Erros de Sempre
9 Capítulo 8
Notas iniciais
O peso da caixa de Marlboro no bolso de trás da calça de Edward, estava começando a incomoda-lo, assim como o frio que fazia do lado de fora do Sam’s Tavern. Acostumado com o clima morno da ensolarada San Francisco, o homem estava tendo dificuldades em se adaptar e apreciar novamente a umidade que deixou para trás quando se libertou da pequena Forks. Na verdade, ele mal acreditava que trocou tudo aquilo – o emprego, o sol, os amigos, as mulheres, o luxo, seu lar – para tentar trazer de volta à sua vida, tudo do que esteve fugindo por longos e exaustivos dez anos.
Foi um maldito tiro no escuro.
O que diabos faria se ela se recusasse a ter qualquer envolvimento com ele depois de como a tratou na última vez? Edward não pensou sobre o assunto, porque não havia se a respeito disso, jogou suas roupas dentro da mala e conseguiu um voo de última hora.
Ele tinha ficado bem durante as duas semanas seguintes ao primeiro encontro dos dois, após uma década sem se verem. Ele trabalhava, bebia, estudava, malhava nos finais de semana e ignorava as mulheres que sempre descobriam o seu número de telefone, para lhe deixarem mensagens carentes e outras, vulgares. Em outro momento, tais convites e insinuações, o teria feito rir e o seu ego inflar, mas naquele momento ele não poderia estar mais entediado nem se estivesse tomando novamente os sermões que o pastor David dava aos domingos na igreja.
Acreditando que seu amigo Ravi poderia ter alguma razão e ele apenas estava cansado de repetições, saiu para a caça de alguém novo. Em um dos seus clubes favoritos, uma esbelta mulher no auge dos seus vinte e tantos anos, usando apenas um pequeno short de couro e top do mesmo material, com meias arrastão cobrindo suas pernas grossas, lhe proporcionou a dança de colo mais quente da história e o seu pau não fez o menor movimento sob suas calças. Tudo nela gritava “artificial” e Edward não se referia apenas ao longo cabelo vermelho contrastando com sua pele escura, os peitos duros ou os lábios exageradamente grandes, cobertos por uma camada generosa de gloss rosa claro, como se tudo o que um homem mais desejasse na vida, fosse ter aquela gosma sujando todo o seu pênis. Ela era simpática e solicita, mas mantinha sempre um olho nos outros homens, como se quisesse garantir tantos clientes quanto possível.
O clube não trabalhava com prostituição. Era tudo sobre mulheres bonitas, danças, shows e bons momentos voltados ao público masculino, mas o gerente não podia evitar que algumas de suas meninas conseguissem um dinheiro extra desses caras após acabarem o expediente. Edward não pagava por sexo e não queria seu nome envolvido com tal coisa, então a dispensou com um aceno de cabeça após pedir por mais Midleton Very Rare, um dos whiskies mais suaves que o dinheiro era capaz de comprar. A sua conta seria um absurdo na saída, mas sabia que valeria cada centavo. Ao menos a boa bebida teria que lhe render algum prazer essa noite.
Tudo estava razoável.
As coisas só saíram dos trilhos quando os pesadelos começaram.
Edward não sabia o que sonhava, mas os considerava ruins pelo modo como se sentia depois. Acordava suado, sem fôlego e excitado no meio da noite, mas não era tesão que poderia ser resolvido com masturbação. Nada conseguia aplacar a agonia em seu peito. Ele sentia seus braços pesados como chumbo, mas doloridos com a necessidade de abraçar algo. Tocar e sentir alguma coisa.
Não alguma coisa. Ela.
Quando a simples experiência de efetuar compras tornou-se um verdadeiro caos, ele decidiu que precisava de ajuda. Aquela era a sua primeira vez em um supermercado após concluir o curso de Direito. Desde então, sempre viveu das comidas que podia solicitar pelo telefone ou teve alguém sendo pago – e às vezes, apenas disposto – para fazer isso por ele. Para conseguir alguma distração e não se sentir tentado a procurar um médico para verificar a sua cabeça, Edward tentou sair um pouco da vida cheia de regalias que criou para si e começou a fazer atividades comuns e rotineiras para qualquer pessoa. Sua tentativa de lavar roupas foi ridícula e causou a perda de algumas das suas melhores camisas. Limpar o seu próprio lugar também não tinha sido uma boa ideia, pois além da casa ser desnecessariamente grande, Edward não sabia que ceras e alguns produtos com ácidos eram capazes de causar danos irreparáveis ao porcelanato. Então diante disso, comprar uma dúzia de mantimentos, parecia bastante seguro.
E foi, até que sentiu Isabella.
Ele tinha certeza de que não a contraria ao redor da seção de frutas se virasse, mas parecia uma brincadeira de mal gosto do caralho, ver uma moça não tão bonita quanto ela, segurando uma bandeja transparente repleta de surinam cherry. As malditas pitangas. Ele sabia – apesar de que, aquela fruta não era comum de se encontrar no país, principalmente porque não era nativa da América do Norte – que não era impossível de vê-la sendo vendida em alguns lugares, mas tudo parecia uma grande provocação.
A única vez que Edward a provou, foi no corpo de Isabella. Ela cheirava inteiramente a pitangas e ele aprendeu a reconhece-las, uma vez que o seu carro ficou impregnado com o aroma. Era inebriante e delicioso. Como ela.
Ele quis rir de si mesmo quando sentiu a necessidade de pedir ao rapaz que embalava suas compras, para tirar as mãos da sua própria bandeja da fruta. A verdade é que ele queria cheira-las uma e outra vez, como se fosse um maldito viciado ansiando para enfiar o nariz em uma fileira de cocaína. Queria lembrar-se de esconder o rosto no pescoço macio e gostoso da morena embaixo dele, que sendo receptiva ao extremo, se erguia para recebe-lo dentro dela. Doce Jesus, estava ficando excitado com uma senhora de idade bem atrás dele, esperando na pequena fila do caixa.
Porra, eu sou um doente.
Logo percebeu que ter em mãos, o que fazia Isabella cheirar tão bem, não era o suficiente para amenizar a saudade. E quando nada que costumava ser bom, trouxe qualquer resultado positivo... decidiu procurar a única pessoa capaz de ajudá-lo, mas no fundo, tinha plena consciência de que independentemente disso, ele não tinha outra escolha além de arrastar aquela mulher de volta para o seu lado.
Ele faria o que fosse preciso.
— Eu deveria ter imaginado.
— Gata, não é nada do que você está pensando — Um cara gritou, jogando as mãos para o alto enquanto andava atrás de uma jovem que acabara de sair do bar com ele em seu encalço. Edward saiu dos seus devaneios e observou a cena, simplesmente porque não havia mais nada acontecendo ao redor, exceto a briga entre o casal parado em frente à entrada do beco. A moça de cabelos curtos e óculos parecia irritada feito o inferno — Aquela garota é minha prima, qual é! Você deveria ter ficado e dito oi.
