Erros de Sempre

18 Capítulo 17


Notas iniciais
De volta, pessoal. Nat, muito obrigada pela adorável recomendação. Agora... vambora ler! :)

Ela estava fodidamente congelando.

A cidade ainda estava úmida da forte chuva que caiu durante a madrugada. A temperatura desceu nas primeiras horas da manhã, incentivando-a a ficar entre os grossos cobertores, dormindo ou vendo TV, acompanhada da sua habitual xícara de chocolate. Pensar no liquido quente e doce, fez sua boca salivar de desejo e por um momento, ela esqueceu o inexplicável e desnecessário nervosismo em estar indo para aquele lugar. É apenas uma loja, pelo amor de Deus! Rolando os olhos para si mesma, Isabella passou pela primeira grande vitrine e parou na porta de entrada. Os vidros sem qualquer cobertura fizeram um ótimo trabalho em deixa-la localizar a sua amiga no centro da loja de produtos para bebês.

Uma das vendedoras, próxima ao balcão, lhe deu um olhar simpático ao vê-la entrar, mas não a abordou. Agradecida, Isabella fez o seu caminho até Angela que estava parada diante de uma prateleira repleta com fraldas de todas as cores.

— Olá.

Ela virou-se com o cumprimento e abriu um largo sorriso de volta.

Angie estava mais gordinha em cada novo encontro e com o crescimento da barriga para frente, parecia que estava diminuindo de tamanho. Isso sempre era motivo de piada entre as duas amigas, mas ela não estava preocupada com o seu peso ou em como desajeitada ela parecia – a saúde do seu bebê era mais importante. Entrando no sexto mês de gestação, ela estava nervosa e ansiosa. Qualquer sintoma novo era motivo de preocupação, mas seu médico estava acompanhando-a de perto e pronto para alerta-la se qualquer coisa parecesse errado com o pequeno.

— Oh, eu senti sua falta, garota — Angie gemeu enquanto apertava o corpo de Isabella em um abraço. As duas riram baixinho e ela cumprimentou Stella, que estava há alguns passos atrás, com um sorriso agradável — Há quanto tempo nós não nos vemos? Você está tão bonita. Será que voltou a malhar e não me disse nada? Você sabia que eu gostaria de ter ido junto!

Isabella bufou.

— Você com certeza não está me vendo com clareza — Ela segurou os lados de sua blusa e puxou para trás, esticando o tecido e o fazendo contornar bem a sua barriga. Surpresa, Angela arqueia uma sobrancelha para a protuberância em seu estômago, muito bem escondida e a olhou a procura de uma explicação — Isso parece com resultados de exercício para você? Eu estou parada há, o que, quase um ano? A balança está começando a me cobrar por estar sendo tão desleixada.

Angela fica em silencio por um momento, observando a amiga puxar um produto da prateleira e apertar os olhos para enxergar as minúsculas letras no rotulo.

— Por que você não usa a academia do condomínio de Edward?

Isabella sorri levemente confusa.

— O que você quer dizer? Eu não posso simplesmente usar os benefícios dos moradores de lá, apenas porque durmo em seu apartamento algumas vezes na semana. Principalmente se ele não estiver presente.

— Mas é claro que pode — Angela fez uma careta e volta às suas compras enquanto fala — Vocês estão a um passo de morar juntos. Eventualmente, essa coisa de saltar de um lugar para o outro, todos os dias, vai começar a ficar desconfortável.

Um frio na barriga de Isabella a alertou sobre o quão emocionante a ideia parecia.

Morar juntos era um grande passo.

Um que ela não tinha certeza se estavam prontos para dar.

Embora não houvesse nada melhor do que dividir a cama com Edward todas as noites, ela também tinha medo. Não, essa questão não partiria dela. E se isso fosse apressar as coisas? E se o relacionamento deles começasse a dar errado? Tudo estava tão bem entre os dois. Às vezes, era difícil de acreditar que o homem que ela encontrou em Forks em maio, era o mesmo que agora, aguentava o seu melhor amigo superprotetor, mantinha uma relação próxima de seus pais e suportava a sua gata ligeiramente obcecada, sem reclamar. O mesmo que lhe cobre de atenção em público e a adora no quarto. Aquele que se dedica diariamente à superação do namoro conturbado que tiveram na adolescência e das coisas ruins que fizeram um com o outro, quando a alternativa de sair e encontrar outro alguém era mais fácil. Edward estava, mais uma vez, deixando seu coração vulnerável e agora que comprou a sua briga com Jackson, parecia que ele estava arriscando muito mais.

Ela não queria deixa-lo se machucar novamente, mas tocava a sua alma que, em todas as oportunidades que Edward teve de correr para longe, ele se colocou na sua frente. Isabella estava cegamente apaixonada por aquele homem e quanto mais pensava nisso, a ideia de Angela tornava-se menos intimidadora e mais atraente.

— Elena comentou que estaria organizando a sua agenda para fazermos caminhadas algumas vezes na semana. Vocês têm se falado? — Mudando de assunto, ela acompanhou Angela para a seção seguinte, onde os lençóis e toalhas impecavelmente brancos estavam dobrados e enrolados.

— Sim, agora que a mãe de Tyler está finalmente de saída. Veja, é realmente lamentável que ela tenha perdido o marido, mas evitar a casa onde eles viveram não vai fazer a dor ir embora — Isabella balançou a cabeça em concordância e deslizou em direção a uma estante com várias roupinhas penduradas, divididas em amarelo, azul e rosa. Tudo cheirava tão bem — Elena gosta de ter o seu espaço e fazer suas próprias coisas. Apesar de ser uma pessoa muito gentil, a Sra. Crowley estava o tempo todo lhe dizendo o que fazer.

— É verdade. Quando ela apareceu, eu disse que estava tudo bem me ligar quando precisasse desabafar de vez em quando, mas que não deveria dizer coisas como aquelas em suas redes sociais — Angela riu, sabendo exatamente do que amiga estava falando. Elena sempre teve a língua solta. Na internet, então... — No final das contas, ela disse que as indiretas geraram resultados positivos.

— Oh, sim. Trent chamou a mãe para ficar com ele até as festas de fim de ano.

Zumbindo para dizer que tinha entendido, Isabella visualizou uma imagem do rapaz mais velho e lembrou que ele sempre foi um pouco mimado. Ter sua mãe por perto, principalmente quando vivia sozinho há tanto tempo, não seria desagradável de maneira alguma.

Ele apreciaria alguma comida caseira e roupas lavadas.

Apesar de estar de olho nos preços e economizando o que podia, Angela não deixou de verificar absolutamente nada. Isabella estava andando pela loja com os polegares pressionados nas costas, tentando massagear a si mesma na base da coluna para aliviar as dores de estar em pé há tanto tempo, escolhendo tudo junto com ela e dando sua opinião quando era questionada.

Alongando-se, ela percebe que hoje em dia, não era preciso muito para deixa-la cansada e dolorida, por isso sentia-se meio ridícula ao ver uma gravida que trabalhava com as mãos, mostrando ter mais resistência e pique do que ela.

Enquanto a amiga terminava de ter suas dúvidas esclarecidas com uma vendedora, ela observou Stella, que não havia se aproximado das duas nenhuma vez para conversar. Grandes óculos escuros cobriam os seus olhos esta manhã e seu vestuário estava diferente do habitual. Suas peças sociais e elegantes foram substituídas por jeans, uma camiseta mais larga que a dela e sandálias Anabela de salto baixo. Stella não parecia muito à vontade de estar ali e Isabella começou a se perguntar se a sua decisão de ficar com Angela continuava a mesma.

Por mania e curiosidade de saber se havia perdido alguma chamada de Edward ou mais alguém, ela enfiou a mão na bolsa e tirou o celular de dentro. Deslizando o dedo na tela, uma rápida olhada confirmou que não havia nada, mas quando estava prestes a guarda-lo, o aparelho vibrou na sua mão, assustando. Um frio percorreu a sua espinha quando o nome de Maya apareceu e ela não pensou duas vezes antes de recusar a ligação.

Ela deveria estar preocupada e Isabella não queria ter que mentir outra vez.

— Você está pronta para ir?

Ela girou na direção de Angela e assentiu. Sorrindo, a mulher voltou para o caixa onde suas compras estavam sendo somadas e embrulhadas. Dando as costas no momento em que Stella se aproximou e beijou o lado de sua cabeça, Isabella abraçou a si mesma e deu mais uma caminhada entre as araras repletas de pequenos macacões, pijamas e trajes tão pequenos que caberiam nas suas velhas bonecas.

