Erros de Sempre

5 Capítulo 4


Notas iniciais
Ontem foi dia do escritor! Leram muito? Porque eu trouxe mais.

Voltar a trabalhar estava sendo exaustivamente satisfatório. A agência era muito maior do que ela imaginava e por estarem sem uma funcionária tão necessária há dias, muita coisa havia se acumulado, mas estava feliz porque Jackson – o irmão mais novo do padrasto de Jasper – fora extremamente atencioso com ela desde o seu primeiro dia e fez sentir-se bem-vinda. Porém, como tudo não podia ser um mar de rosas, em apenas uma semana já havia feito inimizades. Um casal de funcionários simplesmente se recusava a interagir de forma amigável com a com a moça, fazendo com que ela se visse novamente no colégio, mas isso não a abalou em nenhum momento, pois assim como seu amigo previra, ela realmente conheceu gente nova com interesses em comum e estava mais feliz nas últimas cinco semanas do que nos sete meses em que passou no seu último trabalho.

O tempo havia passado voando e já fazia mais de um mês que tinha retornado à cidade. Na segunda-feira à tarde, Jasper voltou para a sua rotina de correria no hospital, para atordoar as suas pacientes gravidas e sensíveis com aquele seu sorriso incrível e ela se apresentou na agência de comunicação para uma breve entrevista, assim que recebeu a chamada, algumas horas depois do almoço.

Isabella foi contratada como administradora no final do daquele mesmo dia.

Enquanto a chuva caía sem piedade sobre aquela área de Seattle, Isabella bocejava em frente ao notebook que estava em seu colo, esquentando a pele de suas coxas nuas, devido ao tamanho pequeno do short jeans que usava. Como dominava as técnicas de gerenciamento de pessoas há cerca de seis anos, estava sendo encarregada da função de realizar o manejo do quadro de funcionários, uma vez que cerca de quatro demissões foram feitas só em maio.

Ao se dar conta de que havia bocejado mais uma vez, fechou o computador e colocou-o em cima da mesinha de centro, onde o seu chocolate quente fumegante encontrava-se esfriando para ser bebido. Ela nunca foi adepta a cafeína, por isso sua salvação em dias frios era o bom e velho chocolate, mesmo que no outro dia ela estivesse quase paranoica com as calorias e malhasse feito uma louca para aliviar a culpa.

Sorveu um gole generoso da bebida, agora morna. Colocou os pés cobertos pelas grossas meias roxas também em cima da mesinha, ao mesmo tempo em que ligava a TV e buscava por algo interessante para aquele final de noite. Ouviu o bipe do seu celular em algum lugar na sala e gemeu fechando os olhos, fazendo uma prece silenciosa sobre aquilo.

Que não seja o trabalho. Não seja o trabalho, por favor. Só hoje.

Ela repetiu aquele mantra desde que se levantou até encontrar o aparelhinho. Uma notificação estava marcada ali na tela, mas suspirou em alivio ao ver que era de uma de suas redes sociais, nada relacionada ao seu chefe ou ao emprego em si. Seu antigo trabalho, não lhe dava descanso – exceto pelos feriados e domingos – mas esse sim, a cada 15 dias e amanhã era o seu dia de folga. Devido a agitação no lugar durante as últimas semanas, estava morrendo de medo que a chamassem para fazer hora extra, pois sabia que não seria capaz de negar ajuda.

Mas ela queria dormir até tarde amanhã.

Também era filha de Deus!

— Oh, Jesus. Por que não me esquecem, hein? — Ela perguntou quando abriu seu Facebook e entre as três novas solicitações de amizade, estava Alice Cullen. Será que devo deixa-la aí e fingir que não vi o convite? Questionou a si mesma enquanto visitava o perfil da moça. Não teve acesso a muitas coisas, pois era quase tão privado quanto o seu próprio.

Elas conversavam breve e periodicamente por mensagens, mas mantinham uma distância saudável uma da outra, para que ambas não soubessem detalhes específicos sobre o que acontecia na vida de cada uma. Era desnecessário, admitia, mas ficava tudo mais confortável dessa forma e vem dando certo ao longo dos anos. Nossa, 6 amigos em comum! Por que nunca percebeu isso antes? Se recusasse ou deixasse a solicitação mofando ali, corria o risco de Alice ver alguma marcação ou comentário dela com esses amigos e interpreta-la mal, então...

Alice M. Cullen agora é sua amiga, o Facebook disse.

Vamos lá. Seja o que Deus quiser, pensou quando devolveu o celular para a mesa de jantar. Isabella estava tentando a todo custo, manter o acordo silencioso que fez com o Jasper naquela manhã. Ele havia ficado furioso sobre o seu encontro com o Cullen e a fez prometer deixar aquilo para trás, uma vez que estavam em casa.

Agora, ela tentava a todo custo esquecer dos seus momentos com aquele homem em Forks, até os desagradáveis insultos, mas era impossível tocar o seu corpo durante o banho e não lembrar que os lábios dele passaram por ali há algum tempo. Até quando tentava dar prazer a si mesma, o idiota aparecia, cada vez mais lindo e sensual em suas fantasias, fazendo que com que ela chegasse ao clímax mais rápido e gemesse o nome dele.

Tão estupidamente fraca!

Para: Jasper Whitlock +(630-738-8022)

Hora: 21:57 p.m.

“Como está sendo a sua noite, doutor? Espero que tão tediosa quanto a minha.”

Isabella apertou “enviar” e puxou a colcha que cobria a sua cama para poder finalmente se deitar. Depois de um banho quentinho em sua banheira pequena, mas agradável, ela ficou mais sonolenta do que antes. Colocou um pijama e depois de pentear os cabelos quase cochilando, resolveu perturbar um pouco o melhor amigo no trabalho.

