Erro + Certo
1 Impulso
— "Isso cansa, por favor pára de me fazer de idiota" — gritei com todo o ar que tinha em meus pulmões, fazendo as pequenas veias do meu pescoço surgirem e ficando vermelha de raiva.
Estava exausta de tentar fazer as coisas resultar entre nós dois, de sentir que apenas eu lutava para que tudo desse certo, quando ele pouco ou nada se importava com os meus sentimentos.
—"Lyn não exagera, pára se ser paranóica e imaginar coisas que não existem, eu e ela somos apenas amigos!" — Rodrigo me respondeu mantendo o seu tom calmo e monótono como sempre, enquanto tirava o seu casaco molhado pela neve e se sentava no sofá de minha casa.
Eu e Rodrigo namoravamos à cerca de meio ano, foi por ele que senti meu coração palpitar mais rápido pela primeira vez, foi com ele que tive o meu primeiro beijo, o meu primeiro "andar da mãos dadas", o meu primeiro aplido carinhoso, o mru primeiro jantar romântico, o meu primeiro amo-te... eu queria que ele fosse o meu primeiro tudo, mas ele vinha mudando bastante de um tempo para cá.
— "Você fica dizendo isso, mas eu bem vejo como olha para ela, como põe gosto e comenta tudo que ela publica..
Se eu fizesse o mesmo ia gostar?" — O observo magoada enquanto ele mexe em seu cabelo para encobrir o desconforto que estava a sentir naquele momento.
— "Eu não iria nem me importar! Visto que nem a mim me deixas faria a ele..." — ele deixa escapar o comentário rude por entre os dentes, se arrependendo de imediato desviando o olhar para o chão de azulejo da sala.
— "O que você acabou de falar?" -eu pergunto, mesmo sabendo aquilo a que ele se referia.
— "Você sabe, se você se abrisse mais e não fosse tão certinha talvez eu não precisasse procurar por outras." — ele responde cutucando os dedos na mesa de centro ao lado do sofá.
— "Abrir-me mais? Eu estou sempre aqui para você, te apoiando, dando carinho e amor, e você só fica aí! Distante, sempre procurando algo mais." — respondo quase chorando, mas engolindo para parecer forte e fria que nem ele.
Ele me olha com seus olhos azuis e se levanta do sofá ficando perto de mim, mesmo mal sabe bem sentir ele ali, tão perto...
— "Você sabe do que falo Lyn, preciso mais do que uns simples beijos mas é só isso que você me deixa fazer!" — ele argumenta com sua voz grossa enquando vai para o lado do seu casaco.
— "Não me diga que está tão desesperado que não pode esperar, a gente não namora assim à tanto tempo, têm de me deixar sentir segura e perceber aquilo que quero." — eu digo revoltada me sentindo mal por dentro.
— "É isso que estou falando você pensa de mais e vive de menos!" — ele cospe enquanto veste seu casaco se preparando para sair e me deixar alí novamente desamparada.
— "Então corre para a garota da foto, talvez ela se "abra" mais rápido para você!" — cuspo de volta, dando ênfase à palavra abrir, para ele perceber que não estava apenas a falar do termo "abrir sentimentalmente".
Ele ri sacrasticamente e abana a sua cabeça negativamente e finalmente olha para mim.
— "Se você fizesse o que lhe venho pedindo à meses talvez não se sentisse tão ameaçada, e minha querida tenha a certeza que a resposta a seu comentário rude é sim." — ele me observa enquando pega na chave de sua moto.
— "Como assim? O que você quer dizer?" — eu pergunto, esperendo ter percebido mal e pedindo para que ele não o dissesse... para que ele não o tivesse feito...
— "Você entendeu bem o que eu disse, você me obrigou a isso!" -ele responde sempre me observando.
Sindo as lágrimas frias correrem pelo meu rosto quente, e uma leve dor em minhas mãos por cerrar os meus punhos tão forte em uma tentativa de me manter ali e não cair no chão, trinco o interior do meu lábio tentando evitar os soluços...
— "Rodrigo, por favor, me diz que você não fez isso!" — eu basicamente imploro, ainda com uma leve e ignorante esperança de ouvir aquilo que quero.
— "Que quer que lhe diga Lyn? Não pude mais ouvir sempre o seu não, eu sou homem sabe... tenho necessidades, e você não as queria satisfazer!" — ele me responde novamente em um tom monótono.
Como ele consegue? Eu estou ali na frente dele despedaçada, chorando, derrotada, implorando para que seja mentir... e ele se limita a responder como se para ele fosse completamente indiferenfe.
— "A mais típica desculpa! Acha que por ser mulher também não tenho vontades?" — eu me irrito novamente e ando uns passos para mais perto dele.
— "Acredito que não! Você parece um robô só fazendo aquilo que você acha certo... Não sai, não bebe, não se diverte! Só pensa na merda da escola e em tirar boas notas! Ninguém sustenta um relacionamento só com beijinhos Lyn, vê se cresce." — ele volta a dar uns passos para trás trazendo novamente a distância entre nós.
— "Você sabia que eu era assim! Eu sempre fui! Porque começou um relacionamento comigo se não gostava da minha personalidade? Sempre disse que queria andar ao meu ritmo, e descubrir tudo contigo, descubrir lentamente, passo sobre passo!" — eu retalio, ainda chorando.
— "Sim eu sabia! E por isso comecei com você..." — ele responde e eu o observo com dúvida.
— "Como assim?" — pergunto.
— "Bem, eu achei que seria um bom desafio ver até onde aguentavas fazer de boa menina." — ele responde balançando a chave. Eu o olho incrédula.
— "Era só isso que querias de mim?" — questiono, e me sinto termendo por todos os lados.
— "Claro que não... Tu és bonita, interessante, beijas bem, és atraente... mas rotina cansa! Para quê namorar se não posso ter nenhum privilégio disso?" — ele me questiona como se tivesse o maior sentido do mundo, como se a razão estivesse do seu lado.
— "Privilégio de namoro para ti é só sexo é isso mesmo?!" — estalo, não acreditando que tal frase saiu da minha boca.
— "Nem mais querida, falta isso para a gente se completar, sabe?" — ele diz se reaproximando.
Eu o afasto bruscamente, limpo minhas lágrimas e o encaro.
— "Só pode estar brincando comigo! Acaba de revelar que me traiu, que para além disso para você não existe nada de legal entre a gente sem sexo e vem se aproximar de mim?! Vai embora da minha casa e vá ter com ela, ela te dá aquilo que precisas não é mesmo?!" — luto comigo mesmo e com todos os sentimentos que se querem apoderar de mim naquele momento, lutando para não parecer despedaçada e desesperada pelo seu abraço e conforto.
— "Lyn, eu continuo amando você... eu só procurei aquilo que faltava em outra porque não o tinha de você! Se finalmente aceitar eu volto só para você e não vou querer mais saber dela... aceita e vamos considerar esse acontecimento como um erro pasado." — ele me diz.
— "Só pode estar brincando! Sai já daqui!" — eu grito em fúria.
— "Você que sabe! Você quem perde!" — ele me diz e se dirige para a porta, dá um grande suspiro e sem nem olhar para trás ou tentar se desculpar a abre e vai embora... deixando um enorme vazio no meu coração.
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