Olhar todas aquelas coisas, tornava impossível para ela não lembrar do seu bebê. Ela não teve tempo sequer de comprar um par de sapatinhos antes de perdê-lo.

Sorrindo melancolicamente, ela segurou uma camiseta branca e simples, estampada com “eu amo o meu papai” e perguntou-se o que Edward sentiria ao vê-la em uma loja como aquela. Ele ficaria triste, novamente, ao se lembrar da pequena sementinha que se tornaria o seu sobrinho ou imaginaria seu próprio filho crescendo dentro dela? Ele gostaria que ela tivesse suas crianças? Com lágrimas nos olhos, ela coloca ambas as mãos sobre a barriga inchada, embora não flácida. Por um instante, o pânico ameaça toma-la, mas ao jogar os braços de volta para os seus lados, ela sacode a cabeça e ri quando percebe que deixou que uma loja infantil afeta-la.

Seu lado maternal só poderia estar aflorando após passar tanto tempo com Mason.

Com um suspiro, Isabella guarda a pequena peça no lugar e caminha em direção a saída, ao mesmo tempo em que Angela se despede de todos e segue pelo mesmo caminho. Lá fora, ela para no meio da calçada e ergue a o rosto para cima. O vento frio chicoteia os seus cabelos nas mais diversas direções, mas nenhuma gota caí do céu. Ela observa Stella levar as várias sacolas e abrir o porta-malas sem problema nenhum, enquanto isso, sua amiga se aproxima com as mãos protegidas nos bolsos da frente de seu casaco.

— Obrigada por hoje, Bella — Angie agradece com um sorriso doce — Essas coisas são bem mais divertidas e rápidas quando se tem companhia. Aliás, se você não tiver compromisso, eu posso mandar a Steh para casa e nós poderíamos comer alguma coisa? Talvez conversar um pouco mais.

— Oh — Surpreendida com a proposta, ela pisca e balança que sim — É claro. Você tem certeza que quer manda-la embora? Quero dizer, eu não tenho prob-

— Sim, eu tenho — Angie interrompe, dando de ombros — Vou falar com ela e pegar a minha carteira. Te encontro daqui há pouco.

Pegando a dica sobre dar-lhes alguma privacidade, Isabella acena para Stella em despedida e segue para fora da calçada, indo na direção do seu carro estacionando mais abaixo na rua. Seus saltos fazem som no asfalto enquanto ela lida com a pequena decepção em ter seus planos alterados, mas se Angela precisa de um tempo longe da sua sócia, ela não se negaria em ajuda-la. Ela tentaria encontrar com Edward mais tarde e saberia se havia alguma novidade da situação de Jackson.

Este era a terceira vez esta semana, que Isabella faltava ao trabalho.

Na primeira, entraram em contato no final do dia – preocupados com ela. Ontem, Maya ligou e ela contou sobre como a comida da festa havia lhe dado algo como uma intoxicação alimentar. Sua colega pareceu aceitar a explicação muito bem, embora ninguém mais tenha aparecido com sintomas e até perguntou se deveria entrar em contato com os responsáveis para fazer alguma reclamação. Óbvio que ela negou. Isabella não queria ninguém em apuros por causa das suas mentiras, mas também não sabia como entrar novamente naquele lugar e trabalhar normalmente como se nada tivesse acontecido. Como se seu chefe não fosse a escória. Então, ela estava adiando o momento tanto quanto era possível.

Angela voltou e a viagem para o restaurante durou 17 minutos.

Ela ignorou todas as outras opções mais próximas, pois, tinha um lugar especifico em mente onde queria leva-la. Durante a viagem, as duas se divertiram conversando sobre os desejos estranhos que a criança havia despertado nela. Eles tinham diminuído, mas era comum vê-la salivando por alguma coisa esquisita, que em outro momento a faria correr com os olhos esbugalhados de nojo.

Quando chegaram no restaurante, Isabella pediu por uma mesa na parte de dentro do estabelecimento, pois seu sobretudo não era o suficiente para deixa-la confortável na rua por um longo período. Quando se acomodaram, Angie pegou o cardápio e deu diversas sugestões do que pedir – parecia que ela tinha dado uma beliscada em cada prato. Ela estava decidida em obter um suflê de ovos e queijo e café, enquanto Isabella optou por um sanduíche feito com waffles, queijo Cheddar, xarope de boldo e um chá gelado para acompanhar.

Quando os pedidos foram feitos, elas relaxaram.

— Você sabe, eu fiquei surpresa por ter sido capaz de vir.

Pegando o guardanapo, Isabella o abriu e colocou sobre o colo.

— Eu não estava fazendo nada e tomar um ar, parecia uma boa ideia.

— E o fato que nós não nos vemos desde que você desmaiou na minha loja, não tem nada a ver com isso — Angie comenta, fingindo estar magoada e as bochechas de Isabella mostram sinais de aquecimento — Você realmente está melhor?

Ela hesita por um momento enquanto pensa sobre as tonturas que tem sentido ao levantar da cama, mas balança a cabeça em afirmação. Desde que voltou a se medicar e comer nos horários normais, os sintomas da deficiência de ferro têm diminuído drasticamente. E assim como seu pai fazia quando ela tinha sete anos, Edward determinou um horário fixo para eles dormirem – para que a fadiga não a atrapalhasse durante o dia. Mesmo que tivesse os finais de semana livre, isso a deixou louca de irritação e para desafia-lo, ela tentou passar da meia noite em um dia em que ficaram separados, mas Edward estava certo.

Ela apagou antes das 22 porque realmente precisava descansar.

— Isso é muito bom.

Concordando, Isabella colocou os cotovelos na mesa e se inclinou para frente.

— Sim, mas agora, o que há com Stella?

O rosto de Angie murchou.

— Oh. Você percebeu.

— Como não poderia? Ela estava totalmente desconectada. Será que ela estava chateada por que eu estava lá? Eu sei que alguns casais preferem fazer isso a dois.

— Não tem nada a ver com você, Bella — Ela suspirou e ficou em silencio, encarando a mesa ocupada atrás da amiga, enquanto o garçom se aproximava e arrumava os pratos. O cheiro de comida a fez se sentir melhor. Quando ele saiu, Angie continuou — Stella está chateada com a família. Ela se reuniu com eles ontem para um jantar e contou sobre nós. Você sabe, que estamos tentando...

— Sim.

— Pois bem, eles não apreciaram muito a notícia.

— Mas por que? — Estreitando os olhos, Isabella perguntou — Você não vai me dizer que até então, eles não sabiam que Stella gostava... você sabe, de meninas.

Angela soltou seus talhares e começou a rir.

— Está tudo bem dizer a palavra. Eu estou muito bem com ela sendo lésbica — Rolando os olhos para a amiga corando com vergonha. Está bem que ela nunca discutiu em detalhes o seu envolvimento com Stella, mas não via diferença em falar sobre ela e falar sobre Ben ou qualquer outro cara — Todos estão bem com a sua sexualidade desde que ela se assumiu, há vários anos, mas ninguém está realmente empolgado com o nosso relacionamento.

Isabella engoliu com dificuldade, atordoada que alguém desaprovasse a aproximação de uma mulher doce e trabalhadora como Angela. Não fazia sentido.

— Eu sinto muito, mas isso não tem o menor cabimento. Você os conhece?

— Seus pais, sim. Eles estiveram na reinauguração da confeitaria. São boas pessoas, ambos aposentados e caseiros. Nos demos muito bem.

Batendo os punhos na mesa, ela pergunta.

— Ok. Então, por que?

Divertida com a revolta dela, Angela estendeu a mão sobre a mesa e esperou que que Isabella a pegasse. Com um aperto e um carinho, ela agradeceu por seu apoio.

— Bem, segundo Stella, estão apenas preocupados. Até o momento, ela só tinha estado com mulheres assumidas e eu não me encaixo nisso — Ela suspira com um pedaço de sua comida na boca — A verdade é que tenho sido hétero por toda a minha vida...

— Espere um segundo, eles estão com um pé atrás, por que você nunca teve um relacionamento homossexual antes? Mas isso é ridículo!