De: Jasper Whitlock +(630-738-8022)

Hora: 21:59 p.m.

“Eu não entendo, se está trabalhando, reclama. Se está sem o que fazer, também reclama. Se decida, mulher!

A noite está até tranquila, as consultas que foram demais...”

Para: Jasper Whitlock +(630-738-8022)

Hora: 22:01 p.m.

“Que horas acaba aí? Volte sem aquelas residentes taradas, por favor. Você precisa descansar. Suas olheiras estão cada vez mais em evidencia. Vão danificar esse rosto lindo que a Valeria te deu.

Ah, merda. Imagine como será amanhã?? O dia todo livre para não fazer nada...”

De: Jasper Whitlock +(630-738-8022)

Hora: 22:04 p.m.

“Eu saio às 3 e não meta a minha mãe no meio da sua safadeza, Bella. Não estou levando ninguém comigo hoje.

Vou parar de responde-la, preciso buscar alguns exames. Passa lá em casa amanhã à noite? Te amo, dorme bem.”

Isabella riu da brincadeira, respondeu que faria o jantar dos dois no dia seguinte e levaria para a sua casa. Depois de um plantão longo, Jasper sempre passava o dia hibernando em seu quarto, então só a noite eles conseguiam passar algum tempo juntos... isso quando ele acordava, claro.

Ajeitou os travesseiros, amassando-os como se os movimentos fossem deixá-los mais macios e suspirou quando finalmente fechou os olhos.

Seus sonhos naquela noite foram um pouco agitados e sem o menor sentido, mas não a impediram de descansar. Acordou durante a madrugada com alguns ruídos e sentiu que sua coberta estava se movendo aos poucos, quase sendo puxada, então lembrou-se de Lola. Sentou-se no colchão com os olhos quase pregados de sono e os esfregou até ser capaz de encontrar um par de orbes verde-claro a encarando com expectativa.

— Oi, linda. Está com fome?

Lola miou baixinho e sentou-se nas patas traseiras, olhando em direção à porta do quarto entreaberta. Então fitou a sua tigela inox perfeitamente vazia no chão, ao lado da cama que raramente usava.

Quando Isabella ganhou a gata de presente no seu último aniversário, ficou extremamente animada com a ideia de ter um bichano para cuidar e amar, mas não parou para pensar nas despesas que teria com alimentação, veterinário, acomodação e brinquedos. Por isso, quando sua pequena mesa arredondada que sustentava um dos abajures da sala, começou a ficar estranha com o resto da mobília, ela deu um jeito de traze-la para o quarto e recicla-la para servir de casinha. Lola pareceu animada em ter um lugar para se recolher.

No fim, deu tudo certo. Ainda era possível descansar coisas sobre ela – como livros ou peças de decoração – e dentro, havia espaço para uma grande almofada, toalhas ou um pequeno colchão, onde a gatinha dormiria em cima. Lola aproveitou o novo lugar por cerca de três dias, antes de voltar para a cama de sua mãe no meio da noite sem que ela percebesse e hoje, ela intercalava de um lugar para o outro. Optando por permanecer onde estivesse mais quente e aconchegante.

Isabella foi aos pulos para a cozinha, amaldiçoando por estar descalça em um chão tão frio no meio às 2 da manhã. Vasculhou os armários de baixo e encontrou um pacote de ração de frango aberto. Quando retornou, Lola já estava em frente ao seu comedouro e enquanto ela despejava uma boa quantidade nele, a gatinha tentava atravessar através dos seus braços para alcançar a comida.

— Não seja gulosa — Gemeu, mesmo sabendo que ela não lhe daria ouvidos. Verificou se havia água suficiente para a noite e quando ouviu um trovão fraco ao longe, correu de volta para a sua cama — Boa noite, lindinha!

Algumas horas mais tarde, despertou novamente. Dessa vez, com o barulho do seu celular tocando insistentemente e choramingou por não colocar o aparelho só para vibrar. O que diabos queriam com ela em plena madrugada? Era a porra do seu dia de folga. Mas que inferno! De cara emburrada, xingou alguns nomes antes de pegar o celular e atendeu sem mesmo olhar quem ligava.

— O que é?!

Oi, Bella. Será que eu liguei em um momento ruim?

Ela estranhou, mas abriu os olhos assim que reconheceu a voz gentil da sua amiga. Não tinha notícias dela há algum tempo, ambas estavam muito ocupadas com suas rotinas atribuladas para entrar em contato. O que teria acontecido para ela ligar de repente e nesse horário?

— Angela, não! Desculpe, é que eu estava dormindo... aconteceu alguma coisa? Você está bem? Por que está ligando tão cedo, querida? — Perguntou, sentando-se no colchão, toda preocupada e a moça riu do outro lado.

Tão cedo? Mas são quase dez da manhã, Bella! — Angela explicou e começou a rir outra vez, deixando a amiga confusa. Tinha perdido mesmo a hora e ainda queria dormir mais — Desculpe acorda-la, mas eu queria te fazer um convite meio de última hora...

— Oh. Então, tudo bem, pode falar.

Você sabe que a confeitaria estava em reforma, certo? — Perguntou e ela assentiu mesmo que a moça não pudesse vê-la — Acabamos há algumas semanas e estamos reinaugurando hoje. Você esteve aqui quando eu realizei o meu sonho, então seria muito importante que viesse outra vez. Mas eu totalmente entendo se já tiver compromisso e...

