentos, percebeu que só havia ela e mais um rapaz no andar, fora a senhora da limpeza. Bryce era recém-casado, mas já tinha um pequeno garoto de 4 anos com a sua esposa e vendo-o preso entre maquinas e papelada, ela foi tomada por aquele sentimento terrível de inveja novamente. Enquanto ele estava aqui, trabalhando até tarde, tinha pessoas em algum lugar que sentiam sua falta e estavam esperando, ansiosos, para que ele retornasse. Isabella não tinha nada a não ser Lola.

Se jogando de volta à cadeira, balançou a cabeça levemente e decidiu parar de cobiçar a vida alheia. Isso podia enviar más energias para as pessoas e ela não queria mais gente insatisfeita no mundo, como ela. Antes de voltar a sua atenção para o pacote de Cheetos, ela bufou ao ver o celular completamente descarregado e ao vasculhar a bolsa, não encontrou nada como um carregador ou cabo USB. O lado bom, é que não tinha marcado nada com ninguém para mais tarde, pois mesmo que pudesse usar o telefone da empresa, era péssima decorando números telefônicos. Então, sentindo-se isolada do mundo, voltou aos seus afazeres.

Isabella deu um pulo, assim que terminou tudo, quando percebeu o quanto estava tarde. Havia algumas coisas que ela podia acertar usando a sua internet e e-mail, e seria tão rápido que poderia fazê-lo enquanto tomava café da manhã no dia seguinte. Então, pelo o que parecia a vigésima vez, ela arrumou as suas coisas e deixou a agência para trás.

Passava das oito da noite quando ela se viu em casa, fora dos sapatos e da roupa úmida pela chuva fina que caia lá fora.

As suas pernas estavam arrepiadas de uma ponta a outra e admitiu para si mesma, que tinha sido uma tremenda estupidez escolher um vestido para usar. Após um banho quente que a deixou normal de novo, ela apanhou um short e uma blusa de botões e mangas curtas do guarda-roupa.

O seu dia estava cheio de altos e baixos.

Lola também estava claramente chateada com ela.

Quando Isabella chegou, ela estava tão faminta que quase não a deixou chegar até a cozinha, por serpentear entre suas pernas. Até nos momentos em que a morena ia colocar um pouco mais de ração no comedouro, a gata sibilava em sua direção, emitindo um alto “fuuuu” para manda-la para longe e ela continuou emburrada enquanto a dona vasculhava a geladeira. Cansada demais para preparar uma refeição do zero, ela pegou um pacote de macarrão instantâneo e o cozinhou.

A chuva lá fora caia pesada, mas ela gostava do barulho da água batendo contra as janelas, borrando a visão da rua lá fora. O rápido pensamento de voltar a ler um romance pela metade veio à mente, mas desistiu quando percebeu o quanto a sua visão estava cansada, então apenas afastou as almofadas do sofá e caiu nele.

Ela não sabia há quanto tempo estava rendida às músicas do seu iPod quando as batidas começaram. Lola estava atenta, suas orelhas em pé enquanto seus olhos estavam grudados na porta, mas o som alto de uma banda indie explodindo através dos fones direto para os ouvidos da morena, a impediu de ouvi-las, até que uma soou tão forte que a fez sentar-se no sofá com a mão no peito, como se tivesse sentido o golpe.

Que diabos?

Com o coração acelerado, ela foi se aproximando a medida que a pessoa foi ficando cada vez mais impaciente. Se dando conta da besteira que estava fazendo, ela correu até o aparador e da gaveta, tirou uma das quatro latas de spray de pimenta que Renée insistia em trazer sempre que aparecia. Segundo ela, os efeitos físicos eram atordoantes o suficiente para que qualquer um fosse capaz de escapar do agressor e fugir. Quando girou a maçaneta e puxou, prestes a apontar aquilo na cara de quem quer que fosse, ela teve a terceira surpresa do dia.

— Edward? Ai, meu Deus. O que você está fazendo? Como é que chegou aqui?

— Você faz muitas perguntas, babe, será que pode me deixar entrar antes de eu responde-las? — Ele rosnou de brincadeira e ela saltou para o lado, dando espaço.

O homem entrou na sua sala e poças ficaram em cada lugar que seus pés pisaram. Quando Isabella o olhou, percebeu que ele estava completamente ensopado e que deve ter ficado por algum tempo na chuva, esperando por ela do outro lado. Cristo, como era idiota! Edward, pingando, colocou em cima da mesa de centro, dois copos térmicos grandes, presos a um suporte para viagem. Sem tempo para curiosidade, ela se livrou da lata e o arrastou pelo corredor em direção ao seu banheiro, e começou a se livrar das roupas dele no segundo em que ouviu o primeiro espirro.

