Erro
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Oliver estava andando de um lado para outro, parecia uma fera enjaulada, balbuciava coisas inteligíveis.
Eu cheguei perto dele e segurei o seu braço com carinho, ele se virou para mim com uma cara que me fez dar dois passos para traz, era tanta raiva, tanto ódio contido que me deu medo. Nunca tinha o visto daquela maneira.
–Oliver acalme-se.
–Como você pode me dizer para ter calma? Depois do que você me disse.
–Você preferiria que eu não tivesse te contado?
–Claro que eu prefiro que você tenha me contado.
–Então me faça ter confiança de que não ira fazer alguma besteira.
–Eu vou até ela, e vou ...
–NÃO, VOCÊ NÃO VAI! O único lugar que você vai agora é para minha casa tomar um banho e tentar relaxar.
–Como eu poderia? Eu não vou conseguir isso.
Eu chego até ele e coloco minhas duas mãos em seu rosto.
– Primeiro: você não pode fazer nada de cabeça cheia; segundo: se você for lá o que ira dizer ‘eu coloquei câmeras e escutas no seu escritório, por isso sei que você esta me enganado’? Acabaria colocando o nosso plano a perder.
– Terceiro?
–Terceiro? Bom, eu não ficaria tranquila se você fosse para lá, eu quero que você vá para casa comigo.
Pela primeira vez seus olhos suavizaram um pouco. Eu dou-lhe um selinho.
–Vamos?
Durante todo o caminho ele ficou quieto. Quando chegamos em casa Oliver foi tomar um banho e eu fiquei pensado em como a sua cabeça estava naquele momento, e como a cabeça da Thea ficaria se ela descobrisse. O pai biológico dela tinha matado o pai que ela sempre achara que fosse seu verdadeiro pai. Isso era digno de um teatro grego.
Eu estava tomando um copo de leite, sentada em uma banqueta do balcão da cozinha, divagando em como tirar essa dor do Oliver, e levo um susto ao ouvi a geladeira se fechar. Oliver pega um copo de água e senta-se ao meu lado.
–Desculpa
–Porque?
–Por perder o controle na sua frente.
Eu passo a mão em seu roto, ele a detém em seus lábios e beija a palma da minha mão.
–Eu não quero que você use uma mascara comigo, qualquer um perderia o controle em uma situação como essa. Você não é exceção, comigo você sempre pode ser verdadeiro. Mas me angustia o seu sofrimento.
–Eu sei. E é por isso que eu estou aqui, e não fui lá falar com a minha mãe, porque você ficaria angustiada, e isso eu não posso suportar.
–Obrigada. –Dou-lhe um beijo apaixonado, nele transmito toda a paz, serenidade e amor que eu consigo. Levanto-me e vou tomar um banho. Quando saio do banheiro ele já esta dormindo. Deito ao seu lado e durmo um sono intranquilo.
Quando o meu celular me acorda ainda é cedo, e Oliver ainda esta deitado ao meu lado. Dou-lhe um beijo na face e me levanto.
Vejo duas chamadas não atendidas da minha tia Vitoria. Mas o que será que ela quer? Ainda são oito horas da manhã. O celular chama novamente.
–Alo?
–Bom dia Felicity.- Ouço sua voz animada, até de mais no outro lado.
–Bom dia tia. Tudo bem?
–Minha queria, tudo ótimo. Por quê não estaria?
–Você nunca me liga tão cedo.
–Na verdade eu estava de passagem pela sua cidade e resolvi te visitar.
Eu engulo em seco.
–Tia você esta na cidade? Vem para o almoço?
–Eu estava pensando no café.
–Tia você esta a onde?
–Aqui em baixo na porta do seu prédio, pode liberar a passagem queria?
–VOCÊ ESTA AQUI EM BAIXO? – Bom acho que esse meu grito, ela não precisou nem do celular para ouvir.
–Querida não precisa gritar, outra coisa querida, Ivan também esta aqui comigo.
Cai sentada no tapete da sala. Oliver estava do meu lado, preocupada, me perguntado o que havia acontecido.
–Eu vou libera a sua entrada.
Desliguei o telefone. E olhei com cara de desespero para Oliver.
–Bom, acho que você vai conhecer alguém da minha família.
Levantei-me e fui ate a cozinha, e abri o portão.
–Vamos nos trocar rápido.
Quando a campainha tocou eu já estava vestida e com os dentes escovados. Sinceramente e acho que quebrei um recorde de velocidade. Oliver ainda colocava a camisa quando abri a porta.