— Se você olhar por outro ponto de vista, não é. O que você diria se a sua filha te apresentasse como genro, um homem com histórico de relacionamentos repleto de outros caras? — Ela se calou diante da nova perspectiva. Angie sorriu brevemente quando viu seus olhos passando por todo o ambiente enquanto ela pensava.

Com um suspiro irritadiço, Isabella admitiu.

— Tudo bem. Eu, muito provavelmente, acharia que ele trocaria a minha garota pelo primeiro musculoso tatuado que surgisse, mas — Enfatizando o “mas”, ela continuou — Não é justo que eles não te deem um chance. Você pode sentar aqui o dia todo e inventar desculpas por eles, mas sei que isso te magoa.

Diante do silencio do outro lado da mesa, ela soube que havia acertado. Isabella não podia imaginar como era estar gravida, sem apoio do pai da criança, cuidar de um negócio e ainda ser rejeitada pela família da sua nova parceira. Não estava certo e era bastante coisa para alguém frágil como sua amiga. O que ela não entendia, era porque Stella tinha passado a manhã daquela forma. Seus pais teriam feito a sua cabeça sobre desistir do relacionamento?

— Você está certa. Eu não posso julga-los por temerem que eu a machuque eventualmente, mas dói — Ela tentou esticar os lábios e descontrair, mas foi rápido e uma expressão torturada tomou conta do seu bonito rosto — Eles insinuaram que posso estar me aproveitando dela porque serei mãe solteira.

— Agora, que porra é essa?

Angela explodiu em uma risada nervosa quando boa parte dos clientes se viraram para elas, quando a frase de Isabella foi gritada. Seu rosto estava vermelho novamente, mas porque ela estava irritada com a insinuação dos pais de Stella. Angela entendia perfeitamente todo cuidado que estavam tendo para que a filha não passasse por nenhum constrangimento ou dor, mas ouvir aquelas coisas da boca de sua namorada, tinha lhe magoado profundamente.

— Eu sinto muito — Isabella se desculpou e empurrou o prato ligeiramente para frente, indicando que havia perdido um apetite — Veja, essas pessoas, elas são estúpidas. Embora eu quisesse esfregar em suas caras o quanto você é bem-sucedida desde que estava por contra própria, não acredito que seja necessário.

— Não é. — Angela falou de boca cheia. Independentemente do assunto tenso que estavam conversando, ela parecia decidida a acabar com o seu suculento suflê.

— Bem, eu estou esperando a parte onde você me conta que Stella te defendeu, brigou com os pais e saiu batendo a porta — Ela anuncia, fazendo a colher de Angie ficar pendurada em seus lábios quando a mesma paralisou — Porque se ela tiver simplesmente sentado lá e aceitado o que eles falaram, não me interessa o quão mais alta ela é, eu vou chutar aquela bunda.

— É complicado... Stella estava abatida quando me conto tudo e infelizmente, notei certa insegurança na sua voz — A confissão fez o queixo de Isabella cair, mas sabiamente, ela não a interrompeu de novo — Ela me pediu desculpas, mas era tarde demais. Aí está a coisa, Bella, eu não pedi para que ela assumisse o papel de outra pessoa e a essa altura do campeonato, eu tenho coisas mais importantes para me preocupar do que provar ser confiável para a família dela.

E para a própria Stella, a morena acrescentou mentalmente.

— Você está completamente certa — Ela afirmou com um sorriso encorajador em seu rosto. Mais irritação não era o que a sua amiga precisava e sim, de apoio — Um pouco de pressão mexe com a gente, mas Stella é grandinha o suficiente para saber o que faz. Espero que as coisas se ajeitem entre vocês, mas saiba que eu estou aqui para o que der e vier, ok?

— Obrigada.

Os olhos negros de Angela cintilaram por um breve momento, mas com um suspiro, ela voltou a comer como se nada tivesse acontecido e isso a fez rir. A morena se acomodou melhor na cadeira e assistiu o pequeno restaurante funcionar, enquanto sua amiga fazia ruídos de apreço. Um garçom passou pela mesa e perguntou, ao ver seu copo vazio – exceto pelos cubos de gelo – se ela desejava um novo chá, mas Isabella recusou.

Uma leve náusea estava começando a preocupa-la.

— Ai!

— O que? — Ficando ereta, ela se alarmou com o gemido de Angela. As mãos da mulher foram para a sua barriga pontuda e tatearam — Está tudo bem?

— Calma, garota. Eu estou legal — Com um aceno despreocupado, Angela voltou a se tocar e então, acariciar a barriga por cima da blusa — Ele fica agitado após as minhas refeições e eu ainda não me acostumei. É só isso.

— Oh — Surpresa, a boca de Isabella era um “o” perfeito e quando pediu, seus olhos pareciam os de um filhotinho de cachorro — Será que eu posso sentir?

— É claro.

Sem o menor constrangimento, Angela empurrou a cadeira para trás e se levantou. Isabella fez o mesmo e depois de verificar que os demais clientes estavam todos cuidado de suas próprias coisas, ela, com muito cuidado, começou a acariciar o topo da barriga de Angela da maneira como era guiada. Segundo a gravida, havia certos truques para fazê-lo mover e ela quase gritou quando sentiu o primeiro chute. Era tão delicado. O movimento sentimental e logo, as duas estavam rindo como duas bobas apaixonadas por alguém que sequer conheciam.

Foi durante a discussão sobre quem pagaria a conta, que o almoço se tornou realmente agitado. Tomar o terceiro gole de sua água, provou que o liquido só estava aumentando o seu enjoo e antes que ela pudesse argumentar novamente, Isabella estava fora da cadeira e correndo para o corredor mais próximo. Ao longo da última hora, ela tinha visto mulheres e homens passarem por ele, então não foi difícil deduzir que era para lá que os banheiros ficavam.

Em agonia, ela quase empurrou a porta errada e por pouco, a comida não escapou antes que estivesse trancada em uma das cabines.

Os sons de vômitos violentos preocuparam Angela.

Várias coisas passaram por sua cabeça, mas agora, ela tinha apenas que fazê-la se sentir melhor e foi pensando nisso que deixou o banheiro para trás.

*********

Encarando seu rosto abatido no espelho, Isabella abriu a torneira e deixou que a água molhasse todo o papel toalha que ela tinha nas mãos. Mais uma vez, ela pressionou contra o rosto em várias áreas e se refrescou, respirando devagar enquanto o mal-estar ia aliviando aos poucos. Gemendo, ela largou nojento papel ensopado de lado e colocou a cabeça entre as mãos, soltando todo o ar de uma vez.

Que diabos estava errado com ela?

Angela entra no banheiro e quando vê sua aparência, lhe dá um sorriso solidário. Quando se aproxima, ela tem as duas bolsas penduradas em um braço e abre uma das mãos, para estende-la em sua direção. Isabella franze ao ver vários pedaços de casca em sua palma. Parece fresco e cheiroso, mas ela não entende a oferta.

— Aqui. Cheire um pouco disso.

— Eu não acho que...

— Vamos, é apenas limão. Tente!

Ainda com um olhar incerto e desconfiado, ela aceitou e levou uma das cascas até o nariz. Isabella se sentia estupida ao fazê-lo, mas depois de inalar o cheiro por um tempo, é surpreendida pela calmaria em seu estômago.

— Eu gostaria que você tivesse me falado sobre isso antes.

Vendo o alivio na sua expressão, Angela questiona.

— Você tem tido esses enjoos com muita frequência?

— Bem... — Ela parecia relutante em responder, mas não havia uma razão para esconder o quanto ela tem se sentido mal de vez em quando — Às vezes são apenas náuseas fracas que sequer me levam a vomitar, mas há dias em que as primeiras horas da manhã são complicadas.

— Oh, não me diga? — Mostrando seu interesse genuíno, a amiga cruza os braços em cima da barriga e encosta o quadril no balcão da pia. Arqueando a sobrancelha, ela pergunta mais — E há quanto tempo isso vem acontecendo?

Isabella torce a boca enquanto pensa, mas nenhuma data lhe vem à cabeça.

— Eu não sei. Um pouco antes do incidente da confeitaria? Ter parado de tomar o ferro realmente fodeu comigo. Talvez eu esteja precisando de uma dosagem maior.

— Sim, é possível. Será que Edward não te levou ao médico? Você sabe, eu nunca vou esquecer a maneira como ele deixou a loja. Estávamos todos tão preocupados.

Envergonhada de sua irresponsabilidade, ela assentiu.