Porra, ele ficaria doente por sua causa?

— Eu achei que teria que trabalhar um pouco antes de ter você me despindo. — Ele brincou, seu sorriso entortando fez as suas mãos pararem de se mexer e seus lábios secarem.

Quando sua língua saiu para lambe-los, foi a vez de Edward perder a compostura e agarrar o rosto dela, para puxa-la. Os lábios se bateram. Os dele estavam frios, mas tão apetitosos que Isabella não conteve o gemido. Apenas quando ele tentou abraça-la, quase arruinando seu pijama, foi que ela se afastou e ordenou para que ele se livrasse da roupa molhada e tomasse um banho quente enquanto ela pegava algumas toalhas.

A morena o deixou sozinho e aquele era o último lugar que pensou que estaria.

Desde que voltou para essa cidade, as coisas estavam acontecendo de forma muito... espontânea. Para alguém que tinha tudo regrado e organizado, podia ser difícil, mas se essas mudanças continuassem o levando para perto de Bella, não estaria se importando muito.

Olhando em volta, percebeu que o banheiro era arrumado, claro e limpo. Seria interessante compartilha-lo com ela algum dia. Era pequeno o suficiente para que ambos se sentissem obrigados a ficarem tão próximos quanto possível para fazer qualquer coisa e pensando nisso, ele jogou a boxer pesada em cima da tampa do vaso sanitário, junto com o seu terno e foi direto para o chuveiro.

Depois de deixar duas toalhas em cima do balcão da pia, tentando a todo custo não espia-lo pelado enquanto ele se ensaboava do outro lado do vidro, Isabella pegou os panos de chão que estavam limpos e os usou para limpar toda a água no chão. Um trovão estourou no céu e todo o cômodo foi iluminado pela luz branca do relâmpago que veio segundos depois. Ela fechou as cortinas e encostou o rodo na janela para esfregar as mãos em seu rosto. O que raios Edward estava fazendo na sua casa? Sentiu-se como uma adolescente quando a vontade de beliscar a si mesma, veio. Parecia tão surreal encontra-lo pedindo para entrar. Os dois nunca se cruzaram em Seattle em dez anos. Era como se ambos vivessem em países diferentes e agora ele era capaz de bater na sua porta a qualquer momento que quisesse. Porra, isso é real. Não tinha a menor ideia do que tinha o trazido ou de como ele sabia como chegar até ela, mas não estava mais chateada do que quando deduziu que Dominic vasculhou seus dados na empresa para encontrar a mesma coisa. Edward não deve ter invadido a sua privacidade. Alice deve ter dito.

— De quem são essas roupas?

Ela se assustou com a voz interrompendo o silêncio e quase tropeçou ao virar, mas rapidamente recuperou a compostura e limpou a garganta antes de falar.

— São do Jasper — Admitiu, dando uma boa olhada nele que estava vestido em uma camisa branca com mangas longas, mas que agora estavam dobradas ao redor do seu cotovelo. Apesar da altura semelhante, Edward tinha o tronco mais forte que seu amigo, então a camisa estava colada de uma maneira não desconfortável, mas que desenhavam bem o seu peitoral e os músculos dos braços — Algumas vezes, ele deixa roupas aqui e quando eu as lavo, acabo esquecendo de devolver. O tempo passa e elas acabam por aí. Mas... ficou muito bem em você. — Muito melhor em você, quis dizer. A calça de moletom cinza clara que ele usava, tinha esses dois cordões na frente que estavam pendurados e chamando atenção para o espaço entre eles, ou seja, o seu pau. Isabella sabia que ele estava nu por baixo daquilo, pois não tinha cuecas novas para oferecer.

Edward sorriu lentamente quando percebeu a maneira descarada que ela estava medindo e avaliando o seu corpo. Aquilo estava o deixando duro e tinha certeza que a sua excitação ficaria evidente para Bella muito em breve. Pisando com cuidado no chão que estava molhado há minutos atrás, ele foi até onde havia deixado os copos, puxou um e estendeu na direção dela. Franzindo o cenho, Bella aceitou e destampou com cuidado, sentindo através do material, que estava quente.

— O que é...

