Ermo

1 Deeply And Utterly Alone...


Notas iniciais
Eu fiz essa fic numa noite de insônia após ver o episódio dois da terceira temporada de The Originals e sinceramente, eu percebi no Klaus certa veia de arrependimento. Ele estava tão humano que chegou a me assustar. Enfim, eis minha conclusão do que ele deve ter pensando. Espero que gostem.

O tempo parecia querer contradizê-lo em tudo. O céu estava lindo e límpido, tingido de um azul claríssimo tendo apenas a luz do sol para contrastar. O clima estava confortável. Nem tão quente e nem tão frio, mas, na medida certa. Mesmo assim, não se sentia bem. Seu corpo pedia por descanso e sua mente por conforto, mas não podia se dar ao luxo de se mostrar cansado, por mais que a forma como se portava mostrava claramente o quão cansado estava. Os ombros estavam para baixo, a cabeça pendia levemente e seu corpo estava curvado. Era a sombra de um tempo grandioso do qual não tinha certeza de que queria voltar. Era mais simples, mas ao mesmo tempo, era vazio e incompleto.

Não que fosse diferente agora, mas com um bônus. Também estava totalmente sozinho, a beira de um império destruído por sua própria paranoia. Havia tomado todos os caminhos errados para derrotar seus inimigos por planos sem nenhuma asseguração de vitória e com isso, quebrou todos aqueles que um dia se importaram consigo.

Seu melhor amigo e afilhado. Seus irmãos. A mãe de sua filha. A única mulher que acreditou em sua inocência. Não restara mais ninguém.

Passou as mãos pelos cabelos, tentando anuviar a mente e se manter firme, como deveria sempre ficar. Irônico. Sempre se vangloriava por ser frio, por não se importar e por se manter intacto como um rei e agora não passava de uma sombra imunda. Fora largado a própria sorte, como um rato e só tinha a si mesmo para culpar.

A garrafa de uísque que estava na sua mão foi esvaziada em um só golpe e então jogou a garrafa longe, assustando todos os presentes. Eles o conheciam bem. Era impulsivo. Teimoso. Não possuía uma gota da humanidade e abdicara a razão. Era insano, alguém a ser mantido em uma jaula, longe da sociedade.

Riu rouco, coçando a barba. Lucien tinha razão quando disse que a única pessoa que precisava se lembrar de seu titulo, era si mesmo.

Ele que antes gritava a plenos pulmões que era o híbrido imortal. Ele que antes dizia que não podia ser destruído. Como dizem os sábios, cada um pagará com sua língua. Ele já estava destruído. Era apenas uma casca vazia.

Sentiu que seu peito apertava e, se fosse de seu feitio, choraria. Mas não podia. Ele era um original. O mais famigerado entre eles e definitivamente o mais cruel. Tomara milhares de vidas sem ao menos se importar com dor e sofrimento e jamais poderia se dar o luxo de demonstrar esse tipo de fraqueza.

Se antes apenas sorria, começara a gargalhar alto, de forma descontrolada e exagerada. Era extremamente estranho se ver ali, inerte, sendo alvo de todas as acusações. Sabia que merecia aquilo. Tanto sabia que aceitou de braços abertos toda a situação. Não revidou quando Hayley praguejava e o xingava enquanto o socava descontroladamente. Poderia ter ficado com raiva e tê-la matado, poderia acabar com tudo aquilo em um piscar de olhos, mas não. Ele merecia. Todo o ódio, todo o rancor... Era tudo sua culpa, tudo porque não sabia confiar.

Tomara todos os caminhos errados naquela trajetória. Matara Mikael, matara Gia, amaldiçoara toda a matilha crescente, obrigara Marcel a matar Rebekah, confinou a própria irmã em seu corpo original, tirou de Davina a única chance de rever Kol e também cravara uma adaga de dor agonizante no peito de Elijah. Tudo para ser temido, tudo para mostrar que era o alfa. De fato conseguira e com isso, afastara todos de si.

Covarde. Era isso que era.