— Você não tem primos, seu canalha. Sua mãe é filha única e a porra do seu pai sumiu no mundo antes de você nascer — Ela gritou, parando no meio da rua. Edward riu baixo quando o cara desviou o olhar para baixo, voltado para a esquerda e seus ombros tencionaram. Sabia identificar um mentiroso. Quando a polícia está interrogando um suspeito e ele olha para a esquerda, está mentindo e muitas vezes, criando uma pessoa ou situação. Ao contrário de quando olha para a direita dele, o que significa que está lembrando de um evento real e consequentemente, falará a verdade — É isso. Eu vou ter as suas coisas prontas amanhã.
A moça correu em direção a fila de carros que cobria metade do muro lateral de um salão de festas e ele foi incapaz de ouvir ou ver como a discussão terminaria. Suspirando, ele encarou a caixa de cigarros em sua mão. Edward estava tentando parar de fumar há quase sete meses e obteve êxito na maioria das vezes em que se sentiu tentado, mas quando estava nervoso e ansioso sobre algo, essa era a sua única saída para se acalmar e pensar com clareza.
E era exatamente o que precisa fazer agora.
Saindo do beco sujo e mal iluminado, ele acenou para um dos rapazes conversando fora do bar e o homem, reconhecendo que era de fogo que ele precisava, jogou o isqueiro em sua direção. Apanhando o objeto ainda no ar, Edward tentou proteger-se do vento enquanto acendia o cigarro e logo na primeira tragada, ele fechou os olhos para apreciar o momento.
Vicio era uma coisa engraçada.
Ele já se sentia muito melhor sobre a sua inquietação.
Olhando para as portas duplas, franziu o cenho. Isabella estava demorando demais para quem só ia buscar um casaco e a bolsa. Controlando-se para não invadir o lugar atrás dela, ele deu voltas pela calçada, deixando sua mente vagar sobre o que tinha feito na última hora. Sorriu quando o seu pau inchou um pouco sob a calça com as lembranças de sua morena escorregadia e apertada em volta dele há não muito tempo atrás. Porra, ele adorava transar com ela. Não importa quantas mulheres teve nos últimos dez anos, havia algo sobre Isabella que tornava o sexo infinitamente melhor. Não sabia se seria capaz de substitui-la se precisasse. O que não aconteceria de nenhuma fodida maneira.
Edward não estava disposto a deixa-la ir.
Ele não esperava encontra-la essa noite quando veio atrás de Alice, apenas queria tirar sua cabeça dos últimos problemas em que se envolveu. Há dias, os dois não se viam e ele esteve faltando aos compromissos marcados – que tinha a ver com o seu chefe atual –, mas isso não significava que ele não estava fazendo o seu trabalho. Edward descobriu coisas interessantes e curiosas sobre Jackson, mas precisava colocar um pouco mais de esforço para chegar ao núcleo da situação e decidir se haveriam chances de ele se tornar um homem perigoso.
Cuidando do favor que Emmett havia pedido, ele não teve tempo para cavar o suficiente, mas não demoraria a encontrar suas respostas. Ele tinha contatos em todos os lugares. Edward já lidou e trabalhou sem pestanejar com pessoas de todos os tipos, das inocentes e solidárias, às más e egoístas, por isso não temia por nada... exceto por Isabella. Ele passaria por cima da sua ética de trabalho se tivesse que alertá-la sobre um possível risco, e então faria o que tem que ser feito.
— O que está acontecendo?
Sua cabeça girou em direção a voz e ele a encontrou apertando os braços cobertos pela jaqueta de couro escuro. Estava quase abraçando a si mesma.
— Eu estou tentando parar — Explicou, arrancando o cigarro da boca e o atirando no chão ao seu lado para pisar — Sei que você não gosta do cheiro, mas podemos...
— Com a gente, Edward — Ela o interrompeu, chamando sua atenção — O que está acontecendo com a gente? O que isso, que nós acabamos de fazer, representa para você?
— Eu não estou entendendo.
— É só sexo? Você olha para mim e vê um corpo agradável de foder? — A voz dela estava falha, talvez um pouco grossa e isso o preocupou. Ele deu uma boa olhada na morena e percebeu que seus olhos estavam cheios. Havia um traçado molhado que contornava o seu nariz, onde uma lágrima havia passado — Por favor, apenas me diga que não se trata de vingança.
Edward sentiu uma pontada no peito com aquela palavra e seu olhar caiu. Isabella ofegou ao assisti-lo e deu um passo para trás, chocada com a admissão.
— É isso, então? Merda, Edward! — Ela gritou, chorosa e fungou — Você ia me usar até obter tudo que eu tenho e depois me largar como lixo, para que eu sinta a dor pela qual te fiz passar. É por isso que nós transamos, mas não podemos ficar juntos de verdade, certo? Entra em mim, mas se protege. Me toca, mas não beija. Você tem nojo de mim? Eu não sou uma prostituta. — Ela gemeu.
Edward disparou para cima e a encarou com os olhos arregala-los. De onde diabos tinha vindo isso? Ele não a via como uma puta. Nem quando ela dormiu com o seu irmão mais velho e lhe machucou mais do que pensou que alguém era capaz. Ele não se importava com quantos caras uma mulher dormia, isso não a tornava menos digna ou especial e o que o impedia de ser sentimental e intimo com Isabella, eram seus próprios medos e receios, não tinha nada a ver com preconceitos.
— Babe, você não está fazendo nenhum sentido. Venha aqui — Ele tentou se aproximar, mas ela deu um passo para trás. Agora as lágrimas corriam livres, destruindo o que sobrou de maquiagem e seu coração martelava no peito com a imagem. Ele havia querido aquilo uma vez, faze-la sofrer, mas ouvir seus soluços era uma tortura. Não conseguia encontrar diversão naquilo. Como pode acusa-lo de querer vingança? — Eu não sei de onde tirou esse absurdo, mas você está errada. Porra, eu tinha uma vida na Califórnia e mandei tudo para o inferno porque você não estava lá. Eu deveria querer distancia de você, mas estou aqui na sua frente, tentando fazer alguma merda dar certo entre nós.
— Mas o beijo...
— Eu não sei, merda! — Foi a vez de ele gritar e passar os dedos trêmulos pelos cabelos, bagunçando-os — O pensamento de beijar você traz de volta, sentimentos que eu não tenho controle e não posso arriscar senti-los. Beijar você deixaria tudo real demais... — E eu me renderia sem pensar duas vezes, mas não posso estar vulnerável novamente, ele quis dizer. Edward, melhor do que ninguém, sabe quanta alegria e quanta tristeza aquela mulher é capaz de lhe trazer.
Não podia ceder e estar em suas mãos novamente. Porra, não. Ele soltou uma lufada de ar e deu dois passos em direção a ela, tentando alcança-la, mas Isabella balançou a cabeça para os lados e apressou-se em se distanciar novamente.
— Não, pare! Você não quer me tocar.
