Erro
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Quando acordei ainda estava escuro lá fora, mas as luzes do quarto estavam acesas. Oliver estava de cueca, sentado aos pés da cama. Enrolo-me no lençol, e me aconcheguei nas suas costas.
–Bom dia!- Falei beijando suas costas.
–Bom dia.- Sua voz era baixa, e grave. Me afastei pensando que o que tinha ocorrido a noite não iria mudar em nada nossa relação. Mas ele me agarrou os tornozelos me fazendo ficar presa onde eu estava. Pegou e beijou minhas mãos fazendo as dar um abraço em sua cintura.
–O que é isso?- Ele levantou meu álbum estudantil para que eu pudesse identifica-lo.
–O álbum de todas as escolas que eu passei. –Digo sem emoção.
–Como todas?
Eu me levantei e sentei ao seu lado. Peguei o álbum e abri na primeira pagina.
–Meu pai é um oficial militar, e por conta disso sempre estávamos nos mudando. Minha mãe fez com que eu e minha irmã tirássemos fotos da escola, colegas e professores, e fazia com que colocássemos aqui nesse livro. — Mostrei pra ele fotos dos primeiro três anos de escola, um total de oito fotos. Tinha fotos de Istambul, Caracas, Cidade do Cabo entre outras. Passei para a foto do meu quarto ao sétimo ano. -Algumas vezes ficávamos por mais tempo como essa de em Madri e essa em São Paulo, quase dois anos em cada! Era uma vitória!- Fiz uma cara irônica, olhar aquele álbum me trazia tristeza, o oposto do que minha mãe desejava.- Mas teve um tempo que eu só tirava foto das escolas e colocava a data de início e termino, vê?- em cada foto tinha uma estrela, significando o início, e uma cruz como o termino. – Teve uma época que eu e minha irmã fazíamos aposta para ver quem acertava o tempo que iriamos ficar daquela vez, e sinceramente fiquei boa nisso, quase nunca errava!-Falava isso com um orgulho triste na voz. Virei mais algumas fotos. – Quatro anos doze cidades diferentes.
–Mas e Gothan?
–Foi meus últimos dois anos de escola. –Ele me olhou com cara de intrigado. — Minha irmã desenvolveu um quadro depressivo. O que fez a minha mãe tomar as rédeas da situação. Ela falou para o meu pai que se nos mudássemos mais uma vez ela iria pedir o divórcio, então o meu pai aceitou um cargo permanente em Gothan, Foi quando conheci o Caio. — Mostrei uma foto de nos dois no intervalo entre aulas.
–E esse outo aqui?-Ele olhou com uma cara feia para a foto. Nela eu sorria enquanto um rapaz de cabelos negros lisos e pele dourada beijava fortemente minha bochecha.
–Esse é o Alex.- Pulei para outra foto, onde eu estava de braços dados com Caio do meu lado direito e Alex do esquerdo. Eu usava um vestido preto de baile, cabelos presos em um coque no topo da cabeça e dois arranjos de flores um em cada braço. Caio usava um terno preto, camisa azul marinho e gravata preta, Alex vestia um terno preto, camisa branca e gravata também preta. Nessa foto podíamos ver seus olhos cor de chocolate, que fazia toda a diferença naquele rosto já bonito. –Eu fui a única a ir no baile com dois acompanhantes.
– Preciso me preocupar?- Era uma voz seria. E eu dei uma risada irônica, porque no fundo ainda sentia aquela perda.
– Ele foi morto seis meses depois dessa foto.
Oliver me olhou com uma cara surpresa.
– Nós namoramos por dois anos. Eu estava no primeiro semestre da faculdade, quando aconteceu.
–Como?- Os olhos de Oliver mostrava uma tristeza por mim, como se a qualquer momento eu fosse cair em prantos, o que era totalmente possível.
– Alex entrou na escola, que eu fui estudar, através de um programa de bolsa, ele era muito focado nos estudos. Mas a sua origem era complicada. A sua mãe tinha morrido quando ele era pequeno de um câncer raro, e seu pai vivia envolvido com gente que não prestava. Ele tinha decidido mudar o seu futuro, e a única saída que ele viu era estudando. Ganhou bolsa em varias universidades pelo país, mas tinha decidido ficar por mim.- Minha voz já falhava, uma mistura de soluço com choro engasgado na garganta. Oliver pegou minha mão e beijava com carinho como forma de apoio. – Até que um dia ligaram para ele avisando que o pai dele tinha sofrido uma overdose e estava no hospital. Eu tentei ir com ele, mas ele disse que não queria me envolver naquele mundo, falou que quando chegasse ao hospital e tivesse noticias ele ligaria. – Eu parei e olhei para frente. — Ele não ligou. O Corpo dele foi encontrado no beco do crime. Os bandidos tinham pegado o Alex como forma de punição ao seu pai.
Meus olhos estavam secos, até ressecados, como se fosse impossível verter mais lagrimas, como se só lagrimas não fosse o suficiente. Eu abaixei a cabeça, respirei e continuei.
–Eu chorei muito, quase enlouqueci, e pela primeira vez meu pai fez algo por mim. Ele usou toda a sua influencia e conseguiu prender os assassinos. Mas o estrago tinha sido de mais. Eu consegui uma bolsa em Nova York e deixei Gothan para traz.
–Você o amou muito?