— Chocolate quente com creme de leite e meio amargo picado por cima. Já deve ter derretido, porém — Ele interrompeu, dando de ombros, como uma desculpa, mas adorou o brilho de aprovação em seu olhar, enquanto ela levava o nariz mais para perto e cheirava o liquido escuro — Eu sei que você não bebe café e como ia aparecer na sua casa de surpresa, imaginei que seria educado trazer alguma coisa.

— Obrigada. Isso foi muito gentil da sua parte, Edward — A morena sorriu, seus olhos dançando de satisfação enquanto ela sorvia um gole. O gemido que veio a seguir, fez o seu pau se mexer e ele, amaldiçoar por baixo da respiração. As mulheres não deveriam fazer essas coisas. Isabella, principalmente. Não deveria abrir aqueles doces lábios para emitir esses sons se não quisesse ser fodida — Eu não quero parecer rude de jeito nenhum, mas há uma razão para a sua visita?

— Você não atendia o seu telefone.

— Bom, sim, mas e daí?

— E daí, que eu me preocupei — Ele afirmou, seu rosto mudando de descontraído para sério em um milésimo de segundo — Você recebeu uma mensagem onde eu te pedia para ter cuidado com as estradas, mas nunca me respondeu de volta ou atendeu as minhas ligações. Seu celular foi desligado e eu não sabia o que diabos tinha acontecido.

— Ele descarregou, Edward — Ela sussurrou, chocada com o aborrecimento dele por uma coisa tão boba — E eu estava muito ocupada para dar notícias. Sinto muito que você tenha...

— Você vai sentir, se voltar a fazer isso, Isabella — Ele avisou, aproximando e adorando a maneira como suas delicadas mãos apertaram o copo — Sei que está acostumada a ficar por conta própria, mas agora que estou aqui, isso vai mudar. Eu não espero um relatório do que diabos você fez no seu dia, mas eu preciso ter certeza de que está tudo bem — De que está a salvo de acidentes, pessoas ruins e filhos da puta tentando toma-la de mim — Acha que eu iria conseguir dormir sem ter ideia de que você estava segura e não em uma sala de emergência qualquer?

Merda, ele era tão exagerado.

Mas também tão doce...

Isabella sentiu o seu coração inchar.

Tocada com a preocupação dele, ela abaixou o copo e se aproximou para enrolar os braços ao redor da cintura do ruivo e aperta-lo em um abraço.

— Obrigada — Ela disse novamente, a voz saindo abafada por seu rosto estar pressionado contra o peito de Edward, que a apertava de uma forma tão carinhosa e possessiva, que estava derretendo-a de dentro para fora — Há muito tempo, eu não sei o que é ser cuidada... por você.

Engolindo em seco, Edward fechou os olhos e beijou o topo da sua cabeça. Pensou em Jasper e nos outros homens que estiveram em sua vida nos últimos anos, curando-a dos males que ele causou. Era melhor pensar assim do que o contrário, porque se algum dos bastardos tivesse magoado Bella também, ele os quebraria.

— Isso vai mudar, babe. Tudo vai mudar.

Os dois se separam algum tempo depois e foram para o sofá. Ela ligou a TV apenas para ter um pouco de barulho ao redor, mas sequer viu o que estava passando. Sua atenção estava toda no homem ao seu lado, que usava o polegar para limpar embaixo do lábio inferior, onde estava sujo de chocolate quente, e depois lambia. Se fosse outra pessoa, ela iria achar deselegante, talvez até nojento, mas não podia ter tais pensamentos enquanto via a língua de Edward trabalhar. Era impossível. Ele deu um daqueles outros sorrisos matadores quando a flagrou encarando e a puxou para um beijo lento quando o rubor espalhou-se em suas bochechas.

Eles suspiraram durante a troca de carinho e o ruivo não tinha a menor ideia de como havia sobrevivido por tanto tempo sem essa mulher por perto. Queria ser capaz de chutar a própria bunda por cogitar, continuar ficando com ela de tempos em tempos, sem se aproximar daquela boca incrível. Na adolescência, Edward gastava mais tempo beijando-a do que fazendo qualquer outra coisa. Ele nunca se importou em ficar apenas trocando caricias e beijos quando ela estava em seu período menstrual, muito pelo contrário. Qualquer dia, sob qualquer circunstância, fazendo qualquer coisa com Bella... era bom.

Ele tinha sido mesmo perdidamente apaixonado por aquela garota.