— Bella, pelo amor de Deus, não seja difícil! Eu não sinto nojo de você.
— E nem amor.
A palavra fez Edward congelar no lugar.
Amor?
Era isso que ela queria?
Se perguntassem, Edward diria que tem, muito mais do que a maioria, para oferecer. Ele é capaz de abrir portas que muitas pessoas almejam durante a vida toda e também tem dinheiro o suficiente para viver confortável até a sua velhice, mesmo que fosse capaz de gastar com sonhos e desejos femininos. Ele estava mais do que disposto a manter-se fiel, cuidar e zelar das necessidades de Isabella, ser bom para ela no quarto e fora dele, mas de todas as coisas que ela poderia pedir...
Ela queria amor.
— Eu te amo.
Ela disse.
Três pequenas palavras sussurras bastaram para que ele sentisse o seu coração saltar dolorosamente forte, como se tivessem usado um desfibrilador em seu peito. Sua boca secou e parecia que a rua havia ficado deserta. Ele era incapaz de ouvir algo que não fosse a respiração pesada dos dois e as pequenas fungadas de seu adorável nariz avermelhado. Edward sabia que ela tinha fortes sentimentos por ele, mas ouvi-la dizer que ainda o amava fez coisas indiscerníveis em seu interior. Ele lembra da última vez que a ouviu dizer... toda a sua família estava reunida no centro da sala de estar. Edward havia acabado de chegar do treino e quase saltou sobre Isabella quando a viu encolhida na poltrona. Acreditava que ela estava ali para lhe dar perdão e fazê-lo rastejar para reatar o namoro, mas a expressão em seu rosto denunciou que havia algo de muito, muito errado acontecendo.
Ela estava ali para dizer-lhe sobre Emmett.
Ele se lembra dos seus gritos chorosos dizendo que sentia muito, que o amava e que não queria que ele se machucasse, enquanto ele tentava esmagar os ossos da mão no rosto do irmão filho da puta. Desde então, havia ouvido isso de sua mãe, Alice e um par de mulheres, mas as palavras não balançaram o seu mundo como agora.
— Eu te amo. E não vou fingir que não o faço só porque você está me magoando, Edward — Isabella diz, a voz tremula porque ela toda estava chacoalhando, talvez de frio ou nervoso, pois seu choro agora era silencioso — Nós temos um passado de merda e está tudo bem que você guarde magoas sobre tudo, mas eu demorei muito para me reerguer. Foram anos até que eu me sentisse humana de novo, então não posso deixar que me arraste para baixo — Edward assentiu, concordando. Sua garganta também estava fechada e ele passou os dedos sobre os olhos, afugentando suas próprias lágrimas. Sentia-se tão exposto. Parecia que a qualquer momento, ela veria a farsa através dele. Enxergaria o que ele não era capaz de ver e admitir, então tudo estaria perdido, porque ele não passava da porra de um covarde — Se eu confiar em você... se eu puder esperar, você acha que pode nos dar a chance de amar novamente?
— Eu não posso — Ele sussurrou, suas mãos se fechando em punho enquanto a assistia quebrar com a resposta. Precisava manter-se firme — Eu tenho um coração, mas sou incapaz de usá-lo para o que você deseja, Bella. Não posso.
— Então, eu também não.
— Espere, você disse que me ama! Agora está me recusando e indo embora?
— Não. Eu queria entrar e você foi o único a se afastar de mim — Ela lhe mostrou o sorriso mais triste que ele já tinha visto — Eu sinto muito, Edward. Boa noite. — Dando de ombros, ela seguiu para a rua.
— Isabella, não vai! — Ele chamou, correndo atrás dela. Não sabia como diabos fazê-la voltar. Estava assustado e confuso. Em sua cabeça, havia um grande e pesado nó. Estava certo de que ela deveria deixa-lo de lado, se ele era incapaz de oferecer o que lhe faltava, mas não podia perdê-la — Babe, por favor. Você está bêbada. Deixe-me te levar para casa e nós conversaremos melhor pela manhã. Olha, eu sinto mui-
— Que merda está acontecendo aqui?
Uma nova voz se fez presente e o sangue de Edward esquentou no momento em que ele viu Jasper correr para Bella como se a vida dele dependesse disso. Como se não bastasse tê-lo todo sobre a sua garota, tocando e consolando-a, ele viu muito bem que antes, Alice vinha atrás dele segurando em sua mão.
— É sério, está tudo bem. — Bella falou, olhando para o amigo, mas sequer tentou sorrir. Jasper estava enrijecido dos pés à cabeça e quando seus olhos caíram em Edward, ela percebeu não poderia evitar o que estava prestes a acontecer nem se quisesse.
— Alice, acompanhe a Bella até o carro — Jasper disse, sem tirar os olhos no homem visivelmente angustiado a apenas alguns passos de distância. Ele lhe estendeu as chaves e empurrou a amiga pelos ombros, fazendo-a descer da calçada de uma vez — Angela sabe qual é. Vão e não voltem aqui.
— Você está fodidamente dizendo a minha irmã o que fazer? — Edward rosnou.
— Isso não é necessário...
— Alice, por favor! — Jasper gritou, sua paciência indo pelo ralo quando Isabella tentou intervir. A moça com quem ele passou a noite, sequer prestou atenção no irmão, mas correu para Bella e com uma Angela de pernas bambas, atravessaram a rua para longe deles.
Edward tentou passar através de Jasper, para alcançar as meninas, mas foi arremessado para trás e por pouco não caiu no chão. Ele com certeza havia subestimado aquele rapaz. Jasper não esperou que Edward se recuperasse do susto e investiu, jogando-o na parede mais próxima. Ele tentou asfixiar o ruivo com o antebraço, mas foi acertado nas costelas duas vezes seguidas e isso foi distração o suficiente para Edward conseguisse vantagem, disparando socos. Os homens atacaram um ao outro como selvagens, descontando toda a raiva e frustração até que estivessem gemendo e gritando com a força de cada golpe. Jasper tinha a sobrancelha cortada, o sangue escorria para o seu olho, atrapalhando-o enquanto tentava se livrar das investidas de Edward, que estava com o alto da bochecha ferido e seu lábio inferior não seria uma visão agradável em breve.
— Fique longe da Isabella, porra — Jasper ordenou quando ambos se separaram para tomar fôlego. Sua cabeça latejava por ter sido batida contra parede algumas vezes — Ela nunca significou nada para você. O que diabos você está fazendo aqui ainda? Junte sua merda e caia fora de Seattle.
— Você não sabe do que está falando — Edward respondeu, fechando os olhos por um segundo. Todo o seu tronco estava doendo. Não conseguia se lembrar da última vez que precisou agredir alguém fisicamente, mas a resposta do seu corpo à agressão de Jasper, mostrou-lhe que não era seguro seguir despreparado — Você acha que me conhece porque sabe onde errei com a sua amiga, mas não tem a menor ideia do quanto aquela mulher significa para mim.