–Ele foi o primeiro homem da minha vida, e até algumas horas atrás o único. — Eu olhava para o chão.- Ele sempre vai estar em um lugar no meu pensamento. – Eu levantei o olhar e encarei Olive.- Meu coração é bem grande, e sempre vai ter um lugar que é dedicado ao Alex, mas tem outros lugares dentro dele que estão ocupados no momento. –Dei um sorriso triste para Oliver.
– Eu respeito o seu passado e agradeço por ter dividido ele comigo. — Me deu um beijo, tirou o álbum da minha mão colocando no chão, apagou a luz me puxou para a cama, me fazendo dormir com o peito dele de travesseiro.
Eu acordei com o despertador. Já era seis e meia, íamos chegar tarde ao escritório.
Eu ainda estava nos braços do Oliver. Um ótimo lugar para se começar uma sexta-feira, um ótimo dia para começar qualquer dia da semana.
Levanto-me e sou surpreendia com suas mãos me puxando de volta para o seu abraço.
–Onde você pensa que vai?
–Oliver, já esta na hora de levantas, ou vou chegar atrasada.
–Eu sou o chefe, posso chegar a hora que quiser.
–Mas eu, não.- Levanto novamente e novamente ele me puxa.
–Você é minha namorada, e pode chegar na hora que quiser. – Eu entrei em estase com aquela confirmação, não seria só aquela noite. Mas tinha que manter meus pés no chão.
–Oliver, eu não quero que ninguém saiba. — Ele me olha com olhar estreitado.
– Por quê?- Me levanto e o encaro.
–Você é rico e eu sua assistente, sabe o que todos iriam pensar? E Isabel, se ela já é má por natureza, imagine se souber. — Ele senta-se na cama e me encara nos olhos.
– Não é se, e sim, quando. Você não tem que se preocupar com o que os outros achem ou deixem de achar. Eu sei exatamente quem você é, e você sabe perfeitamente quem sou o resto não faz diferença para mim, e não devia fazer para você.
– Desculpa, só me dá um tempo.
Ele me olha cério, e não diz nada.
–Vamos, você precisa ir para sua casa e trocar de roupa. Eu preciso tomar café e um banho.
– Eu não preciso ir para casa. Tenho roupas no meu carro aqui em baixo. Mas quanto ao banho acho que posso dividir o chuveiro com você.
Eu cheguei atrasada, mas para minha sorte a Megera ainda não havia chegado. Oliver mandou uma mensagem para Diggle avisando que iria busca-lo, por isso cheguei antes que eles. A manha foi tranquila, reuniões, negociações e troca de olhares. Era difícil manter a calma com aqueles olhos me seguindo.
Era mais de onze horas quando meu celular tocou.
–Jimmy?
–Oi Felicity, tudo bem?
–Tudo, e com você? Como é que esta Metrópoles?
–Então, eu estou em Starling, Felicity eu tenho umas informações sobre aquela noticia que nós conversamos. Você pode almoçar comigo hoje?
– Tem um restaurante na esquina da quinze com a principal. Nós vemos em meia hora?
–Ok! Vou conversar com os repórteres que vieram comigo e te encontro lá.
Desligo o telefone, pego minha bolsa e entro na sala do Oliver que estava em uma ligação com uns clientes do exército. Ele me olha intrigado e faz um sinal com o dedo para que eu aguarde. Eu o faço meio ansiosa perto da porta.
Não demora muito e ele termina a ligação, e eu não espero e começo a despejar palavras com uma torneira:
–Indo almoçar, volto em uma hora. Se precisar só me ligar. — Já estava de saída quando ele me parou.
–Pensei que fossemos almoçar juntos?
–Um amigo chegou à cidade....- Paro quando reparo que ele fechou a cara. Meu Deus, como ele parece uma criança emburrada.
Vou até a sua mesa, deixando ele parado na porta de vidro, e usando o controle escureço-a.
Vou caminhado até ele, e lhe dou um selinho.
–Ele é meu amigo do ‘Planeta’ ele trousse informações e pediu para almoçar para passa-las.
–Eu podia ir com você!
–Oliver, tem noção de quanta suspeita isso iria gerar. Porque o meu chefe estaria interessado em informações sobre essa Liga?
–Mas eu posso esta interessado em uma certa secretaria loira.- Ele passa o braços em volta da minha cintura.- Assim ele vai saber em que território ele esta se metendo.
–Eu sei em que terreno estou me metendo e isso já é suficiente! – Dou um outro selinho e me separo daquele abraço. Abro a porta e viro pra ele. –Volto em uma hora.
Eu cheguei uns dez minutos atrasada, mas Jimmy ainda não tinha chegado também. Sentei-me e quando ia pedir algo para beber, Jimmy sentou a minha frente. Pedimos dois sucos e começamos a conversar.
Quando o garçom veio pegar nossos pedidos já não tinha fome, tudo que eu tinha imaginado era ruim, mas o que ele havia começado a me contar era de alguma forma pior que as minhas previsões. Pedi uma salada para que ele não percebesse o quanto aquilo tinha me abalado. Quando terminou de me contar me olhou intrigado e preguntou:
–Mas Felicity, eu ainda não entendi o porque do seu interesse por isso.
–Você sabe, preciso colher informações para empresa, e tem alguns empreendimentos que estamos envolvidos e há pessoas suspeitas no meio. Mas com as informações você me ajudou muito.
Jimmy aceitou a resposta, paguei a conta, mesmo com os seus protestos. Nos despedimos e ao longe vi uma mulher de cabelos longos junto com um homem alto de óculos, o chama-lo. Suspeitei que fossem seus colegas de jornal, voltei para o escritório a pressas, precisava contar aos rapazes o que eu tinha descoberto.
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