— Nós fomos, mas Edward aprontou das suas — Seus lábios tremeram contra a sua vontade. O desejo de rir do namorado era grande — Veja você, ele se recusou a me deixar ser consultada por um médico jovem. Segundo ele, eles são menos experientes e quase nunca sabem o que estão fazendo.

— Ai, meu Deus, ele estava com ciúme?

Elas caíram na risada, ambas interiormente aliviadas que Isabella estava se sentindo bem melhor, graças ao limão. Angela sabia que o truque funcionaria.

— Ele nunca vai admitir — Rolando os olhos, a morena sorriu ao lembrar-se da maneira como ele apertou a sua cintura quando a enfermeira a apontou para o rapaz alto e bonito que poderia atendê-los naquele momento — Então, pegamos esse senhor baixinho, gordo e ranzinza. Nós conversamos e ele me levou para fazer alguns exames e agendou uma nova consulta.

— Bem?

— Eu não voltei.

— Isabella! — Ela suspirou com a repreenda, mas sabia que merecia — Eu entendo que você não gostou do médico, mas quando o Edward perceber, você sabe que estará com problemas, não é?

— Sim... talvez eu compre uma lingerie nova para ocasião.

— Vagabunda de sorte — Isabella riu mais ainda de ver Angela xingando. Ela pode contar nas duas mãos, às vezes em que isso aconteceu em todos os anos em que se conhecem — De qualquer forma, você ao menos pegou os exames?

— Sim, peguei! E para você ver como eu não sou tão descuidada, eu enviei copias por e-mail para Carlisle e pedi para ele dar uma olhada.

— Ok, mas ele não é cardiologista, oncologista ou algo assim?

Isabella bufou.

— Não importa, Angie. Ele é um bom médico e sabe guardar segredos. Eu teria mostrado para Jasper, se não soubesse que levaria uma bronca e teria a minha cabeça entregue ao Edward.

Balançando em descrença, Angela entregou-lhe sua bolsa.

— Se você sabe o que está fazendo.

— Sim, eu sei. Carlisle vai me dizer se algo estiver errado.

— Tudo bem, vamos lá. Parece que eu ganhei a questão da conta, afinal.

Com uma risadinha e uma última olhada no espelho, Isabella a seguiu para fora dali. Em sua mão, as benditas cascas de limão estavam seguras. Ela ainda não estava pronta para testar a sua sorte.

No carro, ela traçou uma ideia em sua mente, enquanto fazia caminho para a casa de Angela – que estava alegremente conversando com o seu bebê. Em algum momento, ela parou os murmúrios para checar o celular e fez uma careta.

— Você pode desviar para a confeitaria?

Isabella piscou.

— É claro. Você tem certeza?

— Sim, sim. Stella está em casa — Angela deu uma risada sem graça ao “oh” entendedor da amiga — De qualquer forma, eu não teria nada para fazer, exceto guardar tudo o que comprei. Verificar a confeitaria parece bom.

— Está bem. Como andam os negócios, agora com a sua ausência?

— Tudo sob controle. Stella tem feito um bom trabalho por lá e não tenho recebido queixas, exceto por alguns velhos clientes que se recusam a ter seus doces feitos por alguém além de mim — A morena viu que ela fingiu irritação apenas para cobrir o seu orgulho de ter pessoas exigindo que a comida fosse feita por suas mãos. Ficar longe da cozinha deveria ser duro para ela — Por falar nisso, eu recebi uma ligação da sua agência.

— O que? Por que?

Curiosa pelo tom de alarde em sua voz, Angela desviou o olhar da janela, para a morena que parecia tensa em seu assento.

— Para elogiar os doces e agradecer que eu tenha aceitado os pedidos um pouco em cima da hora — Ela responde suavemente — Eu fui sincera sobre ter sido um favor pessoal. Com essa criança acabando comigo, eu não teria pegado algo para antes da segunda semana de novembro.

— Entendo.

— E você nunca me disse como a festa foi.

— A festa foi maravilhosa — Isabella sorriu ao lembrar da sua noite divertida — Embora haja um monte de inimizades ali, todos estavam se divertindo juntos naquele dia, a decoração era impecável e Edward estava tão bonito — Angela riu de como ela gemeu o apelido e quase esperou por um suspiro — Nós dançamos, bebemos, rimos muito e... foi bom.

Ela estava decidida a não deixar o merda do seu chefe mudar aquilo para eles.

— Isso é algo pelo qual você ansiava muito, não era?

— Você não tem ideia, Angie — Ela ri de si mesma — Na faculdade, eu pensava que se o nosso namoro tivesse dado certo, seriamos aquele casal bem clichê de livro, sabe? Eu, a estudante reclusa com notas mais altas da turma e ele, o atleta popular e querido pelos professores. Não muito diferente de quem éramos em Forks, exceto que dessa vez não havia mentiras e nem precisaríamos nos esconder. Ele só teria olhos para mim e faria todas as garotas do campus sentirem inveja. Elas o desejariam, mas acima de tudo, iriam querer ter um namoro como o nosso.

— Isso é...

— Sim — Elas riram por um momento do seu sonho adolescente, mas Isabella de repente, ficou séria — Pode parecer estranho, mas não guardo rancor sobre como as coisas aconteceram. Eu sei que foram dez anos longe, mas não foram dez anos desperdiçados. Superamos tanta magoa, aprendemos tanta coisa. Naquela época, o nosso amor era intenso. Nós dois éramos. Se eu tivesse ido embora para a Califórnia e mais tarde, descobrisse da aposta de outra maneira, eu não sei o que diabos teria acontecido conosco... mas não seria bom, Angie. Talvez teríamos poupado mais pessoas. Talvez tivéssemos machucados mais. Eu não sei.

— Então, você acha que aquele não era o momento de vocês?

— Isso — Ela concordou com um pequeno sorriso — Embora estivéssemos muito apaixonados, não era a hora de vivermos sob o que um relacionamento sério exigia. Tudo o que não aconteceu me faz acreditar que não estávamos prontos — Ela pensou na perda do seu bebê e tentou não se abater diante da perspectiva de cuidar de outra vida, com apenas 17 anos, um diploma do ensino médio, o pai desempregado e a avó da criança, instável sobre querê-la ou não — Penso sobre a carreira que o Edward construiu para si e em todas as pessoas que ele ajudou. Penso em sua família e sobre como superei toda a nossa bagunça. E penso em vocês.

— Nós?

— Sim. Tudo seria diferente, sua boba. Eu não teria conhecido você ou Elena. E que ele não me ouça, mas não consigo imaginar a minha vida sem o Jasper.

Deliciada com a maneira como a sua amiga de longa data pensava, Angela segurou o seu antebraço e deu um apertão, ao mesmo tempo em que via que se aproximavam de sua confeitaria. Ao pararem na frente, ela segurou abriu a porta e perguntou.

— Então, valeu a pena?

Isabella não hesitou.

— Totalmente — Ela sorriu grande — Hoje eu tenho todos vocês, minhas habilidades, experiências, os meus pais do meu lado e recuperei ele, assim como a sua família, a qual eu não percebi o quanto sentia falta.

— Isso é tão doce — Angela gemeu como uma adolescente vendo filme de romance e com um suspiro dramático, desceu do banco com cuidado — Você está certa. Vocês têm outras dezenas de anos para realizarem os sonhos antigos e os mais recentes também. É bom estar inclusa, Bella. Você é a minha melhor amiga.

Ela não acreditou quando seus olhos começaram a marejar.

— Você também é a minha. E eu adorei a nossa manhã, Angie, mesmo que o brunch não tenha sido um sucesso — Isabella deu de ombros, ouvindo sua risadinha ao olhar para frente por um instante — Espero que tudo se resolva com, bem, você sabe. Apenas me chame se precisar de mim.

— Eu vou, Bella. Obrigada.

Elas acenam uma para outra em despedida e Isabella puxa o carro de volta para o seu caminho. Ela desacelera para pegar o celular e digita uma mensagem rápida. Onde você está? E espera ser respondida antes de chegar ao seu destino. Aparentemente viciada, ela pega um pedaço pequeno dentre as outras cascas do limão e leva até a frente do nariz, antes de inspirar profundamente. É realmente agradável e ela se pergunta se sua amiga o descobriu por causa da gravidez, mas estava feliz que funcionasse em outros casos também.

O céu, antes cinzento, estava começando a mudar.