— Claro que eu vou, Angela! — Bella interrompeu toda animada com a ideia.

No seu primeiro ano na cidade, ela conheceu essa confeiteira de mão cheia e a mesma, nos meses seguintes, abriu uma modesta padaria com as economias que guardava desde adolescente e quando os lucros vieram, ela foi capaz de transformá-la em uma confeitaria um par de anos depois.

Hoje era uma das mais bem faladas em toda Seattle.

Ela levantou-se em um salto e correu para o banheiro. Estava apertada por não fazer xixi há muitas horas e depois, já sem pressa, lavou o rosto, escovou o cabelo e os dentes. Como passava das dez quando chegou na cozinha, decidiu que um sanduíche bem caprichado e um suco forte seria o suficiente para mantê-la sem fome até que pudesse se deliciar com os doces da amiga.

Depois de alimentada, dedicou-se a uma mini faxina em casa. Lavou a pequena louça acumulada, limpou a mesa e o fogão, dobrou as roupas limpas na lavanderia e deixou-as dentro de um cesto. Os cômodos foram varridos e encerados, os moveis espanados e deixou o banheiro por último para aproveitar e tomar seu banho.

Colocou uma calcinha, um short de malha curto e uma blusa colada de mangas curtas. Secou o cabelo com o secador e depois de brincar um pouco com Lola, usando a sua vara com uma estrela cadente pendurada na ponta, que fazia barulho e a deixava animada, foi para o divã continuar com a sua leitura.

Este era um dos seus lugares favoritos para pensar e relaxar.

Ela o encontrou em um bazar incrível, o preço estava ótimo e a coisa ficou muito bem próximo à janela e um pouco abaixo dela. Assim, ela podia descansar e apesar da vista não ser a mais agradável, pois só havia alguns metros na lateral e então já era o muro do vizinho, era melhor do que ficar encarando apenas as paredes.

Estirou as pernas sobre uma almofada, ajeitou outra sobre as costas e começou a leitura de Jane Eyre, de onde parou. Tratava-se de romance que pegou emprestado de um amigo da faculdade e que acabou não podendo devolver quando o rapaz se mudou para fora do estado. Ela não teve a menor vontade de envia-lo pelo correio.

“É muito melhor aguentar um martírio que só a gente sofre do que cometer uma ação cujas consequências irão atingir todos os que nos são caros.”

Claro que tendo uma cabeça como aquela, tomaria aquilo como uma indireta bem certeira. Direto em sua cara. Não era a primeira nem a décima vez que ela se questionava sobre como estaria sua vida hoje se não tivesse sido tão vingativa sobre aquela brincadeira estúpida de criança. Lembrava-se perfeitamente da dor que sentiu quando tudo aconteceu, mas hoje como adulta, um pouco mais fria e às vezes até calculista, via que a situação poderia ter sido resolvida de tantas formas diferentes... menos daquela.

A verdade é que, ficar quieta diante da dor que a traição de Edward lhe causou, teria exigido bem mais maturidade do que ela tinha na época. Seus olhos lacrimejavam durante todo o dia e sempre que estava sozinha, em silencio, era capaz de ouvir os rapazes rindo sobre o quanto ela foi ingênua em achar que havia mesmo prendido a atenção do grande arremessador do time.

Eles se gabavam sobre terem sido capazes de engana-la tão bem e pareciam satisfeitos em desembolsar dinheiro para pagar a aposta. Isabella havia sido enganada em troca de pneus novos e personalizados para a Amanda. Mas o que a deixou realmente furiosa, foi quando Mike afirmou que o seu áudio – que ia e vinha entre os celulares dos alunos – tinha sido gravado e vazado propositalmente. Edward negou veementemente, afirmou que jamais faria aquilo com ela, mas era tudo tão humilhante! Por que deveria ouvir o que ele tinha para dizer?

É claro que hoje sabia, que teria sido uma boa coisa tomar a situação como aprendizado e não pagar na mesma moeda, porque no fim das contas, nada valeu a pena. Ela apenas conseguiu se afundar ainda mais e tudo por conta própria.

Quando entrou na casa dos Stanley naquela noite, tinha o estômago embrulhado com a ideia de reencontra-lo, pois sabia que não tinha mais forças para recusar as investidas e os pedidos de desculpas. Ele a procurou e implorou. Tyler tinha razão. Todos tinham, certo? Por que alguém se esforçaria tanto por perdão se não se importava? Então ela estava cedendo ao que todos julgavam que era certo fazer. Estava se abrindo novamente para que eles tivessem uma segunda chance se assim, o rapaz provasse merecer.

Isabella não tinha ideia do quanto machucaria vê-lo com outra garota. Apesar de tudo que ouviu antes, jamais tinha presenciado tal coisa ou pensou que o faria. Os lábios que há algumas semanas estavam nos dela, agora eram pressionados contra os de outra que ele sempre afirmou detestar. Diabos. Como podia se enganar tantas vezes com uma pessoa só?

Quando se embebedou, escondida entre os cantos da bonita casa de três andares, não pensou em como seria o dia seguinte, principalmente assim que pôs os olhos em uma figura conhecida do outro lado da cozinha. Jamais passou por sua cabeça que logo mais, seria motivo de discórdia entre duas famílias e ainda motivo de disse-me-disse por toda a cidade. Ah, se o tempo pudesse voltar...

Se tivesse alcançado Edward antes, o que teria acontecido? Ele teria pedido desculpas e explicado a situação? Teria a tomado nos braços e feito-a se sentir bem pelo resto da noite? Eles teriam retomado o relacionamento aos pouquinhos e então, ido para a faculdade juntos, em um lugar quente e ensolarado, como era o plano desde o início? Eram tantas questões sem respostas. Tantos “e se”.

