Notas iniciais
Oioi gente bonita! Eu queria agradecer muito aos leitores Cni e Lkt que tem comentado todos os capítulos. Obrigada, queridinhos do meu S2, é muito legal da parte de vocês comentarem. Espero que gostem do capítulo, não deixem de apontar os erros e dizer o que gostaram. Bjs, Delirios.

Scott Lewis, ele me disse. Seus olhos dourados ficaram gravados em minha memória, junto com a pergunta de um milhão de dólares: Porque eu não consegui ler a mente dele?

Paul: Chloe! Venha jantar!

Chloe: Estou indo.

Vou até o banheiro do corredor, lavo as mãos e desço as escadas. Entro na cozinha e me sento à mesa.

Maggie: Como foi o seu dia, Chloe?

Chloe: Foi quase normal.

Paul: O que houve?

Chloe: Eu não consegui ler a mente de um garoto. O nome dele é Scott Lewis.

Maggie: Será?

Paul: Só pode ser.

Chloe: O quê?

Paul: Achamos que ele é como você.

Chloe: Por quê?

Maggie: Porque os seus poderes não se aplicam aos outros seis, nem os deles em você.

Chloe: Mas... O incêndio... Vocês disseram que eu fui a única que sobreviveu.

Paul: Devem ter salvado outro... Você precisa descobrir se ele tem habilidades, e se tem, quais.

Chloe: Por quê?

Paul: Chloe, você só tem duas habilidades. E ainda assim, é poderosíssima. Os poderes, Chloe, podem ser muito úteis e podem fazer o bem. Mas podem ser tão bons quanto ruins. Precisamos saber.

Chloe: Ok. Eu tentarei descobrir.

Maggie: Então, como foi o seu primeiro dia de aula?

Chloe: Não foi mal... A maioria me ignorou, mas eu conheci um garoto chamado Dylan e...

Paul engasga.

Paul: CONHECEU UM GAROTO?!

Maggie: Um garoto?! Ah, a minha garotinha já é uma moça...

Chloe: É. Eu conheci um garoto chamado Dylan e ele é legal. Espero que sejamos amigos.

Ah, bem... Nesse caso não há problema algum. Minha garotinha ainda é muito nova para pensar em garotos.

Chloe: Pai, eu sei que você me ama. Não quer que eu sofra com um coração partido. E eu sei que para você eu sempre serei a sua menininha, mas eu sou uma adolescente. Não sou mais uma criança e, como adolescente, tenho o direito de pensar em garotos e coisas do tipo. Você sabe disso.

Paul: VOCÊ ESTAVA LENDO A MINHA MENTE, MOCINHA?

Chloe: Você escutou alguma palavra que eu disse?

Paul: Eu entendo que você queira ter uma vida normal de adolescente, mas você não é uma. Você tem alguns probleminhas extras e precisa aprender a resolvê-los.

Maggie: Paul, querido, pega leve. Ela tem privilégios e seria injusto não aproveitá-los.

Paul: Está bem, está bem.

Maggie: Coma logo e vá dormir, já é tarde.

Comendo pizza às 23h00minh. É... A minha família não é normal mesmo.

***

Maggie: Chloe! ACORDA!

Ela puxa o cobertor e abre a cortina.

Chloe: Mas, já?

Maggie: Anda logo e deixa de ser chata.

Chloe: Tá bom, levantei.

Eu me levanto e começo a vasculhar o meu guarda-roupa.

Maggie: Bom dia, flor do dia.

Ela me dá um beijo na bochecha e sai.

Eu pego a roupa e saio do quarto. Vou até o banheiro do corredor e entro. Fecho a porta, penduro a roupa e dispo-me. Prendo o cabelo em um coque e coloco uma touca, hoje não vou lavar o cabelo. Entro no boxe, fecho a porta do boxe e ligo o chuveiro na água quente. Tem feito frio ultimamente. A cada dia, o frio suaviza, mas ainda não está quente a ponto de tomar banhos mornos ou frios. Tomo um banho rápido e saio do boxe relutantemente. Tiro a touca, me enxugo, visto-me e vou até o meu quarto. Solto o coque frouxo e arrumo os cachos. Faço uma maquiagem simples, calço os sapatos e desço.

Chloe: Bom dia.

Paul e Maggie: Bom dia.

Tomo uma xícara que exala o perfume quente de seu conteúdo negro e açucarado. Como uma panqueca com muita calda e subo as escadas. Vou até o banheiro, escovo os dentes e volto ao meu quarto. Passo o batom, pego a mochila e desço.

Paul: Vamos?

Todos os dias Paul me leva até a escola antes de ir trabalhar. Paul é médico. Ele sempre foi médico, até mesmo antes da SETIC (Scientific Experiments Tested In Childs – Esperimentos Científicos Testados Em Crianças). Paul é bem rígido, mas seu coração é mole igual maria-mole. Ele gosta de ajudar as pessoas, admiro isso.

Paul: Chegamos.

Eu desço do carro e pego a minha mochila.

Paul: Lembre-se daquilo que te disse ontem.

Descubra se ele é um dos sete e quais são seus poderes.