Os raios de sol eram guerreiros lutando para atravessar as nuvens espessas, mas já conseguiam iluminar as cores que o outono trouxe para a cidade. As grandes arvores manchadas de vermelho e laranja pareciam ganhar vida.

Novembro tinha apenas acabado de começar, mas as chuvas já os prepararam para o inverno rigoroso. Acostumada com as temperaturas baixas, Isabella estava quase ansiosa para ver se nevaria este ano. No anterior, não tinha e, pensando nas atividades divertidas que poderia fazer na companhia de Edward, ela desejou que agora fosse possível. Apesar do que tinha dito a Angela, seria hipocrisia negar que ela ansiava para em criar novas memórias para recuperar todo o tempo longe e no que dependesse dela, nenhuma oportunidade seria desperdiçada.

Antes de entrar na rua, Isabella, consciente de que não teve resposta, percebe que terá que arriscar, então procura um lugar para estacionar. Depois de feito, ela deixa sua bolsa e sobretudo para trás, carregando para fora consigo; a chave do carro e seu celular. A rua, normalmente movimentada, parece quase tranquila neste horário e ela chega do outro lado com muita facilidade.

O jardineiro apenas sorri ao vê-la, pois, suas mãos estão ocupadas com uma vassoura e pá. A quantidade de folhas sobre as calçadas nessa altura do ano, os faz ter certeza que diariamente estarão ocupados por um tempo, tendo que limpa-las. Na recepção, ela congela o rosto em uma máscara agradável para não ser grosseira com a estudante que eles contrataram para trabalhar ali por meio período.

A menina nunca se conteve ou escondeu o interesse para cima de seu namorado, estando ela presente ou não, mas Isabella não deixaria uma garotinha tira-la do sério.

— Posso ajuda-la?

A moça perguntou, a fazendo parar o no caminho.

Ela sabia quem Isabella era e o que veio fazer, mas é claro que não perderia a chance de importuna-la e fazê-la se sentir como se fosse qualquer uma e não a namorada de um dos donos daquele escritório. Fechando os olhos, ela se controlou para ser razoável com a garota e virou.

— Eu duvido, mas agradeço a preocupação.

— De nada. É a minha obrigação fazer com que todos saiam satisfeitos daqui.

Isabella sorriu diante da pequena provocação. Ela também já foi jovem, imatura e teve sua cota de colegas interesseiras para ser capaz de reconhecer uma, quando via.

— Eu tenho certeza que sim. Apenas certifique-se que toda a sua... eficiência, esteja voltada para o trabalho para o qual você é pega ou se tornará impossível mantermos você aqui por mais tempo. Compreende o que digo?

Seu sorriso polido fez o dela despencar automaticamente.

Limpando a garganta, a moça assentiu e remexeu em seus papeis.

— Com certeza, Srta. Swan.

Inclinando a cabeça em acordo, Isabella deu-lhe as costas e saiu dali com as mãos tremendo de nervoso. Ela estava satisfeita com o resultado, mas sabia que não deveria ter dito aquilo! Por que colocou como se o negócio de Edward, também fosse o seu negócio? Embora acreditasse que ele dispensaria qualquer funcionaria que tenha sido desrespeitosa com ela, a morena ficaria roxa de vergonha se chegasse ao seu ouvido que ela tinha insinuado coisas. Ela só podia torcer para que a sua impressão tenha intimidado a garota o suficiente para mantê-la quieta.

Parando em frente à mesa de Maggie, ela sorriu quando a adorável senhora ergueu a cabeça e lhe presenteou com a visão dos seus exuberantes óculos de grau.

— Ora, mas que surpresa boa! Venha, deixe-me dar uma olhada em você — Maggie exclamou, empurrando a cadeira para trás. Ambas ignoraram o barulho dela batendo com força na parede e se abraçaram rapidamente. O cheiro doce de seu perfume fez o seu nariz enrugar ligeiramente — Sempre tão bonita, menina.

— Obrigada. Você também parece muito bem hoje.

— Oh, por favor! — Maggie bufou com desdém — Eu estou certa de que no final de semana, acrescentei um par de quilos à minha silhueta.

— E continua ótima.

Isabella insistiu, a fazendo enrubescer.

— Bem, eu vou permitir que o seu elogio acaricie o meu ego. Deus sabe que ele está precisando depois do insulto que recebi da minha balança hoje cedo — A mulher encorpada fez um beicinho que levou Isabella aos risos — No sábado, eu nos levei para o parque aquático e tive a minha prova que as crianças têm radar para comidas gostosas. Oh, Bella, no fim eu achei que seria confundida com uma orca e acabaria sendo mantida lá como atração.

Gargalhando, a morena chamou a atenção para si.

As pessoas que a conheciam, passaram dizendo olá e as que não, alternaram entre olhares curiosos e apreciativos. Embora os homens se interessassem pelo o que viam, não faziam nenhum movimento. Todos no escritório de advocacia eram muito sérios em seus trabalhos e não ficavam de gracinha – a maioria, pelo menos.

— Isso é bobagem. Eu tenho certeza que seu marido aprecia quando você enche um pouco mais nos lugares certos, huh? — Isabella acotovela o braço de Maggie algumas vezes, levantando as sobrancelhas comicamente, deixando a mulher nervosa e envergonhada — Por falar nisso, como ele está?

— Muito melhor, as compressas de água fria que você recomendou funcionaram muito bem — A mulher se mostra agradecida pelas dicas que Isabella lhe deu sobre tratar a artrite do seu homem — Com ele se recusando a tomar medicamentos, eu comecei a me preocupar com o banco e bem, chega de falar dos meus problemas! — Isabella sorriu e logo a secretaria começou a ajeitar o seu cabelo, arrumando as mexas para emoldurar seu rosto — Acredito que você veio ver o chefe, não é? Mas ele está em reunião.

— Oh — Ela lamenta, não escondendo a sua decepção — Tudo bem.

— Não faça essa carinha, querida, também não é assim. Você é mais do que bem-vinda para espera-lo em sua sala.

Com esperança, ela morde o lábio e encara a porta de madeira escura e lustrosa.

— Você está certa que...

— Ora, não seja tola, Bella. Se alguém pode ficar à vontade naquele lugar e fazer o que diabos quiser, é você — Ela responde, mas reflete — Ou Ravi, mas ele com certeza ouviria poucas e boas ao ser pego pelo Edward. Agora vá, se acomode e procure algo para mantê-la entretida, está bem?

— Sim, eu vou. Obrigada.

— De nada, querida. Eu posso te oferecer uma água, suco ou um café? Consigo até mesmo algo para você comer, se quiser.

— Hum... — Ela pressionou a ponta da bota no piso, esfregando-a ali enquanto pensava sobre a oferta generosa. Ela estava surpresa que sua barriga respondesse com entusiasmo a uma nova refeição. Após vomitar, ela estava novamente vazia e um pouco faminta — Apenas uma salada e um suco está bom.

Isabella manteve o seu pedido simples, acreditando que a comida leve não a levaria a fazer outra visita ao banheiro em breve. Só de pensar, ela quase desistiu.

— Considere feito — Maggie se aproxima e passa por ela, até chegar na porta e abri-la em um convite — Edward deve estar de volta em 15 minutos.

— Obrigada.

Dentro da sala, Isabella inspira sem medo e sorri com o cheiro do namorado. Seu perfume forte e masculino está por toda parte, fazendo parecer que ele tinha saído apenas naquele instante. Apesar de já conhecer tudo ali, ela vasculha o ambiente com os olhos. Novamente impressionada como cada traço da decoração parecia ter um dedo dele, diferente de seu apartamento que – apesar de estar todo mobiliado a seu gosto – não o representa com essa riqueza de detalhes. No fundo, ela acreditava que tinha a ver com o fato de ser o lugar onde ele se encontrava na maior parte do dia, cuidando dos problemas dos outros.

Durante os primeiros minutos ali, ela passou por sua grandiosa estante que ia de um canto da parede ao outro. Havia uma TV bem ao centro e nas outras divisões, livros, luminárias, algumas peças de decoração que ele mesmo tinha escolhido a dedo e é claro, porta-retratos com fotos dos amigos – alguns conhecidos, outros nem tanto – e da família. Ela sorriu diante da maioria. Isabella sabia que por muitos anos, os Cullen viveram momentos tensos devido a tudo que aconteceu, mas essas antigas fotografias a acalmaram por dentro, ao mostra-la a quantidade de bons momentos que tiveram mesmo assim.