O estômago de Edward escolheu aquele instante para roncar e os dois romperam em risos enquanto abandonavam os copos vazios. Isabella olhou para ele e encarou seu rosto sorridente por um segundo. Os seus cabelos estavam úmidos em algumas partes e quase seco em outras. O abajur ligado atrás dele, iluminaram os fios cor de cobre e quando seus olhos caíram sobre os dela, a intensidade do momento foi tão grande que por pouco não perdeu o fôlego.

Era como estar diante de um anjo.

Porra, esse homem iria tê-la em suas mãos. De novo.

— Huh, desculpe por isso. Eu não sou reconhecida por ser uma anfitriã muito boa. Ao menos foi isso que Charlie disse na minha festa de 15 anos, quando troquei todo mundo por um dos livros que ganhei e subi para o quarto com ele — Ela divagou, olhando para os lados e Edward achou adorável o seu nervosismo — Se me der 25 minutos, eu trago algo para você comer. Tudo bem? Enquanto isso, apenas... fique por aqui. Veja um pouco de TV e enfim, sinta-se em casa.

Bella levantou e girou em seus calcanhares, correndo para a cozinha sem que ele tivesse a chance de dispensa-la daquilo ou responder qualquer coisa, mas Edward não recusaria uma refeição feita por sua menina. Ele ainda se lembra da explosão de sabores em sua língua sempre que a visitava na casa dos Swan e ficava para comer. Renée era uma ótima dona de casa, mantinha tudo limpo – dentro do possível entre o curto espaço de tempo que tinha livre – e os reparos feitos, com a ajuda do marido, mas era um desastre tentando transformar coisas cruas em algo comestível.

Ele recostou-se no sofá e olhou ao redor. Tudo aqui era muito menor do que estava acostumado desde criança, mas era inacreditável o quanto se sentia bem rodeado por moveis de segunda mão e decorações que muitas vezes não combinavam, mas era tudo tão a cara da sua menina, que não mudaria uma peça de lugar. Era tudo tão sossegado. A modesta casa de Bella estava lhe proporcionando a paz, que antes, ele confundia com a solidão que o abraçava sempre que retornava para o seu apartamento.

— Que porra é essa?

Edward abriu os olhos de repente quando sentiu um peso em seu colo e então, um par de olhos tão verdes quanto os dele, o encaravam com curiosidade. O gato sentado sobre suas coxas era um pouco maior que um filhote, seu pelo era cinza azulado e o pequeno nariz tinha o formato de um coração. Ele aproximou-se para olha-lo mais de perto, mas jogou-se contra o encosto do sofá quando o bichano miou e levantou uma pata para tocar o rosto dele, assustando-o.

Jesus Cristo.

Ele balançou a cabeça e suspirou.

Era só um gatinho, não o Freddy Krueger.

— Olá... — Sussurrou, inseguro.

E foi só o que bastou para fazê-lo miar de novo e tentar subir nele, apertando as pequenas patas no seu peito. Edward enrijeceu. Ele sempre foi um cara de cães, principalmente porque Carlisle era brutalmente alérgico a gatos e Amanda foi seu único animal de estimação. Depois de sofrer feito o diabo com a sua morte, tinha se recusado a se apegar a outra criaturinha daquela que podia facilmente ser levada embora, então o máximo que se aproximou de outro bicho nos últimos 15 anos, foi quando alimentou alguns pombos em uma praça não muito distante da advocacia onde trabalhava em San Francisco.

A criatura pequena e cinza ronronou alto, chamando sua atenção e mais uma vez, tentou escala-lo, porém, Edward a pegou e colocou ao seu lado no sofá. Ele bateu com a mão nas suas pernas para enviar os pelos para longe de sua calça, mas o gato tomando aquilo como um convite, correu de volta para o colo dele, girou em torno de si mesmo e deitou-se em cima do seu pau à meio mastro. Ele assobiou com a sensação de um peso estranho concentrado ali e colocou-o novamente no sofá, dessa vez, acariciando levemente a cabeça do animal para tentar mantê-lo lá.

Não funcionou por muito tempo.

Gemendo de desgosto e impaciência enquanto o bichano continuava a lutar para se aproximar, Edward se deu por vencido e ficou quieto enquanto ele subia. O gato fez um barulho como um ronco em sua orelha, o que o perturbou e passou o rabo em seu rosto como um agradecimento estranho por tê-lo solto. Prendendo a respiração, o ruivo decidiu que, se teria que aguentar isso pelo resto da noite, usaria a desculpa dos pelos para ficar sem camisa diante de Bella e então, tentar a sorte.