— Oh, bem, eu vejo como você a faz feliz quando demonstra isso. — Ele respondeu, sua voz carregada de sarcasmo trouxe mais dor à Edward porque ele sabia que era verdade.
Estava fazendo merda de novo.
— Eu gosto dela. Eu realmente gosto dela... muito, cara — Edward assumiu e gemeu depois de cuspir sangue escuro no chão. Por alguma razão, era mais fácil admitir isso para o sujeito que ele mais detestava no momento, do que para a própria mulher em questão. Isso só mostrava o quanto ele era incapaz de dar uma dentro. Se tivesse feito Isabella acreditar que havia uma possibilidade ou que ele gostava de mais do que simplesmente transar com ela, ela teria ficado — Você sabe o aconteceu. Só porque eu comecei com aquilo, não quer dizer que saí ileso.
— Sim, eu imagino. Também estaria fodido se o meu irmão tivesse trepado com a minha garota e bem, você sabe o resto... — Jasper sorriu. Edward sabia que ele estava falando daquela maneira crua e nojenta de propósito, para machuca-lo mais com a dura realidade, pois não falaria sujo sobre a melhor amiga por prazer, então não se importou em retrucar — Por mais que eu queira jogar a culpa toda sobre as suas costas, sei que o que Isabella fez foi ruim. Realmente ruim. Só conheço a dor dela, mas posso acreditar que as coisas não foram tão fáceis para você também. Nada nessa merda é simples e eu entendo, mas isso não quer dizer que vou ficar parado enquanto você bagunça toda a vida que aquela garota lutou para conseguir.
— Não foi para isso que eu vim. Não é o que eu quero.
— E o que diabos você quer, cara? Apenas diga.
— Ela, Jasper. Eu a quero para mim. Na minha cama. Sob o meu teto. Na minha vida e isso é tudo o que eu posso te dizer por agora — Edward respondeu, com raiva por ser incapaz de colocar o que sentia nas palavras. Apenas não parecia ser o suficiente, mas queria fazer um esforço — Isabella tornou-se o centro do meu mundo desde que ela aceitou a maldita carona e caiu na minha conversa. Eu não me orgulho do que fiz para nos aproximar, mas me apaixonei por ela e daquele dia em diante, eu não fiz nada de propósito para lhe causar o mal. Sei que deveria ter sido sincero, mas arriscar o nosso namoro quando estávamos tão perto de nos livrar daqueles caras, não era uma opção para mim.
— Então você a amou? Realmente? — Ele perguntou, parecendo cético.
— Sim, porra, não tenho porque mentir sobre isso. Se eu tivesse que admitir ter apenas a usado, eu o faria, uma vez que você já chutou a minha bunda, de qualquer forma — Edward ergueu a cabeça e foi capaz de notar um espasmo nos lábios do sujeito. Isso o fez querer rir também — Eu ia nos tirar de Forks. Três semanas antes de ela descobrir sobre a aposta, eu vendi a Amanda — Ele suspirou, afugentando essas memórias — A minha moto tinha esse nome por causa da cadela que tive na infância. Meus pais passaram por um período complicado quando eu era mais jovem. Separação e essas merdas... ela foi a única a me ajudar a passar por isso. Achei que seria uma boa homenagem. Eu fodidamente adorava as duas.
— Certo, mas o que isso tem a ver? Por que vendeu a moto?
— Eu precisava do dinheiro — Edward deu de ombros e desviou o olhar, sentindo-se estranhamente tímido para contar o motivo. Odiava admitir que tinha fracassado naquilo também — Ia usá-lo para comprar o anel de noivado dela e dar-lhe quando chegássemos em San Francisco.
— Puta merda...
— Sim, ela estava farta da chuva e da neve que a rodeava desde sempre, então prometi leva-la para algum lugar quente e com sol na maior parte do ano. Era suposto irmos para a Califórnia juntos, já que Isabella não queria ficar longe demais dos pais e a Florida, nossa segunda opção, ficava do outro lad-
— Cara, você ia pedi-la em casamento?! — Jasper o interrompeu, exasperado. Ainda não conseguia acreditar em como Edward estava simplesmente se abrindo para ele, depois de ambos caírem no braço, mas essa merda o pegou de surpresa.
— Sim — Admitiu e estremeceu quando seu lábio machucado latejou com sua tentativa de sorrir — Éramos jovens, mas eu não queria perdê-la quando nos mudássemos para um lugar novo. Carlisle me ajudou a encontrar um flat pequeno, mas decente, para nós dois vivermos e então eu faria o pedido.
Mas nunca aconteceu...
— A Bella não tem a menor ideia disso.
— Apenas meu pai sabia. O resto da família ficou ciente depois que a merda com o Emmett aconteceu. Eu não queria que Isabella soubesse o que eu estava pronto para fazer, depois que ela foi capaz de dormir com o meu irmão por vingança.
— Cara, isso é grande — O loiro balançou a cabeça, ainda custando a acreditar que o mesmo sujeito que fez aquela aposta da porra, estava disposto – com apenas 17 anos – a preparar-se para se amarrar legalmente a sua irmã. Como diabos ele podia culpa-lo agora? Isso não anulava o que ele tinha feito de errado, mas Edward deve ter passado por péssimos momentos ao decepcionar-se com Bella. Para ele, isso tudo era o suficiente para transformar um cara e se não fosse da sua irmã que eles estavam falando, Jasper não o julgaria por não estar cheio de amor para dar no momento — Então você afirma que não está aqui para se vingar e a quer de verdade. Posso assumir que você não está pronto para um relacionamento?
— Sim — Edward afirmou e se corrigiu logo em seguida — Quero dizer, não. Eu não posso colocar um rotulo sobre isso ou extrair mais de mim para dar a Bella por enquanto, mas porra, eu preciso dela. Cara, eu tenho que...
— Calma aí, parceiro — Jasper empurrou-o de volta a parede, dessa vez sem força ou agressão, apenas para mantê-lo quieto — Você precisa trabalhar nessa merda se quiser uma chance com ela. Eu não deveria estar te encorajando a procura-la novamente, já que nem você sabe o que diabos quer realmente, mas se é o que eu estou vendo nos seus olhos for real... vou correr o risco.
— O que? O que isso quer dizer?
— Tenha um tempo para si mesmo. Eu sei que pode ser a assustador, mas reflita sobre vocês dois e lembre-se que dez anos se passaram. Nenhum de vocês são os mesmos, então trabalhe esse medo de envolver-se e veja o que pode fazer por Bella. Ela não merece menos do que o mundo e infelizmente, ela o quer de você e fodas semanais, ela pode conseguir com qualquer um — Edward enrijeceu e estava prestes a retrucar, mas Jasper continuou — Ela gosta de você. Quer estar com você e vai respeitar os seus limites — O loiro afirmou e assistiu o outro engolir em seco e assentir minimamente — Então pare de ser um maricas e faça algo sobre isso de uma vez por todas.