Uma, em particular, chamou a sua atenção.

Edward estava de smoking, os cabelos penteados para trás e segurando uma taça de champanhe na mão, enquanto seu braço contornava os ombros de uma Rosalie deslumbrante em seu vestido de noiva. Ele estava sorrindo para ela, mas o carinho fraternal em seu olhar para a loira, deixava óbvio que ele estava longe de ser o noivo. Rosalie ria para a câmera e ela parecia totalmente diferente da que conheceu. Não por sua aparência, mas pela felicidade irradiando para que qualquer um pudesse ver – era difícil de acreditar que a mulher pudesse ter duas versões tão distintas. Uma amorosa e alegre e outra, amarga e muito injusta.

Balançando a cabeça, ela mudou para a seguinte. Os dois irmãos mais novos.

Alice e Edward estavam alguns anos mais jovens e, enquanto ela parecia uma bagunça com seu rosto e cabelo, sujos de cobertura de bolo, Edward estava se divertindo à beça, com um sorriso de orelha a orelha. Pela cor da cobertura do glacê, ela deduziu que se tratava de algum dos aniversários da amiga e ela não estava nada satisfeita com a surpresa. Isabella suspeitava que, secretamente, era para irrita-la que ele a mantinha ali. Seu coração amoleceu quando ela encontrou diversas imagens suas com ele, espelhadas estrategicamente para que Edward pudesse vê-las apenas com um girar de sua cadeira. As ocasiões eram as mais diversas: jantares, passeios, em casa e até mesmo da caminhada que tinham feito no Discovery Park. A praia estava logo atrás deles e gaivotas enfeitavam o céu no tom mais bonito de azul e alaranjado de fim de tarde. Se fechasse os olhos, era capaz de voltar para aquele momento, ouvir o barulho da água e sentir seu abraço.

Ela cogita a possibilidade de pegar um dos livros para matar o tempo, mas girando em seus calcanhares, Isabella olha para o sofá preto tentador, de costas para a janela de vidro fumê. Como se a chamasse, a morena se vê caminhando para lá imediatamente. Ela geme quando senta e coloca as pernas esticadas em cima do estofado. Esquecendo o celular atrás dela, ela deita-se na posição fetal e coloca uma almofada embaixo da cabeça. O cheiro do couro a incomoda por um instante, mas suas pálpebras se tornam pesadas demais para lutar contra e antes que perceba, elas se fecham e não abrem mais por algum tempo.

Mais tarde, algo roçando em seu nariz a faz entorta-lo e usar a mão para golpear aquilo para longe. Seu cérebro confuso registra uma risada baixa e logo sente movimentos leves e ternos em sua testa. Ela muda de posição e fica de costas, mas geme quando tenta abrir seus olhos e a luz do teto quase a cega. Aos poucos, ela percebe que algo está fazendo sombra em seu rosto e quanto arrisca dar uma olhada, um sorriso lento se abre ao se deparar com Edward sobre ela.

— Oi, minha menina — Ele cumprimenta e volta a acaricia-la, agora em sua bochecha — Teve uma boa soneca?

Ela ri do quão infantil ele a faz parecer e assente, antes de empurrar o corpo para cima e se sentar. Edward, que estava agachado de frente ao sofá, se ergue e senta ao seu lado. Os olhos dela caem em sua camisa social azul e a palma da sua mão coça para sentir a textura. O tecido parece tentadoramente apertado em sua pele a cada vez que ele flexiona e quando Isabella pigarreia, encontra sua expressão divertida de quem sabe exatamente o que ela estava fazendo.

— Desculpe, eu acabei adormecendo...

— Está tudo bem. Você parecia cansada.

Umedecendo os lábios, ela pergunta.

— Maggie não te avisou que eu estava aqui?

— Eu não acho que ela teve a chance. — Parecendo refletir, ele trouxe o seu polegar para o rosto dela e cutucou o canto da boca, como se limpasse algo e Isabella rezou para que não tivesse babado durante o cochilo.

— Por que?

— Ela não estava lá fora quando saí da sala de reuniões. E se for sincero comigo mesmo, gostei muito mais de ser pego de surpresa com uma visão sua, completamente adormecida no meu sofá — Sorrindo largamente, ele colocou ambas as mãos em seu rosto e a puxou para frente, enquanto abaixava a boca sobre ela — Me tirou todo o fôlego.

Edward captura os lábios macios em um beijo lento, mas intenso.

Isabella geme e segura em seu antebraço, a medida em que empurra o rosto para ele na tentativa de aprofundar o beijo ainda mais. Ela sente o seu sorriso e aproveita a oportunidade para invadir com a sua língua. O gosto dele é fresco, mentolado e antes que os dois percebem o que está acontecendo, ela está com os dedos entrelaçados em seu cabelo e subindo em seu colo. Um som semelhante a um rosnado escapa de Edward, fazendo-a sentir uma fisgada em seu centro, que alivia apenas quando ela se esfrega no volume formado sob a calça social.

— Deus... eu senti a sua falta.

Ela se queixa.

— Sim? Mesmo depois do telefonema? — As perguntas são separadas por um pequeno intervalo onde Edward morde seu pescoço, a fazendo sacudir e gritar.

— Principalmente por causa do telefonema.

Sua pele aquece com as lembranças da noite passada, onde ambos dormiram separados e trocaram um par de ligações, pois se recusavam a ir para cama sem sentir a presença do outro. Embora cansado, Edward não poupou esforços para atormenta-la com suas palavras sujas, insinuações e promessas que ela não via a hora de serem cumpridas. Seu namorado sabia aonde ir para deixa-la maluca.

Ela empinou quando o sentiu tocar suas costas por baixo da blusa. A outra mão desceu até sua bunda e a agarrou para trazê-la mais para perto. Eles eram uma bagunça ofegante enquanto alternavam entre as caricias mais doces e as ousadas.

O calor queimando as suas veias ignorava que a qualquer momento, alguém poderia empurrar aquela porta e flagra-los em um momento íntimo. Embora Edward fosse tão dono daquele lugar, quanto seu amigo Ravi e o outro investidor, ele não deveria passar esse tipo de imagem para seus funcionários. A morena ficou extremamente excitada com a pequena brincadeira que fizeram na noite de Halloween, por isso, a ideia de ser fodida em seu escritório e fazê-lo lembra-se de suas pernas abertas, enquanto seus clientes tentavam lhe dizer o que fazer, era muito sexy. E pensando nisso, ela não afastou as mãos que se empurraram para cima da direção dos seus seios.

Ao descobri-los nus, Edward gemeu enquanto os apertava.

— Desculpe, babe — Ele pediu com sinceridade ao fazê-la gritar e aliviou as caricias naquela área, para toques gentis nos mamilos — Será que você sabe o que eu vou fazer se continuar a se mexer assim em cima de mim?

Enquanto Isabella empurrava o rosto dele mais para cima em seu pescoço, ela sorria com o aviso. Seu núcleo estava escorregadio e quente, precisando de alivio. A vontade de vê-lo levantar aquele pano e chupar seus peitos sensíveis era grande, assim como a de sentir seu eixo duro pulsando necessitado, mas como se para lembra-la de onde estavam, o telefone na mesa de Edward começou a tocar.

Ambos amaldiçoam.

— Eu deveria ter cuidado disso — Ele se desculpa ao encostar a testa na dele. Seus olhos se encontram e ela sorri com uma doçura que não condiz com a sua frustração sexual — Não, porra, não saia.

Os dois riam de seu gemido quando ela se ergueu para fora de seu colo.

— Você precisa trabalhar. Vá, querido, eu ainda vou estar aqui.

Houve uma troca de olhares e Edward quase não foi capaz de se segurar. Independentemente do que aquela pequena boca rosada dizia, sua menina estava faminta por ele e nada o agradaria mais do que saciá-la.... mas o dever o chama.

— Por quanto tempo eu dormi?

Ao sentar-se na cadeira, ele responde após checar o relógio de pulso.

— Suponho que pouco mais de meia hora.

Ajustando-se no estofado, Isabella tenta lhe dar alguma privacidade quando a ligação é atendida e procura seu próprio celular. O encontra entre as almofadas e há uma chamada perdida de sua mãe. Apertando o aparelho em suas mãos, ela se controla para não retornar de imediato. Há tanta coisa que ela gostaria de dizer...