— Você é muito esquisito. — Ele murmurou.

A coisa cinza deitou-se entre seu pescoço e o sofá.

Relutante, ele estendeu a mão para trás e tocou o gato com uma caricia.

Quase trinta minutos depois, Isabella colocava no centro da mesa de quatro lugares, uma bonita travessa de penne aromático com legumes e muito queijo. Ela fez o suficiente para 6 porções, uma vez que sabia como o advogado comia bastante e que no momento, estava faminto. Colocou os pratos de frente um para o outro, arrumou os talheres e quando estava pronta para chama-lo para jantar, ouviu o seu grito e então, um palavrão.

Antes que ela pudesse correr até ele, Edward apareceu na cozinha cobrindo a lateral do rosto com a mão e parecendo tudo, menos contente.

— Leve isso para longe de mim! — Ele exigiu e diante da expressão confusa em seu rosto, apontou para algo atrás dele para enfatizar. Isabella focou seus olhos nas costas de Edward e arregalou os olhos — Eu não consigo tirar essa coisa, Bella.

— Você conheceu a Lola — Ela constatou com entusiasmo ao ver a gatinha se equilibrando nas patas para andar sobre a nuca de Edward – que estava com a cabeça curvada para frente – e então, se estabelecer no seu ombro esquerdo — Oh, ela gostou de você! A minha gatinha não é um amor?

— Gatinha? Um amor? Ela é fodidamente louca! — Ele gritou e descobriu a bochecha, que estava avermelhada em uma pequena área, mas dava para ver claramente dois pequenos arranhões — Eu fui generoso e a deixei ficar por um tempo, mas quando tentei tira-la de cima de mim, olhe o que recebi.

Isabella fez um ruído com os lábios tentando prender a risada e isso o deixou ainda mais sério. O gato, que na verdade era fêmea, continuava produzindo aquele barulho de ronco em seu ouvido, o deixando mais nervoso e com raiva. Mas, vendo que ele não estava para brincadeira, Bella se aproximou para retirar Lola do seu ombro, mas não conseguiu fazê-lo sem que a pequena tentasse desfiar a manga da camisa em protesto. Uma vez no chão, Lola olhou para cima e miou.

Revirando os olhos, Isabella voltou a falar.

— Muito bem, eu fiz macarrão. Está tudo bem para você?

— Claro. Huh, me desculpe estar dando tanto trabalho, Bella.

— Oh, não é nenhum incomodo. Eu gosto de ter companhia e... — Ela ponderou se deveria tocar no assunto ou não, mas decidiu arriscar — Com a maneira como deixamos as coisas na agência, imagino que seja mesmo uma boa ideia passar um tempo... você sabe, normal, com você. Não acha?

Edward sorriu com o sutil rubor em suas bochechas e foi incapaz de se conter com a vontade de toca-la. Ele assentiu enquanto acariciava a pele morna com as costas da mão e então, ela o puxou em direção a mesa montada para o jantar.

Isabella, não querendo que os dois caíssem em um silencio desconfortável, contou-lhe sobre como foram as coisas com Lauren e ele sorriu o tempo todo, se divertindo por ela ter que cuidar de uma moça mais nova e inexperiente. Edward gargalhou quando ela imaginou que se ele estivesse presente no evento, a loira pediria demissão e não deixaria o prédio antes de pelo menos, conseguir seu número. Isabella gostou muito quando ele revelou que há muito tempo não esteve em um relacionamento, mas se que se estivesse, seria cem por certo monogâmico. Quando namoraram, essa foi sua maior preocupação, mas o tiro saiu pela culatra.

Não passou despercebido que as últimas horas tinham sido o máximo de tempo que os dois passaram juntos sem brigar ou tocar em algum assunto do passado e isso era muito, muito bom, mesmo que houvesse coisas que gostariam se perguntar e falar. Esse não era o momento certo.

— Eu acho que eu deveria ir. Está ficando tarde.

Um sentimento de decepção tomou conta dela e a fez abaixar os ombros quando as palavras saíram da sua boca. Ele tinha razão, estava mesmo tarde, mas a chuva ainda não tinha parado – apenas diminuído de intensidade – e eles estavam tão bem enquanto lavavam e secavam a louça. Isabella não sabia se queria que ele fosse embora, com medo de que no dia seguinte, tudo mudasse, mas assentiu em concordância.

— Então, sim... bem, obrigada por ter vindo me checar.

— O prazer foi todo meu.