Minha tia me deu um beijo que quase afundou um lado do meu rosto. Já meu tio Ivan quase quebrou algumas das minhas costelas. Quando sai do abraço de urso de Ivan vi minha tia encarando Oliver. Eu não me assustaria se ele tivesse fugido para as colinas, eu fugiria.
–Tia, tio vocês não conhecem Oliver ainda, não é?
–Querida não chame esse velho de tio, não somos casados. E já ouvi alguma coisa sobre Oliver Queen, ele é seu chefe.
–Tia, Ivan é como um tio para mim, então sim o chamo de tio. E quanto a Oliver ser meu chefe, sim é verdade, mas estamos juntos também.
Oliver se aproximou cautelosamente. E deu a mão para minha tia primeiramente, que virou a sua como se esperasse que ele a beija-se. Eu revirei meus olhos, quando vi que Oliver seguiu os caprichos as minha tia.
Depois Oliver cumprimentou Ivan, que deu um forte aperto de mão. Se Oliver não fosse tão forte teria quebrado alguns ossos da sua mão.
Puxei Oliver para traz de mim como que tentasse protege-lo.
–Então o que os trazem a cidade?
–Visitar a minha sobrinha não é motivo suficiente?
–Seria, mas tia, te conheço muito bem, e sei que tem mais coisa.
–Ela conversou com seu pai há uns três dias e ele falou que você esta trabalhado de secretaria para o Sr. Queen. Ele não esta muito satisfeito com isso. – Ivan diz querendo encurtar o assunto.
–Nem eu. Você é brilhante, deveria estar trabalhando em um alto cargo do governo, de qualquer governo. Tenho uma proposta irrecusável para você, uma vaga na MI6.
–E eu tenho uma vaga no governo russo.
Eu olho para Oliver, e ele parece esta se divertindo. Eu resolvo encarar a situação de uma maneira mais leve.
–Então vamos preparar um café?
Enquanto Oliver fazia o café, eu ligava para a padaria próxima de casa e pedi alguns croissant e um bolo, depois peguei na geladeira uma geleia de mirtilo e outra de amora, alguns queijos e um paté que estava perdido na geladeira, leite e um suco de laranja. Oliver colocava as xicaras, pratos, copos e talheres, na mesa, quando o garoto da padaria veio fazer a entrega, a mesa já estava arrumada e foi só se servi. Para um café improvisado, tudo ficou bem bonito, e pelo visto saboroso.
–Não tente me enganar mocinha, você ainda não nos respondeu.
Eu engasguei com o meu suco.
–Tia, eu já tive proposta para trabalhar no governo, mais isso não é para mim.
–Você quer servi café para esse rapaz.
Oliver olhou para os dois e tomou a palavra.
–A sua sobrinha é livre para escolher qual o caminho traçar, infelizmente o que seu irmão viu foi apenas uma coisa que nunca acontece. Felicity já sabe os meus gostos, mas não por me servi sempre café e sim porque me conhece, e sabia como gosto ou desgosto das coisas, do mesmo jeito que conhece o gosto do seu irmão, foi apenas esse o motivo ela servir café para nós aquele dia, e foi isso a única coisa que o General enxergou. Os senhores não admite que Felicity trabalha de minha assistente, porque acham que ela é capacitada de mais para o cargo, estão certos, ela tem capacidade para dirigir essa empresa, e junto comigo é o que ela faz. Sem ela não conseguiria dar conta da metade do meu trabalho, sem ela não conseguiria dar conta da metade da minha vida. –Oliver me olha com carinho. –Eu a contratei porque conhecia as capacitações dela como profissional. E só depois que nos envolvemos, e para evitar fofocas, ela tem me pedido para ser discreto com o nosso relacionamento. Somente algumas pessoas muito próximas sabem dele. E assim queremos manter.
–Seu pai ainda não sabe?
–Não tio, e eu quero manter dessa maneira.
–Caio? – Ele continua o interrogatório.
–Sim, ele sabe, e Daniel também. Eles são o que mais próximo eu tenho de casa aqui.
Minha tia me olha a contra gosto. Eu tomo um pouco de suco. Esse dialogo me deixou com a garganta seca. Estampo uma cara de serenidade no rosto que estou longe de sentir.
– E o que eles acham? –Tia Vitoria e cética.
–Me falaram se eu a machucasse eu iria me arrepender amargamente.