— Tudo bem, eu vou... pensar sobre isso.
— Bom. Agora eu vou levar as garotas para casa — Ele avisou e virou-se para sair, tocando a parte de trás da sua cabeça para senti-la dolorida. Iria precisar de algum gelo e talvez, pediria para Alice cuidar disso mais tarde — Edward?
— Sim?
— É preciso deixa-la entrar. Diga como se sente e vocês vão dar um jeito de fazer funcionar. São os mal-entendidos que ferram com a coisa toda — Ele avisou e quando viu o entendimento na expressão do cara, virou de costas — E se eu souber que você a fez chorar daquele jeito novamente, eu vou arrancar as suas bolas.
Sentindo-se estranhamente confortável com a suposta trégua, Edward o assistiu se distanciar até que uma fisgada em suas costas o distraiu. Esticou o braço para trás e riu quando percebeu que havia um corte no tecido, mas quando encostou na pele, silvou com a dor fina. Jasper, apesar de sua pose, não tinha saído em uma situação muito melhor e esperava que o seu estado não alarmasse Bella a ponto de afasta-la ainda mais. O loiro pareceu entende-lo melhor, mesmo sabendo de tão pouco e talvez fosse de alguma ajuda, mas não podia contar com isso. Precisava esclarecer tudo o que aconteceu hoje em sua mente e em seu coração, para então, fazer aquela mulher voltar e ter certeza de que nunca mais sairia de onde deveria ter estado durante todo esse tempo. Os seus braços.
*********
O travesseiro não estava ajudando.
Ela o apertou ao redor da cabeça, mas não foi capaz de cobrir os seus ouvidos. O zumbido irritante parecia mais alto do que nunca enquanto a impedia de voltar a dormir. Isabella, com um gemido alto, atirou o travesseiro pelo quarto e ouviu o miado de sua gata. Provavelmente, a tinha atingido, mas seus olhos estavam grudados... não tinha força para abri-los e verifica-la, mas um movimento fraco sobre o colchão a deixou saber que Lola estava bem.
Ela sentou-se, sentindo a cabeça latejar e pesar. A sua boca tinha um gosto terrível e a língua estava seca, mas sabia que a ressaca tinha muito mais a ver com o final da noite passada, do que com as bebidas em si. Limpou o canto dos olhos e bocejou. Isabella se sentia como merda e a realidade, é que não queria deixar a cama hoje. Apesar de não saber exatamente como tinha acabado ali, estava certa de que foi uma boa escolha. Lembrou-se de encostar a cabeça no ombro de Alice, no banco de trás do seu carro e lhe contar tudo o que havia acontecido. Angela, de babada, ficou sóbria quando viu o sofrimento da amiga e pediu inúmeras desculpas por insinuar aquelas coisas no banheiro. Isabella era uma idiota por ter se deixado levar por uma coincidência e mostrado ao Cullen o quanto ela precisava dele.
Alice tentou defende-lo, apesar de tudo. Pediu para que tivesse paciência com o seu irmão, pois Edward tinha seus próprios problemas para lidar e tudo estava acontecendo rápido demais para que ele pudesse saber o que diabos fazer. Ela negou-se a acreditar que o que estava acontecendo entre os dois, não passava de um jogo, pois depois do que houve entre o casal, nenhum cara com amor próprio ou orgulho, voltaria para lhes dar uma segunda chance. Cansada de lutar contra, Isabella apenas ouviu o que as duas moças tinham a dizer. Ela odiava que as pessoas lhe dissessem o que fazer, mas estava tão perdida sobre tudo, que realmente deu ouvidos aos conselhos e opiniões. Talvez tivesse mesmo exagerado um pouco. É claro que não ia pedir desculpas por se impor e exigir de Edward algum comprometimento. O sexo era incrível, mas não seria o suficiente por muito tempo e a mataria ter que deixa-lo ir para outra, quando ambos percebessem que queriam coisas diferentes. Talvez a palavra fosse mesmo essa: paciência. Teria que ama-lo aos poucos, com sutileza, lento como em passos de bebê.
Precisava pensar com clareza e cogitar a possibilidade de que ele podia estar assustado. Ambos têm problema com confiança, mas ela foi a que extrapolou.
Decidiu que precisava pegar leve com ele, mas isso rapidamente mudou quando Jasper, em uma verdadeira bagunça e sangrando, entrou no lado do motorista. Ele não quis dar muitos detalhes, apesar da insistência das três mulheres, mas as deixou saber que havia finalmente se acertado com o Cullen. Alice ficou preocupada com o irmão, mas seus olhos examinavam o loiro em todo lugar que podia alcançar e depois de receber um sorriso tranquilizador, ela aquietou-se.
Depois que a bêbada Isabella, amaldiçoou e riu durante a narração da troca de golpes entre os dois homens de sua vida, adormeceu nos braços de sua amiga, Jasper a levou embora. Depositou-a na cama, trocou sua roupa por uma larga camiseta confortável e só a deixou quando teve certeza de seu sono era tranquilo. O rapaz levou Alice para a sua própria casa e depois de um banho, uma breve conversa, curativos e analgésicos, os dois dividiram a cama para dormir, como se tivessem feito aquilo a vida inteira.
Jasper mal lembrava do fato de que os dois se conheceram apenas horas atrás.
Batidas fizeram Isabella abrir os olhos.
Não percebeu que tinha cochilado de novo até ouviu alguém a chamando na porta da frente. Calçando os seus chinelos, ela puxou a camisa para baixo e tentou dar um jeito no cabelo enquanto corria para sala, onde as batidas estavam soando mais fortes. Lola veio correndo atrás, miando sobre algo e a fazendo tropeçar algumas vezes, por tê-la se enfiando entre suas pernas. Soltando um suspiro irritado, ela abriu a porta e franziu, confusa, enquanto recebia um olhar questionador.
— Quantas vezes eu já falei para não abrir a porta, sem antes, perguntar quem é? Você deveria providenciar um olho mágico, se vai continuar sendo imprudente.
— O que diabos você está fazendo aqui? — Ela perguntou, assistindo-a retirar os grandes óculos de sol e engancha-los no decote da blusa, antes de acenar com uma mão para que ela saísse do caminho.
— Olhe a linguagem — Repreendeu e entrou na casa, arrulhando para Lola, que animada com a visita surpresa, se esfregava nos moveis — Isso não é jeito de falar com a sua mãe. Eu vim resolver algumas coisas na cidade e quis parar para ver a minha filha. É sábado. O que há de errado com isso?
— Nada, mas você poderia ter avisado.
— Sim, eu teria, se você retornasse as minhas ligações ou visse as minhas mensagens — Renée revirou os olhos e encontrou um lugar para sentar. Odiava o transito de Seattle. Na verdade, não gostava de muita coisa sobre o lugar, por isso nunca teve o desejo de sair da sua pequena cidade — O que há com os seus olhos?