Ela jogou o livro para o lado se recriminando por deixar que o homem voltasse a tomar conta de seus pensamentos. Sentia-se como um disco arranhado, sempre revivendo os momentos, se fazendo as mesmas perguntas ao invés de deixa-lo ficar para trás como tinha se comprometido a fazer. Bufou e foi para o guarda roupa procurar algo de bacana para vestir. Já não chovia há algumas horas, um sol tímido enfeitava o céu da cidade, o clima estava morno, mas havia algumas nuvens suspeitas.

Pegou uma saia, uma blusa preta de alças, sandálias de salto e também um blazer para o caso de ficar frio mais tarde, trocou de calcinha e em trinta minutos estava pronta, cheirosa e maquiada. Verificou se faltava alguma coisa para a gata e quando a mesma se aninhou sobre a manta do sofá, ela pegou as chaves do carro e saiu, trancando tudo em seguida.

Qual o seu destino? — A voz masculina do GPS perguntou e Isabella riu antes de responder.

Lembrou-se de sua mãe e de como uma vez ela buscou no Google a identidade do sujeito que tirava a “filha do sufoco” de vez em quando. Simplesmente não aguentava de curiosidade para saber se o dono era tão bonito quanto a voz.

Depois que o aparelho fez a busca pela localização do endereço que Isabella nunca decorava o caminho, ela seguiu de acordo com as instruções. Ficava em algum ponto da 4th ave. Muito próxima do Space Needle, uma linda torre de 184 metros, onde no topo, há um incrível restaurante giratório o qual ela sempre quis conhecer.

Quando chegou em frente a confeitaria, notou que uma quantidade razoável de pessoas se encontrava do lado de fora. Ela mal podia visualizar, mas percebeu que estava de fachada nova e o antigo marrom foi substituído por um laranja bonito e vibrante, alegre como a dona. A vitrine única do lado esquerdo tinha sido trocada por duas menores e a porta estava bem ao meio. O letreiro também estava bonito e as luminárias a faziam imaginar que coloração bacana ficaria quando fosse noite.

— Oh, você veio mesmo! — Ouviu a voz de Angela gritar e virou-se em busca da amiga. Encontrou-a usando um vestido lindo, simples e azul. Os cabelos pretos estavam soltos em ondas bonitas e iam até os ombros — Já conseguiu dar uma olhada em tudo? Está meio cheio, né? — As duas riram e se abraçaram por um tempo, afinal não se viam há tantos meses que parecia um ano inteiro.

— O suficiente para ver o quanto isso aqui melhorou. Nossa! Está bem mais amplo do que eu lembrava. Cresceu para os fundos também? — Isabella perguntou e as duas iniciaram uma conversa amistosa sobre a reforma que tomou um tempo absurdo da vida pessoal de Angela.

— E foi isso. Tudo andou muito tumultuado nos últimos tempos, por isso não voltei a te procurar e provavelmente não o farei pelas próximas semanas, estou com tantas encomendas, Bella! — Ela explicou acariciando o braço da amiga e dando um sorriso de desculpas.

— Isso não é problema, Ang. Nós daremos um jeito mais cedo ou mais tarde. Eu também voltei a trabalhar, então aquela vida de sombra e água fresca acabou — Riu olhando em volta e viu pessoas saindo com duas ou mais sacolas. Sua boca salivou de desejo — Agora você pode, por favor, me recomendar algo bem gostoso? Estou faminta.

Elas foram até um dos balcões e encontraram doces lindíssimos que Angela apresentava com orgulho. Muitos bolos, cheesecakes, cookies e tortas diversas que estavam com a aparência suculenta. As duas sentaram em uma das mesas no novo espaço e devoraram cada uma, dois cannolis de creme de ricota doce com flocos de chocolate, bem tradicional. Bella deu cada mordida em meio a gemidos porque um tão bom quanto esse, só tinha provado quando viajou para a Sicília aos 24 anos. Eles produziam os melhores de todo o mundo, mas Angela não ficava atrás.

— Eu estava procurando por você. Há um casal com algumas dúvidas sobre uma encomenda e eu não tenho ideia do que estão falando — Uma moça negra, alta e parecendo muito bem-humorada aproximou-se da mesa no momento em que elas levantaram — Olá, eu sou a Stella.

— Oh, claro. Huh, Bella, esta é a minha sócia e responsável pelo o capital que me permitiu mudar toda essa beleza aqui. E esta é Isabella, uma das minhas mais queridas amigas — Angela apresentou as duas que sorriram e beijaram o rosto uma da outra — Será que você me dá licença um instante?

Isabella deu de ombros sorrindo para a moça que quase saiu correndo em busca dos seus clientes. Aproveitando que a confeitaria estava um pouco mais vaga, Stella levou Isabella para conhecer o resto, incluindo a cozinha onde quatro moças e um rapaz trabalhavam. Todos foram muito gentis apesar da agitação que estava acontecendo ali. Eles riram quando ela comentou que estava parecendo uma mulher gravida, salivando por tudo que via.

Voltando para o local de atendimento, Stella lhe pediu licença para atender uma ligação e Isabella disse que tudo bem. Aproveitou aquele momento sozinha para refletir sobre o comportamento de Stella anteriormente. Ela praticamente não tirava o nome de Angela da boca e tudo que saia sobre ela, era dito com muita admiração e carinho. Repreendeu-se por deixar seus pensamentos irem por aquele caminho, mas suspeitou que a mulher estivesse vendo Ang com outros olhos. O que seria complicado, porque além de trabalharem juntas, a amiga sempre foi hétero – até onde sabia, é claro.