Chloe: Vou fazer o possível.

Paul: Boa aula, filha.

Chloe: Obrigada. Bom trabalho.

Me viro e entro na escola. A multidão me cerca, de novo.

Garoto: Oi, Chloe.

Uma voz familiar diz.

Olho para os lados, procurando o dono da voz.

Chloe: Dylan. Bom dia.

Ele abre um sorriso leve.

Andamos lado a lado pelos corredores. Ele diz algo, mas não consigo ouvi-lo. A multidão faz muito barulho. Sei o que ele queria dizer, mas ele não sabe disso então finjo que não entendi nada. Tentamos gritar algo um para o outro, mas o barulho da multidão nos vence. Por fim, desistimos e andamos pelos corredores, quietamente até a sala 44. Primeira aula: Matemática.

Entramos na sala e nos sentamos na frente. Ele se senta atrás de mim. A aula começa. A mulher de cachos ruivos e sardas, que se diz chamar Gretta, explica a nova matéria e eu presto total atenção até que alguém entra.

Scott: Com licença?

Gretta: Entre, entre.

Ele veste uma calça jeans preta, a blusa vermelha do time de basquete, uma jaqueta varsity preta e vermelha e um vans preto. Seus olhos dourados olham para mim.

Gretta: Sente-se.

Ele se senta ao meu lado. A mochila preta da nike que ele carregava é pendurada na cadeira.

A professora continua a aula.

Ele rabisca alguma coisa no caderno e me mostra.

Eu ainda não sei o seu nome.

Está escrito em uma letra apressada.

Seus olhos intensamente dourados me olham curiosamente.

Eu rabisco o meu nome no meu caderno e o mostro.

Scott: Chloe Montgomery... Chloe...

Ele diz o meu nome saboreando letra por letra.

Ele sorri.

Scott: Belo nome.

***

Aulas e aulas se passam até que, finalmente, é hora do lanche. A manada sai correndo da sala para o refeitório. Espero todos saírem e então pego o meu cartão (ao pegar o lanche, pagamos com o cartão como se fosse um cartão de crédito e no final do mês os pais colocam mais dinheiro no cartão) e saio. Ando pelos corredores que cheiram à produto de limpeza assobiando Rather Be – Clean Bandit (feat. Jess Glynne) até que trombo com alguém.

Chloe: Desculpa, desculpa, desculpa. Eu estava meio distraí...

As palavras me escapam quando o vejo. CARAMBA! O loiro de topete e olhos verde-esmeralda sorri.

CARAMBA!

Garoto: Não foi nada.

Chloe: O-ok.

Ah, droga. Por que eu gaguejei?!

Seu sorriso se expande.

Então ela é tímida?!

Garoto: Você é nova, não é?

Chloe: A-aham.

Droga!

Hmm, carne nova.

Garoto: Vai me dizer o seu nome?

Ah esse é galinha... Que pena.

Chloe: Não.

Garoto: Então de que eu vou te chamar?

Chloe: Não vai.

Ela é difícil... Gostei.

Eu tento passar, mas ele fica na frente.

Garoto: Não vou? Porque não?

Chloe: Se você quiser tanto falar comigo, vai inventar alguma coisa.

Eu sigo andando pelo corredor e ele fica lá parado.

Que estranho... Ela é a que mais resistiu até hoje. E essas curvas...

Chloe: Eu sei o que você está olhando.

Garoto: Eu não estou olhando.

Chloe: Claro que não?!

***

Me sento ao pé da escadaria com a bandeja sobre as pernas. Não demora muito até Scott se sentar ao meu lado.

Chloe: Por que você se sentou comigo ontem?

Scott: Não sei... Simpatizei com você, eu acho... Você é diferente.

Chloe: Não sou diferente. Sou só uma garota lanchando aos pés da escadaria.

Scott: Ninguém senta aos pés da escadaria.

Chloe: Eu sento. E, pelo visto, você também.

Ele ri.

Scott: Então eu também sou diferente.

Chloe: E muito teimoso também.

Ele ri. Ainda não consigo ler a mente dele.

Chloe: Então, se eu sou diferente, é um diferente bom ou ruim?

Scott: Um diferente bom. Especial.

Chloe: Obrigada, eu acho.

Ele me olha nos olhos. Que segredos escondem esses olhos dourados?

Eu como uma fatia de pizza e bebo um copo de suco de maracujá.

Scott: De nada.

Ele sorri.

Scott: Minha vez de perguntar. Por que você se senta aqui?

Chloe: Não sei... Acho que é um lugar especial.

Scott: E por que seria isso?

Chloe: Não, não. Agora é a minha vez de perguntar.

Ele ri.

Scott: Pergunte.

Chloe: Você usa lentes?

Ele ri.

Scott: Não... Meus olhos são assim mesmo.

Chloe: Gosto dos seus olhos.

Scott: Agora tenho duas perguntas.

Chloe: Vai ter que escolher uma.

Scott: Por que acha essa escadaria especial?