Na terça-feira, após a festa, a morena tinha acordado menos abalada, mas ainda muito nervosa com o que tinha acontecido na noite anterior. Edward a encontrou tentando ligar para Renée para pedir algum tipo de conselho e a impediu, deixando claro que quanto menos pessoas fossem envolvidas nisso, mais todos estariam seguros e a chance de eles obterem sucesso em colocar as mãos em Chelsea, seria maior. Ela concordou com alguma relutância. Sua mãe era a única autoridade que conhecia e foi por pouco que ela não magoou o advogado com a sua insegurança.

Ele jamais deixaria que alguém a machucasse e uma promessa havia sido feita.

Se Edward disse que cuidaria de Jackson, ele o faria.

Ela só precisava ter um pouco mais de paciência.

— Com licença? — Sua cabeça chicoteou para o outro lado quando ouviu a voz de Maggie. Seu rosto sorridente era a única coisa dentro da sala, enquanto o corpo estava para fora e coberto com a porta. Edward, ainda falando, usou dois dedos para chama-la para dentro — Desculpe a demora. Eu trouxe a comida.

— Obrigado, deixa-a na mesa, por favor — Ele indica com o um sorriso rápido e volta para a ligação — Faça o que eu disse. Entre com o pedido de relaxamento de flagrante. Uma vez que ainda não há indícios de que ele seja autor do delito, não se trata de um caso de prisão preventiva — Exasperado, Edward bufa — E muito menos de prisão em flagrante! O que há com você hoje? Se ele foi pego quatro dias depois do crime, não preenche os requisitos. Sim, exatamente...

Mordendo o lábio enquanto o observa auxiliar quem quer que estivesse do outro lado da linha, Isabella é novamente envolvida pelo cheiro demasiado doce de sua amiga Maggie, quando a mesma coloca duas pequenas sacolas sobre a mesa redonda.

— Eu sempre envio um dos estagiários para me fazer esses favores, mas não sou a única e precisei esperar que o pobre rapaz resolvesse algo para Ravi.

Maggie se justifica enquanto desembala a comida e seu perfume incômodo quase a faz abrir mão de seu apetite. O seu prato parece muito suculento e ao olhar para o almoço de Edward, ela se sente tentada a experimenta-lo também.

— Tudo bem — Ela aceita as desculpas — De qualquer forma, eu fui capaz de descansar um pouco. Então, o Ravi está aí?

— Oh, não. Eu o vi deixar o escritório quando a reunião a acabou — Isabella se mostra desapontada por mais um desencontro. Ela tinha ouvido as histórias mais curiosas sobre o melhor amigo de Edward, mas ainda não foi capaz de conhece-lo. Ao contrário de Aubree, por quem ele era maluco. Talvez isso fosse uma coisa boa, afinal. Ela não sabia se conseguiria ficar em silencio diante da infelicidade da moça em Seattle e não faria de Ravi um grande fã seu — Bem, vamos lá. Eu tenho uma salada de legumes e champignons para você. E Edward disse que um filé de frango era o suficiente, mas eu lhe trouxe uns legumes na manteiga, arroz e molho de mostarda. Há suco de uva para os dois. Algo me diz que irá precisar.

Sua conclusão fez Isabella franzir.

— O que? Por que?

Observando-a com curiosidade, a secretaria umedeceu os lábios e deu uma rápida olhadela para o seu chefe, agora usando o computador com uma expressão concentrada. Voltando-se para a jovem namorada, ela dá de ombros.

— Você parece cansada, querida.

Por que parece que ouviu isso dezenas de vezes apenas hoje?

— Eu não dormi bem na noite passada. A minha anemia pode não estar totalmente sobre o controle também. Acredito que seja isso.

Concordando com um zumbido, Maggie assente.

— Provavelmente. Então, me deixe ajuda-la — A morena não tem tempo de recusar e dizer-lhe que ela não era paga para isso, antes da mulher servir um copo do liquido roxo e empurrar-lhe em sua direção — Vamos, beba! Os antioxidantes naturais dessa belezinha vão deixar a sua refeição mais nutritiva e colocar alguma energia em você.

Puxando uma cadeira, Isabella se senta, desembrulha os talheres e bebe um gole do suco. Embora o clima da cidade esteja frio, aquilo a refresca e depois de vê-la com um sorriso de aprovação em seus lábios, Maggie se despede, afirmando ter coisas para fazer. Sabendo que já havia tomado tempo o suficiente dela, Isabella agradece e se volta para a comida, sentindo-se incapaz de esperar por Edward.

— Você sabe que eu não gosto desses seus horários — Ela reclama assim que o advogado finalmente toma um lugar na mesa — Como espera que eu siga o seu exemplo?

Edward sorri, divertindo com a repreensão.

— Eu não sou o seu pai, amor, você não tem que se espelhar em mim e fazer o que eu faço. Apenas o que eu digo — Ele pisca um olho, a fazendo ofegar com o seu descaramento e em troca, recebe um pedaço de cenoura voando em sua direção. Ele ri porque sabe que sua namorada errou de propósito, mas foi um aviso — Com a rotina que eu tenho, almoços nunca foram prioridades, mas você me alimenta bem.

— Sim, eu faço — Soando orgulhosa, ela sorri das cenas domesticas que passam por sua mente. Ela tinha percebido o quanto preparar jantares para o seu namorado, a agradava e como seus elogios surtiam efeitos positivos — E por falar nisso, você está vindo mais tarde, não é?

— É claro.

A resposta rápida e sem hesitação, a faz derreter por dentro.

Um novo tópico começa a ser debatido em meio os goles e garfadas, até que o som do telefone tocando novamente, os interrompe. Isabella suspira, mas ele não faz um movimento para levar-se e atender. Quando questionado, ele dá de ombros e diz estar dando uma pausa, aproveitando a companhia. Edward a tranquiliza quando a vê nervosa por estar atrapalhando e os dois terminam a refeição. Quando ele volta para a sua mesa e apanha uma papelada, o assunto mais delicado da semana chega.

Jackson.

— Você conseguiu alguma coisa com os nomes que eu lhe dei?

Hesitando por um momento, ele suspirou quando finalmente respondeu.

— Sim. Diaz tem fama e foi fácil de descobrir quem é, mas aquele Brown... deve ser novo por aqui ou no mínimo, conhecido por outra coisa. Mas estou procurando.

— Bem? O que há com esse cara, afinal de contas?

—Jason Diaz é muito conhecido por importar clandestinamente todo tipo de mercadoria proibida, precisem elas de registro ou autorização. Em seus 37 anos, ele já cumpriu duas penas por isso e mais algumas, por outros delitos menores e maiores, mas pelo que ouvi por aí, o homem está tentando se aposentar — Edward ri com escárnio por ter usado o terno sobre um bandido — Embora esteja na cidade há muito tempo, ele é natural de Loveland. Você conhece?

— Huh... — Ela franze pensando nas curtas viagens que fez com seu pai enquanto viviam no Colorado, mas não consegue lembrar — Não realmente. Isso fica a pelo menos 40 milhas de Denver e papai gostava de ficar perto de casa.

— Entendo.

— Você está certo sobre ele estar caindo fora?

— Estou — Pensativo, ele esfrega o queixo macio e sem pelos — O boato é que sua mulher acabou de dar à luz a segunda criança deles e Diaz não quer mais porcarias como essas em suas mãos. Eu duvido muito que vá bancar o bom cidadão agora, mas acredito que ele irá se expor muito menos.

— Sim. De qualquer forma, é uma escolha inteligente.

— Sim, é.

— Agora, eu não entendo qual o envolvimento do Jackson com pessoas como ele. Aquele merda é rico! Tudo bem que seu dinheiro não chega perto da fortuna que o irmão fez, mas ele não precisa apelar tanto assim para conseguir mais.

Edward sorriu diante do seu modo de ver as coisas.

— Embora grande parte das pessoas se envolvam com o crime por necessidade, muitas delas apenas gostam do dinheiro fácil, babe. Algumas adoram a adrenalina que há em efetuar negócios ilícitos e, enricar rapidamente é um bônus muito gordo.

Ela faz uma careta confusa, como se não acompanhasse o raciocínio.

— Eu não sei. Isso soa muito estúpido para mim.

— Essa é uma boa palavra para descrever gente gananciosa. — Ele concorda.

— Mas o que você está tentando me dizer é que não temos nada concreto para usar contra Jackson — Ela conclui, cruzando os braços embaixo do peito. Isabella parece frustrada por não darem nenhum passo à frente, mas com isso ele consegue lidar. Sua decepção é que doeria — Não podemos parar aqui.