Deixando os possíveis problemas dos outros de lado, começou a caminhar sozinha ao redor, prestando atenção em um pequeno garoto de no máximo cinco anos que tinha os olhos brilhando em contentamento por ver sua mãe comprando a maioria dos doces para qual ele apontava. Ela sorriu largamente para aquela cena e depois fez uma careta com a sensação de tristeza ao pensar que quando voltasse para casa, apenas a pequena Lola estaria lá.

Seria o seu relógio biológico chamando a sua atenção? Mas estava tão jovem, assim dizia o seu pai, tinha apenas 26 anos. Sendo que os últimos, tinham sido dedicados basicamente apenas à sua carreira que nem era tão brilhante assim, apesar de hoje contar com um salário bem decente. A verdade é que tudo era apenas... satisfatório. Isso era para ser dessa forma? Balançou a cabeça para espantar a energia esquisita ao seu redor e continuou com o pequeno tour.

Quando seu celular apitou com a notificação de um novo e-mail, ela assustou-se com as horas. Como o tempo tinha passado rápido! Podia jurar estar ali há meia hora, no máximo quarenta minutos.

— Por favor, embrulha pra mim um shortcake de morango? — Pediu, tentando soar simpática apesar da pressa, para a moça que acabara de ajudar a um rapaz na sua frente. A atendente assentiu e deixou Isabella ali, batendo um pé chão toda inquieta enquanto pensava no que fazer para o jantar, já que a sobremesa seria essa.

— Isabella? Isabella Swan? — Ela ouviu alguém lhe chamar bem ao lado e achou a voz masculina meio familiar, mesmo sem identifica-la no momento. Virou-se franzindo o cenho, mas logo arregalou seus olhos — Caramba, é você mesmo! — Ele exclamou surpreso e veio imediatamente abraça-la forte.

Puta merda. Isabella estava em choque e não correspondeu ao abraço apertado que o homem lhe deu, apenas registrou que o seu perfume não havia mudado muito, mas em compensação, estava enorme. Bem maior que antes. Olhe esses braços...

— O que está fazendo aqui, Emmett? — Perguntou atordoada quando eles se separaram. Ele tinha um largo sorriso no rosto, que fazia o canto dos olhos castanhos se enrugarem. Era bem bonitinho.

— É bom te ver também. — Ele ironizou e riu divertido com a reação dela.

A verdade é que Emmett também estava surpreso em reencontra-la sem mais nem menos após tantos anos. Alice tinha lhe contado sobre vê-la no último final de semana em que estiveram em Forks, mas não lhe deu muitos detalhes do encontro. Ele nunca a tinha visto sequer por foto desde que ela se mudou da cidade e nossa, ela estava muito bonita. Quase não lembrava em nada a jovem magrinha com quem implicava no ensino médio e que virou a sua e a vida de todos os Cullen de ponta cabeça.

— Sim, desculpe — Pigarreou e olhou melhor para o homem à sua frente — Claro que é bom revê-lo, Emmett. Apenas não esperava por isso. Muito menos aqui. Como você está? — Perguntou tentando ser educada, mas realmente estava um pouco confusa.

Isabella odiava ser pega de surpresa, principalmente quando se tratava de alguém daquela família, mas também não queria ser estúpida. Era nítido que ele estava feliz em encontra-la por aqui sem qualquer má intenção. Mas depois de como tudo acabou em Forks, depois do modo como Edward a tratou, com piadas e descaso, ela não sabia se podia realmente confiar em qualquer aproximação de um deles.

— Estou ótimo. Com certeza estaria melhor, se não tivesse esperado um tempão naquela fila para passar ainda mais tempo aqui dentro. Começou a chover fraco lá fora e eu ainda me molhei — Resmungou segurando a blusa em alguns lugares molhados que grudavam em sua pele. Ele estava grande por todos os lugares, mas não se tratava de gordura. Eram músculos que lhe caíram muito bem e faziam contraste com o seu rosto de menino levado — Eu vim com a minha esposa saber a respeito de bolo para o nosso afilhado.

Esposa? Oh, merda. É claro!

Isabella sorriu tão grande quanto podia ao lembrar-se daquele detalhe. Anos atrás, essa notícia a fez soltar um grande suspiro de alivio. Saber que Emmett – ao contrário do irmão imbecil – tinha seguido em frente, assim como ela tem tentado arduamente esse tempo todo, era maravilho. Por que Edward teve que se tornar quase outra pessoa? Ficar tão amargurado?

Ele foi um dos maiores prejudicados. Você não pode culpa-lo!

Ela limpou a garganta.

— Eu nunca tive a chance de te dar parabéns, Emm. Realmente achei que fosse aproveitar a solteirice até depois dos 30 — Eles riram juntos, ambos se lembrando dos seus dias galinhagem — Você está feliz?

— Obrigada, Bella. E sim, absolutamente — Sua expressão ganhou um ar quase sonhador enquanto ele confirmava. Por um breve segundo, ela o invejou — Será que você mora perto daqui? É incrível que estejamos vivendo na mesma cidade por anos e nunca não nos esbarramos antes.

— Na verdade, eu estou no Queen Anne desde que me mudei. É um bairro muito bacana e de modo geral, tranquilo.

— Isso não é muito longe de mim — Respondeu com entusiasmo — Meus pais iam adorar te ver durante a próxima visita. Eu sei que mamãe sente sua falta.

— Sim, eu sei. É que...