Isabella não sabia o que havia de errado com eles, mas podia imagina-los vermelhos e inchados do choro. Deu de ombros e pegou a gata no colo, para acaricia-la e tomar o assento que antes estava ocupado por ela.
— A noite não foi como esperava. Por que veio tão cedo, mãe?
— Passa das dez, Isabella, isso não é cedo para mim — Renée abriu um pequeno sorriso e então bateu as mãos uma na outra — Acredito que não tenha tomado café da manhã ainda, então por que não deixa Lola comigo, vai tomar um banho e depois, nós saímos para um brunch?
— Eu acho que um pouco de comida me faria bem. — Concordou, assentindo e indicou a cozinha para que Renée pudesse alimentar Lola enquanto ela ia cuidar de si mesma.
A ducha fez maravilhas com o seu corpo e espantou o mal-estar para longe, tanto que Isabella já estava cantarolando quando começou a lavar o cabelo. Quando saiu do quarto, vestida, penteada e perfumada, sua gata estava bebendo água e Renée voltava do quintal com a caixa de areia de Lola, limpa e pronta para uso.
— Você está ótima. Podemos?
— Obrigada, sim, vamos lá.
Elas usaram o carro de Renée para irem até uma pequena e agradável cafeteria. O caminho foi feito em um silencio cômodo, já muito comum entre as duas mulheres. Ambas nunca foram melhores amigas ou confidentes e isso não tinha nada a ver com fato de Isabella ter sido criada por Charlie, as coisas apenas eram como eram, mas isso não quer dizer que não se amavam. Renée lamentava profundamente ter afastado a sua filha por completo e sentiu-se uma porcaria de mãe ao ver Esme a acolhendo como se fosse sua. Além de surpresa, ficou emocionada quando um tempo depois, a garota aceitou seu pedido de desculpas como se o que tivesse feito não fosse grande coisa.
Provavelmente não era, tendo em vista todo o resto que estava acontecendo, mas ela mesma nunca se perdoaria. Renée ficou em êxtase quando foi capaz de ajuda-la no período da faculdade, com a compra da casa, decoração e a negociação do carro. Ela tinha ficado no vermelho por um longo tempo depois de gastar tanto com a filha, mas pela primeira vez em quase vinte anos, sentiu que finalmente estava fazendo-a feliz. Mas agora, vendo essa expressão de vazio em seu rosto, sabia que havia algo acontecendo e familiarizada com aquele olhar, sabia exatamente qual era o motivo.
— Essas panquecas são incríveis. Como não encontrei esse lugar antes? — Isabella perguntou, falando um pouco de boca cheia, fazendo a mãe rir. Elas também haviam pedido ovos mexidos, linguiça, um pouco de bacon, pão e mais algumas coisas gordurosas para acabar com qualquer vestígio de ressaca da garota — Como está o papai?
— Muito bem. Ele voltou a dar aulas.
— E por que você não parece muito satisfeita com isso? — Ela perguntou, arqueando uma sobrancelha. Notou o tom de desdém na voz dela.
— Eu estou, não me entenda mal, apenas era bom... tê-lo me esperando quando eu chegava do trabalho — Sua voz era baixa, quase triste e Isabella teve que prender o riso. Houve um tempo em que seria o contrário. A mulher estaria em casa esperando o marido retornar, mas Renée gostava da ação e de ser útil. Charlie teria que ter três bolas para mantê-la em casa — E então, há aquela mulherzinha.
— Que mulherzinha?
— A diretora. Você não a conhece? — Isabella negou com a cabeça, ficando mais interessada ainda na conversa. Já tinha ido vê-lo na faculdade onde ele leciona matemática, mas não conheceu seus superiores — Ela se chama Marta, é alguns anos mais velha que o seu pai, mas os dois ficaram amigos desde o começo. Eu pesquisei sobre ela e não gostei do que vi. A mulher está divorciada há cinco anos e não há indícios de que ela tenha se envolvido com um homem desde então. De acordo com a quantia que esse cara deposita por mês em sua conta, posso afirmar que ela trabalha apenas por prazer.
— Você descobriu o valor da pensão que ela recebe, mãe?
— É claro! Eu não gosto dos dois trabalhando juntos, Bella. Estive lá no começo da semana e vi o modo como ela o olha.
Isabella riu.
Ela nunca tinha visto Renée com ciúmes ou insegura antes. Era estranho, mas também muito engraçado, uma vez que Charlie não tinha olhos para outra pessoa, exceto ela. O homem teve apenas uma namorada depois da separação e poucos casos de uma noite enquanto ela crescia, pois, seu coração sempre pertenceu a ex esposa. De jeito nenhum, ele colocaria tudo a perder a essa altura do campeonato.
— Por favor, não seja absurda. Charlie é louco por você — Ela afirmou, tocando a mão de Renée por cima da mesa. A mulher apenas respirou. Isabella sabia que nenhum casamento era um conto de fadas e que as coisas podiam ter ficando tensas entre eles uma vez ou outra, mas não duvidava do amor do seu pai — Não faça nada precipitado que vá deixá-los em uma situação delicada, ok? Se você realmente vir que algo está errado, quero que fale comigo.
— Tudo bem.
— Ótimo.
— Agora me diga. Como vai o menino Edward?
— Quem? — Isabella perguntou, tentando puxar o seu queixo de volta para cima. Por que sua mãe estava perguntando sobre ele, assim, de repente?
— Oh, sério? Vai fazer esse joguinho comigo? — Renée rolou os olhos outra vez e encarou o rapaz da mesa de trás que estava abrindo um buraco na cabeça de Isabella. Sua filha havia se tornado uma mulher muito atraente e chamava mais atenção do que percebia. Podia estar casada e ter um par de filhos agora, se não fosse estupidamente apaixonada por aquele rapaz — Nós podemos não passar muito tempo juntas, mas você saiu de dentro de mim e eu te conheço. A última vez que vi esse olhar, você me contou sobre aquela estúpida brincadeira e levou tudo de mim, para que eu não o chutasse no saco.
Isabella riu com a memória. Renée tinha ficado furiosa com Edward, por ter sido um grande babaca e com ela, por ter caído tão fácil. A verdade é que ela estava frustrada por não ter percebido nada antes e também ter sido enganada. Suspirando, a morena contou uma versão resumida dos fatos desde aquele final de semana até a loucura de ontem à noite, imaginando que encontraria desapontamento em seu rosto quando a encarasse, mas o que viu a deixou confusa.
Renée estava sorrindo. Que diabos?
— Edward esteve em Forks há alguns dias.
— Como é que é?
— Sim, eu estava atendendo a minha última chamada no bar do Rick e quando estava voltando, o encontrei me esperando ao lado do meu carro — Renée começou a contar, sua voz não denunciava qualquer emoção — Ele pediu para falar comigo e nós fomos tomar uma cerveja juntos. Edward me contou o que houve no dia seguinte ao aniversário de Charlie e não escondeu os detalhes que você acabou de omitir, mocinha — Ela censurou, deixando-a vermelha de vergonha, mas continuou — Ele me pediu desculpas antes que eu pudesse quebrar o seu nariz, o que foi bom, porque atualmente aquele garoto tem uma ótima aparência, não é?