–Pode ter certeza meu rapaz, se ela se machucar você estar em sérios apuros. –Oliver olha para minha tia e sorri.
–Se um dia eu a machucar não será preciso nem os senhores, nem Caio ou Daniel. Eu não aguentaria viver sabendo que machuquei quem mais amo.
Parece que Ivan esta satisfeito com a resposta.
–Ok, agora que esta esclarecido esse ponto, vem o seguinte. -Eu pisco duas vezes tentando entender o que se trata. -Porque você foi há Moscou e não me procuro?
Depois de um café, bom aquele café, meus tios formam embora dizendo que tinham marcado um encontro com o um amigo e seu porco, não entendi mais deixei passar.
Oliver estava sentado no sofá e eu estava com a cabeça em suas pernas.
–Sobrevivi! Seu tio quase quebro minha mão. – Ele sorria, parecia que por um momento tinha esquecido das descobertas de ontem.- Sua tia é bem diferente do seu pai, fisicamente, mais o gênio é igual.
–Meu vô se casou com a mãe das minhas tias enquanto morava na Inglaterra, mais depois que ela faleceu no parto da tia Jane ele se mudou para Nova York onde conheceu minha vó e se casou. Depois de algum tempo minhas tias decidiram moram com a irmã do meu vô na Inglaterra, e seguiram suas carreiras por lá. – Eu dou um tempo olhando para o nada. -Então o quê vamos fazer hoje?
–Não sei, não quero pensar em nada. – Meu animo cai vertiginosamente, ele não tinha esquecido nem por um minuto, tudo que tinha acontecido.
–É a sua escolha Oliver, mas se você puder dar um voto de confiança para sua mãe. Nós não sabemos o que a levou a ter um caso com aquele sujeito, e talvez ao descobrir que estava gravida possa ter ficado desesperada. É uma situação complicada. Eu só peço para que você não faça nada sem pensar primeiro, e qualquer que seja sua decisão eu vou esta do seu lado.
–É a única coisa que me dá forças agora. – Ele para e olha para a teve, desligada. – A única coisa que vou fazer é colocar Isabel e minha mãe naquela sala. E isso vai ser amanha pela manha. Já avisei as duas que quero uma reunião extraordinária na minha casa, e você ira arranjar uma desculpa para tirar-me da sala e deixa-las por um bom tempo a sós.
–Que horas?
–As dez da manhã.
–Qual a pauta que você inventou para amanhã?
–Não sei.
–É melhor criar alguma.
–Vou pensar em alguma coisa.
Era nove horas da manhã e estávamos parando o carro na frente da mansão Queen. No caminho tínhamos contado a John o que eu tinha visto sobre Thea, ele, como nós, achou tudo muito maluco, e como eu, pediu calma a Oliver.
Quando entramos Moira logo notou algo esquisito com seu filho, que logo inventou uma falsa indisposição, não sei se ela acreditou mas se sim ou se não preferiu ficar calada.
Thea assim como Oliver preferia ficar longe da mansão, ela passava boa parte da noite trabalhando na parte de cima do clube, e quando terminava ia dormir na casa de Roy. Eu via quão triste Moira encontrava-se, parecia um tanto quanto abandonada, me sentia culpada, já que Oliver passava todas as noites comigo desde que começamos a ‘até pensar nessa palavra era esquisito’ namorar, e mesmo que Oliver me chamasse para morar com ele nessa casa, eu não gostaria e não aceitaria.
Moira nos chamou para tomar um café, e antes que Oliver pudesse recusar o pedido passei a sua frente e aceitei. Fomos para o escritório e esperamos, dez horas em ponto Isabel entra pela porta sem esperar se anunciada.
–Estamos todos aqui? Bom pelo que vejo até de mais. – Essa alfinetada, obvio era para mim.
–Isabel, essa casa é minha, a despeito de tudo, ela ainda é minha, e nela eu convido para entrar quem eu bem entender, e Felicity é bem vinda a qualquer hora do dia ou da noite. – Me senti vermelha que nem um pimentão ao ouvir Moira me defender daquela maneira. E vi um sorriso no canto dos lábios do Oliver. Me senti terrível sabendo que havia a espionado, mesmo sem querer, e que iria espionar novamente.
–Pode ser, mais essa reunião foi ... –Eu não deixei terminar.
–Sra. Queen, agradeço sua defesa, mas essa reunião é apenas para vocês três, então eu aguardo lá fora.
–Senhorita, o senhor Queen não necessita dos seus serviços vinte e quatro horas por dia, sabia?