— Eu entendo, Bella — Emmett riu com a falta de jeito da moça em se explicar — Vocês sempre foram boas uma para a outra e ela te considera uma filha. Achei que seria uma boa ideia, mas tudo bem. Sem pressão.

Merda. Agora ela se sentia culpada e com razão. Como pode ser tão ingrata e sequer parar uma vez nos Cullen quando ia até Forks? Imaginava como a sua falta de consideração machucava Esme. Ela realmente cuidou de Isabella como sua mãe jamais fez. Foi defendida, protegida, amada e valorizada mesmo quando trouxe tanto aborrecimento e discórdia para a família. Agora, ela se esconde da mulher e do marido com vergonha da situação que viveu com eles. Isso era ridículo!

— Você tem toda razão — Afirmou mordendo o lábio e desviando o olhar, mas Emmett não parecia julgá-la de maneira nenhuma — Ela deve passar muito tempo só agora que não tem vocês se espalharam ao redor.

— Bem, um pouco, mas agora ela viaja bastante. Mamãe não fica mais em casa esperando por notícias nossas, elas pega um carro ou um avião e simplesmente bate em nossa porta — Ela riu com a imagem. Era impossível ir contra a Sra. Cullen quando ela decidia alguma coisa — Principalmente depois que umas coisas aconteceram, ela... ficou muito presente.

— Que coisas? Está tudo bem?

— Sim, é que...

— Amor, já está tudo certo. Em algumas... Oh! Me desculpe — Uma loira surgiu perto dos dois interrompendo a frase de Emmett e meio desconfiada, olhou para a morena dos pés à cabeça — E você, quem é?

— Sou Isabella. Você deve ser a esposa do Emmett, certo? Muito prazer. — Ela estirou a mão para cumprimentar a mulher belíssima que lhe observava.

Ela era magra, mas cheia de curvas nos lugares certos, curvas que mesmo que Bella possuísse um corpo bonito, nunca conseguiria ter iguais. Alta, ela tinha quase a mesma altura que o marido e seu cabelo era bem dourado. O cumprimento atingia os seus seios ligeiramente volumosos sob o decote quadrado da blusa e os seus olhos eram de um azul bem claro.

— Isabella? — A morena assentiu sorrindo meio sem jeito ao reconhecer a mão e a mulher empalideceu após a conformação. Emmett tencionou ao seu lado — Espere um minuto aí. A Isabella? Emmett, o que significa isso? Por que ela está aqui? — Questionou olhando para o marido. Ela estava completamente irada.

— O que isso quer dizer? — Isabella perguntou, dando um passo para frente. Por que alguém que não a conhecia, pronunciava o seu nome com tanta incredulidade? — Sério, o que está havendo?

O homem sorrindo um pedido de desculpas, encarou a esposa.

— Querida, vamos embora, tudo bem? Conversamos no caminho — Ele falou com carinho, mas sério o suficiente para que ela, mesmo espumando de raiva, não sonhasse em contrariar — Foi muito bom revê-la, Bella. Cuide-se. — Emmett sorriu outra vez, agora se despedindo e recebeu um puxão no braço da esposa. Ele bufou com irritação, acenou para a morena uma última vez e caminhou para a saída com a mulher ao lado, agarrada a ele.

Mas o que...

Isabella ainda estava sem entender nada quando recebeu seu pedido. Foi fazer o pagamento e deixou o troco com a caixa por ficar repetindo a cena em sua cabeça. Ela avisou a Angela por meio de gestos que já ia embora, ela que conversava com um rapaz e a sócia, Stella, gritou um “obrigado por ter vindo” e mandou beijos barulhentos para a amiga, que sorriu como pôde e puxou a porta para sair.

Em seu carro, ela colocou um CD qualquer para tocar, apenas para distrai-la enquanto começava a dirigir, agora sem a ajuda do GPS. De alguma forma, conseguiu firmar em seu cérebro qual caminho percorrer. Seu relógio marcava 17h03m e no mais tardar, às 19, iria acordar o seu amigo para jantarem na casa dele e conversar um pouco, como tinham combinado na noite passada.

Parando em um semáforo, voltou a questionar-se sobre a reação da esposa de Emmett. Aquilo teria sido ciúmes dela? Ora, mas que tolice! Eles só estavam conversando e há menos de cinco minutos quando ela apareceu. Como no mundo, uma mulher tão bonita como ela, podia ser capaz de sentir-se insegura com um simples encontro como aquele?

Suspirou, pensando por um segundo que poderia tratar-se apenas de antipatia. Ela mesma não se deu bem com estranhos até ser forçada a trabalhar e interagir com todo tipo de gente. Só pela atitude da loira mais cedo, Isabella estava tentada a acreditar que ela teria sido má com qualquer outra que estivesse em seu lugar na confeitaria. Emmett tornou-se um homem muito bonito e ela deveria ser completamente apaixonada pelo sorriso doce de olhinhos apertados.

Inferno, nunca foi fácil namorar um Cullen. Ela sabia disso. Nunca seria.

De qualquer forma, era apenas mais um deles a detestando. Grande diferença! Estava decidida a não permitir que aquilo a afetasse novamente, mesmo que achasse incrível como a cada vez em que se empenhava para deixar tudo morto no passado, algum deles aparecia para lembra-la, para tenta-la. Estava cansada desse jogo de ser sugada de volta para aquelas pessoas e o redemoinho de emoções que tomava conta quando estavam por perto.