Apoiado contra a borda de sua mesa, Edward estende a mão e a puxa para deixa-la entre as suas pernas. Uma vez cativa entre seus braços, ele acaricia seu bonito rosto – agora com um pouco mais de cor – e a olha profundamente quando promete.

Eu não vou parar — Os olhos dela aquecem e reconhecendo a sua raiva, ele tenta se explicar mais uma vez — Nós fizemos um acordo, Bella. Eu estou verificando os negócios do seu chefe, porque tenho meios para isso e uso vias seguras quando estou me metendo onde eu não fui chamado, mas você precisa ficar fora disso.

— Isso não é justo, Edward. O que ele fez com a aquela mulher...

— Ele vai pagar — O ruivo promete com veemência e seu semblante suaviza a medida em que o aborrecimento passa — Eu sei que o que você ouviu e viu naquele dia, nunca será apagado da sua memória e que quer fazer a sua parte para ajudá-la, Bella, mas precisa ir devagar. Estamos falando de um cara que força mulheres e tem conexão com criminosos. Jackson não pode sonhar que você está ciente disso.

Ela toma uma longa respiração e assente. Sua expressão não é animadora, mas ela parece compreender o porquê precisa ser cautelosa e ter paciência.

Edward envolve a mão em sua nuca e a puxa algumas vezes, tentando chamar a sua atenção, mas ela não parece muito disposta. Na terceira tentativa, ela vira com uma carranca a qual ele tenta desmanchar com beijos em seus lábios fechados. Ele força até que ela ceda e permita que o ruivo saqueie a sua boca com a língua esperta. Isabella não demora a segurar em sua gola para mantê-los juntos.

A mão dele pressiona em suas costas, apertando o corpo dos dois juntos. Os braços da morena enlaçam o seu pescoço e por um longo tempo, o casal fica abraçado, se acariciando e movendo os lábios preguiçosos para saborear a textura um do outro onde quer que pudessem alcançar. Infelizmente, são interrompidos novamente – agora, por uma batida na porta – e Edward assiste com diversão enquanto a namorada luta para ficar novamente composta. Ela termina de abotoar os primeiros botões da camisa, a fim de cobrir a vermelhidão dos recentes chupões quando Maggie aparece parecendo lamentar a interrupção.

— Eu sinto muito, Edward, mas o seu compromisso das 16h ligou para perguntar se há alguma maneira de você encontra-lo agora. Algo não parece bem.

Lembrando do cliente em questão, o advogado xinga baixinho e suspira.

— Sim, diga-lhe que estarei lá em certa de meia hora.

Com um sorriso de desculpa, ela olha para Isabella e os deixa a sós novamente.

— Sinto muito, babe, mas preciso ir. Era suposto que eu tivesse mais tempo, mas...

— Ei, está tudo bem. Eu fui a única que apareceu de surpresa — Ela garante com certa timidez. Edward simplesmente não resiste e a puxa bruscamente pelos braços, roubando mais um beijo enquanto ela grita e ri — Eu vou embora mais do que satisfeita por ter conseguido um almoço e algum tempinho contigo.

— Sim, você pode me surpreender assim quantas vezes quiser.

Diante de sua aprovação, Isabella abre um sorriso cheio de dentes que lhe tira o ar.

Após um novo encontro rápido de lábios, eles se separam para recolher o que precisavam antes de sair dali. Enquanto ele desliga seu computador e veste o paletó, Isabella se inclina no sofá para pegar as chaves – empinando sua agradável bunda no processo – e arruma o cabelo diante do espelho decorativo preso à parede ao lado das janelas.

— Huh, babe?

Isabella encontra seus olhos no reflexo e cessa seus movimentos, lhe dando atenção.

— Você já decidiu alguma coisa sobre o seu trabalho na agência?

— Eu... bem...

Diante da falta de resposta, Edward franze o cenho, de repente aborrecido.

— Espere um segundo aí, você não está pensando em voltar para lá, não é?

— É claro que não — Ela rola os olhos, voltando a sua tarefa, mas sua expressão corporal tensa lhe diz que ela não está falando tudo. Seu silêncio a pressiona a dizer-lhe mais — Eu apenas não sei o que fazer sobre o aviso prévio.

— Mas o que tem ele?

— Edward! Que tipo de pergunta é essa? Nenhum de nós dois quer que eu volte para agência, mas eu não posso simplesmente desaparecer do mapa.

— Oh — Ele murmura ao entender onde ela quer chegar — Você não precisa cumprir o aviso, querida. Apenas deixe que eles efetuem o desconto do valor respectivo em rescisão do contrato e você estará livre.

— Aí é que está a coisa. Eu vou precisar desse dinheiro, Edward.

— Por que?

Exasperada, ela se vira com os olhos arregalados.

— Jesus, você está se ouvindo? Tenho contas a serem pagas. Uma casa para manter e não tenho ideia de quanto tempo levará até conseguir um novo trabalho.

— Isabella, eu estou bem aqui — Ele afirma e solta o ar ao ver sua expressão confusa. Por que ela simplesmente não entende o óbvio? — Você não está mais sozinha. Eu posso e vou cuidar das suas despesas pelo tempo que for necessário.

— O que? Edward, não!

Balançando o dedo indicador em sua direção, ele discorda.

— Isso não está em discussão. Você não vai voltar a trabalhar para aquele homem.

Quando Edward puxa uma gaveta e tira as chaves do carro de lá, ela percebe que aquele não é o melhor momento para discutir a sua situação financeira. Puxando o ar profundamente para os seus pulmões, ela o segura e solta lentamente até que seu temperamento volte ao normal diante de suas determinações. Ele só quer o meu bem. Isso é tudo. Soando irritante até em pensamento, ela grunhe.

— Eu vou usar o banheiro. Já volto.

Sem dar-lhe tempo para responder, Edward a vê desaparecer pela porta do outro lado da sala. Ele arruma documentos e arquivos para serem analisados em casa, certo de que não voltará para o escritório até amanhã. Olhando para a mesa onde eles tinham almoçado, ele faz uma careta diante de pequena bagunça e caminha até lá com a pasta em sua mão. Em minutos, ele tem todas as embalagens reunidas de volta às sacolas e usa os guardanapos de papel para limpar os farelos e respingos na madeira. Uma olhada em seu relógio lhe diz que se quiser chegar na hora para o seu encontro, tem que sair agora e com impaciência, ele encara a entrada do banheiro até que, minutos depois, ela vagarosamente se abre.

Isabella sai de lá com os olhos brilhando e o celular apertado entre as mãos.

— Eu reuni o lixo para que Maggie não tivesse que fazê-lo. Você tem tudo aí? — É claro que, diante de sua pressa, Edward não percebe os detalhes da sua mudança de comportamento e apenas sorri quando ela acena fracamente — Tudo bem, vamos. Eu vou leva-la até o seu carro.

— Okay... — Sua voz não passa de um sussurro rouco e isso chama a sua atenção, o fazendo parar no caminho e olhar para trás.

— Você está mesmo bem?

— Estou.

Sua hesitação dura apenas um segundo antes de lembrar do horário apertado.

— Bom. Eu estava pensando que talvez haja um outro modo. Nós deveríamos nos sentar esta noite e pensar em uma maneira de afasta-la do trabalho sem que pareça suspeito ou fazê-la perder o dinheiro...

A voz de Edward vai diminuindo à medida que ele desaparece para fora da sala, sequer notando que Isabella ficou para trás, petrificada no lugar onde esteve desde que deixou o banheiro.

— Acho que tenho a desculpa perfeita.

Ela murmura baixinho apenas para si mesma.

O celular vibra em suas mãos, chamando atenção para baixo e quando ela olha para o seu estômago, uma lágrima solitária escorre por sua bochecha até cair sobre o tecido da blusa, formando um único círculo escuro.

— Eu estou gravida.

(Roupa da Isabella)

Notas finais
Opa. Vem bebê aí? Pelo visto, a deficiência de Bella, esteve o tempo todo mascarando os sintomas que deveriam ter a alertado sobre outra coisa completamente diferente :) Espero que vocês tenham gostado desse e fantasminhas, encarnem em alguém e apareçam por aqui, sim? Também quero minhas leitoras sumidas de volta, hahaha. Nos vemos nas reviews, gente. Até logo!