Sempre que se sentira frustrado ou menosprezado simplesmente destruía tudo ao seu redor sem se importar com quem iria ferir.

Era covarde porque não sabia acreditar. Porque não queria ser ajudado e nem ajudar. Queria todo o mérito. Queria ser rei.

Rei... Rei? Poderia ter uma coroa, mas nunca seria um rei. Reis não destroem seu próprio povo. Quem faz isso é escória e não rei.

Quando foi que ficara tão ruim? Quando foi que sua bondade e generosidade foram substituídas por crueldade e paranoia?

Ainda podia se lembrar do homem que já fora. Aquele que comprava presentes para a irmã, que amava artes e não media esforços de aprender, que sempre procurava o melhor para todos.

Uma bruxa o disse uma vez que sempre não era para sempre, no final de tudo.

Estava certa. Quando ouviu aquilo na época, já sabia, mas preferira colocar sua mascara de crueldade e seguir em frente, como se não soubesse que chegaria o dia em que todos estariam de saco cheio dele.

Porque era assim que todos se encontravam. Desgastara tanto a paciência de todo mundo que ninguém mais se importava. Podia fazer o que quiser, dar a desculpa que quiser, mas era indubitável. Ele era um “rei” sem reino.

Devia ter escutado Mikael quando ele disse que chegaria a hora que não teria mais ninguém ao seu lado, que seria inútil lutar para continuar vivo. Talvez seu suposto pai não estivesse tão errado. Do que adiantaria ter o mundo ao seus pés e nenhum amigo ao seu lado?

Sua vida era uma farsa. Todos que um dia esteve perto de si, só estavam lá por serem obrigados. Seus irmãos não tinham escolha, se fugissem, eram empalados. Seus amigos... Bem, ele não tinha amigos. Seus aliados só estavam consigo pelo medo que inspirava. Todos estavam forçados a estar ali. Talvez... Talvez até mesmo Hope estivesse ali somente porque não tinha escolha.

Por que finalmente Klaus Mikaelson entendia o fracasso que era. Suas crises existenciais, sua necessidade de ter o ego acariciado... Um verdadeiro fracasso.

Dissera para Stefan que no final todos acabariam profundamente e inteiramente sozinhos, mas estava errado. Aquilo só aplicava-se a si, pelo tipo insuportável que era.

Que decadência. Precisava obrigar as pessoas a ficar consigo.

Porque não fora mais compreensivo? Porque não tentara se reunir com seus irmãos? Porque precisava ser assim?

Parou em frente a todos presentes na sacada da casa que roubou de Marcel. Seu sorriso rasgado e suas sobrancelhas arqueadas não combinavam em nada com seu estado de espírito. As mãos estavam unidas atrás de seu corpo e suas pernas se encontravam levemente afastadas.

Sua mente rondava todos os erros que cometera em mil anos. Todos os erros imperdoáveis que o assombravam a noite.

Droga! Seria tão mais fácil se desligasse a humanidade, mas tão egoísta ao mesmo tempo.

“Hope” Pensou, antes de fazer algo que se arrependeria ainda mais.

Porque Niklaus Mikaelson sabia que tinha o poder de destruir tudo e todos ao seu redor, de fazer as piores escolhas e de ser tão insuportável que não conseguia manter as pessoas perto de si.

E Klaus sabia que devastava tudo o que tocava inclusive a si mesmo.

– Eu fiz tudo o que fiz para proteger a minha filha. — Disse sarcasticamente, sorrindo de forma doentia. Era mentira. Fizera tudo para acariciar seu ego. Fizera porque tudo tinha que ser do seu jeito.

Ele sabia que era responsável por tudo aquilo que causara, inclusive o que causara a si mesmo. Porque quando ele não destruía, ele despedaçava, degredava.

E agora estava sozinho, às ruínas de um reino de terror que ele mesmo criou.

Notas finais
E então, mereço reviews? Deixem suas opiniões sobre o episódio e sobre a fanfic! Beijos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!