Acelerou o carro, tentando segurar o sorriso irônico que queria se esticar em seus lábios quando percebeu que tinha sorte de tratar-se apenas deles e não do homem que tanto fazia o seu pulso acelerar. Edward a enlouquecia com sua intensidade, a teimosia o deixava divertido e tanto quanto sentia vontade de estapear o riso debochado para fora da sua boca, queria beija-lo até que ambos não pudessem respirar. Por isso, nesse momento, ele estar tão distante quanto possível dela era a solução dos seus problemas. Manteria em mente a ideia de se aproximar daqueles que não a feriram e fizeram parte de uma fase importante de sua vida, desde que o Cullen se mantivesse fora de seu caminho.

Pronto, aí está. Estava satisfeita com o arranjo.

Mas infeliz. Dolorosamente infeliz.

*********

Jasper suspirou ao cair de costas no sofá. Passou a mão pela barriga magra que agora estava com uma pequena protuberância, devido ao tanto de comida que ele devorou nos últimos 45 minutos. Ele adorava quando Isabella cozinhava para ele – ou para os dois – e não desperdiçava um grão de arroz sequer. Acordou mal-humorado quando ouviu as batidas na entrada e por saber quem era, tentou não demonstrar aborrecimento, mas Bella o conhecia bem demais. E para piorar a sua situação, ela aplicou um tapa forte em seu traseiro assim que lhe deu as costas, repreendendo-o por atender a porta apenas de samba-canção.

Porém, todo o sono e raiva esvaiu-se de seu sistema quando sentiu o cheiro do jantar que ela trazia em algumas vasilhas coloridas de um kit da tupperware. Isso.

— Você podia ver para mim se essa sua amiga continua solteira, Bella. Aquele shortcake era coisa de outro mundo. Eu pensei que fosse estourar de tanto comer. — Ele disse vendo-a sair de sua cozinha enxugando as mãos em um papel toalha e voltou a bocejar. Que sono dos infernos!

— Sim, eu com certeza farei isso — Ironizou ao revirar os olhos — Será que a sua enfermeirinha não está mais dando conta de você? — Ela perguntou com desdém e sentou-se no outro sofá, de frente para ele.

Bella era uma amiga ciumenta e nunca tentou esconder tal fato, por isso implicava com a maioria das mulheres que se aproximavam dele. Quase todas eram sempre interesseiras, bastava saber qual era a sua profissão e já estavam em cima como abelhas, só queriam saber do que ele podia oferecer e do dinheiro – que ele tinha, apesar de viver quase tão simplesmente quanto ela –, então o imbecil acabava se deixando iludir. Ela ficava aliviada que ele não tivesse nenhum envolvimento de conhecimento público com o dono da agencia onde trabalhava. Se soubessem que Jasper tinha como padrasto, um dos caras mais ricos do país, não teriam mais paz.

— Está falando da Shelby? Pelo amor de Deus, não se faça de inocente. Sabe que terminamos nosso... caso e há muito tempo. Inclusive por culpa sua! — Acusou tentando parecer bravo, mas falhando pelo contrair da boca e ela arregalou os olhos, fingindo choque.

— E minha por que?!

— Quem foi que chegou no hospital pedindo para ser anunciada como minha noiva?

Os dois se olharam por longos segundos e caíram na gargalhada logo em seguida. Ela realmente tinha feito isso. Sentindo-se ignorada e cansada de dividi-lo com suas pacientes, os amigos e aquela enfermeira insuportável, chegou em uma noite no hospital e pediu para a senhora da recepção avisa-lo que a sua noiva estava esperando para leva-lo para casa. A tal Shelby quase amputou o pau do homem na mesma noite, mas valeu totalmente a pena, porque naquele momento ele se livrou de um relacionamento que o consumia e não iria para lugar algum.

— O que você vai fazer sobre a loira? — Jasper perguntou ao desembrulhar um bombom e ofereceu um pedaço à Bella. Ela aceitou e deu uma pequena mordida.

— O que há para fazer? Até hoje, eu não sabia sequer que Emmett também vivia por aqui e agora que sei, não faz a menor diferença. Ele é uma ótima pessoa, realmente, mas de todos eles, só me sinto verdadeiramente capaz de lidar com Alice nesse momento. Ela é inofensiva em todos os sentidos. — Deu de ombros, mastigando e engoliu com um certo ruído.

— Sim, essa garota. Você sempre fala dela. Não consigo acreditar que perdi de vê-la no restaurante. Seria bom dar uma olhada no Cullen também — Ele levantou ligeiramente o queixo, parecendo superior e a fazendo rir — E por falar nele, não te passou pela cabeça que o fato da loira ter te chamado de “a Isabella”, significa que ela sabe sobre você? Que talvez saiba sobre tudo?

— Porra, sim, você tem razão — Isabella pôs as mãos sobre a boca, seus olhos bem abertos enquanto ela considerava a possibilidade — Será que eles são amigos? Isso explicaria o porquê pareceu tão enfurecida comigo. Edward pode ter enchido a cabeça dela sobre mim, sobre a visão distorcida que ele tem de mim, claro.

— Aquele imbecil do caralho — Bella fez uma careta, mas ele continuou — Tem que ser muito cego para achar que aquilo fez de você uma promíscua ou que tenha gostado ao ponto de fazer virar habito.

— Eu realmente não me importo com o que ele pensa ou tem a dizer. Sei que é da boca para fora, pois, seus sentimentos foram machucados naquela época. O que são algumas palavras ferinas, quando eu me deitei com outro cara para me sentir vingada? E principalmente porque...

— Sim, Bella. Eu já ouvi esse discurso antes e não estou com humor para tê-la defendendo esse cara na minha casa, tudo bem? — Ela calou-se diante do tom de voz e suspirou, deixando o assunto para lá.