Edward colocou uma mão em seu quadril e a puxou para perto, até que ela estava entre os seus braços e sua cabeça estivesse inclinada para olha-lo. Ele aproximou-se vendo seus olhos tremerem até se fecharem e pressionou os lábios de ambos. O beijo que começou lento e gentil, tornou-se voraz ao ponto de um agarrar a roupa do outro firmemente, impedindo que qualquer movimento para se afastar fosse feito. A língua de Isabella estava fazendo um trabalho incrível em seduzi-lo e as mãos dele, segurando sua bunda, estavam constantemente a puxando para perto. Os corpos estavam colados como se qualquer centímetro de distância fosse lhes causar dor. O lábio de Edward começou a latejar novamente, mas o sabor do sangue não estava lá outra vez, então ele apenas tomou alguns segundos de ar e pressionou-a contra a parede mais próxima, para então passar seus lábios pelo pescoço alvo e cheiroso. Ele lambeu a pele e deu mordidas que enlouqueciam a ambos. Isabella se segurava em seus ombros, suas pernas não estavam confiáveis e quando ela começou a pensar sobre querer mais, Edward se afastou, ofegante e excitado.

— Uau.

— Sim, exatamente — Ele concordou e soltou uma risada.

— Você precisa ir? — Era para ser uma afirmação, mas foi impossível não soar como uma pergunta. Isabella estava confusa. Não lhe pediria para ficar, pois era bom que ambos tivessem espaço depois de um dia como o de hoje, mas queria.

— Preciso. Tenho uma reunião pela manhã e acredito que há uns papeis que preciso verificar para me preparar — Ele fez uma careta de lamento e lambendo os lábios, Isabella se afastou da parede para acompanha-lo. Ela o levou até a porta e sorriu pesadora quando abriu — Vou entrar em contato, está bem? Diga a Jasper que devolverei sua roupa em breve — Edward piscou um olho e os dois riam antes de se despedirem com um longo selinho — Boa noite, Bella.

— Boa noite, Edward.

Quando ficou sozinha, ela sentiu frio e sua casa parecia mais vazia do que nunca.

Olhando para o centro da sala, encontrou Lola em cima do aparador. Seus olhos estavam grudados na janela, como se fosse capaz de ver mesmo com a cortina cobrindo o vidro. Isabella se aproximou da gata e rindo, a acariciou.

— Então, você também, hein?

Depois de afaga-la um pouco, ela foi até os abajures e os desligou, deixando a penumbra tomar conta. Quando um bocejo inesperado escapou, ela começou a ir em direção ao quarto, mas antes que alcançasse o corredor, ouviu novas batidas e voltou.

Mas o que...

Com o cenho franzido, ela correu para porta e quando a escancarou, Edward estava lá um pouco molhado e encostado ao batente, olhando-a com seriedade.

— Você esqueceu alguma coisa?

— Eu não estou pronto para dizer adeus, Bella — Ele admitiu, com sua voz rouca. Edward deu um passo para dentro, fazendo-a dar outro para trás — Preciso segura-la um pouco mais. Me deixe passar a noite? — Pediu, e chutou a porta atrás de si sem tirar os olhos do seu rosto confuso — Por favor, babe, não me peça para ir embora. Ainda não. Me deixe ficar.

Isabella estava atordoada.

O mesmo homem que há dois meses, a humilhou e na sexta passada, a rejeitou por estar assustado, era o mesmo estava implorando agora para ficar por perto?

Puta merda.

— Babe? — Ele insistiu, engolindo em seco.

Feliz demais para usar as palavras, Isabella pulou sobre ele, fechando as pernas ao seu redor enquanto os braços enlaçavam o pescoço. Vendo-a assentir entusiasmadamente com a cabeça, Edward abriu um sorriso glorioso em resposta. Suas bocas se encontravam novamente, entusiasmadas e com saudade, como se não tivesse se passado apenas minutos e enquanto ele jogava a chave do carro em qualquer lugar, segurando-a firme, fez o seu caminho para o quarto de Isabella.

Esse era o primeiro dia da segunda chance e ele não podia acabar melhor do que assim.

Ao lado da sua menina.

Notas finais
Finalmente terminamos um capítulo com um final feliz. Acho que até a Lola se rendeu aos encantos do Edward, hein? Que fofa! hahaha Eu não sei vocês, mas amei ele durante todo o tempo desse. Finalmente o homem deu uma dentro. Deus o conserve assim, amém! :) E aí, minha gente, estão gostando? Deixem reviews para que eu saiba. Beijo pra vocês.