–Senhorita Rochev sou assistente do Sr. Queen, e enquanto for assim ele determina meus horário não a senhora. –Saio da sala, porque se ficasse iria pular no pescoço daquela mulher. Vou até o Diggle que olha o tablete que esta conectado com as câmeras de vídeo da sala, vejo todos sentados, falando algumas amenidade, até que Oliver olha para uma das câmera, percebo que é a minha deixa.
Pego o meu celular e vou até a porta do escritório. Dou duas batidas, e ouço Moira dizer ‘entre’.
Apareço na porta e digo:
–Perdoe pelo incomodo, Sr. Queen uma ligação importante para o senhor.
Saio e em poucos instantes Oliver já esta ao meu lado.
Quando chegamos Diggle passa o tablete para mim, a tempo de ouvir de Isabel:
–Eu não gosto dessa Felicity.
–Incrível, eu não gosto de você e tenho que te aturar, mas diferente de Felicity, que provavelmente não fez nada para você, você sim fez muito mal para mim e minha família.
Isabel ri da cara de Moira.
–Quem mandou não ser mulher o suficiente.
–Se ser mulher para você é roubar maridos, não serei como você nunca.
–Eu amava Robert de uma maneira que você jamais ira imaginar, ele teria sido muito feliz ao meu lado. Uma felicidade que ele nunca experimentou com essa família medíocre que você deu para ele. Se não fosse por seu filho ele teria voltado para mim.
Moira riu uma risada sem vida.
–Ele me disse que tinha terminado com você, que você foi um passa tempo. E a nossa família era tão medíocre para ele que deu a vida para salvar o medíocre do nosso filho. E é isso que você não pode superar, que ele preferiu nós a você.
Isabel estava pálida. Ela se levantou.
–Eu vou ter essa empresa, vou fazer com que ela seja a melhor do país por memoria a ele, será a minha prova de amor definitiva, e eu vou fazer isso passando em cima de quem tiver que ser, e o primeiro da lista é o seu filho.
–Você acha que isso seria a maior prova de amor? Percebesse que não sabe o que essa palavra significa. E percebesse que não sabe o que era realmente importante para Robert. Robert queria que a empresa dele fizesse a diferença, mudasse o mundo, não destruísse ele. E se realmente o conhecesse saberia que amava os filhos acima de tudo, de mim, o quê para mim era ótimo pois sou a mãe, e acima de você, o que para mim é perfeito porque sou mulher. Você não passou de um caso, uma aventura que ele superou. – Moira continuava sentada como uma verdadeira rainha. Enquanto Isabel tinha perdido totalmente a compostura.
Olhei para Oliver, ele estava pálido, sinceramente não sabia como iria encarar essa situação.
Ele levantou, arrumou a gravata, colocou um sorriso no rosto e voltou para o escritório. Pelas câmera eu podia velos, Moira estava calma, sentada (eu pensava que aquela mulher era como uma rocha), Isabel com as bochechas um pouco vermelhas de raiva, e Oliver com uma cara de pura ingenuidade, pensando bem acho que Moira não era uma rocha, mais assim como o seu filho sabia dissimular muito bem o que realmente sentia.
–Perdão pela demora, uma ligação importante. – Ele deu uma leve pausa e continuou. –Eu as chamei aqui porque irei a Ghotan por uns dias resolver alguns assuntos, e minha mãe ira me substituir durante essa semana que estarei fora. A senhorita Smoak e o Sr. Diggle irão me acompanha já que são minha assistente e motorista.
–Você não pode coloca-la como C.E.O da empresa? –Isabel protestou.
–Quem é que disse que não? – Oliver reagiu.
–As ações irão despencar.
–Chames os acionistas e faça um comunicado, e diga que é temporário e em uma semana estarei de volta, não haverá grandes quedas.
–Eu posso cuidar da empresa sozinha.
–Eu sei bem que pode, mais eu não confio em você para isso.
–Oliver eu odeio me colocar ao lado de Isabel, mais ela tem razão, não posso assumir a empresa nem por um período curto como esse, seria um desastre!
Vi que estavam em um empasse.
Peguei meu celular e mandei uma mensagem de uma palavra para Oliver.
Ele pegou o celular e deu uma risada para a câmera.
–Thea.
Isabel olhou para Moira, sem entender direito.
–Thea no celular? — Isabel indagou.
–Não, Thea ira ficar em meu lugar assessorada pela minha mãe.
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