Não havia discussão com Jasper. Além de ser superprotetor com ela, era um homem incrível que jamais magoaria uma mulher propositalmente. Então toda e qualquer atitude do Cullen, o irritava demais. E não havia nada de errado com isso.

Edward ainda tinha o seu coração, mas era um estúpido e sabia disso. Bella sempre tentou fazê-lo entender pelos que quando ela esteve com outro, o relacionamento dos dois já não existia, mas ele se negou a aceitar, afirmando que ambos estavam no meio de uma crise e que não ficaria com outra pessoa enquanto ela o tivesse. Isso era um pouco estranho vindo do cara que tinha a língua da Denali em sua boca, mas não pressionou essa questão pois a revolta e magoa era causada mesmo por sua escolha naquele lugar. Não poderia ter sido pior, sem sombra de dúvidas.

Jasper iniciou um novo assunto quando o silencio ficou estranho e eles ficaram conversando ali por mais uma hora, mas notando que seu amigo não estava totalmente recuperado do dia anterior, decidiu ir embora para fazer suas próprias coisas e despediu-se com um beijo. Em casa, ela tomou banho e vestiu um pijama largo e muito confortável. Pensou em fazer pipoca para ver um filme, mas estava cheia demais, então apenas ligou a TV e deixou no Discovery Channel onde passava um documentário sobre o Egito.

A Tumba Perdida de Alexandre, era o nome.

Passados 32 minutos do documentário, ela já estava esparramada no sofá com as pernas sobre duas almofadas que estavam uma em cima da outra e Lola dormindo toda pendurada sobre elas, mantendo suas canelas aquecidas e impedindo-a de mudar de posição. Bella pegou o celular para ver as horas e decidiu que assim que terminasse, alimentaria a gata e iria dormir.

Deslizando o dedo pela tela do aparelho por pura mania, sem perceber, abriu o aplicativo do Facebook e quase segundos após, ouviu o típico barulhinho de quando alguém envia uma mensagem.

Quando abriu, arrependeu-se quase no mesmo instante.

Alice M. Cullen diz:

“Oi, Bella! Tudo bem? Estava tentando falar com você há algum tempo.”

Isabella Swan diz:

“Olá, Alice. Em que posso ajuda-la?”

Alice M. Cullen diz:

“Ora, vamos! Precisa me tratar com tanta formalidade? É por causa do que vocês fizeram em Forks? Eu sei que algo aconteceu e não me importo, mas por favor, não me incluía nas idiotices do meu irmão. Achei que fôssemos amigas.”

Isabella respirou fundo ao ler àquelas palavras. Não imaginou que Alice estivesse a par do encontro que teve com o seu irmão mais velho ou que fosse ser tão direta, mas ao pensar sobre, viu que a moça tinha razão. Apesar de ser mais jovem, Alice foi uma das suas poucas pessoas que lhe trataram bem quando chegou naquela cidade para estudar e ela realmente não a julgou quando a bomba explodiu. Pelo contrário, a ajudou e apoiou, assim como sua mãe. Ela tinha uma grande dívida com aquela família. Estava sendo uma ingrata ao tentar afastar quem ainda sem importava.

Isabella Swan diz:

“Desculpa. Sim, nós somos amigas. É que depois de tanto tempo, tornou-se difícil lidar com vocês, mas... você tem razão. Estou apenas sendo boba.”

Alice M. Cullen diz:

“Te entendo completamente. Sei que tem receios sobre a minha família por causa do passado, mas nós todos gostamos de você, Bella. Nós todos. Bem, eu estou trabalhando em Seattle há algum tempo e gostaria de te ver. Adoraria sair pra jantar ou qualquer coisa esses dias.”

Nós todos, é? Sim, claro.

Isabella Swan diz:

“Por mim, tudo bem. Vou estar ocupada ao longo da semana. Sábado estaria bom pra você? Me mande o seu telefone para depois combinamos aonde nos vemos.”

Alice M. Cullen diz:

“Excelente! Estou ansiosa por isso.”

Mais tarde, quando se deitou em sua cama, repassou uma e outra vez toda a conversa com Alice. Aceitar encontra-la para conversar, ao invés de trocar mensagens instantâneas como costumavam fazer, era um grande passo. Sua barriga se agitou com a ideia de que estar de volta à vida de todos eles, enfureceria Edward. Isso era bom demais. Não é como se ela fosse saber em primeira mão sobre a reação dele, mas a ideia lhe fazia sorrir. Muito.

— Não seja uma idiota — Gemeu enfiando o rosto no travesseiro, tentando se livrar da imagem quente de um Edward puto da vida — Apenas durma, porra.

Ordenou a si mesma ao fechar os olhos. Lola aproximou-se da cama em passos tímidos, saltou sobre Bella e deu voltas até encontrar um cantinho confortável perto da barriga de sua mãe. Ao contrário de quando percebia que a gatinha se esgueirava para as cobertas, dessa vez não sentiu raiva. Fez um carinho em sua cabeça, decidida a relaxar a mente porque precisou lidar com dois Cullens de uma vez só e isso tinha sido o máximo que experimentou em 9 anos. Chega.

(Roupa da Isabella)

Notas finais
Isabella é gente como a gente, coletando invejosos e inimizades no local de trabalho. Mas essa Rosalie... que situação constrangedora. Sequer fez questão de disfarçar que não gostava da moça. Por que será? A curiosidade foi cessada depois que a Lola se revelou uma bela gatinha, né? Nada de crianças ou filhos, pessoal. Ao menos por enquanto ;) Me deixem saber se estão gostando. Boa semana e nos vemos nas reviews. Beijo!