— Sim, ele tem. — Bella não pode evitar concordar.
— Edward estava lá para ter um momento com a sua mãe e colocar a cabeça no lugar. Aparentemente, o reencontro de vocês mexeu com o garoto e ele estava ali para decidir o que era sensato fazer. Voltar para casa ou começar de novo onde você estava? Eu lhe disse para vir para Seattle.
— Você fez... por que?
— Porque há muito tempo atrás, eu te disse para dar ouvidos ao garoto. Bella, as pessoas fazem besteira e às vezes, matariam para voltar no tempo. Olhe pra mim! — Ela pediu, referindo-se a si mesma por ter negado ajuda a sua única filha quando ela mais precisou dos pais. Por tê-la tirado de casa quando se envolveu com ambos os meninos Cullen. Edward havia desabafado com ela. Disse-lhe coisas que a surpreenderam e a tocaram profundamente, mas não eram seus segredos para contar — O que esse garoto sente, sobreviveu por uma década mesmo com tantas coisas ruins cobrindo as partes boas e agora ele está aqui para você. Querida, se você recuar agora, ele fará o mesmo porque o medo de ser machucado é tão grande quanto o seu de ser usada outra vez.
— Eu não o que diabos fazer, mãe — Ela insistiu — Quero dizer, o Edward é o único que não precisa me esforçar para me atingir e eu não tenho certeza se ele vale a dor que pode me causar.
— E você pode me dizer, com toda a certeza em seu coração, que sua vida será melhor sem Edward nela? Pode ser doloroso, eu sei, mas a minha menina não desistiu de aprender a andar de bicicleta só porque os seus joelhos estavam ralados. Conquiste-o e lhe dê motivos para nunca deixa-la ir novamente — Aconselhou, tentando fazer a filha ver a razão para que não desperdiçasse mais tanto tempo e perdesse a oportunidade da sua vida — Faça-o confiar em você. Não será nada fácil, mas se o ama, arrisque. Pelo amor de Deus, Bella, a vida é só uma! Aproveite o presente... é só o que temos.
Elas ficaram em silencio por um tempo.
— Acho que, uau, eu não posso discutir com isso.
— Sim, eu não sou boa nessa coisa de conselhos, mas vivi na pele os milagres que o perdão e um pouco de esforço podem fazer. Veja o meu caso com o Charlie. Achei que tinha o tinha perdido para sempre, mas quando voltamos, pareceu que todos aqueles anos não haviam existido — Renée tinha esse bonito sorriso no rosto que trazia paz à Bella, talvez até um pouco de inveja — É por isso que eu digo a vocês dois, algo tão forte e duradouro quanto os sentimentos de um pelo o outro, não pode ser tratado com esse descaso. Filha, infelizmente, o amor de vocês foi interrompido quando eram jovens. Não permita que isso aconteça de novo. Eu iria embora dessa terra, feliz, se soubesse que você estaria vivendo algo parecido com o que tenho com o seu pai.
— Merda, mãe... — Bella se levantou, fazendo a cadeira arrastar no piso e ignorou o olhar dos outros clientes para alcança-la, que com um nó na garganta e surpresa, a recebeu em seus braços.
*********
Renée foi embora no final da tarde.
Antes, Isabella a levou para University Village, localizado no norte do centro da cidade. Sua mãe não gostava de grandes aglomerações de pessoas, por isso o shopping center, que oferece uma combinação única de mais de 120 lojas e restaurantes ao ar livre, era a melhor escolha a ser feita.
Isabella adorava ir até lá nos dias quentes, porque as volumosas arvores sempre estavam muito verdes e as pessoas de bom humor. Era comum, encontrar idosos em pequenas mesas nas sombras, bebendo café e lendo jornal. Famílias vendo vitrines, mães passeando com seus bebês nos carrinhos e os ciclistas pedalando ao redor. Aproveitando o que o limite do seu cartão estava maior neste mês, ela acompanhou a mãe nas compras. A experiência em si, foi toda divertida, mas quando viu Renée aproximar-se de uma loja voltada apenas para lingerie, ela correu para dentro da primeira livraria que encontrou.
Mais tarde, elas almoçaram e tomaram sorvete de sobremesa, sempre conversando sobre tudo e nada ao mesmo tempo. As duas raramente tinham um tempo só para elas e aproveitaram ao máximo cada hora antes que Renée a levasse de volta e pegasse a I-5 S para retornar à Forks, para o seu marido.
Isabella tomou um susto ao usar a chave reserva que mantinha consigo, para entrar na casa de Jasper. Ela não tinha ouvido falar nele desde a noite passada e depois de ficar algumas horas cozinhando o jantar, ela separou tudo em vasilhas e decidiu leva-las para lá, mas quase derrubou tudo no chão ao ver Alice na cozinha, vestida numa camisola, xingando a disposição das panelas no armário.
Alice lhe deu uma desculpa esfarrapada de como tinha passado a noite para cuidar dos machucados de Jasper – que pareciam ainda piores hoje –, já que ele tinha se recusado a ir ao pronto-socorro para verificar os danos e que tinha se ausentado apenas por algumas horas no período da manhã para conseguir algumas roupas e produtos de higiene. Jasper não parecia incomodado em nada em compartilhar o seu espaço com mais alguém, coisa que ele nunca tinha aceitado antes e Isabella assistiu, fascinada, quando o homem apareceu por trás da moça e agarrou a cintura dela carinhosamente antes de sussurrar algo em seu ouvido que a fez sorrir e então, lhe deu um beijo demorado na bochecha.
Por que deveria estar surpresa?
Era assim que os Cullen operavam.
Eles chegam, se instalam e fazem você querer mais.
Durante o jantar, Isabella soou arrependida por não ter tirado um segundo do seu dia para ligar para Angela e verifica-la, mas Jasper a tranquilizou e disse que a deixou sob os cuidados de Stella. Segundo ele, a confeiteira não quis voltar para a sua casa e o obrigou a deixa-la no endereço da outra mulher no meio da madrugada. Ela não tinha a menor ideia do que estava acontecendo entre aquelas duas, mas estava louca feito o inferno para saber sobre isso.
O casal a convidou para ver um filme após lavarem e secarem a louça, então vendo que Alice ficaria por mais essa noite e ela não teria uma chance de questiona-lo sobre o que diabos estava acontecendo, ela aceitou.
Isabella tentou disfarçar enquanto tirava os olhos da TV e se voltava para Ali, que estava há alguns minutos no telefone com Edward. Ela se esforçou para ler seus lábios, já que a moça estava longe demais para ser ouvida e percebeu que Jasper não tirava a atenção Tom Cruise em Top Gun. Este era um dos seus clássicos favoritos e ela sempre o perturbava por gostar tanto de um filme gay. Jasper tentou negar por um tempo, mas depois que eles estudaram melhor a cena em que vários homens de toalha passavam as mãos um no outro e conversaram com os rostos separados por cerca de 10 centímetros de distância, ele admitiu que o piloto Maverick estava em conflito com a sua sexualidade, mas o filme ainda era bom.