Chloe: Por que eu tenho uma perspectiva diferente. Me interesso mais pelas coisas simples e sem valor. Presto atenção nos detalhes. Gosto mais da lentidão da tartaruga do que da rapidez do foguete, ou do avião. Gosto mais das pequenas formigas do que dos enormes arranha-céus. Inevitavelmente, gosto mais da escada solitária do que das mesas cheias de adolescentes.

Scott: Interessante. Você sempre é assim?

Chloe: Isso é outra pergunta.

Eu sorrio.

Chloe: Minha vez. Por que se interessa pelo diferente?

Scott: Porque o que é diferente é especial. E o que é comum, perde a graça.

Chloe: Lógico.

Scott: Por quê você gosta das coisas que normalmente passam despercebidas?

Porque eu também sou assim, discreta, passo despercebida. Eu preciso ser assim, se não, podem descobrir o que Paul, Margareth e eu passamos anos escondendo. É melhor eu não dizer isso...

Chloe: Touché. Você venceu.

O sinal toca, hora de voltar para as aulas.

***

Paul: Como foi o seu dia?

Chloe: Normal, nada de estranho sobre o Scott. Ele parece um garoto comum. Mas eu já o vi, quando eu era criança.

Paul: Interessante. Aonde foi que o viu?

Chloe: Em uma das vezes que eu fui tomar vacina.

Paul: Tem certeza que não há nada de estranho nele?

Chloe: Os olhos! Ele tem olhos dourados.

Maggie: DOURADOS?

Seria o dois?

Paul: É ele! Margareth, é ele.

Chloe: Odeio quando fazem isso... Ficam conversando entre si e eu não entendo nada. Dois? Como assim dois?

Maggie: Scott é o número dois. Dos sete, querida, é ele.

Chloe: Tem certeza?

Maggie: Uma foto ajudaria, mas eu nunca vi olhos dourados como os dele.

Chloe: Uma foto... Posso tentar isso.

Paul: Seria útil.

Chloe: Então é o que eu vou fazer.

Eu vou até o meu quarto e me deito na cama. Pego o meu material e, em alguns minutos, termino a tarefa.

Minha cabeça está doendo e eu acho que o meu nariz está entupido. Isso é mal, muito mal.

Chloe: Atchim!

Droga! Estou gripada. Odeio ficar doente. As fórmulas que me davam quando eu era pequena deixaram o meu organismo muito sensível, então, quando eu fico doente, eu fico muito mal, muito mesmo. Paul me disse na semana passada que estava tentando descobrir alguma fórmula para me deixar melhor.

Chloe: PAI!

Paul sobe as escadas correndo.

Paul: Está tudo bem? Se machucou?

Chloe: Não, pai. Mas eu estou gripada.

Paul: Então você não vai para a escola até se sentir melhor. Eu acho que vamos ter de testar em você aquelas fórmulas que eu estou fazendo. Não se preocupe, eu já testei em ratos, nenhuma vai te machucar, eu só espero que funcionem.

Chloe: Tudo bem.

Paul: Vou buscar as minhas coisas.

Chloe: Ok.

Ele desce as escadas e alguns minutos depois, já está de volta com uma maleta prata. Ele coloca a maleta sobre a cama, a destrava e a abre. De lá ele tira um termômetro e mede a minha temperatura.

Paul: 49, já?

Ele pega um tubo de ensaio com um líquido escuro, um pouco azulado tampado com uma rolha. E depois pega uma seringa descartável, rasga o plástico e coloca o remédio na seringa esterilizada, com a ajuda de uma agulha esterilizada. Já acostumada a levar injeções, me sento e estico o braço. Ele passa uma gaze com álcool no local de aplicação da injeção e faz uma prega na pele com o polegar e o indicador no meu braço. Ele insere a agulha num ângulo de 90º, mantendo a prega e empurra o êmbolo até o frasco esvaziar, levando o líquido azulado para as minhas veias. Então, ele remove a injeção, desfaz a prega na minha pele e eu pressiono com um chumaço de algodão enquanto ele organiza as suas coisas e joga a seringa em um saquinho de lixo preto. Eu jogo o chumaço de algodão no saquinho e ele coloca um band-aid no lugar aonde levei a injeção.

Paul: Pronto.

Chloe: Obrigada.

Paul: Não foi nada. Agora você precisa descansar. Já fez as tarefas?

Chloe: Fiz.

Paul: Eu vou te fazer um atestado médico e mais tarde passo na sua escola, entrego o atestado e anoto as tarefas que os professores vão passar pelo resto da semana.

Chloe: Pelo resto da semana? Eu vou ficar de repouso até a semana que vem?

Paul: Sim.

Chloe: Então vou poder dormir mais.

Ele ri.

Paul: Quer que eu traga alguma coisa quando voltar?

Chloe: Rosquinhas cairiam bem...

Paul: Chocolate quente também?

Chloe: Com canela e marshmallows, por favor.

Paul: Então durma. Você precisa descansar.

Chloe: Tá bem.

Eu fecho os olhos.

Ele me cobre.

Paul: Bons sonhos, filha.

Ele me dá um beijo na testa e sai.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Será Scott o número dois? Chloe conseguirá uma foto dele? Descubram no próximo capítulo! Bjs açucarados, Delírios.