— Ele está bem — Alice disse quando Isabella cruzou a porta para a rua. A morena girou em seus calcanhares, subitamente inquieta — Há tempos o Edward não usava os seus punhos para brigar, mas os danos foram mínimos, dentro do possível.
— O que ele disse?
— Que precisa de um tempo, você sabe, para se recuperar — Isabella desviou o olhar, sabendo que ela não estava se referindo apenas a briga de ontem — Edward não está satisfeito que eu esteja aqui, o que me deixou aliviada. Ele continua o mesmo idiota ranzinza de sempre — A moça rolou os olhos e a morena soltou um breve riso, morrendo de curiosidade para saber como ele estava lidando com a irmã dormindo com o seu melhor amigo, que por acaso, ele detesta — Exigiu que eu voltasse para casa amanhã cedo. Vou tentar dobra-lo quando chegar a hora.
— Será que ele perguntou por mim?
— Oh, não... eu sinto muito, Bella.
Seu estômago girou com a resposta, mas no fundo, não esperava por nada diferente. Ontem, ela terminou com ele antes que tivessem a chance de começar e sabia que não deveria segurar seu fôlego enquanto esperava que Edward fosse atrás dela de novo. Ele, provavelmente, cansou e desistiu de dedicar seu tempo a um relacionamento fadado ao fracasso desde o início. Quando se escondeu entre as cobertas naquela noite, Isabella não impediu que o choro saísse. Sentia que toda a esperança que sua mãe lhe deu, estava se esvaindo. Seu coração estava apertado com a sensação de perda e ela não sabia se tinha forças para lutar contra Edward sobre isso. Ele a rejeitaria? A ignoraria?
Antes de finalmente render-se ao sono, ela pediu por uma segunda chance. Prometendo que, se tivesse qualquer sinal de que aquele homem pertencia a ela, que na história dos dois ainda não havia sido colocado um ponto final, ela lutaria contra tudo e contra todos pela felicidade deles.
*********
O domingo passou lento e entediante tanto quanto possível. A chuva voltou a cair por horas a fio sobre boa parte dos bairros da cidade, deixando tudo frio e cinzento. Isabella se recusou a deixar o quarto durante todo o dia e até as suas refeições foram feitas na cama. Lola adorou a falta de disposição da dona e ficou ao seu lado o tempo inteiro, dormindo, se espreguiçando, olhando para o nada, cochilando e fazendo todas as coisas nada emocionantes que os gatos gostam de fazer.
Quando a segunda-feira chegou, o clima ainda não havia mudado e apesar de já estar mais do que familiarizada, dessa vez, aquilo só pareceu piorar o seu estado. Então, tentando ignorar o quanto estava se sentindo melancólica e depressiva, agasalhou-se bem e seguiu para o para o trabalho.
Uma das ruas pela qual Isabella passava todos os dias, estava temporariamente interditada e isso a fez ter que fazer o percurso mais longo para o trabalho e quando chegou na Création7 estava 30 minutos atrasada. Miranda foi uma das primeiras pessoas a cumprimenta-la e ao contrario dela, estava movendo-se a todo vapor, mas mesmo assim, encontrou tempo para para-la e conversar sobre o que haviam feito. A morena ignorou os olhares tortos de alguns colegas, por ter chegado tarde e ainda tirar um momento para falar sobre o final de semana, mas precisava de um pouco da boa energia de Miranda, se quisesse ser útil pelas próximas horas.
Sua amiga lhe contou que seu namorado e ela tinham decido morar juntos de uma vez. Aparentemente, Louis havia mentido para ela, sobre quando o seu apartamento ficaria pronto, apenas para passar mais algum tempo vivendo como casal. Isabella achou doce e estúpido, mas ficou feliz pelos dois. Quando Maya a chamou para lhe passar algumas mensagens, ela já estava se sentindo bem melhor, exceto pelo frio que estava fazendo no andar. Segundo a moça, todos foram pegos de surpresa ao chegarem e encontrarem o aquecedor parando de funcionar, mas alguém já tinha sido chamado para resolver o problema e provavelmente estaria tudo pronto antes das 16h.
Isabella torceu para ser capaz de concentrar com os dentes batendo até lá.
Sua sala estava escura quando entrou, mas conhecendo a disposição dos moveis e contanto com a pouca luz que entrava através das persianas velhas, conseguiu chegar até a mesa sem tropeçar em nada. Enquanto ela organizava as coisas, lembrou-se do seu vaso e bateu com a mão na testa. Merda, não havia sequer chegado das flores durante toda a sua folga. Ela acendeu o pequeno abajur que iluminou o suficiente para que ela pudesse ver uma caixa.
A embalagem era linda, mas quando foi retirada, revelou os mais belos bombons em que já pôs os olhos. Eles tinham o mesmo formato, mas além das cores, também tinham texturas diferentes. Isabella salivou com o desejo de prova-los, mas antes, alcançou o minúsculo cartão preso à tampa.
“Esses deliciosos chocolates foram feitos por um dos melhores chocolatier do mundo, o preferido de vários restaurantes, e como sei que gosta de doces... espero que aproveite. Senti sua falta.
Dominic”
Ela sorriu largamente com o presente e leu pela primeira vez, a marca dos bombons. Era francesa. Isabella sabia que Nic estava viajando há alguns dias, mas não para onde e agora tudo ficou muito claro e tinha certeza se gostava disso. Mas quem era ela para achar que o homem estava certo ou errado? Se ele amava tanto a Mia, deveria...
— Eu espero que Dominic seja uma mulher.
Isabella gritou.
— Jesus Cristo!
Ela derrubou a bolsa no chão quando virou-se tão rápido quanto era capaz, para ver alguém sair das sombras e aproximar-se dela. Sua bunda pressionou na borda da mesa, mas ela já não estava mais assustada. Seu pulso, apenas estava acelerado, do susto e também porque aquela voz era capaz de fazer isso com ela e muito, mas muito mais.
— O que está fazendo aqui, Edward?
A luz fraca do abajur finalmente o alcançou e lhe mostrou toda a sua gloria. Ele estava especialmente delicioso em um novo terno escuro, destacando os seus olhos bonitos. Edward passou rapidamente o dedo indicador abaixo do lábio inferior enquanto avaliava o seu vestido que parava um pouco abaixo do meio das coxas.
— Eu vim esclarecer algumas coisas — Ele explicou, chegando mais perto e alcançando a sua cintura. Ele empurrou-a ainda mais para trás, fazendo sentar na beirada da mesa e abrir um pouco as pernas para recebe-lo — E ao que parece, nós vamos começar com a minha parte favorita. — Ele sorriu e ameaça implícita em seu tom, a vez estremecer de desejo.
Porra, sim, por favor.
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